terça-feira, 20 de setembro de 2016

REBELIÃO NA INGLATERRA: PISTA PARA O BRASIL?



Uma rebelião na Inglaterra

Como Jeremy Corbyn, líder do Partido Trabalhista, está desafiando a mídia, as estruturas do velho Labour e o bom-mocismo para demonstrar que, em tempos de crise da política, a radicalidade é bem-vinda
Por Antonio Martins
[Leia a seguir a versão textual do comentário]
No próximo sábado, dia 24, o Partido Trabalhista britânico fará uma nova eleição de seu líder. Todos os prognósticos indicam a vitória do rebelde Jeremy Corbin, atual ocupante do postos. Ele despontou há um ano embora não seja jovem (tem 67 anos), nem novato na política (tem sido eleito, desde 1982, para a Câmara dos Comuns).
Corbyn emergiu por desafiar a liderança acomodada e imponte do partido, que havia abandonado toda a velha tradição de luta por igualdade e direitos para as maiorias. Sustentou posições muito renovadoras. Provocou, em poucos meses, uma reviravolta na política britânica, obrigando os conservadores, no governo a recuar de algumas posições. É atacado diariamente pela mídia – inclusive pelo The Guardian, que muitas vezes tenta mostrar-se à esquerda.
Em 28 de Junho, Corbyn foi questionado por um voto de desconfiança emitido pela grande maioria de parlamentares de seu partido, interessados numa volta ao antigo status quo. Recusou-se a uma renúncia honrosa, que lhe foi proposta. Recorreu às bases do partido, que, tudo indica, reafirmarão seu mandato sábado. Vamos buscar compreender o que isso significa – também para o Brasil – num momento em que é preciso reinventar a própria esquerda.
Em 28 de Junho, Corbyn foi questionado por um voto de desconfiança emitido pela grande maioria de parlamentares de seu partido, interessados numa volta ao antigo status quo. Recusou-se a uma renúncia honrosa, que lhe foi proposta. Recorreu às bases do partido, que, tudo indica, reafirmarão seu mandato sábado. Vamos buscar compreender o que isso significa – também para o Brasil – num momento em que é preciso reinventar a própria esquerda.
* * *
A história do Partido Trabalhista Britânico – o Labour – é importante por acompanhar as principais tendências políticas do Ocidente, a partir da segunda metade do século XX. Fundado nos anos 1890, o trabalhismo participou de alguns governos fugazes, antes da II Guerra. Mas foi apenas depois do conflito que exerceu o poder de forma estável.
Eram o que Eric Hobsbawn chamou de “anos gloriosos”. A hegemonia capitalista não chegou a ser ameaçada. Mas a existência da União Soviética, ainda que burocratizada, obrigava as classes dominantes a oferecer importantes concessões aos trabalhadores. O Labour soube tirar proveito desta brecha. Governou por dois períodos emblemáticos.
Entre 1945 e 51, o primeiro-ministro Clement Atlee estabeleceu uma política de “bem estar social do berço ao túmulo”. Assegurou Edução pública excelente para todos e criou o Sistema Nacional de Saúde, também público. Nacionalizou as ferrovias, a energia, as siderúrgias, as minas de carvão e o Banco da Inglaterra. Aceitou a independência da Índia e do Paquistão, desconstruindo o Império Britânico. Estas conquistas haviam criado consenso e foram mantidas mesmos quando os conservadores retomaram o poder, em 1951.
Já entre 1964 e 1970 e entre 1974 e 79, quando volta ao governo, o Labour estabelece o direito ao aborto, descriminaliza a homossexualidade e cria a Universidade Aberta. Mas aos poucos, a crise da social-democracia também o atinge. São tempos de estagnação econômica e de falta de criatividade política. Diante de défictis públicos e inflação crescentes, os trabalhistas – que tinha nos sindicatos sua principal base de apoio – arrocham salários.
Vivem uma série de conflitos internos que desembocará numa derrota eleitoral acachapante, em 1979. Quem os derrota é Margareth Thatcher, que liderará, tanto na Inglaterra quanto em todo o mundo, a contra-revolução neoliberal. Ao contrário do que ocorrera antes, todas as conquistas da era trabalhistas serão colocadas em xeque.
A tragédia do partido amplia-se, paradoxalmente, quando ele volta ao poder em 1997. Sob a liderança de Tony Blair, e sob a égido do “Novo Trabalhismo”, já está acomodado à nova ordem. Introduz reformas de mercado na Saúde e Educação. Impõe a cobrança de mensalidades nas universidade públicas. Ataca benefícios do Estado de bem-estar social. E pior: subordina-se, no plano geopolítico à política de guerra total de George W. Bush, presidente dos EUA, que começa com a invasão do Iraque. No plano local, isso refletirá em mais vigilância, ampliação dos poderes da polícia e restrições ao direito de manifestação. Em 2010, os trabalhistas perdem o governo. Em 2015, já sem poder e sem identidade, sofrem uma estrondosa derrota nas eleições gerais. O líder do partido, Ed Miliband, é forçado a reunciar.
* * *
É neste contexto desolador que emerge a figura de Jeremy Corbyn. Quando ele lança sua candidatura à sucessão de Miliband, o fato é tratado como piada. Durante os anos decadentes de Novo Trabalhismo, Corbyn havia desafiado incessantemente a liderança do partido, votando 428 vezes contra sua orientação. Destacou-se, em especial pela oposição às guerras do Afeganistão e Iraque e, mesmo no partido do governo, ajudou a formar e liderou a coalização de movimentos sociais chamada Stop The War.
O próprio registro de Corbyn, na primeira candidatura à liderança trabalhista é obtido numa espécie de favor, por parlamentares que veem sua pretensão como quixotesca, porém simpática. Tudo muda, no entanto, em dois meses de campanha. As propostas radicais do pretendente rebelde mobilizam os membros do Partido Trabalhista. Em setembro, disputando contra três outros postulantes, todos solidamente ancorados na burocracia do partido, Corbyn obtém uma vitória esmagadora – 59,5% dos votos.
Eleito líder, ele não muda de discurso. Propõe ao Partido Trabalhista um programa de revisão radical das políticas neoliberais. Quer o fim das mal-chamadas políticas de “austeridade” – que cortam direitos sociais para manter os privilégios da oligarquia financeira. Defende a renacionalização dos serviços públicos e das ferrovias. Inova. Quando lhe perguntam de onde tirar dinheiro para isso, lembra que a Grã-Bretanha emitiu centenas de bilhões de libras para salvar os bancos, numa política conhecida comoquantitive easing. E pergunta: por que não um quantitative easing social, que injete recursos em infra-estrutura e garantia de direitos?
No plano mundial, rejeita a ideia de envolvimento da Grã-Bretanha nos bombardeios comandados por Washington na Síria. E, heresia suprema, opõe-se ao programa nuclear britânico, honrando sua história de ativista antiguerra e antinuclear.
Estas políticas, totalmente heréticas em face dos dogmas neoliberais, atraem a ira dos jornais. O público identifica o viés. Numa pesquisa recente, 51% dos britânicos disseram acreditar que os jornais e TVs distorcem deliberadamente o noticiário contra Corbyn, conta apenas 29% que não creem nisso.
Ao menos uma parte do eleitorado, porém, já não se deixa influenciar pela mídia. Sob a liderança de Corbyn, o número de membros do Partido Trabalhista dispara. Como mostra o gráfico. Em um ano, e depois de um longo declínio, a militância é o dobro do que era antes. Os novos ativistas são quase todos jovens, antes afastados da política institucional. O fenômeno sugere: a crise da representação é tão vasta que as sociedades tendem a buscar qualquer brecha que sirva para reconstituir a utopia – ainda que nos velhos partidos.
Mas as velhas estruturas não se sensibilizam nem diante de números tão eloquentes. Em 28 de junho, depois de várias tentativas anteriores, os parlamentares do Partido Trabalhista – em sua grande maioria defensores do “Novo Trabalhismo” de Tony Blair – decidem, por 172 votos a 40 proclamar um “voto de desconfiança” contra Jeremy Corbyn. Queriam que ele defendesse com entusiasmo a permanência da Grã-Bretanha na União Europeia – que foi rejeitada pelo eleitorado.
Mídia e parlamentares esperam de Corbyn o afastamento voluntário da liderança. Ele reage convocando os eleitores a se manifestar diante do parlamento. Depois, diz: “só sairei se derrotado pelo voto”.
* * *
Na Inglaterra, ao contrário do Brasil, não são os parlamentares, mas o conjunto de militantes dos partidos que escolhe, diretamente, o líder da bancada. As eleições novas eleições, provocadas pelo desafio a Corbyn, serão sábado. Há, agora, um único oponente: Owen Smith, também membro da Câmara dos Comuns. No último fim de semana, até mesmo The Guardian parecia entregar os pontos e reconhecer que não será possível afastar o líder rebelde.
A velha mídia brasileira, tão incapaz de informar sobre grandes temas internacionais, parece ainda mais silenciosa neste episódio. Há razões para isso. Os jornais e TVs tupiniquins estão empenhados em demonstrar que o programa de contra-reformas de Michel Temer é inevitável, apesar de doloroso. O fenômeno Corbyn sugere o contrário: todas as saídas dependem de decisões e vontade política.
É como se, no Brasil, Dilma Roussef tivesse convocado a sociedade após as eleições para dizer que, em vez do “ajuste fiscal”, estava disposta a enfrentar a crise obrigando os ricos a pagar impostos, iniciando uma Reforma Política capaz de dar voz ativa à cidadania, quebrando o oligopólio da mídia, defendendo as terras indígenas, ampliando as relações com os BRICS, fazendo a reforma agrária.
Ainda mais importante: a rebeldia de Corbyn demonstra que a crise da velha política não é um beco sem saída. Será possível esperar algo semelhante no Brasil? Haverá, nos partidos de esquerda, gente disposta a abandonar o pragmatismo estéril das concessões sem horizontes? O que ocorre na Inglaterra – e ocorreu, em menor medida, nos Estados Unidos, com Bernie Sanders, mostra que há espaço para tanto. Só não se sabe é se haverá vontade política.

HIDRELÉTRICA BALBINA NO PAÍS DA IMPUNIDADE

O ARTIGO QUE PUBLICO É UMA RESPOSTA AOS QUE PUBLICARAM NO JORNAL VALOR ECONÔMICO QUE O POVO WAIMIRI-ATROARI SERIA UMA DEMONSTRAÇÃO DE QUE A CONSTRUÇÃO DE HIDRELÉTRICAS NÃO PREJUDICARIA OS POVOS INDÍGENAS. VEJAM A HISTÓRIA REAL DA HIDRELÉTRICA DE BALBINA E DE COMO A ELETRONORTE PARTICIPOU DO GENOCÍDIO DESTE POVO, E COMO AINDA HOJE É MANTIDO EM ISOLAMENTO PARA QUE NÃO CONTE O QUE ACONTECEU COM ELE.

                                                        Balbina no País da Impunidade
Sob o título “IGNORÂNCIA OU MÁ FÉ SOBRE AS HIDRELÉTRICAS EM TERRAS INDÍGENAS”, Claudio Sales e Alexandre Uhlig, em o Valor Econômico defendem a continuação de projetos hidrelétricos em áreas indígenas da Amazônia, exaltando seus benefícios para as populações amazônicas “(incluindo a indígena)”. Para comprovar suas afirmações os autores sugerem “uma analise serena sobre experiências passadas que desmontam o argumento segundo o qual hidrelétricas seriam uma ameaça a populações indígenas”. Eles se atem à experiência de Balbina como “exemplo documentado” da ação da Eletronorte em beneficio do povo indígena atingido pelo empreendimento energético implantado.
Em resposta vou ater-me também à questão Waimiri-Atroari, povo com quem convivi com a família durante um ano e meio e venho acompanhando desde os anos 60 pelo noticiário e desde 1980 diretamente morando em seu território tradicional.
Em primeiro lugar alguns esclarecimentos para os articulistas:
1.    O povo indígena Waimiri-Atroari não habitava “parte da área do reservatório da hidrelétrica de Balbina”, mas toda a área do reservatório.
2.    A primeira providência do programa Waimiri-Atroari-PWA, da Eletronorte foi a transferência das duas aldeias Taquari e Topupuna, atingidas pelo lago e não a “demarcação da terra indígena”.
3.    Omitem os dados do levantamento da Universidade de Brasília, de 1983, quando o povo W-A chegou ao seu número mais baixo, 332. Quando o Programa foi criado já estavam em franco crescimento, como prova o número dos 374.
4.    A interferência da FUNAI e dos empresários do setor energético e mineral interrompeu um programa abrangente cuidadosamente elaborado por um Grupo de Trabalho-GT constituído pelo primeiro presidente da Funai após os 20 anos de Ditadura.
 “Uma análise serena inclui um olhar sobre experiências passadas que desmontam o argumento segundo o qual hidrelétricas seriam uma ameaça a populações indígenas.” Vou mostrar que a verdade se encontra colocando esta frase do artigo de “Valor Economico” ao contrário.
Um olhar sobre a experiência passada do povo indígena Waimiri-Atroari, demonstra como são prejudiciais as hidrelétricas na Amazônia para os povos indígenas e populações não indígenas.
Os trabalhos de Balbina iniciaram nos anos 60 sob a direção da Empresa Eletronorte e perpassaram os anos 70 e não apenas os 80, como, por astúcia, os autores do artigo em Valor Econômico-VE escreve.
 Este projeto energético teve ativa participação no genocídio do povo Waimiri-Atroari. Quando começaram os estudos sobre as possibilidades da construção de Balbina, em 1968, a população do povo Waimiri-Atroari era estimada em 3.000 pessoas, (vejam Calleri 1968 e FUNAI 1972).
Havia então pelo menos 8 aldeias na área do reservatório de Balbina, 6 delas citadas em documento da FUNAI de 1972: as malocas “dos capitães Canori, Coroinha, Abonari, Tomaz, Manoel e Pedro e outras aldeias arredias”. No alto Abonari havia duas aldeias, Taquari e Topupuná, cuja existência a Eletronorte ainda negava em meados dos anos 80.
Por volta de 1973 começou uma pressão contra o livre trânsito entre as aldeias do Alto e do Baixo Abonari e do Uatumã (área do reservatório). Denúncias da época falam até de grade colocada pelos militares sob a ponte do Abonari, na BR-174, impedindo a passagem dos índios em suas canoas. É evidente que se tratava de forçar as aldeias a abandonarem o seu habitat da área do lago. Como os índios teimaram em desocupar esta e outras áreas, durante o ano de 1974, sumiram aldeias em todo o território Waimiri-Atroari. Segundo os índios Atroari da margem direita do Alalaú nos informaram, as aldeias foram bombardeadas por produto “igual pó” jogado “kawune=do alto”. Entre elas sumiram 9 aldeias na Região da mina do Pitinga, onde se instalou a mineração Taboca e as 6 aldeias supracitadas do Baixo Abonari, área do lago de Balbina.
Quando os índios do Norte contavam as cenas de violência sofridas por eles na região do Alalaú, durante a travessia da Br-174, incluindo bombardeios aéreos, frequentes vezes, concluíam dizendo que a violência sofrida pelos irmãos do Axia (Ig. Abonari) foi ainda pior. Citavam, nominalmente, parentes casados com Waimiri, mortos lá. “Foi avião que matou o pessoal do Axia” – concluíam. “Lá o massacre aconteceu no final da festa, quando os índios ainda não se haviam dispersado.” “No Camanaú desceram de helicóptero e mataram muita gente com espingarda. Agora tem pouca gente”. Tenho certeza que os dirigentes da Eletronorte da época e o atual coordenador do PWA da empresa Eletrobrás, sabem muito mais do que eu sobre a violência sofrida então pelos Waimiri-Atroari durante os anos 70, para “limpar” a área do futuro lago. Cadê a “documentação e registro da memória dos Waimiri-Atroari”, da Eletronorte, do PWA e alardeado pelo VE.? Cadê o registro dos Waimiri-Atroari, mortos no Massacre do Alalaú II, em novembro de 1974, onde morreram funcionários da FUNAI, cujos cadáveres foram recolhidos pelo hoje funcionário da Eletrobrás, José Porfirio de Carvalho, há quase 30 anos coordenador do PWA. Autor do livro: “Waimiri-Atroari, a Historia que ainda não foi contada”, Carvalho conta o massacre da expedição do Pe. Calleri e dos funcionários da FUNAI, mortos pelos Waimiri-Atroari, mas não cita um nome de índio morto ou sumido pelos invasores: os militares, a FUNAI, Mineradora Paranapanema e Eletronorte.
Das aldeias do Baixo Abonari e do Uatumã, não restou uma só. Restaram duas no Alto Abonari, negadas pela Eletronorte, até que por pressão internacional, foi forçada em 1987 a reconhece-las. E a primeira ação do Programa Waimiri-Atroari-PWA foi a transferência, às pressas, dessas duas aldeias,(e não foi a demarcação da reserva, “(primeira providência do programa), como mentem astutamente, os autores do artigo do VE. Uma ação fora da lei, porque até hoje não foram indenizados como manda a Carta Magna e a OIT.
Esta interferência do Estado através do Exército e da FUNAI em função dos interesses empresariais (Balbina e mineração) levou o povo Waimiri-Atroari à ruina, ao caos. À uma depopulação drástica. Em apenas 10 anos dos 3.000 em 1972, restaram apenas 332 em 1983.
Na virada da Ditadura um conhecedor da situação Waimiri-Atroari, Ezequias Heringer, foi chamado pelo presidente da FUNAI, onde ocupou um cargo importante. De imediato propôs iniciar mudanças profundas na política do órgão. E começou pela situação aflitiva dos Waimiri-Atroari. Criou um Grupo de Estudos e Trabalho-GET, integrado por várias entidades e experts na questão para fazerem um levantamento da situação e proporem um novo programa de atividades. Sem preconceitos, além das pessoas da FUNAI, incluiu no GET índios Waimiri-Atroari, professores de universidade, integrantes da Operação Anchieta-OPAN e do CIMI. Após meio ano de atividades na área, em reunião realizada na aldeia Yawará, o GET apresentou uma proposta abrangente. E os índios, por sua vez, apresentaram a sua urgência maior: um programa de alfabetização. Ate então a FUNAI em seus quase 20 anos de presença não tinha nenhum plano neste sentido. Pior, não conseguiu reunir um vocabulário mínimo da língua desse povo. Seus chefes eram tratados por apelidos dados pelos funcionários. Sequer a autodenominação do povo era conhecida. A proposta do GET incluía além da alfabetização, acompanhamento na saúde, na economia, com pesquisa antropológica, linguística e deter os interesses que já haviam iniciado o saque do território indígena. O trabalho começou imediatamente, iniciando pela solicitação dos índios: a alfabetização que se valeu do método Paulo Freire, mundialmente reconhecido.
Houve desde o inicio um rigoroso acompanhamento de especialistas da FUNAI na área que acabaram por recomendar a extensão do trabalho da Aldeia Yawará a todo o território Waimiri-Atroari. Mas, sem demora, os empresários, já empenhados no saque dos recursos da reserva, e o recém-empossado Presidente da Funai, Romero Jucá, conhecido pelego das mineradoras, não aguentaram a mudança. Covardemente expulsaram todos os membros do GET atuantes na área e transferiram ao arrepio da lei, a política indigenista dos Waimiri-Atroari ao comando da empresa Eletronorte. Todo o programa elaborado e em execução pelo GET, foi desmontado.
Ficou evidente que o investimento na construção da BR-174 e o genocídio dos índios Waimiri-Atroari visava o saque das riquezas naturais da região e não o beneficio do povo amazonense e local. O objetivo era a instalação de Balbina e o saque do Minério. Por iniciativa do Banco Mundial, foram transferidos recursos nunca vistos em qualquer área indígena do país, recursos que servem para manter os Waimiri-Atroari à margem do movimento indígena nacional e jogar areia nos olhos dos índios e da sociedade para manter ocultos os crimes do passado, isolando o povo Waimiri-Atroari das pessoas e entidades que pudessem animá-los a exigir os seus direitos frente aos saqueadores de suas riquezas e revelar a sua historia sob novos olhos e não sob a dos seus assassinos. Esta é a razão por que Valor Econômico não quer a presença de entidades que criticam os projetos energéticos.
Mediante imposição dos financiadores do projeto, o grande volume de recursos do Banco Mundial, o povo Waimiri-Atroari tem hoje uma estrutura própria e vive à margem do movimento indígena nacional e do restante da sociedade. Assim vivem impedidos de contar o genocídio que o seu povo sofreu durante a construção da BR-174, Balbina e a instalação da Mineração Taboca. Desde 1981 o minério mais cobiçado do mundo desfila pela BR-174, sem controle algum da SEFAZ.
Não seria dali que sai o suborno que paga reportagens tendenciosas e mentirosas, como esta do Instituto Acende Brasil no V. Econômico?
Sem nenhuma alusão ou critica ao seu programa, alardeia o fato do crescimento demográfico da população Waimiri-Atroari, como grande feito e resultado da politica empresarial, procurando esconder outros grandes problemas que vem impondo ao povo Waimiri-Atroari, como a doutrinação ou catequese econômica mediante a qual a cultura deste povo está se transformando paulatinamente em mercadoria, vendida em lojas, sob o controle da Empresa e não dos índios, nas cidades circunvizinhas, Manaus, Presidente Figueiredo e Novo Airão.
Quando propala o aumento populacional como resultado de iniciativas do PWA, esquece de referir que esta recuperação, já estava em curso quando o PWA iniciou e com um índice anual superior ao que se verificou durante a politica empresarial. Como prova pesquisa do professor Marcio Silva da USP.
Há que se referir ainda que o povo Waimiri-Atroari, talvez exatamente devido ao seu crescimento populacional recente e à morte violenta de suas principais lideranças durante o processo de instalação empresarial e da BR-174, enfrenta hoje sérios problemas de consaguinidade ou genéticos, que exigiriam mais do que qualquer outro povo, a presença de especialistas como previa o programa do GET, alijado da área pelos dirigentes do PWA da Eletronorte.
Para uma empresa acostumada a resolver tudo de cima para baixo, tudo parece muito simples quando se tem milhões de dólares para gastar. De fato, o primeiro problema que estes empresários resolveram com o dinheiro, foi isolar os Waimiri-Atroari do movimento indígena nacional e afastar as “indesejáveis” ONGs. Após a retirada dos membros do GET, nenhuma revelação sobre sua historia recente aconteceu. Todo o professor, funcionário ou jornalista que ouse se aproximar desse povo com a criatividade que sua profissão exige esbarra com os dirigentes do PWA. Assim o povo WA vive hoje uma situação de isolamento. Isolamento que chega ao ridículo. Na semana passada o meu filho Luiz, passando pela Reserva na BR-174, encontrou dois Waimiri-Atroari na saída da reserva, no Jundiá. Um deles  dizia-se funcionário do PWA. Ofereceu um exemplar do livro: A DITADURA MILITAR E O GENOCIDIO DO POVO WAIMIRI-ATROARI, de autoria do Comitê pela Memoria, Verdade e Justiça do Amazonas, cujo primeiro capitulo é fruto da primeira experiência de alfabetização vivida por eles. Embora ambos se mostrassem muito interessados no livro disseram que não podiam recebe-lo porque os dirigentes do PWA não o permitiam.
Com receio de que os Waimiri-Atroari se conscientizassem e que a sociedade brasileira tome conhecimento do que aconteceu a esse povo durante o planejamento e construção de Balbina, da BR-174 e da instalação da Mineração Taboca, os responsáveis por estes empreendimentos até hoje fazem questão de “cuidar” desses índios, mantendo-os afastados de entidades e organizações que possam conscientizá-los sobre os seus direitos constitucionais quanto à exploração de energia e minérios no município e na reserva indígena. A ânsia desses empresários de se afirmarem como os únicos a “cuidar” bem desse povo, mantendo até a FUNAI afastada, visa evitar que a sociedade tenha acesso à História dos Waimiri-Atroari, onde houve participação direta de suas empresas nos crimes de ontem e de hoje.
Toda a vez que o Governo cria um grande projeto na Amazônia em terras indígenas, o índio é visto como “empecilho” e como tal, afastado do caminho. E a FUNAI sempre colaborou nesta ação do Governo. Da BR-174, Mineração Taboca e hidrelétrica de Balbina em terras Waimiri-Atroari, aos tempos de Belo Monte em terras Kayapó, e hoje das tentativas de construção de mais um desses Monumentos a Insanidade Humana, em São Luiz do Tapajós, a atitude dos empresários não mudou e jamais mudará.

Casa da Cultura do Urubuí/Amazonas, 20 de setembro de 2016,

Egydio Schwade


segunda-feira, 19 de setembro de 2016

SAMARCO: QUANDO ACABARÁ E IRRESPONSABILIDADE CRIMINOSA?

Com a chegada das chuvas em outubro, aumenta em muito os riscos de rompimento do reservatório da Usina de Candongas.
No último final de semana a defesa civil promoveu treinamento para os moradores de Santa do Deserto, para caso haja rompimento. A situação é desesperadora.
Acompanhe abaixo:

#URGENTE: Moradores de distrito são treinados em caso de rompimento de usina
Usina de Candonga contém 10 milhões de m³ da lama da Samarco.Preocupação de especialistas e autoridades é início do período de chuva.
Os moradores do distrito de Santana do Deserto, na cidade de Rio Doce, na Zona da Mata de Minas Gerais, passaram por um treinamento em caso de acidente na Usina Risoleta Neves, conhecida como Candonga. Representantes do Ibama e da Defesa Civil estiveram neste sábado (17) no lugarejo para passar orientações.
A preocupação dos especialistas e autoridades é que a chegada do período chuvoso, que tradicionalmente começa em outubro, possa provocar novas tragédias.
A Usina de Candonga está localizada a cerca de 100 quilômetros de Mariana. Com o rompimento da barragem de Fundão, da mineradora Samarco, em 5 de novembro de 2015, que devastou vários distritos da cidade histórica e deixou um rastro de lama. Destes, 10 milhões de m³ de rejeitos estão contidos na hidrelétrica. A tragédia matou 19 pessoas e é considerada o maior desastre ambiental da história do Brasil.
Técnicos da Defesa Civil de Rio Doce passaram de casa em casa chamando os moradores para o treinamento. Na praça do distrito, eles apresentaram a reconhecer o som da sirene em caso de emergência.
Durante o treinamento, técnicos deram orientações sobre o que fazer em caso de rompimento da barragem de Candonga, que fica a quatro quilômetros do distrito de Santana do Deserto.
A Vale e a Cemig formam o Consórcio Candonga, que administra a usina. Há dois meses, a Samarco começou a retirar parte da lama acumulada em Candonga. O rejeito retirado está sendo lançado nas margens do reservatório. Segundo a Samarco, os trabalhos estão dentro do prazo. A previsão da mineradora é que até julho de 2017 1,3 milhão de m³ de lama sejam retirados, cerca de 10% do total acumulado no local.

MAIS VIOLÊNCIA AGRÁRIA EM RONDÔNIA

Comissão Pastoral da Terra – Secretaria Nacional 
Assessoria de Comunicação

NOTA PÚBLICA

Violência agrária em Rondônia: a luta sepulta seus mortos
É com ressentido pesar e revolta que a Comissão Pastoral da Terra (CPT) denuncia mais duas mortes no campo em Rondônia. Mortes essas anunciadas. Dessa vez as vítimas foram Isaque Dias Ferreira, 34 anos, e Edilene Mateus Porto, 32, lideranças da Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia e Amazônia Ocidental (LCP) e do Acampamento 10 de maio. Na última terça-feira, 13 de setembro, por volta das 08h00, o casal foi covardemente assassinado. O crime ocorreu próximo ao lote da família, no Acampamento 10 de maio, na região de Alto Paraíso, distante 211 km de Porto Velho (RO).

A cabeça de Isaque foi destroçada. Essa parece ser uma assinatura bastante singular quando a vítima é liderança. Atualmente, pelo menos seis lideranças da LCP tiveram a cabeça esmagada pelos executores. Será uma tentativa de destruir suas ideias e inibir a luta de outros trabalhadores?

O casal sempre estava presente nas audiências da Ouvidoria Agrária Nacional de Combate à violência no Campo, onde denunciava a grilagem de terras públicas na região e reivindicava o assentamento dos/as moradores do Acampamento 10 de maio. Muitas vezes o casal também relatou as ameaças sofridas e as constantes perseguições – tudo, porém, ficou apenas nas atas.

Somente neste ano já foram brutalmente assassinados quatro membros do Acampamento 10 de maio. No dia 24 de abril, os irmãos Nivaldo Batista Cordeiro e Jesser Batista Cordeiro foram mortos quando saiam de moto do acampamento. E agora o casal. Não se trata de simples coincidência. Corre a notícia de uma lista com nomes de integrantes da LCP a serem executados. Dos dez nomes desta lista, apenas dois ainda estão vivos, conforme relatos na região.
O imóvel rural ocupado pelos acampados é terra declaradamente pública. Trata-se de uma área desapropriada e destinada à Reforma Agrária desde 1995, conforme Ação de Desapropriação de Número 0003578-35.1994.4.01.4100 (TRF1). O Ministério Púbico Federal (MPF) mais de uma vez conseguiu suspender as liminares de reintegração de posse na área, por tratar-se de terras da União.

No ano de 2015, Rondônia despontou no cenário nacional como o estado com o maior número de mortes em conflitos no campo no país. Foram 21 pessoas assassinadas. O número mais elevado de assassinatos de camponeses e sem terra já registrado no estado desde 1985, quando a CPT começou a divulgar os registros destes fatos. O mais grave, porém, é que essa onda de violência continua. Nesses nove meses de 2016, das 47 pessoas assassinadas no campo em todo o Brasil, 16 são de Rondônia, 30% do total.
Enquanto trabalhadores e trabalhadoras pobres são assassinados, parte da mídia joga sobre eles a responsabilidade pela violência no campo no estado. A impunidade campeia solta. Nenhuma das mortes que ocorreram em 2015 e 2016 foi devidamente apurada e os culpados julgados. Tem-se conhecimento apenas da prisão dos acusados de executar um jovem acampando e pelo desaparecimento de outro. Fato ocorrido em janeiro desse ano na fazenda Tucumã.

Exigimos que o Poder Público em todas as suas esferas cumpra seu papel e que ofereça pessoal e estrutura para apurar as mortes e punir os assassinos. A terra pela qual o casal morreu lutando era pública.

O campo em Rondônia mais uma vez está manchado de sangue. A terra que produz os alimentos e sustenta a vida continua sendo palco de injustiças e mortes. Enquanto o latifúndio avança, a luta sepulta seus mortos e acolhe seus órfãos.

Porto velho, 19 de setembro de 2016.
Comissão Pastoral da Terra em Rondônia (CPT-RO)


Mais Informações:
CPT Rondônia: (69) 3224-4800
Cristiane Passos (assessoria de comunicação da CPT Nacional): (62) 4008-6406 | 9307-4305
Elvis Marques (assessoria de comunicação da CPT Nacional): (62) 4008-6414 | 9309-6781
Antônio Canuto (assessoria de comunicação da CPT Nacional): (62) 4008-6412


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Elvis Marques
Assessoria de Comunicação
Comissão Pastoral da Terra (CPT) - Secretaria Nacional
Goiânia - Goiás
(62) 4008-6414/6405 | 9 9309-6781

A VIDA AMEAÇADA NA REGIÃO SUDESTE

Ao ouvir o que está acontecendo com as pessoas e com os demais seres vivos no Seminário sobre Mudanças Climáticas na Região Sudeste do país, realizado no Rio de Janeiro nos dias 15 a 17 deste mês, os participantes ficaram muito preocupados. E não é para menos. Nada indica que tenham sido levadas a sério, pelo menos pelas autoridades públicas, as causas da crise de água em toda a região e do crime ambiental da SAMARCO no vale do Rio Doce. Da mesma forma, de nada adiantou o Acordo de Paris, da COP 21, ter reconhecido que se deve evitar que a temperatura média da Terra ultrapasse 2ºC em relação à que existia antes da revolução industrial, e que se deve fazer todo o possível para que não ultrapasse 1 grau e meio, já que a indústria do petróleo continua fazendo festa nesta região, tanto na exploração tradicional, como na do pré-sal, e mais ainda com a introdução do faturamento de rochas, o fraking.

A vida dos milhões de seres humanos e outros seres vivos desta região está em risco. Basta lembrar que todas as atividades empresariais ligadas ao sistema de produção capitalista dominante usam quantidades crescentes de água, e isso tem tudo a ver com a crise de água para beber e viver com saúde. A sistema do agronegócio é consumidor inveterado de água, para a irrigação e para a criação de bois, pois sem muita água as sementes não vingam nem os bois engordam; e para completar, os eucaliptos vão secando córregos e rios. A produção de energia é feita com a transformação dos rios em canais de interligação de barragens, ou com o consumo de muita água em termelétricas e usinas nucleares, e ao aplicar o fraking, são necessários 30 milhões de litros para cada poço de extração do gás de xisto.

A teimosia das grandes empresas e dos governantes de continuar com esse sistema de produção não passa de cegueira e surdez, já que ele gera lucros para poucos e pobreza para a maioria, e explora e contamina a natureza. Só mesmo os empresários e os políticos que fazem o jogo deles não querem reconhecer o crime contra todas as formas de vida cometido pelas empresas donas da Samarco. O Rio Doce e afluentes estão mortos, e mortos estão os seres vivos das águas e das margens, e muitas pessoas estão morrendo ao beber águas envenenadas.

Quem luta pela vida precisa apoiar e participar da geração de formas alternativas de produzir e de consumir o que precisamos para viver.

           Ivo Poletto, do Fórum MCJS


[vejam Programa de Rádio com este conteúdo em www.fmclimaticas.org.br ]

PROPAGANDA ENGANOSA EM FAVOR DOS "NEGÓCIOS DO VENTO"

VEJAM COMO É IMPORTANTE TER INFORMAÇÃO SEGURA SOBRE ENERGIA PARA NÃO SER ENGANADO PELO MARKETING DAS EMPRESAS, QUE AMAM A ENERGIA APENAS COMO UMA MERCADORIA QUALQUER, UMA FONTE DE LUCROS E PODER. DE MODO EM RELAÇÃO À ENERGIA EÓLICA E SOLAR, POIS O QUE AS EMPRESAS QUEREM É ENERGIA CENTRALIZADA, COM GRANDES PARQUES EÓLICOS E FAZENDAS SOLARES, ENQUANTO A MELHOR FORMA DE UTILIZAR ESTAS FONTES É A DA ENERGIA DESCENTRALIZADA, MAIS PRÓXIMA DO LOCAL DE CONSUMO. É POR ISSO QUE OS TELHADOS SÃO A MELHOR BASE PARA A PRODUÇÃO DA ENERGIA SOLAR, E A ENERGIA EÓLICA PODE SER SEU COMPLEMENTO COM USO DE AEROGERADORES MÉDIOS, QUE NÃO CAUSAM CONFLITOS E DESASTRES SOCIOAMBIENTAIS.

A propaganda enganosa como estratégia dos “negócios do vento”


Heitor Scalambrini Costa
Professor aposentado da Universidade Federal de Pernambuco

Toda minha vida profissional foi em defesa intransigente das fontes renováveis de energia, particularmente da energia solar e eólica. Defendia e defendo o modelo de implantação descentralizado (geração próxima do local de consumo) por entender que esta concepção de geração é a que menos afeta o meio ambiente e as pessoas.

Todavia em nosso país temos constatado que nos “negócios do vento”, dentro da lógica mercantil, onde a energia é uma mera mercadoria, a geração tem ocorrido em larga escala com parques eólicos contendo centenas de máquinas eólicas, e por conseguinte grandes superfícies de terras ocupadas. As áreas escolhidas são aquelas cujos ventos são mais fortes, locais de altitude ou em áreas costeiras.

O Nordeste brasileiro concentra 80% de toda geração eólica no país, e o bioma Caatinga e as áreas costeiras são as mais impactadas. O que significa que populações ribeirinhas (pescadores e catadores de mariscos) e agricultores familiares, posseiros, sofrem as consequências das instalações em larga escala, muitas vezes privados de seu modo de vida, além da destruição ambiental provocada pela implantação em larga escala dos aerogeradores.

O que lamentavelmente não é dito pela propaganda enganosa é que NÃO existe energia limpa e de baixo custo. Energia eólica, como qualquer outra fonte energética,  provoca danos socioambientais. E que o preço cobrado por MWh produzido por esta fonte energética não leva em conta os custos socioambientais provocados.

O modelo “ofertista” de energia, tendo à frente como principal incentivador  a Empresa de Planejamento Energético (EPE), alardeia a necessidade de construção de mais e mais usinas geradoras de energia para atender a demanda do país. É neste caminho que “surfam” os negócios do vento. Hoje o setor de “marketing” deste setor, aliado a grandes grupos empresariais do setor de comunicação, constitui um poderoso e eficaz instrumento inibidor do debate transparente da questão energética no país, inclusive sobre as opções adotadas.

Um exemplo desta aliança empresarial (mídia-empresas do vento)  é claramente percebida nas matérias do Jornal do Commercio de Pernambuco. Os textos difundidos a respeito da energia eólica estão muito longe de serem matérias jornalísticas. São na verdade informes publicitários de empresas ligadas aos “negócios do vento”. São alardeadas para o público leitor informações deturpadas, tendenciosas e unilaterais.

Nem uma palavra é dada aos moradores do entorno dos parques eólicos, às entidades ambientalistas, aos sindicatos de trabalhadores rurais, a estudiosos do tema. Nem mesmo à igreja, que tem denunciado o que se tornou lugar comum como consequência social da implantação dos parques eólicos: a existência dos chamados “filhos do vento”.

O que se verifica de fato é a atuação do poder econômico sobre a informação. Aliança que “empobrece” o jornalismo pernambucano/brasileiro. Que transforma jornalistas em meros reprodutores de releases das empresas interessadas em veicular sua própria “verdade”. E assim manipular a opinião pública.

Existe neste jornalismo uma transgressão da ética, nenhum compromisso com a autenticidade dos fatos, abrindo mão de qualquer abordagem de informar mostrando as “duas faces da moeda”.

Energia e meio ambiente são temas da maior importância na discussão mundial sobre  o aquecimento global. O momento vivido das mudanças climáticas e seus graves efeitos ao povo do semiárido merecem tratamento com mais seriedade e imparcialidade. E não somente como “negócios”.

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

A RELATIVIZAÇÃO DA GRANDE MÍDIA

Roberto Malvezzi (Gogó)
Tempos atrás, quando éramos agredidos pela grande mídia, tínhamos que cobrar na justiça uma resposta no mesmo espaço, do mesmo tamanho, com um conteúdo sem retoques por parte dos editores. Claro, conseguíamos um direito de resposta em um bilhão.
Hoje a grande mídia critica e é criticada, opina e é opinada, ataca e é atacada. Melhor, praticamente em tempo real, através dos meios que a internet nos disponibilizou.
Enfim, chegamos efetivamente ao direito da livre opinião, da livre expressão, mesmo com todos os problemas que atravessam esse direito na internet. Se primeiro havia um emissor e um receptor, hoje todos somos receptores e podemos ser emissores. Basta querer. Os meios são inúmeros e podemos escolher qual é o de nossa preferência.
Claro que os grandes meios corporativos ainda têm muita influência, em alguns momentos ainda são determinantes. Porém, pesquisa recente dizia que o facebook já detém 51% de influência sobre a formação da opinião em relação aos outros meios. A tendência, inclusive, é que esses meios absorvam mais verbas de publicidade que os meios tradicionais.
Portanto, é preciso ser compreensivo com o desespero dos tradicionais barões da mídia. O auge de sua influência já ficou no passado. Daqui para a frente a tendência é mesmo da livre opinião generalizada.
O presidente impostor disse esses dias que é preciso “combater as redes sociais”. A afirmação vinha no contexto que “esse governo não é estúpido de atacar os direitos dos trabalhadores como as redes divulgam”. Ora, os ministros impostores é que disseram em alto e bom som que a aposentadoria viria aos 75 anos de idade, 50 anos de contribuição, que o salário mínimo seria desvinculado da previdência, além de outras afirmações estúpidas. Hoje temos outros meios para nos defender de governos estúpidos.
Aliás, os golpistas calcularam mal. Achavam que ainda estavam na década de 1960. O golpe não cola porque o povo sabe. O que levamos 30 anos para saber do golpe militar, hoje sabemos em tempo real o que acontece nos bastidores. Ainda mais, até a mídia internacional, inclusive a tradicional, tendo senso do ridículo, sabe que aqui houve um golpe.
Portanto, seja um jornalista, um juiz do Supremo, um deputado, um empresário, ou mesmo um promotor público exibicionista, se disser asnices, será exposto ao ridículo através dos meios hoje disponíveis.
Enfim, podemos tranquilamente dar adeus ao jornalismo político dos grandes meios. Além do mais, é provável que sem vê-los ou ouvi-los, melhore nossa taxa de colesterol, de triglicerídeos e a pressão sanguínea.
A internet livre faz bem à saúde.