sexta-feira, 28 de junho de 2019

CRIME DE BRUMADINO: 1 MILHÃO EXIGE JUSTIÇA

QUANDO SERÁ QUE O CAPITAL QUE MATA DEIXARÁ DE MATAR PARA AUMENTAR LUCROS?

Brumadinho 5 meses depois: mobilizações por justiça reúnem 1 milhão

IHU - 28 junho 2019

Vagner Diniz seria avô do pequeno Lorenzo. Sua nora, Fernanda Damian de Almeida, estava grávida de 5 meses. A chegada do novo membro da família estava prevista para maio, mas os planos foram interrompidos por um dos maiores desastres humanitários e ambientais do século: o rompimento da barragem de Brumadinho, em Minas Gerais. A tragédia tirou 246 vidas, entre elas a da nora grávida e dos dois enteados de Vagner, que cinco meses depois tenta transformar o luto em luta. Além dos mortos, 24 pessoas ainda estão desaparecidas.

A reportagem é publicada por CartaCapital, 28-06-2019.

Uma das formas que Vagner encontrou para cobrar das autoridades o mínimo de justiça foi a criação de uma mobilização online, pedindo que a empresa responsável pela catástrofe, a Vale, faça um memorial para que o crime de Brumadinho nunca seja esquecido. Aberto na plataforma Change.org, o abaixo-assinado se une a outros três, que juntos somam mais de 1 milhão de apoiadores exigindo que a mineradora seja responsabilizada civil e criminalmente, que outras barragens comprometidas sejam fechadas e que haja uma investigação ampla dos processos de licenciamento ambiental de empreendimentos minerários do país.

“A vida vale mais do que o lucro. Desculpem-nos por tirar-lhes a vida!”. Esses são os dizeres que o engenheiro Vagner e os membros da Associação de Amigos de Brumadinho querem ver pelos próximos 20 anos em memoriais fixados na entrada principal das sedes e filiais da Vale no Brasil e no mundo. “Vidas humanas não são minério de ferro! Nenhum lucro justifica a morte de 270 pessoas!”, destaca o texto da petição. “Não vamos deixar que este crime passe batido!”

Além dos memoriais, que deverão contar com fotografias das vítimas em mural envidraçado, o pedido de reparação moral inclui que durante 20 anos os executivos da Vale que presidirem assembleias de acionistas leiam o seguinte texto antes de iniciar as reuniões: “A vida vale mais do que o lucro. Às vítimas de Brumadinho, desculpem-nos por tirar-lhes a vida. Peço um minuto de silêncio em respeito aos mortos de Brumadinho, convidando todos a ficarem em pé”.

“Essa é uma primeira de uma série de petições que vamos fazer no sentido de pressionar a Vale a cumprir o seu papel como empresa que deve responsabilidade não só aos familiares das vítimas como também à sociedade”, destaca o engenheiro. Vagner é padrasto de Camila Taliberti e Luiz Taliberti, mortos na tragédia. O rapaz morava na Austrália e passava férias em Brumadinho, com a companheira gestante e sua irmã, que morava em São Paulo. Eles estavam hospedados na pousada Nova Esperança quando a barragem se rompeu.

“É um show de horror essa história. É inacreditável tudo o que você passa e ainda mais quando você, como parente de vítima, querendo informação é colocado no terreno do criminoso e o criminoso controla as informações”, comenta Vagner sobre os 16 dias que passou em Brumadinho aguardando a localização dos corpos de seus familiares. “Quem é que pode nos contar como é que nós chegamos a esse ponto de acontecer tudo isso que aconteceu, a ponto de morrerem 270 pessoas”, completa o engenheiro que mora em São Paulo.

Confira os principais trechos da entrevista feita pela equipe da Change.org com Vagner Diniz:

Nesta quarta-feira 26, exatamente um dia depois do desastre completar cinco meses, Vagner participou da primeira audiência do processo que sua família e os parentes de sua nora movem contra a Vale. Na reunião, apresentaram os pedidos de reparação moral e proposta indenizatória (10 milhões de reais por vítima), que não foram aceitos pelo advogado da mineradora.

“Foi patética a participação da Vale”, definiu o pai de consideração Camila e Luiz Taliberti. O engenheiro explica que a empresa não apresentou nenhuma contraproposta, querendo que o processo fosse interrompido por 30 dias para um acordo, sem apresentar, entretanto, quais seriam as bases desse acordo. Quanto ao pedido de construção do memorial, segundo Vagner, o advogado da Vale respondeu que o assunto ainda não tinha sido discutido em conselho.

“Não temos nenhum interesse de enriquecer com as mortes dos nossos próprios filhos, não precisamos disso”, enfatiza Vagner, explicando que o valor pedido foi baseado em cálculos de relatórios da própria empresa mineradora para casos de acidentes com rompimento de barragens. Vagner, que não tem outros filhos, lembra que Camila e Luiz eram muito “grudados”, embora morassem em países diferentes. Ele era arquiteto e estava numa carreira “meteórica” na Austrália, ela era advogada e vivia em São Paulo.

Vagner espera que a justiça seja feita a partir da prisão e punição dos culpados, da memória da tragédia e não esquecimento por parte da Vale e da punição financeira de acordo com o poder econômico que a empresa possui. “O luto é um processo em que você tem que se ressignificar, se entender como uma outra pessoa. Você não vai ser nunca mais a mesma pessoa. Tem que buscar o que você vai ser a partir de agora. É um processo bem difícil, o mais difícil”, finaliza.

Mesmo sem nenhuma ligação com as vítimas, o advogado cível e tributarista Pedro Nunes Barros, de 29 anos, criou uma das maiores mobilizações por justiça a Brumadinho. Seu abaixo-assinado, também hospedado na Change.org, acumula mais de 487 mil assinaturas. Em março, o advogado, que mora no Rio de Janeiro, foi até o Ministério Público de Minas Gerais entregar parte das assinaturas coletadas à promotora Luciana de Paula, que integra a força-tarefa responsável pelas investigações da catástrofe de Brumadinho.

“Creio que compartilho uma indignação que é coletiva de muitos cidadãos brasileiros e o senso de que a gente tem o dever de não deixar as instituições responsáveis pela defesa dos direitos coletivos se esquecerem e deixarem passar batido um desastre como esse”, cometa Pedro. Para o advogado, as medidas tomadas pela Vale nesses cinco meses têm sido insuficientes. “Eu creio que para uma empresa bilionária, ela poderia estar fazendo muito mais”, diz, ressaltando que a mineradora tem um faturamento líquido de “alguns bilhões de reais” por ano.

A mobilização criada por Pedro partiu, de acordo com ele, da indignação da Vale não ter tomado nenhuma precaução depois do rompimento da barragem no município mineiro de Mariana, em 2015. “Não existe outra justiça possível se não a reparação integral”, comenta o advogado. “Espero que essa mobilização a favor de Brumadinho passe a mensagem de que o povo está farto de impunidade”, acrescenta Pedro, desejando quebrar a ideia de que normas de proteção ambiental são inconvenientes e entraves ao desenvolvimento nacional.

“Eu espero que essa mobilização passe a mensagem de que não existe desenvolvimento nacional que seja mais importante do que a preservação da vida e da dignidade”, conclui.

O outro lado

A equipe da Change.org entrou em contato com os assessores de imprensa da Vale para saber o posicionamento da empresa quanto ao pedido de reparação moral contido no abaixo-assinado. A mineradora, entretanto, limitou-se à seguinte nota: Desde o dia 25 de janeiro, a Vale está trabalhando intensamente na reparação ao meio ambiente e aos atingidos. A empresa assegura que continuará intensificando sua atuação nesse sentido.

http://www.ihu.unisinos.br/590434-brumadinho-5-meses-depois-mobilizacoes-por-justica-reunem-1-milhao 

quinta-feira, 27 de junho de 2019

OS CURRAIS ECLESIAIS

VALE MUITO REFLETIR SOBRE O QUE ESTÁ NESSE ARTIGO, PRINCIPALMENTE SE DESEJAMOS QUE O CRISTIANISMO SEJA OPÇÃO LIVRE DE VIDA, CAPAZ DE ILUMINAR TODAS AS DIMENSÕES DA VIDA, E DE MODO ESPECIAL AS OPÇÕES POLÍTICAS. NADA DE PREFERIR MERCENÁRIOS AOS AUTÊNTICOS PASTORES, QUE SÃO AMIGOS RECONHECIDOS PELAS PESSOAS AMADAS.

Os currais eclesiais
Roberto Malvezzi (Gogó)
A parábola bíblica do Bom Pastor é uma das mais conhecidas. Jesus se compara a um bom pastor, que cuida bem de suas ovelhas, que dá sua vida por elas e as defende dos lobos vorazes (João 10, 1-18). Porém, o contrário do Bom Pastor não é o lobo, mas o “mercenário”, aquele que finge ser pastor, mas quando apertado abandona suas ovelhas e foge.
O mercenário é mais que um fujão. Ele pode explorar suas ovelhas, ficar rico às custas delas, manipular sua boa vontade, manobrá-las como se fossem um grupo de idiotas.
No mundo contemporâneo e urbanizado não é fácil sustentar a parábola do Bom Pastor. Ninguém mais hoje em dia quer ser ovelha, no sentido que simplesmente obedece a uma voz de comando sem entender o que está acontecendo. Por isso mesmo, em outro contexto, Jesus vai dizer aos seus discípulos que eles não são servos, mas amigos, porque o servo não sabe o que faz ao seu Senhor, mas o amigo sabe (João 15,15).
Quem conheceu o sertão nordestino anterior à década de 1990 sabe o que eram os currais eleitorais. A voz de um coronel era capaz de determinar os votos de toda uma comunidade, até de um município, até de uma região. Eram os senhores da vida e da morte da população. Ainda é atual o célebre livro de Victor Nunes Leal “Coronelismo, Enxada e Voto”. Mas, as oligarquias nordestinas foram caindo no curto período democrático que passamos, e a última a cair foi a dos Sarney no Maranhão. Hoje temos novos governadores no Nordeste e as viúvas dos coronéis hoje encontram alguma guarida no bolsonarismo, por isso não passam muito de 20% da população do Nordeste.
Mas, novos currais eleitorais passaram a ditar a vida de milhões de brasileiros no Brasil atual. São massas humanas dominadas por mercenários, que se dizem pastores, mas que obrigam por chantagens religiosos suas ovelhas a votarem em candidatos pré-determinados, a fazerem arminhas, a não frequentarem outras igrejas, a ouvirem somente suas músicas religiosas, a entregarem seu dízimo e suas consciências aos seus orientadores. Isso acontece tanto em setores da Igreja Católica como em igrejas evangélicas.
Os tempos são outros, mas o medo à liberdade faz com que muita gente prefira ser ovelha que pessoa humana. Os currais eleitorais continuam vivos, agora como currais eclesiais.

quarta-feira, 26 de junho de 2019

A CADA TRÊS EMPRESAS QUE DEVEM AO FISCO, UMA PERTENCE AO AGRONEGÓCIO

CINQUENTA DELAS DEVEM 200 BILHÕES DE REAIS! O TOTAL DA DÍVIDA DAS 500 MAIORES EMPRESAS É PRATICAMENTE DE 815 BILHÕES! SOMADAS AS DEMAIS DEVEDORAS, A QUANTO SE CHEGARÁ? CERTAMENTE A MAIS DE 1 TRILHÃO...

E AINDA SE REPETE QUE SE NÃO SE DIMINUI O QUE SE INVESTE NOS DIREITOS À PREVIDÊNCIA, O BRASIL QUEBRARÁ. ELE JÁ ESTÁ QUEBRADO PELA PRÁTICA DE SONEGAÇÃO DE POUCAS GRANDES EMPRESAS. O QUE ELAS, ESPERTAMENTE SUSTENTAÇÃO DO GOVERNO NEOLIBERAL DE BOLSONARO, É REPASSAR O QUE IRIA PARA OS POBRES PARA SEUS BOLSOS E BOLSAS, ALÉM DE CONTINUAR TENDO SUAS DÍVIDAS NÃO COBRADAS OU PERDOADAS. 

PRECISAMOS TER CLAREZA DE QUE NÃO SOMOS NEM VIVEMOS NUMA DEMOCRACIA. SOMOS E VIVEMOS NUMA OLIGARQUIA PLUTOCRÁTICA. SÓ O POVO CONSCIENTE E MOBILIZADO PODE ENFRENTAR ESSA DOMINAÇÃO...

A cada três empresas que devem ao fisco, uma pertence ao agronegócio

Entre 500 maiores devedores, setor deve R$ 335 bilhões, 41% do passivo de R$ 815 bilhões; de acordo com a projeção trilionária de economia com a reforma da previdência, em dez anos, essa dívida pagaria três anos de gastos com o INSS


Por Bruno Stankevicius Bassi



O agronegócio é responsável por 149 empresas ou empresários na lista dos 500 maiores devedores de impostos à União. O levantamento foi organizado pelo De Olho Nos Ruralistas, com dados da
Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e faz parte da série De Olho nas Dívidas. Ao todo, 29,8% empresas ou empresários ligados à produção rural brasileira devem R$ 335 bilhões à União, o equivalente a três anos da economia projetada inicialmente por Paulo Guedes, ministro da Economia, para a próxima década, que é de R$ 1,13 trilhão.
Apresentada à parte, a previdência dos militares, chamada de Sistema de Proteção Social das Forças Armadas, deve garantir ao governo, em dez anos, de acordo com Guedes, uma economia de R$ 10 bilhões. A dívida de empresários do agronegócio é trinta vezes maior e poderia pagar a aposentadoria por trinta anos. A projeção para vinte anos será de R$ 33,65 bilhões, 10% do passivo que os ruralistas acumulam.

Em termos financeiros, a fatia do agronegócio é ainda maior. O setor responde por 41,1% dos R$ 814,9 bilhões englobados pela lista dos 500 maiores devedores. Na primeira reportagem da série, mostramos o perfil dos três conglomerados que encabeçam a relação: “Cinquenta empresas do agronegócio devem R$ 200 bilhões à União“.

Mas esse montante deve sofrer uma redução expressiva. Base fiel ao presidente Jair Bolsonaro na defesa da reforma da Previdência, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) conseguiu, na última semana, derrubar um veto no projeto original apresentado por Guedes, permitindo o perdão de R$ 17 bilhões nas dívidas previdenciárias de produtores rurais.

A FPA é financiada indiretamente por grandes devedores, como a Bunge, cujo estoque de dívidas, divididos entre seis empresas, soma R$ 127,7 milhões. Rival no mercado de comércio de grãos, a Cargill tem um passivo mais acanhado: R$ 12,6 milhões. As duas empresas pertencem à Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), uma das entidades mantenedoras do Instituto Pensar Agro (IPA), responsável por destinar recursos e prestar assessoria técnica à FPA.

GRUPO ARANTES LIDERA ENTRE OS FRIGORÍFICOS

Se no quesito individual os grupos Parmalat, JB Duarte e Dolly encabeçam a relação de devedores, no conjunto da obra o prêmio vai para a Arantes Alimentos. Em recuperação judicial desde 2009, o o grupo possui nada menos que 42 das 149 empresas ou empresários ligados ao agronegócio identificados na lista dos 500 maiores devedores da União.
Por um lado, exportações; por outro, dívidas. (Imagem: Reprodução)
Carro-chefe da companhia, a Arantes Alimentos Ltda possui a dívida mais elevada, de R$ 1,9 bilhão. Atrás dela vêm outras 24 empresas, totalizando R$ 38,7 bilhões em dívidas relacionadas a pessoas jurídicas. A dívida do grupo é tamanha que, juntos, os sete frigoríficos do grupo – Arantes, Franco Fabril, Frigorífico Vale do Guaporé, Olcav, Pádua Diniz, Cheyenne e Brasfri – respondem por 26,4% da dívida total deste setor junto à União, de R$ 42,9 bilhões.

Esse montante supera casos de ampla repercussão como do Grupo Bertin, que pediu recuperaçao judicial em 2017 e aparece na lista das 500 maiores devedoras com a Tinto Holding Ltda (R$ 1,3 bi bilhão), e do Grupo Diplomata, pertencente ao ex-deputado federal Alfredo Kaefer (PP-PR). No frigorífico do político, no dia 5 de junho de 2018, três trabalhadores morreram após uma explosão.
Mas as dívidas do Grupo Arantes não param por aí. Ele também aparece na lista com os irmãos e sócios no conglomerado, Danilo de Amo Arantes e Aderbal Arantes Jr, que chegaram a ter prisão decretada pela Justiça de Goiás, em 2009. Em entrevista ao Estadão, Aderbal afirmou que viraria vegetariano quando se livrasse das dívidas. Juntos, os 17 sócios da empresa somam outros R$ 25,6 bilhões em passivos.

Dívidas totais: R$ 64,3 bilhões. Valor superior ao Produto Interno Bruto de estados como Paraíba e Rio Grande do Norte.

DÍVIDAS POR SETOR SERÃO DETALHADAS


O setor de frigoríficos não é o único a ter destaque na lista dos 500 maiores devedores da União. As usinas de cana também concentram dívidas bilionárias. Ao todo, as 16 empresas sucroalcooleiras somam R$ 33,4 bilhões de dívidas em impostos. As três com maior acúmulo de débitos no subsetor estão no município de Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro, e ultrapassam os R$ 3 bilhões de passivo. São elas: Cooperativa Fluminense dos Produtores de Açúcar e de Álcool (Cooperflu), Companhia Açucareira Paraíso e a Usina São João Lyzandro S.A. A essas junta-se a Companhia Usina do Outeiro, com sede no sul da Bahia, e um volume de R$ 3,1 bilhões em débitos.
Usina Cucaú chegou até a ser tema de moeda. (Imagem: Reprodução)
Mais para baixo na lista, com um débito de R$ 619 milhões, aparece a Companhia Geral de Melhoramentos em Pernambuco, mais conhecida como Usina Cucaú. Pertencente à família do ex-senador e ex-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto (PSDB-PE), o grupo é o recordista absoluto em flagrantes de trabalho escravo no Brasil. Entre 2001 e 2009, 1.406 trabalhadores foram resgatados em situação análoga à escravidão.

Ao todo, 14 produtores de tabaco aparecem entre os 500 maiores devedores da União. A elite das dívidas entre os tabagistas é dominada pelos ex-sócios Mauro Donati e Luiz Antônio Duarte Ferreira e suas empresas, American Virginia e LDF Participações Ltda, devendo R$ 8,8 bilhões.

No setor de laticínios, cinco empresas ligadas ao grupo Parmalat, hoje controlado pela multinacional francesa Lactalis, acumulam R$ 68,6 bilhões de passivo. São elas: Carital Brasil Ltda, Padma Indústria de Alimentos SA, PPL Participações Ltda, Zirconia Participações Ltda e Isii Empreendimentos e Participações Ltda.

Dos 150 devedores do agronegócio, 24 são produtores de eucalipto e deram um calote na União de R$ 54,8 bilhões em impostos. Imperam na relação as empresas e sócios do grupo JB Duarte, que mantém débitos de R$ 36,7 bilhões, sendo que R$ 7,5 bilhões são de Laodse Denis de Abreu Duarte, a pessoa que mais deve ao fisco brasileiro.

Também integram a lista os dois maiores devedores do Imposto Territorial Rural (ITR): os fazendeiros Aparecida Paxeco Sennas Lopes e Thomezio Chelli, que juntos somam R$ 2,9 bilhões.
Nos próximos dias, De Olho nos Ruralistas irá detalhar as dívidas por setor, trazendo mais detalhes sobre o perfil das dívidas de cada empresa.

https://deolhonosruralistas.com.br/2019/06/23/a-cada-tres-empresas-que-devem-ao-fisco-uma-pertence-ao-agronegocio/ 

LEIA MAIS:
Cinquenta empresas do agronegócio devem R$ 200 bilhões à União

segunda-feira, 17 de junho de 2019

PASTORAIS SOCIAIS DA AMAZÔNIA REUNIDAS EM MANAUS

Seminario en Manaos reúne a 70 representantes de los estado de Amazonas y Roraima  

Adolfo Zon: “las Pastorales Sociales son mediaciones concretas para hacer visible y eficaz el amor de Dios”

"Tenemos que retomar los espacios eclesiales que se han vuelto bastante cerrados en la perspectiva de un compromiso mayor de la propia Iglesia en el área de la transformación social"

Los gobiernos tienen “miedo de gente organizada, porque la gente organizada transforma la sociedad”

“Las Pastorales Sociales son la manera concreta de nuestra Iglesia de practicar la caridad, que es el mandamiento más grande que Jesús nos dejó"

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El momento actual por el que Brasil pasa, reclama una actitud profética de la Iglesia. Siendo ésta una misión propia de todos los bautizados, las Pastorales Sociales tienen esta dimensión como objetivo fundamental. Con ese propósito se reunían en Manaos de 13 a 16 de junio, unos 70 representantes de las nueve circunscripciones eclesiásticas que componen el Regional Norte 1 de la Conferencia Nacional de los Obispos de Brasil – CNBB.
El seminario se celebraba coincidiendo con la huelga general convocada el 14 de junio contra la Reforma de la Previdencia, que sacó a la calle a millones de personas que protestaban contra las políticas del actual gobierno, que pretende llevar a cabo una reforma que satisfaga los intereses de los bancos y de los dueños del capital. Los participantes del encuentro se hicieron presentes en la paseata en el centro de Manaos, a la que diversas organizaciones de la Iglesia, entre ellas la Cáritas Brasileña, se habían adherido. No podemos olvidar que los propios obispos ya manifestaron su oposición a la reforma en la nota lanzada en su última asamblea general celebrada el pasado mes de mayo.
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Hablando sobre la importancia de las Pastorales Sociales en la vida del Regional y en la vida de la Iglesia, Mons. Adolfo Zon, que coordina esta dimensión en el Regional Norte 1 de la CNBB, reconoce que “son fundamentales porque son mediaciones concretas para hacer visible y sobre todo eficaz el amor de Dios a todas las personas, sobre todo de aquellos que pasan más necesidad". El obispo de Alto Solimões recuerda lo que dice la encíclica Caritas in Veritate, "cada bautizado, cada discípulo misionero de Jesucristo, es un canal de la gracia de Dios".
El encuentro partía de un análisis de la actual coyuntura social, política y económica por la que Brasil pasa, una situación cada vez más preocupante para buena parte de la población, que desaprueba la gestión del gobierno Bolsonaro, cuya popularidad y aceptación social es la más baja entre los últimos gobiernos en los primeros meses de su gestión. Dentro de esa panorámica, las Pastorales Sociales abordan una serie de desafíos que han sido analizados desde diferentes perspectivas: seguridad ciudadana, educación, sanidad, pueblos indígenas y medio ambiente.
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Daniel Seidel reconoce que “la Iglesia de Brasil está enfrentando un momento de rearticulación, debido a toda una implicación que ocurrió en los gobiernos anteriores de líderes de las pastorales sociales en políticas públicas, y que ahora, desgraciadamente, están siendo cada vez más desmontadas”. El asesor de la REPAM-Brasil y miembro de la Comisión Brasileña de Justicia y Paz de la CNBB, afirma que "por eso, entonces, tenemos que retomar los espacios eclesiales que se han vuelto bastante cerrados en la perspectiva de un compromiso mayor de la propia Iglesia en el área de la transformación social".
Los participantes del encuentro han abordado aspectos concretos que forman parte de la vida de las Pastorales Sociales, como es el Grito de los Excluidos, que cada 7 de septiembre desde 1995 reúne a movimientos eclesiales y sociales en torno a un tema concreto. Este año de 2019, será “¡Este Sistema no Vale!”, con una clara referencia al crimen de Brumadinho, donde la empresa minera Vale provocó la muerte de 240 personas y 32 desaparecidos, a lo que se une un desastre ambiental de consecuencias desastrosas, que se prolongarán en el tiempo durante decenas de años.
Otro tema que también ha sido abordado es la 6ª Semana Social Brasileña, aprobada en la última asamblea general de la CNBB y sobre la cual se están realizando consultas por todo el país en busca del tema y la organización concreta. La 1ª Semana Social brasileña fue realizada en 1991 y siempre ha sido un momento de reflexión en torno a temas actuales. Según Jardel Neves, Presidente de la Pastoral Obrera a nivel nacional, la celebración de esta semana es “de gran importancia para el momento actual”. De hecho, los gobiernos tienen “miedo de gente organizada, porque la gente organizada transforma la sociedad”. En ese sentido, él recordaba que “la Iglesia no puede descuidar el servicio de la caridad, como no puede omitir los Sacramento y la Palabra”, como recordaba Benedicto XVI en su encíclica Deus Caritas Est.
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En ese mismo sentido, Mons. José Ionilton Lisboa de Oliveira, reconoce que “las Pastorales Sociales son la manera concreta de nuestra Iglesia de practicar la caridad, que es el mandamiento más grande que Jesús nos dejó". El obispo de la Prelatura de Itacoatiara, destaca la importancia del encuentro como “momento para pensar juntos, evaluar y hacer nuestra previsión de acción de aquí en adelante para fortalecer aún más la presencia de la Iglesia junto a aquellas personas que más necesitan de nuestro amor solidario”.
El Sínodo para la Amazonía, que este lunes, 17 de junio, presenta su Instrumentum Laboris, también ha estado presente en el encuentro, siendo recordado el proceso llevado a cabo hasta ahora desde que el 15 de octubre de 2017 era convocado por el Papa Francisco. Por encima de todo se ha destacado la importancia del proceso de escucha, del cual han participado las Pastorales Sociales, siempre preocupadas por muchos de los aspectos que están siendo reflexionados dentro del proceso sinodal.
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https://www.religiondigital.org/luis_miguel_modino-_misionero_en_brasil/Adolfo-Zon-Pastorales-Sociales-Dios_7_2131656814.html

POVOS DO XINGU EXIGEM SER CONSULTADOS SEGUNDO SEU PROTOCOLO DE CONSULTA

APOIEM ESTA LUTA!

Os povos indígenas estão lutando por seu direito de serem consultados sobre qualquer decisão que impacte suas vidas e seus territórios. Essa foi a mensagem que vinte caciques e lideranças do Xingu levaram a Brasília semana passada.
Na quarta feira (12) , os Xinguanos, junto com a Deputada Indígena Joenia Wapichana, realizaram  uma Audiência Pública na Câmara dos Deputados para apresentar sua proposta de consulta conjunta da rodovia BR 242 e da Ferrovia de Integração do Centro Oeste (FICO), que cortam a fronteira sul do Território Indígena do Xingu (MT) e interceptam as principais nascentes do rio Xingu.
Os indígenas já têm seu Protocolo de Consulta, que descreve de que forma o governo deve consultá-los sobre qualquer decisão que afete suas vidas. Agora colocam na mesa um detalhamento de como isso deve acontecer no caso de dois empreendimentos que impactam fortemente o entorno de sua terra e a qualidade do rio Xingu.
Se concretizadas, as duas obras devem intensificar o desmatamento e a contaminação por agrotóxico da água e do solo na região das nascentes do rio Xingu. Além disso, estão muito próximas a dois dos mais importantes sítios arqueológicos do país: Kamukwaka e Sagihengu. Esses sítios arqueológicos registram a ancestralidade do território, e são defendidos até hoje pelos Xinguanos, apesar de estarem além das fronteiras demarcadas.
Ouça a voz do Xingu:
Na audiência, todos os órgãos competentes concordaram com a proposta de consulta e o Ministério da Infraestrutura se comprometeu a liderar a articulação para sua realização. Em reunião com os Xinguanos após a audiência, o Ministério da Infraestrutura se comprometeu a dar seguimento ao processo respeitando o protocolo de consulta e o plano de gestão do TIX.
Um grande passo foi dado! Vamos continuar resistindo ao lado dos Xinguanos e exigindo que o governo consulte os povos da floresta antes interferir nas suas vidas e territórios.
Os povos indígenas lutam por seu direito à voz, e precisamos nos somar a eles - juntos somos mais fortes!
(Notícia publicada pelo ISA - Instituto Socioambiental)

POPULAÇÃO EM MARCHA CONTRA A INSTALAÇÃO DE USINA NECLEAR

ABSURDO TOTAL: GASTAR HORRORES PARA IMPLANTAR UM LIXO NUCLEAR, EM NOME DE PRODUZIR ENERGIA, JUSTO NUMA DAS ÁREAS EM QUE HÁ SOL À VONTADE PARA PRODUZIR ENERGIA SEM RISCO PARA NADA E NINGUÉM!

AJUDEM O POVO DO SERTÃO A NÃO SER OBRIGADO A CONVIVER COM ESSE CRIME.

No Sertão pernambucano, população sai em caminhada contra instalação de usina nuclear

Protesto acontece nesse fim de semana e conta com atividades políticas e culturais

Brasil de Fato | Recife (PE)
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A ação tem início no sábado (15), com concentração às 5h / Divulgação Governo PE
Nos dias 15 e 16, acontece em Pernambuco uma caminhada contra a instalação de uma usina nuclear no município de Itacuruba, no Sertão de Pernambuco. A Caravana Anti Usina Nuclear é realizada pela Diocese de Floresta, Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Pernambuco (Fetape), Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), ProVida, Sindicatos de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais, Polo Sindical do Submédio São Francisco PE/BA, comunidades tradicionais indígenas e quilombolas, pescadores, agricultores, familiares.

A ação tem início no sábado (15), com concentração às 5h na entrada do município de Carnaubeira da Penha. Às 11h, começa a caminhada em direção a Floresta. No domingo (16), a concentração da caminhada de Floresta ao município de Itacuruba é às 3h. A partir das 8h, será realizado o ato contra a instalação da Usina Nuclear, em frente à Igreja Matriz Nossa Senhora do Ó, em Itacuruba. O evento contará com apresentações culturais e pronunciamentos.

Estudos de órgãos federais consideram Itacuruba como o local apropriado para abrigar uma usina nuclear na região Nordeste, em virtude da aproximação com o rio São Francisco. De acordo com declarações do Ministério de Minas e Energia do Governo Federal, a energia nuclear seria importante para manter a matriz energética do país. Porém, a instalação da usina pode trazer impactos para a vida de comunidades quilombolas e povos indígenas. Caso seja concretizada, a proposta implicará em expulsão desses povos tradicionais de seus territórios.

Segundo o diretor de Política Agrícola da Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares de Pernambuco (Fetape), Adimilson Nunis, a construção de uma usina nuclear trará transtornos e insegurança para a população local, que temerão pela própria vida com a instalação de um empreendimento do porte de uma usina. “Como vamos viver com uma usina nuclear? Será que vão querer comprar nossa produção agrícola, agropecuária e a pesca? Achando que tudo está contaminado. Se houver vazamento, contaminar as águas do rio São Francisco? Fora as questões psicológicas para as pessoas”, pontua o diretor.

De acordo com artigo da revista New Scientist publicado no site do Instituto de Pesquisa Agropecuária (IRPAA), as usinas nucleares são consideradas lixos radioativos. O Brasil não possui um depósito seguro para depositar dejetos. Acidentes de graves proporções já ocorreram no mundo. Um deles foi o acidente da Usina nuclear de Chernobil, na Ucrânia, onde 4 mil pessoas foram contaminadas por uma nuvem radioativa que se espalhou atingindo pessoas, animais e o meio ambiente. No Brasil, em 1987, milhares de pessoas foram afetadas pela contaminação do Césio 137, em Goiânia (GO).
 
Edição: Monyse Ravena

sexta-feira, 14 de junho de 2019

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA O DIA MUNDIAL DOS POBRES - 17 DE NOVEMBRO


https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2019-06/mensagem-papa-francisco-dia-mundial-pobres.html

Papa Francisco instituiu o Dia Mundial dos Pobres ao final do Jubileu da Misericórdia Papa Francisco instituiu o Dia Mundial dos Pobres ao final do Jubileu da Misericórdia  (@L'Osservatore Romano)

Papa: os pobres não são lixo humano, precisam do nosso amor

Foi divulgada esta quinta-feira (13/06) a mensagem do Papa Francisco para o III Dia Mundial dos Pobres, que será celebrado em 17 de novembro. O Santo Padre recorda que a promoção dos pobres, mesmo social, não é um compromisso extrínseco ao anúncio do Evangelho.
Bianca Fraccalvieri - Cidade do Vaticano
«A esperança dos pobres jamais se frustrará» (Sal 9, 19): as palavras do salmista são o tema escolhido pelo Papa Francisco para o III Dia Mundial dos Pobres, que será celebrado em 17 de novembro.
Esta celebração instituída pelo Pontífice é fruto do Jubileu Extraordinário da Misericórdia e se realiza no domingo anterior ao da festa de Cristo Rei.
Ouça a reportagem completa

Não aprendemos com a história

Em sua mensagem para a edição deste ano, Francisco faz uma comparação entre a situação do pobre no tempo do salmista e a situação atual e constata que pouco mudou.
“ Passam os séculos, mas permanece imutável a condição de ricos e pobres, como se a experiência da história não ensinasse nada. Assim, as palavras do salmo não dizem respeito ao passado, mas ao nosso presente submetido ao juízo de Deus. ”
Francisco cita as “muitas formas de novas escravidões”, como famílias obrigadas a deixar a sua terra; órfãos que perderam os pais; jovens em busca duma realização profissional; vítimas de tantas formas de violência, da prostituição à droga; sem esquecer os milhões de migrantes instrumentalizados para uso político.

Lixeira humana

O Papa fala também das periferias de nossas cidades, repletas de pessoas que vagueiam pelas ruas, em busca de alimento. “Tendo-se tornado eles próprios parte duma lixeira humana, são tratados como lixo, sem que isto provoque qualquer sentido de culpa em quantos são cúmplices deste escândalo.”
Não obstante a descrição de injustiça e sofrimento no salmo, há uma definição do pobre: é aquele que «confia no Senhor» (cf. 9, 11), pois tem a certeza de que nunca será abandonado.
“Na Escritura, o pobre é o homem da confiança!”, escreve o Pontífice.
“É precisamente esta confiança no Senhor, esta certeza de não ser abandonado, que convida o pobre à esperança. Sabe que Deus não o pode abandonar.”

Compromisso intrínseco ao Evangelho

Jesus, por sua vez, não teve medo de Se identificar com cada um deles. Francisco então adverte: esquivar-se desta identificação equivale a ludibriar o Evangelho e diluir a revelação.
Sobretudo num período como o nosso, prossegue o Papa, é preciso reanimar a esperança e restabelecer a confiança. “É um programa que a comunidade cristã não pode subestimar. Disso depende a credibilidade do nosso anúncio e do testemunho dos cristãos.”
Francisco recorda que a promoção dos pobres, mesmo social, não é um compromisso extrínseco ao anúncio do Evangelho; pelo contrário, manifesta o realismo da fé cristã e a sua validade histórica. Como exemplo, o Santo Padre cita Jean Vanier, que faleceu recentemente, e o define como um “grande apóstolo dos pobres”.

Mudança de mentalidade

Por ocasião deste Dia Mundial, Francisco não pede somente iniciativas de assistência, mas faz votos de que aumente em cada um aquela atenção plena, que é devida a toda a pessoa que se encontra em dificuldade.
“Não é fácil ser testemunha da esperança cristã no contexto cultural do consumismo e do descarte, sempre propenso a aumentar um bem-estar superficial e efêmero. Requer-se uma mudança de mentalidade para redescobrir o essencial, para encarnar e tornar incisivo o anúncio do Reino de Deus.”
Em sua mensagem, o Pontífice não deixa de enaltecer o trabalho de inúmeros voluntários pelo mundo, mas recorda que os pobres não precisam somente de uma “sopa quente ou de um sanduíche”. “Precisam das nossas mãos para se reerguer, dos nossos corações para sentir de novo o calor do afeto, da nossa presença para superar a solidão. Precisam simplesmente de amor...”
Eis então a exortação final do Papa:
“ A todas as comunidades cristãs e a quantos sentem a exigência de levar esperança e conforto aos pobres, peço que se empenhem para que este Dia Mundial possa reforçar em muitos a vontade de colaborar concretamente para que ninguém se sinta privado da proximidade e da solidariedade. ”

RISCOS E OPORTUNIDADES DO SÍNODO PARA A AMAZÔNIA

VALE A PENA INFORMAR-SE SOBRE O QUE É UM SÍNODO E SOBRE AS OPORTUNIDADES DESTE SÍNODO PARA A AMAZÔNIA, PARA A IGREJA E PARA O MUNDO. E DE MODO ESPECIAL PARA O RECONHECIMENTO DOS POVOS DA AMAZÔNIA, E DE COMO SUAS FORMAS DE VIDA INDICAM POSSIBILIDADES DE ALTERNATIVAS À CIVILIZAÇÃO DO CONSUMISMO E DO DESCARTE, CRIADA PELO CAPITALISMO REINANTE.

Víctor Codina reflexiona sobre “los riesgos y oportunidades del Sínodo para la Amazonía”

Un riesgo presente en la cultura occidental es el “considerar a los pueblos amazónicos únicamente como pobres social y económicamente, sin tener en cuenta la inmensa riqueza de sus lenguas, culturas y espiritualidad, poseedores de una sabiduría milenaria anterior al cristianismo”

El jesuita habla de una preocupación del Sínodo, “no dejar a las comunidades católicas de la Amazonía perpetuamente sin Eucaristía y propondrá nuevas formas de ministros ordenados”

“La tierra tiene sangre y se está desangrando, las multinacionales le han cortado las venas a nuestra madre tierra. Queremos que nuestro clamor indígena sea escuchado por todo el mundo”

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El Sínodo para la Amazonía se presenta como un momento lleno de riesgos y oportunidades, según Víctor Codina, uno de los colaboradores en la elaboración del Instrumento de Trabajo, que debe ser dado a conocer en los próximos días. La primera dificultad, según el jesuita afincado en Bolivia desde hace más de 35 años, está en el hecho de que “mucha gente, tanto de fuera como de dentro de la Iglesia, no sabe qué significa un sínodo, ni sabe qué es la Amazonía, ni ha oído hablar que haya un sínodo sobre la Amazonía”.

Junto con eso, “otro riesgo es pensar que se trata de un problema puramente territorial y local que no interesa al resto de la humanidad”, afirma Codina, a lo que añade el hecho de desconocer otros riesgos como la minería (ilegal y legal), petroleras, madereras, monocultivos, megaproyectos hidráulicos, agrotóxicos, narcotráfico, grupos armados, agresiones a la cultura e identidad indígena. Todo eso provoca expulsión, marginación, persecución y asesinatos de los pueblos originarios.

La depredación de la Amazonía con el aval de los gobiernos, que “conceden estos territorios a las multinacionales para grandes ganancias económicas”, puede llevar a que “se sientan amenazados por el sínodo y lancen campañas en contra”, según el jesuita, algo que en parte ya se está llevando a cabo, criticando teorías científicas que advierten sobre el cambio climático y posturas eclesiales que defienden la casa común y los pueblos originarios. Uno de los más atacados, es el Papa Francisco, reconoce Codina, de quien se leen y escuchan cosas que le califican de “comunista y hereje, ingenuo, tercermundista, que antes de aconsejar a otros, comience por reformar la Iglesia manchada por los abusos sexuales”.
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Un riesgo presente en la cultura occidental es el “considerar a los pueblos amazónicos únicamente como pobres social y económicamente, sin tener en cuenta la inmensa riqueza de sus lenguas, culturas y espiritualidad, poseedores de una sabiduría milenaria anterior al cristianismo”, advierte Codina. De hecho él los considera como “una alternativa al mundo moderno que destruye la tierra y amenaza el futuro de nuestra casa común”.

Entre los pueblos de la Amazonía ha estado presente la Iglesia desde hace 500 años, “con sus luces y sus sombras, con el gran trabajo de misioneros”, recuerda Codina, quien insiste en que “ahora estos pueblos reclaman una superación de toda mentalidad colonial, el surgimiento de una Iglesia con rostro amazónico y un aumento de los ministerios ordenados para poder así atender pastoralmente a poblaciones muy dispersas”. En este punto, el jesuita habla de una preocupación del Sínodo, “no dejar a las comunidades católicas de la Amazonía perpetuamente sin Eucaristía y propondrá nuevas formas de ministros ordenados”.

Esta propuesta puede tener como riesgo “que se provoque una tensión eclesial entre los grupos más tradicionales y los más abiertos a estas nuevas necesidades que buscan, con audacia, nuevos caminos para la Iglesia”, reconoce Codina. De hecho, algunos ya se están armando ante esta posibilidad, sobre todo quien no conoce la realidad amazónica y no se preocupa por acompañar a los pueblos. Eso mismo también se puede decir, en su opinión, ante la posibilidad “de que los medios de comunicación desvíen su foco de atención de los temas ecológicos, siempre conflictivos, para concentrarse en la problemática intra-eclesial de la ordenación de varones casados y de los ministerios de las mujeres”, lo que ya pasó en el Sínodo de la Familia.
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El jesuita presenta otros riesgos, como “que en el sínodo no se llegue a integrar lo ecológico con lo eclesial”, pues “todo está íntimamente conectado y la Iglesia desea la vida integral de las comunidades amazónicas” en todas sus dimensiones. También señala el de “no abordar suficientemente el tema de la misión y evangelización, de no profundizar el diálogo intercultural e inter-religioso, de no insistir suficientemente en el anuncio del Reino que Jesús promulgó”.

Por encima de los riesgos y dificultades, Víctor Codina ve que “este sínodo es un tiempo propicio para muchas oportunidades no solo eclesiales, sino mundiales”. En primer lugar destaca la importancia del proceso de escucha, que asegura “que la voz de la Amazonía tendrá amplia resonancia”. Junto con eso estamos ante “una oportunidad para aterrizar la doctrina de Francisco de la encíclica Laudato sí, evitando así que la ecología se convierta en una ideología abstracta”, y recordar de nuevo “la gravedad del actual sistema económico y político que genera marginación y muerte de los pueblos pobres y destruye la naturaleza. Y todo esto, a partir de escuchar el clamor de las víctimas de la periferia”, enfatiza el jesuita.

También será “una oportunidad para que la Iglesia haga sentir su voz profética y denuncie ante todo el mundo la necesidad de una conversión ecológica”, para “revalorizar la eclesiología de la Iglesia local de un territorio, con ministros autóctonos y una teología india”. Por eso, ve necesario “reflexionar la estrecha relación entre Iglesia y Eucaristía, pues sin Eucaristía no hay Iglesia, y no se puede condenar perpetuamente sin Eucaristía a las numerosísimas comunidades dispersas y alejadas”.
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El Sínodo para la Amazonía ofrece otras oportunidades según Codina, como integrar lo ecológico y lo pastoral, dar a conocer la riqueza de la sabiduría de los pueblos indígenas y su armonía con la creación como alternativa al paradigma tecnocrático de nuestra sociedad de consumo y descarte. Junto con eso, profundizar en el concepto de ecología integral, de buen vivir, de sobriedad feliz. También para responder al pedido de las nuevas generaciones que ven cuestionado su futuro por el actual estilo de vida.

Por último, Codina ve una “oportunidad para profundizar y vivir la dimensión del Espíritu del Señor Jesús”, que hace de “la Iglesia una comunidad poliédrica que camina en salida”. Una oportunidad para “reconocer que todo esto sucede desde la periferia y la pobreza de pueblos amenazados y víctimas”. Por eso, debemos escuchar a los pueblos, que nos dicen: “La tierra tiene sangre y se está desangrando, las multinacionales le han cortado las venas a nuestra madre tierra. Queremos que nuestro clamor indígena sea escuchado por todo el mundo”.

Desde esta reflexión, el jesuita confía que “este sínodo, aunque posiblemente conflictivo dentro y fuera de la Iglesia, será un momento de gracia y de esperanza para la Iglesia y para la sociedad. Por esto pedimos la luz y fuerza del Espíritu Santo creador”.


https://www.religiondigital.org/luis_miguel_modino-_misionero_en_brasil/Victor-Codina-oportunidades-Sinodo-Amazonia_7_2130456957.html 
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terça-feira, 11 de junho de 2019

ROÇA QUILOMBOLA NO VALE DO RIBEIRA É PATRIMÔNIO NACIONAL

VEJAM QUE NOTÍCIA MARAVILHOSA RECEBI. VIVA OS QUILOMBOLAS DO VALE DO RIBEIRA!

COMPARTILHE COM SEUS AMIGOS E AMIGAS, PARA QUE MUITOS APOIEM ESSE CONHECIMENTO TRADICIONAL.

Ivo,
De geração em geração, o conhecimento sobre o manejo da roça de coivara feito pelos quilombolas contribui para a conservação da Mata Atlântica da região do Vale do Ribeira (SP) há mais de 200 anos. Esse sistema de cultivo usa o conhecimento da floresta para uma produção orgânica e sustentável, a partir do manejo de fogo e da regeneração das matas.
O Sistema Agrícola Tradicional Quilombola simboliza a manutenção da cultura quilombola do Vale do Ribeira (SP). Ele garantem a segurança alimentar e comida livre de agrotóxicos para as comunidades e para quem compra os produtos desta agricultura.
Ano passado coletamos mais de 7.500 assinaturas com a petição da campanha Tá Na Hora da Roça, para defender a roça tradicional quilombola, ameaçada pela burocracia e falta de conhecimento dos órgãos ambientais do governo paulista sobre o Sistema Agrícola Tradicional Quilombola.
Todos os benefícios desse sistema foram reconhecidos como patrimônio cultural do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em setembro de 2018.
A primeira colheita realizada após esse reconhecimento ocorreu no final de maio: um puxirão (expressão da tradição que os quilombolas têm de ajudar uns aos outros no campo) foi realizado e mais tarde foi organizado um festejo.

Assista ao vídeo que conta essa história:
https://www.youtube.com/watch?v=9daEy449GWU 
Leia também a matéria publicada na revista Piauí, que acompanhou essa celebração quilombola diretamente do Vale do Ribeira.
Em agosto, as comunidades se reúnem para outra atividade tradicional quilombola 12ª Feira de Troca de Sementes e Mudas dos Quilombos do Vale do Ribeira.

A feira reúne comunidades quilombolas, indígenas, agricultores familiares e  caiçaras do Vale do Ribeira (saiba mais) e é fundamental para a valorização de uma diversidade que é a principal prática de salvaguarda do sistema agrícola: região. Para o evento acontecer esse ano as comunidades precisaram realizar um financiamento coletivo, você pode ajudar clicando aqui.
Raquel Pasinato
Instituto Socioambiental - ISA

Mais informações sobre o ISA.
Dúvidas ou comentários, ligue (11) 3515 8975 e fale com Mariana Hessel ou escreva para relacionamento@socioambiental.org

POR UM MODELO SOCIAL E ECONÔMICO SOBERANO E INCLUSIVO

CONTRA O NEOLIBERALISMO, ECONOMISTAS PELA DEMOCRACIA PROPÕEM MODELO SOBERANO E INCLUSIVO

Por: João Vitor Santos | 11 Junho 2019

Para os economistas Antonio Corrêa de Lacerda e Adroaldo Quintela, não há possibilidade de apoio às políticas econômicas que vêm sendo defendidas pelo presidente Jair Bolsonaro e pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. “Temos posições políticas e visões econômicas diametralmente opostas”, disparam os economistas, que também são dirigentes da Associação Nacional dos Economistas pela Democracia. Recentemente, a entidade divulgou uma carta de princípios, através da qual se quer “elaborar propostas alternativas que criem o ambiente propício para a implantação de um modelo econômico soberano socialmente inclusivo, regionalmente equilibrado e ambientalmente sustentável”.

Na entrevista concedida em conjunto pelos economistas, por e-mail, à IHU On-Line, ambos defendem a chamada “economia para vida”. É uma proposta que requer “um modelo de desenvolvimento em harmonia com a natureza e combate intransigente ao aquecimento global, e que tenha o homem como o destinatário da renda e da riqueza, sobretudo os mais pobres e oprimidos”.
Por isso, explicam, a carta vai versar sobre dois eixos. “O primeiro diz respeito à defesa dos direitos políticos, econômicos e sociais de segmentos sociais explorados e oprimidos tais como equidade de gênero, igualdade racial, ampliação dos direitos dos LGBTQ, povos indígenas e populações tradicionais”, explicam. E completam: “o Segundo eixo é o econômico, em que aponta na direção de um modelo que incentive a retomada dos investimentos, do crescimento, do emprego e promova a distribuição de renda e a inclusão social, casado com uma política externa que retome o ativismo do Brasil nos fóruns internacionais”.

Antonio Corrêa de Lacerda é doutor em Economia pela Universidade Estadual de Campinas - Unicamp, mestre em Economia Política e graduado em Ciências Econômicas pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC-SP. Atualmente é professor doutor e diretor da Faculdade de Economia, Administração, Ciências Contábeis e Atuariais da PUC-SP e um dos dirigentes da Associação Nacional dos Economistas pela Democracia - ABED.

Adroaldo Quintela também é economista e dirigente da ABED.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Por que e em que contexto surge a Associação Brasileira de Economistas pela Democracia - ABED?
Antonio Corrêa de Lacerda e Adroaldo Quintela – A ABED surge em um contexto no qual o Estado Democrático de Direito, a liberdade de expressão, a liberdade de cátedra e as conquistas da Constituição de 1988 correm riscos, diante de um quadro de retrocesso econômico, político e social. O objetivo central da ABED é mobilizar os economistas progressistas para fazer a resistência democrática e o enfrentamento da política neoliberal e contrária aos interesses nacionais.
IHU On-Line – Como a economia se configurou da “ciência da escassez” para a “ciência da escassez de ideias”, do pensamento único?
Antonio Corrêa de Lacerda e Adroaldo Quintela – A financeirização, com a predominância do setor financeiro e dos rentistas, tem ocupado cada vez mais espaços, no mundo dos negócios, nas empresas, na academia e na mídia. A visão do pensamento único e de curto prazo se sobrepõe à visão do desenvolvimento de médio e longo prazos com equidade econômica, social e territorial.
IHU On-Line – De que forma a economia pode vencer a intolerância e ortodoxia econômica do tempo que temos vivido e conceber novas ideias para a constituição de um país e um mundo mais iguais?
Antonio Corrêa de Lacerda e Adroaldo Quintela – Na universidade, nos institutos de pesquisas, nas entidades representativas da sociedade, o debate segue vivo. No entanto, para a opinião pública, que basicamente se informa pela mídia tradicional, há um debate interditado, um não debate, na medida em que não se abre espaço adequado ao contraditório. Prevalece a visão do pensamento único. O monólogo monocórdio dos economistas ortodoxos vinculados ao mercado.
IHU On-Line – Como o conceito de desenvolvimento é cooptado e compreendido por perspectivas econômicas neoliberais e mais conservadoras?
Antonio Corrêa de Lacerda e Adroaldo Quintela – O neoliberalismo e a ortodoxia põem todo o peso no mercado, que seria a solução para todos os problemas: liberalização, abertura da economia, desregulamentação, privatização, enfim tudo que está longe de representar uma visão de desenvolvimento.
IHU On-Line – Como a carta de princípios divulgada pela ABED articula as ideias e alternativas para superação da profunda desigualdade social brasileira, reversão dos processos de degradação do meio ambiente e para a estruturação de caminhos alternativos que assegurem a soberania do país?
Antonio Corrêa de Lacerda e Adroaldo Quintela – A carta de princípios articula dois eixos estratégicos fundamentais. O primeiro diz respeito à defesa dos direitos políticos, econômicos e sociais de segmentos sociais explorados e oprimidos, tais como equidade de gênero, igualdade racial, ampliação dos direitos dos LGBTQ, povos indígenas e populações tradicionais. O Segundo eixo é o econômico, em que aponta na direção de um modelo que incentive a retomada dos investimentos, do crescimento, do emprego e promova a distribuição de renda e a inclusão social, casado com uma política externa que retome o ativismo do Brasil nos fóruns internacionais e a articulação com os BRICS.
Entendemos que uma "economia para a vida" requer um modelo de desenvolvimento em harmonia com a natureza e combate intransigente ao aquecimento global, e que tenha o homem como o destinatário da renda e da riqueza, sobretudo os mais pobres e oprimidos. Neste sentido, torna-se vital uma Reforma Tributária Solidária que promova a justiça e a equidade fiscal, diminuindo radicalmente o ônus da carga tributária sobre os mais pobres e onerando os mais ricos.
IHU On-Line – Quais são as próximas ações da Associação Brasileira de Economistas pela Democracia? Como deve ser a interlocução do grupo com a atual equipe econômica do governo de Jair Bolsonaro?
Antonio Corrêa de Lacerda e Adroaldo Quintela – Invertendo a ordem das respostas, afirmamos que é zero a possibilidade de interlocução com a equipe econômica de Bolsonaro. Temos posições políticas e visões econômicas diametralmente opostas. Uma das nossas principais bandeiras é promover o enfrentamento à política econômica ultraneoliberal e antinacional da dupla Paulo Guedes e Bolsonaro, assim como elaborar propostas alternativas que criem o ambiente propício para a implantação de um modelo econômico soberano socialmente inclusivo, regionalmente equilibrado e ambientalmente sustentável.
Depois de seis meses de sensibilização, mobilização e organização de mais de 600 economistas progressistas em todas as regiões do país, nos EUA e Europa, a ABED adquiriu o mínimo de organização e visibilidade política para iniciar um segundo momento em sua breve história de entidade profissional da resistência democrática. Este momento foi assim definido: crescimento, fortalecimento, institucionalização e ativismo democrático na arena política e econômica e deve perdurar até 31 de maio de 2020.

http://www.ihu.unisinos.br/589926-contra-neoliberalismo-economistas-propoem-modelo-soberano-e-inclusivo 

SEU CELULAR ESTÁ MANCHADO DE SANGUE

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SEU CELULAR ESTÁ MANCHADO DE SANGUE, AVISA A REDE "ENLÁZATE POR LA JUSTICIA!

http://www.ihu.unisinos.br/589933-enlazate-por-la-justicia-avisa-seu-celular-esta-manchado-de-sangue

A rede de ONGs que inclui Cáritas, CEDIS, CONFER, Justicia y Paz, Manos Unidas e REDES denuncia os abusos sociais e ambientais cometidos tanto no processo de fabricação quanto no uso diário dos smartphones.

A reportagem é publicada por Religión Digital, 05-06-2019. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

Alguma vez você já se perguntou qual é a realidade que se esconde atrás de um objeto cotidiano como seu smartphone? Você sabia que produzir um quilo de coltan, um mineral essencial para fabricar telefones celulares, custa a vida de duas pessoas na República Democrática do Congo?

Relatar os abusos sociais e ambientais que são cometidos tanto no processo de fabricação quanto no uso diário de nossos celulares é o objetivo que as entidades que promovem a campanha "Se Cuidar do Planeta, Combaterá a Pobreza" e promover a iniciativa "Enlázate por la Justicia" [Linkar-se pela justiça, em tradução livre] — Caritas, CEDIS, CONFER, Justicia y Paz, Manos Unidas e REDES (Rede de Entidades para o Desenvolvimento da Solidariedade) — são propostas por ocasião da celebração, do dia 5 de junho, o Dia Mundial do Meio Ambiente.

Na última década, os telefones celulares passaram a dominar nossas vidas diárias. Suas vendas aumentaram exponencialmente em todo o mundo, especialmente os chamados smartphones. Se em 2007, quase ninguém tinha um smartphone, em 2019 eles estão em toda parte. Na verdade, globalmente, quase duas em cada três pessoas com idades entre 18 e 35 anos tem um e, em apenas 10 anos, houve mais de 7 bilhões desses dispositivos, aproximadamente o mesmo número de habitantes no planeta .

E enquanto esses últimos telefones podem ser inteligentes (a tradução do termo inglês "smart"), espertos, delicados, rápidos, ainda dependem de elementos físicos sem os quais seria impossível sua fabricação ou funcionamento. Da mesma forma que em sua produção são necessários diversos materiais (plásticos, vidros, cerâmicas) e matérias-primas (metais, como alumínio e ferro, e minerais, como terras raras), a "nuvem" onde a informação digital é armazenada não existiria sem os lugares do planeta onde estão localizados os supercomputadores que o suportam.

Custos sociais e ambientais

Além de um preço acessível, os celulares têm custos sociais e ambientais significativos. Um celular padrão contém entre 500 e 1.000 componentes diferentes.

A extração e processamento desses componentes geram cerca de 75 kg de resíduos por telefone.
Alguns desses elementos são recursos caros e escassos e estão relacionados a abusos sociais e ambientais. O impacto ambiental da produção de smartphones é tão alto que, para compensar as emissões de gases de efeito estufa, teríamos que usar cada dispositivo entre 33 e 89 anos. No entanto, na Europa, cerca de 40% da frota móvel existente é renovada a cada ano, o que representa cerca de 18 milhões de telefones celulares somente na Espanha.

Embora a vida útil de um dispositivo seja de cerca de 10 anos, separada a bateria, o tempo médio de uso é entre um ano e meio e dois anos e meio. Pouco parece se preocupar com os impactos de longo prazo do descarte desse lixo tecnológico, um problema global que é evidente nas exportações de dispositivos eletrônicos usados ​​para países terceiros, especialmente na Ásia e na África, que não estão preparados para o gerenciamento desses resíduos.

Brecha digital

"Enlázate por la Justicia" enfatiza, também, a clivagem digital que acarreta o uso do smartphone, tornando-se mais um indicador de diferenciação social. O problema moral mais grave causado pelas novas tecnologias de comunicação é o acesso desigual à informação que existe atualmente e que estimula o surgimento de uma nova classe, a da informação rica, capaz de acessar, sem limitações geográficas ou econômicas, redes de internet móvel.

A chamada divisão digital ocorre principalmente nos países africanos, onde, embora as pessoas possuam telefones celulares, ainda está longe de buscar um acesso majoritário à rede através deles. Atualmente (Março de 2019), apenas 35,9% dos cidadãos africanos têm acesso à Internet, em comparação com 86,6%, se falamos de europeus e 89,1%, se somos residentes americanos. A menos que algo seja feito, a crescente lacuna entre os países subconectados e os hiperdigitalizados se ampliará, exacerbando as desigualdades que já existem.

O nível de digitalização pode até mesmo influenciar a capacidade dos países de alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e enfrentar desafios como fome, doenças e mudanças climáticas. Portanto, é necessário um esforço maior para apoiar os países em suas tentativas de integração na economia digital.

Junto com a constante introdução de novas funções que facilitam e agilizam nosso dia a dia, o que reforça nossa dependência desta tecnologia, devemos sublinhar a exposição à pressão publicitária, modas e mudanças estéticas a que estamos sujeitos.

Cada vez mais surgem acessórios para estes telefones, o que incentiva uma dinâmica de extrativismo de matérias-primas necessárias à produção das mesmas e que possuem componentes minerais, extraídos de áreas ricas em recursos naturais.

Essa demanda excessiva provoca a redução das condições de trabalho e segurança dos locais de origem e a deterioração ambiental dos mesmos.

Outro problema é criado pela mudança nos relacionamentos pessoais e pelo aumento dos vícios causados ​​pelo seu uso. Na verdade, o uso de internet e telefones celulares compulsivamente, repetitivas e prolongadas é agora considerado como um vício, porque envolve uma incapacidade de controlar ou parar o seu consumo, com consequências graves para a saúde, vida social e familiar, na escola ou no trabalho. Acrescente a isso o poder que concedemos com nosso consumo diário a grandes empresas de tecnologia como Apple, Amazon, Google, Microsoft, Samsung, Huawei, Tencent, Taobao, etc..

Os casos do Congo, Gana e Amazônia

Os efeitos sociais e ambientais da produção de tecnologia digital ligada a smartphones têm nomes e sobrenomes. "Enlázate por la Justicia" enfoca em três pontos geográficos específicos: a República Democrática do Congo, Gana e a Amazônia.

A comunidade de Manguredjipa, no território Lubero da província de Kivu do Norte, do R.D. Congo, um país muito rico em recursos naturais, está no "olho do furacão" sendo uma região produtora de cobalto, cobre, urânio, ouro, diamantes, cassiterita e coltan. A exploração e o contrabando destes últimos devem-se à enorme demanda internacional por produtos eletrônicos, especialmente a tecnologia móvel, que é o tântalo essencial, que é extraído do coltan mencionado acima. 80% das reservas mundiais desse mineral são encontradas no leste do Congo e sua exploração está ligada à violação dos direitos humanos, à destruição do meio ambiente e ao financiamento dos conflitos existentes na região.

Em destaque: República Democrática do Congo. No mapa abaixo, do Google, a comunidade de Manguredjipa.

Estima-se que a extração de cada quilo de coltan custa a vida de duas pessoas no Congo.
Agbogbloshie é um subúrbio de Acra, a capital do Gana, onde cerca de 40.000 pessoas vivem em condições de extrema pobreza. Por uma década, essa área urbana é também um dos maiores cemitérios de lixo eletrônico da Europa e da América do Norte. Este local é considerado um dos locais mais poluídos do continente africano, principalmente por metais como chumbo, berílio, cádmio ou mercúrio.

Em destaque: Gana. No mapa abaixo, do Google, o "lixão digital" de Agbogbloshie

Um estudo da ONU em 2014 mostrou que em Agbogbloshie a concentração de chumbo no solo atinge mil vezes o nível máximo de tolerância.

Famílias inteiras, incluindo meninos e meninas, trabalham 12 horas por dia neste aterro, uma ocupação em que ganham mais de dois euros por dia, o que dobra o salário mínimo no país. As  
Nações Unidas incluíram Agbogbloshie na lista dos lugares mais perigosos do mundo para se viver.
A Amazônia é outro dos cenários onde os efeitos ambientais da extração de mineração relacionados às novas tecnologias são sofridos. Essa atividade tem causado enormes danos à população indígena e à destruição ambiental no Brasil e na Venezuela, especialmente na região dos rios Orinoco, Mucajaí, Parima e Catrimani.

Na época do boom da exploração do ouro, que também está presente nos celulares, cerca de 20% da população Yanomami morreu de doenças, fome, violência e outros impactos gerados pela mineração ilegal.

Devido à falta de controle dessa atividade, os territórios indígenas enfrentam sérios perigos de destruição, contaminação da água, acúmulo de resíduos sólidos não biodegradáveis, afetando não apenas a natureza e os habitats de diferentes animais, mas também o modo de vida das comunidades indígenas.

Sinais de esperança

A entrada em vigor em toda a União Europeia, em janeiro de 2021, do Regulamento relativo aos minerais em zonas de conflito abre uma janela de esperança, uma vez que visa contribuir para o controle do comércio de estanho, de tântalo e de metais, tungstênio e ouro (3TG). Isso é para garantir que os importadores europeus da 3TG cumpram com os padrões internacionais responsáveis ​​pelo suprimento estabelecidos pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico — OCDE, e que as fundições e refinarias da 3TG em todo o mundo se abasteçam com responsabilidade; ajudem a quebrar a ligação entre o conflito e a exploração mineral ilegal; e ajudem a acabar com a exploração e os abusos contra as comunidades locais, incluindo pessoas que trabalham nas minas; e incentivem o desenvolvimento local. Seria desejável que este regulamento obrigatório fosse ampliado a outras matérias-primas e à toda a cadeia de abastecimento.

O quadro inicial de referência é o Guia de Diligência da OCDE (2011), que estabelece uma série de recomendações para que as empresas se comprometam com um autodiagnóstico voluntário sobre a origem dos minerais que utilizam e publiquem essas informações em seus relatórios, anuários ou sites.

Agir em uma chave pessoal e comunitária

Junto a isso, as entidades Cáritas, CEDIS, CONFER, Justiça e Paz, Manos Unidas e REDES (Rede de Entidades para o Desenvolvimento da Solidariedade) convidam, no Dia Mundial do Meio Ambiente, a atuar de forma pessoal e comunitária para promover medidas transformadoras. Isso passa por fazer um uso austero, racional e sustentável desses dispositivos.

Um bom começo é observar o princípio "Você vai superar o paradigma tecnocrático" do Decálogo Verde lançado dentro da campanha "Se Cuidar do Planeta, Combaterá a Pobreza". E ouvindo as palavras de Francisco na Laudato Si': "É possível voltar a ampliar a visão, e a liberdade humana é capaz de limitar a técnica, guiá-la e colocá-la a serviço de outro tipo de progresso que é mais saudável, mais humano, mais social , mais integral".

Mais informações em: https://www.enlazateporlajusticia.org/movil/.