quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

SERRA E TEMER: NÃO ENTREGUEM A BASE DE ALCÂNTARA AOS USA!

ERA SÓ O QUE FALTAVA: NA CALADA DA NOITE, SEM CONSULTAR NINGUÉM, SERRA VAI ENTREGANDO DE MÃO BEIJADA A BASE DE ALCÂNTARA AOS ESTADOS UNIDOS. A NOTA QUE SEGUE É A REAÇÃO DE MAIS DE 100 ENTIDADES A MAIS ESSA PRÁTICA ANTINACIONAL DESSE GOVERNO ILEGÍTIMO, FRUTO DE GOLPE À DEMOCRACIA. 

 Abaixo a nota atualizada com as assinaturas:
NOTA CONTRA A OFERTA DA BASE DE ALCÂNTARA AOS EUA
 Para:
Ministério das Relações Exteriores – Itamaraty
Congresso Nacional (Senado Federal e Câmara dos Deputados)
Comissão de Ciências e Tecnologia da Câmara dos Deputados
Comissão de Constituição e Justiça CCJ
À Sociedade em geral
Entre os absurdos políticos que o Brasil está enfrentando hoje, destaca-se a continuidade da submissão às imposições neoliberais do Consenso de Washington, aplicadas pelo Banco Mundial e FMI desde os anos 90 do século passado aos “países em desenvolvimento” da periferia do capitalismo, por parte do governo brasileiro ilegítimo e corrupto, que usurpou a Presidência da República através de um golpe implementado pelo Congresso Nacional, legitimado pelo Judiciário e pela grande mídia.
A notícia de que o Sr. José Serra, Ministro das Relações Exteriores, retomou contatos para “oferecer” o Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão, é mais uma comprovação do DNA entreguista desse governo. Este acordo já se mostrou não apenas desvantajoso ao Brasil do ponto de vista econômico e tecnológico, mas completamente ofensivo à soberania nacional ao permitir controle total ou parcial dos EUA sobre parte do território nacional, o que por si só o torna inaceitável.
Frente a tantos absurdos, os movimentos sociais, entidades da sociedade civil, organizações sindicais, igrejas e membros de partidos políticos que promoveram o PLEBISCITO POPULAR CONTRA A ALCA na Semana da Pátria e 8º Grito dos Excluídos no ano de 2002, vêm a público, em nome dos mais de 10 milhões de brasileiros/as que votaram contra a ALCA e contra a entrega do Centro de Lançamento de Alcântara aos Estados Unidos da América, declarar que a decisão do governo ilegítimo de retomar “negociações” para a entrega do Centro será combatida novamente como uma prática de submissão neocolonial e uma traição ao povo brasileiro – como o está sendo também a política de entrega do petróleo brasileiro às corporações multinacionais.
Conclamamos a todas as pessoas e entidades que coroaram de êxito o Plebiscito Contra a Alca – e contra a entrega do Centro/Base de Lançamento de Alcântara – a se manifestarem publicamente contra a prática do ministro do governo ilegítimo, José Serra, de impor relações internacionais a partir de sua vontade individual, sem debate e consulta ao povo. Lutaremos e resistiremos contra essa prática com todas as forças.
Ao contrário das políticas autoritárias e entreguistas do governo usurpador, que enfraquecem a democracia e aprofundam as desigualdades, seguiremos lutando em favor da verdadeira democracia, que reforce e não debilite, a soberania da Nação brasileira e qualifique sempre mais suas relações sociopolíticas, socioeconômicas, socioambientais e socioculturais da sociedade brasileira, inclusive suas relações internacionais.
SOBERANIA NÃO SE NEGOCIA!
Janeiro de 2017.
Subscrevem:
  1. Agentes de Pastoral Negros do Brasil – APNs
  2. Amigos da Terra Brasil
  3. ANDES – Sindicato Nacional
  4. Articulação dos Empregados Rurais do Estado de Minas Gerais – ADERE/MG
  5. Associação Brasileira de Homeopatia Popular – ABHP/Cuiabá/MT
  6. Associação de Direitos Humanos
  7. Associação de Mulheres da Zona Leste – São Paulo/SP
  8. Associação de Saúde da Periferia do Maranhão – ASP/MA
  9. Associação dos Trabalhadores da Secretaria de Desenvolvimento Social do Estado de São Paulo – ATDSESP
  10. Brigadas Populares
  11. Casa da Solidariedade do Ipiranga
  12. CEBRAPAZ
  13. Central de Movimentos Populares – CMP
  14. Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – CTB
  15. Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – CTB Estadual/São Paulo
  16. Central Única dos Trabalhadores – CUT
  17. Centro Burnier Fé e Justiça – CBFJ/Mato Grosso
  18. Centro de Defesa dos Direitos Humanos Marçal de Souza Tupã-i /MS
  19. Centro de Estudos Bíblicos – CEBI
  20. Centro de Estudos e Articulação da Cooperação Sul-Sul
  21. Centro de Pesquisa e Assessoria – ESPLAR/CEARÁ
  22. Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos
  23. Centro Popular de Defesa dos Direitos Humanos Frei Tito de Alencar Lima – CPDDH
  24. Coletivo de Advogados para a Democracia – COADE/São Paulo capital
  25. Coletivo de Mídia Memória Latina
  26. Comissão Brasileira de Justiça e Paz, organismo vinculado à CNBB
  27. Comitê de Energia Renovável do Semiárido – CERSA
  28. Comitê Pró-Haiti
  29. Conselho de Leigos da Arquidiocese de São Paulo – CLASP
  30. Conselho Indigenista Missionário – CIMI
  31. Conselho Nacional do Laicato do Brasil – CNLB
  32. Consulta Popular
  33. Cooperativa de Pescadores Artesanais do Bairro Prainha – Iguape/SP
  34. Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas – CONAQ
  35. Coordenação Nacional de Entidades Negras – CONEN
  36. Coordenadoria Ecumênica de Serviço – CESE
  37. CSP – Conlutas
  38. CSP – Conlutas Regional Roraima
  39. Escola Fé e Política Pe. Humberto Plummen – Setor Pastoral Social NE 2
  40. Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional – FASE
  41. Federação dos Empregados Rurais Assalariados do Estado de Minas Gerais – FERAE/MG
  42. Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar da CUT no Estado de São Paulo
  43. Federação Sindical Mundial – FSM
  44. Fórum de Direitos Humanos e da Terra – FDHT/MT
  45. Fórum de Mudanças Climáticas e Justiça Social
  46. Frente Povo Sem Medo
  47. Grito dos Excluídos Continental
  48. Grito dos Excluídos/as Brasil
  49. Grupo Carta de Belém
  50. Grupo Cidadania de Assis e Região – São Paulo/SP
  51. Grupo de Estudos Educação & Merleau-Ponty – GEMPO/UFMT
  52. Grupo de Pesquisa “Educação e Direito na Sociedade Brasileira Contemporânea”, da Universidade Federal de São Carlos/São Paulo
  53. Grupo de Pesquisa Movimentos Sociais e Educação – GPMSE/PPGE/UFMT
  54. Grupo Pesquisador em Educação Ambiental, Comunicação e Arte – GPEA
  55. Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas – IBASE
  56. Instituto Caracol -iC
  57. Instituto de Estudos Socioeconômicos – INESC
  58. Instituto de Política Alternativas para Cone Sul – Pacs
  59. Intersindical Central da Classe Trabalhadora
  60. Iser Assessoria – Rio de Janeiro
  61. Jubileu Sul Brasil
  62. Justiça Global
  63. Justiça Sem Fronteiras – JSF
  64. Levante Popular da Juventude
  65. Marcha Mundial das Mulheres – MMM
  66. Movimento Camponês Popular – MCP
  67. Movimento de Moradia da Cidade de São Paulo
  68. Movimento de Mulheres Camponesas – MMC
  69. Movimento Democracia Direta – MDD
  70. Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB
  71. Movimento dos Pequenos Agricultores – MPA
  72. Movimento dos Pescadores e Pescadoras Artesanais – MPP
  73. Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST
  74. Movimento dos Trabalhadores Sem Teto – MTST
  75. Movimento Nacional Contra Corrupção e pela Democracia – MNCCD
  76. Movimento Nacional da Bio Saúde/ ABRASP
  77. Movimento Nacional de Direitos Humanos – MNDH
  78. Movimento pela Soberania Popular na Mineração – MAM
  79. Movimento Sem Terra de Luta – MSTL
  80. Núcleo das Mulheres Negras de São Paulo
  81. Núcleo de Direitos Humanos e Cidadania de Marília-NUDHUC
  82. Núcleo de Estudos e pesquisas Regionais e do Desenvolvimento-UFPE
  83. Organização Indígena Revolucionária
  84. Partido PSOL
  85. Pastorais Sociais – CNBB
  86. Pastorais Sociais da Arquidiocese de Manaus/AM
  87. Pastoral da Mulher Marginalizada
  88. Pastoral Operária Nacional – PO
  89. Rede Brasileira de Cidades Médias
  90. Rede Brasileira pela Integração dos Povos – REBRIP
  91. Rede Feminista de Saúde, Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos
  92. Rede Internacional de Educação Ambiental e Justiça Climática (REAJA)
  93. Rede Mato-Grossense de Educação Ambiental – REMTEA
  94. Rede Social de Justiça e Direitos Humanos
  95. Sempreviva Organização Feminista
  96. Serviço Pastoral dos Migrantes – SPM
  97. Sindicato dos Advogados do Estado de São Paulo – SASP
  98. Sindicato dos Arquitetos no Estado de São Paulo – SASP
  99. Sindicato dos Empregados Rurais da Região do Sul de Minas Gerais – SERRS/MG
  100. Sindicato dos Empregados Rurais de Carmo da Cachoeira – SERCAC/MG
  101. Sindicato dos Empregados Rurais de Carmo de Minas – SINDERCAM/MG
  102. Sindicato dos Empregados Rurais de Conceição do Rio Verde MG – SINDERCRV/MG
  103. Sindicato dos Trabalhadores em Água Esgoto e Meio Ambiente do Estado de São Paulo – SINTAEMA
  104. Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil e do Mobiliário de Roraima – SINTRACOMO
  105. Terra Sem Males – Jornalismo Independente
  106. Tribunal Popular
  107. Uneafro Brasil
  108. Universidade de Políticas do Movimento Popular – UNIPOP Brasil
  109. UNMP – União Nacional por Moradia Popular
  110. Via Campesina Brasil/CLOC

Entidades América Latina:
  1. Acción Ecológica – Equador
  2. Central de los Trabajadores de la Argentina – Autónoma – CTA A
  3. Confederación Sindical de Trabajadores/as  de las Américas  – CSA
  4. DIÁLOGO 2000 – JUIBLEO SUR / ARGENTINA
  5. Instituto de Estudios Ecologistas del Tercer Mundo IEETM – Equador
  6. Jubileo Sur Américas
  7. Emancipación Sur – Argentina
Militantes:
– Adriano Van de Vem, Dourados/MS
– André Lima Sousa, economista, doutorando em Geografia e professor universitário. Fortaleza-Ceará.
– Bruno Gasparini, Coordenador do Curso de Direito do Instituto Superior do Litoral do Paraná – Isulpar
– Clayton Mendonça Cunha Filho, professor-adjunto do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do Ceará/UFC
– Demerson Dias.
– Elisabeth Niglio de Figueiredo, professora da Unifesp
– João Alfredo Telles, ambientalista, advogado e professor, Fortaleza/Ceará.
– Nadine Borges, advogada, mestre, coordenadora de relações externas da UFRJ e ex-presidente da Comissão da Verdade do Rio de Janeiro.
– Quinto Piazza, educador popular.
– Teresinha P. Prado, professora aposentada.
– Thiago Pizzo Scatena, cientista social e membro do SASP.
– Walkes Jacques Vargas, dirigente do Sindicato dos Psicólogos de Mato
Grosso do Sul
– Guilherme Simões Reis – professor de Ciência Política da UNIRIO
– Heliane Groff, psicóloga em saúde publica.
– Alfredo José Lopes Costa, jornalista e professor assistente do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Goiás.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

ENERGIA SOLAR NAS CASAS GANHA DAS FAZENDAS SOLARES

MAIS UMA VEZ, FICA CLARO QUE A POLÍTICA ENERGÉTICA DO BRASIL SEGUE NO CAMINHO ERRADO, MESMO QUANDO APOIA PROJETOS DE ENERGIA SOLAR. ENQUANTO NO MUNDO CRESCE MAIS DO QUE AS GRANDES EMPRESAS A PRODUÇÃO DE ENERGIA NOS TELHADOS DAS CASAS, NOSSA POLÍTICA SÓ TEM OLHOS PARA AS EMPRESAS!

É POR ISSO QUE A FRENTE POR UMA NOVA POLÍTICA ENERGÉTICA PARA O BRASIL LUTA POR UM FUNDO DE INCENTIVO REAL À ENERGIA DESCENTRALIZADA, NOS TELHADOS. 

FOTOVOLTAICO RESIDENCIAL SERÁ RESPONSAVEL PELO CRESCIMENTO DO SETOR NOS EUA

Um artigo na Greentech Media sugere que os sistemas fotovoltaicos residenciais serão a estrela ascendente do setor. Aponta para arrefecimento no crescimento das grandes plantas solares centralizadas e de um mercado dominado por poucos e grandes fabricantes. A engenharia financeira complexa que o segmento grande exige vai perder a importância por causa da queda do preço das placas e outros componentes. Assim, o foco passa para as instalações residenciais que, por definição, exigem um sistema muito mais distribuído de fornecedores e instaladores, mais a cara do pequeno negócio do que da megacorporação. Esperam-se menos chamadas de capital em Wall Street e mais financiamentos locais por bancos ou agências locais. 
A próxima redução de custo virá, segundo os autores, por conta da competição local, onde a economia de escala não faz muita diferença.

ENERGIA SOLAR CRIOU UM EM CADA 50 NOVOS EMPREGOS NOS EUA EM 2016

E... SERÁ QUE O GOVERNO BRASILEIRO SE DEU CONTA DISSO, OU VAI CONTINUAR COM A CABEÇA NO SÉCULO DEZENOVE?

Na sua campanha, Trump prometeu milhares de empregos na indústria fóssil, especialmente na do carvão. Mas, segundo o relatório de 2016 do National Solar Jobs Census, o crescimento de empregos na geração solar fotovoltaica foi muito maior do que nas outras fontes de eletricidade. No ano passado, o setor criou um em cada cinquenta novo emprego (diretos e indiretos). O crescimento do emprego na indústria solar ultrapassou o da média global dos EUA em 17 vezes. Desde 2100 o setor quase triplicou o número de empregos criados.

A cumprir sua promessa de campanha e reduzir o preço relativo do carvão, Trump diminuiria o número total de empregos. Seu pessoal vai precisar de muita contabilidade criativa e fatos alternativos para se explicar.

O setor foi discutido num debate organizado pelo jornal inglês The Guardian. Os participantes concordaram que é a própria lógica de mercado que está impulsionando os renováveis em geral e que já atingiram a paridade de preços com os fósseis. Com um impulso extra dos compromissos com energia limpa de corporações como a Google e Apple, não há medida governamental que ressuscite o carvão. Lembraram que o governo Trump pode durar até oito anos, mas que os investimentos em geração têm que durar muito mais. Aí, o setor dos fósseis começa a ficar parecido com a indústria do fumo – obsoleto; um setor ao qual ninguém quer ver sua imagem associada.

ALEXANDRE DE MORAIS POR ELE MESMO

É IMPORTANTE CONHECER O PENSAMENTO OU A IDEOLOGIA DESSE CANDIDATO DO TEMER AO STF. CAMINHAMOS PARA TRÁS, PARA O NAZISMO?

Alexandre de Moraes por ele mesmo, por Fábio de Oliveira Ribeiro

por Fábio de Oliveira Ribeiro
Antes de chegar ao poder Hitler escreveu um livro. Poucos deram atenção ao que o líder nazista havia escrito. Mas aqueles que o fizeram sabiam exatamente o que poderiam esperar dele, pois em Mein Kampf estão delineadas as principais plataformas políticas do futuro führer: a perseguição implacável aos comunistas, judeus e doentes mentais até que eles fossem todos exterminados. Devemos, pois, prestar atenção ao que Alexandre de Moraes escreveu.  
“Os direitos humanos fundamentais não podem ser utilizados como um verdadeiro escudo protetivo da prática de atividades ilícitas, nem tampouco como argumento para afastamento ou diminuição da responsabilidade civil ou penal por atos criminosos, sob pena de total consagração ao desrespeito a um verdadeiro Estado de Direito.” (Direitos Humanos Fundamentais, Alexandre de Moraes, Atlas, 8ª edição, São Paulo, 2007, p. 27)
Estas são as palavras do cidadão indicado por Michel Temer para o STF. É evidente que Alexandre de Moraes desconhece ou despreza o lento processo de construção histórica dos Direitos Humanos. Ao contrário do que ele diz, eles constituem sim um escudo protetivo contra a índole autoritária dos Estados modernos, cujo exemplo mais deplorável foi o Estado nazista que reservou para si mesmo o direito de exterminar pessoas sem que seus agentes tivessem da responsabilidade civil ou penal por seus atos criminosos.
Foi por isto, aliás, que a Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948 repudiou expressamente os crimes cometidos pelos Estados autoritários e afirmou em seu preâmbulo que "...o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e de seus direitos iguais e inalienáveis é o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo.” Alexandre de Morais distorce o conteúdo deste documento para colocar em evidência o direito do Estado de perseguir e punir criminosos violando seus direitos humanos.
No fundo, o que o candidato à vaga no STF faz é revalidar o conceito de predominância absoluta do Estado sobre o indivíduo. Conceito este que foi militarmente derrotado nos campos de batalha europeus em 1945. Os Direitos Humanos fundamentais são inalienáveis e irrevogáveis. Eles não impedem o Estado de responsabilizar civil e criminalmente aqueles que violarem a Lei, mas obriga os agentes estatais (juízes, promotores, policiais) a cumprir sua missão respeitando a humanidade das pessoas que cometeram infrações.
É preocupante a ascensão de Alexandre Moraes ao STF. Além de relativizar os Direitos Humanos para que os agentes estatais possam cometer crimes no exercício de suas funções (como os homicídios, agressões e torturas praticados por PMs quando ele mesmo foi Secretário de Segurança Pública), o candidato indicado por Michel Temer deliberadamente ignora o que consta no art. 1º, II, III e V, da CF/88. Estas são regras constitucionais imutáveis que condicionam a interpretação de toda a Constituição Federal para impedir que os órgãos do Estado brasileiro encarregados da repressão ao crime comecem a agir como o Estado nazista.
Ao rejeitar os Direitos Humanos por uma razão de estado (a necessidade do Estado de Direito se fazer respeitar) contrária aos fundamentos da Constituição Federal, com a finalidade de revogar o conteúdo limitador imposto aos agentes estatais pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, o jurista Alexandre de Moraes se filia à doutrina do Direito Penal do Inimigo. A posição dele não visa apenas legitimar os abusos e crimes cometidos pelas autoridades contra os cidadãos comuns, mas também garantir a impunidade das mesmas quando o Estado for provocado pelas vítimas.
Opera aqui, uma vez mais, a lógica nazista. Contra o poder absoluto do Estado (de reprimir, brutalizar e exterminar uma parcela da população por razões raciais e políticas) não há qualquer remédio. Os agentes estatais encarregados de perseguir criminosos são imunes à Lei, porque eles corporificam a vontade geral da nação. O Estado em movimento não pode ser detido, as ações cometidas em seu nome são todas legítimas.
Foi exatamente para coibir esta lógica fria e desumana que a Declaração Universal dos Direitos Humanos “...nas considerações seguintes ao preâmbulo deplora os ‘atos bárbaros’ que resultaram do desrespeito desses direitos; proclama a aspiração humana à liberdade e à vida sem temor; clama pela proteção dos direitos, sob o ‘império da lei’, admitindo, porém, ‘como último recurso a rebelião contra a tirania e a opressão’; defende a amizade entre as nações; reafirma o primado da dignidade da pessoa humana e sustenta a igualdade entre homens e mulheres; anuncia o compromisso dos Estados membros da ONU de respeitar os direitos humanos e; sustenta a importância de uma compreensão comum desses direitos e liberdades.” (História Social dos Direitos Humanos, José Damião de Lima Trindade, editora Peirópolis, São Paulo, 2002, p. 191).
Os atos bárbaros cometidos pela PM nunca foram repelidos com veemência por Alexandre de Moraes quando ele foi Secretário de Segurança Pública de são Paulo. Isto sugere que, como os nazistas derrotados em 1945, o candidato à vaga no STF despreza a humanidade das vítimas dos crimes cometidos por agentes estatais. Ele politiza uma questão jurídica (a obrigação do Estado de respeitar os Direitos Humanos daqueles que devem ser responsabilizados civil e criminalmente pelos seus atos dentro dos limites da Lei) com uma finalidade evidente: garantir a inimputabilidade dos policiais. Esta estratégia, contudo, é repelida pela Declaração Universal dos Direitos Humanos e por diversas outras Leis Internacionais é por si só política.
Estas são as razões pelas quais rejeito a nomeação de Alexandre de Moraes para ministro do STF. Ele não tem o perfil necessário ao cargo que pretende ocupar, pois ao invés de interpretar a CF/88 como um escudo protetivo para o cidadão contra os abusos do Estado, ele a transformará num instrumento de legitimação dos crimes cometidos pelos agentes estatais. 
http://jornalggn.com.br/blog/fabio-de-oliveira-ribeiro/alexandre-de-moraes-por-ele-mesmo-por-fabio-de-oliveira-ribeiro 

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

ALEXANDRE MORAIS NO STF: NÃO ACEITAR O ABSURDO!

A direita que está no poder tem quadros muito melhores para a escolha, mas preferiu dar voz a um bufão que tudo o que fez na vida foi na base de seu privilégio de ser homem, paulista, branco, católico e conservador. Surreal, trata-se de mais um tapa na cara de quem foi votar há dois anos: ver escolhido para o STF o Secretário de Segurança Pública do Alckmin. O comentário é de Brenno Tardelli, advogado, diretor de redação do Justificando, em artigo publicado por Justificando, 06-02-2017.
Eis o artigo.
Em 2002, quando Gilmar Mendes foi escolhido por Fernando Henrique Cardoso para o Supremo Tribunal Federal (STF), Dalmo Dallari escreveu um dos mais proféticos textos da política jurídica brasileira. Sob o título “a Degradação do Judiciário”, o jurista afirmou que “a comunidade jurídica sabe quem é o indicado e não pode assistir calada e submissa à consumação dessa escolha notoriamente inadequada”.
O tempo foi o senhor da razão para Dallari, que assistiu junto com toda a comunidade jurídica a trajetória de um ministro descaradamente partidário, politiqueiro e inapto para o cargo.
Os catorze anos de Partido dos Trabalhadores no poder contribuíram para espalhar a mediocridade pelo Supremo Tribunal Federal, principalmente por optar pela representatividade vazia, por nomes ligados ao conservadorismo, ou ainda, pela absoluta inadequação ética e jurídica para o cargo, característica mais presente nas incompreensíveis indicações de Dias Tóffoli e Luiz Fux.
Quando a comunidade jurídica pensava que não poderia ser mais negativamente surpreendida, eis que Temer nomeia Alexandre de Moraes, para, caso queira, ficar na corte pelos próximos 26 anos.
O mais espantoso sobre Alexandre de Moraes é que, no seu caso, a mediocridade, ineficiência e o pensamento tacanho foram premiados após a mais desastrosa gestão da história do Ministério da Justiça. Moraes fez de tudo um pouco: desviou dinheiro do Fundo Penitenciário para montar uma polícia própria, mentiu publicamente que havia oferecido ajuda à Rondônia para conter caos penitenciário e, todo pomposo, anunciou um tal de Plano Nacional de Segurança Pública que se resumia a um PPT amador de 50 slides. Um pífio trabalho escolar faria melhor.
Alexandre de Moraes também esvaziou o Conselho Nacional de Políticas Penitenciárias, retrocedeu em décadas o processo de demarcação de terras indígenas e ainda, como se não bastasse, foi ao Paraguai cortar pés de maconha de forma patética, mas cujo gesto simboliza o atraso na política de drogas.
Além disso, Moraes fez palanque em cima da Lava Jato, interferindo na operação e antecipando movimentos em eventos de campanha – inclusive por isso o Estadão chegou a pedir sua renúncia. O ministro é filiado ao PSDB, que se vê em apuros para evitar desgastar mais a imagem na Operação Lava Jato, sendo completamente descabida a presença de alguém partidário nesse momento, em especial quem já foi capa das maiores revistas do país como o homem errado.
Poderia passar o dia listando outros absurdos no Ministério da Justiça, mas vale dizer que Moraes foi nomeado para o cargo após ter uma gestão péssima na Secretária de Segurança Pública, onde maquiou dados sobre homicídios para vender uma realidade inexistente, esteve à frente de um período extremamente violento da polícia militar e criminalizou movimentos sociais e adolescentes secundaristas.
Aparentemente, o trampolim profissional de Alexandre é o fracasso. Quanto mais falha, mais sobe.
A esperança de algum nome próximo do ruim estava às minguas. O certo era o péssimo, lembrando que Alexandre conseguiu se sobrepor a Ives Gandra Filho, ministro do Tribunal Superior do Trabalho que se revelou autor com as maiores barbaridades sobre Direito de Família. Mais tarde, também seria revelado que ele trazia essas convicções para suas decisões no TST, bem como empregou um padre para o lugar de uma servidora concursada na ouvidoria do tribunal.
Não precisava ser uma disputa em tão baixo nível. A direita que está no poder tem quadros muito melhores para a escolha, mas preferiu dar voz a um bufão que tudo o que fez na vida foi na base de seu privilégio de ser homem, paulista, branco, católico e conservador. Surreal, trata-se de mais um tapa na cara de quem foi votar há dois anos: ver escolhido para o STF o Secretário de Segurança Pública do Alckmin.
Segundo percebeu a jornalista Grazi Albuquerque, somente há uma saída para evitar o desastre de Moraes no Supremo: a união da comunidade jurídica para afastar alguém que se sentará na mais alta corte por quase três décadas. Até a sabatina pelo Senado, a mensagem é deixar claro que Moraes não tem notório saber jurídico, nem reputação ilibada: pelo contrário, sequer possui legitimidade no meio jurídico, ante suas infinitas mostras de incompetência.
Atos, notas públicas, questionamentos de entidades e juristas valem como armas numa batalha sangrenta. Silente, acovardada, assistindo alguém que comprometerá o direito por quase trinta anos sem nenhum protesto – repito: quase trinta anos – é que a comunidade jurídica não pode ficar.
Por isso, como uma luva, as palavras de Dallari se aplicam a Moraes, cuja indicação é mais um passo na degradação do Judiciário. A citação, como no caso de Gilmar, também aqui se encaixa perfeitamente: a classe jurídica deve se unir para evitar que esse absurdo aconteça.
http://www.ihu.unisinos.br/564635-a-direita-preferiu-dar-voz-a-um-bufao-que-tudo-o-que-fez-na-vida-foi-na-base-de-seu-privilegio-de-ser-homem-paulista-branco-catolico-e-conservador 

RECORDE DE RADIAÇÃO EM FUKUSHIMA

E HÁ PRETENSOS CIENTISTAS BRASILEIROS QUE CONTINUAM AFIRMANDO QUE USINAS NUCLEARES SÃO SEGURAS, E QUE AS USINAS DO BRASIL SERIAM MAIS "SEGURAS" DO QUE AS DO JAPÃO!

TEM GENTE QUE GOSTA DE PRECIPÍCIOS SEM FIM!

Nível de radiação em usina nuclear de Fukushima atinge recorde
Índice é o mais alto desde devastação da central por tsunami, em 2011
RIO — A empresa Tepco, que opera a central nuclear de Fukushima, anunciou que registrou um nível recorde de radiação no local e um buraco em uma parte de metal do sarcófago do reator número 2.
Uma pequena câmera foi colocada em janeiro nesta unidade e a análise das imagens feitas dentro do local permitiu a dedução de que, em uma parte do sarcófago, “a radiação pode alcançar 530 sieverts por hora”. Um homem exposto a uma radioatividade deste nível morreria praticamente na hora.

- Há uma margem de erro, então o nível pode ser 30% inferior, mas continua sendo elevado — confirmou à agência AFP o porta-voz da Tokyo Electric Power (Tepco), Tatsuhiro Yamagishi.
O registro anterior, de 2012, em outro ponto do reator 2, era, segundo a Tepco, de 73 sieverts. A nova leitura foi descrita por especialistas do setor como "inimaginável".

Uma única dose de um sievert é suficiente para causar doenças de radiação e náuseas. Cinco sieverts matariam a metade daquelas expostas a ele dentro de um mês, e uma única dose de 10 sieverts seria fatal em poucas semanas.

— O nível extremamente elevado de radiação medido no local, se for exato, pode indicar que o combustível não está longe e que não está coberto por água — afirmou ao canal público NHK Hiroshi Miyano, professor da Universidade Hosei, que preside uma comissão de estudos para o desmantelamento da central nuclear devastada.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/sociedade/sustentabilidade/nivel-de-radiacao-em-usina-nuclear-de-fukushima-atinge-recorde-20868324#ixzz4Y1Us8Pcy © 1996 - 2017. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.



O PIOR E O MELHOR DO ANIMAL HUMANO

Roberto Malvezzi (Gogó)
A opção que se coloca no mundo não é apenas a permanência da democracia ou o controle fascista da humanidade, mas as conquistas básicas da civilização humana que permitem a convivência entre as pessoas.
A superação da “lei do talião”, dente por dente e olho por olho, é uma conquista da civilização humana. Embora com tantas críticas e resistências, a ideia de justiça passou da vingança privada para a esfera do Estado. É ele que detém o monopólio da violência e da justiça.
Embora o Estado seja na maioria dos países o espelho da estruturação real da sociedade, o exercício legal do poder pela classe dominante, que faz e executa as leis conforme as suas conveniências - a tal da superestrutura jurídica, como dizia Marx -, há que ser reconhecer que sem regras e sem uma instância de ordem a convivência humana de 7 bilhões na face da Terra seria impossível de existir.
Gandhi, quando criticava a lei do talião, dizia que “no olho por olho todos terminaremos cegos”. É simples acrescentar que no “dente por dente todos terminaremos banguelas”.
A civilização humana experimenta um quadro de rupturas drásticas, consigo mesma e com o ambiente necessário para a existência da vida, particularmente dos seres humanos. Entretanto, nesse momento que deveria ser o da razão, é quando os instintos piores do animal humano afloram, numa real “struggle for life”, construindo muros, enxotando pessoas, “desplazando” os mais fracos, os que menos tem espaços para sobreviver. Para muitos é a predominância do cérebro reptiliano que herdamos de nossos ancestrais.
O capital mudou. Antes desejava que toda humanidade consumisse seus produtos. Hoje, com a consciência dos limites ecológicos – água, solos, minerais, etc. – quer reservar o melhor para uma parte restrita da humanidade. Fala-se que, para sustentar o padrão mundial da classe dominante, a Terra comporta cerca de 2 a 3 bilhões de pessoas (Lovelock), sendo que o restante será fatalmente eliminado por tragédias sociais ou climáticas. 
Existem novos humanismos, de respeito ao imigrante, ao meio ambiente, a todos os seres vivos (Laudato Si’), à todas as pluralidades, a consciência da interligação de todos com o tudo. Porém, esse novo é subalterno diante dos instintos primitivos de sobrevivência que se tornam lei, governos e cultura do ódio.
Esse é o embate desse início de milênio. Ou avançamos para formas mais civilizadas de convivência, ou chafurdaremos no pior do animal humano.