Defender o direito originário ao território de cada povo
indígena, seria colocar em risco a soberania nacional? Alertar a população
sobre como a destruição da Amazônia agrava as mudanças climáticas, seria
colocar em risco a segurança nacional? Chamar a atenção e até denunciar os
efeitos destrutivos das práticas dos grandes senhores do agronegócio, da
mineração e da indústria de energia hidrelétrica na Amazônia seria uma afronta à
segurança nacional?
Como a área de inteligência do governo afirmou que falar
sobre isso no Sínodo da Amazônia, convocado pelo Papa Francisco, seria questão
de soberania nacional, vale a pena a gente refletir sobre o que é afinal a
soberania nacional.
Tudo parte do que se entende por nação. Cada nação é
constituída pelo povo que vive e zela por todos os bens naturais existentes no
seu território, não permitindo que forças ou interesses estrangeiros se
apropriem deles sem que seja respeitada a Constituição Federal, elaborada e
aprovada de forma democrática pelos membros adultos da própria nação. Quem tem
a obrigação de defender e garantir a soberania nacional é, portanto, o povo que
constitui a nação. Tudo o mais, isto é, os poderes do executivo, legislativo e
judiciário só podem agir tendo como base a delegação de poder dos membros
constitutivos da nação. Também as forças militares são um reforço a essa missão
popular, e só podem agir em cumprimento das leis.
Se estamos de acordo que isso é a nação, podemos perguntar-nos:
alguém contribuiu mais do que os povos indígenas da Amazônia na defesa do
território e dos bens naturais da nação brasileira? Não, com certeza, e quem
afirma o contrário ou não conhece a história ou é conscientemente injusto.
Existe algum povo indígena que exige o reconhecimento e demarcação de seu
território original com o objetivo de separar-se da nação brasileira? Não, com
certeza. Por isso, em vez de fazer acusações genéricas, cabe ao serviço de
inteligência identificar se há e qual é a igreja ou ONG que está propondo esse
tipo de ideia na cabeça de algum povo indígena.
Por outro lado, os senhores do agronegócio, da mineração, da
energia, estão defendendo e garantindo a soberania nacional, ou, ao acabar com
a floresta, com os rios e com os bens naturais, sejam minérios ou
biodiversidade, estão destruindo a vida dos povos da Amazônia e agravando as
mudanças climáticas que afetarão todo o país e da América do Sul?
Apoiar os povos da Amazônia é defender a vida de toda a
nação.
Quando Bolsonaro elogiou a tortura e Brilhante Ustra como herói da
pátria, e a dita sociedade democrática ficou em silêncio, acendeu-se o
sinal vermelho.
Quando Moro disse que medidas de exceção eram necessárias porque o
Brasil vivia um momento excepcional, era o fim da Constituição, da
hierarquia jurídica e era a abertura da janela para um regime de
exceção.
Quando Guedes diz que a esquerda tem cabeça mole, coração mole e a
direita tem a cabeça e coração duros, ele define a essência diferencial
entre esses seres humanos.
Quando o presidente da Vale vai ao Congresso Nacional, todos os
presentes fazem um momento de silêncio em pé pelos mortos de Brumadinho,
e ele permanece sentado, ele declara que a Vale não tem mesmo qualquer
interesse nos seres humanos, inclusive porque já
fizera uma projeção de todos os custos do rompimento, inclusive o
cálculo das possíveis vidas a serem ceifadas.
Quando o Bope do Rio encontra 20 “jovens bandidos” num quarto e executa
15 friamente, certamente com uma bala na cabeça, ao gosto do governador
Witzel, já é a prática da execução sumária proposta pelo presidente e
referendada juridicamente por Sérgio Moro.
Enfim, a volta do Esquadrão da Morte.
Quando um deputado do PSL propõe uma lei que permita extrair os órgãos
dos “bandidos mortos”, cria uma ligação satânica entre execução sumária e
comercialização de cadáveres.
Não, essa não é uma diferença entre direita e esquerda. É a diferença entre a civilidade e a total arbitrariedade.
Não esperemos dessas pessoas qualquer sentimento humano, qualquer sinal
de respeito pelo outro, qualquer arrependimento, qualquer remorso. O ser
humano pode, sim, habituar-se ao pior de si mesmo. Efetivamente, podem
até ter cabeça dura, mas, ao gosto de Jesus,
têm o coração de pedra.
A única realidade mortal dessas pessoas é a conta bancária. Aí que está a
bala de prata. Aí está seu calcanhar de Aquiles. A possibilidade de
levar um tiro bem dado nas suas contas bancárias os deixa apavorados.
Esse é o único medo que eles têm, a única morte
que eles temem.
QUEM AS ESTIMULOU FOI UMA ADOLESCENTE SUECA QUE DECIDIU NÃO IR À ESCOLA E FAZER GREVE DE FOME EM FRENTE AO PARLAMENTO JUSTAMENTE PARA EXIGIR QUE OS GOVERNOS E TODAS AS PESSOAS FAÇAM O QUE DEVE SER FEITO PARA QUE ELA, E TODAS AS CRIANÇAS E ADOLESCENTES, TENHAM COMO VIVER SUA VIDA ADULTA NO PLANETA TERRA. UM EXEMPLAR DESAFIO: QUE AMBIENTE - VIVO OU MORTO - VOCÊS VÃO PASSAR PRA NÓS?
AS CRIANÇAS DA INGLATERRA, NO MEIO DA RUA, ONTEM
Calos RodriguesBrandão
Nos noticiários de televisão de ontem aparecerem
milhares e milhares de crianças e jovens de escola de toda a Inglaterra nas
praças e ruas.
Trazendo os mais diversos cartazes e entre cantos e brados,
elas resolveram por conta própria – creio eu com a anuência de suas professoras
– não ir às aulas e saírem para as ruas e praças.
E para que?
Para darem aos adultos da Inglaterra e de todo o mundo
a mais essencial “aula de cidadania”.
Pois os seus cartazes e brados diziam em síntese isto:
ADULTOS DA INGLATERRA E DE TODO O MUNDO,
PAREM DE DESTRUIR COM O SEU “PROGRESSO” O MUNDO QUE
NÓS IREMOS HERDAR.
PAREM DE DESTRUIR O PLANETA TERRA, DIA APÓS DIA, ENQUANTO
NOS OBRIGAM A DECORAR NAS AULAS ALGUNS DISPENSÁVEIS
DADOS DE UMA GEOGRAFIA “INOCENTE”.
A meu ver, o que entre ruas e praças as crianças e
jovens da Inglaterra fizeram ontem se chama: EDUCAÇÃO COM POLÍTICA!
E ela nos foi ensinada através das crianças e jovens da Inglaterra,
como uma aula pública de uma ESCOLA COM POLÍTICA. Algo que as
crianças e as jovens do mundo deveriam opor às ESCOLA S SEM POLÍTICA.
Paulo Freire - que alguns políticos da “escola sem
política” desejam banir da “memória da educação no Brasil” - costumava insistir
em que “fazer política” é o meio humano de se “aprender a tornar-se corresponsável
pela sua vida, o seu destino e a vida e o destino do mundo em que se vive”.
Isto é aprender a fazer política!
Algo certamente
oposto à “politicagem” dos que defendem a... “escola sem política”
Carlos
Rodrigues Brandão
(solidário
com as crianças e jovens da Inglaterra)
Hoje
é o 94º aniversário de uma das mulheres mais importantes na história da
luta camponesa do Brasil, a paraibana Elizabeth Teixeira!
Líder
camponesa que, após o assassinato do seu companheiro João Pedro
Texeira, recusou o convite de Fidel Castro para viver em Cuba com seus
filhos para dar continuidade à luta pela Reforma Agrária. Foi presa por
várias vezes e, numa delas, retorna à casa para se deparar com a
tragédia do suicídio da filha mais velha, que não suportou conviver com a
possibilidade da mãe ter o mesmo destino do pai.
Em 1964, com a
instalação do regime Militar, Elizabeth é presa pelo Exército e passa
oito meses na cadeia. Na volta, precisa fugir para não ser morta. Muda
de cidade e nome, com apenas um dos 11 filhos – Carlos, que é rejeitado
pelo avô por se parecer muito com o pai. Passa 17 anos afastada da
família, vivendo com a identidade de Marta Maria da Costa.
Permaneceu
clandestina até 1981, quando foi encontrada pelo cineasta Eduardo
Coutinho, que retomara as filmagens de seu documentário Cabra Marcado
para Morrer. Foi morar em João Pessoa, numa casa que ganhou de Coutinho.
Nas
suas palavras: "Enquanto houver a fome e a miséria atingindo a classe
trabalhadora, tem que haver luta dos camponeses, dos operários, das
mulheres, dos estudantes e de todos aqueles que são oprimidos e
explorados. Não pode parar."
Parabéns Elizabeth, que sua história seja sempre lembrada como símbolo vivo de resistência e luta do povo camponês.
UM BOM EXEMPLO, A SER SEGUIDO PELOS DEMAIS REGIONAIS DA CNBB.
NOTA DOS BISPOS DO MARANHÃO SOBRE A SITUAÇÃO ATUAL
Todas as vezes que fizestes isso a um destes mínimos que são meus irmãos, foi a mim que o fizestes! (Mt 25,40).
O
Evangelho deixa bem claro que Jesus sempre teve um olhar de compaixão
para com os pobres, identificando-se com eles e defendendo-lhes a
dignidade (cf. Mt 25, 31-45).
Inspirados no testemunho de Jesus,
nós, bispos católicos do Regional Nordeste 5 da Conferência Nacional dos
Bispos do Brasil-CNBB, reunidos no Conselho Episcopal Regional, de 04 a
06 de fevereiro 2019, em Coroatá-MA, analisamos a atual conjuntura
social e política do País.
Entre outras questões, constatamos
com preocupação a extinção do Ministério do Trabalho, fato que pode
ocasionar perdas de direitos dos trabalhadores.
Preocupa-nos
também a atribuição da demarcação de terras indígenas, anteriormente sob
a responsabilidade da Fundação Nacional do Índio-FUNAI, ao Ministério
da Agricultura, cujos dirigentes têm manifestado opiniões, ao nosso ver,
contrárias aos direitos fundamentais dos povos indígenas.
Outra
preocupação provém de pronunciamentos por parte de membros do Governo
Federal, cuja intenção parece ser a de intimidar os militantes do
Conselho Indigenista Missionário-CIMI e da Comissão Pastoral da
Terra-CPT.
Tanto o CIMI como a CPT são organismos importantes na
defesa dos direitos dos povos indígenas, das comunidades quilombolas e
dos trabalhadores do campo, direitos esses que são reconhecidos pela
Constituição Federal.
No Maranhão, reafirmamos o nosso apoio aos povos indígenas que resistem com coragem à invasão de seus territórios.
Também
nos solidarizamos com as famílias atingidas pela construção de torres
para produção de energia eólica em Paulino Neves, bem como com as
famílias prejudicadas com a instalação do linhão para o transporte da
energia ali produzida.
Não deixa de ser irônico que pobres
pescadores artesanais e pobres camponeses paguem proporcionalmente uma
conta maior para a produção dessa energia considerada limpa.
A
tragédia, acontecida em Brumadinho-MG apenas três anos após aquela outra
acontecida em Mariana, nos leva a redobrar a atenção e a reflexão com
vista a possíveis tomadas de decisão a respeito das consequências e
impactos negativos provenientes da mineração, do transporte e do
embarque de minério de ferro em nossa região.
Não podemos também
nos esquecer dos tanques de lama vermelha produzidos pela Alumar, e
outros projetos, como a expansão do Porto de Itaqui e a criação de
camarão, os quais, sem trazer ganhos sociais significativos, colocam em
risco o frágil bioma da Ilha de São Luís e dos Campos de Perizes.
Reafirmamos
nosso apoio à resistência das comunidades indígenas e quilombolas, à
Teia das Comunidades Tradicionais, à ONG Justiça nos Trilhos, entre
outras.
Colocando a vida de nosso povo sob a proteção de Nossa
Senhora Aparecida e pedindo a graça para sempre imitarmos o exemplo de
Jesus Cristo, subscrevemos:
Armando Martín Gutiérrez, bispo de Bacabal Elio Rama, bispo de Pinheiro Esmeraldo Barreto de Farias, bispo auxiliar de São Luís Francisco Lima Soares, bispo de Carolina José Belisário da Silva, arcebispo de São Luís José Spiga, administrador diocesano de Viana José Valdeci Santos Mendes, bispo de Brejo João Kot, bispo de Zé Doca Rubival Cabral Brito, Bispo de Grajau Sebastião Bandeira Coêlho, bispo de Coroatá Sebastião Lima Duarte, bispo de Caxias Vilsom Basso, bispo de Imperatriz Xavier Gilles de Maupeou d'Ableiges, bispo emérito de Viana
CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL CNBB - REGIONAL NE 5
Sugerimos
que, nos dias 23 e 24 de fevereiro, ao se completar um mês da tragédia
de Brumadinho e fazendo memória de suas vítimas, se faça a leitura desta
nota.
Rastros de um crime: Peregrinação percorre
caminho do rio Paraopeba ao São Francisco e denuncia a rota de morte e
degradação causadas pela lama da Vale
fevereiro 7, 2019
Agentes da Cáritas Brasileira
Regional Minas Gerais, da Comissão Pastoral da Terra, do Movimento dos
Pescadores e Pescadoras do Brasil e do Conselho Pastoral dos Pescadores
conversaram com a população ao longo do Rio Paraopeba para compreender
como o crime da mineradora Vale irá impactar as comunidades. Preocupação
se estende até o Rio São Francisco, que pode ser afetado.
O pescador Clarindo Pereira recolhe água do Paraopeba.
“O peixe morre pela boca e o pescador
morre pelo peixe. Se o rio acabar, acaba a vida dos pescadores”. A frase
do pescador Clarindo Pereira dos Santos revela o drama de muitos que
dependem das águas para viver. Importante rio de Minas Gerais, o
Paraopeba, já contaminado em parte de sua extensão pelo crime da Vale em
Brumadinho, deságua no São Francisco, onde Clarindo ganha sua vida. Ele
e outros peregrinos caminharam numa missão conjunta: ouvir as
comunidades impactadas e denunciar os efeitos do rompimento da barragem,
através da “Peregrinação Paraopeba/ São Francisco: rastros de um
crime”, caminhada realizada de 31 de janeiro a 4 de fevereiro.
Veja AQUI o depoimento completo de Clarindo Pereira dos Santos, do Movimento dos Pescadores e Pescadoras do Brasil.
Diante da possibilidade da degradação
ambiental ganhar maiores proporções, agentes da Cáritas Regional Minas
Gerais, da Comissão Pastoral da Terra (CPT), do Movimento dos Pescadores
e Pescadoras do Brasil e do Conselho Pastoral dos Pescadores (CPP)
percorreram o trajeto da lama, em busca de ouvir as comunidades
impactadas e denunciar os efeitos do rompimento da barragem. O grupo,
formado por sete peregrinos, pode observar como as comunidades, que
margeiam o Paraopeba, estão sentindo os impactos da chegada dos rejeitos
em seus territórios.
Acompanhe AQUI por onde caminhou a Peregrinação Paraopeba/ São Francisco: rastros de um crime.
As sensações variam. Enquanto o clima de
tristeza e revolta é sentido em municípios mais próximos do local da
tragédia, como as cidades de São Joaquim de Bicas, Pará de Minas e
Juatuba, a esperança ainda persiste entre alguns moradores de cidades
mais próximas à represa de Três Marias – localizada na bacia do São
Francisco. Para Irmã Neusa Francisca do Nascimento, representante do
CPP, a empresa Vale tem atuado no sentido de construir uma narrativa
mais positiva, mas que não condiz com a realidade. Ela cobra uma análise
profunda das águas por parte das autoridades competentes a fim de
combater informações que podem maquiar os reais efeitos do crime.
Comunidade Porto Novo, no município de Três Marias.
“Conversamos com várias lideranças e
várias pessoas que têm contato com o rio. E pudemos constatar a
descrença do povo com a empresa Vale; com as informações de que as águas
não têm esse potencial de perigo, como o povo está suspeitando ou
constatando. Aproximando do Rio São Francisco, nós vimos que o povo está
aflito, porque não se sabe o teor da contaminação. A gente assistiu a
lama até Juatuba, mas não se sabe a dimensão de outras toxinas, outros
venenos e outros metais”, ressaltou.
O coordenador da Cáritas Minas Gerais,
Rodrigo Pires, lembrou que muitos têm a esperança de que não haja
contaminação, mas essa não parece ser a realidade. Um dos exemplos foi a
cena testemunhada pela Peregrinação no dia 31, no distrito do Córrego
do Barro, em Pará de Minas. Uma empresa terceirizada, à serviço da Vale,
instalava a primeira membrana para contenção de rejeitos, próximo ao
local da captação de água que abastece o município de quase 100 mil
habitantes. A ação, porém, não surtiu efeito imediato. A terceira
membrana prometida só foi instalada no dia 5 de janeiro, segundo
informações da empresa. A cidade, inclusive, decretou estado de
emergência no dia 4 de janeiro, visto que não há nenhuma possibilidade
de usar a água altamente contaminada.
Membrana instalada pela Vale para tentar conter os rejeitos, em Pará de Minas.
O gerente da Associação AMA Pangeia,
entidade sediada em Pará de Minas, José Hermano Franco, também estava
próximo ao local e conversou com os peregrinos. Militante da causa
ambiental e biólogo, ele mostrou indignação e preocupação com as
informações desencontradas dadas pela Vale e órgãos governamentais.
Dúvida que, dias após o encontro, estava dissipada: o rio, naquela
altura, está morto.
O ambientalista lembrou o rompimento da
barragem da Samarco, em Mariana, no ano de 2015, onde até hoje há
negligência para com os atingidos. Por isso, protestou: “a Vale tem que
começar a ser punida de verdade. Chega de impunidade!”.
Assista AQUI o depoimento completo de José Hermano Franco, da Associação AMA Pangeia.
Cobrança semelhante fez um morador de
Parque da Cachoeira, comunidade atingida pelos rejeitos em Brumadinho. O
comerciante preferiu manter anonimato, mas denunciou que as sirenes não
tocaram no dia do acidente e prometeu cobrar que a empresa o ajude a
encontrar outro lugar para viver. “Perdi toda minha freguesia. Nós
estamos sem rumo”, lamentou. Sua família já deixou o local que, fora
voluntários e equipes de resgate, parece esvaziado, dado o medo dos
moradores.
Comunidade Parque da Cachoeira atingida pelos rejeitos, em Brumadinho.
Para os peregrinos, as vozes ouvidas na
expedição precisam ecoar numa combinação de denúncia e monitoramento. Os
efeitos do despejo dos rejeitos ameaçam chegar, inclusive, ao Rio São
Francisco – opinião cada vez mais forte, também, entre ambientalistas.
Foi às margens do Velho Chico que os
peregrinos encerraram a caminhada, na cidade de Três Marias. Caminho que
parece ter apenas começado, já que os rastros do crime continuarão
gerando seus impactos e exigirão ações de luta em favor de direitos
ainda possíveis de reivindicar. Isso porque a vida das centenas de
mortos é um dano humanitário irreparável. Dor que transcende Brumadinho e
entristece todo o povo com quem a Peregrinação teve contato. Gente
solidária aos atingidos e temerosa de que a lama também chegue até suas
águas.
Mobilizações e monitoramento
Peregrinos encerraram a caminhada às margens do rio São Francisco, em Três Marias.
As entidades que integraram a
Peregrinação reuniram contatos e relatórios a fim de articular ações na
defesa das comunidades atingidas. Dentre as deliberações, é preciso
reafirmar o teor criminoso do rompimento da barragem, além de buscar
parcerias para garantir os direitos das pessoas afetadas.
Rodrigo Pires, coordenador da Cáritas
Regional Minas Gerais, explicou que as ações serão discutidas com outras
entidades e com o conjunto da Igreja, lembrando que a Cáritas já traz a
experiência em acompanhar os atingidos pela barragem de Fundão em
Mariana.
O grupo de peregrinos destaca a
importância do monitoramento popular do Rio Paraopeba e do São
Francisco, a partir da rede de pescadores e pescadoras. Além da
articulação junto ao Ministério Público para garantir o monitoramento do
rio através de uma universidade, de modo independente ao que é feito
pela Vale.
O crime
Devastação causada pelos rejeitos da Vale, em Brumadinho.
No dia 25 de janeiro de 2019, a
barragem de rejeitos de minério da Vale, Mina do Córrego do Feijão,
rompeu-se no município de Brumadinho, a 65 km de Belo Horizonte. O
desastre teve um enorme impacto, resultando na morte confirmada de mais
de 130 pessoas, além de cerca de 200 desaparecidas – números oficiais
questionados por moradores locais. O crime tem ainda forte impacto
ambiental, uma vez que os rejeitos contaminaram o Rio Paraopeba, que
deságua no São Francisco. Segundo autoridades estaduais, a água do
Paraopeba já está contaminada, mas ainda não se sabe com detalhes quais
os reais impactos a médio prazo e como os resíduos seguirão pelo curso
da água.
Por Vinícius Borges, comunicador popular da Peregrinação Paraopeba/ São Francisco: rastros de um crime.
Os
três maiores bancos privados Bradesco (maior acionista individual da
vale), itau (dirigiu o BC durante o temer) e Santander (agora eles é que dirigem o BC) tiveram um lucro liquido de 60 bilhões de reais, durante 2018.
E vãoo distribuir 37 bilhões para os seus acionistas, como dividendos... sem pagar imposto de renda.
E assim o capital financeiro, acumula as riquezas que todos produzimos, e concentra ainda mais arenda.
Por isso, que eles financiam politicos e apoiam governos neofascistas, para lhes dar tranquilidade de seguir acumulando..
E agora querem privatizar a previdencia, para pegar a galinha de ovos de ouro, pegar dinheiro de trabalhar sem pagar nada...