domingo, 18 de fevereiro de 2018

HORA DE VIRAR A MESA DOS BANQUEIROS

ESTÁ MESMO NA HORA, VISTO QUE O BANQUEIROS ESTÃO CONFIRMANDO QUE EM PERÍODOS DE CRISE, EM QUE OUTROS PERDEM MUITO OU TUDO, ELES GANHAM MUITO MAIS. SE O  SISTEMA FINANCEIRO NÃO FOR ENFRENTADO, E CONTROLADO OU DERROTADO EM SEU CARÁTER PRIVADO ATRAVÉS DA ESTATIZAÇÃO, NÃO HAVERÁ COMO CONTINUAR BUSCANDO A DEMOCRACIA ECONÔMICA E, COM ELA, A JUSTIÇA SOCIAL. VALE A PENA LEMBRAR DO EXEMPLO DA ISLÂNDIA, ÚNICO PAÍS QUE ENFRENTOU A CRISE FINANCEIRA COBRANDO DOS BANQUEIROS, POIS ELA FOI CRIADA POR ELES, E O ENFRENTAMENTO PASSOU PELA ESTATIZAÇÃO DOS BANCOS.

Hora de virar a mesa dos banqueiros
Itaú, Bradesco e Santander lucraram R$ 50 bilhões, em meio à crise mais profunda da História. Juros extorsivos, sonegação e cumplicidade do BC explicam fenômeno. Tudo isso pode ser revertido
Por Paulo Kliass | Imagem: Daniel Quintero, Los hermanos Quintero (1988)
O período entre as festas do final do ano e a folia do Carnaval é normalmente marcado pela divulgação de informações que deveriam deixar envergonhados todos os que se preocupam com um mínimo de decência e justiça em termos da organização de nossa sociedade. Em especial, me refiro à forma como são apropriadas e distribuídas as diferentes formas de renda e riqueza entre nossos cidadãos.
Durante os meses de janeiro e fevereiro as instituições financeiras apuram seus balanços patrimoniais e contabilizam os lucros realizados ao longo do ano anterior. Um dos aspectos que mais impressiona nessa maratona de publicação de seus resultados é a aparente naturalidade com que esses números são tratados por aqueles que são os responsáveis pelas editorias de economia dos grandes meios de comunicação e também por parte da maioria de nossos dirigentes políticos.
Nesses tempos de endeusamento da meritocracia e de loas incomensuráveis lançadas às virtudes dos empresários eficientes em suas áreas de atuação, tudo isso parece tão normal. Afinal, se ganharam mesmo tanto dinheiro assim só pode ser pelo simples fato de que são bons e competentes naquilo que fazem como operadores sua área de negócios. A realidade dos lucros bilionários dos bancos tornou-se uma espécie de tradição intocável em nossa sociedade, cada vez mais tão marcada pelo abismo verificado entre as duas centenas de milhões dos que quase nada possuem e o punhado de triliardários que adoram ostentar suas fortunas. Estes últimos parecem adorar a acirrada disputa da presença em listas de bilionários, tão cuidadosamente elaborada por revistas especializadas, como as mais conhecidas Forbes e Fortune.
TEXTO-MEIO
Assim, em 2017, a duplinha dinâmica dos líderes do capital privado em nosso sistema financeiro mantiveram sua dianteira. Enquanto Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal foram orientados a atrasarem suas respectivas divulgações, os donos de Itaú e Bradesco exibem orgulhosos as suas façanhas. O primeiro é o banco do presidente do Banco Central e ofereceu um novo recorde, ao registrar um lucro líquido de R$ 25 bilhões. O segundo é o banco do candidato de Lula a presidente do Banco Central em 2015 e apresentou ligeira queda em seu lucro, obtendo apenas R$ 15 bi ao longo do ano passado.
Brasil: paraíso dos bancos.
A terceira posição dentre os bancos privados operando por nossas terras ultimamente tem sido ocupada pelo conglomerado financeiro espanhol Santander. Em 2017 o lucro obtido pela filial tupiniquim foi de R$ 10 bi. Esse resultado representou um salto de 36% em relação ao ano anterior. Tal performance assegurou a lucratividade do grupo em sua escala de atividade global. Os rendimentos auferidos pelo banco apenas no Brasil representaram 26% do total dos ganhos do grupo espanhol em todo o mundo. Recordemos que se trata do sétimo maior banco do planeta.
A soma dos lucros dos 3 maiores bancos privados em nosso mercado financeiro no ano passado alcançou a cifra de R$ 50 bi. Sabe-se de todo o esforço realizado pelas áreas jurídicas e de planejamento tributário das instituições para escapar do pagamento de impostos. Assim, os ganhos reais foram muito maiores do que esses aqui contabilmente revelados e declarados. Isso sem contar a generosidade absurda oferecida pela legislação criada por FHC – e mantida desde então pelos sucessivos governos de Lula, Dilma e Temer – que isenta de tributação o recebimento privado de lucros e dividendos. Uma loucura!
O Brasil está mergulhado há mais de dois anos em uma profunda recessão econômica. O PIB encolheu mais de 8% desde 2015, como consequência direta do aprofundamento da estratégia do austericídio. O desemprego chegou a atingir 14 milhões de trabalhadores e a quebradeira das empresas foi generalizada ao longo desse período. Apesar de todo esse clima de catástrofe social e econômica, o único setor que não foi sequer atingido pela crise foi justamente a banca. As instituições financeiras continuaram faturando muito alto e apresentaram seguidamente resultados ostentando lucros vergonhosamente bilionários.
O poder do financismo ultrapassa os limites da área de atuação das instituições financeiras. O mito da força do mercado – tão amedrontador aos olhos dos analistas e especialistas forjados no interior do próprio sistema – impõe ao conjunto da sociedade os sacrifícios coletivos para que sejam drenados, de forma segura e contínua, a essa ínfima parcela os recursos extraídos de todos os demais setores.
A cumplicidade do Banco Central.
As fontes desses ganhos inexplicáveis e inaceitáveis são multivariadas. A sinecura proporcionada pela permanência das nossas taxas oficiais de juros em níveis de campeã do mundo é uma delas, com toda a certeza. Os bancos têm rentabilidade muito elevada sem fazer absolutamente nada: basta emprestar ao governo com ganhos balizados pela SELIC. A prática antiga e conhecida da sonegação tributária no interior do sistema das finanças reforça o poder das empresas e retira recursos do conjunto da sociedade. As tarifas cobradas pelos chamados “serviços” bancários no interior de nossas fronteiras também figuram dentre as mais elevadas do planeta. Além desses fatores, ganha participação especial os ganhos proporcionados pelos impressionantes níveis de spread praticados pelos bancos.
A farsa da colocação de dirigentes de bancos privados no comando do Banco Central cai como sopa no mel em tal quadro incestuoso. Ao brandir pela “independência” do BC para que este opere em termos supostamente “técnicos”, os defensores dos interesses do financismo buscam legitimar a prática daquilo que a sabedoria popular chama de “colocar a raposa para tomar conta do galinheiro”. Afinal, nada mais “político” do que deixar a instituição responsável pela regulamentação e fiscalização do sistema financeiro nas mãos dos próprios banqueiros.
Ora, como encontrar outra resposta para a ausência de ação do BC no controle do crime de abuso econômico praticado há décadas pelos bancos? A prática articulada das empresas em regime de oligopólio é por demais conhecida para que se tente outra forma que não a intervenção pesada do órgão regulador na defesa dos interesses das partes mais frágeis na relação econômica determinada. Fiquemos apenas com o exemplo mais escandaloso do spread praticado nas operações realizadas com cartões de crédito.
Lucros dos bancos só crescem.
O BC acaba de divulgar seu mais recente relatório com tais informações. Em dezembro de 2017, a média da taxa cobrada pelos bancos nessas operações era 335% ao ano. Recordemos apenas que naquele momento a SELIC estava na faixa de 7% ao ano. Quem se dedicar a calcular o diferencial de ganho nessa operação chegará ao inacreditável percentual de 4.685%. É por isso que a posição de chefe de tesouraria de instituições financeiras no Brasil é tão cobiçado. Em nenhuma outra praça do mundo uma singela operação de crédito oferece tamanha rentabilidade sem praticamente nenhum risco envolvido.
Mas Paulo, poderão arguir alguns leitores, o fato é que a taxa SELIC baixou no período mais recente e isso deve ter impactado os custos das operações. Pois peguemos os valores observados nos finais de ano anteriores:
Como se pode perceber, os ganhos dos bancos nas operações só fizeram crescer no período mais recente, como vinha ocorrendo desde sempre. Esteja a SELIC em alta ou em baixa, esteja a inflação mais ou menos controlada, os interesses dos bancos não são afetados. Muito pelo contrário! A complacência e a cumplicidade do BC só contribuem para essa verdadeira sensação de impotência do conjunto da sociedade frente ao poder exacerbado do sistema financeiro.
A proximidade do pleito de outubro e a oportunidade gerada pelo debate de alternativas eleitorais não podem deixar de lado a questão da dominância do financismo. É necessário uma ampla discussão nacional a essa respeito. É urgente que superemos nossa condição de uma sociedade que permite se deixar escrava dos desejos do parasitismo rentista por tanto tempo. Um modelo social e econômico menos desigual pressupõe maior capacidade de controle e regulação do Estado perante esse perigoso poder. Por outro lado, as empresas do mundo das finanças deveriam contribuir com maior capacidade de arrecadação tributária para um Brasil mais justo e desenvolvido.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

ÁGUA E ENERGIA, ALEGRIA NO SERTÃO



ALEGRIA, ALEGRIA

É costume dizer que carnaval é tempo de alegria. E é bom desejar que essa alegria gere energia para enfrentar os desafios da vida de 2018. Basta ver quanto estão gastando o governo federal e empresários para comprar o voto dos deputados e senadores em favor de uma reforma da Previdência assentada sobre a mentira de que está falida, quando, na verdade, o que ela objetiva é aumentar as chances dos donos do capital financeiro enriquecerem ainda mais com o crescimento da previdência privada. Isso nos coloca o desafio de trabalhar para que os políticos que aprovarem esta reforma da Previdência, e que já aprovaram a reforma trabalhista, que é outro monstrengo gerador de miséria e insegurança, não sejam reeleitos em outubro deste ano. Sem isso, a alegria de carnaval não passa de loucura.

Mas falemos de alegria, hoje. Da alegria que vi nos rostos das amigas e amigos que encontrei em Patos, na Paraíba, quando dão notícias das chuvas que estão caindo na Caatinga semiárida. Mesmo não sendo ainda chuva geral, elas estão sendo motivo de intensa alegria e de agradecimento a Deus e à Terra, porque são esperança de que finalmente, depois de quase sete anos, o sertão nordestino tenha um inverno bom, cobrindo de verde os solos e abençoando os plantios, gerando fartura.

Falemos também da alegria das pessoas, famílias e comunidades que já estão produzindo energia solar fotovoltaica, biogás e até lâmpadas led através do projeto Semiárido Solar, apoiado pela Misereor, da Igreja Católica da Alemanha, e dos intensos trabalhos do Comitê de Energia Renovável do Semiárido, CERSA, reforçados por outros recursos, especialmente da Fundação Socioambiental CASA. O Seminário sobre Mudanças Climáticas e Justiça Social, realizado em Patos, comprovou que a região está em processo positivo de transformação. Até as comunidades já afetadas e as que serão atingidas por novos grandes parques eólicos e por fazendas solares estão sendo mobilizadas para não se deixarem envolver pelas falsas promessas, defenderem sua terra e sua forma de vida e exigirem seus direitos.

Falemos, ainda, da alegria das comunidades da primeira paróquia solar já existente em Sousa, e das que serão envolvidas no processo de evangelização e educação popular através do projeto Igreja Solar. De fato, as dioceses da região estão se dando conta que será exemplo importante animarem a solarização de igrejas e espaços comunitários nessa região que luta para que o mesmo sol que castiga seja o sol que dá vida.
             
Ivo Poletto, do Fórum MCJS   

Para Rádio, ouça em: https://mail.google.com/mail/u/0/#label/FM+CLIMATICAS/1618a4833bad20f2?projector=1&messagePartId=0.2

A VOLTA DA CHUVA AOS SERTÕES

Em 12 de fevereiro de 2018 17:43, Roberto Malvezzi <robertomalvezzi@hotmail.com> escreveu:


A volta da chuva aos sertões
Roberto Malvezzi (Gogó)
Depois de longos anos com chuvas abaixo da média, agora chove por todo sertão do Semiárido Brasileiro. Como cantava Gonzaga: “rios correndo, as cachoeiras tão zoando, terra molhada, mato verde que riqueza e a asa branca à tarde canta, ai que beleza, ai, ai o povo alegre, mais alegre a natureza”.
Os grandes reservatórios ainda estão secos ou muito baixos, mas os reservatórios médios, pequenos e micros, como as cisternas, já estão todos cheios. São eles que importam realmente no cotidiano de nosso povo. As grandes obras têm pouca serventia à população difusa do Semiárido. Por isso, o problema da água hoje é mais grave no meio urbano que no meio rural Nordestino.
O ciclo das águas é fundamental para todos os mananciais de superfície e subterrâneos. São as chuvas que repões os rios, lagos e aquíferos. Sem a renovação constante do ciclo a vida se interrompe.
É esse alerta dramático que pessoas sábias, cientistas e movimentos sociais fazem ao mundo predador do capitalismo, particularmente ao agro e hidronegócios. Sem Amazônia e sem Cerrado o ciclo de nossas águas estará interrompido, com a extinção dos grandes aquíferos que se localizam no Cerrado e abastecem perenemente rios como o São Francisco, Araguaia e Tocantins.
A Oligarquia Internacional da Água, rótulo que lhe atribui Ricardo Petrella, vai se reunir em Brasília no mês de março. São as grandes transnacionais da água, que querem sua privatização geral, sua mercantilização e sua transformação em um produto comercial qualquer. Essas empresas elaboraram o novo discurso da água, com sua teoria de escassez, valor econômico, privatização e mercantilização como soluções para os problemas hídricos do mundo inteiro.
Ao mesmo tempo se reunirá o Fórum Mundial Alternativo da Água (FAMA) para contrapor ao discurso do capital os valores da água como o biológico, social, ambiental, paisagísticos, etc., recusando a sua privatização e garantindo a água como direito fundamental de toda pessoa humana e de todos os seres vivos.
Essa é uma das guerras mais insanas da humanidade. Num país caoticamente político como o nosso, Temer está realizando a entrega de nossos aquíferos, particularmente o Guarani, para grandes empresas como a Coca-Cola, Nestlé e outras transnacionais da água. Uma tragédia cruel e anunciada.
O golpe chegou também na água.
 
OBS: Viva a politizada Tuiuti! Nem toda consciência dorme.

PARABÉNS, PEDRO CASALDÁLIGA, POETA, BISPO, PROFETA

SEUS 90 ANOS FORAM DE SEMEADURA, E MUITAS DAS SEMENTES NASCERAM E AINDA ESTÃO FLORESCENDO E FRUTIFICANDO. POR ISSO, PARABÉNS.

TIVE A ALEGRIA DE TÊ-LO COMO MESTRE, AMIGO E INSPIRADOR DESDE O DIA DE SUA SAGRAÇÃO EPISCOPAL, EM 1971. FOI A ÚNICA DESSAS CERIMÔNIAS QUE ME FIZERAM ENCONTRAR COM JESUS DE NAZARÉ. AS DEMAIS ME LEVARAM A NOVOS CHOQUES COM O EXCESSO DE INSTITUCIONALIDADE, PODER ILUSÓRIO, CLERICALISMO. NA SUA SAGRAÇÃO CRESCERAM OS POVOS INDÍGENAS E OS PEÕES DO CERRADO E DA TRANSIÇÃO PARA A AMAZÔNIA, JUNTO COM SEU EFETIVO COMPROMISSO DE VIDA E DE CAUSAS COM ELES E ELAS. ESSE FOI UM DOS TANTOS PRIVILÉGIOS QUE TIVE, E MEDIADO PELO AMIGO, IRMÃO E BISPO TOMÁS BALDUINO.

CONTINUE CONOSCO TODO O TEMPO POSSÍVEL. E ESTARÁ CONOSCO SEMPRE, VIVO NO POVO DOS POBRES QUE SEMPRE AMOU E A QUEM DEDICOU INTEGRALMENTE SUA VIDA, ENGRAVIDANDO A HISTÓRIA PARA QUE ELA GERE A VERDADEIRA LIBERTAÇÃO.

SINTA OS ABRAÇOS DE TODAS E TODOS QUE TE QUEREM BEM!




Pedro, Profeta e Poeta.

Em Homenagem aos  90 anos (16 de fevereiro de 2018)  do mestre de todos nós.

Quem poderia imaginar um catalão, sair de sua terra, nunca mais voltar e apaixonar-se pelos povos indígenas da America latina?

Quem poderia imaginar em plena ditadura empresarial-militar, nos confins da Amazônia, um homem franzino, usar a fé e a coragem para denunciar e exigir justiça, em defesa dos trabalhadores, posseiros, povos indígenas e camponeses,  humilhados e explorados?

Quem poderia imaginar , que jurado de morte pelos latifundiários da região,  em 1976, foram à Delegacia  interceder por duas mulheres  pobres que estavam sendo torturadas.  E um dos policiais, confundiu a aparência de bispo e  assassinou  seu colega, padre João Bosco Burnier, em seu lugar?

Quem poderia imaginar, que um homem de igreja relutasse até os últimos instantes por que não queria ser nomeado bispo, até ser convencido pelo seu melhor amigo, o bispo Dom Tomas Balduino?

Quem poderia imaginar, que quando poucos podiam, ele se engajou desde a década de setenta em defesa da causa dos povos nicaraguense, cubano, guatemalteco..

Quem poderia imaginar que esse homem, além de pastor e profeta, era um grande poeta? Usou as letras e a força das palavras,  para denunciar o injusto, solidarizar-se com os trabalhadores e pregar as mudanças..Com sua vocação literária, ajudou a escrever a Missa da terra sem males, a Missa dos quilombos.. cantada por nosso querido Miltom Nascimento e outros músicos.   E escreveu centenas de poemas, que expressam a linguagem da alma e do coração.

Quem poderia imaginar, que apesar de viver no longínquo São Felix do Araguaia, e das dificuldades de comunicação da época,  contribuiu decisivamente  para articular e fundar, primeiro, o CONSELHO MISSIONARIO INDIGENA(CIMI), na CNBB,  para defender os povos indígenas.  E depois a Comissão Pastoral da Terra(CPT), como um serviço ecumênico dos cristãos em apoio à organização dos camponeses brasileiros?

Quem poderia imaginar que um bispo brasileiro, com todo seu poder e influencia, preferisse viver como pobre, entre os pobres, com suas sandálias havaianas e  sua sabedoria de verdadeiro mestre?

Quem poderia imaginar  sua coragem, de ir a Roma e dizer umas verdades para o todo poderoso cardeal Ratzinger?    Pedro foi um defensor e praticante do ecumenismo, de todas as práticas e crenças religiosas, de um Deus-pai-mae-irmão, de todos e todas, que aparece em diferentes formas e práticas.   Às vezes, até nas manifestações da natureza e sobretudo na voz do povo!

Quem poderia imaginar, que apesar de conviver muitos anos com seu “primo” parkison, como o chama, nunca desanimou , recusando-se a mudar para outros centros com maior atenção médica.
Pedro  tornou-se um grande brasileiro e latino-americano.  Um exemplo de luta, dignidade e coerência.  É nosso orgulho , dos povos indígenas, dos camponeses, dos pobres e de todas as igrejas.  Com seus noventa anos de corajosa teimosia, palavra, que gosta muito de usar.

Certa vez disse aos jornalistas da imprensa burguesa, que criticavam nossas ocupações de terra,  “Se o MST não existisse teríamos que criá-lo! “

O MST se orgulha de seu carinho e agradece seu exemplo!

Por Joao Pedro stedile,


(Conheci Dom Pedro numa ocupação urbana, Vila Santo Operário, em Canoas-RS, nos idos de 1979, junto com o Irmão Antonio Cecchin. Cultivo desde então, admiração e amizade. Ele esteve em muitas atividades do MST, sempre nos ajudou com sua presença, reflexões, escritos e sobretudo seu exemplo. Foi um dos privilégios que a vida me deu).


sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

CONCENTRAÇÃO DA RIQUEZA CONTINUA ABSURDA

ATÉ ONDE IREMOS? OU AGUENTAREMOS?

Aumento de bilionários em 2017 poderia acabar com a extrema pobreza por 7 vezes


22/01/2018 05h54 
 
Camila Maciel - Repórter da Agência Brasil

De toda a riqueza gerada no mundo em 2017, 82% ficaram concentrados nas mãos dos que estão na faixa de 1% mais rica, enquanto a metade mais pobre – o equivalente a 3,7 bilhões de pessoas – não ficou com nada. Os dados fazem parte do relatório Recompensem o trabalho, não a riqueza, da organização não governamental (ONG) britânica Oxfam, divulgado hoje (22). A entidade participa do Fórum Econômico Mundial, que começa amanhã (23) em Davos, na Suíça.

O documento destaca que houve um aumento histórico no número de bilionários no ano passado: um a mais a cada dois dias. Segundo a Oxfam, esse aumento seria suficiente para acabar sete vezes com a pobreza extrema no planeta. Atualmente há 2.043 bilionários no mundo. A concentração de riqueza também reflete a disparidade de gênero, pois a cada dez bilionários nove são homens.

O Brasil ganhou 12 bilionários a mais no período, passando de 31 para 43. “Isso significa que há mais pessoas concentrando riqueza. A gente não encontrou ainda um caminho para enfrentar essa desigualdade”, disse Katia Maia, diretora executiva da Oxfam Brasil.

O patrimônio dos bilionários brasileiros alcançou R$ 549 bilhões no ano passado, um crescimento de 13% em relação a 2016. Por outro lado, os 50% mais pobres tiveram a sua fatia na renda nacional reduzida de 2,7% para 2%. Um brasileiro que ganha um salário mínimo precisaria trabalhar 19 anos para ganhar o mesmo que recebe em um mês uma pessoa enquadrada entre o 0,1% mais rico.
Cinco bilionários brasileiros concentram o equivalente à metade da população mais pobre do país. “O Brasil chegou a ter 75 bilionários, depois caiu, muito por causa da inflação, e depois, nos últimos três anos, a gente viu uma retomada no aumento do número de bilionários. Esse último aumento – de 12 bilionários – é o segundo maior que já houve na história. E o patrimônio geral também está aumentando”, afirmou Rafael Georges, coordenador de campanhas da entidade.

Geração de emprego

A Oxfam aposta na geração de empregos decentes como mecanismos de diminuição das desigualdades, sendo uma das recomendações da entidade. “O que o relatório aponta é que está acontecendo um movimento contrário, inclusive com vários países regredindo em proteção trabalhista”, disse Georges.

A organização recomenda ainda limitar os lucros de acionistas e altos executivos de empresas, garantindo salário digno a todos os trabalhadores. Indica também a eliminação das diferenças salariais por gênero. No ritmo atual, seriam necessários 217 anos para reduzir as disparidades entre homens e mulheres.

O relatório pede que os ricos paguem uma “cota justa” de impostos e tributos e que sejam aumentados os gastos públicos com educação e saúde. “A Oxfam estima que um imposto global de 1,5% sobre a riqueza dos bilionários poderia cobrir os custos de manter todas as crianças na escola.”

“Recompensem o trabalho, não a riqueza”

Em referência ao título desta edição do relatório, a Oxfam afirma que atualmente “os níveis de desigualdade extrema excedem em muito o que poderia ser justificado por talento, esforço e disposição de assumir riscos”. Segundo a organização, a maioria das riquezas acumuladas se deve a heranças, monopólios ou relações clientelistas com o governo.

“É um círculo vicioso do qual a gente precisa se livrar. A desigualdade gera desigualdade, quanto mais rico você é, mais dinheiro consegue gerar para você mesmo”, criticou o coordenador de campanhas da Oxfam Brasil.

O documento diz que mantendo o mesmo nível de desigualdade, a economia global precisaria ser 175 vezes maior para permitir que todos passassem a ganhar mais de US$ 5 por dia. “O que seria ambientalmente catastrófico”, afirma a entidade.

Kátia destaca que a entidade participa do Fórum Econômico Mundial, em Davos, com o objetivo de levar esse debate para a elite econômica mundial. Ela acredita que é possível reduzir a desigualdade por meio de ações de responsabilidade das grandes corporações. “Essa concentração extrema é também acelerada por diferentes setores da sociedade, então está nas nossas mãos fazer o enfrentamento disso e buscar construir um mundo um pouco mais igualitário, onde as pessoas sejam tratadas de forma mais justa”.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

PROVADO: FRACKING PROVOCA TERREMOTOS


PROVADA A CONEXÃO ENTRE TERREMOTOS E INJEÇÃO DE FLUIDOS A ALTA PRESSÃO PARA EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO E FRACKING
 
O estado de Oklahoma não fica no chamado anel de fogo das cadeias de vulcões da América do Norte. E, diferentemente da Califórnia ou do Alaska, nunca entrou nas rodas de conversa sobre terremotos. Pelo menos até 2011. De lá para cá, a quantidade de terremotos aumentou 800 vezes (não 800%, que são só 7 vezes). O maior registrado até agora, em 2016, atingiu 5,8 na escala Richter. Apesar de pequenos, ter a terra tremendo o tempo todo acaba danificando propriedades, inclusive oleodutos e gasodutos. A exploração de poços de petróleo usa muita água e outros fluidos pressurizados, para fazer o petróleo jorrar. Essa água suja, por regulação legal, tem que ser injetada a profundidades acima de 1 km, bem abaixo dos lençóis freáticos, mas acima da camada de embasamento. Um trabalho que acaba de sair na Science mostra claramente que aumento da atividade sísmica está diretamente ligado à injeção dessa água suja. Os terremotos, claro, dependem bastante da estrutura geológica de cada local e não se pode afirmar que injetar água balança a terra em qualquer lugar. Mas o trabalho vai obrigar reguladores a levarem isso em conta, principalmente nas áreas visadas pelos operadores de fracking, que, no fundo, usam a mesma técnica.
Em tempo: Oklahoma é o estado onde o atual diretor negacionista da EPA (Agência de Proteção Ambiental), Scott Pruitt, fez seu nome e carreira defendendo a indústria fóssil. Se terremotos ganhassem nomes como os furacões, Pruitt seria um nome extremamente adequado para um próximo dos grandes.
http://science.sciencemag.org/content/early/2018/01/31/science.aap7911

(notícia do ClimInfo)

VIVA O SISTEMA AGROFLORESTAL

A IMPORTÂNCIA DE SISTEMAS AGROFLORESTAIS PARA O ENFRENTAMENTO DO AQUECIMENTO GLOBAL
Sistemas agroflorestais ou de Integração Lavoura Pecuária Floresta também fazem parte da nossa NDC, e as informações oficiais dão conta que já ultrapassamos de longe a meta de 5 milhões de hectares. Segundo a Embrapa, os sistemas estão sendo adotados em 11,5 milhões de hectares com melhoras marcantes na produtividade para as lavouras, para a criação e nos pomares e florestas.
Para avaliar o impacto na fixação de carbono no solo mundo afora, pesquisadores da Universidade da Pennsylvania examinaram vários trabalhos publicados na literatura e viram que há um aumento entre 20% a 40% em várias profundidades na transição de pasto e de lavouras para um sistema agroflorestal. Do mesmo modo, encontraram uma perda de 25% quando a transição é de uma floresta formada para um sistema agroflorestal. A fixação de carbono no solo vai aparecendo como um ingrediente fundamental para programas de mitigação de emissões. E, diferentemente dos esquemas de enterro de carbono em fissuras geológicas, nos quais é preciso rezar para que este não escape, os sistemas agroflorestais, ainda por cima, produzem comida de qualidade.
https://link.springer.com/article/10.1007/s10457-017-0147-9

(a notícia foi divulgada pelo CLIMAINFO)