quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

COBRANÇA DE IMPOSTOS E CONCNETRAÇÃO DA RIQUEZA NO BRASIL

A PREMISSA DO SISTEMA TRIBUTÁRIO BRASILEIRO É COBRAR IMPOSTOS DOS TRABALHADORES

http://www.ihu.unisinos.br/563575-a-premissa-do-sistema-tributario-e-cobrar-impostos-dos-trabalhadores-entrevista-especial-com-evilasio-salvador

Além da tributação indireta sobre o consumo e a produção de bens e serviços, a tributação direta via Imposto de Renda também pode ser considerada “mais um elemento de concentração de riqueza na sociedade”, diz Evilásio Salvador à IHU On-Line, na entrevista a seguir, concedida por telefone.
Recentemente, Evilásio Salvador coordenou um estudo do Instituto de Estudos Socioeconômicos - Inesc, que se propôs a analisar os dados do Imposto de Renda de 2007 a 2013, divulgados pela Receita Federal. Entre as conclusões do estudo, o professor pontua que os declarantes do Imposto de Renda com rendimentos acima de 40 salários mínimos “têm, se verificarmos os ativos e os bens, 42% do total de bens informados à Receita”, enquanto os hiper-ricos, aqueles que recebem acima de 160 salários mínimos, possuem “21,70% do patrimônio informado na declaração de Imposto de Renda”.
Na avaliação de Salvador, o Sistema Tributário “não é simplesmente injusto porque tem uma tributação forte indireta, ele também é injusto porque não tributa renda e patrimônio de maneira adequada, e mesmo quando tem a tributação sobre a renda, esta é, basicamente, restrita e limitada ao trabalhador assalariado e aos servidores públicos”.

Evilásio Salvador | Foto: Cristina Guerini Link 
Evilásio Salvador é graduado em Economia pela Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, mestre e doutor em Política Social pela Universidade de Brasília – UnB, onde leciona atualmente.
Confira a entrevista.
IHU On-Line - Como foi feito o estudo que mede a desigualdade e a injustiça tributária no país, utilizando dados das declarações do Imposto de Renda – IR entre 2007 e 2013?
Evilásio Salvador – O Brasil tem um sistema tributário bastante injusto: grande parte da arrecadação dos tributos advém de uma tributação indireta sobre o consumo e a produção de bens e serviços, e atinge os mais pobres na sociedade, principalmente os trabalhadores de maneira generalizada.
O estudo que realizamos tinha o objetivo de verificar se, ao menos, a tributação direta, ou seja, aquela constituída por imposto sobre renda e patrimônio, aliviava essa situação, isto é, se conseguia, de fato, ter um perfil mais distributivo, com mais justiça, pelo menos nesse aspecto. O estudo acabou revelando que nem a tributação direta no Brasil tem o perfil de fazer justiça tributária e fiscal, porque ela é, simplesmente, mais um elemento de concentração de riqueza.
O estudo foi realizado a partir de uma base pública de dados da Receita Federal, que foi disponibilizada neste ano, chamada “Grandes Números do Imposto de Renda”. A Receita Federal até 1995/1996 costumava publicar dados consolidados da declaração do Imposto de Renda de Pessoa Física. A partir de 1996/1997 a Receita parou de publicar esses dados e passou a publicá-los de maneira muito restritiva, sem grandes informações, de modo genérico. A publicação desses dados, em nenhum momento, fere qualquer sigilo fiscal ou tributário porque são dados macro, e não nos permite ter informações individuais de nenhum contribuinte da Receita Federal.
Depois da grande repercussão do livro de Thomas Piketty, que foi traduzido para o português como O Capital no século XXI (2014), tornou-se mais evidente essa falta de transparência das informações brasileiras. O próprio Piketty disse, em entrevistas e no próprio livro, que não conseguiu fazer essa pesquisa sobre o Brasil porque não obteve os dados sobre Imposto de Renda. Acredito que a partir disso houve certo incômodo por parte da Secretaria da Receita Federal e ela passou, novamente, a liberar uma base de dados chamada “Grandes Números das Declarações do Imposto de Renda das Pessoas Físicas”. Essa base de dados permite o acesso a dados agregados de renda e patrimônio dos declarantes do Imposto de Renda no Brasil, no período de 2008 a 2014, tendo como base os anos do calendário de 2007 a 2013.
Então, o estudo que realizamos analisou o perfil do Imposto de Renda desses declarantes, considerando os quesitos de sexo, rendimento e salário mínimo em unidades da federação, buscando o efeito concentrador de renda e riqueza. A partir dessas informações sobre rendimentos e bens e direitos, que é o equivalente a informações sobre patrimônio, analisamos o conjunto das declarações que foram disponibilizadas em planilhas de dados, ou seja, tivemos acesso a uma série de dados, como rendimentos tributáveis, rendimentos tributáveis exclusivos, rendimentos isentos, deduções com doença, saúde e educação, imposto devido, imposto pago, dívida, ônus, patrimônio etc.
Na sociedade brasileira temos o hábito de dizer que existem “os 5% mais ricos”, mas a concentração é maior
IHU On-Line - Como o senhor chegou à informação de que 700 mil pessoas — 0,36% da população — têm patrimônio igual a 45% do PIB?
Evilásio Salvador – Chegamos a esse número a partir da faixa de rendimento total, que dividimos em várias faixas: até meio salário mínimo, de meio a um salário mínimo, de um a dois, de dois a três, de três a cinco, de cinco a 10, de 10 a 20, de 20 a 40, de 40 a 80, de 80 a 160 e depois acima de 160 salários mínimos. Isso revela que a concentração de renda está acima da faixa de 40 salários mínimos. Quando analisamos os ativos declarados por essas pessoas, que são os bens, obtemos um indicador de patrimônio delas, e quando observamos esses dados, vemos que são 700 mil pessoas que estão nessa faixa; quando analisamos o total de ativos informados à Receita Federal, observamos algo como cinco trilhões oitocentos e vinte e cinco bilhões e quatrocentos e quarenta e sete mil. Quando olhamos onde está grande parte dessa concentração, vemos que está nessa faixa acima de 40 salários mínimos. Se dividirmos esse valor pelo PIB estimado de 2013, chegamos à informação de que é quase metade do Produto Interno Bruto.
Os declarantes que estão nessa faixa acima de 40 salários mínimos têm, se verificarmos os ativos e os bens, 42% do total de bens informados à Receita. Além disso, se quisermos, podemos analisar a situação dos hiper-ricos, aqueles que estão acima de 160 salários mínimos: esses têm 21,70% do patrimônio informado na declaração de Imposto de Renda.
Na sociedade brasileira temos o hábito de dizer que existem “os 5% mais ricos”, mas a concentração é maior. Se analisarmos a base de dados, veremos que a faixa do 1% mais rico da sociedade brasileira é mais concentradora quando analisamos detalhadamente quem é esse 1% mais rico. E mais, esses ativos, bens e direitos e o rendimento dessas pessoas são muito pouco tributados ou não são tributados. Por exemplo, nessa faixa dos hiper-ricos, que estão acima de 160 salários mínimos, há cerca de 50 mil pessoas que não pagam nada de Imposto de Renda, porque os seus rendimentos são advindos de lucros e dividendos que são distribuídos pelas empresas. Como lucros e dividendos são isentos do Imposto de Renda, elas simplesmente não pagam Imposto de Renda.
IHU On-Line - Nesse grupo entram acionistas?
Evilásio Salvador – Sim, são basicamente os acionistas, os sócios-capitalistas, literalmente os donos de empresas. Considerando que há um deslocamento da economia para a esfera financeira, grande parte dessas pessoas está vinculada ao mercado financeiro. É importante lembrar que nesses dados não estamos considerando a sonegação fiscal; analisamos apenas os dados declarados. E por que essas pessoas declaram e não pagam Imposto de Renda? Porque a legislação permite, desde 1995, que estejam isentos do pagamento de rendas auferidas com lucros e dividendos, assim como a remessa de lucros e dividendos para o exterior, que também não paga IR. 

IHU On-Line - Quais são as principais conclusões da sua pesquisa?
A estrutura tributária está na contramão do que é dito na Constituição
Evilásio Salvador – Que essas isenções no Imposto de Renda favorecem, claramente, os mais ricos na sociedade brasileira. A renda e o patrimônio no Brasil têm uma brutal concentração regional e de gênero, quando o combate às desigualdades de renda e de riqueza deveria ser a principal agenda do Brasil.
Sistema Tributário não é simplesmente injusto porque tem uma tributação forte indireta, ele também é injusto porque não tributa renda e patrimônio de maneira adequada, e mesmo quando tem a tributação sobre a renda, esta é, basicamente, restrita e limitada ao trabalhador assalariado e aos servidores públicos. Isso ocorre porque nem todos os rendimentos tributáveis de pessoas físicas são levados, obrigatoriamente, à tabela progressiva do Imposto de Renda, ou estão sujeitos ao ajuste anual na declaração de Imposto de Renda. Então, a estrutura tributária está na contramão do que é dito na Constituição, segundo a qual não deveria se permitir a discriminação em razão da ocupação profissional ou da profissão exercida pelos contribuintes, ao submeter à tabela progressiva do Imposto de Renda os rendimentos advindos do capital e de outras rendas da economia ou quando algumas são submetidas, por exemplo, a rendimentos de aplicações financeiras.
Parecemos inertes ou fazemos cara de paisagem para uma elite que não paga Imposto de Renda
Por isso acredito que esse estudo é muito importante no momento atual do país, em que se propõe, exatamente, um ajuste fiscal sobre os mais pobres, os trabalhadores assalariados, a população em geral e sobre as políticas sociais, com um profundo corte de gastos, como o que está sendo proposto pela PEC 55, com um ajuste brutal sobre a Previdência Social, que atingirá mais de 75% da população economicamente ativa. Por outro lado, parecemos inertes ou fazemos cara de paisagem para uma elite que não paga Imposto de Renda, não tem seus patrimônios tributados e sequer é incomodada pelo Estado, mas é concentradora de renda e de riqueza: 61 mil pessoas compõem a classe dos hiper-ricos, e 65% da renda deles tem origem em elementos isentos ou não tributáveis. Isso revela uma enorme injustiça fiscal que vem se agravando nos últimos anos, ao contrário de uma perspectiva que se tinha de uma melhoria na distribuição de renda. Essa melhoria se mostra limitada, porque quando estávamos discutindo essa melhoria de renda no país, estávamos olhando apenas os dados do mercado de trabalho.
IHU On-Line – Quais são os estados em que há maior concentração de renda e em quais há maior desigualdade?
Evilásio Salvador – O estudo não busca tratar exatamente disso, mas consegue perceber em quais unidades da federação estão os maiores rendimentos do país. Das 27 unidades da federação, são cinco as que concentram a renda e a riqueza. De 5,8 trilhões de bens, dois terços estão concentrados em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul. Esse é mais um agravante das desigualdades regionais do país.
Esses dados demonstram que a ideia de indicar caminhos e orçamento público via um plano plurianual, como prevê a Constituição, para reduzir as desigualdades regionais, não está acontecendo. Percebemos que renda e riqueza estão concentradas em poucos estados. O paradoxo disso é que o Rio de Janeiro e o Rio Grande do Sul estão passando por problemas fiscais e propondo, mais uma vez, um ajuste fiscal sobre os trabalhadores.
61 mil pessoas compõem a classe dos super-ricos, e 65% da renda deles tem origem em elementos isentos ou não tributáveis
IHU On-Line – Qual é o perfil da desigualdade e da injustiça tributária no país? 
Evilásio Salvador – O sistema tributário comete um conjunto de desigualdades e injustiças, e a premissa desse sistema tributário, desde o governo FHC, é de cobrar imposto e tributo dos mais pobres e dos trabalhadores assalariados. Essa injustiça é cometida de duas formas: uma é porque os tributos são fortemente concentrados na tributação sobre consumo, então, quando os mais pobres vão consumir em relação a sua renda, o peso da carga tributária torna-se injusto; segundo, existem outros elementos para discutir sobre outras formas de desigualdade na sociedade brasileira. Se olharmos isso do ponto de vista de gênero e de raça, veremos que a situação é mais agravante, porque as mulheres e as populações negras se encontram na faixa mais baixa de renda. Isso indica que o fisco tributa muito mais, em relação aos demais contribuintes, as populações femininas e negras.
Uma terceira injustiça é que aqueles tributos que tradicionalmente deveriam servir para fazer justiça fiscal e tributária, não exercem esse papel ou têm uma função limitada. Aí me refiro ao Imposto de Renda, que se limita a cobrar a renda de trabalhadores assalariados e servidores públicos, enquanto aqueles que vivem da riqueza, do seu patrimônio ou são donos dos meios de produção, não são tributados ou são pouco tributados. Um quarto fator é que o sistema tributário não acompanhou o deslocamento da economia: a economia se deslocou desde os anos 90 para o sistema do capitalismo financeiro. Esses ativos financeiros não são tributados ou são pouco tributados, e há uma classe de financistas que não produzem um parafuso, mas que acabam se beneficiando dessas operações com baixa tributação, sobretudo quando comparada à tributação da renda do trabalhador assalariado.
De 5,8 trilhões de bens, dois terços estão concentrados em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul 
De outro lado, a tributação sobre patrimônio é irrisória, ou seja, chega a ser motivo de piada em comparativos internacionais. Os patrimônios tributados equivalem a menos de 4% da arrecadação total de tributos - estamos falando de tributação de carros, IPVA, que incide sobre o patrimônio da classe trabalhadora, porque jatinhos e helicópteros não são tributados. A tributação sobre heranças também é baixíssima em comparação com a tributação internacional, e o imposto sobre grandes fortunas está mofando na Constituição Brasileira desde 1988, sem regulamentação. Por fim, o sistema tributário tem elementos de injustiça quando não contribui para atenuar as desigualdades regionais.
IHU On-Line – Por que o imposto sobre grandes fortunas deveria ser adotado e o que poderíamos caracterizar como grandes fortunas?
Evilásio Salvador – Eu não defendo só a regulamentação do imposto sobre grandes fortunas. Uma primeira medida que poderíamos adotar para começar a construir um sistema tributário mais justo seria elevar todos os rendimentos, e aí me refiro, sobretudo, a elevar todos os rendimentos para a tabela do Imposto de Renda, a qual deveria ter mais alíquotas. Eu me refiro a fazer uma tributação sobre a renda do capital, o que permitiria aliviar a renda tributada dos trabalhadores. Se corrigíssemos a tabela do Imposto de Renda pela inflação, poderíamos isentar uma parcela grande da população trabalhadora que não deveria estar pagando Imposto de Renda e, com isso, poderíamos onerar os mais ricos. Outra medida associada a isso é a tributação sobre patrimônios: poderíamos tributar o patrimônio no sentido dos ativos físicos, de propriedades, assim como ativos financeiros, como automóveis, jatinhos etc.
Em relação à tributação das grandes fortunas, ainda há uma discussão a ser feita: seria possível estipular um conjunto de ativos de bens que o contribuinte tem para estabelecer o nível de recolhimento de impostos que teria de ser feito. Alguns estudos estabelecem uma renda acima de cinco milhões de reais por ano. Eu sou muito simpático às proposições que o economista Amir Khair propõe: ele fez várias simulações sobre esse tipo de arrecadação. Essas medidas fariam com que o Brasil demonstrasse que está enfrentando as desigualdades sob todos os aspectos, começando por aqueles que têm maior renda e maior patrimônio.

CONSUMISMO E DESTRUIÇÃO DA BIODIVERSIDADE



Assim a sociedade de consumo destrói a biodiversidade do planeta

Pesquisa correlaciona a extinção de espécies com a origem dos produtos do comércio global


Os orangotangos de Bornéu estão ameaçados pela produção de óleo de palma.


Os orangotangos de Bornéu estão ameaçados pela produção de óleo de palma.  JEFTA IMAGES / BARCROFT


Os humanos começam a admitir que somos como um meteorito que vai provocar a nova megaextinção de espécies no planeta Terra. Mas ainda nos falta muita informação sobre o tamanho desse meteorito coletivo e o alcance da devastação que juntos causaremos. Sabemos, por exemplo, que a exploração maciça dos recursos naturais é um dos grandes fatores associados à devastação da biodiversidade, mas são necessários mais dados para conectar esse fenômeno com nosso consumo desmesurado.
Um estudo pioneiro, divulgado nesta quarta-feira, mostra a grande responsabilidade do comércio global na extinção maciça de espécies no mundo, traçando uma clara correlação entre a cesta de compras dos países mais consumidores e as selvagens pressões que massacram os tesouros naturais. O cafezinho que alguém toma nos EUA, por exemplo, está ligado ao desmatamentoda América Central – onde esse café é cultivado –, e esse é o habitat do acuado macaco-aranha, o mais ameaçado do planeta.
“Pelo menos um terço das ameaças à biodiversidade em todo o mundo estão vinculadas à produção para o comércio internacional”, dizem os autores do estudo publicado na Nature Ecology & Evolution. Em seu trabalho, eles mapearam locais do planeta onde há quase 7.000 espécies ameaçadas, estabelecendo sua conexão com a cadeia de consumo nos EUA, China e Japão. Desse modo, pode-se ver facilmente como os animais sob risco em determinados pontos do planeta sofrem com a demanda de bens por parte dos grandes consumidores.
Mapa dos lugares com espécies ameaçadas em relação com o consumo de bens nos EUA.
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Mapa dos lugares com espécies ameaçadas em relação com o consumo de bens nos EUA.  NATURE


Por exemplo, o lince e dúzias de outras espécies sofrem na península Ibérica pela pressão da produção agrícola que abastece os mercados europeus e norte-americanos. “É digno de menção o importante rastro dos EUA na biodiversidade do sul da Espanha e Portugal, ligado aos impactos sobre uma série de espécies ameaçadas de peixes e aves, já que esses países raramente são percebidos como pontos de ameaça”, afirmam os autores no estudo.


No Brasil, a principal ameaça está no sul, no planalto brasileiro, devido à agropecuária extensiva, e não na Amazônia

“O que este trabalho nos mostra é que os humanos estão assaltando o planeta”, resume David Nogués-Bravo, especialista em macroecologia da Universidade de Copenhague. Nogués-Bravo, que não participou do estudo, diz que os impactos humanos sobre a natureza podem ser representados como um redemoinho que engole a diversidade de seres vivos sobre a Terra. “Esse turbilhão é constituído por três nós: poder, comida e dinheiro. A capacidade da nossa espécie de sugar energia e recursos do planeta é quase ilimitada, e é o que está provocando a sexta extinção maciça na história da Terra”, denúncia o ecologista.
Para ele, tanto o enfoque como os resultados são muito pertinentes, porque põem em perspectiva as perdas de biodiversidade, principalmente em países tropicais em vias de desenvolvimento, e os fluxos de demanda que se originam nos países mais ricos e industrializados.
“O planeta inteiro se tornou uma fazenda, tudo está a serviço de fornecer cada vez mais bens”, critica Juan Carlos del Olmo, secretário-geral da organização conservacionista WWF na Espanha. “O maior vetor de destruição da biodiversidade é a produção de alimentos numa escala brutal”, aponta. Os autores do estudo relatam, por exemplo, sua surpresa ao comprovar que o principal foco de ameaça aos tesouros naturais do Brasil não está na Amazônia. “Apesar da grande atenção dedicada à selva amazônica, o rastro norte-americano no Brasil é maior no sul, no planalto brasileiro, onde há práticas agropecuárias extensivas”, ressalta o trabalho.


“Os humanos estão assaltando o planeta. A capacidade da nossa espécie de sugar energia e recursos no planeta é quase ilimitada”, resume Nogués-Bravo

“E o rastro ecológico não para de crescer", acrescenta Del Olmo, “mas reduzir esse rastro não é fácil; não podemos fomentar um consumo responsável se depois vamos jogar fora 25% do que se produz”. Como alterar a influência negativa destes fluxos? “Com este enfoque, do rastro de cima para baixo, examinamos todas as espécies ameaçadas e a atividade econômica em conjunto, razão pela qual pode ser difícil estabelecer vínculos claros entre consumo, comércio e impacto”, admitiu ao EL PAÍS um dos autores do estudo, Keiichiro Kanemoto, da Universidade de Shinshu.
“Precisamos ver de onde importamos e onde estão as espécies ameaçadas. Nosso mapa pode ajudar as empresas a fazerem uma cuidadosa seleção dos seus insumos e assim aliviar os impactos sobre a biodiversidade”, diz Kanemoto. Segundo o pesquisador, se as empresas oferecerem informações em seus produtos sobre as ameaças a espécies nas cadeias de suprimento, os consumidores poderão escolher em seu cotidiano produtos favoráveis à biodiversidade.

Os morangos que afogam o lince

“Esperamos que as empresas comparem nossos mapas e seus lugares de aquisição e então reconsiderem suas cadeias de suprimento, e queremos trabalhar com elas para começar a tomar medidas reais”, afirma Kanemoto. Neste sentido, Del Olmo diz que o trabalho do WWF há bastante tempo vem se voltando para esse foco: fazer com que todos os participantes da cadeia conheçam o impacto sobre a biodiversidade, para que a indústria, os fornecedores e os consumidores evitem os bens que mais causam danos na sua origem. Em outras palavras, que todos estejam conscientes de que o café coloca em risco o macaco-arranha, assim como o óleo de palma (dendê) ameaça o orangotango na Indonésia.
O estudo de Kanemoto e seus colegas ressalta como é inesperada a aparição da Espanha como uma região com grandes problemas de biodiversidade por culpa do consumo fora das suas fronteiras. Apontam especificamente o lince, que reina no Parque Nacional e Natural de Doñana, no sul do país, e que chegou a ser o felino mais ameaçado da Terra, entre outros motivos pela perda de hábitat. “Do ponto de vista da biodiversidade, a Espanha é o Bornéu da Europa. Nas grandes espécies a briga está acontecendo, mas a biodiversidade pequena – anfíbios, aves e peixes – está desaparecendo a uma velocidade brutal”, lamenta Del Olmo.
O diretor do WWF na Espanha cita como exemplo os morangos: a água que dava de beber à marisma de Doñana é atualmente usada nos milhares de hectares de cultivo de morangos. Essa área responde por 60% do cultivo da fruta na Espanha, e metade da água usada vem de poços ilegais, que secam o entorno. “O uso brutal da água e do território, o impacto da agricultura para exportar produtos a todo o mundo, deixa os aquíferos secos. Não notamos, mas o impacto é impressionante”, explica Del Olmo. E acrescenta: “Por isso dizemos às grandes redes varejistas: não comprem de quem usa poços ilegais e está destruindo a biodiversidade. Premiem quem faz direito”.
http://brasil.elpais.com/brasil/2017/01/03/ciencia/1483442907_990965.html

INDÚSTRIA DE TRANSGÊNICOS "VINCULADA" À ACADEMIA NACIONAL DE CIÊNCIAS

É O FIM DA PICADA, MAS, INFELIZMENTE, É TAMBÉM MAIS UMA CONFIRMAÇÃO DE QUE A INDÚSTRIA BIOTECNOLÓGICA TEM PRESENÇA, INFLUENCIA E ATÉ FINANCIA "ESTUDOS" QUE "DEFINEM" SE OS ALIMENTOS TRANSGÊNICOS SÃO PREJUDICIAIS OU NÃO. É CLARO QUE OS LAUDOS SEMPRE AFIRMAM A MESMA CIOSA: NÃO HÁ PROBLEMA ALGUM!

COMO ESTAMOS NUM MUNDO DOMINADO PELO CAPITALISMO MAIS EXACERBADO, NEOLIBERAL, PODE-SE EXIGIR QUE HAJA ESPAÇOS QUE ESTUDEM E DECIDAM COM AUTONOMIA CIENTÍFICA E ÉTICA? SÓ MESMO PESQUISAS ALTERNATIVAS, APOIADAS PELO PÚBLICO E CONTROLADOS POR ELE EM TODO O PROCESSO, PODERÃO SERVIR DE BASE PARA O COMBATE CONTRA AS "VERDADES" DAS EMPRESAS, DOS GOVERNOS E DAS ACADEMIAS NACIONAIS DE CIÊNCIAS QUE GOVERNAM E PRODUZEM CONHECIMENTOS A SERVIÇO DELAS. E SABER QUE ISTO SERÁ VISTO COMO PARTE DA GUERRA CONTRA ELAS E SEU DIREITO DE ESTAR ACIMA DE QUALQUER LEI...

É POR ISSO QUE, AO CONTRÁRIO DO QUE SERIA POSSÍVEL, A INDÚSTRIA BIOTECNOLÓGICA, NELA INCLUÍDA A DOS REMÉDIOS ESTÁ APOSTANDO NA DOENÇA COMO ESTRATÉGIA DE LUCROS, E ESTÁ LEVANDO MUITAS PESSOAS À MORTE ANTES DO TEMPO. DA MESMA FORMA QUE A DOMINAÇÃO E A CONCENTRAÇÃO DA RIQUEZA PELO CAPITAL FINANCEIRO PROVOCA E AGRAVA A POBREZA E A MISÉRIA, JUNTO COM O AQUECIMENTO E AS MUDANÇAS CLIMÁTICAS E TODAS AS SUAS CONSEQUÊNCIAS PARA TODAS AS FORMAS DE VIDA... 

New York Times confirma vínculos de la industria de OMG en las Academias Nacionales de Ciencias
Una investigación innovadora perfila la investigación de Food & Water Watch sobre los conflictos de intereses en las Academias Nacionales y destaca el papel desmesurado que juega la industria en la ciencia y la política de OMG.
Por Tim Schwab12.28.16
Basándose en más de dos años de investigación en Food & Water Watch, The New York Times ha publicado un relato condenatorio de la cultura de los conflictos de interés que permea el trabajo de las Academias Nacionales de Ciencias sobre los OGM.
The Times señala los paneles de científicos profundamente unilaterales que las Academias convocan para redactar sus informes de OGM, muchos de los cuales tienen conflictos de intereses financieros no revelados. También describe una inquietante puerta giratoria de personal entre el NAS y la industria biotecnológica.
Esta historia valida años de Food & Water Watch y otros esfuerzos de los defensores para exponer los conflictos de interés de largo alcance de NAS, que introducen prejuicios en la ciencia y también en la formulación de políticas, porque el gobierno federal utiliza NAS financiado por contribuyentes para desarrollar " "Reglas y regulaciones.
La historia del Times debe provocar una investigación del Congreso en el NAS y pedir al gobierno federal que evite utilizar cualquier consejo científico producido por la NAS sobre los OGM. Igual de importante, debería dar forma a cómo vemos el discurso científico más amplio sobre los OMG, que durante mucho tiempo ha estado muy influenciado por la industria biotecnológica, en universidades públicas, revistas académicas o grupos prominentes sin fines de lucro.
En el verano de 2014, Food & Water Watch comenzó a documentar el papel desmesurado que la industria biotecnológica estaba desempeñando en el trabajo de la NAS sobre OGM. Hemos tomado nota del panel de científicos unánimes que NAS había reclutado para crear un nuevo informe de OGM, muchos de los cuales tenían vínculos con la industria. "Si la industria va a tener un asiento -o un sustituto- en la mesa", le preguntamos, "¿por qué los agricultores y los consumidores no tienen un campeón sentado frente a ellos?".
Proporcionamos documentación sustancial a NAS y pedimos que se hicieran cambios, pero no recibimos ninguna respuesta. A medida que avanzaba el proyecto de la NAS, el grupo organizó un taller unilateral sobre OGM organizado y supervisado por organizaciones pro-OGM, entre ellas Monsanto y DuPont (quien, más tarde se reveló, también financió el taller).
A principios de 2016, el NAS inició un segundo proyecto de OGM, de nuevo liderado por un grupo de científicos abrumados con perspectivas de la industria. Una vez más, Food & Water Watch proporcionó a la NAS documentación sobre los conflictos de intereses no revelados y pidió que la NAS hiciera cambios. Poco después, 39 académicos y grupos de interés público firmaron una carta enviada a NAS que hizo eco de la denuncia de Food & Water Watch, ofreciendo una cruda crítica sobre la "preocupante tendencia de la unilateralidad en la NRC que pone en peligro la confianza pública". NAS respondió, pero sólo para decir que no pensaba que tenía un problema.
En mayo de 2016, NAS publicó un nuevo informe importante de GMO cuyo hallazgo de alto nivel, ampliamente difundido por los medios de comunicación, era que los OGMs son seguros. Food & Water Watch publicó un informe de 10 páginas que documentaba los conflictos estructurales de interés de NAS, incluyendo los millones de dólares que recibe de empresas biotecnológicas como Monsanto y DuPont, cuyos representantes forman parte de los consejos institucionales que supervisan los proyectos de OGM.
Más recientemente, en julio, descubrimos pruebas condenatorias de que un director de proyecto de NAS estaba aplicando para trabajar para el grupo de la industria de biotecnología, al mismo tiempo que supervisaba un informe de OMG en NAS, lo que provocó la historia del New York Times.
Esta no es la primera vez que esta narración ha aparecido en el Times, y es triste que el NAS se someta repetidamente a este tipo de vergüenza pública en lugar de simplemente hacer lo correcto. Al no abordar sus lapsos éticos, el NAS telegrafía un mensaje a la comunidad científica de que los conflictos de intereses no importan, cuando muy claramente lo hacen.
El NAS sería sabio aprovechar esta oportunidad para convertirse en un líder en conflictos de interés y comenzar a producir la ciencia objetiva e independiente que el mundo necesita desesperadamente en el tema de los OGM.


http://www.foodandwaterwatch.org/news/new-york-times-confirms-gmo-industry-ties-national-academies-sciences#.WGW3mmaGxaI.email
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A SECA NO SUL E NO LESTE DA ÁFRICA

A seca que atinge uma vasta região da África está no rol dos impactos causados pelas mudanças do clima agravados pelo El Niño do ano passado. 

Estima-se que o aquecimento global já reduziu o escoamento de água no sul da África em 48%. 

Considerada a pior seca dos últimos 35 anos, ela atinge áreas do chifre da África; Quênia, Etiópia, Somália, Uganda e Djibuti e outras de países mais ao sul no Malaui, Moçambique, Zimbabué, Madagascar e na África do Sul e nos países enclave do Lesoto e Suazilândia. 

Mais de 50 milhões de pessoas já estão passando fome ou em vias de. Como sempre, as crianças são as mais afetadas. Várias organizações internacionais estão pedindo doações e o Programa Mundial de Alimentação da ONU tem feito apelos urgentes por assistência, mas apenas metade do dinheiro necessário foi doada.




RIO TAPAJÓS EM DISPUTA

No primeiro de uma séria de artigos, Mauricio Torres e Sue Branford, apresentam os cada vez mais graves conflitos entre as populações tradicionais e ribeirinhas da Bacia do Tapajós e o modelo de ocupação do agronegócio, que envolve megaprojetos de infraestrutura apoiados pelos governos federal e estaduais. 

Neste momento, o escoamento da produção da soja desde o Mato Grosso é limitado por poucas e caras opções logísticas: pelos portos de Santos e Paranaguá no Sudeste ou pela Rodovia Interoceânica, passando pelo Acre e Peru. A BR 163, que liga Cuiabá a Santarém, ainda tem um trecho de 110 km sem asfalto na floresta e é considerada um dos vetores do desmatamento da Amazônia. 

Existem ainda dois megaprojetos no mesmo eixo: a Ferrogrão, projeto concedido por Brasília no ano passado e, a princípio, bancado pelas maiores traders de soja (ADM, Amaggi, Bunge, Cargill, Louis Dreyfus) e a hidrovia Telles Pires-Tapajós. Esta última, principal objeto deste primeiro artigo, é o maior foco dos conflitos por conta o impacto sobre as populações locais, tanto durante a construção como pela alteração no regime dos rios.

Outro artigo da BBC relata alguns dos impactos que a construção de Belo Monte causou na população ribeirinha e que, tanto o governo quanto as empresas ignoraram a extensão do dano. O artigo também aborda os projetos das barragens no Tapajós e o impacto sobre a nação Munduruku e sobre a biodiversidade no médio Tapajós.




ENTREVISTA COM JULIEN ASSANGE

VEJAM A ENTREVISTA DE FERNANDO MORAIS COM JULEAN ASSANGE, DA WIKILEAKS, PUBLICADA NO NOCAUTE.BLOG.BR E REPUBLICADA PELA ALAINET. VALE A PENA.




http://www.alainet.org/es/node/182770

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

A TEOLOGIA REFINADA DO PAPA FRANCISCO

Roberto Malvezzi (Gogó)
A teologia do Papa Francisco é refinada e não está ao alcance de qualquer teólogo. A acusação que ele sofre de não ser um teólogo, mas um pároco de aldeia, revela muito mais a ignorância de seus detratores do que o conhecimento teológico de Francisco.
Na Laudato Sí ele deixa claro, pelas citações que faz, qual é linhagem teológica que ele adotou para seu papado. Ao assumir o nome de Francisco, não assume apenas um nome, um ícone de grande parte da humanidade, um estilo de vida, um estilo de Igreja, mas uma linhagem teológica, isto é, a soterrada teologia franciscana ao longo da história.
A referência de Francisco começa com o teólogo franciscano São Boa Ventura, direciona-se na linha de outro franciscano chamado Duns Scoto, sem deixar de citar levemente seu irmão jesuíta Teilhard de Chardin. Mas, o que esses teólogos têm em comum?
O traço que os une é uma visão integral e integrada do Reino de Deus, sem rupturas ou dualismos, como é a teologia de Santo Agostinho no seu livro “Cidade de Deus”, onde ele vai defender a tese que há uma cidade dos homens e outra de Deus. A teologia dos teólogos acima – Teilhard era também antropólogo, arqueólogo, etc. -, olha o projeto de Deus em sua totalidade, do Deus que tudo cria, que dá um sentido ao Universo, mas que se insere no Universo através da pessoa de Jesus Cristo, aquele que é o único sacerdote, a ponte entre as criaturas e o Criador.
Duns Scoto (Doctor Sutilis) vai defender, seguindo essa teologia Joanina e Paulina, que “no princípio estava o verbo, era a luz dos homens, por ele tudo foi feito, alfa e ômega da criação” (Prólogo de João) e todas as demais metáforas que indicam nessa direção de um projeto único, que caminha para a plenitude (Pleroma em Teilhard de Chardin). Portanto, nessa teologia o centro do projeto de Deus não é o pecado, mas o amor. Jesus viria mesmo que não houvesse pecado humano, porque o projeto do Criador é unir, através de seu filho, todas as criaturas ao Criador.
Francisco sabe que está mexendo num vespeiro, com teologias curtas e reducionistas, que chegou ao ápice de pregar a cada ser humano o “salve tua alma”, não se importando com nada mais referente ao ser humano e ao conjunto da criação.
Sabendo disso, ele cria fatos aparentemente simples, mas eivados de significados, que só quem percebeu sua teologia, é capaz de compreender suas atitudes ou falas. Por exemplo, quando uma família levou um menino à sua presença que chorava a morte do cachorro de estimação. Então, Francisco o consolou dizendo: “o paraíso está aberto a todas as criaturas de Deus” ( http://zh.clicrbs.com.br/ ). Um fato prosaico e corriqueiro que serve para alertar que a ressurreição é de toda a carne, também dos animais.
Essa compreensão paulina que “toda criação geme em dores de parto esperando também ela pela redenção dos filhos de Deus” (Romanos 8,22), não é costume entre nós, embora no credo católico, como fundamento de fé, se diga que a ressurreição é a da “carne”, mas, de toda carne.
Em segundo, ao responder aos cardeais que o criticam que os princípios morais não são preto no branco, mas só compreensíveis no fluxo da vida, ele se coloca diante do grande Deus que se revela na pequenez de Jesus Cristo que, ao cruzar com os párias da sociedade de seu tempo, era capaz de curvar-se diante de cada situação humana.
Por isso, sabia que uns recebem a revelação explicitamente e desses mais será cobrado (Lucas 12,48). Outros o encontram no serviço aos pobres e desvalidos desse mundo (Mateus 25). Outros ainda poderão encontra-lo pelos caminhos da natureza. E tem ainda aqueles nascem e vivem em situação humana tão abjeta, tão alheia à própria vontade, que Deus nada lhes cobra (Mateus 21,31).
Ainda mais, quando fazíamos teologia, nos ensinavam que uma era a teologia, outra era a pastoral, isto é, na teologia os princípios são rígidos, na pastoral temos que nos curvar diante da condição humana.
Ora, para Francisco essa dualidade é perniciosa. Jesus curvava-se diante das situações concretas, portanto, há unidade intrínseca entre pastoral e teologia. Uma teologia que afronta a realidade misericordiosa de Deus tem que ser revista. Não é relativismo teológico ou moral, mas é a justiça divina que cobra mais de quem recebeu mais e, portanto, cobra menos de quem menos recebeu.  
Portanto, a teologia de Francisco é sofisticada e cheia de nuances que só pessoas que tem um pé na realidade, assim como Jesus de Nazaré, são capazes de compreender.
Os teólogos por ele citados foram capazes de compreender o fluxo da vida, da história e do Universo, onde tudo ganha sentido no projeto do Reino de Deus.
É essa grandeza maravilhosa que Francisco gostaria que compreendêssemos e vivêssemos.