terça-feira, 19 de maio de 2020

FUNDO NORUEGUÊS RETIRA INVESTIMENTOS NA VALE E ELETROBRAS

COMO DIZ A SABEDORIA POPULAR, MELHOR TARDE DO QUE NUNCA. MAS FICA A PERGUNTA: POR QUE NÃO DECIDIRAM ANTES, ANTES MESMO DA APROVAÇÃO E INSTALAÇÃO DOS PROJETOS, POIS HOUVE DENÚNCIAS DOS DESASTRES QUE PROVOCARIAM?

A DECISÃO SE REFERE A MARIANA E BRUMADINHO, DA VALE, E A BELO MONTE, DA ELETROBRÁS. O QUE SE ESPERA É QUE MAIS E MAIS FUNDOS INTERNACIONAIS RETIREM APOIO A MUITOS OUTROS PROJETOS DESTAS EMPRESAS, E DE OUTRAS EMPRESAS TAMBÉM.

CIMI, 18 de maio 2020

Foto: Vinícius Mendonça / Ibama

Fundo Norueguês retira investimentos de empresas de mineração e energia que violam direitos humanos

Fundo de Investidores sustentou a retirada de ações da Vale e Eletrobrás pelos crimes em Brumadinho e Mariana e pelas violências causadas pela construção da Belo Monte
A decisão do maior fundo soberano do mundo de exclui a Vale e Eletrobrás de seus investimentos devido as violações de direitos humanos e ambientais foi anunciada na última quarta-feira (13) pelo Norges Bank, instituição que administra o capital em Oslo, Noruega. O Fundo de Pensão do Governo Norueguês suspendeu ações em um total de sete empresas pelo mundo, sendo duas brasileiras.
Em comunicado, Conselho de Ética do fundo sustentou a retirada dos investimentos após avaliação do risco que as empresas representam para o meio ambiente e povos indígenas. Para Danilo Chammas, membro da organização Justiça nos Trilhos, a decisão corrobora com as denúncias feitas por entidades há anos. “A retirada do fundo é uma confirmação do que viemos dizendo há muito tempo, de que a Vale viola direitos humanos e ambientais, como uma empresa social e ambientalmente irresponsável”, comentou o advogado. “É um sinal de que a empresa, ao contrário do que diz em seus relatórios, não muda seu comportamento, sem tomar atitudes reais para evitar rompimentos de barragens e outras violações continuem acontecendo”, lamenta o ativista.
“Está cada vez mais difícil para os investidores dizerem que não tinham informações ou de que estavam sendo enganados. Já não se sustentam essas posturas de desconhecimento”, pontua o advogado que ressalta a importância dos acionistas dialogarem diretamente com as comunidades como forma de evitar falsos relatórios.
O Fundo de Pensão do Governo da Noruega, que possui cerca de 1 trilhão de dólares em recursos provenientes principalmente da renda do petróleo, excluiu de seus investimentos a mineradora Vale por conta dos rompimentos das barragens de Fundão, em Mariana (2015) e do Córrego do Feijão, em Brumadinho (2019). “Os investidores são os donos das empresas, são corresponsáveis pelo o que acontece. A atuação da Vale ocorre para atender os interesses de seus investidores, atuam para gerar dividendo aos seus acionistas”, sustenta o advogado ao questionar a morosidade para assumir a atitude de desinvestimento.
“É importante que os investidores não façam essas reflexões somente após anos que ocorreram as grandes tragédias. Hoje justificam a retirada dos investimentos que financiam a Vale e a Eletrobrás com os casos que ocorreram há 5 e 10 anos, respectivamente. Contudo, é importante que essas avaliações sejam feitas antes da tomada de decisão que resultam no investimento”, pondera Chammas ao recordar que ambos megaprojetos foram caracterizados como controversos desde o processo de pesquisa para instalação.

Eletrobrás e o monstro Belo Monte
O comunicado do Fundo de Investimento destacou também o deslocamento de 20 mil indivíduos – incluindo populações tradicionais que tiveram suas casas submersas – para a construção da hidroelétrica Belo Monte, próximo ao município de Altamira, no Pará. “Muitos territórios indígenas são severamente afetados pelo projeto. O projeto tem levado ao aumento da pressão sobre as terras indígenas, à desintegração das estruturas sociais dos povos indígenas e à deterioração de sua subsistência”, afirmou o Conselho de Ética da organização europeia.

Vale e a mineração em Terras Indígenas
Acionista crítico da Vale, o que permite a participação das assembleias da empresa com direito a sustentação oral, Danilo Chammas foi um dos responsáveis pelo último desconforto que levou a empresa Vale a anunciar a retirada das solicitações de pesquisa e lavra para mineração em terras indígenas. Na última assembleia ocorrida no dia 30 de abril, levantou-se o questionamento à Vale baseado em dados de Direitos Minerários que possui a empresa para exploração em áreas indígenas ou próximo delas.
“A resposta da direção executiva foi de que a empresa pretende devolver o direito de exploração ao Estado quando relacionado a esses locais. Dizem não ter interesse de explorar essas áreas”, comenta ao lembrar que solicitou comprovação escrita sobre a decisão. “Na minha experiência de mais de 10 anos defendendo pessoas e comunidades e o meio ambiente dos danos decorrentes da operação da Vale, tenho visto que a empresa age de má fé. Diz coisas que não se confirmam documentalmente. Por isso, solicitamos a comprovação documental e vamos insistir em relação a isso”. O prazo da Vale para entregar os documentos se estende até 30 de maio.
Através do voto crítico, a Articulação Internacional dos Atingidos e Atingidas pela Vale (AIAAV) demonstra como a atuação da companhia e as decisões tomadas por seus executivos têm um impacto nas vidas das pessoas e comunidades próximas à área de operações e projetos da empresa.

Mineração: um amontado de violências
“A mineração mata todos os dias. Não é somente Brumadinho e Mariana, mas praticamente todos os lugares onde há mineração existem mortes, e não é somente em momento específico de grandes tragédias”. Para Danilo Chammas, quem tem se dedicado à luta para responsabilizar empresas por abusos de direitos humanos, a mineração representa uma cadeia de violações de direitos que se estende desde os estudos, construção e operação das atividades. “Os casos de rompimentos de barragens com mortes instantâneas são gravíssimos e é importante que se tenha o clamor público nessas ocasiões”, lembra. “Mas não é só nesses momemtos que as mineradoras violam direitos e provocam danos ao meio ambientes. Isso acontece desde a fase prévia da instalação do projeto”.
“Para se instalar em um determinado local, a mineração desarticula o tecido social, divide as pessoas, faz falsar promessas que geralmente não se cumprem. Isso tudo num processo de conquista do território e das pessoas, característica de uma ação colonial”, lembra Chammas ao mencionar o processo prévio a atividade minerária, etapa onde a empresa extrativista busca autorização para operar e tomar parte do território. “Então vem a contaminação, o desmatamento,  a remoção de pessoas, a poluição do ar, da terra, das águas. Dependendo do caso, pode ser mais sutil mas que afetam os modos de vida das pessoas, suas saúde física e mental”, comenta.
Danilo Chammas atua principalmente com os impactos gerados pelo projeto Carajás, no norte e nordeste do Brasil, que compreende grande empreendimento de mineração.

Chamado a desinvestir em mineração
O Sínodo da Amazônia lançou aos cinco continentes um chamado existente na América Latina. “Onde nos situamos diante o desenvolvimento destrutivo e extrativista imperante?” (cf DF 70), convida a reflexão o documento final da assembleia ocorrida em Roma em outubro.
A Red Iglesias y Minería, coletivo ecumênico de organizações presentes em 10 países da América, soma esforços para denunciar as violações de direitos humanos e através da Campanha de Desinvestimento em Mineração e clama às comunidades de fé a repensarem suas práticas financeiras e revisar as relações com financiamento de atividades extrativistas. Atende-se o chamado do Sínodo em assumir as campanhas de desinvestimentos de empresas extrativistas relacionadas com os danos socioecológicos na Amazônia, que chama a iniciar pelas instituições eclesiais.


sábado, 16 de maio de 2020

A SOBERANIA ALIMENTAR SERÁ CAMPONESA OU NÃO SERÁ

MANIFESTO NECESSÁRIO, QUE DEVERÁ SER REPLICADO EM CADA PAÍS DO MUNDO. O CAMINHO INDICADO FAZ PARTE, SIM, DO "OUTRO NORMAL" A SER CRIADO A PARTIR DE AGORA PARA COMPOR AS SOCIEDADES HUMANAS DO PÓS PANDEMIA. 

AVENTE, CAMPONESAS E CAMPONESES DO BRASIL! E QUE TODAS E TODOS SAIBAMOS APOIÁ-LOS, PARA QUE A VIDA ESTEJA NO CENTRO DA NOSSA VIDA E DA VIDA DA TERRA.

A soberania alimentar será camponesa ou não será

Diante da crise sanitária, coletivo de associações francesas assina manifesto pela proteção e pelo reconhecimento da agricultura familiar e camponesa como atividade de interesse público, e contra a ditadura econômica dos mercados imposta pela agroindústria

CARTA MAIOR -15/05/2020 12:26
(Reprodução)
Créditos da foto: (Reprodução)
 Durante a crise sanitária que atravessamos, ouvimos muito falar de soberania alimentar. Mas do que se trata realmente e como construí-la? Essa expressão é bastante usada de maneira vazia por antigos ou atuais atores políticos que nunca fizeram nada concreto para que ela fosse alcançada. Até a indústria agroalimentar e os gigantes do varejo dizem defendê-la. Mas como esperar que contribuam para concretizá-la quando sempre priorizaram os mercados globalizados, a competição entre os pequenos produtores, as exportações descontroladas de produtos de baixo custo, a fragilização das agriculturas locais...? Esses atores estão entre os responsáveis por nossa dependência e dificuldades atuais e, para eles, a soberania alimentar é, antes de tudo, a promessa de um novo mercado a conquistar.

Para nós, a soberania alimentar é muito mais do que uma simples resposta à necessidade de alimentos (1). Ela é pensada e iniciada coletivamente, com solidariedade entre os povos, e pode se tornar uma das bases de refundação de nossa democracia. A soberania alimentar incarna as aspirações, a capacidade e o direito das populações de um território de decidir sobre sua alimentação e, portanto, o direito de determinar o sistema alimentar desde os campos até a mesa, sem causar danos às agriculturas dos outros.

A soberania alimentar é uma democracia de iniciativa que escreve seu próprio destino alimentar e agrícola, englobando o vínculo com o território, a saúde, o meio ambiente, o emprego e o clima, com o claro objetivo de servir ao interesse comum, permitindo que uma alimentação de qualidade seja acessível a todos.

Enfrentamento das crises alimentares

Para escrever a história de uma verdadeira soberania alimentar e agrícola aqui e no exterior, acreditamos que é hora de reconhecer o papel central das agricultoras e dos agricultores. São elas e eles que nos permitirão enfrentar coletivamente as crises alimentares, climáticas e ecológicas de nossos territórios e de nosso planeta. Com seu conhecimento, autonomia sobre suas terras, vínculo com a terra e a natureza, bem como a resiliência de uma policultura e criações diversificadas, do pastoralismo ou ainda de agroflorestas e sistemas de pastos, elas e eles produzem alimentos saudáveis e de qualidade, que permitem uma gestão dos ecossistemas do nosso planeta adaptada à sua diversidade e às transformações do clima.

Além disso, a profissão de agricultor(a) é uma importante resposta à urgência social. Com muitos camponeses e camponesas instalados em pequenas propriedades, formam-se novas dinâmicas rurais e uma economia local se organiza na escala de todo um território. São milhares de empregos no campo de volta, que geram outros, de qualidade, no processamento agroalimentar e na distribuição. Iniciativas coletivas, solidárias e cooperativas são recriadas. Toda uma vida renasce em países antes negligenciados e esquecidos, com impactos nos serviços públicos, escolas, hospitais, cultura... Agora é hora de construir o pós-alimentação!

É por isso que precisamos de bem mais camponesas e camponeses. Queremos um milhão amanhã, e ainda mais depois de amanhã. Para atingir esse objetivo, exigimos que sejam tomadas hoje decisões que rompam claramente com a ditadura econômica dos mercados imposta pela agroindústria, e que reconheçam o valor da agricultura familiar e camponesa e do ofício de agricultoras e agricultores. Precisamos de muitos agricultores que dependem de uma lei fundiária que preserve e distribua a terra; de uma política de fixação massiva; de uma política agrícola comum baseada em geração de empregos e não em hectares.

Criação de laços duradouros

Camponesas e camponeses devem ser remunerados dignamente, com a regulamentação dos volumes e dos mercados para garantir preços justos e estáveis, e com a arbitragem pública das relações comerciais para garantir o direito à remuneração dos agricultores.

Agricultoras e agricultores devem ser protegidos e reconhecidos, suspendendo-se imediatamente todos os acordos de livre comércio; todo apoio à industrialização da agricultura deve ser interrompido, deve ser dado apoio financeiro para a transição agroecológica a fazendas autônomas e sustentáveis, e uma política agrícola e alimentar comum deve ser criada, a fim de criar laços duradouros entre camponeses e consumidores.

Essa crise deve abrir nossos olhos para a importância do trabalho no campo. Assim como os trabalhadores da educação e da saúde, camponesas e camponeses exercem profissões de evidente utilidade pública. Profissões que têm o poder de estruturar nossa vida coletiva em todos os territórios, e que devem ser a base sobre a qual construiremos uma sociedade mais social e ecologicamente justa: uma sociedade nova.

(1) O conceito foi desenvolvido pela Via Campesina e levado ao debate público por ocasião da Cúpula Mundial da Alimentação, em 1996. Desde sua origem, apresenta uma alternativa às políticas neoliberais aplicadas ao setor agrícola. A soberania alimentar designa o direito das populações, seus Estados ou uniões de definir sua política agrícola e alimentar, sem destruir a de outros países.

*Signatários: Nicolas Girod, porta-voz da Confédération paysanne, associação Abiosol, Khaled Gaiji, presidente da Friends of the Earth France, Aurélie Found, porta-voz da Attac France, Sylvie Bukhari de Pontual, presidente da CCFD-Terre Solidariedade, Fabrice Bouin, presidente da Civam, Raphaël Bellanger e Virginie Raynal, copresidentes da FADEAR, Alain Grandjean, presidente da Fundação Nicolas-Hulot, Benoît Teste, secretário geral da FSU, Jean-François Julliard, diretor-geral do Greenpeace França, Évelyne Boulongne, porta-voz da Miramap, Marie Pochon, secretária geral da Notre Affaire à Tous, Cécile Duflot, diretora-geral da Oxfam França, Slow food França, Clotilde Bato, delegada geral da SOL, Michel Vampouille , Presidente da Fédération nationale terre de liens, Françoise Vernet, Presidente da Terre & Humanisme, Éric Beynel, porta-voz da Union Syndicale Solidaires, Arnaud Schwartz, Presidente da France nature environnement.

 https://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/A-soberania-alimentar-sera-camponesa-ou-nao-sera/4/47507

terça-feira, 12 de maio de 2020

MST: DE FAZENDA IMPRODUTIVA A DOAÇÃO DE 4 TONELADAS DE ALIMENTOS

POR QUE NÃO SE FAZ REFORMA AGRÁRIA - É A PERGUNTA QUE ESTA BOA NOTÍCIA LEVANTA PRA TODO MUNDO. COMO NO LUGAR DELA SE ENTREGA A MAIOR PARTE DAS TERRAS AO AGRONEGÓCIO, QUE LUCRA COM EXPORTAÇÕES E ALIMENTOS PARA ANIMAIS, DEVE SER PORQUE O SISTEMA DOMINANTE NÃO QUER QUE SE PRODUZA ALIMENTOS PARA A POPULAÇÃO!

E AÍ, PERGUNTAMOS NÓS, O QUE DEVEMOS FAZER COM ESSE SISTEMA?

IHU, 12 de maio de 2020

Camponeses e camponesas Sem Terra que ocuparam há 23 anos um latifúndio improdutivo em Jardim Alegre (PR), agora repartem com trabalhadores da cidade os frutos da luta, da terra e do trabalho. No último sábado (09), as 555 famílias do assentamento “8 de Abril” doaram quatro toneladas de alimentos para entidades e comunidades dos municípios de Jardim Alegre, Arapuã e Ivaiporã. Esta é a segunda distribuição feita pelos assentados desde o início da pandemia do novo coronavírus. A primeira doação ocorreu no dia 17 de abril e também reuniu cerca de quatro toneladas.

A reportagem é do Setor de Comunicação e Cultura do MST-PR, publicada por Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra - MST, 11-05-2020.

Assentamento 8 de Abril, no Paraná, doa 8 toneladas de alimentos em um mês. (Foto: Alan Bruno Ferreira/MST)

Os produtos foram distribuídos por meio da Associação dos Sem Teto Nossa Senhora do Rocio de Jardim Alegre, do Lar Santo Antônio e Paróquia Santo Antônio de Ivaiporã e da Igreja Assembléia de Deus de Arapuã. São grãos, tubérculos, hortaliças e frutas, tudo direto dos produtores para as famílias, que já enfrentam a angústia de não ter alimentos para colocar na mesa por consequência da pandemia e pela ineficiência e omissão dos governos.

“Eu era uma pessoa que não tinha nada. Fiquei muito tempo acampado na esperança de ter um pedaço de terra e hoje a gente tem. Tem a comida, tem a dignidade e tem esse valor grandioso que é a solidariedade de poder distribuir nossa produção pras pessoas que estão mais necessitadas nesse momento”, conta Valdemar Batista, integrante da coordenação do assentamento. Conhecido como Nego, o agricultor agroecológico vive na comunidade desde o início da ocupação, em 1997.

As memórias de Valdemar Batista sobre o início da ocupação mostram que além de a terra passar a produzir, a relação com a população urbana frutificou. “Nós, que já fomos considerados aqui na região como vândalos, ladrões de terra e baderneiros, hoje vemos a sociedade olhando pra gente agradecendo e reconhecendo o assentamento e o MST como uma benção de Deus. Isso é o que a gente mais ouve as famílias dizerem quando estão recebendo o alimento. Pra nós é uma gratidão muito grande”, relata o camponês.

A produção orgânica da agricultora Nilce Pasa Ferreira também fez parte das toneladas de alimentos distribuídos. “Nós, como assentados da Reforma Agrária, temos o compromisso e a consciência de dividir com os necessitados o produto que a gente colhe. Estamos em campanha de arrecadação de alimentos e pra gente é um orgulho e um prazer hoje a gente ter o que dividir com os nossos irmãos necessitados”, afirma ela.

O Pastor Junior, que integra a Igreja Assembleia de Deus de Arapuã, uma das entidades responsável por receber as cestas de alimentos no sábado, resumiu o significado da ação do Movimento. “Quero agradecer a todos do assentamento por esse gesto de carinho e de amor, e que não mediram esforços pra estar aqui, mostrando que eles têm produzido e plantado […]. Essa doação vai servir de alegria a muita gente que vai receber”, ressalta ele.
Igreja foi um dos locais de recebimentos das doações do MST. (Foto: Alan Bruno Ferreira/MST)

A ação integra uma campanha nacional de doações de alimentos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). No Paraná, mais de 90 toneladas já foram doadas em todo o estado. “A gente espera que esses governos, as autoridades, reconheçam a nossa luta e façam o assentamento imediato das famílias acampadas, para que realmente as famílias possam ter um pedaço de chão e ter o seu sonho conquistado”, reforça Valdemar Batista.

Mais de 7 mil famílias do Paraná vivem sob ameaças de despejos desde o início das gestões de Ratinho Junior (PSD), à frente do governo estadual, e de Bolsonaro (sem partido), na Presidência da República.

Do latifúndio improdutivo à terra de fartura 

O assentamento “8 de Abril” foi criado há 14 anos, mas a luta pela efetivação da Reforma Agrária na região começou muito antes. O nome da comunidade marca o dia em que cerca de mil famílias iniciaram a ocupação da antiga fazenda Corumbataí, conhecida como fazenda Sete Mil, em 8 de abril de 1997. Os 13,8 mil hectares da área eram improdutivos, ou seja, não eram cultivados para alimento e renda à trabalhadores do campo e também não tinha função de movimentar a economia do município e da região.

“Eu não tinha nada. Vim acampar com umas panelinhas, um fogão à lenha e comida que dava pra passar uma semana. No começo foi bastante difícil, principalmente por conta da pressão muito grande da polícia, do governo, de despejo”, relembra Valdemar Batista. São memórias que se repetem entre as milhares de pessoas que fazem parte da história da comunidade.

Ao longo dos 23 anos de organização e trabalho, o latifúndio improdutivo se transformou em espaço de produção abundante e diversificada. A comercialização e distribuição dos alimentos é feito pela Cooperativa de Comercialização Camponesa do Vale do Ivaí (COCAVI), criada pelo assentamento e composta por 279 cooperados de 5 municípios do Vale. Em 2019 foram comercializados 62 toneladas de hortifrúti e 3 milhões de litros de leite, em parceria com outros laticínios da região.

Os alimentos são distribuídos em 43 escolas estaduais por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). Para 2020, o projeto da Cooperativa é inaugurar duas agroindústrias para processamento de panifícios, legumes e frutas.

O assentamento também integra a Rede Ecovida de Agroecologia, que realiza a certificação participativa de produção orgânicos. Dezenas de produtores já conquistaram ou estão prestes a receber o selo de qualidade do plantio orgânico, como as famílias de Nilce Pasa Ferreira e Valdemar Batista.

Além dos frutos expressivos na produção de comida, as famílias assentadas conquistaram a Escola Municipal do Campo José Clarimundo Filho, que recebe 214 estudantes e o Colégio Estadual do Campo José Marti, onde estudam 240 alunos. Uma unidade de saúde instalada na comunidade também garante atendimento médico e odontológico aos moradores.

Para Valdemar Batista, as mais de duas décadas de organização e luta das famílias Sem Terra comprovam que a Reforma Agrária dá certo. “A gente vê a grandiosidade do nosso povo, do povo do MST e o que o Movimento faz na vida das pessoas, transformando a nossa vida […]. Ficamos muito gratos por tudo que conquistamos, com muito mais ânimo pra seguir plantando diversidade e orgânico, sem veneno. Pode ter certeza que não vai parar por aí”, garante o agricultor.

Para contar a trajetória de um dos principais exemplos de êxito da luta pela Reforma Agrária no Brasil, foi realizado o documentário “Assentamento 8 de Abril – A História de uma Conquista”. A obra traz depoimentos que resgatam a trajetória das mais de 800 famílias do MST que ocuparam a fazenda Corumbataí.

 http://www.ihu.unisinos.br/598844-assentamento-em-antiga-fazenda-improdutiva-no-parana-doa-8-toneladas-de-alimentos

sábado, 9 de maio de 2020

ANTIBIÓTICOS, MORCEGOS E A PRÓXIMA PANDEMIA

ESSE ARTIGO NOS AJUDA A ENTENDER, UMA VEZ MAIS E UM POUCO COM MAIOR PROFUNDIDADE, PORQUE NÃO PODEMOS VOLTAR - OU CONTINUAR - AO "NORMAL" DE ANTES DA PANDEMIA: ELE APRESSARÁ A PRÓXIMA E MAIS GRAVE PANDEMIA.

ENTÃO, TEREMOS CORAGEM DE FAZER AS MUDANÇAS QUE PODRÃO RECRIAR AS CONDIÇÕES DE CONTINUARMOS VIVOS, COM SAÚDE E...?

BOA LEITURA, CORAGEM PARA AJUDAR A MUDAR.

Antibióticos, morcegos e a próxima pandemia

Cozinhamos em nossas panelas as doenças de amanhã. Relação predatória com a natureza, abuso dos “aditivos” nas fazendas industriais e ambição do agronegócio tornam a Terra um lugar bizarro e cada vez mais perigoso
Por Soledad Barruti | Tradução de Tadeu Breda, no Blog da Editora Elefante
MAIS:
 
Este texto marca o lançamento, pela Editora Elefante — parceira de Outras Palavras — de Pandemia e Agronegócio.

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1.
“Sabemos que outra pandemia será inevitável. Está chegando. E também sabemos que, quando isso acontecer, não teremos medicamentos, vacinas, profissionais de saúde ou capacidade hospitalar suficientes”, disse Lee Jong-wook, então diretor da Organização Mundial da Saúde, em 2004. O discurso foi proferido quando o planeta tentava se recuperar do susto surgido com a gripe aviária, que eclodiu em Hong Kong em 2003.

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O médico alertou para um fato muito difícil de ouvir: que um surto pior poderia acontecer a qualquer momento. Em 2009, por exemplo, quando outro vírus saltou de um porco para se tornar Influenza A que, a partir do México, alcançou o mundo inteiro; ou em 2012, quando a síndrome respiratória do Oriente Médio (Mers) emergiu dos camelos da Arábia Saudita, infectando pessoas em 27 países.
“Não devemos temer os mísseis, mas os vírus”, disse Bill Gates em uma palestra no Ted Talk em 2015, depois que o ebola quebrou os limites corporais de uma espécie de morcego, em 2014, para se converter em um pesadelo para os seres humanos.
“É uma emergência”, “Precisamos nos preparar”, “Precisamos controlar os vírus”: os documentos oficiais de várias agências das Nações Unidas, organizações globais como a Fundação Gates e vários governos estão cheios de advertências semelhantes. Mas nada foi feito para impedir a covid-19. Talvez porque em nenhum desses espaços de poder houve intenção de nomear de maneira clara e contundente o principal fator desencadeante dessas doenças: a relação abusiva e predatória que estabelecemos com a natureza, em geral, e com os outros animais, em particular.
Vacas, porcos, galinhas, morcegos, não importa de qual animal estejamos falando. Se não os extinguimos com destruição de seus habitats, os engaiolamos, acumulamos, mutilamos, transportamos, engordamos, medicamos e deformamos para aumentar sua produtividade. Forçamos os limites de seus corpos e anulamos seus instintos como se fossem coisas, por meio de técnicas ensinadas nas universidades, repetidas em conferências empresariais e testadas em laboratórios. Um negócio de bilhões de dólares.
Nunca andei de camelo ou visitei os mercados asiáticos, onde macacos, pássaros e tatus são vendidos vivos em pequenas caixas, mas visitei um bom número de fazendas industriais na América Latina — esses lugares de onde vem a comida que julgamos menos exótica e cruel, mais civilizada e mais segura. E nessas granjas aprendi que, em questões como ética, empatia e saúde pública, a diferença entre o que é oferecido em Wuhan e o que preenche as gôndolas dos nossos supermercados é imaginária.
As pragas não são uma novidade, mas estão avançando: duzentas novas doenças infecciosas zoonóticas surgiram nos últimos trinta anos, e nenhuma é resultado da nossa má sorte.

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Visitei Rosalía de Barón em 2011 enquanto fazia a pesquisa para meu livro Malcomidos. Ela, uma produtora de ovos da província de Entre Ríos, na Argentina, sabia perfeitamente: seu galinheiro era uma mina de ouro, mas tinha uma fraqueza: poderia desencadear uma praga a qualquer momento.
“Desde que sou assim, vivo entre os ovos”, disse, abaixando a mão até próxima do chão, quando entramos no galpão que continha cerca de quarenta mil galinhas em plena produção. Rosalía era uma mulher forte, quase 40 anos de idade, olhos azuis claros, cabelos loiros gastos e o orgulho de administrar um negócio próspero: oitenta caixas de ovos diários da melhor qualidade. Cerca de dez vezes mais do que sua própria fazenda produzia quando menina, no mesmo espaço. O truque? Concentração automatizada. O galinheiro moderno não tem terra, nem arbustos, nem sol, mas gaiolas de cerca de quarenta centímetros, onde as galinhas vivem por quatro anos, empilhadas em grupos de dez. As gaiolas estão umas sobre as outras e próximas umas das outras, tornando o local um labirinto completamente coberto de penas, bicos e patas que, à primeira vista, é impossível saber a qual galinha pertencem.
Tente imaginar: dez galinhas esmagadas em um espaço onde nem mesmo uma única delas entraria confortável; não há como bater as asas, deitar-se, virar-se ou satisfazer qualquer um de seus requisitos biológicos além de comer, defecar e dar um ovo por dia.
Quando as galinhas estão amontoadas, elas só conseguem subir uma na outra, se enroscar e enfiar a cabeça pelas barras até que os pescoços estejam cheios de feridas, em carne viva. A situação é tão estressante que, dentro de semanas, se tornam canibais. Para impedi-los de comer um ao outro, alguns dias depois de nascerem, as galinhas têm a ponta do bico amputada. Assim, os bicos crescem achatados, como se tivessem atingido uma parede com força.
Que não se matem, mantendo a produção ao máximo: esse é o objetivo. Para alcançá-lo, os produtores lançam mão desse tipo de intervenções: mutilações, controle de luz, sons constantes, vários dias de fome e sede — neste caso, para que sobrevivam apenas as mais fortes. São quinze ou vinte dias sem comida ou água. As galinhas morrem como um brinquedo cuja bateria vai se acabando: consumidas, deitadas uma em cima da outra, com olhos secos, bicos abertos, emitindo um suspiro quase inaudível. Para as que sobrevivem, a ração é renovada e, no dia seguinte, mágica: um novo ovo, o cacarejo infernal; e também medo, carne podre, o cheiro de morte em vida.
Visitar fazendas industriais pela primeira vez tem algo de monstruoso: nem os olhos, nem os pulmões, nem a mente estão preparados para apreender o que acontece lá. O que você vê, o que se ouve dos manipuladores de animais — tão normais quanto um vizinho, um tio, um dentista. A informação chega em etapas: a sistematização da crueldade, a negação da dor (que é evidente). A única justificativa para tudo são as leis do mundo do dinheiro, tão absurdas, tão perversas.
Theodor W. Adorno disse que era preciso olhar para os matadouros e dizer “são apenas animais” para entender a origem de Auschwitz. Diante dessas granjas, tão naturalizadas, tento entender como chegamos até aqui.
Rosalía explicou o que sabia e me disse algo que achava fascinante: “Eu só trabalho duas horas por dia, o resto é feito sozinho”, e apertou um botão que fez o galinheiro começar a se mover. Abaixo das gaiolas, as esteiras transportavam os ovos para o local onde seriam medidos e embalados. Outras esteiras transportavam as fezes, que serão enterradas em uma fossa a poucos metros do galpão. Na mesma coreografia da máquina, bebedouros são reabastecidos e alimentadores se enchem de milho, vitaminas e corante para as gemas alaranjadas que o mercado está pedindo hoje em dia. A precisão da fábrica parecia mostrar que tudo estava sob controle. Os materiais frios e duros cobriam todo o processo com assepsia, apesar da merda, dos fluidos, dos olhos pustulentos e das penas voando.
“No entanto”, continua Rosalía, “nada é tão fácil”. A fazenda tinha um perigo à espreita. “Qual?”, perguntei. “As doenças. As galinhas parecem fortes, mas uma pode ficar doente, e isso seria o fim.”
Pensei nos dias em que as galinhas passam sem água nem comida: se resistem a isso, não são fracas, disse a mim mesma. Mas aprendi imediatamente que não. Galinhas não sobrevivem a uma gripe. A gripe é o calcanhar de Aquiles.
Manter as doenças sob controle em um galinheiro é difícil. Requer condições que desmaterializem essa realidade retumbante: dezenas de milhares de animais amontoados, respiração muito próxima, coceira, estresse, sofrimento. Requer limpeza permanente. Requer medicação: antibióticos e antivirais. E requer manter o resto da natureza à distância: aves selvagens que carregam vírus que podem tornar essa concentração de animais exaustos fontes incontroláveis de contágio.
Antes de instalar o galinheiro, Rosalía tinha três faisões e dois pavões correndo pela propriedade. Mas, quando fechou a última gaiola com as galinhas, ligou o mecanismo e fez as contas, colocou seus pássaros em uma pequena sala da qual não iriam sair nunca mais. Depois, cuidou das garças e dos patos que antes eram lindos de se ver: comprou um rifle e, ao cair da noite, começou a disparar para o alto na esperança de afugentá-los. “Se alguma delas entrasse aqui, eu perderia tudo, seria um desastre”, disse.
Isso aconteceu com seus vizinhos. Um galinheiro infectado se torna um massacre. Abate sanitário de todos os animais, o que tem que seguir a legislação de acordo com protocolos internacionais. Somente na Ásia, nos últimos anos, duzentos milhões de aves foram sacrificadas para impedir a propagação de vírus entre outros animais, e também, acima de tudo, para impedir que os vírus sofram mutações que possam se hospedar em seres humanos, adoecendo-nos, colapsando os sistemas de saúde e matando-nos.

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Em 1918, a gripe espanhola infectou metade da humanidade e matou entre cinquenta e cem milhões de pessoas (os números variam de acordo com a estimativa dos registros de alguns países). Embora a origem ainda seja objeto de pesquisa, o ponto mais provável são as granjas que começavam a proliferar no Kansas, nos Estados Unidos. Em outras palavras, as pessoas intensificam a produção de animais e rompem a distância saudável entre espécies — cada uma com seus micro-organismos específicos — para criar um novo mundo bizarro e cada vez mais perigoso. “Todos os vírus infecciosos que nos atormentam podem estar relacionados, de alguma maneira, às fazendas industriais”, diz Rob Wallace, biólogo e autor do livro Pandemia e agronegócio: doenças infecciosas, capitalismo e ciência (Elefante & Igra Kniga, 2020).
É uma ameaça exponencial multiplicadora: o número de animais criados para alimentação cresce quase duas vezes mais rápido que a população humana. Neste momento, há cerca de setenta bilhões de animais confinados, como as galinhas de Rosalía. Aves, vacas, porcos separados pelo produto a ser extraído (carne, ovos, leite), em lugares onde compartilham raça, idade e sistema biológico. E isso, para a natureza, cuja lei mais importante é o equilíbrio na diversidade, significa uma praga gigante. Uma atração inevitável para outros animais, um banquete para micro-organismos. Um experimento permanente de mutações e contágios extremos.
Existem dez animais domésticos por pessoa. Escolha o seu. Galinhas como as de Rosalía. Frangos que engordam em galpões com cinquenta mil indivíduos duas vezes mais rápido do que há cinquenta anos. Bezerros que crescem em currais apertados entre esterco, urina e lama, comendo coisas para as quais não estão preparados: grãos, celulose e (dizem que já não mais) sangue de outros animais. Vacas grávidas sem descanso com úbere de quarenta litros de leite (quatro vezes mais do que há trinta anos), também encurraladas. Porcos amontoados, nascidos de porcas que vivem a vida inteira em gaiolas do tamanho de seus corpos aprisionados.
Todos os casos são parecidos: eles viverão com os olhos vermelhos, dilacerados e inchados de fadiga, respirando ar viciado, mantendo uma certa rebelião e, caso não ocorra nenhum infortúnio, nunca ficarão suficientemente doentes.
A indústria conseguiu gerar “coletes químicos” para fazendas industriais que contenham ou disfarcem manifestações de saúde esperadas quando os animais vivem nessas condições: azia, alergias, ataques cardíacos, infecções das mais variadas. Em um estudo realizado pelo pesquisador Rafael Lajmanovich, na Argentina, sobre galpões de frango, ele encontrou traços de todos os tipos de drogas, de antivirais a clonazepam. Especialmente antibióticos.
Os antibióticos, na criação de galinhas, têm dois usos: preservar a saúde e promover a engorda. No porco, a mesma coisa. Dizimar o microbioma intestinal dos animais retarda seu metabolismo, ajudando-os a ganhar mais peso em menos tempo. Nos rebanhos, o uso é diferente: a demanda dessas vacas cada vez mais cheias de leite é tão grande que as infecções mamárias conhecidas como mastite às vezes parecem incontroláveis, e não há alternativa que não seja retirar os animais da produção e colocá-los em tratamento.
Assim, 80% dos antibióticos produzidos no mundo acabam em fazendas industriais, alimentando outra pandemia que devemos começar a entender antes que ela passe a regular nossas vidas e, novamente, nos derrube. Porque, somados ao uso indevido feito na saúde humana, os antibióticos — que marcaram um antes e um depois na nossa expectativa de vida — estão perdendo eficácia. Hoje, a resistência bacteriana causa setecentas mil mortes por ano e, se isso continuar, o número deverá subir para dez milhões em 2050.
Os antibióticos, administrados em microdoses diárias ou em tratamentos cada vez mais recorrentes, alimentam as bactérias abrigadas por esses animais, permanecem em sua carne (que é então vendida ao público), na terra que recebe suas fezes e na água, por onde tudo flui.
Os antibióticos servem ao seu propósito comercial — os animais sobrevivem e engordam — mas também fazem com que as bactérias passem por mutações para não morrer. Como os vírus, elas deixam as granjas fortalecidas em busca de novos hospedeiros, os colonizam e os fazem morrer de doenças das quais não teríamos morrido se as bactérias não tivessem sido alimentadas com a cura que, por esse motivo, não nos serve mais. Tuberculose, infecção urinária: o atestado de óbito pode ser preenchido com qualquer uma dessas coisas, embora seja mais preciso dizer: danos colaterais causados por um sistema demente.

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Antropoceno. Assim é chamada a época em que vivemos. Durante esse período, fizemos aquilo que só os asteroides eram capazes: imprimimos nossa pegada nas camadas geológicas do planeta. Aumento da radiação, toneladas de plástico e ossos de galinha. Se um explorador do futuro quisesse saber o que éramos, descobriria que, sem restrições religiosas e a baixos preços, comíamos galinhas em tamanha quantidade que as tornamos um registro fóssil mais importante do que o das majestosas baleias e leões (provavelmente extintos até lá).
Porque, sim: esta é também a era da sexta extinção. E do aquecimento global. E de pandemias evitáveis.
Com o sistema alimentar à frente, nos lançamos para mudar o mundo para pior, do visível para o invisível. Nos tornamos a espécie em risco de extinguir tudo, em um processo que não conhece quarentenas.
“As clareiras não param. Enquanto a maioria de nós, cidadãos, fica em casa, a ambição de alguns empresários rurais é incontrolável. As escavadeiras estão avançando impunemente, destruindo nossas últimas florestas nativas”, alertou há alguns dias Hernán Giardini, que coordena a campanha florestal do Greenpeace, com monitoramento permanente do desmatamento na Argentina. Nos últimos dez dias de março, foram destruídos mais de dois mil hectares de matas — e, com eles, as árvores, os arbustos e os animais selvagens que levaram milhares de anos para criar esse ecossistema.
A questão também é global: por minuto, por dia, nos 365 dias por ano, quarenta campos de futebol de natureza desaparecem. O que assume seu lugar? Vacas e monoculturas de soja e milho para alimentar outras vacas em currais, porcos, galinhas, frangos. Um terço da terra é cultivada como alimento para animais de criação industrial. Duas ou três produções vegetais para quatro ou cinco tipos de animais.
A biodiversidade é o único controle de pragas que existe. Uma barreira tampão. Uma rede que destruímos, deixando-nos expostos à intempérie, entre o zumbido de mosquitos com malária, dengue, febre amarela, zika. De barbeiros com Chagas. De roedores com hantavírus. De cervos com Lyme. No Amazonas, o número de mordidas de morcegos aumentou nove vezes nas áreas de desmatamento nos últimos anos.
E, assim, chegamos aos morcegos e tatus.
Os animais selvagens, sem lugar para morar, ariscos, se aproximam perigosamente uns dos outros. E, eventualmente, eles se aproximam dos animais amontoados nas fazendas industriais. Ou se tornam espécimes vendidos em mercados de animais vivos, onde os vírus se expressam e sofrem mutações — e as bactérias também. E então, nas cidades do mundo todo, hotéis, teatros, escolas se tornam hospitais. E a vida cotidiana se detém. E parece que o mundo mudou. Mas não. Os supermercados estão abertos, e fazemos filas eternas para comprar as coisas (nuggets, ovos, iogurte) com as quais continuamos a cozinhar pandemias que mais tarde nos parecerão inevitáveis.

https://outraspalavras.net/terraeantropoceno/os-antibioticos-os-morcegos-e-a-proxima-pandemia/ 

quinta-feira, 7 de maio de 2020

CONVOCAÇÃO URGENTE: NÃO AO RETORNO À NORMALIDADE!

É PRECISO QUE MULTIPLIQUEMOS APELOS E COMPROMISSOS COMO O QUE SEGUE, LIDERADOS POR ROBERTO DE NIRO E JULETTE BINOCHE, ARTISTAS DE RENOME INTERNACIONAL.

TODOS E TODAS QUE PUDEREM, TOMEM OU PROVOQUEM INICIATIVAS COMO ESTA.

IHU - 7 de maio de 2020

Um grupo de personalidades, entre as quais estão Madonna, Cate Blanchett, Philippe Descola, Albert Fert, lança um manifesto em uma tribuna publicada no Le Monde, que tem a iniciativa de Juliette Binoche e Aurélien Barrau, aos dirigentes e cidadãos para que introduzam mudanças profundas nos nossos estilos de vida e de consumo e de nossas economias.
O manifesto é publicado por Le Monde, 05-05-2020. A tradução é de André Langer.

Eis o manifesto.

A pandemia da Covid-19 é uma tragédia. Mas esta crise tem a virtude de nos convidar a enfrentar as questões essenciais.
O balanço é simples: os “ajustes” não são mais suficientes, o problema é sistêmico.
A catástrofe ecológica em curso faz parte de uma “metacrise”: a extinção em massa da vida na Terra já não está mais em dúvida e todos os indicadores apontam para uma ameaça existencial direta. Ao contrário de uma pandemia, por mais grave que seja, trata-se de um colapso global cujas consequências serão incomensuráveis.
Portanto, fazemos um apelo solene aos dirigentes e cidadãos para que saiam da lógica insustentável que ainda prevalece, para finalmente trabalhar em uma profunda revisão de objetivos, valores e economias.

Ponto de ruptura

O consumismo nos levou a negar a própria vida: a das plantas, dos animais e de um grande número de seres humanos. A poluição, o aquecimento global e a destruição de espaços naturais estão levando o mundo a um ponto de ruptura.
Por essas razões, combinadas com crescentes desigualdades sociais, parece-nos impensável “retornar à normalidade”.
A transformação radical requerida – em todos os níveis – exige audácia e coragem. Isso não ocorrerá sem um compromisso massivo e determinado. Quando vamos agir? É uma questão de sobrevivência, tanto quanto de dignidade e de consistência.

Segue a relação dos abaixo-assinados:

Lynsey Addario, grand reporter ; Isabelle Adjani, actrice ; Roberto Alagna, chanteur lyrique ; Pedro Almodovar, réalisateur ; Santiago Amigorena, écrivain ; Angèle, chanteuse ; Adria Arjona, actrice ; Yann Arthus-Bertrand, photographe, réalisateur ; Ariane Ascaride, actrice ; Olivier Assayas, réalisateur ; Josiane Balasko, actrice ; Jeanne Balibar, actrice ; Bang Hai Ja, peintre ; Javier Bardem, acteur ; Aurélien Barrau, astrophysicien, membre honoraire de l’Institut universitaire de France ; Mikhail Baryshnikov, danseur, chorégraphe ; Nathalie Baye, actrice ; Emmanuelle Béart, actrice ; Jean Bellorini, metteur en scène ; Monica Bellucci, actrice ; Alain Benoit, physicien, Académie des sciences ; Charles Berling, acteur ; Juliette Binoche, actrice ; Benjamin Biolay, chanteur ; Dominique Blanc, actrice ; Cate Blanchett, actrice ; Gilles Bœuf, ancien président du Muséum national d’histoire naturelle ; Valérie Bonneton, actrice ; Aurélien Bory, metteur en scène ; Miguel Bosé, acteur, chanteur ; Stéphane Braunschweig, metteur en scène ; Stéphane Brizé, réalisateur ; Irina Brook, metteuse en scène ; Peter Brook, metteur en scène ; Valeria Bruni Tedeschi, actrice, réalisatrice ; Khatia Buniatishvili, pianiste ; Florence Burgat, philosophe, directrice de recherche à l’Inrae ; Guillaume Canet, acteur, réalisateur ; Anne Carson, poète, écrivaine, Académie des arts et sciences ; Michel Cassé, astrophysicien ; Aaron Ciechanover, Prix Nobel de chimie ; François Civil, acteur ; François Cluzet, acteur ; Isabel Coixet, réalisatrice ; Gregory Colbert, photographe, réalisateur ; Paolo Conte, chanteur ; Marion Cotillard, actrice ; Camille Cottin, actrice ; Penélope Cruz, actrice ; Alfonso Cuaron, réalisateur ; Willem Dafoe, acteur ; Béatrice Dalle, actrice ; Alain Damasio, écrivain ; Ricardo Darin, acteur ; Cécile de France, actrice ; Robert De Niro, acteur ; Annick de Souzenelle, écrivaine ; Johann Deisenhofer, biochimiste, Prix Nobel de chimie ; Kate del Castillo, actrice ; Miguel Delibes Castro, biologiste, Académie royale des sciences espagnole ; Emmanuel Demarcy-Mota, metteur en scène ; Claire Denis, réalisatrice ; Philippe Descola, anthropologue, médaille d’or du CNRS ; Virginie Despentes, écrivaine ; Alexandre Desplat, compositeur ; Arnaud Desplechin, réalisateur ; Natalie Dessay, chanteuse lyrique ; Cyril Dion, écrivain, réalisateur ; Hervé Dole, astrophysicien, membre honoraire de l’Institut universitaire de France ; Adam Driver, acteur ; Jacques Dubochet, Prix Nobel de chimie ; Diane Dufresne, chanteuse ; Thomas Dutronc, chanteur ; Lars Eidinger, acteur ; Olafur Eliasson, plasticien, sculpteur; Marianne Faithfull, chanteuse ; Pierre Fayet, membre de l’Académie des sciences ; Abel Ferrara, réalisateur ; Albert Fert, Prix Nobel de physique ; Ralph Fiennes, acteur ; Edmond Fischer, biochimiste, Prix Nobel de médecine ; Jane Fonda, actrice ; Joachim Frank, Prix Nobel de chimie ; Manuel Garcia-Rulfo, acteur ; Marie-Agnès Gillot, danseuse étoile ; Amos Gitaï, réalisateur ; Alejandro Gonzales Iñarritu, réalisateur ; Timothy Gowers, médaille Fields de mathématiques ; Eva Green, actrice ; Sylvie Guillem, danseuse étoile ; Ben Hardy, acteur ; Serge Haroche, Prix Nobel de physique ; Dudley R. Herschbach, Prix Nobel de chimie ; Roald Hoffmann, Prix Nobel de chimie ; Rob Hopkins, fondateur des villes en transition ; Nicolas Hulot, président d’honneur de la Fondation Nicolas Hulot pour la nature et l’Homme ; Imany, chanteuse ; Jeremy Irons, acteur ; Agnès Jaoui, actrice, réalisatrice ; Jim Jarmusch, réalisateur ; Vaughan Jones, médaille Fields de mathématiques ; Spike Jonze, réalisateur ; Camélia Jordana, chanteuse ; Jean Jouzel, climatologue, prix Vetlesen ; Anish Kapoor, sculpteur, peintre ; Naomi Kawase, réalisatrice ; Sandrine Kiberlain, actrice ; Angélique Kidjo, chanteuse ; Naomi Klein, écrivaine ; Brian Kobilka, Prix Nobel de chimie ; Hirokazu Kore-eda, réalisateur ; Panos Koutras, réalisateur ; Antjie Krog, poétesse ; La Grande Sophie, chanteuse ; Ludovic Lagarde, metteur en scène ; Mélanie Laurent, actrice ; Bernard Lavilliers, chanteur ; Yvon Le Maho, écophysiologiste, membre de l’Académie des sciences ; Roland Lehoucq, astrophysicien ; Gilles Lellouche, acteur, réalisateur ; Christian Louboutin, créateur ; Roderick MacKinnon, Prix Nobel de chimie ; Madonna, chanteuse ; Macha Makeïeff, metteuse en scène ; Claude Makélélé, footballeur ; Ald Al Malik, rappeur ; Rooney Mara, actrice ; Ricky Martin, chanteur ; Carmen Maura, actrice ; Michel Mayor, Prix Nobel de physique ; Médine, rappeur ; Melody Gardot, chanteuse ; Arturo Menchaca Rocha, physicien, ex-président de l’Académie des sciences du Mexique ; Raoni Metuktire, chef indien de Raoni ; Julianne Moore, actrice; Wajdi Mouawad, metteur en scène, auteur ; Gérard Mouroux, Prix Nobel de physique ; Nana Mouskouri, chanteuse ; Yael Naim, chanteuse ; Jean-Luc Nancy, philosophe ; Guillaume Néry, champion du monde d’apnée ; Pierre Niney, acteur ; Michaël Ondaatje, écrivain ; Thomas Ostermeier, metteur en scène ; Rithy Panh, réalisateur ; Vanessa Paradis, chanteuse, actrice ; James Peebles, Prix Nobel de physique ; Corine Pelluchon, philosophe ; Joaquin Phoenix, acteur ; Pomme, chanteuse ; Iggy Pop, chanteur ; Olivier Py, metteur en scène ; Radu Mihaileanu, réalisateur ; Susheela Raman, chanteuse ; Edgar Ramirez, acteur ; Charlotte Rampling, actrice ; Raphaël, chanteur ; Eric Reinhardt, écrivain ; Residente, chanteur ; Jean-Michel Ribes, metteur en scène ; Matthieu Ricard, moine bouddhiste ; Richard Roberts, Prix Nobel de médecine ; Isabella Rossellini, actrice ; Cecilia Roth, actrice ; Carlo Rovelli, physicien, membre honoraire de l’Institut universitaire de France ; Paolo Roversi, photographe ; Ludivine Sagnier, actrice ; Shaka Ponk (Sam et Frah), chanteurs ; Vandana Shiva, philosophe, écrivaine; Abderrahmane Sissako, réalisateur ; Gustaf Skarsgard, acteur ; Sorrentino Paolo, réalisateur ; Sabrina Speich, océanographe, médaille Albert Defant ; Sting, chanteur ; James Fraser Stoddart, Prix Nobel de chimie ; Barbra Streisand, chanteuse, actrice, réalisatrice ; Malgorzata Szumowska, réalisatrice ; Béla Tarr, réalisateur ; Bertrand Tavernier, réalisateur ; Alexandre Tharaud, pianiste ; James Thierré, metteur en scène, danseur ; Mélanie Thierry, actrice ; Tran Anh Hung, réalisateur ; Jean-Louis Trintignant, acteur ; Karin Viard, actrice ; Rufus Wainwright, chanteur ; Lulu Wang, réalisatrice ; Paul Watson, navigateur, écrivain ; Wim Wenders, réalisateur ; Stanley Whittingham, Prix Nobel de chimie ; Sonia Wieder-Atherton, violoncelliste ; Frank Wilczek, Prix Nobel de physique ; Olivia Wilde, actrice ; Christophe Willem, chanteur ; Bob Wilson, metteur en scène ; Lambert Wilson, acteur ; David Wineland, Prix Nobel de physique ; Xuan Thuan Trinh, astrophysicien ; Muhammad Yunus, économiste, Prix Nobel de la paix ; Zazie, chanteuse.

http://www.ihu.unisinos.br/598713-nao-a-um-retorno-a-normalidade-de-robert-de-niro-a-juliette-binoche-o-apelo-de-200-artistas-e-cientistas 

quarta-feira, 6 de maio de 2020

OS PROPRIETÁRIOS DA EUCARISTIA

Roberto Malvezzi (Gogó)
Quando as comunidades amazônicas reivindicaram seu acesso à Eucaristia, ainda que fosse pela celebração de algum membro de sua comunidade, houve reação no mundo inteiro como se fosse uma heresia ou o fim do celibato. Diante de tanta pressão, até Francisco recuou da decisão sinodal na sua Exortação Apostólica “Querida Amazônia”. Agora, grupos católicos ao redor do mundo fazem pressão pelo retorno das celebrações e pelo acesso à Eucaristia, canceladas em função da pandemia do coronavírus.
Fica claro que há dois pesos e duas medidas nesses grupos. Quando é de seu interesse, pressionam pela Eucaristia, quando é do interesse das periferias geográficas, sociais e existenciais, pressionam para que não haja eucaristia.
A Eucaristia está longe de ser um sacramento universal. Ela continua um privilégio de grupos que podem ir a uma celebração pelo menos uma vez por semana. A grande maioria, como as comunidades amazônicas e em tantos lugares do mundo, passa anos sem acesso a ela.
Esse problema é estrutural na Igreja Católica, não conjuntural. Todos sabem que a exigência do celibato para os presbíteros é uma questão disciplinar dentro da Igreja, portanto, não há empecilho teológico nenhum para que as comunidades possam ter um homem casado – a questão da mulher encontra mais entraves ainda – para concelebrar com sua comunidade.
Enfim, ou esses novos ministérios são liberados, ou essa questão jamais será solucionada. E não adianta culpar o “Senhor da Messe” como se Ele realmente não estivesse enviando operários para sua messe. Ele envia, esses operários e operárias estão nas comunidades, mas a estrutura eclesial é que impede que possam trabalhar, impedindo o acesso dos mais periféricos à Eucaristia. 
Esses momentos de pandemia também são úteis para essas verdades. Nessas horas as máscaras caem e os interesses mesquinho do “salve-se quem puder” ficam evidentes também dentro da Igreja, inclusive no acesso à Eucaristia.

segunda-feira, 4 de maio de 2020

AS CATARATAS SECAS DO IGUAÇU

O QUE É ISSO?!, PERGUNTAM-SE MUITAS PESSOAS. TALVEZ NÃO TENHAM TIDO OPORTUNIDADE DE INFORMAÇÃO, MAS A MÃE TERRA, OS POVOS INDÍGENAS E A CIÊNCIA JÁ HAVIAM AVISADO: COM O AQUECIMENTO GLOBAL, PROVOCADO TAMBÉM PELAS AGRESSÕES AO MEIO AMBIENTE DA VIDA QUE SÃO CONSIDERADAS, PELAS GRANDES EMPRESAS E GOVERNOS, FONTES DE "PROGRESSO", E PRINCIPALMENTE PELA EXTRAÇÃO E QUEIMA DE PETRÓLEO, GÁS E CARVÃO - ATENÇÃO, QUERIDA REGIÃO SUL! - O NORMAL SERÃO ENCHENTES E SECAS CADA VEZ MAIS EXTREMAS...

QUANDO OUVIREMOS O GRITO DA MÃE TERRA?

QUANDO COMEÇAREMOS A MUDAR? SERÁ O CORONAVÍRUS UMA OPORTUNIDADE PARA ABRIR O TEMPO DAS MUDANÇAS ESTRUTURAIS, CULTURAIS, ESPIRITUAIS? 

As cataratas secas do Iguaçu

cataratas do iguaçu

O rio Iguaçu está com cerca de 13% da sua vazão nas proximidades das cataratas, deixando-as quase secas. O rio Paraná está no nível mais baixo dos últimos 50 anos, mesmo sendo alimentado pelos rios de Minas e São Paulo que estão bastante cheios. Nele, navios estão encalhados e a usina de Itaipu está gerando metade da energia que gera normalmente fora do período seco.

No Rio Grande do Sul, 70% dos municípios sofrem com a estiagem. Do outro lado da fronteira, autoridades argentinas começam a ficar preocupadas com o abastecimento de água, exatamente agora, durante a pandemia.

ClimaInfo, 4 de maio de 2020

https://climainfo.org.br/2020/05/03/as-cataratas-secas-do-iguacu/?utm_source=akna&utm_medium=email&utm_campaign=04052020-Newsletter-ClimaInfo