VEJAM RELATO DO PRÁTICA DEMOCRÁTICA E POSITIVAMENTE DIPLOMÁTICA DOS 47 POVOS QUE ELABORARAM EM CONJUNTO E PUBLICARAM SUA DECLARAÇÃO EM RELAÇÃO À REALIDADE HOSTIL QUE OS ENVOLVE EM 2020.
É FUNDAMENTAL QUE APOIEMOS A SUA LUTA PELO DIREITO DE SEREM POVOS, E POR ISSO, DIFERENTES. QUE 2020 SEJA ANO DE OCUPAÇÃO DAS RUAS, COMO SINALIZADO NO DOCUMENTO.
IHU - 20 de janeiro de 2020
Em um momento de pouco diálogo e muitas brigas no meio político internacional, 47 povos indígenas brasileiros se reuniram entre os dias 14 e 17 de janeiro para dar uma aula de diplomacia. O Encontro dos Povos Mebengokrê e Lideranças Indígenas do Brasil era um desejo que o cacique Raoni Metuktire
nutria há três anos: um momento em que as diferentes lideranças de
povos indígenas que vivem espalhados pelo território brasileiro
estivessem finalmente juntos e que, em união, pudessem assinar um
compromisso de defesa de seus direitos. Intitulado Manifesto do Piaraçu - das Lideranças Indígenas e Caciques do Brasil na Piaraçu,
o documento de quatro páginas sintetiza as principais demandas de todos
os signatários e o compromisso de esforço coletivo para construção de
uma agenda política nacional e internacional em defesa da natureza.
A reportagem é de Helena Borges, publicada por El País, 19-01-2020.
A construção do texto final se assemelhou aos procedimentos
diplomáticos para assinatura de acordos internacionais. Primeiro foram
realizadas mesas de conversa por três dias. As grandes pautas abordadas
foram os assassinatos de lideranças; os empreendimentos governamentais previstos para serem construídos sobre as Terras Indígenas; a atividade garimpeira e do mercado de mineração; a ação de madeireiros ilegais; a municipalização do sistema de saúde indígena, que ignora o tratamento especial dado atualmente a essas comunidades; e o desmonte da Funai.
O relatório original de trinta páginas foi então finalmente convertido por jovens indígenasformados em Direito em um documento enxuto, apresentado em português, por meio do qual eles denunciavam o “projeto político do Governo brasileiro de genocídio, etnocídio e ecocídio”.
“As ameaças e as falas de ódio do atual governo estão promovendo a
violência contra os povos indígenas, os assassinatos de nossas
lideranças e a invasão de nossas terras", afirma o relatório. “O atual
presidente da República está ameaçando os nossos direitos, a nossa saúde
e o nosso território. (...) O governo atual está nos atacando, querendo
tirar a terra de nossas mãos.”
Sob a cobertura de palha da Casa dos Homens, espaço que usado como plenária ao longo do encontro, Raoni estava cercado de outros caciques Kayapó enquanto os jovens liam a primeira proposta do texto. Os anciões pediram que os 47 povos
pudessem se organizar em delegações ―pequenos grupos que se reuniram em
rodas pela aldeia―, formados pelos anciões de cada povo e um jovem que
pudesse traduzir o documento do português para a língua nativa de cada
um. Após cada delegação ouvir a tradução em seu idioma, as lideranças
fizeram uma lista de propostas de emenda ao documento.
Com as mudanças solicitadas em mãos, todos os líderes se reuniram mais uma vez na Casa dos Homens e as propostas foram votadas uma a uma. Entre elas, que fosse incluída a frase: “Não admitimos que o Brasil
seja colocado à venda para outros países que têm interesse de explorar o
nosso território”. Também houve muito debate sobre o título, que foi
definido por consenso de forma a deixar claro que as afirmativas ali
partiam de inúmeros líderes indígenas, que reconhecem Raoni
como a liderança de todos. “Só nós podemos falar sobre nós e por nós
mesmos. Não admitimos que nossos caciques sejam desrespeitados, assim
como Bolsonaro fez em 2019 em seu discurso durante o encontro na ONU contra o cacique Raoni.
Afirmamos que o Cacique Raoni é SIM [em letras maiúsculas] a nossa liderança. Ele nos representa!", continua o texto.
Os líderes indígenas
também decidiram em unanimidade dar destaque para a defesa dos
territórios, o combate à atividade minerária, de garimpo e de
madeireiras e ao arrendamento de terras. “Nós não aceitaremos garimpo,
mineração, agronegócio e arrendamento em nossas terras, não aceitamos
madeireiros, pescadores ilegais, hidrelétricas ou outros
empreendimentos, como Ferrogrão, que venham nos
impactar de forma direta e irreversível”, afirmou o documento. Por fim,
as nações indígenas reiteraram esperar que as palavras redigidas em
papel ecoem pelas ruas, por meio de manifestações no Brasil e no
exterior. “2020 será um ano de muita luta, (...) de muitas mobilizações
(...) em Brasília e nas ruas do mundo todo”, diz o documento.
E assim, após nove horas de negociação entre os povos, o texto final foi assinado pelas principais lideranças. Três mulheres kayapó (Maialu, Mayal e Moé) fizeram a relatoria do documento. Maialu, filha do cacique Megaron Metuktire, braço direito de Raoni, foi quem encerrou a mesa. Uma dança marcou a conclusão da elaboração do manifesto e a retomada da aliança dos povos da floresta. O momento retratou a união entre povos fisicamente distantes, do Rio Grande do Sul ao Pará, e de reconciliação oficial entre nações que já tiveram desavenças, agora deixadas para trás.
ISSO É AFIRMADO PELO PADRE MARIANO PUGA E SUA COMUNIDADE - E SUA REFLEXÃO DESAFIA OS SEGUIDORES DE JESUS DE NAZARÉ A SE PERGUNTAREM: DE QUE LADO DEVEMOS ESTAR NO MOMENTO ATUAL DO CHILE?
ESSA PERGUNTA VALE TAMBÉM PARA MIM E PARA TODAS E TODOS OS SEGUIDORES DE JESUS DE NAZARÉ EM RELAÇÃO À ATUAL REALIDADE BRASILEIRA: DE QUE LADO DEVEMOS ESTAR: COM OS ABUSAM DE SEU NOME E DA BÍBLIA PARA JUSTIFICAR POLÍTICAS REPRESSIVAS CONTRA OS POBRES E OS QUE LUTA POR JUSTIÇA, OU JUNTO COM OS POBRES E OS QUE LUTAM POR JUSTIÇA?
SE ACOLHERMOS A MENSAGEM DA CARTA, SÓ PODEMOS ESTAR COM O POBRES, E DESEJAR QUE TAMBÉM AQUI CHEGUE "A HORA DOS POBRES", COM MOBILIZAÇÕES QUE EXIJAM MUDANÇA DE SISTEMA, CAMINHANDO NA DIREÇÃO DO BEM VIVER.
Chile. El cura obrero Mariano Puga defiende la revuelta y habla de «la hora de los pobres»
Mariano Puga es un sacerdote diocesano chileno. Conocido
como “cura obrero”, ex párroco de La Legua, creador de la Parroquia
Universitaria y defensor de los Derechos Humanos durante la dictadura
militar de ese país.Ahora ve la necesidad de tomar otra vez posición a favor de los humildes y los falto de justicia. Esta es su definición:
Villa Francia, 12 de enero de 2020.
ES LA HORA DE LOS POBRES..
Mariano Puga, desde su Comunidad Cristo Liberador de Villa FRANCIA,
Nos envía esta carta que nos invita a reflexiónar sobre los recientes
hechos acaecidos en la Catedral de Santiago este sábado 11 de Enero.
Estamos viviendo un estallido en Chile. Los que somos discípulos de
Jesús podemos leer en él que la felicidad que prometió a los hambrientos
y sedientos de justicia no aguantó más silenciosa, callada, miedosa.
Esto se ha dicho a través de un abrazo fraterno que ha recorrido de
norte a sur. Nos hemos encontrado sueños en que la justicia, la
fraternidad, la equidad es posible. Puede que la alegría de sentirnos
vivos vuelva a llegar a los rostros y que el odio y la venganza puedan
quedar atrás. No hay más que abrir los ojos a que algo nuevo esta
pasando en Chile. Y esto nos da la oportunidad de tener un corazón
abierto y ojos de compasión. Así, podemos hacer de Chile nuestro país.
Ayer, en la Catedral de Santiago asumía el nuevo Arzobispo, nuestro
pastor Celestino. Mientras se distribuía el cuerpo santo de Cristo, en
plena misa, dos jóvenes fueron detenidos por Carabineros ante la
impavidez de nuestros pastores, por tirar al suelo casquillos de
perdigones y bombas lacrimógenas. Nuestra fe nos dice que esos
casquillos que hirieron, mutilaron, flagelaron, mataron y dejaron ciego
para toda la vida a hermanas y hermanos nuestros son también, sobre todo
en este ahora, el cuerpo de Jesucristo, quien nos grita “todo lo que
hiciste a tu hermano me lo hiciste a mí”.
Hay muchos rostros de Cristo clavados en cruz en la Catedral. Los
postones, las balas, la violencia usada y abusada ¿No son los clavos de
ayer que crucifican hoy al pueblo? ¿Por qué no los sacamos, por qué no
nos atrevemos a sacarlos? Si no se le permite al pueblo denunciar en las
calles ¿No podríamos hacerlo dentro de nuestros propios templos? ¿O son
acaso templos donde el pueblo no se siente en casa? ¿Habría que
preguntarle a Jesús a quienes sacaría hoy, con azotes, del templo?
El hecho es que los dos jóvenes que nos ayudaron a descubrir el
rostro de Cristo en los baleados y violentados fueron detenidos,
conducidos por carabineros a la comisaria y como, ha sido la tónica, no
sabemos hasta ahora cuál es el motivo exacto por el que se les acusa ni
cuál será su destino. Solo sabemos que Jesús los alienta y les dice “por
mi causa están siendo atacados”.
Los que, a diferencia de estos
jóvenes, dispararon contra el pueblo e hirieron con postones y
enceguecieron la vida de más de doscientas personas, ¿Dónde están? ¿Lo
que hicieron estos jóvenes no se podría llamar, pensando en Gandhi y
Mandela “la violencia de los pacíficos”? Esos jóvenes que nos recuerdan
el rostro de Jesús en cada ser humano ¿No se merecen nuestra alabanza
más que la cárcel? ¿No se merecen la gratitud de los pastores y de todas
y todos nosotros por recordarnos al Jesús atropellado en tantos seres
humanos en el momento mismo que estamos comulgando el cuerpo y sangre de
Cristo?
Vivimos un momento privilegiado de Chile aunque muchos tienen derecho
a no verlo así. Sin embargo, los que creemos en Jesús de Nazaret y la
esperanza que nos dejó, el que satisface a los pobres, el que consuela a
los que lloran, el que asiste a los hambrientos, el que nos limpia el
corazón, vemos en este kairos un magnifico momento para preguntarnos
humildemente ¿Estamos cumpliendo el mandamiento de Jesús “haz con tu
hermano lo que quisieras que se hiciese contigo?”.
Los que firmamos esta carta somos cristianos participantes en la Cena
del Señor, que estamos “en las calles haciendo lío” como nos pide
nuestro papa Francisco, gritando que esta es la hora de los pobres, de
los excluidos, ninguneados, es la hora de Jesús.
PARA NÓS, ENTIDADES E MOVIMENTOS SOCIAIS, QUE OUVIMOS O DESPAUTÉRIO DE UM DOS MINISTROS DO GOVERNO LULA E DILMA QUE "DEVERÍAMOS ENGOLIR A DECISÃO DE GOVERNO DE CONSTRUIR A HIDRELÉTRICA BELO MONTE", PODERÍAMOS DAR-NOS POR SATISFEITOS, VINGADOS, POR NÃO TERMOS SIDO LEVADOS A SÉRIO, JUNTO COM TÉCNICOS QUE EMBASAVAM NOSSOS QUESTIONAMENTOS. MAS NÃO, NÃO PODEMOS ESTAR SATISFEITOS, POIS, AFINAL, QUEM VAI PAGAR - E JÁ ESTÁ PAGANDO - ESSA CONTRA ESTRATOSFÉRICA DE REAIS E OS CRIMES E DESASTRES SOCIOAMBIENTAIS SOMOS TODOS NÓS.
POR QUE NÃO SE COBRA ESSA CONTA DOS QUE IMPUSERAM GOELA ABAIXO ESSA OBRA COM QUEBRA ANUNCIADA, COM INVIABILIDADE PREVIAMENTE COMPROVADA?
TOMARA QUE, PELO MENOS, ESSA QUEBRA SIGNIFIQUE O FIM DEFINITIVO DAS LOUCURAS DOS QUE AINDA PROPÕEM CONSTRUIR HIDRELÉTRICAS NA AMAZÔNIA, DE MODO ESPECIAL AGORA QUE SE SABE QUE AS MUDANÇAS CLIMÁTICAS DIMINUIRÃO AINDA MAIS A GARANTIA DE ÁGUA NOS RIOS...
UMA SUGESTÃO: EM LUGAR DE TERMELÉTRICAS, SERIA MAIS SENSATO PRODUZIR ENERGIA SOLAR COM PAINÉIS SOBRE O LAGO. E PROMOVER A ENERGIA SOLAR DESCENTRALIZADA EM TODO O PAÍS, DEIXANDO OS GRANDES, MÉDIOS E PEQUENOS RIOS CUIDAREM DA TERRA E DE TODOS OS SERES VIVOS.
IHU -17 Janeiro 2020
"A maior hidrelétrica a fio d’água do mundo vai
falir, além de desmoralizar o discurso sobre a contingência imperiosa de
tirar energia dos rios amazônicos, caso as térmicas sejam construídas
ao lado da quarta maior hidrelétrica do planeta", escreve Lúcio Flávio Pinto,
jornalista desde 1966, sociólogo formado pela Escola de Sociologia e
Política de São Paulo, em 1973, e editor do Jornal Pessoal, em artigo
publicado por Amazônia Real, 14-01-2020.
Eis o artigo.
A imprecisão, de mãos dadas com a manipulação e o despreparo, transformou a hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu, no Pará,
numa esfinge monumental, sem igual. Milhares – ou mesmo milhões – de
páginas já foram dedicadas a ela por milhares de autores, sem realmente
decifrá-la.
Como na mitologia, a enorme usina de concreto acabou
por devorá-los, num sentido: prosseguiu seu curso irracional até a
conclusão da obra, no final do ano passado, ignorando dezenas de ações
judiciais e incontáveis críticas.
O ponto de partida da sua história foi outubro de 2010, ano de eleição, na qual o PT elegeu Dilma Rousseff sucessora de Lula, na chegada à avenida da corrupção estruturada promovida pela Odebrecht & empreiteiras associadas, que tornariam Belo Monte a obra mais cara do programa petista de aceleração do crescimento do Brasil, o PAC (cuja mãe simbólica foi a própria Dilma).
O contexto deve ter alguma influência na primeira indefinição: o custo da obra.
De fontes oficiais ou oficiosas podem-se extrair vários números: 12
bilhões de reais, 19 bilhões, 30 bilhões. Evidentemente, não é pouca
diferença. O ponto de chegada é mais homogêneo. Até a Eletrobras, a maior acionista da Norte Energia, responsável por Belo Monte, admite: foram gastos R$ 42 bilhões – na menos ruinosa das avaliações, 40% a mais do que o valor orçado.
Enquanto se desdobravam questões sem fim sobre a agressão à natureza, o remanejamento impiedoso dos atingidos, as ameaças aos índios e
outras mais, todas elas efetivamente relevantes, uma preliminar só
tangencialmente foi considerada: a viabilidade econômica da usina.
Para os mais íntimos do projeto desde a sua concepção, a resposta era
não – e sempre foi. Mas, diante da disposição do governo federal
(petista, tucano ou o que fosse) era construir de qualquer maneira a hidrelétrica, seria preciso concentrar forças na demonstração técnica da inviabilidade do empreendimento.
Não para a engenharia, que acabou encontrando um jeito – totalmente heterodoxo, até pecaminoso – para colocar no chão o sistema deaproveitamentoenergético. Mas para a fonte do dinheiro que seria usado aos borbotões. Em última palavra, o consumidor.
Com sua origem mais remota em 1975, quando o inventário do rio Xingu foi realizado, em plena ditaduramilitar, a última versão da razão de ser de Belo Monte foi dada pelo presidente Lula.
Ele garantiu que, desta vez, ao contrário do que fora a regra até ele,
conforme o seu cantochão político, o dinheiro sairia de empresas
privadas e não do governo, como acontecera com todas as hidrelétricas durante o regime militar.
Era o perfil traçado para o consórcio que venceu a licitação. Mas hoje a Eletrobras, suas subsidiárias, outras empresas estaduais de energia e os fundos federais respondem por 70% do capital da Norte Energia. Como o BNDES
aportou quase 30 bilhões de financiamento, dos R$ 12 bilhões
aproximadamente de recursos próprios, R$ 7 bilhões saíram das estatais e
seus fundos. Só R$ 3 bilhões das companhias particulares.
Assim, se a concessionária não tiver rentabilidade ou mesmo quebrar, o
prejuízo vai ser apresentado ao governo, que, evidentemente, o
repassará ao contribuinte. Esse desempenho deficitário estava definido
no interior do grande projeto quando da sua metamorfose de criação de
uma autocracia para produto de uma democracia.
Na ditadura, a equação era simples e fora adotada sem variação nas pequenas hidrelétricas, como Balbina e Samuel, como nas grandes, das quais a maior foi Tucuruí.
Grandes lagos artificiais formados para estocar bilhões de litros de
água, capazes de movimentar as maiores turbinas existentes e fazê-las
gerar o máximo de energia, o volume de água combinado com a altura da
sua queda por dentro das barragens.
Como esse modelo foi rejeitado pela sociedade, com o abono do poder
judiciário, os engenheiros foram remendando os elementos do desenho
inicial para diminuir o tamanho do reservatório (que ficou com a metade
do tamanho inicial, mas 40% dele sendo o leito original do rio).
Mas precisaram encontrar uma forma de estocar água fora do curso regular do Xingu,
num reservatório auxiliar, o que exigiu construir o maior canal em
concreto e terra do mundo para desviar a água e fazê-la cair na casa de
máquinas com vazão de 14 milhões de litros por segundo, sem o que as 18
turbinas não funcionarão.
Com esses “puxadões”, que espalharam os componentes da estrutura do
complexo por dezenas de quilômetros, como nunca se havia feito até
então, Belo Monte acabou sendo a maior usina a fio d’água do mundo, um verdadeiro monstro realizado pela engenharia, a assombrar os economistas.
Seu desafio era provar que a hidrelétrica poderia
dar lucro ou se manter mesmo se suas máquinas ficassem paradas por
quatro ou cinco meses por falta de água suficiente para acionar as
turbinas, já que o volume de água do Xingu cai até 30 vezes entre o pico do inverno e a estiagem.
Por isso, apenas 40% da potência máxima da usina poderiam ser garantidos aos compradores de energia, enquanto em Itaipu o fator é de 61% e em Tucuruí, 55%. Além disso, a média de área alagada por MW produzido é 80 vezes menor em Belo Monte do que na média nacional brasileira.
Assim, não causou surpresa quando o jornal O Estado de S. Paulo anunciou que a Norte Energia,
está buscando autorização para construir usinas térmicas – mais caras e
poluentes – para complementar sua geração de energia hidráulica. A
empresa quer mudar a sua razão social para poder construir usinas
térmicas e “investir diretamente ou por meio da participação em outras
sociedades, como subsidiária integral”.
A consequência da baixa geração atinge as duas linhas de transmissão de Belo Monte para
o sul do país, das mais extensas do mundo, com mais de dois mil
quilômetros cada uma, que custaram mais de R$ 15 bilhões à sua
proprietária, a chinesa State Grid. As linhas ficam
subutilizadas boa parte do ano devido à “enorme variação sazonal das
vazões e da ausência de reservatório para a regularização”, conforme
justificativas enviadas à Aneel.
O ex-diretor da agência de energia, EdvaldoSantana,
afirmou ao jornal paulista que se trata de algo inédito no setor. “Não
conheço nenhum caso desse tipo. Muito provavelmente, se esse caso
avançar, terá de envolver o próprio poder concedente, o Ministério de Minas e Energia”, comentou. “Tecnicamente, pode até ser viável, mas há questões legais nesse caminho que precisam ser avaliadas”.
“Por ser algo inédito, não há uma resposta pronta. Tem de ser
avaliado com cuidado. O mercado regulado de energia (no qual as
distribuidoras compram a geração) exige a realização de leilões”,
afirmou o também diretor da Aneel, JuliãoCoelho.
A reportagem do Estadão questionou a NorteEnergia
sobre seus projetos de geração térmica, onde seriam erguidos e por que a
empresa só apresentou essa proposta depois de concluir a hidrelétrica.
A concessionária não respondeu a esses questionamentos. Disse apenas
que “recorrentemente desenvolve estudos de projetos para expansão do
setor elétrico, como parte de seu planejamento empresarial” e que a
consulta à Aneel sobre a possível alteração estatutária “é parte integrante desses estudos”.
Como está, em consequência do que fez a NorteEnergia,
há um desfecho certo para essa história: a maior hidrelétrica a fio
d’água do mundo vai falir, além de desmoralizar o discurso sobre a
contingência imperiosa de tirar energia dos rios amazônicos, caso as
térmicas sejam construídas ao lado da quarta maior hidrelétrica do
planeta.
Porque assim sempre esteve escrito, mas ninguém conseguiu ler a mensagem – ou não quis.
O Deus de Jesus de Nazaré sempre será um mistério. Não só porque é o
Criador de tudo que existe, inclusive cada um de nós, mas porque saiu de
sua grandeza para tornar-se um ser humano na barriga de uma jovem
periférica, num país periférico, num povo periférico,
nas condições mais precárias daquele tempo. Aceitar que Deus saiu de
sua grandeza para tornar-se um de nós é mesmo absurdo, portanto,
compreendo perfeitamente quem não acredita e até ri de nossa fé. Não é
maldade, mas o mistério é mesmo maior que nossa compreensão.
O Deus de Jesus é poderoso, mas respeita cada pessoa, o problema
particular de cada ser, mas ao mesmo tempo é o Senhor do Universo. Para
Ele, o pequeno e o grande, o espetacular, o inimaginável andam juntos em
pé de igualdade. É desse Deus que falamos no Natal
cristão, aquele que se torna um de nós, que mora conosco e eleva tudo e
todos à grandeza de seu projeto definitivo.
O problema do Deus de Jesus é que Ele é amor, portanto, não pode usar de
violência para impor seu projeto, mas o anuncia, oferece e depende de
cada um aceitar seguir seus caminhos, ou mesmo recusar suas dádivas.
Outro é o “deus dos tiranos”, esse que está em moda hoje no Brasil. O
deus que está acima de tudo, de todos, que odeia os pobres, os negros, a
população LGBT, que tem armas, que tortura, que mata, que pune os
indefesos, que rouba os direitos dos trabalhadores,
a saúde dos doentes. Esse é o deus de mercenários bilionários, num país
de milhões de desempregados e até com a volta da fome e da miséria.
Por isso, o Deus de Jesus se escreve com “D”. Por isso o deus dos
tiranos se escreve com “d”. O deus dos tiranos é o deus de Hitler. “Brasil
acima de Tudo e
Deus acima de todos”, esse é o lema do atual governo brasileiro.
“Deutschland über alles”, é o Deus de Hitler que o atual governo trouxe para o Brasil.
Não nos espantemos. Esse deus parece poderoso, mas é fraco, normalmente desaparece com o ditador que o criou.
O Deus de Jesus, na sua fragilidade-amorosa, está sempre presente no meio de nós, até o pleroma, quando Deus será tudo em todos.
DUAS PERGUNTAS, PARA ANIMAR A LEITURA: ATÉ A ELITE ECONÔMICO-FINANCEIRA DOS USA ESTÁ SE CONVENCENDO QUE O O NEOLIBERALISMO TEM QUE ACABAR? QUAIS SUAS RAZÕES E OBJETIVOS: MELHORIA DAS CONDIÇÕES DE VIDA DA POPULAÇÃO E DA MÃE TERRA, OU SALVAMENTO QUASE DESESPERADO DO CAPITALISMO?
MESMO SABENDO QUE É OPORTUNISTA ESSE POSICIONAMENTO SÓ APARENTEMENTE CRÍTICO, ELE SERVE COMO ALERTA A TODAS AS PESSOAS QUE AINDA ESTÃO ENTRANDO NA CONVERSA MOLE - OU MELHOR, "MALA" - DOS QUE OCUPAM AS CADEIRAS DA POLÍTICA ECONÔMICA PROMOVIDA PELO GOVERNO FEDERAL: ATÉ OS EXPLORADORES ESTÃO RECONHECENDO QUE NEOLIBERALISMO FOI E CONTINUA UM JOGO EM QUE SÓ ELES GANHAM, E MUITO, A TAL PONTO QUE, SEGUINDO NELE, AS REVOLTAS SOCIAIS PODERÃO IMPEDIR ATÉ MESMO O QUE ELES CONSIDERAM O CAPITALISMO "CORRETO", QUE EXPLORA E CONCENTRA, MAS DE FORMA MENOS AGRESSIVA E AUTODESTRUIDORA!
QUEM VAI CONVERSAR COM O MINISTRO DA FAZENDA, E COM OS CONGRESSISTAS QUE ACEITAM SUAS PROPOSTAS? OU ESTAMOS FADADOS MESMO A CONTINUAR IMPONDO O QUE FOI IMPOSTO NO SÉCULO PASSADO, E JÁ DEMONSTROU SER UM ERRO ATÉ PARA OS CAPITALISTAS?!
A elite americana prevê o fim do neoliberalismo, por Andre Motta Araujo
O
Brasil, sempre atrasado na absorção de tendências do pensamento
econômico elaboradas nos países centrais quer, em 2019, implantar no
País a ideologia já caduca dos anos 1980
As 200 maiores corporações americanas, reunidas no BUSINESS ROUNDTABLE,
principal entidade de cúpula do capitalismo americano, presidido por
Jamie Dimon, CEO do mega banco J.P. MORGAN CHASE, pela voz de seus
executivos principais reunidos, decidiram que o credo neoliberal
praticado há 40 anos, segundo o qual p principal objetivo das
corporações é gerar “valor para o acionista”, está errado e deve ser
revisto porque esse ideia causou um desastre que vai COLOCAR EM RISCO O
PRÓPRIO CAPITALISMO. Esse desastre se chama “CONCENTRAÇÃO DE RENDA”.
Há 40 anos, segundo o Business Roundtable, 1% da população
americana detinha 7% da riqueza. Hoje os mesmos 1% detém 22% da riqueza,
a concentração de riqueza aumentou TRÊS VEZES. O mito neoliberal, de
que se o acionista ganhar mais toda a economia prospera, ERA FALSO. A
riqueza se concentra e não beneficia o conjunto da sociedade. Hoje o
crescimento dos EUA está estagnado e não passa de 2% anual, inexplicável
quando o desemprego é baixo. Na prática, os EUA têm pleno emprego, mas
há truques embutidos nessa constatação, há muitos trabalhando abaixo de
sua competência porque não conseguiram prosseguir suas carreiras pela
falta de crescimento da economia, há uma estagnação e até regressão
social nítida nos EUA.
A explicação do Business Roundtable é clara: NÃO CRESCE PORQUE OS
SALÁRIOS SÃO BAIXOS E A POPULAÇÃO ESTÁ ENDIVIDADA, quer dizer, não basta
o pleno emprego, é preciso DISTRIBUIR RENDA para que a economia cresça e
as grandes corporações NÃO DEVEM TER O LUCRO PARA O ACIONISTA COMO
ÚNICO OBJETIVO, PORQUE ISSO VAI DESTRUIR A ECONOMIA DE MERCADO por causa
de uma crise social que pode levar à implosão do País.
O FIM DO CICLO NEOLIBERAL
O chamado “ciclo neoliberal’, que é uma exacerbação dos princípios da
Escola Austríaca, uma espécie de crença cega no mercado muito além dos
princípios da primeira fase do capitalismo moderno com Adam Smith e
David Ricardo, propagado pela então Primeira Ministra Margaret Thatcher,
hoje demonizada no Reino Unido, com sua biografia histórica revista
muito para baixo, partia da lógica errada de que a economia de mercado,
LIVRE DAS AMARRAS DO ESTADO, seria boa para todos, ricos, classe média e
pobres. Segundo a conclusão do Business Roundtable, evidenciado o
pensamento de 178 CEOs das maiores corporações da economia produtiva e
do mercado financeiro dos EUA, essa crença É FALSA. A economia de
mercado sem Estado NÃO É BOA PARA TODOS, só para os ricos e se isso não
for corrigido o capitalismo não terá futuro porque ele só funciona
dentro de uma sociedade organizada.
O PAPEL DO ESTADO
A conclusão do Business Roundtable vai mais além. Julga que é
fundamental reconsiderar o papel do Estado como regulador e garantidor
dos direitos da população em suas relações com o mercado, que, ao
contrário do que imaginavam os neoliberais de raiz, NÃO SE AUTOREGULA
porque não é de sua natureza e nem de sua capacidade. É necessário um
Estado forte para que a população seja protegida da ganância excessiva
do mercado.
O BRASIL NA CONTRA MÃO ADOTA O NEOLIBERALISMO DOS ANOS 80
O Brasil, sempre atrasado na absorção de tendências do pensamento
econômico elaboradas nos países centrais quer, em 2019, implantar no
País a ideologia já caduca dos anos 1980, as ideias de Mrs. Thatcher já
foram desmontadas na própria Inglaterra e sua biografia revista e
piorada, a deputada Glenda Jackson, ex-artista de Hollywood, é hoje o
maior algoz do papel histórico de Mrs. Thatcher e a crise de 2008 nos
EUA foi atribuída à desregulamentação do mercado financeiro efetuada
pelo Presidente Reagan, também sob revisão histórica.
O neoliberalismo dos anos 1980 foi desmontado no Chile pelos efeitos
catastróficos que causou nas classes média e pobre do Chile, enquanto
enriquecia o topo dos ricos.
O neoliberalismo com desmanche do Estado está em franca implantação
no Brasil ao mesmo tempo em que é rejeitado nos países centrais,
produzindo terríveis efeitos em um Pais com enorme população de baixa
renda, produziu péssimos resultados em países ricos ao empobrecer a
classe média, em países emergentes produzirá catástrofes de miséria e
involução social. Vemos hoje no Brasil um sólido pensador econômico
neoliberal de primeira linha, Arminio Fraga, fortemente preocupado, mais
do que qualquer outro fator, com o desequilíbrio social, ao mesmo tempo
em que neoliberais ideológicos, como o Ministro da Economia, incapaz de
evoluir, pregando e colocando em prática no Brasil o receituário
neoliberal antigo dos anos 1980, que fracassou redondamente no seu
principal laboratório, o Chile. Cego a esse fracasso o atual núcleo que
comanda a economia no Brasil insiste na fórmula chilena.
Agora,
com a revisão dessas premissas nos EUA, alguma luz deve se despejar
sobre a mídia e os empresários brasileiros que apoiam essa catástrofe de
desmonte do Estado via privatizações absurdas e concessões fantasiosas,
com a alegação infantil de “o Brasil está quebrado”, quebrado estará
pela incompetência de quem deveria ter projetos e ideias de
revigoramento da economia onde o Estado ainda tem e terá PAPEL CENTRAL.
O NEOLIBERALISMO COMO IDEOLOGIA
Há dois eixos diferentes no neoliberalismo de Thatcher e de Reagan.
Mrs. Thatcher tinha o neoliberalismo como uma ideologia em oposição ao
Partido Trabalhista Inglês, que era (e é) um partido social democrata
clássico. Já Reagan adotou uma forma mais suave de neoliberalismo,
baseado na desregulamentação e não na privatização, não havia o que
privatizar nos EUA, ao contrário do Reino Unido. Reagan era a favor da
desregulamentação do mercado financeiro, que foi a causa da crise de
2008, isso dito pelo então Secretário do Tesouro dos EUA e era contra os
sindicatos de trabalhadores. Mas Reagan não seguia a linha de
considerar o neoliberalismo uma ideologia, era apenas uma praxis útil à
economia, não era uma fé religiosa, Reagan era um pragmático.
Já os neoliberais brasileiros do atual grupo no comando da economia
têm o neoliberalismo como IDEOLOGIA ou SEITA, é uma forma muito mais
primitiva tosca, grosseira e ignorante de operar aquilo que é apenas uma
escola de pensamento econômico que serve para um ciclo e não pela
eternidade.
O
interessante é que os neoliberais da Era FHC, como Arminio Fraga,
Gustavo Franco, Pedro Malan e outros não operaram a política econômica
na base de ideologia, eram práticos e não fanáticos, como pessoas cultas
e inteligentes alguns revisaram suas posições para ver os defeitos do
neoliberalismo, caso de André Lara Rezende e Arminio Fraga, é uma
característica de cérebros de primeira ordem, a capacidade de se
reciclar, rever posições, refletir, e não manter a mesma ideia até a
morte, caso dos burros e limitados. Keynes se reinventou várias vezes,
mudando de ideia de acordo com a época, como respondeu à observação de
Lady Astor “O senhor muda de ideia a toda hora”, ao que Keynes
respondeu, “My lady, eu não mudo, o que mudam são as circunstâncias”.
Lara Rezende e Fraga estão hoje na mesma linha do Business Roundtable,
ou o capitalismo se reforma para distribuir renda ou acaba.
E a ruptura pode vir de forma repentina, como no Chile e agora também
na Colômbia, com manifestações destrutivas e intermináveis, produto da
frustação acumulada de classes e pessoas que viram suas vidas serem
destruídas pelo desemprego e regressão social. A elite brasileira,
historicamente atrasada, cega e surda, focada no mercado financeiro,
dificilmente terá a capacidade revisionista de uma elite culta, mas fica
do recado da elite americana.
NÃO PODEMOS PERDER TEMPO, JÁ QUE A AMEAÇA DE COLAPSO SOCIOAMBIENTAL ESTÁ MAIS PRÓXIMO DO QUE SE PODE IMAGINAR. TUDO QUE FIZERMOS EM DEFESA DO CERRADO E DOS DEMAIS BIOMAS DEFINIRÁ COMO VIVERÃO - OU NÃO - NOSSOS NETOS.
Rodrigo Maia recebe mais de meio milhão de assinaturas da petição em defesa do Cerrado
A entrega da petição com mais de 500 mil assinaturas foi um
marco na trajetória da Campanha Nacional em Defesa do Cerrado.
Organizações e movimentos sociais seguem pressionando parlamentares para
aprovação da PEC que garante ao Cerrado e a Caatinga o título de
Patrimônios Nacionais
Bruno Santiago¹ Rodrigo Maia e Joenia Wapichana. Foto: Thomas Bauer/CPT
No dia 11 de setembro, Dia Nacional do Cerrado, mais de meio milhão
de assinaturas da petição pela aprovação da PEC 504/2010, que transforma
o Cerrado e a Caatinga em Patrimônio Nacional, foram entregues ao
Congresso Nacional. Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados,
recebeu a petição pelas mãos da deputada Joenia Wapichana. Mais cedo,
durante Seminário do IX Encontro e Feira dos Povos do Cerrado, promovido
pela Rede Cerrado², que também aconteceu na Câmara, a Campanha Nacional
em Defesa do Cerrado havia entregue o caderno de assinaturas à Joenia e
a outros parlamentares presentes.
Em ação coletiva dentro da Câmara dos Deputados, também foi realizada
a entrega da petição durante sessão da Comissão de Meio Ambiente e
Desenvolvimento Sustentável. Os deputados Rodrigo Agostinho, presidente
da Comissão, e Nilto Tatto, coordenador da frente parlamentar
ambientalista, receberam as assinaturas da liderança quilombola Maria de
Fátima Barros, que representou a Campanha Nacional em Defesa do
Cerrado.
Para Fátima Barros, defender o Cerrado é defender um direito
territorial e ancestral, mas também o direito à própria vida. ‘’Lutar
pelo Cerrado é defender os nossos corpos, as nossas vidas e a nossa
água. Vivemos um momento emblemático, com muitas ameaças e corte de
políticas públicas, mas não podemos esquecer que somos a voz desse bioma
e por isso não podemos admitir que nossos territórios, vidas e recursos
naturais sejam esfaceladas’’, destacou Fátima. Foto: Thomas Bauer/CPT
O coordenador da Frente Parlamentar ambientalista, Nilto Tatto,
também ofereceu seu apoio à Campanha em Defesa do Cerrado, se
comprometendo a votar em favor da PEC 504/2010. ‘’Os ataques que o
Cerrado vem sofrendo nas últimas décadas comprometem diretamente a
preservação das nossas florestas e a produção de água, por isso, é mais
do que acertada essa campanha pela aprovação da PEC’’, afirmou o
deputado.
Copos vazios
Foto: Thomas Bauer/CPT
E se um garçom, com uma bandeja cheia, te oferecesse um copo d’água
vazio? Foi o que aconteceu nos corredores da Câmara dos Deputados em
ação de sensibilização e divulgação antes da entrega das assinaturas da
petição. ‘’Não espere a água acabar para fazer alguma coisa’’ – esses
foram os dizeres que estampavam o fundo dos copos oferecidos a diversos
parlamentares, assessores e público presente durante a ação.
A medida que os copos eram entregues, as pessoas se davam conta de
que se tratava de um recipiente vazio, fazendo alusão a relação direta
do Cerrado com o abastecimento de água em nosso país, uma vez que o
bioma abriga oito das doze regiões hidrográficas brasileiras e abastece
seis das oito grandes bacias hidrográficas do Brasil. Foto: Thomas Bauer/CPT
Os deputados Alessandro Molon e Gervasio Maia, que receberam os copos
vazios, demonstraram apoio à Campanha e também se posicionaram em favor
da aprovação da PEC. ‘’Para que nosso copo não fique vazio, para que o
nosso país não fique sem água, vamos proteger o Cerrado e a Caatinga’’,
afirmou Molon.
Ainda não acabou
A entrega da petição com mais de 560 mil assinaturas foi um marco na
trajetória da Campanha Nacional em Defesa do Cerrado, que atua desde
2015 para alertar e conscientizar a sociedade sobre os impactos causados
pela destruição do bioma no Brasil. Mais de 50 organizações e
movimentos sociais fazem parte da iniciativa, que agora seguirá
pressionando os parlamentares e a Câmara dos deputados para aprovação da
PEC que garante ao Cerrado e a Caatinga o título de Patrimônios
Nacionais. [1] Comunicador da Campanha Nacional em Defesa do Cerrado, da qual a FASE é parte.
[2] A FASE integra a Rede Cerrado.
QUEM ESCREVE ISSO É O SECRETÁRIO DA ONU. ELE DIZ TER ESPERANÇA, MAS NÃO APOSTA APENAS NA COP25. ELE RECONHECE A FORÇA DOS QUE SE MOBILIZAM POR MUDANÇAS QUE ENFRENTEM O QUE AGRIDE A NATUREZA E PROVOCA, JÁ, A EMERGÊNCIA CLIMÁTICA, DE MODO ESPECIAL OS JOVENS, QUE EXIGEM SEU DIREITO A TER FUTURO.
IHU, 03 de dezembro de 2019 http://www.ihu.unisinos.br/594831-clima-o-que-ainda-falta-e-vontade-politica-artigo-de-antonio-guterres
Emergência climática. “O ponto de não retorno não está mais no
horizonte. Ele já está à vista e avançando na nossa direção”. Artigo de
António Guterres
“Os sinais de esperança sobre o clima estão se multiplicando. A
opinião pública está despertando em todos os lugares. Os jovens estão
mostrando uma notável liderança e mobilização. O que ainda falta é
vontade política.”
A opinião é de António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, durante a coletiva de imprensa antes da COP-25, publicado por ONU, 01-12-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
E contundente, ele alerta: "Mas sejamos claros. Até agora, os nossos
esforços para alcançar essas metas têm sido totalmente inadequados. Os
compromissos assumidos em Paris
ainda levariam a um aumento de temperatura acima de três graus Celsius.
Mas muitos países sequer cumprem esses compromissos. As emissões de gases do efeito estufa ainda estão crescendo a um ritmo alarmante".
Eis o artigo.
Há muitas décadas, a espécie humana tem estado em guerra com o planeta. E o planeta está revidando. A Organização Metereológica Mundial está divulgando seu relatório sobre o Estado do Clima nesta conferência [COP-25]. E suas descobertas são claras.
Os últimos cinco anos foram os mais quentes já registrados. O nível do mar
é o mais alto da história humana. As calotas de gelo estão derretendo a
uma velocidade sem precedentes, e os oceanos estão ficando mais ácidos
com todas as suas consequências. A biodiversidade em terra e no mar está sob um severo ataque. Desastres naturais
relacionados ao clima estão se tornando mais frequentes, mais letais,
mais destrutivos, com crescentes custos humanos e financeiros. A seca em algumas partes do mundo está progredindo a taxas alarmantes, destruindo habitats humanos e colocando em risco a segurança alimentar.
Todos os anos, a poluição do ar, associada às mudanças climáticas, mata sete milhões de pessoas. As mudanças climáticas
têm se tornado uma reação dramática à saúde humana e à segurança
humana. Em resumo, as mudanças climáticas não são mais um problema de
longo prazo. Agora estamos diante de uma crise climática global.
O ponto de não retorno não está mais no horizonte. Ele já está à vista e avançando na nossa direção.
No entanto, a minha mensagem aqui hoje é de esperança, não de desespero. A nossa guerra contra a natureza
deve parar. E sabemos que isso é possível. A comunidade científica nos
forneceu o mapa para alcançar esse objetivo. De acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, devemos limitar o aumento da temperatura global a 1,5 graus Celsius,
alcançar a neutralidade do carbono até 2050 e reduzir as emissões de
gases do efeito estufa em 45% em relação aos níveis de 2010 até 2030.
"Até agora, os nossos esforços têm sido
totalmente inadequados. Os compromissos assumidos em Paris ainda
levariam a um aumento de temperatura acima de 3ºC. Mas muitos países
sequer cumprem esses compromissos" – António Guterres
Mas sejamos claros. Até agora, os nossos esforços para alcançar essas
metas têm sido totalmente inadequados. Os compromissos assumidos em Paris ainda levariam a um aumento de temperatura acima de três graus Celsius. Mas muitos países sequer cumprem esses compromissos. As emissões de gases do efeito estufa ainda estão crescendo a um ritmo alarmante.
Hoje, o mundo produz 120% mais combustíveis fósseis do que o valor consistente com um caminho de 1,5 graus. E, em relação ao carvão, esse número é de 280%. Mas a comunidade científica também nos diz que o mapa para ficar abaixo de 1,5 graus ainda está ao alcance. As tecnologias necessárias para tornar isso possível já estão disponíveis.
Os sinais de esperança estão se multiplicando. A opinião pública está despertando em todos os lugares. Os jovens
estão mostrando uma notável liderança e mobilização. Cada vez mais
cidades, as instituições financeiras e as empresas estão se
comprometendo com o caminho de 1,5 graus. Isso ficou recentemente
provado claramente durante a Cúpula de Ação Climática em Nova York.
O que ainda falta é vontade política. Vontade política de colocar um preço no carbono. Vontade política de interromper os subsídios aos combustíveis fósseis. Vontade política de parar de construir usinas a carvão a partir de 2020. Vontade política de mudar a tributação da renda para o carbono – tributando a poluição em vez das pessoas.
"As emissões de gases do efeito estufa ainda estão crescendo a um ritmo alarmante" – António Guterres
Nós simplesmente precisamos parar de cavar e perfurar, e aproveitar as vastas possibilidades oferecidas pelas soluções de energia renovável e baseadas na natureza. É por isso que, em setembro, eu convoquei a Cúpula de Ação Climática. A cúpula forneceu um cenário global para ver quem está dando passos à frente.
Setenta países se comprometeram com a neutralidade de carbono até 2050. Isso inclui sete países do G20,
assim como muitas nações que contribuíram menos para o problema. Mas
também vemos claramente que os maiores emissores do mundo não estão
fazendo a sua parte. E, sem eles, o nosso objetivo é inacessível.
É por isso que é tão importante que nos reunamos em Madri para esta COP-25.
Eu espero da COP uma demonstração clara de uma maior ambição e
comprometimento, mostrando prestação de contas, responsabilidade e
liderança. Nos próximos 12 meses cruciais à nossa frente, é essencial
que garantamos compromissos nacionais mais ambiciosos – particularmente
dos principais emissores – para começar imediatamente a reduzir as emissões de gases do efeito estufa em um ritmo consistente para alcançar a neutralidade de carbono até 2050.
"Hoje, o mundo produzi 120% mais
combustíveis fósseis do que o valor consistente com um caminho de 1,5
graus. E, em relação ao carvão, esse número é de 280%" – António
Guterres
Deveríamos garantir que pelo menos 100 bilhões de dólares por ano
estejam disponíveis para os países em desenvolvimento para mitigação e
adaptação, e levar em conta as suas expectativas legítimas de dispor dos
recursos necessários para aumentar a resiliência e a resposta e
recuperação de desastres.
Também devemos progredir nas dimensões sociais das mudanças climáticas
e garantir que os compromissos nacionais incluam uma transição justa
para pessoas cujos empregos e meios de subsistência são afetados, à
medida que passamos da economia cinza para a economia verde.
Essas são as razões pelas quais eu tenho o prazer de anunciar que Mark Carney, que atualmente é o governador do Banco da Inglaterra e um renomado pioneiro em pressionar o setor financeiro a agir pelo clima, aceitou ser meu Enviado Especial para Ação Climática e Financiamento Climático.
"O que falta é vontade política: de
colocar um preço no carbono, interromper subsídios aos combustíveis
fósseis, parar de construir usinas a carvão. Vontade política de mudar a
tributação da renda pro carbono, em vez das pessoas" – António Guterres
Também espero sinceramente que a COP-25 seja capaz de concordar com as diretrizes para a implementação do Artigo 6 do Acordo de Paris. Infelizmente, isso não foi alcançado em Katowice, quando aprovamos o livro de regras para a implementação do Acordo de Paris.
Esse acordo estabelecerá uma base sólida para a cooperação
internacional para reduzir as emissões e permitir um maior papel do
setor privado na ação climática.
Essas são as mensagens que estou trazendo para a conferência. Estamos
em um poço profundo e ainda estamos cavando. Em breve, ele será muito
profundo para escapar. Saúdo as vozes dos jovens ativistas que tenho
encontrado. Eles entendem que estamos colocando em risco o futuro deles.
É por isso que continuarei pressionando todos os dias para manter o clima no topo da agenda internacional.