terça-feira, 18 de março de 2014

PARA ENTENDER AS ENCHENTES DO RIO MADEIRA

PUBLICO MAIS UM ARTIGO LOGO MAS QUE, ALÉM DE MUITO BEM ESCRITO, ELE APRESENTA DADOS INDISPENSÁVEIS PARA TER UMA COMPREENSÃO CRÍTICA DO QUE ESTÁ ACONTECENDO NA REGIÃO DO RIO MADEIRA. NA VERDADE, O AUTOR LEMBRA QUE OUTRAS OBRAS FARAÔNICAS FORAM ABANDONADAS RAPIDAMENTE, E ISSO PODE ACONTECER TAMBÉM COM AS HIDRELÉTRICAS SANTO ANTÔNIO E JIRAU. POR OUTRO LADO, POR QUE O BRASIL ESTÁ INSISTINDO NESSE MODELO ATRASADO DE PRODUÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA, DEIXANDO DE LADO O SOL - TÃO INTENSO EM TODO O TERRITÓRIO? 

O MADEIRA, COMO O AMAZONAS, NOS LIGAM COM A CORDILHEIRA DOS ANDES, DE ONDE ESCORREM PARTE SIGNIFICATIVA DE SUAS ÁGUAS. E SE, COM OS EFEITOS NADA NATURAIS DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS, AS NEVES E GELOS DOS ANDES DIMINUÍREM OU DEIXAREM DE EXISTIR, O QUE PARECE DRAMATICAMENTE POSSÍVEL OU PROVÁVEL, A QUE SERÃO REDUZIDOS "NOSSOS" RIOS? E ESSAS HIDRELÉTRICAS NOS RIOS DA AMAZÔNIA, QUE EFEITOS TRARÃO PARA O BIOMA?
 

O rio Madeira visto do Mirante

O Madeira é um rio poderoso. Maior afluente do Amazonas, quando os dois se encontram, próximo a Itacoatiara, sua carga sedimentar é, em algumas épocas do ano, comparável à do grande rio. Esse poder não vem de graça, mas sim, literalmente, dos céus: os formadores do Madeira  rios Madre de Dios, Beni e Mamoré – nascem todos nos altiplanos da Cordilheira dos Andes, de onde despencam rapidamente de mais de quatro mil metros de altura até a planície Amazônica.
A reportagem é de Eduardo Góes Neves, publicada no sítio Amazônia Real, 10-03-2014.
Peço desculpas às leitoras e leitores desta coluna pelas semanas de silêncio, devidas a merecidas férias, o trabalho em um manuscrito e também a uma etapa de campo escavando um sambaqui fluvial na Reserva Biológica (ReBio) do Guaporé, em Rondônia, uma área maravilhosa, sobre a qual escreverei no futuro.
Da ReBio Guaporé a Porto Velho a viagem é longa: muitas horas de barco, rio Guaporé abaixo, seguidas por outras tantas horas de ônibus pelas BRs 429 e 364 de Costa Marques a Porto Velho.
Fevereiro é época de chuva em boa parte da Amazônia, pelo menos na Amazônia abaixo da linha do Equador, e assim o estava sendo enquanto trabalhávamos em relativo isolamento no Guaporé. Era possível ver como o nível do rio subia rapidamente, embora no rio Branco, afluente no qual se situa o sítio que escavávamos, se notava até um repique com uma ligeira baixa no nível das águas. Na BR-429, no caminho de volta a Porto Velho o ônibus teve que fazer um longo desvio devido à cheia do rio São Miguel, próximo a São Miguel do Guaporé. Nada de excepcional para um típico inverno amazônico.
Chegamos a Porto Velho debaixo de um temporal. Eu já sabia que estava chovendo bastante por lá e havia ouvido notícias de que o rio Madeira havia transbordado, chegando até ao impedimento do acesso de Porto Velho a Rio Branco pela BR-364. Com alguns amigos que lá vivem fomos até o Mirante para verificar o nível da cheia. Para quem não conhece Porto Velho, Mirante é o nome de uma série de bares e restaurantes localizados no alto de uma barranca alta, de onde se tem uma bela vista do rio Madeira, incluindo também o centro da cidade e os antigos galpões da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, que são tombados como patrimônio histórico da União. O local onde ficam – ou melhor, ficavam – os Mirantes é um dos mais aprazíveis de Porto Velho: as ruas são largas e arborizadas e há uma brisa que acompanha o peixe frito e a cerveja gelada que ali se apreciam. Há também, adjacente a um dos bares, uma pitoresca capelinha, cuja presença abençoa os boêmios que os frequentavam.
Essas lembranças dos Mirantes são hoje só reminiscências sentimentais: já há algum tempo, todos eles, menos um, estão fechados. A capelinha está também interditada, devido à erosão causada pelos banzeiros cada vez mais fortes do rio Madeira. Por uma estranha coincidência, a força dos banzeiros parece ter aumentado depois do término da construção da usina hidrelétrica de Santo Antônio, cuja barragem – um grande muro de terra e pedra, de aspecto feio e mal-acabado, construído sobre o local da antiga cachoeira de Santo Antônio -, também se avista do Mirante remanescente.
O Madeira é um rio poderoso. Maior afluente do Amazonas, quando os dois se encontram, próximo a Itacoatiara, sua carga sedimentar é, em algumas épocas do ano, comparável à do grande rio. Esse poder não vem de graça, mas sim, literalmente, dos céus: os formadores do Madeira – rios Madre de Dios, Beni e Mamoré – nascem todos nos altiplanos da Cordilheira dos Andes, de onde despencam rapidamente de mais de quatro mil metros de altura até a planície Amazônica. Por um capricho da geografia, quase todos esses rios se juntam em uma área relativamente pequena – primeiramente o Madre de Dios e o Beni, depois o Mamoré e o Beni – para formar o rio Madeira na fronteira entre a Bolívia e o Brasil no município de Nova Mamoré, em Rondônia.
O velho e belo “Mapa de matas e campos do Brasil”, publicado em 1911 pelo Serviço Geológico e Mineralógico do Estado de São Paulo, cuja edição fac-similar guardo com orgulho emoldurada na parede da sala da minha casa, já mostrava, há mais de cem anos, isso.
O único dos grandes formadores do alto Madeira que não nasce nos Andes é o rio Guaporé, que é um afluente do Mamoré, mas sua contribuição sedimentar para a bacia é relativamente pequena se comparada à dos rios que vêm da Bolívia.
Essas características hidrográficas fazem com que o alto Madeira funcione como uma espécie de funil: seus formadores vêm dos Andes em forma de leque, mas a quantidade de água e sedimento que trazem é tão grande que não conseguem ter vazão na planície relativamente estreita do alto curso do rio.
Por essa razão, há pelo menos mil e quinhentos anos, centenas de milhares de quilômetros quadrados são naturalmente inundados todos os anos no lado boliviano, formando uma extensa planície de campos alagáveis, os Llanos de Mojos, onde os povos que ali habitaram no passado construíram estruturas como diques, canais e aterros, obras sofisticadas de engenharia hidráulica, para lidar com um ambiente tão complexo e de sazonalidade tão marcada. É bom também lembrar que, a montante de Porto Velho a margem direita do Madeira é acompanhada pelas terras altas do final da serra dos Pacaás-Novas, que não é nada mais que a extensão mais setentrional do Planalto Central do Brasil.
Peço desculpas aos leitores por essa aula-relâmpago de geografia, mas até um não especialista no assunto como eu – não sou geógrafo, muito menos hidrólogo – pode perceber as particularidades físicas da bacia do alto Madeira: todo ano as planícies de seus formadores são alagadas porque a vazão de água e sedimento é muito maior que a capacidade do rio em transportá-lo.
No Brasil, principalmente no sudeste e sul, a maioria dos rios já foi barrada para a construção de usinas hidrelétricas. A exceção honrosa e heroica, ao menos em São Paulo, é a do rio Ribeira de Iguape. Os rios do sul e sudeste são todos rios de planalto, cujas cabeceiras se encontram em terrenos geologicamente antigos, como as serras do Mar e da Mantiqueira, ou nas vertentes meridionais das escarpas do Planalto Central.
Trata-se de áreas que, devido a sua antiguidade, são relativamente baixas, com cerca de 1.000 metros de altitude. Por serem locais que sofrem erosão há milhões de anos, os rios que ali nascem têm uma carga sedimentar infinitamente inferior à dos rios amazônicos que nascem nos Andes, como é o caso do Madeira e do próprio Amazonas. O Amazonas, por exemplo, despeja no Oceano Atlântico quase um quinto de toda a água doce não subterrânea do todo o planeta. O Madeira tem uma contribuição caudalosa para essa carga. Antes da construção de Santo Antônio e Jirau jamais se havia construído no Brasil usinas hidrelétricas em rios de origem andina como o Madeira.
De Porto Velho a Itacoatiara (AM) o Madeira tem uma larga planície aluvial que ele alagava anualmente com os férteis sedimentos que transporta. Geologicamente a formação da Cordilheira dos Andes é um processo recente que se concluiu há cerca de seis milhões de anos, quando nossos ancestrais mais antigos já começavam a descer das árvores na savana africana.
O soerguimento dos Andes resultou da lenta colisão de placas tectônicas, processo que ainda ocorre e que explica a grande frequência de terremotos em países como Equador, Peru e Colômbia.
Com a colisão das placas, depósitos sedimentares férteis que estavam no fundo do mar foram elevados ao topo da cordilheira para ser posteriormente carregados todos os anos rio abaixo.
Isso ocorre com os chamados “rios de água branca” da Amazônia, como o próprio Amazonas, o Japurá e o Madeira. Por essas razões, esses rios carregam milhões de metros cúbicos de sedimento. Isso quer dizer que as usinas de Santo Antônio e Jirau podem ter uma vida útil curta, resultado do assoreamento dos lagos e entupimento das barragens provocados pela sedimentação intensa. Em outras palavras, faltou combinar com os Andes.
De Porto Velho rio acima até Guajará-Mirim os rios Madeira e Mamoré atravessam dezenas de corredeiras. O volume da água e as próprias dimensões dessas corredeiras sempre foram um obstáculo à navegação e é por essa razão que se construiu, com um alto custo de vidas humanas, a estrada de ferro Madeira-Mamoré. A região dos formadores do Madeira é rica em seringueiras e a estrada de ferro proveria um caminho para o escoamento da borracha boliviana. A estrada de ferro, como se sabe, está já algumas décadas abandonada e as partes remanescentes devem estar agora em baixo d´água devido à cheia do rio.
O antigo pátio de manobras no centro de Porto Velho está agora alagado. As cachoeiras eram também famosas por sua piscosidade: Teotônio, por exemplo, hoje totalmente afogada era conhecida pela grande quantidade de bagres que se podia ali pescar.
As pesquisas arqueológicas associadas ao licenciamento da usina de Santo Antônio mostram que a ocupação humana na região chega a quase nove mil anos de antiguidade, provavelmente por causa da produtividade natural da área.
Apesar de ser um obstáculo à navegação, as cachoeiras funcionavam como degraus que atenuavam a alta velocidade da correnteza do Madeira. Com a construção das barragens esse efeito se anulou e é possível que a velocidade da correnteza tenha aumentado, já que é fato que a água sai hoje com velocidade maior dos vertedouros das barragens. No caso de Santo Antônio, que fica poucos quilômetros rio acima de Porto Velho, os moradores ribeirinhos da cidade, inclusive a área onde se encontram os Mirantes, têm sofrido bastante com a erosão, que aumentou desde o início da operação da barragem.
Com a cheia deste ano temos o pior dos dois mundos: para aliviar os efeitos da inundação a montante da barragem, que alagou a BR-364, o Operador Nacional do Sistema Elétrico determinou, no dia 21/02, que 11 das 17 turbinas em atividade na usina fossem desligadas, o que levou ao aumento ainda maior do ritmo da cheia e da força dos banzeiros a jusante. Temos então uma usina que funciona com força reduzida justamente na época do ano onde a geração de energia deveria ser maior. Para complicar ainda mais, pode ser que Santo Antônio jamais possa funcionar a carga plena, porque isso aumentaria o nível da água do lago, comprometendo a capacidade de geração de energia da usina de Jirau, que teria parte suas instalações inundadas. Literalmente, um show de horrores. Enquanto isso, brigam os dois consórcios responsáveis pelas usinas e sofre a população da região.
Na estória infame das usinas do rio Madeira todo mundo tem sua responsabilidade: é bom lembrar que, no caso de Jirau, o consórcio vencedor do leilão para construção da usina e venda da energia produzida simplesmente mudou em cerca de 9 km o local de construção da barragem, sob a alegação da diminuição de custos da obra, sem que houvesse qualquer novo licenciamento! Ainda em Jirau, as más condições de trabalho levaram a uma revolta dos trabalhadores, ocorrida em março de 2011, que praticamente destruiu o canteiro de obras e levou ao êxodo de milhares de trabalhadores pelas que vagaram por dias pelas ruas de Porto Velho e BR-364.
Não é possível ainda afirmar que a construção das barragens tenha uma relação com as cheias e o aumento da erosão do rio Madeira, mas, dadas as características hidrológicas do rio, é bem possível que se verifique essa correlação. O que é inegável, a essa altura, é o abandono em que se encontra a cidade de Porto Velho: esqueletos de viadutos, prédios inacabados, ruas esburacadas. Aparentemente o legado das usinas tem sido a criação de ruínas, além do aumento da violência e, agora, esta inundação.
Antes do início das obras, era grande a esperança de mudanças na economia local, mas isso se esvaiu nas águas do rio. Espero estar enganado, mas temo pelo futuro das usinas do Madeira, em uma região que tem uma tradição centenária na construção de obras faraônicas precocemente abandonadas: a já mencionada Madeira-Mamoré e, mais antiga ainda, o forte Príncipe da Beira, construído no século XVIII às margens do Guaporé. As cachoeiras de Santo Antônio e Jirau, de qualquer modo, não voltam mais: foram bombardeadas, viraram pó, não existem mais.
O Brasil tem uma grande demanda energética e precisa supri-la. O que se avista do Mirante mostra que o modelo deSanto Antônio e Jirau não é o melhor caminho para fazê-lo.

DESCOLONIZAÇÃO DA AMAZÔNIA



Tive a alegria de estar, mais uma vez, em Manaus para participar de eventos com a temática da convivência com a Amazônia. Por causa de atraso no voo, do Seminário “A Amazônia para Além do Pensamento Ocidental” só participei com um texto que consegui enviar. Por ser um tema ligado à vida, este evento atraiu mais de 300 pessoas, a maioria delas jovens estudantes. No outro, promovido pela Cáritas da região, buscamos juntos motivações profundas para construir, com os povos da Amazônia, um modo de pensar e de agir inspirado em Jesus de Nazaré, construindo uma Amazônia em que todas as pessoas vivam com dignidade e convivam com a biodiversidade que a caracteriza.

O projeto dominante na Amazônia é a aplicação concreta do pensamento ocidental. Ele coloca o homem no centro de todo o progresso, afirmando que ele deve usar sua razão para dominar sobre a natureza, colocando-a a seu serviço; ou melhor, afirma que o indivíduo tem direito de apropriar-se de tudo que seus recursos financeiros e sua esperteza possibilitam controlar e usar a serviço de seus interesses. Na Amazônia, esse projeto avança por causa do Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC, que dá força às grandes empresas de extração de minérios e de produção agropecuária voltadas para a exportação. Um dos apoios se faz presente nas grandes hidrelétricas, que ameaçam os rios, os povos ribeirinhos e a biodiversidade.

Essa civilização ocidental está aumentando o desequilíbrio ambiental, agravando os efeitos socioambientais das mudanças climáticas. E esse progresso, além de favorecer a poucos, é pensado fora da região e é voltado para fora; é, por isso, um projeto colonial.

Quem ama a Amazônia e seus povos, precisa apoiar as ações dos que lutam contra o projeto colonial que agride e destrói o bioma. É um trabalho desafiador porque muitas pessoas estão dominadas pelo projeto colonizador, e não é tarefa fácil libertarem-se do colonizador que invadiu suas mentes. Uma das condições para seu avanço está na consolidação do projeto de convivência com a Amazônia, que já está presente nas formas de vida tradicional dos povos da região e em outras iniciativas comunitárias, e é a meta da ARCA, a Articulação da Convivência com a Amazônia.

BANQUEIROS FICAM COM 30% DO ORÇAMENTO FEDERAL

ATÉ QUANDO SEREMOS OBRIGADOS A CONVIVER COM ESTE ESCÂNDALO DA DÍVIDA PÚBLICA SEM UMA AUDITORIA PÚBLICA QUE DEFINA O QUE HÁ DE LEGAL, ILEGAL E IMORAL NELA?

IGUAL AO FATO COMPROVADO COM OS DADOS DA REPORTAGEM DE IGOR FELIPPE - DE QUE O ATUAL PARLAMENTO E A ATUAL PRESIDENTE APROVARAM UM ORÇAMENTO QUE DESTINA 30% - OU SERÁ MAIS? - A 20 MIL FAMÍLIAS RICAS, QUASE TODAS LIGADAS AOS BANCOS - É A RESPONSABILIDADE DE TODOS OS PRESIDENTES, SENADORES E DEPUTADOS FEDERAIS, E MESMO DA JUSTIÇA FEDERAL, QUE, DESDE 1988, NÃO CUMPRIRAM A CONSTITUIÇÃO FEDERAL, QUE EXIGE AUDITORIA PÚBLICA DA DÍVIDA EXTERNA E INTERNA. SEM AUDITORIA, COMO SABER SE A DÍVIDA ATUAL TEM BASES LEGAIS, SE FORAM LEGAIS E JUSTAS AS RENEGOCIAÇÕES SECRETAS, SE FORAM JUSTOS AS TAXAS DE JUROS E OUTROS ENCARGOS EXIGIDOS?

VALE LER A NOTÍCIA TENDO PRESENTE UMA PERGUNTA E UMA PONDERAÇÃO:

PERGUNTA: QUAL A BASE PARA QUE GOVERNO, CONGRESSO E JUDICIÁRIO TENHAM TANTO MEDO DE INSTALAR UMA AUDITORIA PÚBLICA DA DÍVIDA DO ESTADO BRASILEIRO? DE NÓS, POBRES MORTAIS E SEMPRE VISTOS COM DESCONFIANÇA, O GOVERNO COBRA AUDITORIA ATÉ DE 50 CENTAVOS, QUANDO NOS REPASSA ALGUM RECURSO PÚBLICO, MAS EVITA E IMPEDE QUE SE FAÇA AUDITORIA DE UM ENDIVIDAMENTO QUE CUSTA BILHÕES E ATINGE A VIDA DE TODOS OS BRASILEIROS!

PONDERAÇÃO: É CLARO QUE O MAIOR PROBLEMA DA ADMINISTRAÇÃO DOS RECURSOS PÚBLICOS É ESTE, SENHOR IGOR, MAS ISSO NÃO JUSTIFICA QUE ESTEJAM SENDO GASTOS MUITOS BILHÕES, E SEM AUDITORIA, COM AS OBRAS DA COPA, E MENOS AINDA QUE OS ATINGIDOS E AFETADOS POR ESTAS OBRAS SEJAM MALTRATADOS COMO ESTÃO SENDO. AS MANIFESTAÇÕES CONTRA A COPA TEM ESTE FUNDAMENTO, E SE SOMAM ÀS LUTAS PELA AUDITORIA PÚBLICA DA DÍVIDA E PELO PLEBISCITO POPULAR EM FAVOR DE UMA ASSEMBLEIA CONSTITUINTE EXCLUSIVA PARA REDEFINIR POLITICAMENTE O ESTADO BRASILEIRO - INCLUINDO A POLÍTICA EM RELAÇÃO AO ENDIVIDAMENTO PÚBLICO.

Banqueiros ficam com 30% do orçamento

A melhor forma de saber as prioridades do Estado brasileiro – definidas por governo, parlamento e judiciário – é analisar para onde vai o dinheiro do Orçamento. A presidenta Dilma Rousseff sancionou nesta segunda-feira o orçamento fiscal para 2014, que foi aprovado no Congresso Nacional.
A reportagem é de Igor Felippe, publicada pela Carta Capital, 21-01-2014.
O pesquisador Antônio David destacou o seguinte trecho da lei:
Art. 3o A despesa total fixada nos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social é de R$ 2.383.177.997.310,00 (dois trilhões, trezentos e oitenta e três bilhões, cento e setenta e sete milhões, novecentos e noventa e sete mil e trezentos e dez reais), incluindo a relativa ao refinanciamento da dívida pública federal, interna e externa /…/
I – Orçamento Fiscal: R$ 1.015.519.698.350,00 (um trilhão, quinze bilhões, quinhentos e dezenove milhões, seiscentos e noventa e oito mil e trezentos e cinquenta reais) /…/
II – Orçamento da Seguridade Social: R$ 712.911.351.891,00 (setecentos e doze bilhões, novecentos e onze milhões, trezentos e cinquenta e um mil e oitocentos e noventa e um reais) /…/
III – Refinanciamento da dívida pública federal: R$ 654.746.947.069,00 (seiscentos e cinquenta e quatro bilhões, setecentos e quarenta e seis milhões, novecentos e quarenta e sete mil e sessenta e nove reais) /…/
O estudo “Os Ricos no Brasil” (publicado em livro pela Editora Cortez, 2004), lançado pelo economista Márcio Pochmann, que foi presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), apontou que 20 mil clãs familiares (grupos compostos por 50 membros de uma mesma família) se apropriam dos recursos destinados pelo governo para o pagamento dos títulos da dívida pública. Os banqueiros ficam com a maior parte desses recursos.
Ou seja, o orçamento deste ano prevê que aproximadamente 30% do orçamento – arrecadado com o pagamento de impostos por toda a população – será destinado para 20 mil famílias.
Aí está o nó para o atendimento das demandas do povo brasileiro – como transporte, educação, saúde e moradia – e para o desenvolvimento do país.
Não é a “gastança” ou “farra fiscal” do governo federal, como acusam os setores neoliberais.
Nem a realização da Copa do Mundo do Brasil, como alegam os organizadores de protestos sob o lema “Não vai ter Copa”, previsto para 25 de janeiro.

segunda-feira, 10 de março de 2014

DESERTIFICAÇÃO E DIREITO DE REVOLTA

ATENÇÃO AO ALERTA FINAL: NAS REGIÕES EM QUE AVANÇOU A DESERTIFICAÇÃO E O DRAMA DA ALIMENTAÇÃO AUMENTOU COM A CRISE ESPECULATIVA DE 2008, POPULAÇÕES SE REVOLTARAM, CRIARAM TUMULTOS, E COM TODO O DIREITO. O QUE PRECISA SER FEITO É ATACAR AS CAUSAS DA DESERTIFICAÇÃO E DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS, E NÃO REPRIMIR OS QUE SE REVOLTAM OU MIGRAM REIVINDICANDO O DIREITO DE VIVER COM DIGNIDADE.




IHU, Quinta, 06 de março de 2014
Combate à desertificação é necessário para garantir segurança, diz ONU
Combater a desertificação é necessário também em termos de segurança, alertou na segunda-feira (3) a Organização das Nações Unidas (ONU) no lançamento de um estudo que mostra uma ligação entre a desertificação, as alterações climáticas e as crescentes ameaças à segurança nacional e internacional.
A reportagem foi publicada por Agência Brasil - EBC, 03-03-2014.
O estudo Desertificação: A Linha da Frente Invisível é a primeira iniciativa que destaca essa ligação, segundo a Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD).
“Insegurança alimentar, conflitos relacionados com a água, migração, radicalização política e falência do Estado são cada vez mais evidentes em países em que grandes populações pobres, que dependem de terras frágeis ou desertificadas, estão cada vez mais expostas a acontecimentos climáticos extremos”, indica o estudo.
O relatório da UNCCD estima em mais de 1 bilhão o número de pessoas que atualmente não têm acesso à água, prevendo que “a procura vai aumentar 30% até 2030″.

Segundo o relatório, em 2020 cerca de 60 milhões de pessoas poderão deslocar-se das áreas desertificadas da África Subsaariana para o Norte da África e da Europa.

As alterações climáticas provocam acontecimentos climáticos extremos, como secas prolongadas e inundações, afetando “comunidades mais vulneráveis à desertificação”, alertou a secretária executiva da UNCCD, Monique Barbut.

As declarações de Barbut foram divulgadas em uma mensagem de vídeo durante um evento em Maseru, capital do Lesoto, para lançar a campanha global que antecede o Dia Mundial de Combate à Desertificação, em 17 de junho.
Segundo ela, este dia “é uma oportunidade única para lembrar a todos que a degradação dos solos pode ser combatida eficazmente e que existem soluções”.
“A campanha promove uma abordagem baseada nos ecossistemas, para conseguir uma ‘terra à prova de clima’ e garantir a sua produtividade para as gerações presentes e futuras”, segundo o comunicado.
Para o presidente da Global Environment Facility (organização financeira que subsidia projetos relacionados com o meio ambiente), Naoko Ishii, “em nenhum outro lugar no mundo estão as ameaças de desertificação mais intimamente ligadas à segurança alimentar e à estabilidade política e econômica do que nas terras áridas da África”.

O estudo da ONU mostra “uma sobreposição” das regiões em África mais vulneráveis à desertificação e onde aumentaram a temperatura e a seca ao longo dos últimos 40 anos, com as “áreas que registaram alta incidência de ataques terroristas em 2012 e onde ocorreram tumultos provocados pelo aumento do preço dos alimentos em 2007-2008″.