segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

SEREMOS CAPAZES DE VIVER SEM ÁGUA?

As imagens mostradas pelas televisões não deixam dúvida: há muita gente ameaçada de ficar sem água! Antes disso, se a lei for respeitada, empresas deverão fechar por falta de água. E a situação das barragens de hidrelétricas também não deixa dúvida: já falta energia elétrica!

Agora, só agora, aparecem autoridades declarando que essa crise pode ter um lado positivo: que o povo se dê conta de que deve economizar água. Falam passando a ideia de que a população seria a culpada pela crise. Depois de Deus ou de São Pedro, claro, porque a maior ou menor quantidade de chuva dependeria do bom ou mau humor de quem cuida das torneiras lá de cima.

Afinal, de quem é culpa pela crise da água?

Lembro que políticos e técnicos afirmaram que nunca mais teríamos um apagão como o de 2001, iludidos pela construção de mais termelétricas e novas hidrelétricas, especialmente na Amazônia. Só que, agora, o nível da água de 85% das barragens já está mais baixo do que em 2001. E o das barragens para consumo humano, de modo especial em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, está perto ou abaixo de zero, tendo que tirar água do que sobra, o chamado volume morto.

Parece que as autoridades não quiseram ouvir os avisos. Os mais de dois mil cientistas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas – IPCC – publicaram três Relatórios a partir de 2001, e neles deixaram claro que o planeta Terra está se aquecendo, e que isso agrava cada dia mais eventos climáticos como as chuvas e as secas. E os pesquisadores do INPE e do INPA não se cansaram de avisar que a situação da água iria se agravar. Antônio Nobre, por exemplo, do INPE, chegou a afirmar que a crise do Sudeste indica que, sem mudanças profundas e logo, “estaremos indo para o matadouro”.

De quem é a culpa? 

Como os governos e as empresas de abastecimento de água não informaram a população, e menos ainda se preocuparam em desenvolver processos educativos sobre a água, são, com certeza, grandes responsáveis pelo desastre. Os que desperdiçam água, sejam as empresas que não cuidam da rede de distribuição, sejam as indústrias, o comércio e os consumidores finais, também têm sua responsabilidade. Mas, na verdade, todas as empresas e pessoas que contribuem para o aquecimento do planeta têm responsabilidade pela diminuição das chuvas. E, por isso, só quando todos esses mudarem seu jeito de relacionar com a água e a natureza e seu modo de vida consumista, só aí a Terra se sentirá apoiada para buscar novo equilíbrio para garantir a água que todos os seres vivos precisam.


            Ivo Poletto

[texto de programa radiofônico disponível em www.fmclimaticas.org.br ] 

PRESIDENTE DILMA, NÃO DESTRUA O TAPAJÓS!

AMIGAS, AMIGOS, ASSUMAM, SUBSCREVAM E DIVULGUEM A PETIÇÃO POSTADA NA AVAAZ EXIGINDO QUE A PRESIDENTE DILMA NÃO DESTRUA O RIO TAPAJÓS, SEUS POVOS, SUA BIODIVERSIDADE E SUA BELEZA COM A TEIMOSIA DE CONSTRUIR SETE HIDRELÉTRICAS NA REGIÃO. E QUE PASSE A APOIAR A PRODUÇÃO DE ELETRICIDADE A PARTIR DA TRANSFORMAÇÃO DOS RAIOS DO SOL, TÃO ABUNDANTE E GRATUITO EM TODO O NOSSO PAÍS. 

Prezados/as amigas/os

Estamos enfrentando dragões, mas sabemos se Davi venceu Golias nós podemos barrar as hidroelétricas no rio Tapajós.

Para isso, além de outras táticas na região, estamos usando as forças de AVAZZ que nos cedeu espaço e já temos adesões que serão reforçadas por você e seus contatos. Contamos com sua adesão pessoal e coletiva. Um abraço do Movimento Tapajós Vivo e do  Edilberto pessoalmente. Leia , assine e envie a seus contatos.


Amigos,

Eu acabei de criar minha própria petição no site de Petições da Comunidade da Avaaz. Chama-se: Presidente Dilma Rousseff do Brasil: Parar de destruir o rio Tapajós no Pará com sete hidroelétricas.

Eu realmente me importo com esse assunto e estou tentando conseguir 250 assinaturas -- você pode me dar uma ajuda?

Clique aqui para ler mais a respeito e assine:
http://www.avaaz.org/po/petition/Presidente_Dilma_Rousseff_do_Brasil_Parar_de_destruir_o_rio_Tapajos_no_Para_com_sete_hidroeletricas/?Day2Share

Campanhas como essa sempre começam pequenas, mas crescem quando pessoas como nós se envolvem -- por favor, gaste um segundo agora para ajudar assinando e passando adiante.

Muito obrigado,

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

SÃO PAULO: ALARME!

DE FATO, SEIS MILHÕES DE PESSOAS ESTÁ AMEAÇADAS DE FICAR SEM ÁGUA. É CLARO QUE TODOS DESEJAMOS QUE ISSO NÃO ACONTEÇA, E QUE, PARA ISSO, SE ESCUTE O GRITO DE ALARME APRESENTADO POR ODED GRAJEW, E POR TANTOS OUTROS. É PRECISO EVITAR ESSA CATÁSTROFE! E, A PARTIR DAÍ, REPENSAR O MODO DE VIDA, O CUIDADO COM A NATUREZA, PORQUE, DE FATO, SEM ÁGUA A GENTE VIVE POUCO TEMPO.

ALARME, por Oded Grajew
Enviado por NossaSP em 16/01/2015 - 13:42 
 
Diante da crise da água em São Paulo, o coordenador geral da Rede Nossa São Paulo e do Programa Cidades Sustentáveis faz um apelo às autoridades e aos cidadãos para que assumam as devidas responsabilidades.
 
 
    ALARME
 
A cidade de São Paulo está diante de uma catástrofe social, econômica e ambiental sem precedentes. O nível do sistema Cantareira está em cerca de 6% e segue baixando por volta de 0,1% ao dia. O que significa que, em aproximadamente 60 dias, o sistema pode secar COMPLETAMENTE!
 
O presidente da Sabesp declarou que o sistema pode ZERAR em março ou, na melhor das hipóteses, em junho deste ano. E NÃO HÁ UM PLANO B em curto prazo. Isto significa que seis milhões de pessoas ficarão praticamente SEM UMA GOTA DE ÁGUA ou com enorme escassez.  Não é que haverá apenas racionamento ou restrição. Poderá haver ZERO de água, NEM UMA GOTA.
 
Você já se deu conta do que isto significa em termos sociais, econômicos (milhares de estabelecimentos inviabilizados e enorme desemprego) e ambientais? Você já se deu conta de que no primeiro momento a catástrofe atingirá os mais vulneráveis (pobres, crianças e idosos) e depois todos nós?
 
O que nos espanta é a passividade da sociedade e das autoridades diante da iminência desta monumental catástrofe. Todas as medidas tomadas pelas autoridades e o comportamento da sociedade são absolutamente insuficientes para enfrentar este verdadeiro cataclismo.
 
Parece que estamos todos anestesiados e impotentes para agir, para reagir, para pressionar, para alertar, para se mobilizar em torno de propostas e, principalmente, em ações e planos de emergência de curto prazo e políticas e comportamentos que levem a uma drástica transformação da nossa relação com o meio ambiente e os recursos hídricos.
 
Há uma unanimidade de que esta é uma crise de LONGUÍSSIMA DURAÇÃO por termos deixado, permitido, que se chegasse a esta dramática situação. Agora, o que mais parece é que estamos acomodados e tranquilos num Titanic sem nos dar conta do iceberg que está se aproximando.
 
Nosso intuito, nosso apelo, nosso objetivo com este alarme é conclamar as autoridades, os formadores de opinião, as lideranças e os cidadãos a se conscientizarem urgentemente da gravíssima situação que vive a cidade, da dimensão da catástrofe que se aproxima a passos largos.
 
Precisamos parar de nos enganar. É fundamental que haja uma grande mobilização de todos para que se tomem ações e medidas à altura da dramática situação que vivemos. Deixar de lado rivalidades e interesses políticos, eleitorais, desavenças ideológicas. Não faltam conhecimentos, não faltam ideias, não faltam propostas (o Conselho da Cidade de São Paulo aprovou um grande conjunto delas). Mas faltam mobilização e liderança para enfrentar este imenso desafio.
 
Todos precisamos assumir nossa responsabilidade à altura do nosso poder, de nossa competência e de nossa consciência. O tempo está se esgotando a cada dia.
 
Oded Grajew
Rede Nossa São Paulo

GOVERNO DLIMA NO CABRESTO DO AGRONEGÓCIO

COM ESTE TÍTULO, EGÍDIO SCHWADE, PERSISTENTE GUERREIRO DAS CAUSAS INDÍGENAS E MILITANTE PETISTA, EXPRESSA SUA INDIGNAÇÃO COM AS ESCOLHAS DA PRESIDENTE DILMA PARA SEU MINISTÉRIO. E AFIRMA QUE O QUE ESTÁ EM JOGO É A SAÚDE DO POVO BRASILEIRO E DA POSSIBILIDADE DE A TERRA CONTINUAR MANTENDO O AMBIENTE DA VIDA. MESMO QUE GERE MILHÕES DE DÓLARES, O AGRONEGÓCIO NÃO PODE SER ACEITO E MUITO MENOS SER ALIADO DE UM GOVERNO QUE SE APRESENTA COMO "POPULAR".

É MUITO IMPORTANTE QUE OS ELEITORES DE DILMA E TODOS OS CIDADÃOS BRASILEIROS DECEPCIONADOS EXPRESSEM SUA INDIGNAÇÃO. 

Não é só porque o mapa do agronegócio todo azulou ou tucanou nas últimas eleições, mas, principalmente, porque a saúde da terra e do povo brasileiro estão em jogo. Caros companheiros e companheiras, assessores(as) do Governo Dilma, o diálogo com a sociedade brasileira exige que vocês ajudem a Dilma a questionar o apoio que vem sendo dado ao agronegócio.

O grupo ruralista que tem sido privilegiado em todos os governos anteriores, mas em especial na primeira gestão de Dilma, são os principais poluidores da terra e da nossa comida brasileira. E eles estão aí de volta, no Congresso, querendo de novo comandar e desmandar.

O grupo está alinhado a um modelo essencialmente desenvolvimentista predador e como alerta a Comissão Pastoral da Terra, é o principal responsável “pela devastação ambiental dos nossos biomas, com o desmatamento e a utilização intensiva de agrotóxicos que suprimem a proteção vegetal e contaminam solos, águas, ar e trabalhadores e trabalhadoras. Provocam ainda o secamento e morte de nascentes e rios e o rebaixamento de lençóis freáticos e aquíferos. A destruição dos cerrados compromete a segurança hídrica atual e futura, o que já se evidencia na crise de abastecimento de várias regiões do país, que não se pode atribuir simplesmente à falta de chuvas. Ao se expandir para a Amazônia, este modelo chega à última fronteira, onde agrava a crise ecológica e nos põe a temer ainda mais pelo futuro...“

Não pode um governo que pretende ser “popular” se submeter às exigências econômicas e politicas do agronegócio. Nas condições atuais já seria escandaloso o Governo fornecer igual incentivo ao Agronegócio do que à Agricultura Familiar.
Não tem diálogo possível com quem prejudica o povo brasileiro, colocando em risco a sua saúde e até a sua sobrevivência como alertam à exaustão centenas de cientistas do mundo inteiro.
Sob o título: “Amazônia perde mais de 2000 árvores por minuto nos últimos 40 anos”, - alertam -  “cerca de duzentos dos principais estudos e artigos científicos sobre o papel da floresta amazônica no sistema climático, na regulação das chuvas e na exportação de serviços ambientais para áreas produtivas, vizinhas e distantes da Amazônia. A avaliação conclui que reduzir a zero o desmatamento já não basta para garantir as funções climáticas do bioma.”
E o cientista do INPE, Antônio Donato Nobre, afirma: “Estamos indo direto para o matadouro. Parar de desmatar é fundamental, mas não resolve mais. Temos que conter os danos ao máximo. Parar de desmatar é para ontem. A única reação adequada neste momento é fazer um esforço de guerra. A evidência científica diz que a única chance de recuperarmos o estrago que fizemos é zerar o desmatamento. Mas isso será insuficiente, temos que replantar florestas, refazer ecossistemas. É a nossa grande oportunidade.”
Mesmo que o agronegócio contribua com 100 bilhões de reais no PIB, não é razão para que se continue apoiando essa forma de agredir a terra e a saúde do povo brasileiro. É preciso que o Governo amplie o seu diálogo com o movimento popular e com os cientistas do Brasil e do mundo. Nomear Cátia Abreu para Ministra da Agricultura e Aldo Rebelo Ministro de Ciência e Tecnologia, símbolos da depredação da terra e da natureza, é agredir a razão e o bom senso. Não pode, é inaceitável!

Casa da Cultura do Urubuí, Amazonas, 21 de janeiro de 2015,

Egydio Schwade








segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

A LÓGICA E A ÉTICA DA TARIFA ZERO

DEPOIS DE LER ESTE ARTIGO, PERGUNTE-SE: QUANTO ESTAVA COM A CABEÇA FEITA POR QUEM FAZ DE TUDO PARA EVITAR QUE A MOBILIDADE URBANA SEJA DE FATO UM DIREITO DE TODAS AS PESSOAS?

E PASSEMOS A APOIAR ESSA MUDANÇA, ABSOLUTAMENTE NECESSÁRIA, POR CAUSA DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS, E LÓGICA, E ÉTICA.

A lógica e a ética da Tarifa Zero

150116-TarifaZero
É justa, democrática, viável, racional. Custa pequena parte do que cidades gastam com automóveis. Só preconceito e privilégios ainda atrasam sua adoção 
Por Lucio Gregori, especial para o Piseagrama*, parceira de Outras Palavras
Einstein dizia que é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito. Eu não sabia disso quando propus, em 1990, a tarifa zero para os transportes coletivos urbanos no município de São Paulo. Era secretário dos transportes no governo da então prefeita Luiza Erundina.
Por ter sido anteriormente secretário de serviços e obras (responsável, portanto, pelos contratos de coleta e destino final do lixo), pensei que o pagamento do transporte no ato de sua utilização era  injusto e pouco racional em termos de eficiência. Injusto porque os que pagam são os que menos têm condições de arcar com esse custo. Era, e continua sendo, enorme o número dos que andam a pé por não terem condições de pagar a tarifa. E é pouco eficiente uma vez que o sistema de cobrança, à época, consumia quase 28% do arrecadado, além de ocupar cerca de quatro lugares por ônibus. A catraca não é somente grande e feia, ela pode se constituir também em um símbolo de humilhação.
O sistema proposto era de pagamento indireto do serviço de transporte coletivo, através de impostos e taxas do município, como no caso dos serviços de educação, saúde, segurança pública, coleta e destinação final do lixo. O nome Tarifa Zero é, na verdade, de fantasia.
A previsão era de que, com a adoção da tarifa zero, o número de passageiros transportados aumentasse muito, seja por conta daqueles que não podem pagar várias tarifas por dia, seja pela migração de parte dos usuários de transportes individuais.
A frota deveria aumentar em 4.000 ônibus. Com a proposta, separava-se radicalmente o custo do serviço da tarifa paga pelo usuário. Cairia por terra o sistema de concessões de serviço para empresas em que a tarifa é a garantia do equilíbrio econômico-financeiro  do contrato. Os serviços seriam contratados conforme todos os demais serviços públicos municipais, como construção de vias e viadutos, aquisição de remédios, equipamentos hospitalares, equipamentos para educação. Seria algo como fretar veículos pagando ao fretador e cobrindo os custos através dos impostos e taxas municipais, sem nada cobrar do usuário no ato de utilização. Essa modalidade de contratação, no caso dos ônibus, seria denominada “municipalização”.
TEXTO-MEIO
Com o necessário aumento da frota e a tarifa zero, tornavam-se necessárias novas fontes de recursos através de impostos e taxas. A prefeita propunha à Câmara uma reforma tributária fortemente progressiva – dentro da qual pagaria mais quem tem mais, menos quem tem menos e não pagaria quem não tem – e a constituição de um fundo para financiar a gratuidade. Grandes estabelecimentos, bancos, residências de luxo pagariam mais, e assim por diante. Afinal, a cidade só funciona porque as pessoas nela se deslocam.
Nos debates e reuniões de que participei, pude perceber a resistência em se propiciar um sistema mais racional e justo para a mobilidade de todos, independentemente de classe social. A pouca mobilidade física dos usuários de transporte coletivo se traduz, também, em menor mobilidade social. O preconceito aparecia sob a forma de ditos como: “se é ruim pagando, pior se for de graça”, ou “os ônibus vão estar lotados de bêbados e desocupados” ou ainda, “se for de graça haverá vandalismo, etc, etc”.
O projeto não pôde ser implantado. A Câmara Municipal sequer votou a necessária reforma tributária e o projeto como um todo. Esse conjunto de preconceitos esconde uma questão política e social muito mais profunda, que se constitui como um paradigma.
Como se dá, exposta de forma simples, sua construção histórica e social?
O início ocorre com a necessidade do não transporte, quando o ideal para o capital era ter o trabalhador junto ao local do trabalho – caso das vilas industriais ou mesmo das colônias nas fazendas. Com a complexidade decorrente do desenvolvimento, o transporte dos consumidores e da mão de obra para os locais de trabalho passa a ser indispensável. A responsabilidade desse serviço é transferida ao poder público, enquanto ele se transforma, ao mesmo tempo, em novo “negócio”.
A concessão de serviço público é solução de “negócio” para um mercado em que não há como haver concorrência, característico do transporte coletivo. E a tarifa é a garantia do “negócio”.
Como responsabilidade do governo, os transportes coletivos têm na tarifa um preço público. Isso confere ao sistema possibilidades de barganha política. A fixação do preço público da tarifa serve como elemento de manipulação política, para o bem e para o mal. A tarifa se torna, na prática, um “fetiche”. A história dos reajustes de tarifas de transportes urbanos mostra isso claramente, através de variadas manipulações. Ora a depressão do preço, ora os aumentos, sempre em função do momento político, de eleições, etc.
Se do lado do capital, o transporte coletivo é encarado como “negócio”, os usuários, através do aparato ideológico, também introjetam esse mesmo conceito. O usuário entende que o transporte é um serviço que deve ser pago, e que o seu deslocamento (mobilidade) é de sua inteira responsabilidade. Com isso, esfuma-se que o transporte é, primordialmente, de interesse do produtor, do prestador de serviço, do comércio – do empregador, de forma geral. O usuário não entende o transporte como direito social a ser pago indiretamente, como entende a saúde pública, a segurança pública, a educação pública. Para lembrá-lo permanentemente de seu “dever de pagar”, em muitos ônibus da cidade de São Paulo se encontram os seguintes dizeres:
CÓDIGO PENAL
Art. 176 – Tomar refeição em restaurante, alojar-se em hotel ou utilizar-se de meio de transporte sem dispor de recursos para efetuar o pagamento:
Pena – detenção, de 15 (quinze) dias a 2 (dois) meses, ou multa.
É fácil perceber essa introjeção nos momentos de crise dos transportes coletivos, como nos dias de greve. A mídia mostrará usuários se debatendo e disputando os pouco lugares ofertados, ansiosos para não perderem o dia de trabalho ou o acesso a serviços indispensáveis e inadiáveis. O usuário assume, assim, a plena responsabilidade por seus deslocamentos. Se a crise perdurar, em breve a mesma mídia dirá da impaciência das indústrias, comércio e serviços pela ausência de seus trabalhadores e consumidores. E, então, a crise dos transportes coletivos fica entendida como um grave problema social.
No entanto, a Constituição diz:
Art. 6º – São direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma dessa Constituição.
Os mesmos transportes coletivos, cuja ausência causa graves problemas sociais, não são, entretanto, um direito social.
O usuário do transporte coletivo vê no transporte individual, de preferência o automóvel, a “saída” para a mobilidade. O automóvel é um produto que preenche diversos requisitos em nossa sociedade: são milhares e milhares de pessoas que vivem na dependência desse produto. Ele é estratégico na produção nacional, sobretudo por seus “efeitos para trás”, na enorme cadeia de insumos necessários à sua produção. Acrescente-se a isso os serviços que gravitam em torno de seu consumo, tais como comercialização, manutenção, publicidade, propaganda, combustíveis, empreiteiras de obras públicas de ampliação e reforma de sistemas viários para acomodar mais e mais carros, asfaltamento, construção de viadutos, passagens de nível.
O automóvel também conforma as cidades de tal sorte que elas acabam dependendo cada vez mais de sua utilização. Diante de um sistema de transporte coletivo ruim, insuficiente e caro, o automóvel se torna um sonho de consumo libertador do pesadelo representado pelo ônibus. Mas o automóvel é um forte agressor do meio ambiente e devorador insaciável do espaço urbano. Sua frota polui dezenas de vezes mais que a frota de ônibus e ainda mais que outros modalidades como metrô ou VLTs.
Entendo que a tarifa zero produziria um efeito radical na questão da mobilidade, tornando-a mais racional, ambientalmente mais sustentável e socialmente mais justa. Sua implantação envolve, porém, uma enorme disputa política, tanto no campo ideológico, como no campo econômico-financeiro.
Sucessivos governos no Brasil, em todas as instâncias, têm adotado políticas públicas para o transporte individual por automóvel em detrimento do transporte coletivo. Bilhões e bilhões são gastos na ampliação de vias e na construção de viadutos, enquanto se alega falta de recursos para o subsídio às tarifas e investimentos  no transporte coletivo. Isso não se dá por acaso, mas por uma enorme disputa política que envolve diversos interesses.
Em Hasselt, na Bélgica, a “tarifa zero” existe desde 1997. A demanda por transporte coletivo cresceu cerca  de 1300% e houve considerável diminuição de investimentos no sistema viário. Por tudo que se disse nessa síntese da questão é que se afirmou o título deste texto. Comecemos por reivindicar que o citado artigo da Constituição inclua o transporte coletivo urbano como direito social.
* Criada em 2010, em Belo Horizonte, a revista Piseagrama dedica-se a temas relacionados ao Direito à Cidade. Foi uma das quatro vencedoras do edital Cultura e Penasmento do ministério da Cultura. Graças a apoio público, seis edições circularam gratuitamente, com tiragem de 10 mil exemlares, distribuídos gratuitamente em mais de trinta cidades. Em 2014, a publicação captou junto ao público, por meio de crowdfunding, os recursos necessários para retornar. Estará de volta ainda em 2015. Para celebrar esta volta, Outras Palavras publcia alguns de seus melhores textos.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

2014: O ANO MAIS QUENTE DA HISTÓRIA

ISSO SÓ VAI CONFIRMANDO O DRAMA CRIADO PELA PRÓPRIA HUMANIDADE, E ESPECIALMENTE PELOS QUE PROMOVEM E IMPÕEM O SISTEMA CAPITALISTA, COM CRESCIMENTO ECONÔMICO SEM FIM.

SERÁ QUE OS GOVERNOS ESTARÃO LIVRES PARA TOMAR AS MEDIDAS ABSOLUTAMENTE NECESSÁRIAS PARA CONTER ESSE AQUECIMENTO NA COP 21, DE PARIS?

PRECISAMOS AGIR, TODOS E TODAS, FAZER VALER NOSSO DIREITO DE LUTAR PELA VIDA, A NOSSA, A DE TODOS OS SERES VIVOS E A DA PRÓPRIA TERRA. FAÇA O QUE PODE EM SUA LOCALIDADE E REGIÃO E PARTICIPE E REFORCE INICIATIVAS MAIS AMPLAS DE PRESSÃO SOBRE OS GOVERNANTES. SÓ ASSIM ELES SE LIBERTARÃO DO PODER DAS EMPRESAS QUE, LOUCAS POR LUCROS IMEDIATOS, SE NEGAM E QUEREM IMPEDIR QUE A HUMANIDADE MUDE SEU MODO DE VIDA, CONVIVENDO COM A TERRA.

O ano de 2014 foi o mais quente na história moderna
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Em Miami
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  • Nasa
    Mapa colorido exibe a temperatura global de 2014
    Mapa colorido exibe a temperatura global de 2014
O ano de 2014 foi o mais quente do planeta desde o início dos registros em 1880, revelou nesta sexta-feira um esperado relatório divulgado pela Agência Oceânica e Atmosférica (NOAA, na sigla em inglês) dos Estados Unidos.

Dezembro também marcou uma temperatura média na superfície da Terra e dos oceanos sem precedentes nos últimos 134 anos para este período do ano, acrescentou a NOAA.

Para o ano, a temperatura média se situa entre 0,69 °C acima do média do século 20, superando as marcas prévias de 2005 e 2010, de 0,04 °C .

O relatório da agência disse que o recorde de aquecimento se propagou pelo mundo.

Entre as regiões do mundo onde foram registrados recordes de calor estão a Rússia, o oeste do Alasca, o ocidente dos Estados Unidos, algumas zonas da América do Sul, parte do litoral australiana, norte da África e quase toda a Europa.

A agência disse ainda que as medições realizadas pela Nasa de forma independente chegam às mesmas conclusões.
Recorde no mar e na terra

Quando são analisadas separadamente as superfícies da terra e dos oceanos, ambos registros também marcam recordes.

Globalmente, a temperatura média da superfície dos mares foi a maior da história, 0,57 °C acima da média do século 20, enquanto a da superfície da terra ultrapassou em 1 °C esta mesma média.

Com relação à neve, a NOAA constatou que neve média anual no hemisfério norte foi de 64,62 milhões de quilômetros quadrados, "perto da média dos registros históricos".

A primeira metade de 2014 registrou menos neve do que o normal, mas o segundo semestre registrou mais do que a média.

O gelo polar e oceânico seguem derretendo no Árctico, privando os ursos polares de seus habitats e provocando mudanças climáticas que afetam regiões muito distantes em todo o mundo.

A média mundial de gelo no oceano Ártico foi de 28.460.000 km², a menor área nos 36 anos em que os cientistas têm feito registros.

No outro pólo, na Antártida, o gelo marinho caiu pelo segundo ano consecutivo, aos níveis mais baixos já registrados: 33.870.000 km², segundo a NOAA.

Dezembro também teve temperaturas recordes. As temperaturas médias combinadas nas superfícies terrestres e marítimas foram maiores do que qualquer outra na história.

A temperatura média do mês foi 0,77 ºC acima da média mundial. "Este foi o dezembro mais quente no período de 1880 a 2014", disse a NOAA.
Seca em São Paulo
No início de dezembro, a OMM (Organização Meteorológica Mundial), uma das agências da ONU, havia antecipado que 2014 seria o ano mais quente já registrado no mundo. Na ocasião, a agência citou a seca em São Paulo como exemplo dos problemas que as grandes cidades poderiam começar a sofrer diante das mudanças climáticas.
A OMM afirmou que o Brasil foi um dos países que mais sofreu com a onda de calor.No Sul do País, as temperaturas bateram recordes para o mês de outubro. Argentina, Paraguai e Bolívia também tiveram marcas inéditas, assim como a África do Sul e a Austrália.
A seca também foi registrada na China, na Austrália e no Canadá e, em Estados americanos, como Califórnia, Nevada e Texas, a quantidade de chuva foi inferior a 40% da média registrada entre 1961 e 1990.
A confirmação de que 2014 foi o mais quente desde 1891 também foi feita pela JMA (Agência Meteorológica Japonesa (JMA) e pelo Met Office (Agência Meteorológica do Reino Unido). A entidade japonesa ainda destacou que os 10 anos mais quentes da história foram registrados de 1998 em diante.

MOVIMENTO CATÓLICO GLOBAL PELO CLIMA

POR HOJE, A ALEGRIA DA NOTÍCIA, QUE GERA ESPERANÇA E AUMENTO DO COMPROMISSO DE CATÓLICOS CONTRA O QUE CAUSA AS MUDANÇAS CLIMÁTICAS QUE PREJUDICAM ESPECIALMENTE OS MAIS EMPOBRECIDOS.

PARA LOGO MAIS, A DECISÃO DE ENTRAR E REFORÇAR ESTA NOVA REDE, CONTANDO COM A APROVAÇÃO DAS ENTIDADES QUE CONSTITUEM O FÓRUM MUDANÇAS CLIMÁTICAS E JUSTIÇA SOCIAL.

DIVULGUEM E MEXAM COM OS CATÓLICOS QUE AINDA NÃO DESPERTARAM PARA ESSA RESPONSABILIDADE DE NOSSO TEMPO COMO PARTE DE SUA MISSÃO E DA VIVÊNCIA DO SEGUIMENTO DE JESUS DE NAZARÉ.

Lançam o ‘Movimento Católico Global pelo Clima’ antes da visita papal às Filipinas

Um conjunto de organizações e líderes católicos de todo o mundo anunciaram hoje sua colaboração com um movimento que trabalha para um futuro climático sustentável. Composto por leigos e clérigos, teólogos, cientistas e ativistas, oMovimento Católico Global pelo Clima (MCGC) emitiu uma declaração que contém suas crenças e missão, constituindo a primeira vez que um grupo católico deste tipo uniu suas forças para trabalhar na problemática da mudança climática.
A reportagem foi publicada por Religión Digital, 14-01-2015. A tradução é de Benno Dischinger.
A declaração apóia os ensinamentos católicos em temas de meio ambiente e faz um chamamento à oração e à ação em meio à comunidade católica do mundo. O Cardeal Tagle, arcebispo de Manila, apresentará a iniciativa ao Papa Francisconesta semana, durante sua viagem às Filipinas.
Segundo o DrPablo Canziani, um cientista do clima da Argentina que participa do MCGC: “As conversações sobre a crise climática têm dado enfoque historicamente mais sobre argumentos intelectuais do que sobre as profundas implicações de caráter espiritual e moral de nossa incapacidade para cuidar da criação de Deus”.
“As preocupações de nosso grupo se baseiam nas Sagradas Escrituras e na tradição da Igreja. Desde o Gênesis até oApocalipse, os Católicos aceitam como revelação a verdade que a criação e seu fim são um bem que devemos abraçar e cuidar. Em resposta ao que Deus deu à espécie humana – ar puro, água para manter a vida, os frutos das colheitas da terra e a generosidade do mar – somos chamados a honrar Deus nosso Criador por estas muitas bênçãos”, disse o Dr. Canziani.
Patrick Carolan, diretor executivo da Rede de Ação Franciscana, que também é membro do grupo, explicou a declaração dizendo: “Citando ensinamentos do Papa Francisco e dos bispos das Filipinas, este comunicado chama os católicos a promover os ensinamentos da Igreja, apreciar sua responsabilidade moral de atuar, criando consciência sobre a mudança climática e seus efeitos, sobretudo nos pobres e nas gerações futuras. Convidam-se os católicos a participarem em futuras ações que busquem um forte acordo internacional sobre o clima, e se recomendam todos os nossos esforços a Jesus Cristo, que faz novas todas as coisas”.
Desde as Filipinas, a coordenadora da Pastoral de Ecologia da Arquidiocese de ManilaLou Arsenio, agregou: “O movimento planeja promover a criação de redes e o intercâmbio de informação sobre a mudança climática entre as organizações católicas através de fronteiras nacionais, para obter maior compreensão do ensinamento católico sobre o cuidado da criação de Deus, e para responder às preocupações do Papa Francisco e de outros líderes da Igreja sobre a mudança climática. Convidamos todos os leigos e as organizações católicas a unirem-se a este esforço emwww.CatholicClimateMovement.global/español, tanto para gerar consciência sobre este importante tema como para atuar na esfera pública”.
O lançamento do MCGC coincide com a viagem do Papa Francisco às Filipinas, onde se reunirá com sobreviventes desuper tifón Haiyan, que se considera que está relacionado com a mudança climática, e que tem lugar num momento em que a comunidade Católica está à espera da próxima encíclica sobre a ecologia.