segunda-feira, 9 de junho de 2014

PRÁTICA E CONVITE: JEJUAR PELA JUSTIÇA CLIMÁTICA

COMO O BRASIL PODE E ENTRARÁ NESTA REDE DE JEJUM PELA JUSTIÇA CLIMÁTICA?

Jejuar pela justiça climática: um gesto que ultrapassa crenças e nacionalidades

“Jejue para salvar a Terra”; esta ideia surgiu como um grito de desespero de Yeb Sano frente ao tufão que açoitou o seu país. Sano é filipino e na Conferência da ONU sobre o Clima, em Varsóvia, em 2013, iniciou um jejum de vários dias. “Eu queria abrir os olhos de todos os líderes presentes, dada a urgência da situação”, explica este católico praticante. Seu gesto “meio espiritual, meio político” inspirou milhares de pessoas.
A reportagem é publicada pela Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação – ALC, 05-06-2014. A tradução é de André Langer.
A iniciativa desembarcou, na quarta-feira, dia 04 de junho, na França impulsionada principalmente pelos líderes cristãos, junto com muçulmanos, budistas e organizações não confessionais que defendem o meio ambiente.
“O jejum é uma prática que atravessa todas as culturas, todas as idades, que tem o poder de falar a crentes e não crentes”, afirma François Clavairoly, presidente da Federação Protestante da França. “Para nós, não se trata de exercer pressão a fim de forçar a mão dos negociadores da ONU, mas para dar a conhecer ao maior número de pessoas a urgência da situação”. As organizações, no entanto, têm a esperança de conseguir “um ambicioso e vinculante tratado”.
Paris não deve ser uma oportunidade perdida porque é tempo para tomar decisões políticas”, reconhece Clavairoly. “Os políticos podem ser afetados pela força do nosso movimento, tomada hoje por cerca de 20 países e centenas de milhares de pessoas”, confia Sano. “Se nada acontecer em Paris, em 2015, a Conferência da ONU perderá toda credibilidade nestes temas”.
A iniciativa chamou a atenção de pessoas como Pierre Rabhi, pensador da agroecologia, e Nicolas Hulot, comunicador oficial de Elísio “para proteção da Terra”. Neste sentido, o ex-jornalista tenta listar os líderes religiosos nesta luta, tendo à frente o Papa Francisco. “As religiões, como autoridades morais e espirituais, podem causar um impacto na política”, disse, ao mesmo tempo que deplora “o assombroso silêncio dos intelectuais sobre estes temas”. “Encontramos nos ensinamentos das grandes religiões a responsabilidade de trabalhar pela proteção da Terra. Necessitamos que crentes, não crentes e conservacionistas escutem este apelo. Uma vez por mês, os jejuadores serão embaixadores de uma maior simplicidade em nossas sociedades de consumo”.
Sobre o tema da mudança climática, as Igrejas demoraram para colocá-lo em suas agendas. “Na parte superior da sua agenda, a comunidade religiosa colocou o casamento homossexual e o final da vida, não o clima”, confessa um líder cristão. “Por várias razões, inclusive científicos, a questão da mudança climática chega tarde, mas o consenso de hoje prevalece e já não pode permanecer à margem”, insiste Clavairoly.

Nenhum comentário:

Postar um comentário