quarta-feira, 8 de maio de 2013

DOIS DESASTRES, PARA O BRASIL E PARA TODA A TERRA: O PRÉ-SAL E O LEILÃO DO PRÉ-SAL



É inaceitável que se continue governado o Brasil em 2013 com mentalidade política de antes de 1950. Até aquela data, a dominação do desenvolvimentismo capitalista e socialista, estatal ou não, não contava com alertas científicos seguros sobre os efeitos do uso dos combustíveis fósseis. Por isso, a luta estava centrada no controle das reservas e na reserva de mercado para esses produtos. Daí o sentido nacionalista da luta pelo petróleo é nosso.

Por isso - e esse é o primeiro desastre -, em comparação àquele tempo histórico, o atual leilão do pré-sal para consórcios internacionais e nacionais é algo retrógrado, configurando quão profundas são ainda as marcas do colonialismo em nossa sociedade e nas autoridades que deveriam ser “públicas” e zelar pelos bens naturais comuns. Segundo cálculos, a perda do Brasil pode superar dois trilhões de reais!

Mas mesmo sendo imenso o primeiro desastre político e econômico, o segundo é incomparavelmente maior: a própria decisão política de extrair o petróleo do pré-sal para gerar energia com sua queima, pois isso significa aumentar irresponsavelmente a emissão de gases de efeito estufa, apressando um aquecimento que pode impossibilitar a própria vida humana na Terra. Qual o sentido da festa financeira gerada pelo pré-sal se, em seguida, os sofrimentos humanos se tornarem insuportáveis?

Por isso, mais, muito mais do que lastimar o atraso colonial do desastre da nova rodada de leilões do pré-sal, as pessoas com sabedoria e sentimento de humanidade devem combater a decisão política de continuar com a insanidade da extração e do uso de combustíveis fósseis, ainda mais num país tão generosamente agraciado pela natureza com fontes praticamente limpas de energia, como são o sol, o vento e o movimento natural das águas do oceano, energia que pode ser gerada de forma descentralizada e com participação das comunidades locais. Quem teima em insistir que seria atraso não aproveitar a oportunidade do petróleo do pré-sal para elevar o Brasil ao nível dos países ricos, ou está desinformado em relação à situação do planeta e em relação à história, ou é cego e está a serviço dos interesses egoístas e imediatos das corporações capitalistas multinacionais. Na verdade, a minoria rica brasileira já faz parte do reduzido clube predador e consumista internacional há muito tempo, e tem aumentado seu poder nos últimos tempos, sempre com apoio de governantes e utilizando recursos públicos. O caminho para uma vida digna e livre de toda a população do Brasil é outro, e uma de suas condições é exatamente a redistribuição da riqueza concentrada escandalosa e injustamente em poucas e poderosas mãos e bolsas, e outra é a geração de energia com fontes menos poluentes, de forma descentralizada e com participação da população local, evitando que a energia continue sendo explorada como mercadoria.

                       Ivo Poletto – assessor do Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social



quarta-feira, 1 de maio de 2013

O QUE DIRÃO DE NÓS AS PRÓXIMAS GERAÇÕES?

AMIGAS E AMIGOS,

segue um texto que será divulgado através da Rede Católica de Rádio. Trata de questões que me vieram ao coração e à mente na visita que tive oportunidade de fazer à Serra da Capivara, no Piauí. Se concordam comigo, ajudem a criar oportunidades de mudança de mentalidade de nossa gente...



Tive oportunidade de visitar a Serra da Capivara, no município de São Raimundo Nonato, no Piauí. É muito bonito o trabalho que cuida dos sítios em que se encontram sinais mais antigos da presença de povos humanos no Brasil e na América do Sul. Desenhos pintados nas rochas, restos de fogueiras, instrumentos diversos e urnas mortuárias fabricadas por pessoas indicam presença humana de mais de 50 mil anos. Deveríamos, então, contar com a sabedoria destes povos de longa história. Só que, em vez disso, os descendentes deles foram mortos nos últimos 500 anos, e não há nenhum povo indígena vivendo em aldeias e territórios no Piauí.

Isso nos leva a pensar sobre a nossa forma de vida e sobre o que deixaremos para as próximas gerações. Vale a pena perguntar-nos: o que dirão de nós os povos humanos daqui a 10, 12 ou 50 mil anos? Que sinais encontrarão?

A sabedoria dos povos de longa história ainda existentes nos ensina que devemos relacionar com a natureza da Mãe Terra sabendo que a tomamos emprestado das futuras gerações. Por isso, em vez de explorá-la até o absurdo, como se está fazendo com a mineração e o agronegócio, com a queima de bens fósseis para produzir energia, precisamos amar e preservar a vida e cuidar do ambiente que torna possível e renova a vida. Não podemos permitir que um pequeno grupo de pessoas destrua o meio ambiente e leve à morte a maioria ou todos os seres humanos por causa de seu amor suicida ao lucro, por causa da concentração gananciosa e insaciável de riqueza e poder.

Precisamos, ao contrário, dar valor, apoiar e multiplicar as práticas econômicas, sociais, culturais e políticas que promovem uma vida simples e cuidadora do ambiente vital. Só assim as gerações futuras, isto é, os filhos, netos e bisnetos da geração atual, terão direito de viver.


sábado, 20 de abril de 2013

CELEBRE O DIA DA TERRA - DIA 22 DE ABRIL



22 DE ABRIL: DIA DA TERRA

Fruto de muitas mobilizações mundiais e com mérito especial da Bolívia, finalmente a humanidade conta com o Dia da Terra. Para os povos indígenas, este é o dia da Mãe Terra. Para os que ainda pensam que o centro de tudo é o ser humano, a Terra é ainda apenas como espaço de vida e de direitos das pessoas. Os que, com diferentes visões religiosas ou científicas, reconhecem a Terra como um grande ser vivo e fonte de vida, lutam pelo reconhecimento dos direitos da Terra, anteriores aos dos seres humanos por ter sido dom dela a geração do ambiente favorável à biodiversidade; o ser humano faz parte desse processo revolucionário de geração de diferentes formas de vida e, por suas características, partilha a responsabilidade pelo cuidado da vida da Terra e na Terra.
Nessa direção, louvor aos povos de Equador por terem consagrado em sua Constituição os direitos da natureza, venerada como Mãe Terra, e assumiram o projeto de vida do Bem Viver. Louvor igualmente aos povos da Bolívia, que aprovaram recentemente a Lei da Terra e do Bem Viver. Reconhecimento aos povoso Uruguai e da Itália, que conquistaram através de plebiscitos a lei que proíbe a privatização da água.
Vale a pena desejar que todos os povos do planeta caminhem nessa direção, pois isso é essencial para se chegar a consensos políticos capazes de diminuir de forma significativa a emissão de gases de efeito estufa. O caminho dos acordos responsáveis não está em novas oportunidades de negócios capitalistas, na denominada economia verde. Ele só prosperará e será efetivado tendo como base uma cosmologia nova, que compreenda e afirme a Terra como uma grande comunidade de vida, de que o ser humano é parte. Essa visão, que tem repercussões na vivência da espiritualidade humana, motivará a coragem necessária para mudanças profundas no modo de pensar, de produzir, de consumir, no modo de ser característico da civilização capitalista, que enfrenta crises estruturais cada vez mais profundas.
Por isso, o Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social sugere, para a celebração do Dia da Terra de 2013, duas atitudes práticas, na perspectiva da necessária reeducação que todos necessitamos:
            - em primeiro lugar, sem deixar de chorar pelos estragos e violências de seres humanos contra a Terra, contemplem tudo que revela que ela é a Mãe Terra, fonte da incrível biodiversidade ainda existente;
            - num segundo movimento, deixem o coração explodir de alegria, amor e louvor pelas maravilhas das manifestações de vida, recitando ou cantando o

«Cântico das Criaturas», de S. Francisco de Assis



Altíssimo, Omnipotente, Bom Senhor 
Teus são o Louvor, a Glória,
 
a Honra e toda a Bênção.
 

Louvado sejas, meu Senhor,
 
com todas as Tuas criaturas,
 
especialmente o senhor irmão Sol,
 
que clareia o dia e que,
 
com a sua luz, nos ilumina.
 
Ele é belo e radiante,
 
com grande esplendor;
 
de Ti, Altíssimo, é a imagem.
 

Louvado sejas, meu Senhor,
 
pela irmã Lua e pelas estrelas,
 
que no céu formaste, claras,
 
preciosas e belas.
 

Louvado sejas, meu Senhor.
 
pelo irmão vento,
 
pelo ar e pelas nuvens,
 
pelo sereno
 
e por todo o tempo
 
em que dás sustento
 
às Tuas criaturas.
 

Louvado sejas, meu Senhor,
 
pela irmã água, útil e humilde,
 
preciosa e casta.
 

Louvado sejas, meu Senhor,
 
pelo irmão fogo,
 
com o qual iluminas a noite.
 
Ele é belo e alegre,
 
vigoroso e forte.
 

Louvado sejas, meu Senhor,
 
pela nossa irmã, a mãe terra,
 
que nos sustenta e governa,
 
produz frutos diversos,
 
flores e ervas.
 

Louvado sejas, meu Senhor,
 
pelos que perdoam pelo Teu amor
 
e suportam as enfermidades
 
e tribulações.
 

Louvado sejas, meu Senhor,
 
pela nossa irmã, a morte corporal,
 
da qual homem algum pode escapar.
 

Louvai todos e bendizei o meu Senhor!
 
Dai-Lhe graças e servi-O
 
com grande humildade!


terça-feira, 16 de abril de 2013

OS PERIGOS DOS ALIMENTOS TRANSGÊNICOS

Você com certeza já conhece a campanha contra os transgênicos em nosso país e a apoia. Sua dificuldade pode aparecer na hora de comprar seus alimentos, porque não há campanhas públicas sobre como identificar os que têm são produzidos com transgênicos.

É por isso que decidi repassar um vídeo com uma série de imagens que podem ajudar nessa tarefa.

terça-feira, 9 de abril de 2013

DEGELO DE GELEIRAS: OBRA DA IRRESPONSABILIDADE HUMANA

Amigas e amigos,

mais uma vez reproduzo uma notícia recebida através do portal IHU, e o faço porque os dados publicados sinalizam a que ponto de risco chegamos por causa do tipo de progresso econômico que nos dominou nos últimos 200 anos, e de modo todo especial nas últimas três décadas. Para manter um produtivismo com expansão sem fim, espolia-se a natureza de bens por ela construídos em milhões ou até em bilhões de anos; para manter o produtivismo promove-se um consumismo de mercadorias desnecessárias à saúde e à verdadeira felicidade humana; o produtivismo e o consumismo são estratégias que garantem interesses do capital, cada dia mais concentrado em poucas e poderosas corporações mundiais. 

O artigo e os dados revelam uma das realidades criadas por esse tipo de progresso irresponsável: "as camadas de gelo acumuladas nos últimos 1,6 mil anos levaram apenas 25 anos para derreter". Pessoas, povos, junto com rios e toda a biodiversidade da região andina estão ameaçados de falta de água; na verdade, toda a região amazônica está ameaçada também. E isso por causa do aumento da velocidade do mercado mundializado, por causa da imposição de lucros e mais lucros para meia dúzia de senhores do mundo, por causa da submissão da vida aos interesses do capital financeiro.

É preciso entrar em acordos urgentes e mudar de rota, ou é preciso que os povos exijam mudanças estruturais profundas já. Sem isso, o que acontecerá às próximas gerações, ou até mesmo à próxima geração?!

Pense nisso ao ler o que segue: que posso fazer para apressar as mudanças que a Terra exige com urgência?



IHU - Notícias

Geleiras andinas atingem o menor índice em seis mil anos

Pesquisadores afirmam que camadas de gelo acumuladas nos últimos 1,6 mil anos levaram apenas 25 anos para derreter, representando uma ameaça para o suprimento de recursos hídricos da região. Um estudo realizado pela Universidade Estadual de Ohio revelou no último mês que o nível das geleiras andinas é o menor já atingindo nos últimos seis mil anos.

A reportagem é de Jéssica Lipinski e publicada pelo Instituto CarbonoBrasil, 08-04-2013.

A nova pesquisa, realizada na geleira Quelccaya, no Peru, analisou amostras de plantas que ficaram presas no gelo por milhares de anos. Os cientistas concluíram que o derretimento da geleira, que causou a exposição das plantas, tem aproximadamente 6,3 mil anos.

Segundo os pesquisadores, isso demonstra que o clima na Terra vem mudando nos últimos seis milênios, aquecendo lentamente. “Se em qualquer momento dos últimos seis mil anos essas plantas tivessem sido expostas por qualquer período de cinco anos, elas teriam se deteriorado. Isso nos diz que a camada de gelo tinha que estar lá há seis mil anos”, comentou Lonnie G. Thompson, glaciologista da Universidade Estadual de Ohio, ao New York Times.

O estudo mostra que o clima começou a mudar mais rapidamente a partir do século XVIII. Os pesquisadores, inclusive, acreditam que as transformações possam ter contribuído para a escassez de alimentos, o que, por sua vez, pode ter sua parte em conflitos ocorridos na época, como a Revolução Francesa. “Onde há interrupção de alimentos, há más notícias para qualquer governo”, explicou Thompson em uma entrevista.

Mas o que os cientistas também descobriram é que as camadas de gelo acumuladas nos últimos 1,6 mil anos levaram apenas 25 anos para derreter, indicando que, nos último quarto de século, o aquecimento das temperaturas está ocorrendo em um ritmo ainda mais acelerado. Para eles, isso sugere a participação cada vez maior da ação humana no clima do planeta.

Atualmente, estudiosos já se mostram preocupados com a rapidez no derretimento das geleiras andinas, já que elas são a principal fonte hídrica das comunidades que habitam os Andes e região, além de alimentarem boa parte dos rios que nascem no local. “Isso pode não ser tão rápido porque há muito gelo, mas podemos já estar presos a uma situação na qual estamos comprometidos a perder aquele gelo”, observou Mathias Vuille, cientista climático da Universidade Estadual de Nova York.

Pioneirismo

A análise é pioneira na área porque traz novas informações muito mais precisas sobre variabilidade climática, que podem ajudar pesquisadores do mundo inteiro em seus estudos sobre as atuais mudanças do clima e o papel do homem no fenômeno.

Através da análise de isótopos de oxigênio e hidrogênio no gelo, os estudiosos puderam descobrir a temperatura do período em que as camadas de gelo foram formadas, confirmando índices anteriores que já haviam sido registrados em outras geleiras, como as do Himalaia, no Tibete.

“Esses núcleos de gelo fornecem o maior registro de gelo tropical, e com maior resolução, até agora. Na verdade, depois de ter perfurado núcleos de gelo nos trópicos por mais de 30 anos, sabemos agora que esse é o registro de gelo tropical de mais alta resolução que provavelmente já foi recuperado”, concluiu Thompson.

“Fomos capazes de obter informações para as temperaturas de superfície do mar que remontam a muito antes de os humanos serem capazes de fazer tais medições, e muito antes de os humanos começarem a afetar o clima da Terra”, acrescentou o glaciologista.

quarta-feira, 27 de março de 2013

SIMULADOR PARA CALCULAR PRODUÇÃO DE ENERGIA SOLAR

Amigas e amigos,

antes de apoiar a indicação do Prof. Heitor Scalabrini, especialista em energia da UFP, experimentei a ferramenta "simulador" e percebi que funciona. Ele não dá o resultado final, mas oferece dados muito importantes para quem deseja instalar a produção de energia solar fotovoltaica em sua casa.

Por isso, entre no endereço indicado abaixo, abra a página e procure pelo simulador; coloque os dados solicitados e veja o resultado.

É claro que, se desejarmos produzir toda a energia que consumimos, o custo ainda é alto, e isso se deve ao fato de que nosso governo não se interessou para promover pesquisas e para instalar a produção dos componentes necessários para utilizar esta fonte abundante de energia em todas as regiões. O motivo dado sempre é que nosso país ainda teria muito potencial hidrelétrico, mas a verdade é que a política energética nacional está a reboque dos interesses das grandes empresas de construção de barragens e de venda de energia; a energia fotovoltaica é produzida no local do consumo, e isso diminui os lucros de quem vê a energia como mercadoria.

Faça a simulação. Se perceber que o projeto seria caro, ainda, junte-se a nós do Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social e com outras iniciativas que lutam por uma Nova Política Energética para o Brasil, assentada especialmente na energia solar fotovoltaica, complementada pela eólica, ambas descentralizadas e com participação das comunidades em sua gestão. Ao conquistar esta mudança, estaremos evitando a destruição da Amazônia e diminuindo a emissão de gases de efeito estufa na já contaminada atmosfera.

Esta luta vale a pena, até porque o custo da energia solar fotovoltaica está caindo perto de 20% ao ano, e certamente, ainda antes de 2020, concorrerá com as demais fontes. E, mesmo com atraso, deveremos ter fábrica de componentes, evitando, com isso, que para cada R$ 1,00 que ganhamos com exportação de quartzo, paguemos R$ 1.000,00 nos preços dos produtos industrializados que importamos!





APOIEM A INICIATIVA POPULAR PELA REFORMA POLÍTICA

Amigas e amigos,
gostaria de sugerir e de insistir que todas e todos assinem a Petição apoiando a Iniciativa Popular pela Reforma do Sistema Político.

Basta acessar https://secure.avaaz.org/po/petition/REFORMA_POLITICA_10/share/ inscrever-se, se já não o fez, e participar.

Façam mais ainda: enviem esta proposta para todos os seus amigos e amigas, pois assim seremos milhares... Esta é uma das formas de sermos cidadãs e cidadãos ativos.

Abraços.
Ivo