quarta-feira, 13 de novembro de 2019

O AQUÍFERO GUARANI ESTÁ SENDO BEM TRATADO?

Se a água é memória e por onde ela passa produz modificações, vamos sendo modificados juntos com ela nesse processo, mas não devemos jamais perder a esperança e muito menos a memória

12/11/2019 13:00
 

Recentemente, o Cineclube Cauim resgatou a edição do programa “Papo com Dr.”, veiculado pela TV Thathi de Ribeirão Preto, no dia 28 de fevereiro de 2007, onde o Doutor Sócrates me entrevistou e falamos quase uma hora sobre a importância do Aquífero Guarani para o município de Ribeirão Preto e toda sua área de influência.

Essa saudosa entrevista dada para o Doutor Sócrates pode ser vista aqui nessa direção https://www.youtube.com/watch?v=1jIWAkrWqWg

Passados mais de doze anos dessa entrevista, vendo e revendo a conversa descontraída que tivemos me pergunto: Será que mudou muita coisa? O Aquífero Guarani está sendo bem tratado?

Segundo o site http://portrasdoalimento.info/agrotoxico-na-agua/# no município de Ribeirão Preto, com uma população de 682.302 habitantes, 27 agrotóxicos foram detectados nas suas águas entre 2014 e 2017, sendo 11 deles associados a doenças crônicas como câncer, defeitos congênitos e distúrbios endócrinos.

Será que o governo federal, seus associados e seus apoiadores, tem alguma preocupação com isso que ocorre no território municipal ou deixa para lá para a iniciativa privada um dia resolver?

Pelo que estamos acompanhando com que aconteceu nas queimadas na Amazônia e com o pouco caso para o derramamento de óleo no mar que atingiu os estados do nordeste brasileiro, já deu para perceber que vamos ficar ao Deus dará se dependermos das ações desse governo.

Lembremos que o Aquífero Guarani, um dos maiores reservatórios subterrâneos do planeta se estende por outros sete estados brasileiros, além de áreas na Argentina, Paraguai e Uruguai, e sua água é, no geral, de boa qualidade, mas fica aqui um alerta, com essa frase de Guimarães Rosa: “A água de boa qualidade é como a saúde ou a liberdade: só tem valor quando acaba.”.

Heraldo Campos é Graduado em geologia (1976) pelo Instituto de Geociências e Ciências Exatas da Universidade Estadual Paulista – UNESP, Mestre em Geologia Geral e de Aplicação (1987) e Doutor em Ciências (1993) pelo Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo - USP. Pós-doutor (2000) pelo Departamento de Ingeniería del Terreno y Cartográfica, Universidad Politécnica de Cataluña - UPC e pós-doutorado (2010) pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento, Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo - USP.

https://www.blogger.com/blogger.g?blogID=443926518258259368#editor 

CIMI: POVOS ISOLADOS AMEAÇADOS DE EXTERMÍNIO



Nota do Cimi sobre o extermínio programado dos povos isolados: ao menos 21 Terras Indígenas estão invadidas




Cimi - Conselho Indigenista Missionário comunica@cimi.org.br -




Nota do Cimi sobre o extermínio programado dos povos isolados: ao menos 21 Terras Indígenas estão invadidas

No total existem no Brasil registros de 114 povos indígenas isolados, dos quais apenas 28 são confirmados pela

Está em curso o extermínio programado dos povos indígenas livres ou em situação de isolamento voluntário no Brasil. Não se trata tão somente de uma omissão do governo federal, mas de sua ação deliberada para permitir que esses povos sejam massacrados. Faz parte desse plano criminoso e genocida a desconstrução de todo o sistema de proteção da Fundação Nacional do Índio (Funai), ao mesmo tempo que, ora de forma velada, ora de forma explícita, respalda os invasores de seus territórios.

Segundo os dados coletados entre janeiro e novembro deste ano pelo Relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil, do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), 21 Terras Indígenas com registros da presença de povos isolados estão invadidas: seja por madeireiros, garimpeiros, grileiros, caçadores, pescadores e extrativistas vegetais. O levantamento não engloba os territórios com a presença desses povos onde não há nenhuma providência em termos de demarcação e proteção de suas terras. No total existem no Brasil registros de 114 povos indígenas isolados, dos quais apenas 28 são confirmados pela Funai.

A estratégia de extermínio e genocídio se torna ainda mais evidente sabendo que o governo conhece muito bem a situação de vulnerabilidade em que se encontram esses povos, a fragilidade que têm para se defender e a liberdade de ação de criminosos em regiões sem a presença protetiva do Poder Público.

Os povos indígenas isolados, assim como os demais povos indígenas e comunidades tradicionais, a própria Floresta Amazônica e tudo que nela habita e seus aliados e defensores, não só são considerados como obstáculos, mas como inimigos a serem combatidos, vencidos ou destruídos, na medida em que atrapalham ou oferecem resistência aos planos governamentais.

Por isso, o governo convenientemente fecha os olhos e favorece a ação de assassinos e criminosos ambientais que se encarregam do serviço sujo. Uma vez “limpo” o caminho, estão dadas as condições para a apropriação das terras por latifundiários para a produção de commodities agrícolas e para que empresas promovam o saque das riquezas naturais da região, como a exploração mineral, inclusive pelo garimpo, que o governo pretende liberar nas terras indígenas. Essa lógica perversa, que permite o extermínio da sociobiodiversidade da Amazônia para satisfazer a ganância de poucos, precisa ser parada.
Na Terra Indígena Vale do Javari (AM), concentração do maior número de povos indígenas isolados no país, com 18 registros, de dezembro de 2018 até o momento já aconteceram cinco ataques a tiros contra a Base de Proteção Etnoambiental do Rio Ituí-Itacoaí denunciados pela União das Nações Indígenas do Vale do Javari (Univaja) e confirmados pelos funcionários da Funai que trabalham nessas bases.
Em setembro deste ano, o servidor da Funai Maxciel Pereira dos Santos foi assassinado em Tabatinga, no Amazonas, provavelmente devido ao seu trabalho de fiscalização na Base do Rio Ituí-Itacoaí. Além disso, missionários fundamentalistas, inclusive estrangeiros, estão entrando na TI Vale do Javari sem autorização dos povos indígenas e desrespeitando as medidas de proteção da Funai, colocando em sério risco a sobrevivência desses povos isolados.

A situação se espelha país afora. Paulo Paulino Guajajara, guardião da floresta, foi assassinado a tiros, em 1 de novembro, numa emboscada executada por invasores no interior da Terra Indígena Arariboia (MA), habitada pelo povo Guajajara e grupos isolados Awá-Guajá. Laércio Guajajara, que acompanhava Paulo Paulino, sofreu uma tentativa de homicídio ao ser atingido por dois tiros: um no braço e outro nas costas. A Terra Indígena sofre com a invasão de madeireiros e caçadores há anos. São indivíduos que se sentem à vontade para atacar os indígenas no interior de suas terras e são uma grande ameaça aos grupos isolados.

Na Terra Indígena Inãwébohona, localizada na Ilha do Bananal, no dia 9 de outubro, foram avistados oito indígenas isolados por um brigadista do PrevFogo durante ação de combate a um grande incêndio florestal, confirmando as informações de indígenas da região e do Cimi com insistentes pedidos e repasses à Funai para que as necessárias medidas de proteção fossem adotadas. As autoridades, apesar do evidente risco que corre esse povo isolado devido ao grande número de invasores explorando as riquezas naturais nessa Terra Indígena e dos grandes incêndios no período seco, e mesmo provocadas a agir pelo Ministério Público Federal (MPF), se mantêm em silêncio.

Na carta divulgada no dia 06 de novembro, dirigida “à sociedade brasileira e às autoridades competentes”, o conjunto de servidores lotados nas Frentes de Proteção Etnoambiental (FPEs) da Funai manifestam sua preocupação diante desse quadro assustador de ameaça a vida dos povos indígenas isolados e revelam sua angústia e impotência porque não são oferecidas as devidas condições de trabalho, a segurança e o respaldo para exercerem o seu papel de fiscalização dos territórios.

Os povos indígenas isolados, que se deslocaram para os lugares mais inacessíveis da Amazônia para fugir da violência das frentes de expansão econômica capitalista e para manter a sua liberdade, têm direito à vida, a seus territórios e o respeito à opção que fizeram, assegurados pela legislação brasileira e pelos Tratados e Convenções Internacionais dos quais o Brasil é signatário. A ninguém cabe desrespeitá-los, muito menos aqueles a quem foi confiado a responsabilidade de zelar pelo seu cumprimento.

Trazemos aqui um trecho do documento final do Sínodo da Amazônia: “a ganância pela terra está na raiz dos conflitos que levam ao etnocídio, além do assassinato e criminalização dos movimentos sociais e de seus líderes. A demarcação e proteção da terra é uma obrigação dos estados nacionais e seus respectivos governos”.

Conforme disse o papa Francisco em Porto Maldonado, no Peru, em janeiro de 2018, os povos indígenas “são os mais vulneráveis ​​entre os vulneráveis (…) continuem defendendo esses irmãos mais vulneráveis. Sua presença nos lembra que não podemos dispor dos bens comuns ao ritmo da avidez do consumo”.
 
Brasília, 12 de novembro de 2019.

Conselho Indigenista Missionário (Cimi)

Conselho Indigenista Missionário
Assessoria de imprensa
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Telefone: 61 2106 1650

SDS Ed. Venâncio III - Salas 309/314
Brasília - DF

terça-feira, 12 de novembro de 2019

INFORMAÇÕES SOBRE A BOLÍVIA

COMO ESTAMOS TENDO POUCA INFORMAÇÃO CONFIÁVEL, SEGUE UM TEXTO DE PABLO SOLÓN QUE, CERTAMENTE, NOS OFERECE DADOS PARA IR COMPREENDENDO MELHOR O QUE ESTÁ ACONTECENDO. ESTÁ NO SITE: https://systemicalternatives.org/2019/11/11/que-pasa-en-bolivia-hubo-golpe-de-estado/


Por Pablo Solón
1) Evo Morales hubiera terminado su tercer mandato el 22 de enero del 2020 con gran popularidad y con la posibilidad de presentarse, e incluso ganar, las elecciones del 2024 si no hubiera forzado su reelección para un cuarto mandato. Siendo presidente de Bolivia: a) desconoció el referéndum del 2016 que dijo NO a su reelección[1], b) promovió en 2017 que el Tribunal Constitucional deje en suspenso los artículos de la Constitución que establecen que una persona sólo puede ser reelegida una sola vez, c) realizó fraude en las elecciones del 20 de octubre para evitar una segunda vuelta e imponer una mayoría de su partido en el parlamento.
2) El gobierno se proclamó ganador de las elecciones a pesar de que habían serias irregularidades: a) El conteo rápido fue detenido intempestivamente el día de la elección, b) la empresa encargada del conteo rápido denunció que dicha orden vino de la presidenta del Tribunal Supremo Electoral (TSE) y que les cortaron el internet y la electricidad para que no continúen su trabajo[2], c) analistas independientes[3] y de la universidad mostraron diferentes delitos electorales, d) la empresa contratada por el tribunal electoral para supervisar las elecciones declaró que el proceso estaba “viciado de nulidad” por una serie de factores[4], y e) la auditoria de las elecciones solicitada por el propio gobierno de Evo Morales a la OEA determinó en su informe que “no se puede validar los resultados de la presente elección”[5].
3) El gobierno minimizó la indignación generada por el fraude. En un principio Evo Morales dijo que eran protestas de pequeños grupos de jóvenes engañados por dinero y por notas que no sabían bloquear y se ofreció incluso a dar seminarios para enseñarles a como bloquear[6]. Cuando se masificaron los paros en todas las ciudades recurrió a la táctica del amedrentamiento y dio luz verde al cerco de las ciudades para “ver si aguantan”[7]. Los enfrentamientos y la violencia provocaron varias muertes y cientos de heridos. Lejos de decaer los bloqueos y paros en las urbes se fueron radicalizando.
4) El gobierno ha tratado de mostrar esta movilización como un golpe de estado de la derecha fascista y racista. Efectivamente todos los sectores de la derecha reaccionaria han aplaudido las protestas. En la ciudad de Santa Cruz el principal dirigente del Comité Cívico, Luis Fernando Camacho, viene de una organización de ultra derecha como es la Unión Juvenil Cruceñista. Sin embargo, en las otras ciudades ha habido diferentes articulaciones de sectores independientes y políticos de derecha e izquierda que han dirigido la protesta. En Potosí la oposición al gobierno se radicalizó antes de las elecciones por la suscripción de un contrato por 70 años y sin pago de regalías por la producción de hidróxido de litio del salar de Uyuni. En el caso de La Paz, el Comité Nacional de Defensa de la Democracia cuenta entre sus principales dirigentes a dos ex Defensores del Pueblo que ejercieron sus funciones durante el gobierno de Evo Morales y que denunciaron serias violaciones a los derechos humanos como la represión a la marcha indígena del TIPNIS el 2011. Por su parte Carlos Mesa, que fue vicepresidente del gobierno neoliberal de Gonzalo Sánchez de Lozada, y se convirtió en el principal contendiente electoral de Evo Morales no tiene un partido estructurado y fue más un vehículo de la oposición en las urnas antes que el artífice organizador de las protestas. La rebelión que vive Bolivia es mayoritariamente un hecho espontaneo protagonizado en particular por jóvenes contra el abuso de poder.
5) Es necesario dejar claro que tanto en el lado del gobierno como de las fuerzas de la oposición existen indígenas y trabajadores. El gobierno tiene evidentemente más apoyo en las áreas rurales, pero en el sector de la oposición están también productores de hoja de coca de la zona de los Yungas, dirigentes campesinos, trabajadores mineros, trabajadores en salud y educación y sobre todo jóvenes estudiantes tanto de clase media como de extracción popular. Contrario a lo que ocurrió en anteriores conflictos fue el gobierno el que exacerbó el racismo diciendo que se buscaba desconocer el voto de los indígenas del campo que apoyaban su gobierno. Durante el conflicto se han producido actitudes racistas de ambos lados. La quema de la whipala, la bandera de los indígenas aymara y quechua, es absolutamente deplorable. Sin embargo, se puede constatar en las redes sociales que amplios sectores que integran las protestas contra el gobierno han salido a cuestionar estas medidas y a defender la whipala.
6) La policía en un principio salió a defender sobre todo a los sectores vinculados al partido de gobierno que atacaban los bloqueos. El caso más emblemático se produjo en Cochabamba. Las primeras semanas fueron de un intenso enfrentamiento de jóvenes contra los grupos del MAS y la policía. Para garantizar el respaldo de la policía, el gobierno de Evo Morales durante el conflicto les otorgó un “bono de lealtad” de 3.000 Bs (431 USD). Después de días y noches de permanente enfrentamiento con la población la policía se amotinó. Esta no fue una decisión de la cúpula policial sino de la base. El gobierno trató de negociar con la policía cambiando a algunos comandantes muy cuestionados por la base policial, pero el motín se fue extendiendo a la mayoría de las guarniciones. La policía dejó de salir a enfrentar a los jóvenes que protestaban y ello cambió la relación de fuerzas.
7) El alto mando militar es partidario de Evo Morales como se puede constatar por las manifestaciones de su comandante en jefe[8]. Los militares en Bolivia son el único sector que recibe una jubilación del 100% de su salario. Durante el gobierno de Evo Morales han obtenido una serie de beneficios, empresas y embajadas. Sin embargo, el cálculo político de la cúpula militar fue que salir a las calles representaba una situación de alto riesgo pues podrían ser posteriormente enjuiciados y encarcelados como ocurrió por la masacre de octubre del 2003. En ese contexto los militares decidieron no salir a enfrentar las protestas antigubernamentales y, después de conocerse el informe de la auditoria de la OEA, le “sugirieron” a Evo Morales que renunciará. Con esta actitud los militares más que buscar tomar el poder están precautelando sus propios intereses y su institución.
8) En la actualidad la situación en varias ciudades del país es de extrema tensión, violencia y vandalismo. Varios domicilios particulares de figuras del gobierno y la oposición han sido saqueados y quemados. Antenas y canales de televisión fueron atacados. La noche del 10 de noviembre grupos del vandálicos y del MAS atacaron varios vecindarios en diferentes ciudades. En diferentes ciudades la población se está organizando para defenderse de estos ataques y saqueos que afectan a comercios, fábricas, farmacias y buses públicos.
9) Evo Morales ha renunciado sólo verbalmente y no ha enviado una nota escrita al parlamento. La presidenta y miembros del TSE han sido detenidos por la policia cuando trataban de escapar. En general hay una tendencia a que el vació de gobierno se resuelva por vía institucional a través de la Asamblea Legislativa. Sin embargo, esta salida no es fácil porque el MAS tiene más de dos tercios en el parlamento y debe aceptar la renuncia de Evo Morales y elegir a un presidente transitorio que convoque a nuevas elecciones a la brevedad posible. Si los parlamentarios del MAS no allanan la salida institucional el vacío de gobierno puede generar más situaciones de violencia vandálica, revanchismo y una situación en extremo peligrosa.
La Paz, 11 de noviembre 11 am.

MOÇÃO CONTRA O LEILÃO DO PRÉ-SAL


Oficina COP 25 lança moção contra o leilão do pré-sal do dia 6/11



O Oficina “Articulação Preparatória da Sociedade Civil Brasileira na COP 25” aprovou uma moção coletiva contra a continuidade da exploração de petróleo e todos os combustíveis fósseis como fonte de energia. Leia a seguir:

NÃO AO LEILÃO DO PRÉ-SAL!

PETRÓLEO, GÁS E CARVÃO TÊM DE FICAR NO CHÃO!

Estamos sob emergência climática. A ciência aponta que 90% das reservas de combustíveis fósseis (carvão, petróleo e gás) precisam permanecer no subsolo para que não ultrapassemos o limite administrável de aquecimento de 1,5°C acima das temperaturas pré-industriais. Nesse contexto, cada leilão de petróleo é um crime contra o clima planetário, a biosfera terrestre e a humanidade, particularmente contra jovens, crianças e gerações futuras. Ao mesmo tempo, o litoral do Nordeste Brasileiro está sofrendo os impactos de uma das maiores calamidades ambientais da história, com o óleo invadindo as praias, espalhando morte junto à vida marinha e afetando centenas de comunidades costeiras de pescadores que dependem desse ecossistema e estabelecem um modo de vida em equilíbrio com a natureza.

Em particular, o leilão do pré-sal do dia 06/11 é um fato grave. São mais de 10 bilhões de barris em jogo, cuja queima pode levar à emissão de 4 bilhões de toneladas de CO2 ou mais, o que equivale a dois anos de emissões brasileiras considerando todos os setores, incluindo não apenas energia, mas também desmatamento e agropecuária. Além disso, expõe nossos mares à exploração cada vez mais irresponsável, por multinacionais do petróleo. É abrir caminho para que catástrofes como o óleo no Nordeste venham a se repetir

Em nome da proteção do clima global, dos mares e do nosso litoral, repudiamos a realização deste leilão e demandamos a nacionalização do conjunto das reservas fósseis. O Petróleo é Nosso, pra Ficar no Chão!

Brasília, 05 de novembro de 2019

Ágora dos/as Habitantes da Terra – Brasil
Campanha Nem um poço a mais – ES
Ceará no Clima – CE
Centro Burnier – MT
Engajamundo – Brasil
Escola de Sustentabilidade Integral e Universidade do Estado da Bahia – UNEB
FASE – ES
Fórum de Comunidades Tradicionais Angra/Paraty/Ubatuba (FCT) – RJ e SP
Fórum de Mudanças Climáticas e Justiça Socioambiental
IBASE – RJ
Instituto Socioambiental (ISA)
Instituto Terramar – CE
Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB)
Observatório dos Territórios Saudáveis e Sustáveis da Bocaina (OTSS) – RJ
Rede Global Diálogos em Humanidades – Brasil
Rede Jubileu Sul – Brasil
SPM/SP
Central de Movimentos Populares de Rondônia (CMP/RO)
ARCA/GO
Comissão Pastoral da Terra (CPT)
Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA)
Instituto Madeira Vivo (IMV) – RO
Movimento Tapajós Vivo – PA
Frente por uma Nova política Energética para o Brasil
Rede Florestal Caatinga – PB
Revolusolar – RJ
Comitê de Energia Renovável do Semiárido (CERSA) – RN
Mandato Flávio Serafini/ALERJ
Mandato Renato Cinco/CMRJ
Projeto Tapajós Solar – PA
FCT / OTSS – Fórum de Comunidades Tradicionais Angra/Paraty/Ubatuba
Instituto PACS/RJ
Coletivo de Mulheres – CUT/RO
Koinonia – RJ
Comunidades agroecológicas do bem viver – DF
SARES – AM
Coordenação Nacional das Comunidades Negras Rurais Quilombolas – CONAQ
SPM – PB
Projeto Rios/SC
GEN Education – Global Ecovillage Network
Marcha Mundial das Mulheres
Fórum Alternativo Mundial das Águas (FAMA) – DF
Revolusolar/RJ
Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB)
Movimento dos Trabalhadores do Campo (MTC) – TO
Articulação Antinuclear Brasileira /AAB – BA

segunda-feira, 11 de novembro de 2019

CARTA PÚBLICA DO FÓRUM MCJS: CHEGA DE DESTRUIÇÃO E MORTE!


GRITAR COM INDIGNAÇÃO E ESPERANÇA:
JUNTOS COM OS POBRES E A TERRA

CARTA DO

FÓRUM MUDANÇAS CLIMÁTICAS E JUSTIÇA SOCIOAMBIENTAL – FMCJS

2019

Nós, participantes do Seminário Nacional do Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Socioambiental, realizado em Brasília nos dias 5 a 8 de novembro de 2019 em momento de profunda aflição dos povos do Brasil e da América Latina, refletimos sobre as causas deste sofrimento e anunciamos ações práticas que são portadoras de criatividade, solidariedade e esperança.

O governo empossado em janeiro já nasceu ultrapassado. Sua opção pelo autoritarismo político, fundamentalismo ideológico, obscurantismo cultural e neoliberalismo econômico está desmontando o Estado social. Privatizações do patrimônio público, reformas que agravam e empobrecem a vida da classe trabalhadora, violando os seus direitos duramente conquistados, a conversão dos biomas e dos seus ecossistemas em zonas de sacrifício ao deus mercado, a entrega dos bens naturais do país à ganância dos grupos transnacionais, são fatos que debilitam ou anulam o preceito constitucional da soberania nacional e o sonho de uma sociedade do Bem Viver para todos os seres. 

O colapso climático já começou. É uma situação de emergência, cujos efeitos mais perigosos só poderão ser evitados se o aquecimento global for contido em 1,5°C acima do início da era industrial. Só será possível respeitar esse limite de temperatura média global se o desmatamento for estancado imediatamente e, principalmente, se 90% dos combustíveis fósseis (petróleo, gás e carvão) permanecerem no subsolo. As petroleiras, mineradoras, madeireiras e o agro-hidronegócio seguem ampliando seu rastro de devastação. As elites exportadoras desapropriam bens públicos em benefício privado, colaborando na desindustrialização e desnacionalização da economia, acorrentando-a aos interesses dos países industrializados. O grande capital acena com falsas soluções influindo negativamente na formulação de políticas dos governos nacionais e da própria ONU; ou, pior ainda, embarca sem rodeios no negacionismo climático, no ecocídio, na xenofobia e no etnogenocídio.

Sintonizados com a lógica da ganância e lucro fácil, Trump anunciou a retirada dos EUA do já insuficiente Acordo de Paris, e Bolsonaro, seu aliado, impõe uma devastadora agenda antiambiental. Com o desmonte da política indigenista, ambiental e climática, queimadas e incêndios criminosos a serviço da agropecuária de exportação se espalham não apenas na Floresta Amazônica, mas em todos os biomas; a mineração segue com suas práticas criminosas, mesmo após Mariana e Brumadinho; e o ocupante da presidência quer levá-la para dentro das terras indígenas. O litoral do Nordeste segue sendo atingido por um vazamento de petróleo devastador, agravando uma dívida social e ecológica de proporções gigantescas, sem que o governo acione o plano de enfrentamento a desastres.

Criticamos também as falsas soluções climáticas que parecem crer que a tecnologia e o dinheiro resolvem qualquer problema. É o caso da comercialização do carbono e das usinas hidroelétricas, termoelétricas e nucleares, promovidas pelos Estados e grandes empresas. A financeirização torna a degradação ambiental uma fonte de lucros, impondo projetos só aparentemente ecológicos, como os grandes parques eólicos e solares. Defendemos uma economia de baixa demanda energética, e soluções descentralizadas de mitigação e adaptação ao aquecimento global, apoiando-as nas comunidades locais - ruas, bairros, aldeias, - nas bacias hidrográficas e nos ecossistemas.

No campo, nas florestas, nos mares e nas cidades, em todos os biomas brasileiros, a sociedade civil organizada vem construindo práticas emancipadoras que solucionariam o caos climático. O FMCJS congrega diversas iniciativas que buscam “mudar o sistema e não o clima” e fazem um trabalho sistemático de formação e comunicação popular sobre alternativas em campos como conversão da matriz energética e incidência nas agências de governo para conter a mudança climática, tais como as campanhas “nem um poço a mais, áreas livres de petróleo”, “terra sim, barragem não: água e energia não são mercadoria”, “nuclear não!” e a articulação “territórios livres de mineração”. São ações mobilizadoras visando a integração de todos os seres, a democratização do poder e do saber, da terra, das riquezas, da energia, do conhecimento; multiplicação de comunidades autogestionárias, cuidado com a água, desaceleração da vida, participação popular, redução do consumo, reaproveitamento dos produtos, coletivização dos transportes, segurança e soberania alimentar, defesa dos bens comuns e do Bem Viver.

O FMCJS compartilha com os povos amazônicos a alegria da iniciativa vitoriosa do Papa Francisco. Ricos relatos sobre o Sínodo da Amazônia revelaram o extraordinário compromisso do Papa com os oprimidos da Terra e com a Natureza. O Sínodo foi um marco histórico, planetário e universal pelo reconhecimento do direito dos povos da Floresta e de todos os seres à vida digna e plena. O Sínodo trouxe a presença dos Mártires da Amazônia como exemplos e testemunhos da vida plena e fez a crítica ao modo de desenvolvimento predatório e ecocida, que reduz o desenvolvimento social e humano a mero crescimento econômico, mercantiliza, explora e destrói a Natureza, a biodiversidade, os bens comuns e os povos indígenas, guardiões da vida da Floresta. Em contraste, propõe respeito à pluralidade das culturas aos princípios da autodeterminação; demarcação dos territórios indígenas e quilombolas; e consulta prévia sobre projetos que envolvam as terras indígenas e comunidades tradicionais, o respeito aos povos indígenas livres (isolados) e o reconhecimento jurídico dos direitos da Natureza.

Nosso grito é em defesa da vida dos povos, das águas, da terra e das florestas, das populações urbanas vulnerabilizadas e imigrantes, que têm suas vozes silenciadas pela política que oprime e reprime, pela falta de educação libertadora, de atendimento médico humanizado, de alimentos diários. Gritamos com as mulheres silenciadas pelo feminicídio, com as mães que perdem seus filhos em consequência de uma política racista e homofóbica.

Gritamos pela democratização dos direitos, pelo respeito à diversidade, a demarcação das terras dos povos tradicionais, o reconhecimento jurídico dos direitos da Natureza, a ecologia integral, o desenvolvimento de uma nova economia de base comunitária, orientada para o Bem Viver autogestionário e solidário das pessoas e comunidades em seus territórios. Gritamos com a natureza, com o clima, com as oprimidas e oprimidos: 

Chega de destruição e morte!

Entidades presentes no Seminário Nacional:
Articulação Antinuclear Brasileira
ARCA/GO
ASA Brasil
Associação de Favelas de S. José dos Campos
Associação de Moradores de Nazaré/RO
Caritas Diocesana de Palmeira dos Índios
Caritas Brasileira
Ceará no Clima
Centro Burnier
Comitê de Energias Renováveis do semiárido
Central dos Movimentos Populares/RO
Comissão Pastoral da Terra
FASE
Fórum Ceará no Clima
Fórum Piauiense de Convivência com o Semiárido
Frente por uma Nova Política Energética para o Brasil
IBASE
Instituto Madeira Vivo
Instituto PACS
International   Rivers
KOINONIA- Presença Ecumênica e Serviço
Movimento de Atingidos por Barragens
Movimento dos Pequenos Agricultores
Movimento dos trabalhadores do campo
Movimento Tapajós Vivo
CUT/RO
Pastoral Universitária de RR
Rede Jubileu Sul Brasil
Rede Eclesial Panamazônica
Serviço  Arquidiocesano em Rede/RN
Serviço Amazônico de Ação, reflexão e educação socioambiental
Serviço Pastoral dos Migrantes
Um dia para o Planeta