quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

TRIPLICA O NÚMERO DE AFETADOS PELO CLIMA NO BRASIL

Muitos ainda vivem na ilusão de que o Brasil estaria longe dos desastres por causa do clima e, por isso, do aquecimento global. A publicação do Atlas do IBGE, resumido no artigo abaixo, desfaz a ilusão e serve de convite para que nós, brasileiros, entremos firmes na luta em favor das mudanças necessárias e urgentes para que a Terra possa ir recuperando seu equilíbrio, afetado pelas ações humanas que emitem quantidades cada vez maiores de gases de efeito estufa na atmosfera. (Texto publicado no portal www.unisinos.br/ihu)


15/12/2010


Triplica número de afetados pelo clima


De 2007 a 2009, triplicou o número de brasileiros afetados por inundações, secas, vendavais e temperaturas extremas. É o que revela o Atlas Nacional do Brasil Milton Santos, lançado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A reportagem é de Wilson Tosta e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 15-12-2010.

O aumento mais impressionante ocorreu no item inundações. Em 2009, as enchentes - que em 2007 haviam afetado 1 milhão de pessoas - impactaram 3,2 milhões de brasileiros. No item secas, o salto foi de pouco mais de 750 mil para cerca de 1,8 milhão, e nos desastres com causas eólicas e temperaturas extremas, o número de afetados passou de 200 mil para 800 mil.

As informações do atlas foram divulgadas três dias após o fim da Conferência do Clima das Nações Unidas, realizada em Cancún, México.

Em sua sexta versão - a primeira foi em 1937 e a quinta, em 2000 -, a publicação mostra a evolução da proporção de vítimas e dos tipos de desastre distribuídos pelo território brasileiro no período 2007-2009.
O altas revela, por exemplo, que Rio Grande do Sul, Espírito Santo e Piauí foram os Estados que tiveram a maior proporção de habitantes afetados - entre 12,1% e 15,2%.

No ano passado, os gaúchos foram os mais afetados pelas secas. Do 1,6 milhão de habitantes que sofreram com desastres naturais no Estado, mais da metade enfrentou a falta de chuvas. No mesmo ano, os capixabas foram fortemente afetados pelas enxurradas.
Os números divulgados ontem abalam uma crença arraigada no senso comum: a de que o Brasil estaria livre de grandes tragédias naturais que afetam duramente outros países.

Eixos

Território e Meio Ambiente é o nome de um dos quatro "eixos" do atlas, que, por determinação legal, leva o nome daquele que é considerado o maior geógrafo nascido no Brasil, Milton Santos (1926-2001).
Em suas páginas, disseca questões como uso de agrotóxicos, espécies em extinção, reservas florestais, cobertura vegetal, biomas, queimadas, ameaças à biodiversidade - tudo referenciado em mapas coloridos do Brasil e dos Estados. As fontes são o próprio IBGE e órgãos oficiais, do Instituto Chico Mendes à Fundação Nacional do Índio, abrangendo instituições internacionais, como o Banco Mundial.
Na mapa das Fontes de Ameaças à Biodiversidade, por exemplo, é possível ver a Concentração de Fontes de Ameaças, representadas por uma escala de cores que vai do amarelo (muito baixa) a negro (muito alta). A ilustração expõe a proximidade ou distância de unidades de conservação, por exemplo. O período examinado vai até setembro de 2009. Em outras páginas é possível ver a representação da Poluição Industrial Potencial e do Uso de Agroquímicos.

A primeira, com dados de setembro de 2010, mostra que os Estados que concentram mais poluentes são São Paulo e Minas Gerais. Um gráfico indica que o poluente industrial mais emitido no País é o monóxido de carbono (CO). Sozinha, a indústria metalúrgica responde pela emissão anual de 400 mil toneladas dessa substância. A segunda revela que São Paulo liderou, em 2005 (último dado disponível), o consumo de agrotóxicos, com 55 mil toneladas anuais.

Trabalho
A elaboração do atlas envolveu 40 pesquisadores. De acordo com o presidente do IBGE, Eduardo Nunes, exemplares do atlas serão enviados para representações diplomáticas do Brasil no exterior.

CRONOLOGIA

Desastres recentes

Marco de 2004
Furacão

O Catarina atingiu o sul de Santa Catarina (40 municípios) e o norte gaúcho. Houve 3 mortes e 100 mil casas afetadas.

Dezembro de 2007
Terremoto

Tremor de 4,9 graus na escala Richter atingiu Itacarambi (MG). Uma menina de 5 anos morreu e 95% das casas do povoado foram destruídas. Apesar da intensidade, esse não foi o maior tremor ocorrido no Brasil.

Maio 2008
Ciclone extratropical

Rajadas de vento de até 118 km/h mataram duas pessoas no Rio Grande do Sul e deixaram centenas
de desabrigados.


Novembro de 2008
Tragédia em SC

Após 919,5 milímetros de chuva, quando o normal para todo o mês era de 110,4 ml, enchentes no Vale do Itajaí mataram mais de 100 pessoas e deixaram quase 100 mil desabrigadas ou desalojadas.

Janeiro de 2010
Enchentes

Chuvas e deslizamentos mataram cerca de 40 pessoas na região de Angra dos Reis (RJ). Em São Paulo, São Luiz do Paraitinga sofreu com a maior enchente desde 1930. O Rio Paraitinga subiu 10 metros, arrastando imóveis históricos.



segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

MUDANÇAS CLIMÁTICAS: O QUE O BRASIL PODE FAZER?

Voltando de Cancum, não há como não enfrentar de imediato a pergunta: o que o Brasil pode fazer para cooperar no enfrentamento das mudanças climáticas? Depois de dias e dias de mais uma Conferência do Clima em que predominou o debate sobre a situação de todo o planeta, é saudável que cada país encare sua realidade e suas responsabilidades.

Como se sabe, uma das grandes dificuldades para os acordos mundiais está na definição de responsabilidades em relação ao aquecimento: os países empobrecidos e em via de desenvolvimento exigem que os que se enriqueceram através da exploração colonial e das relações internacionais de comércio e endividamento paguem a conta, diminuindo rapidamente suas emissões de gases de efeito estufa e apoiando as ações necessárias em todo o planeta; os países ricos, por sua parte, exigem que todos assumam os custos das mudanças que se impõem, e de modo especial a China, a India e o Brasil.

Aparentemente o embate teria sido resolvido com a constituição do chamado Fundo Verde, em que países ricos apóiam ações em países com recursos insuficientes, duramente atingidos por eventos climáticos extremos e que pouco ou nada têm a ver com o que causou e aumenta aquecimento. Na verdade, porém, o debate continua, pois não foram estabelecidas metas obrigatórias de redução das emissões de gases de efeito estufa, e os ricos insistem que os países emergentes entrem na conta geral, seja reduzindo suas emissões, seja participanto do Fundo de apoio aos mais pobres.

No caso do Brasil, surgem duas perguntas: será necessário continuar emitindo gases que aquecem o planeta para alcançar o desenvolvimento que sua população necessita? Por outro lado, serão suficientes as metas voluntárias de emissão anunciadas ainda em Copenhaguem em 2009?

Os que defendem que o país teria direito a emitir para avançar no seu desenvolvimento devem estar assentados sobre algumas inverdades. Primeira: nada garante que o crescimento econômico resultará em melhoria da condição de vida de toda a população; afinal, este é um país que que concentra a maior parte de seu crescimento econômico em poucas e cada vez mais poderosas mãos ou empresas, mantendo-se um dos campeões mundiais de desigualdade social. Segunda: nada justifica que se continue centrando a produção de energia nas fontes tradicionais: a água dos rios, o diesel, o carvão, o urânio; o país conta com recursos naturais para manter a economia necessária para uma vida de qualidade para sua população produzindo energia a partir de fontes mais limpas, como o sol, os ventos, o movimento das águas. A partir daí, entram em questão tanto a decantada prioridade dada à produção de etanol e outros agrocombustíveis, quanto a manutenção do transporte baseado no carro individual e em ônibus, deixando de lado a opção de transportes de massa e movidos a eletricidade.

Estão aqui levantados apenas alguns dos desafios e das possibilidades de alternativas para um país que continua privilegiado em relação a recursos naturais. O fundamental é dar-se conta que a situação do planeta está tão problemática que ninguém pode deixar de fazer o que lhe é possível. Por isso, cabe a toda a população brasileira dar-se conta que sua qualidade de vida pode ser melhorada com a adoção de caminhos alternativos de desenvolvimento; que este desenvolvimento deve abandonar sua submissão ao econômico, colocando sua centralidade no social e no cuidado com o ambiente geral da vida; que, por isso, cabe-lhe a responsabilidade soberana de exigir mudanças nas prioridades das políticas públicas, fazendo que elas se livrem dos interesses de grupos econômicos e estejam realmente a serviço do bem viver de toda a população.

Em outro texto analisaremos se são suficientes ou não as metas voluntárias de redução aunciadas pelo governo brasileiro, e que constam da lei que criou a Política sobre Mudanças Climáticas.

domingo, 12 de dezembro de 2010

COP 16: O PIOR FOI EVITADO. É SUFICIENTE?

Os que acompanhamos a COP 16 despertamos com um sentimento de alívio: para surpresa geral, o pior foi evitado! Meio aos trancos e barrancos, foi aprovado que o Protocolo de Kioto continua pautando as negociações sobre o controle da emissão dos gases que provocam efeito estufa. Isto significa que há a possibilidade de avançar em acordos viculantes, isto é, que obrigam os países a cumprirem o que for estabelecido para cada um. Além disso, foi aprovada a constituição de um Fundo destinado a apoiar os países mais frágeis e mais atingidos em seus esforços para adaptar-se às novas situações.

Tudo bem, não há dúvida que isso é melhor do que o abandono completo do Protocolo de Kioto, como desejavam diversos países explicitamente, e por outros que se mantinham escondidos. Mas, se lembrarmos que os Estados Unidos até hoje não o aprovou, e por isso nã está incluído entre os países que serão obrigados a realizar o que acordado, e, além disso, que mesmo em Cancum se evitou establecer qualquer meta e prazo para alcançar o consenso, não é possível sentir-se em festa. Pelo contrário, uma vez evitado o pior, o que vem pela frente continua um imenso desafio, e será necessário muito trabalho diplomático e muita pressão dos povos para que se avance rápida e efetivamente.

De toda maneira, o fato de estar no texto final de Cancum o reconhecimento de que os esforços devem concentrar-se em evitar que a temperatura ultrapasse os 2 graus Célsius, colocando como meta desafio a tentativa de ficar em 1,5 graus C, é um feito importante, especialmente quando se tem presente a falta de vontade política e os compromissos defendidos por muitos delegados dos países. Isso confirma que chegamos a um consenso em torno do aquecimento do planeta e das mundanças provocadas por ele, e que, diante disso, os que se negarem a assumir suas responsabilidades em favor das medidas necessárias para enfrentar as causas desses fenômenos deverão ser acusados de crime de genocídio, pois serão responsáveis pelos que perderem a vida por causa do agravamento das mudanças climáticas, que já causaram um número impressionante de vítimas fatais, além dos 50 milhões de migrantes climáticos...

sábado, 11 de dezembro de 2010

QUEM MUDARÁ O CÓDIGO FLORESTAL?

Estou em Cancum, refletindo sobre a realidade do planeta e acompanhando, no possível, a COP 16. Por aqui também estiveram líderes do agronegócio, certamente buscando novas oportunidade para negócios com o desastre ambiental, de que são geradores importantes. E acabo de receber notícias de que a triste proposta de mudança do Código Florestal será votada em plenário em regime de urgência, e que isso teria sido viabilizado através de um acordo entre governo e ruralistas.

Mais do que preocupado, estou envergonhado. Afinal, estão nos últimos dias tanto o governo como a atual legislatura, e muitos dos atuais "representantes" não voltarão, por não terem recebido os votos necessários para isso. A urgência teria a ver com dúvidas em relação à composição do novo Congresso, ou à pressa para verem-se livres das multas que já deveriam ter sido pagas? E o governo Lula, que passará o cargo a Dilma, continua manifestando contradições quase impossíveis de serem entendidas: ao mesmo tempo que anuncia, na COP e fora dela, que está comprometido voluntariamente a reduzir significativamente a emissão de gases de efeito estufa, faz acordo ou aceita passivamente que deputados e senadores ruralistas avancem em sua dicisão de modificar a legislação florestal que objetiva aumentar o avanço destrutivo sobre as florestas!

Estou envergonhado pela insensibilidade e cegueira de brasileiros em relação à situação em que se encontra a Terra, bem como em relação às cada dia mais numerosas vítimas dos eventos extremos que caracterizam as mudanças climáticas atuais. E mais ainda pelo desejo irresponsável e criminoso dos que pretendem ter perdoados seus crimes ambientais e continuar sendo criminosos em sua relação com as florestas e com a biodiversidade o o sistema de vida que as constituem. Se permitirmos ser governados por pessoas que pensam e agem assim, vale para nós a advertência do Evangelho de Jesus: cegos orientando cegos só podem levar a humanidade a cair em abismos.

Cabe a cada um e uma de nós decidirmos se preferimos a cegueira e a passividade, ou se decidimos usar os olhos e a inteligência ainda sadios para perceber a gravidade das ameaças à vida que esta mudança do Código Florestal significa, e para tomar a decisão de agir, pressionado o Congresso e o Governo a desistirem de votar essa mudança da lei sem consultar a sociedade brasileira e sem consultar a própria Terra.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

A VOZ DA CIDADANIA

"Como conseguiram entrar aqui com todas essas coisas?" Foi assim que um jornalista, admirado, perguntava ao grupo da Misereor que chegava ao Moom Place, local da Conferência do Clima oficial. De fato, para entrar sem repressão com as garrafas que, segundo a iniciativa, haviam chegado pelo mar, vindas da Alemanha com mensagens de cidadãos deste país ao seu ministro do Meio Ambiente, exigindo tomada de decisões efeitvas para impedir que a temperatura ultrapasse os 2 graus C, foram necessárias muitas negociações: com a própria ONU, argumentando que se tratava de pressão democrática legítima e não violenta; com a segurança, provando que se tinha permissão oficial; e tudo isso, mediado pela ação da delegação alemã, que aceitava receber as mensagens de seus cidadãos.

Foi um gesto simples, mas que chamou atenção da imprensa e dos muitos passantes pelas escadarias de um dos prédios do imenso e solene hotel Moon Palace. O fato de que o Ministro, com seus auxiliares, tenha recebido a rede cheia de garrafas com as mensagens, e de que, simbolicamente, a tenha carragado em seus ombros, tanto pode ser interpretado como um jogo político como uma acolhida real do desejo de participação cidadão, possibilitada por uma instituição de solidariedade internacional alemão, como é a Misereor.

De toda forma, a iniciativa deixa no ar a pergunta: quando será que os governantes ouvirão a voz de seus povos para participarem de decisões que dizem respieito à vida de toda a humanidade, e à própria vida da Terra? Evo Morales, em sua entrevista à imprensa, entre outras tantas reflexões críticas importantes, repetiu: torna-se cada vez mais nocessário organizar um Plebiscito mundial, para ouvir a cidadania de todo o nosso mundo, e para que os governos tomem decisões a partir do que ela deseja e decide que deve ser feito.

O DISCURSO OFICIAL

Ouvir por horas os discursos dos delegados oficiais - presidentes, ministros ou outros funcionários - à COP 16 é algo que, num primeiro momento, impressiona. Percebe-se um aparente consenso em torno da realidade trágica do aquecimento global e seus efeitos em todos os continentes e ilhas e da necessidade da implementação imediadta de medidas que enfrentem as suas causas. Para isso, cada representante ocupa a tribuna e fala, em média, em torno de sete minutos, sendo que alguns ultrapassam doze minutos. Muita repetição, numa linguagem e tratamentos claramente diplomáticos.

Dessa forma, o penúltimo dia da COP foi ocupado com discursos, declaração de intensões. Quando iniciarão as negociações sobre os termos dos acordos que foram sendo elaborados em tantos dias de nogociações de representantes de segundo escalão, e que contaram com insumos provindos de debates promovidos por governos e/ou por entidades da sociedade civil, em que cabem tanto ONGs quanto entidades empresariais? Quando e como aparecerão os reais interesses em jogo, uns tentando avançar, outros fazendo de tudo para impedir que algo concreto seja decidido? Tudo ficará para o último dia. Haverá, mais uma vez, um grupo de países que tentarão fazer passar um texto de última hora, de forma antidemocrática, ou haverá disposição e cooperação para avançar em acordos efetivos?

Pelo que se percebe, a tendência será a repetição do que tem caracterizado essas Conferências: protelar decisões, sempre em nome de que ainda não se chegou ao consenso. Um dos sinais dessa tendência estava mais do que clara nos discursos de ontem: a referência constante à COP 17, a ser realizada na África do Sul, e à preparatória, que acontecerá em outro país aficano. A conclusão, até prova em contário - absolutamente desejavel -, é a de que se continua com o jogo de irresponsabilidades, pois a resposta ao reconhecimento do desastre limita-se à organização de outra conferência, repetindo gastos impressionantes, como os que mantiveram a COP 16 numa cidade turística como Cancún.

Enquanto isso, a Colômbia está quase submersa em enchentes nunca vistas, segundo o depoimento do represnetante deste país...

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

QUEM DECIDE?

As conferências da ONU sobre o clima não avançam porque os principais responsáveis pelo desastre já produzido e pelos previstos nos cenários bem fundamentados continuam jogando a responsabilidade aos "outros". "Se ele ou eles assumirem, eu também entro", afirmam uns aos outros. Com isso, tentam esconder-se, tentando livrar-se da culpa pelos sucessivos fracassos nas negociações. Mas não se livram, porque, na realidade, o que está em jogo não é a sorte de um ou de outro, e sim a de todos, uma vez que todos são atingidos pelas mudanças em curso.

É evidente que há responsabilidade maiores, mas a causa mereceria atitudes mais sérias e corajosas por parte de todos. Mesmo países como o Brasil poderiam ser mais ativos, seja na direção das pressões sobre os maiores responsáveis, seja avançando na direção de um acordo entre os países que realmente estão decididos a construir rapidamente as alternativas que se impõem. Aliás, se as negociações tivessem como base um pouco de ética que se origina da Justiça, certamente se buscaria a união de todos os que estão decididos a mudar, avançando em tudo que é possível, e isto teria o sentido de ir cercando os mais irresponsáveis num campo definido, visível para toda a humanidade.

Não faltam propostas de mudança. O que falta é sentimento de humanidade. Enquanto o alvo maior for a busca de novas oportunidades de negócios e de crescimento da mesma economia que tem causado o desastre, não haverá condições de avançar; esta cegueira, característica de quem se move por interesses imediatistas, está levando a humanidade ao abismo.

Uma vez mais é preciso repetir: já está passando da hora para a responsabilidade das grandes religiões; cabe a elas, com suas mensagens em relação à Criação, conclamar a huamnidade a mudar sua relação com a Terra, criando condições para superar o que a está desequilibrando em seu desejo de oferecer um ambiente equilibrado para a vida. Mas essa é uma missão de todas as pessoas, mesmo as que não professam alguma religião, mas têm sentimentos de humanidade. Mãos à obra, filhos e filhas da Terra!