segunda-feira, 18 de maio de 2015

VEJAM O QUE O DATAFOLHA REVELA SOBRE MUDANÇAS CLIMÁTICAS E SOBRE O QUE FAZER

E AGORA, SENHORES QUE IMPÕEM A POLÍTICA ENERGÉTICA SEM CONSULTAR O POVO, SÓ OUVINDO OS EMPRESÁRIOS, COMO RESPONDERÃO À SURPREENDENTE CONSCIÊNCIA CRÍTICA DO POVO BRASILEIRO? 

QUASE A TOTALIDADE PERCEBE QUE PRATICAMENTE NÃO HÁ POLÍTICAS PÚBLICAS EFETIVAS PARA ENFRENTAR AS CAUSAS DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS, SENDO QUE ESTA MESMA MAIORIA ESTÁ CONSCIENTE DOS EFEITOS DESSAS MUDANÇAS NA VIDA COTIDIANA. 

MAIS DO QUE ISSO, A MAIORIA ABSOLUTA TAMBÉM SABE O QUE SE DEVE FAZER E ESTÁ DISPOSTA A COLABORAR, DESDE QUE HAJA POLÍTICAS QUE IMPLEMENTEM, ENTRE OUTRAS MEDIDAS, A GERAÇÃO DESCENTRALIZADA DE ENERGIA SOLAR, DEIXANDO DE LADO HIDRELÉTRICAS E O USO DE FONTES FÓSSEIS DE ENERGIA.


Brasileiro acha que mudança do clima já afeta o país e que governo faz pouco a respeito
 
Para 95% da população, impactos já estão sendo sentidos, como crise de água e energia; 84% afirmam que o poder público não faz nada ou faz muito pouco para enfrentar o problema
 
São Paulo, 18 de maio de 2015 - Pesquisa do Datafolha mostra que o brasileiro está muito preocupado com as mudanças climáticas e acha que o governo não compartilha dessa preocupação. Segundo o levantamento,  encomendado pelo Observatório do Clima e pelo Greenpeace Brasil, 95% dos cidadãos acham que as mudanças climáticas já estão afetando o Brasil. Para nove em cada dez entrevistados, as crises da água e energia têm relação direta com o tema, sendo que para 74% há muita relação entre a falta de água e luz e as mudanças climáticas. No entanto, para 84% dos entrevistados, o governo não faz nada ou faz muito pouco para enfrentar o problema. O Datafolha ouviu 2.100 pessoas em todas as regiões do país.
 
“O cidadão médio tem um ótimo nível de entendimento das causas da mudança climática e de seu impacto sobre o cotidiano da população e mostra que está insatisfeito com o baixo grau de prioridade dado pelo governo a esse tema, crucial para o desenvolvimento do país”, destaca Carlos Rittl, secretário-executivo do Observatório do Clima.
 
Os entrevistados também demonstraram vislumbrar as formas de resolver o problema. Entre as soluções apontadas estão a redução do desmatamento, melhorias no transporte coletivo e investimentos em energias renováveis. Mais de 80% dos brasileiros acham que essas ações inclusive trarão benefícios para a economia do país.
 
A pesquisa mostrou, ainda, que o brasileiro se enxerga como parte da solução:  62% dos entrevistados estão dispostos a instalar um sistema de microgeração de energia solar em casa – equipamentos conhecidos por 74% da amostra.  Diante da hipótese de ter acesso a uma linha de crédito com juros baixos e a possibilidade de vender o excesso de energia para a rede elétrica, o percentual de interessados sobe para 71%.
 
“Há uma percepção bastante clara de que a microgeração de energia solar beneficia o cidadão e o país”,  explica Ricardo Baitelo, coordenador de Clima e Energia do Greenpeace Brasil. Entre as principais vantagens citadas pelos entrevistados estão a redução nas despesas com eletricidade (82%), a redução dos impactos de secas prolongadas (77%), a segurança e confiabilidade dessa fonte (70%) e o fato de que se trata de uma alternativa às hidrelétricas (69%).  Os moradores das regiões Sudeste e Nordeste foram os que demonstraram maior entusiasmo com o tema.
 
Atualmente, a microgeração de energia enfrenta vários entraves como, por exemplo, a forma como o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) incide sobre a geração de eletricidade do cidadão que escolhe produzir sua própria energia. Outras questões, como a criação de linhas de financiamento com baixos juros, também precisam ser resolvidas. “Trata-se de uma excelente oportunidade para o governo agir em sintonia com a vontade da sociedade brasileira”, completa Baitelo. Para pressionar os governadores a assinarem o convênio nº 16 do CONFAZ (Conselho Nacional de Política Fazendária), que permite aos Estados eliminar o imposto ICMS que incide na geração de eletricidade por meio de painéis solares, tornando essa energia mais barata e contribuindo para sua popularização, um abaixo assinado está no ar desde 6 de maio: https://secure.avaaz.org/po/brasil_icms_solar_42/?aoRApib
 
Sobre a atuação do governo, a pesquisa Datafolha mostra que o brasileiro tem uma percepção bastante crítica: para 48%, o governo federal está fazendo menos do que deveria em relação às mudanças climáticas; para 36%, ele simplesmente não está fazendo nada. Os mais críticos são os brasileiros das regiões Nordeste e Sudeste. Mas, para dois terços da amostra (66%), o Brasil deveria assumir uma posição de liderança no enfrentamento do problema em nível internacional. No Nordeste, esse índice chega a 74%.
 
A pesquisa também confirma que existe um razoável entendimento das causas das mudanças do clima.  Apresentados diante de 9 possíveis causas, as mais apontadas pelos entrevistados foram desmatamento (95%), queima de petróleo (93%), atividades industriais (92%), queima de carvão mineral (90%) e tratamento de lixo (87%).  Para efeito de teste, a pesquisa incluía dois fatores que não tem relação com as mudanças climáticas - ambos ficaram entre os menos apontados pelos entrevistados (El Niño, com 64%, e mudanças no comportamento do Sol, com 83%).  "Considerando a forte oposição patrocinada por setores que têm interesse em negar que as mudanças climáticas sejam causadas pela ação humana, este resultado é extremamente significativo, pois mostra que o negacionismo do clima não colou no Brasil", analisa Rittl.
 
A pesquisa foi realizada entre 11 e 13 de março de 2015. O Datafolha utilizou metodologia quantitativa, realizando entrevistas pessoais e individuais em pontos de fluxo populacional de 143 municípios de pequeno, médio e grande porte com pessoas com mais de 16 anos de idade. A margem de erro para o total da amostra é de 2,0 pontos percentuais para mais ou para menos.
Brasileiro acha que mudança do clima já afeta o país e que governo faz pouco a respeito
 

SANTO ROMERO DA AMÉRICA LATINA, ROGA POR NÓS

NO PRÓXIMO SÁBADO, 23 DE MAIO, O BISPO OSCAR ROMERO SERÁ BEATIFICADO, ISTO É, COMEÇARÁ O RECONHECIMENTO OFICIAL DA IGREJA DE QUE ELE VIVEU UMA SANTIDADE QUE É EXEMPLO PARA TODOS. TRATA-SE DE UM FATO IMPORTANTE PORQUE DOM ROMERO FOI ASSASSINADO DURANTE A CELEBRAÇÃO DA EUCARISTIA PORQUE DEFENDEU CORAJOSAMENTE SEU POVO DAS VIOLÊNCIAS DA DITADURA E DA EXPLORAÇÃO ECONÔMICA. 

O ARTIGO DE MARCELO BARROS NOS AJUDA A ENTENDER O QUE SIGNIFICA ESSE RECONHECIMENTO OFICIAL, E NOS ALERTA PARA A NECESSIDADE DE MUDANÇAS NOS CRITÉRIOS PARA DEFINIR A SANTIDADE QUE VALE A PENA SERVIR DE INSPIRAÇÃO NO TEMPO ATUAL. 

SANTIDADE POLÍTICA

Marcelo Barros

Depois de longas discussões e atropelos, o Vaticano retomou o processo de canonização de Dom Oscar Romero. Nesse sábado, 23 de maio, na praça principal de El Salvador, a Igreja Católica o proclamou beato, etapa anterior ao reconhecimento oficial de que ele viveu uma santidade que é exemplo para todos. Do mesmo modo, no domingo 03 de maio, com permissão de Roma, a arquidiocese de Olinda e Recife abriu o processo de canonização de Dom Helder Camara.
 É bom compreendermos do que se trata, para que e como se realiza a canonização de um santo na Igreja Católica Romana. Conforme a fé cristã, todas as pessoas batizadas são santificadas pela graça divina. Toda pessoa humana é imagem e chamada a ser semelhante a Deus. Então, vivos e falecidos, somos todos santos e santas, não por virtudes que possamos ter, mas pela ação do Espírito Divino em nós. Isso deve ficar claro: o papa ou a Igreja não tornam ninguém santo. Deus é que santifica todos os seus filhos e filhas, espalhados pelo mundo, pelos quais Jesus deu a vida (Jo 11, 52). Seja na Igreja Católica, seja nas Igrejas Ortodoxas, canonizar uma pessoa significa apenas declarar que, além de ter sido santificado/a por Deus, aquela pessoa é exemplo de santidade para todo mundo.
Embora todos/as os batizados/as sejam santificados, desde o início, o povo cristão sempre teve o costume de venerar algumas figuras especiais de irmãos e irmãs falecidos, cujo testemunho de vida pode animar o povo no caminho da fé. Assim, o povo de Deus reconheceu como santos exemplares os apóstolos, mártires e pessoas que, a tal ponto viveram a fé que deram a vida pela causa da realização do projeto divino no mundo. Nos primeiros séculos, os santos canonizados eram reconhecidos por aclamação popular. A partir da Idade Média, surgiu o processo de canonização. Chama-se assim porque se trata de colocar uma pessoa no cânon (lista) dos santos, reconhecidos pela Igreja, como exemplo para todos. No ano 2000, a Igreja Anglicana colocou no pórtico da Catedral de Westminster, em Londres, figuras de cristãos que os anglicanos consideram santos, mesmo sendo de outras Igrejas. Assim, antes do Vaticano se definir por reconhecer Dom Oscar Romero como santo, o papa Bento XVI visitou Londres em 2010. Ao entrar no pórtico da Catedral anglicana, passou pela estátua de Dom Romero, já reconhecido como santo pelos anglicanos.
O objetivo da canonização é estimular todo o povo de Deus a percorrer o mesmo caminho de santidade. O processo de canonização analisa a vida e a obra do santo/a em questão. Até agora, se pede o reconhecimento de ao menos três milagres, operados por Deus, através da sua intercessão. Hoje, a noção de milagres deve ser revista porque a ciência atual tem uma visão bem mais ampla de cura. Em muitas religiões e tradições espirituais, existem curadores/as e pessoas que fazem milagres. Com todo respeito por essas tradições, nem sempre essas figuras de milagreiros são exemplos de ética e de retidão.
Também a própria Igreja mudou a forma de compreender a santidade. No decorrer da história, foram canonizados santos guerreiros, conquistadores e até cardeais que, como São Roberto Belarmino, em sua vida, dirigiram tribunais de inquisição e presidiram sessões de tortura contra cristãos considerados hereges. Sem negar que tais pessoas possam ser santos, no sentido de estar em Deus e com Deus, de fato, atualmente, só fundamentalistas e grupos terroristas considerariam tais pessoas como exemplos de santidade. Também devemos reconhecer: em outras épocas,  o modelo dominante de santidade era de ascetas que mortificavam o corpo. Quase não comiam e pareciam viver fora do mundo real. Por isso, alguns critérios do processo de canonização precisam ser revistos e modificados à luz do Evangelho. Ao reconhecer figuras como Oscar Romero e Helder Camara como santos, o magistério da Igreja parece propor outro modelo de santidade, baseado principalmente na capacidade de viver a solidariedade humana e defender a vida e a justiça em todas as suas dimensões. Cada vez mais, o mundo precisa desse tipo de santidade social e política a serviço do reinado divino no mundo.
Em si, Oscar Romero e Helder Camara nem precisariam de canonização. Ambos já são aclamados como exemplos por todo o povo. No entanto, se a hierarquia da Igreja Católica quer reconhecê-los como santos exemplares, Deus queira que seja para que todos nós nos comprometamos a seguir o exemplo e a profecia que eles nos deixaram.

O que atualmente, no céu, Dom Romero e Dom Helder mais gostariam de ver na terra é toda a Igreja universal seguir as propostas de renovação eclesial feitas pelo papa Francisco, na linha que eles dois, em seu tempo, já ensaiavam. Certamente, os obstáculos existem, mas, como diz a carta aos hebreus: “Cercados por tais testemunhas, (Romero e Helder Camara) libertemo-nos dos obstáculos e corramos na direção do Cristo” (Hb 12, 1).  

VISÃO DE CHICO DE OLIVEIRA SOBRE O BRASIL

POSSO NÃO CONCORDAR COM TUDO QUE MEU MESTRE CHICO DE OLIVEIRA DIZ NESTA ENTREVISTA, MAS É MUITO INTERESSANTE E EXPRESSA A VISÃO DE UM CIENTISTA SOCIAL ARROJADO - ARROJO QUE ELE DENUNCIA FALTAR AOS POLÍTICOS E À POLÍTICA.

NA VERDADE, A ENTREVISTA ME LEMBROU DO QUE ESCREVI NO LIVRO BRASIL: OPORTUNIDADES PERDIDAS. MEUS DOIS ANOS NO GOVERNO LULA (Garamond, 2005). AINDA NÃO SE FALAVA DE LULISMO, MAS A LUTA PELAS OPORTUNIDADES CONTIDAS NO PROGRAMA FOME ZERO, CONTRA OS QUE DESEJAVAM E CONSEGUIRAM REDUZI-LO A UM SIMPLES BOLSA FAMÍLIA, FOI MINHA OPORTUNIDADE DE PERCEBER QUE ELE ESTAVA EM CONSTRUÇÃO. DE FATO, CHICO, AS OPORTUNIDADES PERDIDAS FORAM TANTAS, E O CONSERVADORISMO DO LULA E SEU GRUPO TÃO DECEPCIONANTE, QUE VALE A PENA DAR O TÍTULO DE UM PESADELO INTENSO AO SEU NOVO LIVRO.

DE TODA MANEIRA, GOSTEI DA ESPERANÇA DO CHICO EM RELAÇÃO AO FUTURO DE NOSSO TÃO AGREDIDO E COLONIZADO PAÍS. SEM DEIXAR DE SER CRÍTICO, SUA PALAVRA AJUDA A ANIMAR OS QUE SE SENTEM PERDIDOS. VALE A PENA REFLETIR COM ELE, E DAR-SE CONTA,  COM REALISMO E SEM DESESPERO, QUE "TUDO É CORRUPTO NO CAPITALISMO".

Folha - O que está acontecendo no Brasil?
Francisco de Oliveira - As posições se acirraram porque tem o PT de um lado e os tucanos de outro. Todo o meio desapareceu. PDT, PPS, os democratas, outros partidos praticamente desapareceram. A consolidação de posições que são opostas dá essa sensação de que está tudo muito ruim, mas não está não.
O que há de bom nessa conjuntura?
Bom seria um exagero. É uma conjuntura cíclica, que vai e volta. A crise parece muito grande, mas não é. A concentração da crítica na Dilma é fogo de palha. Nem ela mesma tem o controle do partido dela. O controle ainda é do Lula. Mas Lula não é homem de partido, ele é muito personalista.
Há choque entre Lula e Dilma?
Vai haver sempre. Porque Lula elegeu a Dilma para ser um pau mandado. Mas, quando se chega à Presidência, a regra do pau mandado não vale. Ela tem pouco jogo de cintura político, tem que ouvir muito. O poder fica muito diluído.
Qual sua avaliação do governo Dilma? O que ela faz de bom e de ruim?
Nem nada de muito bom nem nada de muito ruim. É um governo médio e medíocre. Ela não é responsável pelos grandes males do país nem tem solução para esses grandes males. É uma presidente fraca. Votei com convicção nela nas duas vezes e não estou decepcionado. Ela me pareceu ser mais de acordo com as minhas percepções. O governo não tem quase respostas para nada, mas não faz o programa do PSDB. É um programa quase óbvio. Vai empurrando com a barriga. Felizmente, apesar de governos fracos, a tentação autoritária não está voltando.
A ascensão de movimentos mais conservadores nas ruas e no Congresso lhe preocupa?
Não me preocupo porque os tucanos não são populares. Eles não conseguirão galvanizar essa tentativa de desestabilização com apoio popular. Os tucanos sempre evitam recorrer às ruas. Panelaço não é o povo quem faz. Esse tipo de movimento não tem continuidade. Já o PT não pode mover-se com a facilidade que tinha antes de ser governo. Não acredito que o PT tenha solução para nada.
Há uma ascensão da direita?
Não vejo. A direita existe mais na imprensa do que no movimento real de setores da população. A sociedade brasileira é muito diversificada e não comporta uma direita extremada. Existe uma polarização entre os muito ricos e muito pobres. Mas esses dois segmentos não fazem política. A polarização se dá em picos. A linha de continuidade é muito por baixo e muito fraca. Os picos parecem nos espantar. A discussão do impeachment não vai para frente. Renan Calheiros e Eduardo Cunha são fracos. Se fosse com o Ulysses Guimarães, a senhora Dilma estaria dançando miudinho.
Como o sr. analisa a situação do Brasil no mundo?
O Brasil é área de disputa muito forte. É a sexta economia mundial ou algo nessa dimensão. É muito bom fazer negócios aqui, especialmente num momento em que EUA e Europa estão mais ou menos estagnados. A Índia é muito pobre. Na China, ou os negócios passam pelo Estado ou não passam. O Brasil é uma ilha de muita liberdade empresarial. Não tem muita regulação. Salvo em setores muito vulneráveis, se faz qualquer negócio em qualquer parte. O Brasil cresce. Agora está patinando, mas é só uma patinação. Esse ciclo é passageiro; haverá reativação. O Brasil não é um país condenado ao esquecimento. É por isso que é preciso lutar.
Lutar como e para quê?
Pelo poder. Numa sociedade estagnada a luta é mais fácil. Aqui, não. Aqui é como um baile: está tudo em movimento. Dá uma sensação ao mesmo tempo de pressa e de angustia. Porque você nunca está sossegado. E isso é ótimo. A pior coisa é a estagnação. É preciso andar para dar um mínimo para a população mais pobre. Não se pode mais deixar milhões sofrerem com necessidades básicas. Isso não existe. É preciso jogar a bola para frente –e correr atrás dela.
O perfil desse governo é mais protecionista ou liberal?
O governo não sabe se definir em relação a isso. Não sabe se é protecionista ou livre cambista. Vem de uma herança pesada. FHC jogou para destruir regras de proteção, fez um jogo liberal. O que não era esperado, pois sua tradição era pela esquerda. Lula não puxou para a esquerda. Daí vem a indefinição do governo federal, que prossegue com Dilma.
Reajustes reais do salário mínimo, Bolsa Família não são pontos de um governo de esquerda?
Sim, comparando com outros. A ironia é que são medidas capitalistas. Moro num prédio de classe média, onde quem trabalha na portaria já tem carro. É um índice de êxito do capitalismo, até certo ponto. Só um socialista louco –como já fui; hoje sou apenas socialista– para achar que eles não melhoraram de vida. Melhoraram extraordinariamente.
O sr. já afirmou que as esquerdas no Brasil, desde os tempos do auge do PC, passando pelo PT e pelo PSOL, nunca conseguiram ter um projeto para o país. Por quê?
As esquerdas são muito brasileiras: tendem mais à conciliação do que ao conflito. É da formação da sociedade e do Estado. As esquerdas também são muito conservadoras. Na redemocratização, em 1945, o projeto do PCB para o petróleo era privatista. Seguia a linha de aprofundar o capitalismo para criar condições para o socialismo. Esquerda e nacionalismo convergiram numa certa fase. A atual esquerda não tem projeto. Lula nunca teve; Dilma também não tem. O PT não sabe o que é o Brasil, não tem um projeto para o país. Está superado. Não vai acabar, mas não tem nada a dizer a respeito do desenvolvimento do Brasil. Vai empurrando com a barriga. É o partido da ordem.
Seu diagnóstico de esgotamento do PT significa previsão de derrota do partido em 2018?
É possível, mas não é provável. Quando jogo for pesado, Lula vai ter que se realinhar. De forma até radical, o que não é do estilo dele. Ou Lula volta a fazer política de forma mais contundente e mais consistente ou se prepara para entregar o queijo para os tucanos. Lula vai ter que ser mais partidário e retomar a militância política. Vai precisar dar apoio a Dilma para que o mandato não tenha um desenlace que caia em cima dele. Se houver um desastre e o PT for desalojado do poder, as burguesias nunca mais se esquecerão disso. Vão tentar manter o PT afastado.
Há personalidades alternativas?
Brizola é o grande político que falta no Brasil. Governou dois Estados (o RJ duas vezes). Não tem ninguém com esse perfil, com essa audácia. Falta alguém com audácia.
Como o sr. enxerga o Brasil a longo prazo?
Vai caminhar para ser uma sociedade mais igualitária. Não é otimismo. Em geral, a obrigação do cientista social é ser pessimista. Nenhuma sociedade aguenta o nível de desigualdade que se produziu no Brasil. Há pressão da população. Não existe manter 200 milhões de pessoas sob o jugo da desigualdade, reprimida por inteiro. No longo prazo seremos mais igualitários. A democracia está ao alcance das mãos; não é um sonho utópico e é necessária. Menos para os democratas e mais para os não democratas. Quem estiver jogando jogo autoritário não vai aguentar. A burguesia brasileira é muito autoritária. Mas hoje a sociedade não aguenta mais ver a demissão de 2.000 pessoas. Ela não permite. As empresas não são mais donas absolutas do jogo econômico social e político. Têm que prestar contas à sociedade. O confronto deslocou-se do âmbito de empresas e sindicatos para a sociedade.
Como avaliar politicamente essa fração da população que ascendeu nos últimos anos?
Ninguém sabe. É como olhar dentro de uma chaleira. Há vários pontos de ebulição. Há uma ebulição geral na sociedade. Mas o Brasil vai melhorando, incluindo mais gente. É a forma do capitalismo se renovar. Ninguém pense em reformas profundas. As reformas são dadas pelo crescimento econômico e pelo crescimento da população. Pela alfabetização. Essas são as reformas que movem a sociedade. Eu, como um velho socialista –mais velho do que socialista–, não vejo revolução à vista. O Brasil vai engatar, vai crescer. É impossível conter 200 milhões de pessoas, cada uma querendo o melhor para si. Esse egoísmo capitalista é positivo. O socialismo é algo para além.
O sr. planeja um novo livro?
Sobre o ciclo do lulismo. A chance que o Brasil teve desde FHC e, com mais intensidade com Lula, não é de fácil repetição. FHC abre o ciclo. É homem de elite, não gosta do Nordeste, dos pobres. Tenho desgosto em relação a isso. Trabalhamos muito juntos; ele não era assim. O Lula não fez nada de excepcional, não na dimensão que poderia. Excepcional foi o Brasil desde 1930. Agora a chance foi desperdiçada, principalmente por Lula. O capitalismo só funciona com inserção social e não houve nenhum milagre no Brasil. A economia brasileira é privilegiada, disputada. Mas está faltando capacidade de aproveitar isso, ocupar espaços. No passado, quem percebeu isso com lucidez foi San Tiago Dantas (1911-1964, ministro de João Goulart). Ele meteu o pé. Hoje também há oportunidades, mas não há percepção.
Como seria o título do livro?
Vi recentemente "Um Sonho Intenso" [documentário de José Mariani] e tem um título me perseguindo que é "Um Pesadelo Intenso". Pela frustração dessa oportunidade única. Erraram. Foi um sonho que poderia ter sido e não foi em toda a sua intensidade. Não culpo a Dilma. É o lulismo que, contraditoriamente, é muito conservador. Lula não ousa tudo o que poderia ter ousado. O que ele fez em relação à previdência social? Basicamente nada. Quando não se pode incluir pela expansão do mercado, essa é a forma de inclusão, fora do mercado. Ele poderia ter feito um esforço mais intenso para ampliar os benefícios sociais. E isso não é risco para o Tesouro, porque vem compensação pelo outro lado –pela expansão da economia, pelo aumento de arrecadação. Era hora de meter o pé no acelerador e Lula fez o contrário.
Como o sr. avalia o caso Petrobras?
Petróleo ainda é o melhor negócio do mundo. A Petrobras é de 1953 e avançou. Vargas foi obrigado a se suicidar por isso. Os norte-americanos até hoje não engolem o fato de ela ser estatal, mesmo sendo um estatismo frouxo. Não engolem porque é um filé. Está abalada hoje. Há pressão para que ela seja fatiada. A burguesia brasileira quer pegar nacos. A Petrobras é um item de segurança nacional; não pode ser privatizada.
E a questão da corrupção envolvendo empreiteiras?
Há tempos, quando todo mundo se desesperava com isso, Ignácio Rangel (1914-1994), que era realista e cético, dizia: "A corrupção é o creme do capitalismo. Não se desesperem, isso é sinal de que o capitalismo está se expandindo". É isso: tudo é corrupto no capitalismo

A GRÉCIA CONCLAMA À LUTA PELA DEMOCRACIA CONTRA A DOMINAÇÃO DO CAPITAL FINANCEIRO

VALE PERGUNTAR-NOS: DENTRO DE QUANTO TEMPO DEVEREMOS FAZER UM CHAMADO IGUAL AO DO SYRIZA, FORÇADOS A ENFRENTAR A SEDE E FOME SEM FIM DE CONCENTRAÇÃO DA RIQUEZA E DO PODER DO CAPITAL FINANCEIRO E SEUS ALIADOS, SUSTENTADOS PELA CORRUPÇÃO? AQUI TAMBÉM JÁ RETOMARAM A IMPOSIÇÃO DE SACRIFÍCIOS DE TODA ORDEM AOS TRABALHADORES E, AO MESMO TEMPO, MAIS E MAIS JUROS AOS ESPECULADORES DAQUI  E DE TODO O PLANETA. 

ATÉ QUANDO? COMO CONCLAMA O SYRIZA, SE NOS UNIRMOS, VENCEREMOS!

CARTA MAIOR - 15/05/2015 

Grécia: 'Linhas vermelhas' do governo são também as do povo grego

Syriza publica um apelo à mobilização dos povos da Europa pela vitória da democracia e afirma que as exigências dos credores da Grécia são inaceitáveis.




Michalis Famelis / Flickr
O Secretariado Político do Syriza divulgou um comunicado sobre os desenvolvimentos políticos e a negociação, que representa um apelo aos povos da Europa à mobilização pela vitória da democracia e da dignidade. “Chegou a hora de os povos entrarem na luta”, afirma o comunicado, sublinhando que os povos da Europa “podem ser também parte ativa numa negociação que diz respeito ao nosso destino comum à escala europeia e mundial”.
 
Para a direção do Syriza, as “linhas vermelhas” do governo de Atenas, as questões em que este se recusa a transigir às pressões dos credores, “são também as linhas vermelhas do povo grego”. O comunicado recorda que “desde o momento da formação do governo, ficou claro – tanto no estrangeiro como no nosso país – que o mandato dado pelo povo grego é vinculativo e constitui a bússola nas negociações”.
 
E esse mandato tem como eixo “a justiça social e a redistribuição das riquezas”, e não “a ligação obsessiva à austeridade que desmantela o Estado social, à direção oligárquica dos assuntos europeus em circuito fechado e longe da influência da vontade social, o que abre caminho ao crescimento da extrema direita na Europa”.

Para além da mobilização da sociedade grega contra a chantagem da União Europeia, do BCE e do FMI, o Syriza estará também “em todos os países da Europa”, num grande apelo “à mobilização pela vitória da democracia e da dignidade”.Assim, o Syriza considera que as exigências dos credores são inaceitáveis. “Elas são inaceitáveis para o povo grego, que lutou todos estes anos para pôr fim às políticas criminosas dos memorandos. Elas são inaceitáveis para os povos da Europa e as forças progressistas sociais e políticas que lutam por uma Europa da solidariedade e da democracia”.
 
A seguir, o comunicado na íntegra.
 
Comunicado do Secretariado Político do Syriza sobre os desenvolvimentos políticos e a negociação
 
Desde o momento da formação do governo, ficou claro – tanto no estrangeiro como no nosso país – que o mandato dado pelo povo grego é vinculativo e constitui a bússola nas negociações.
 
As linhas vermelhas do governo são também as linhas vermelhas do povo grego, elas exprimem os interesses dos trabalhadores, dos trabalhadores independentes, dos reformados, dos agricultores e da juventude. Elas exprimem a necessidade para o país seguir um novo caminho de crescimento, tendo como eixo a justiça social e a redistribuição das riquezas.
 
A insistência dos credores em querer aplicar o programa memorandário do governo Samaras, criando no país um espartilho sufocante de pressões políticas e asfixia financeira, surge em oposição direta com a noção de democracia e de soberania popular na Europa. Ela exprime uma ligação obsessiva à austeridade que desmantela o Estado social, à direção oligárquica dos assuntos europeus em circuito fechado e longe da influência da vontade social, o que abre caminho ao crescimento da extrema direita na Europa.

Os cidadãos da Grécia e da Europa não são consumidores passivos das notícias das 20h. Pelo contrário, entendemos que podem ser também parte ativa numa negociação que diz respeito ao nosso destino comum à escala europeia e mundial.Estas exigências são inaceitáveis. Elas são inaceitáveis para o povo grego, que lutou todos estes anos para pôr fim às políticas criminosas dos memorandos. Elas são inaceitáveis para os povos da Europa e as forças progressistas sociais e políticas que lutam por uma Europa da solidariedade e da democracia.
 
O Syriza tomará todas as iniciativas possíveis para informar a sociedade grega mas também os povos da Europa. Em cada cidade, em cada bairro e em cada local de trabalho, mas também em todos os países da Europa, estarão os deputados, eurodeputados e dirigentes do Syriza, com os membros do Syriza e as forças solidárias, num grande apelo à mobilização pela vitória da democracia e da dignidade.
 
Chegou a hora dos povos entrarem na luta.
 
Venceremos.

sábado, 16 de maio de 2015

ENERGIA SOLAR: POR QUE NÃO SE VALORIZA TECNOLOGIA BRASILEIRA?

PRESIDENTE DILMA E MINISTRO DE MINAS E ENERGIA PRECISAM DAR RESPOSTA À PERGUNTA. DE NOSSA PARTE, SÓ NOS RESTA AUMENTAR A PRESSÃO PARA TERMOS UMA POLÍTICA DE PROMOÇÃO DA ENERGIA SOLAR EFETIVA, QUE VALORIZE O QUE É NOSSO, INCLUSIVE O MARAVILHOSO SOL.

Brasil faz placa solar mais eficiente a custos menores

Tecnologia nacional de produção de energia solar, entretanto, ainda não é produzida em escala

por Denise Dalla Colletta

Editora Globo
As placas têm eficiência acima da média
Pesquisadores da PUC do Rio Grande do Sul desenvolveram placas de captação de energia solar mais eficientes que a média mundial, a custos menores, mas ainda não conseguiram ganhar escala no mercado brasileiro. “Usamos a mesma matéria-prima do exterior com uma receita brasileira de forma mais econômica”, diz Adriano Moehlecke um dos responsáveis pela pesquisa. Moehlecke afirma que foram feitas estimativas mostrando redução de gastos na fabricação em comparação com os padrões internacionais, mas que ainda não pode divulgar esses números. Sobre a eficiência, a célula nacional converte 15,4% da energia solar em elétrica. Pode parecer pouco, mas a média mundial é de 14%. As melhores placas solares comercializadas do mundo convertem cerca de 16%.
Atualmente, a tentativa de produzir de forma viável as placas fotovoltaicas é feita em uma mini fábrica dentro da PUC. A ideia dos pesquisadores, que trabalham há 10 anos no projeto, é desenvolver um meio de gerar este tipo de energia e comercializá-lo no país, com materiais encontrados no mercado nacional.

O setor tem acumulado crescimento. “A industria de módulos fotovoltaicos cresce a uma média de 80 % ao ano no mundo”, diz Moehlecke . Foram produzidos 7.900 megawatts entre 2007 e 2008. A energia gerada é equivalente a metade da geração da Usina Hidrelétrica de Itaipu. “A cada dois anos, saem das fábricas, uma Itaipu solar, mas o Brasil está fora de tudo isso, as aplicações são muito tímidas ainda, a maioria em sistemas isolados da rede elétrica”, diz.

Moehlecke estuda a produção de energia solar desde 1997 em parceria com a pesquisadora Izete Zanesco. O trabalho foi iniciado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul e ganhou notoriedade em 2002 quando os pesquisadores venceram o Prêmio Jovem Cientista

Eles já receberam cerca de R$ 6 milhões em investimento do Governo Federal, Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), Petrobrás, Eletrosul e Companhia Nacional de Energia Elétrica (CNEE). Isso tudo, no entanto, ainda é insuficiente para que essas placas sejam produzidas em grande escala. Foram entregues 200 unidades aos patrocinadores do projeto, Petrobrás, Eletrosul e outras empresas. Os módulos serão instalados e testados em março.

Por que não temos 
São diversas as razões que podem explicar a falta de incentivo a esse tipo de energia no Brasil. Um deles é o preço, a energia ainda é mais cara que as demais. “Mas este valor está caindo ano a ano”. Cálculos da Universidade Federal de Santa Catarina revelam que em 2013 o quilowatt-hora produzido pela rede elétrica convencional brasileira e aquele produzido pelas redes solares terão o mesmo valor na região Nordeste.

Outra razão para o aparente desinteresse em investir em fontes de energias limpas é “a muleta das hidrelétricas: ter uma energia limpa hoje, dificulta o desenvolvimento de novas energias mais limpas. Mas temos que pensar no futuro sem carvão ou nuclear, não vamos conseguir aproveitar os rios eternamente”. A falta de mercado imediato também faz com que investidores não queiram apostar nesta tecnologia: “O governo diz que não haverá incentivo à produção enquanto não houver mercado. A empresas não se interessam em produzir porque não há incentivo do governo, é um ciclo”, diz Moehlecke. 

sexta-feira, 15 de maio de 2015

ENERGIA SOLAR: CARTA DE POMBAL PARA O SEMIÁRIDO

DA REGIÃO EM QUE A INSOLAÇÃO É A SEGUNDA DE TODO O PLANETA É QUE VEM ESSE GRITO E OS COMPROMISSOS DE LUTA PELA ENERGIA SOLAR. QUE OS PARAIBANOS SEJAM OUVIDOS, RECEBAM OS APOIOS A QUE TÊM DIREITO PARA QUE A ENERGIA SOLAR SEJA IMPLANTADA NO SEMIÁRIDO E SIRVA PARA DIMINUIR OU TORNAR COISA DO PASSADO NOSSA DEPENDÊNCIA DA ENERGIA HIDRELÉTRICA, TÉRMICA E NUCLEAR. E PARA QUE, ALÉM DISSO, ELA SEJA FONTE DE EMPREGOS E COMPLEMENTAÇÃO DE RENDA.
CARTA DE POMBAL PARA O SEMIÁRIDO

O I Fórum de Energia Solar e I Conferência Regional da Sustentabilidade Ambiental, realizados nos dias 9 e 10 de abril de 2015 em Pombal, PB, nasceram da inquietação de membros de instituições de ensino e pesquisa, instituições públicas e privadas, organizações não-governamentais e representantes da sociedade civil frente a atual conjuntura nacional e regional de escassez hídrica e limitações da atual matriz energética brasileira.

Essa realidade motivou os mais de 300 participantes a elaborar juntos uma Agenda de Prioridades de modo democrático e articulado para contribuir com a formulação de políticas públicas, com processos de planejamento e tomadas de decisão desde a escala local (através de domicílios, unidades produtivas rurais e industriais) até a escala regional (através de usina de armazenagem e transmissão) em relação à geração e uso de energia solar.

As propostas, elaboradas a partir dos debates provocados por contribuições de especialistas, têm como fundamento a consciência de que o Semiárido brasileiro dispõe de um dos mais altos índices de insolação do planeta, o que significa uma privilegiada potencialidade de contribuir com a produção de energia elétrica e térmica solar. Tendo presente que as fontes fósseis usadas na termoeletricidade aumentam a emissão de gases de efeito estufa, agravando as mudanças climáticas, que as hidrelétricas, de modo especial na Amazônia, causam desastres socioambientais e a energia nuclear gera ameaças de contaminação geral, a radiação solar está sendo assumida em todo o planeta como a fonte menos poluente de geração de energia elétrica e térmica para todos os usos que garantem qualidade de vida para as pessoas humanas.

Diante disso, e com o objetivo de conquistar em todo o Semiárido a implantação descentralizada de produção de energia solar fotovoltaica, os\as participantes propuseram as ações, a seguir no sentido de construir uma nova política energética para o Brasil:

Ação 1 - Que o sol seja assumido como principal fonte de energia para o semiárido;
Ação 2 - Os estados inseridos na região semiárida brasileira terão o compromisso de criar um Plano Estratégico Sustentável para o Uso de Energia Solar. O efeito desejado será uma regulamentação do uso da energia solar pelos diferentes setores da sociedade;

Ação 3 - A Sociedade civil (a partir das Associações, Sindicatos, ONGs, Igrejas e outras), a União, os Estados e os Municípios do semiárido brasileiro assumirão o compromisso de disseminar, mobilizar e informar a população sobre a importância e a necessidade da Geração de Energia Solar, bem como de outros temas correlatos. Os efeitos desejados dessa ação seria uma conscientização da população para que possa exigir de forma incisiva e qualificada dos gestores públicos e da sociedade em geral a implantação da energia Solar no semiárido brasileiro;
Ação 4 - Os diferentes setores da sociedade terão a incumbência de viabilizar a criação de diferentes projetos-pilotos de utilização da energia solar tanto em espaços rurais (residências, propriedades, comunidades, Escolas, Postos de Saúde, Poder Público), quanto em espaços urbanos (residências, comunidades urbanas carentes, praças, avenidas e logradouros, prédios comerciais e de instituições públicas e privadas, dentre outros). Os resultados esperados dessa ação são: a) a conscientização para o uso de energias limpas; b) a redução de impostos para casas e prédio comerciais que fizessem uso da energia solar e criação de um fundo destinado a famílias de baixa renda, c) a possibilidade da promoção de publicidade e propaganda de patrocinadores e parceiros dos projetos-pilotos, dentre outros;
Ação 5 - Os Governos Federal, Estadual e/ou Municipal terão a incumbência de criar estratégias de desoneração à implantação da Energia Solar no semiárido. O efeito dessa ação é fundamental para fomentar a implantação de Energia Solar nos diferentes setores da sociedade, favorecendo um acesso mais rápido e acessível a esse tipo de energia renovável;
Ação 6 - A União e os Estados localizados na região semiárida brasileira, através de uma corresponsabilidade, deverão facilitar/incentivar o uso tecnologias nacionais patenteadas e/ou a importação com garantias efetivas de transferência de tecnologia e produtos utilizados na geração de Energia Solar. O efeito dessa ação seria agilizar as habilidades nas Engenharias e em outras áreas das Ciências e das Tecnologias na produção desses equipamentos tornando o Brasil independente e reduzindo os custos de implantação da Energia Solar;
Ação 7 - Os Organismos internacionais e nacionais, a União, os estados, os municípios e a sociedade civil, através de uma articulação corresponsável desses setores, terão a responsabilidade de tornar atrativa a implantação de Energia solar nas Indústria e Agroindústrias localizadas no semiárido brasileiro através de certificação (SELO VERDE). O efeito desejado dessa ação é de que ao incentivar a sociedade industrial para o uso da energia solar, a mesma torne seus produtos mais atrativas pelos consumidores conscientizados;

Ação 8 - A União e os estados localizados no semiárido brasileiro assumirão o compromisso de viabilizar estudos para implantação de usina (s) de energia solar na região, tendo o cuidado de promover um amplo e profundo diálogo com a população, contribuindo assim para um Desenvolvimento mais justo e solidário. O efeito desejado é de que tal ação seja tomada de forma mais consciente e democrática, escolhendo o local (is) mais apropriado (s) para a (s) construção (ões) da (s) usina (s);
Ação 9 - Que todas as novas obras públicas urbanas e rurais para a região do semiárido priorize o uso de energias renováveis com foco principal na energia solar. O efeito desejado dessa ação é de que as novas construções (Moradias, UBS, Creches, Escolas) tornem se mais sustentáveis e causem menos impactos ao meio ambiente;
Ação 10 - Que seja implementado um programa de eficiência energética em todo ciclo de produção, distribuição e usos de energia;
Ação 11 - Que a política energética brasileira seja definida por um conselho nacional de política energética com representação da sociedade civil.


Aprovada e adotada em Pombal-PB, em 10 de abril de 2015, pelas entidades que constituem o Comitê de Organização do Fórum do Semiárido de Energia Solar, e pela plenária participante do I Fórum do Semiárido de Energia Solar.

TRABALHO ESCRAVO: LIBERTADOS QUASE 50 MIL EM 20 ANOS

VERGONHA NACIONAL: A RETOMADA DO GENOCÍDIO DE POVOS INDÍGENAS, O ASSASSINATO DE JOVENS NEGROS, A EXISTÊNCIA DE TRABALHO ESCRAVO. DE QUE E DE QUEM SE FALA QUANDO SE DIZ QUE O BRASIL É UM PAÍS DEMOCRÁTICO? TRATA-SE DE UMA DEMOCRACIA AO CONTRÁRIO: UM PEQUENO GRUPO, UMA OLIGARQUIA, DECIDE TUDO E A MAIORIA PAGA O PATO. 

O QUE ACONTECERÁ DEPOIS DA APROVAÇÃO DA LEI DA TERCEIRIZAÇÃO GERAL?

fonte: http://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2015-05/em-20-anos-50-mil-trabalhadores-foram-resgatados-de-trabalho

Em 20 anos, 50 mil trabalhadores foram resgatados de trabalho escravo no Brasil

Pedro Peduzzi - Repórter da Agência Brasil Edição: Jorge Wamburg
Quase 50 mil trabalhadores foram resgatados de situações análogas ao trabalho escravo nos últimos 20 anos, a maior parte em Minas Gerais, de acordo com balanço divulgado hoje (13) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). De acordo com o ministro Manoel Dias, esse resultado foi possível porque o país tem “uma das melhores legislações do mundo” e pelas ações concretas em parceria com outros órgãos.
O número exato é de 48.720 trabalhadores resgatados pelo Grupo Especial de Fiscalização (GEFM), em duas décadas de atuação. Nas 30 operações feitas em 2015, em 55 estabelecimentos, foram resgatadas 419 pessoas da situação de quase escravidão; em 2014, foram resgatados 1.674 trabalhadores; e em 2013, 2.808.
O ano em que o maior número de trabalhadores foi resgatado de situações análogas à escravidão foi 2007, com 5.999 resgates em 116 operações. O balanço detalha as ações realizadas em 2014, ano em que foi possível incluir municípios e atividades econômicas que não foram abordados nas ações de anos anteriores, como algumas atividades do setor de extração vegetal, tipo exploração da piaçava e da carnaúba.
De acordo com o Ministério do Trabalho, nas ações feitas na atividade de extração de pó da folha de carnaúba (produto utilizado para a fabricação de cera com inúmeras aplicações, como produção de velas, cosméticos, cápsulas de medicamentos, componentes da indústria da informática, conservação de alimentos, entre outras) nos estados do Ceará e Piauí, foram resgatados 155 trabalhadores.
No caso das fiscalizações feitas na atividade de extração de piaçava nas comunidades ribeirinhas de Barcelos e Santa Isabel do Rio Negro – no estado do Amazonas – foram resgatados 20 trabalhadores e produzidos 48 autos de infração. Também foram feitas operações a bordo de navios de cruzeiro. Neles, o GEFM encontrou 13 tripulantes nessa situação, submetidos a "jornadas exaustivas de trabalho".
O estado que registrou maior número de trabalhadores resgatados de situações análogas à escravidão foi Minas Gerais, com 380 dos 1.674 casos registrados no país ano passado. Em segundo lugar, está São Paulo, com 176 trabalhadores resgatados; seguido de Goiás, com 141 casos. A região com maior número de resgates foi a Sudeste, com 784 resgates. A Região Norte teve 359 trabalhadores resgatados; a Nordeste, 315; a Centro-Oeste, 148; e a Sul, 68 casos.
Das cinco ações fiscais que encontraram maior quantidade de trabalhadores nessa situação, duas foram em ambientes urbanos, na atividade de construção civil: 118 no município de Macaé (RJ) e 67 em Conceição do Mato Dentro (MG). Em uma ação realizada em Sooretama (ES) foram resgatados 86 trabalhadores que colhiam café; em Picos (PÌ) foram resgatadas 61 pessoas de atividades de extração da palha de carnaúba; e em Tarauacá (AC) foram 55 resgates de trabalhadores em um empreendimento de criação de bovinos.