sábado, 21 de dezembro de 2013

MUDANÇAS CLIMÁTICAS E DIREITOS HUMANOS


Comecemos com os eventos climáticos extremos em nosso país. A seca que atinge quase todo o Semiárido brasileiro já ultrapassa três anos. Volta e meio cai um pouco de chuva, mas não o bastante para acabar com a seca. Só que uma cidade da Bahia, Lagedinho, na Chapada Diamantino, viveu uma surpresa dolorosa: uma chuva intensa provocou a morte de 16 pessoas e desalojou a metade da população da cidade, que é de 2 mil pessoas. Para se ter uma ideia do que isso significa, seria como se na cidade de Salvador uma enchente tivesse provocado a morte de mil e quinhentas pessoas. Nunca se viu coisa parecida na Bahia, e de modo especial na região semiárida.

Aconteceram enchentes muito fortes também no Rio de Janeiro, em Minas Gerais, no Espírito Santo, provocando desastres com vítimas fatais. Até mesmo em Goiânia, no estado de Goiás, uma chuva de meia hora provocou estragos em ruas e casas, e três pessoas perderam a vida.

Ao noticiar essas enchentes, fala-se que seriam desastres naturais. Serão mesmo naturais, ou seria mais correto dizer que são eventos extremos de fenômenos naturais? Chuva é fenômeno da natureza, mas essas enchentes tão intensas já são, com certeza, provocadas pelo aquecimento do planeta, que provoca mudanças climáticas.

Por outro lado, dia 10 foi mais um Dia Mundial dos Direitos Humanos. Em Brasília, junto com o início do Fórum Mundial de Direitos Humanos, promovido pela Secretaria de Direitos Humanos, foi lançada no Brasil pela CNBB e pela Cáritas Brasileira a Campanha Mundial pela superação da fome e da pobreza, promovida pela Cáritas Internacional, envolvendo mais de 190 países. A manifestação do índios Mundurucu, no início do Fórum Mundial, deixou claro que não estão sendo respeitados os direitos dos povos indígenas, de modo especial pela imposição da construção de grandes hidrelétricas na Amazônia. E sem garantia dos direitos não será superada a fome que atinge mais de um bilhão de pessoas no mundo.


Para animar nossa indignação e nosso compromisso com as lutas pelos direitos de toda as pessoas, vale lembrar o testemunho de Nelson Mandela, que dedicou, com teimosia e criatividade, sua vida pelo fim do sistema racista do apartheid e continuará sendo inspiração para o povo da África do Sul construir uma sociedade assentada sobre a justiça e a verdadeira igualdade.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

VOTE PARA ELEGER A FIFA COMO PIOR EMPRESA DO MUNDO

VALE A PENA: LEIA, DECIDA, VOTE... E PASSE PARA SEUS AMIGOS E AMIGAS...

É sempre assim: a FIFA põe governos e parlamentares de joelhos, viola direitos, come nosso dinheiro, explora nossa força de trabalho, desrespeita nossa cultura. Depois vai embora, com lucros bilionários para si e seus patrocinadores, ignorando todos os prejuízos deixados para a população dos países-sede. Mas no Brasil, algo novo aconteceu: durante a Copa das Confederações, a população se levantou contra uma série de absurdos, e um dos motivos foi justamente a atuação da FIFA em conchavo com governos e empresas.

Ainda assim, a FIFA continua tentando vender uma imagem de melhorias para os países-sede. Agora, para começar bem o ano da Copa, queremos dar à FIFA o prêmio de pior empresa do mundo - o Public Eye Awards, conhecido como o "Nobel" da vergonha corporativa mundial. É uma forma de manchar sua imagem, constranger seus patrocinadores e alertar a população de todos os países. Seu voto pode desmascarar a FIFA. Vote agora, leva só dois minutinhos: 

http://publiceye.ch/pt-pt/case/fifa/

A preparação do Brasil para a Copa do Mundo está sendo traumática. Levantamentos apontam para um gasto público de mais de R$ 100 bilhões para 30 dias de jogos. É dinheiro que deveria estar sendo investido em escolas, hospitais, moradia, transporte público... Mas por que nossos governos municipais, estaduais e federal entraram nessa furada?

É mais ou menos assim: a FIFA tem empresas poderosas como parceiras. São patrocinadoras, empreiteiras, corporações de mídia, do ramo imobiliário e de turismo que compõem uma poderosa rede de influência. Estes grupos são responsáveis, por exemplo, pela doação milionária às campanhas eleitorais dos principais partidos políticos. É através da pressão deles que os governos liberam o caminho para a realização daCopa do Mundo a qualquer custo. Vote FIFA para pior empresa do mundo:  http://publiceye.ch/pt-pt/case/fifa/

Em função do evento, estádios monumentais foram erguidos com dinheiro público em cidades sem tradição de futebol. E em todos os estádios, a nossa própria tradição foi esquecida: um modelo europeu de 'arenas', com ingressos caros. Além disso, a FIFA é reconhecidamente uma das corporações mais corruptas do mundo, com ligações escusas com cartolas de federações de vários países, a começar pela CBF. 

O verdadeiro 'padrão FIFA' é autoritário. A remoção e o despejo de famílias pobres é um dos exemplos mais dramáticos dos impactos que a Copa está causando no país. Mais de 200 mil pessoas estão ameaçadas ou já perderam suas casas em função de obras relacionadas com o megaevento. As violações de leis trabalhistas também preocupam: só no último mês, quatro operários morreram em obras de estádios. Em Salvador, a empresa quis até proibir a realização das festas de São João e impedir as baianas do Acarajé de trabalharem no período da Copa. Vote agora na FIFA para pior empresa do mundo: http://publiceye.ch/pt-pt/case/fifa/

A candidatura da FIFA é uma proposição brasileira: foi ideia da Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa (ANCOP), rede que reúne 12 comitês em todas as cidades que terão jogos. A 'vitória' da FIFA no Public Eye será a vitória de todos nós, um recado do Brasil para o mundo: FIFA, a PIOR! 

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PS: Em abril, o secretário geral da FIFA, Jerome Valcke disse em entrevista que "menos democracia às vezes é melhor para se organizar uma Copa do Mundo". Precisa de mais algum motivo? Vote FIFA!

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

GUARANI-KAIOWÁ TERÃO RECONHECIDO SEU TEKOHA YVI KATU?

PARECE UM PASSO IMPORTANTE, MAS A DECISÃO SIGNIFICA O FIM DE TODAS AS AMEAÇAS QUE PESAM SOBRE AS COMUNIDADES INDÍGENAS DE YVI KATTU? PRECISAMOS MANTER-NOS EM ALERTA E MOBILIZADOS PARA APOIAR SUA LUTA, PORQUE OS LADRÕES DE TERRAS INDÍGENAS TEIMARÃO EM AFIRMAR COM FORÇA QUE SÓ ELES PRODUZEM O QUE É BOM E CERTO: A RIQUEZA QUE VEM DA SOJA, DA CANA, DO EUCALIPTO!

Yvy Katu para Sempre! Desembargador Newton De Lucca concede liminar em decisão primorosa


O Tribunal Regional Federal da 3ª Região, através de seu presidente, desembargador Newton De Lucca,  suspendeu liminar da juíza da 1ª Vara de Naviraí, que determinava a ‘reintegração de posse’ da área de Yvy Katu ocupada  pela chamada Fazenda Chaparrau. A decisão da juíza estabelecia inclusive o uso da força, se necessário, para expulsar os Guarani Kaiowá, e a Polícia Federal já estava com instruções nesse sentido.

A informação é de Tania Pacheco e publicada por Combate Racismo Ambiental, 17-12-2013.
No seu despacho, cuja íntegra podemos ler abaixo, Newton De Lucca analisa as ponderações da defesa, à luz de decisões do STF, de Relatório do Conselho Nacional de Justiça e do laudo pericial elaborado pela antropóloga Valéria Esteves Nascimento Barros sobre Yvy Katu, confirmando toda a área como território indígena. E afirma, no penúltimo parágrafo de sua decisão:

“Não há como olvidar, outrossim, que a solução ideal para a questão indígena de Mato Grosso do Sul, nos casos em que o próprio estado participou dos atos de expulsão e confinamento de indígenas, além de ter titulado terra irregular, consistiria na justa indenização dos adquirentes das terras indígenas pelo poder público, de forma espontânea e pela via administrativa”.

Ao final, suspendendo oficialmente a liminar, o desembargador presidente determina a baixa do processo e que sua decisão seja comunicada com urgência a quem de interesse (a ‘reintegração’ estava marcada para amanhã, 18) e informada ao Ministério Público Federal.

PIZZA DO ORÇAMENTO GERAL DA UNIÃO PARA 2014

VEJAM GRÁFICO COM DESTINAÇÃO DO ORÇAMENTO GERAL DA UNIÃO PARA 2014.


 

QUEM GANHA E QUEM PERDE COM O ORÇAMENTO FEDERAL DE 2014

PARA VER EM FAVOR DE QUEM SE ADMINISTRA OS RECURSOS PÚBLICOS, LEIAM A NOTÍCIA PUBLICADA PELA EQUIPE DA AUDITORIA CIDADÃ DE DÍVIDA. E ACOMPANHEM ESTA LUTA NO SITE http://www.auditoriacidada.org.br/

Congresso aprova Orçamento para 2014: mais uma vez, o privilégio dos rentistas da dívida pública

18/12/2013

Hoje, o Congresso Nacional aprovou o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) para 2014, prevendo um total de despesas de R$ 2,4 trilhões, dos quais a impressionante quantia de R$ 1,002 trilhão (42%) é destinada para o pagamento de juros e amortizações da dívida pública[i].
Esse privilégio mostra que o endividamento é o maior problema do gasto público brasileiro, e afeta todas as áreas sociais, tendo em vista que o valor de R$ 1,002 trilhão consumido pela dívida corresponde a 10 vezes o valor previsto para a saúde, a 12 vezes o valor previsto para a educação, e a 4 vezes mais que o valor previsto para todos os servidores federais (ativos e aposentados) ou 192 vezes mais que o valor reservado para a Reforma Agrária.
Diante disso e tendo em vista as inúmeras comprovações denunciadas pela CPI da Dívida realizada na Câmara dos Deputados (2009/2010), de falta de contrapartida dessa dívida, além de ilegalidades e ilegitimidades, é urgente realizar completa auditoria, conforme previsto na Constituição Federal. Conheça mais sobre o assunto no livro Auditoria Cidadã da Dívida – Experiências e Métodos

Servidores Públicos
O Orçamento 2014 aprovado hoje prevê, para gastos com pessoal, apenas a segunda parcela do reajuste anual de 5%, que sequer cobre a inflação do período.
Comparativamente ao PIB, os gastos com pessoal apresentam queda no PLOA 2014, de 4,3% do PIB em 2013 para 4,2% do PIB em 2014.
Desta forma, verifica-se que a proposta do governo aos servidores mal repõe a inflação deste ano, e não recupera as perdas históricas que levaram as categorias ao grande movimento grevista no ano passado.

Salário Mínimo e aposentadorias
O PLOA 2014 mantém a política de reajuste do salário mínimo prevista na Lei nº 12.382/2011, segundo a qual o mínimo será reajustado pela inflação mais o crescimento real do PIB de 2 anos atrás. Para 2014, isto significa um reajuste de 6,8% (de R$ 678,00 para R$ 724 em 1/1/2014), correspondente à inflação (INPC) de cerca de 6% mais um aumento real equivalente ao crescimento real do PIB de 2012 (0,87%).
Com um aumento real de 0,87% por ano, serão necessários mais 154 anos para que seja atingido o salário mínimo necessário, calculado pelo DIEESE em R$ 2.729,24, e garantido pela Constituição: O art. 7º, IV, determina que é direito “dos trabalhadores urbanos e rurais (…) salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social…”.
O PLOA 2014 não traz nenhuma previsão de aumento real para as aposentadorias acima do salário mínimo. O eterno argumento oficial contra um aumento maior do salário mínimo é que a Previdência Social não teria recursos suficientes para pagar as aposentadorias. Porém, tal argumento é falacioso e não se sustenta em base aos dados da arrecadação federal.
A Previdência é um dos tripés da Seguridade Social, juntamente com a Saúde e Assistência Social, e tem sido altamente superavitária. Em 2011, o superávit da Seguridade Social superou R$ 77 bilhões, em 2010 R$ 56 bilhões, e em 2009 R$ 32 bilhões, conforme dados da ANFIP. Deveríamos estar discutindo a melhoria do sistema de Seguridade Social, mas isso não ocorre devido à Desvinculação das Receitas desse setor para o cumprimento das metas de superávit primário, ou seja, a reserva de recursos para o pagamento da dívida pública.

Distrito Federal, Estados e Municípios
O orçamento 2014 aprovado sacrifica também os entes federados. Enquanto os rentistas receberão 42% dos recursos orçamentários federais em 2014, os 26 estados, Distrito Federal e mais de 5.000 municípios receberão 9,9%, o que significa uma afronta ao Federalismo.
A coordenadora da Auditoria Cidadã da Dívida Maria Lucia Fattorelli, a coordenadora do Núcleo DF Eugenia Lacerda e colaboradores do movimento passaram o dia no Senado, entregando a Carta Aberta que alerta para as limitações da  proposta contida no PLC-99/2013. Apesar de o referido PLC representar uma pífia revisão da extorsiva remuneração nominal que vem sendo exigida dos entes federados desde o final da década de 90, nossa equipe ouviu de alguns senadores que sua aprovação teria sido suspensa este ano, devido à exigência de setores do governo federal que temem a interpretação negativa dos rentistas. Esse fato demonstra o crescente poderio do Sistema da Dívida nas esferas política, econômica, financeira e legal em nosso país.


[i] O valor de R$ 1,002 trilhão inclui a chamada “rolagem” ou refinanciamento da dívida, tendo em vista a comprovação de que grande parte dos juros são contabilizados como se fossem amortizações e incluídos na chamada “rolagem” da dívida. Esse tema está detalhado no relatório específico elaborado pela Auditoria Cidadã da Dívida incluído no Anexo I do livro Auditoria Cidadã da Dívida – Experiências e Métodos.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

CONSELHO NACIONAL DE POLÍTICA ENERGÉTICA: ONDE ESTÁ A SOCIEDADE CIVIL?

VEJA O POSICIONAMENTO DE MAIS DE 40 ENTIDADES SOBRE O CONSELHO NACIONAL DE POLÍTICA ENERGÉTICA. POR QUE NÃO HÁ REPRESENTANTES DA SOCIEDADE CIVIL NELE? SERIA PARA FACILITAR A APROVAÇÃO DO QUE JÁ CHEGA DECIDIDO PELO HERMÉTICO SETOR EXECUTIVO DA POLÍTICA ENERGÉTICA? HAVERÁ DISPOSIÇÃO DE DIÁLOGO POR PARTE DO GOVERNO PARA ADEQUAR O CONSELHO À LEI?

NOTA AO GOVERNO E À SOCIEDADE BRASILEIRA

Consta na agenda oficial do Ministério de Minas e Energia, em sua página na internet, a previsão de realização, de uma reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) no dia 17 deste mês. [1]  O que é este conselho e o que será decidido nesta reunião? Quem vai decidir?
Essas dúvidas têm razão de existir. Afinal, a grande maioria dos brasileiros provavelmente nunca ouviu falar do CNPE!

Em decretos presidenciais de 2000 e 2006 - que regulamentaram a lei que criou o CNPE em 1997 - existe a previsão de participação de um representante da sociedade civil e um representante da universidade brasileira, especialistas em matéria de energia.[2]  Entretanto, estas duas cadeiras encontram-se vagas há anos,  descumprindo-se um decreto do Presidente da República e, obstruindo um importante canal de diálogo entre o governo e a sociedade brasileira sobre um tema da maior relevância para o país.

Assim, o CNPE que se reúne em 17 de dezembro é um conselho exclusivamente governamental, “chapa branca”.   Além disso, as Atas e Resoluções do Conselho deixam claro que grande parte de suas decisões é tomada “ad referendum”, isto é, apenas carimbando uma decisão já tomada por seu Presidente, o Ministro de Minas e Energia.  Enquanto isso, a sociedade civil e a universidade brasileira, por não terem representantes no CNPE, não são sequer informadas sobre as decisões que são tomadas a portas fechadas. 

É muito grave o não preenchimento dessas duas vagas.  Mesmo em número insuficiente, a presença desses representantes da sociedade indicaria uma abertura mínima para a participação de pessoas e organizações que poderiam levar para a mesa de debates e decisões questões da maior relevância, que ajudariam o Conselho a cumprir sua missão.

É importante lembrar que as diretrizes que devem orientar a atuação do CNPE incluem, entre outras: a proteção do meio ambiente e promoção da conservação de energia; a identificação das soluções mais adequadas para o suprimento de energia elétrica nas diversas regiões do País; o estabelecimento de diretrizes para programas específicos, inclusive dos biocombustíveis, da energia solar, da energia eólica e da energia proveniente de outras fontes alternativas.

Como entidades da sociedade civil que acompanham e sofrem as consequências de empreendimentos prioritários do governo – como a construção de Belo Monte e outras grandes barragens na Amazônia, e a expansão do Programa Nuclear Brasileiro (PNB) - podemos afirmar que a atual política energética, estabelecida por decisões do CNPE, não leva em conta, efetivamente, as consequências sociais e ambientais dos projetos, em contraste com as diretrizes do próprio Conselho.

Também contrariando suas diretrizes, o CNPE tem menosprezado propostas inovadoras da sociedade civil e de empreendedores do setor privado em áreas estratégicas, como a eficiência energética e a conservação de energia; o aproveitamento do potencial quase infinito da energia solar, por meio da inovação tecnológica e o fomento a cadeias produtivas nacionais; as propostas de políticas para estimular, em bases sustentáveis e com justiça social, a ampliação de escala de outras fontes renováveis não convencionais, como a eólica, a biomassa e o movimento natural das águas sem barramentos, assim como a descentralização da produção e do consumo, evitando riscos e custos da produção centralizada, em mãos de grandes empresas.

O não preenchimento das vagas no CNPE reflete uma preferência política do atual governo de tomar decisões sem dialogar com a sociedade civil.  Esse planejamento centralizado facilita a prática de priorizar o atendimento de interesses de grandes empreiteiras que são parceiras prediletas do setor elétrico do governo (Eletrobras, EPE), “campeões nacionais” como Eike Batista, e grupos políticos, cujas campanhas eleitorais são financiadas generosamente pelos principais beneficiários da atual política energética. 

Não é legítimo, nem lícito que o CNPE tome decisões estratégicas sobre a política energética sem abrir o diálogo e sem contar com a contribuição da sociedade civil.  De fato, a atual política energética está sendo imposta à sociedade, em nome de necessidades definidas a partir de critérios discutíveis, favorecendo as “necessidades” de determinados grupos econômicos. 

Junto com as políticas de mineração, indústria e transporte, o modelo de produção, distribuição e consumo de energia é um tema estratégico para o país, envolvendo escolhas sobre a utilização de recursos naturais e territórios que afetam a vida de gerações presentes e futuras.  Por isso, devem ser objetos de processos transparentes e democráticos de tomada de decisão, garantindo os interesses públicos.

Com certeza, a presença de representantes da sociedade civil e da academia no CNPE – que devem ser indicados por redes representativas e não pelo Governo, em maior número do que o previsto no decreto – levaria para a mesa do Conselho contribuições importantes para superar vícios da atual política energética e avançar no aproveitamento de oportunidades para efetivar uma política energética brasileira à altura dos desafios do século 21, pautada em princípios de transparência e participação democrática, respeito aos direitos humanos, justiça social, sustentabilidade ambiental e eficiência econômica.

Assim, as organizações da sociedade civil, abaixo identificadas, manifestam interesse em abrir um diálogo com o governo a fim de definir medidas práticas para superar os obstáculos ao efetivo funcionamento do CNPE.  Como primeiro passo, nos dispomos a contribuir para a definição de um processo de consulta a redes da sociedade e da academia brasileira, objetivando a indicação de nomes para preencher as cadeiras vagas no Conselho.
Brasília, 17 de dezembro de 2013
Assinam:
  1. Amigos da Terra - Amazônia Brasileira
  2. Articulação de Mulheres Brasileiras – AMB
  3. Associação Alternativa Terrazul
  4. Associação Movimento Paulo Jackson – Ética, Justiça, Cidadania
  5. Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida - APREMAVI
  6. Comissão Justiça e Paz da Diocese de Santarém 
  7. Conselho Indigenista Missionário – CIMI
  8. Conselho Pastoral dos Pescadores – CPP
  9. Conservação Internacional – CI/ Brasil
  10. ECOA – Ecologia e Ação
  11. FASE
  12. FBOMS (Fórum Brasileiro de Ongs e Movimentos Sociais pelo Meio Ambiente e Desenvolvimento)
  13. Fórum da Amazônia Oriental – FAOR
  14. Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social
  15. Fundação Avina
  16. Gambá - Grupo Ambientalista da Bahia
  17. Greenpeace - Brasil
  18. Grupo de Defesa da Amazonia – GDA
  19. Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas IBASE
  20. Instituto Centro de Vida - ICV
  21. Instituto de Estudos Socioeconomicos – INESC
  22. Instituto Humanitas, Pará
  23. Instituto Madeira Vivo
  24. Instituto Mais Democracia
  25. Instituto Socioambiental - ISA 
  26. International Rivers – Brasil
  27. Marcha Mundial do Clima
  28. Movimento de Mulheres do Campo e Cidade Regional Transamazônica e Xingu
29.  Movimento dos Pequenos Agricultores - MPA
30.  Movimento Ecossocialista de Pernambuco-MESPE
  1. Movimento Gota D'Água
  2. Movimento Tapajós Vivo – Santarém
  3. Movimento Xingu Vivo para Sempre
  4. Mutirão Pela Cidadania
  5. Operação Amazônia Nativa – OPAN
  6. Projeto Cidade Verde, Cidadania Ativa/ FE- UNB
  7. Rede Brasileira de Ecossocialistas
  8. Rede Cearense de Juventude (RECEJUMA)
  9. Rede Sustentabilidade
  10.  Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Xapuri/AC
  11. SOS Clima Terra



[1] http://www.mme.gov.br/mme/menu/conselhos_comite/cnpe/CNPE_Agenda_Bxsica_2013.pdf
[2] A Lei no 9.478 de 1997 foi regulamentada pelos Decretos no 3.520/2000 e 5793/2006. O regimento interno do Conselho foi aprovado por resolução do CNPE em novembro de 2009.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

DEPOIMENTO DA LIDERANÇA GAURANI-KAIOWÁ SOBRE AS AMEAÇAS À VIDA DE SEU POVO


Para reforçar a postagem anterior, vejam e ouçam o depoimento dramático, gravado com exclusividade pela TV Comunitária de Brasília, proferido pela liderança indígena Guarani-Kaiowá Valdelice Veron. A indígena faz um apelo aos participantes do seminário do Quintas Urbanas da UnB em 6 de dezembro de 2013 sobre a gravidade da situação que tem levado ao genocídio e até ao suicídio de índios dessa etnia em Mato Grosso do Sul. Segundo Valdelice existe neste estado uma violação sistemática dos direitos indígenas devido ao confinamento em reservas indígenas fora das terras sagradas. Para Valdelice,  a violência do Poder Econômico, sobretudo do agronegócio da soja e da cana-de-açúcar, está sendo "legalizada" pelo Judiciário e reforçada pela omissão do Governo Federal e pelo apoio do Governo de Mato Grosso do Sul, como também pela conivência de autoridades do governo municipal de Dourados e região.