sexta-feira, 23 de outubro de 2015

DIMINUI PREÇO DE ENERGIA SOLAR

VEJAM MAIS ESTA BOA NOTÍCIA: EM 5 ANOS JÁ DÁ PARA RECUPERAR O INVESTIMENTO PARA PRODUZIR A ENERGIA QUE SE USA NA CASA. 

MAS ISSO É BOM PARA QUEM TEM COMO INVESTIR INDIVIDUALMENTE. COMO A MAIORIA NÃO TÊM ESTA POSSIBILIDADE, A CAMPANHA ENERGIA PARA A VIDA, COM O MOBILIZAÇÃO "NOSSA CASA SOLAR" ESTARÁ LANÇANDO UMA PETIÇÃO AO MINISTRO DE MINAS E ENERGIA QUE LANCE LOGO O PROMETIDO FUNDO DE INCENTIVO E FINANCIAMENTO PARA OS QUE DESEJAM INSTALAR EM SEUS TELHADOS OS PAINÉIS FOTOVOLTAICOS PARA PRODUZIR A ENERGIA QUE PRECISAM. 

IHU - Sexta, 23 de outubro de 2015

Painel solar fotovoltaico já dá retorno financeiro em 5 anos com novas tarifas de luz

Só em 2014, foram instaladas ao redor do mundo painéis de energia solar suficientes para gerar o equivalente a 50 usinas de Angra 1. A estimativa, feita pelo site Portal Solar, é a prova da popularização dessa matriz energética. Além das vantagens ambientais, o modelo é uma boa opção para o bolso: hoje, já é possível recuperar o investimento da instalação em até cinco anos – e o equipamento dura 25.
A reportagem foi publicada por EcoDebate, 22-10-2015.
O retorno financeiro mais rápido é resultado, por um lado, da infraestrutura para captação solar em média 70% mais econômica de 2008 para cá. Por outro, é também reflexo da crise hídrica, que fez a tarifa de luz subir. “Não há perspectivas de que a conta fique mais barata”, afirma Carolina Reis, diretora do Portal Solar. “Pelo contrário, tudo indica um agravamento da crise hídrica e aumento das tarifas.”
Para se adequar a esta nova realidade, a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) publicou a NR 482, que regula o acesso dos micro e minigeradores à rede elétrica, assim como sua compensação. Isso permite a instalação de painéis fotovoltaicos – responsáveis por absorver a luz do sol e a transformar em eletricidade – em um sistema integrado ao das companhias de distribuição estaduais.
Em resumo, isso significa que nas residências ou empresas que contarem com a tecnologia, esta substituirá a energia da distribuidora sempre que houver sol suficiente e, no caso de excesso, o restante será devolvido para a rede pública. No mês seguinte, esse montante será descontado da conta.
Em São Paulo, por exemplo, a diretora do Portal Solar diz que a instalação de módulos fotovoltaicos para suprir a demanda de uma casa que gaste entre R$ 140 e R$ 150 de luz por mês custa, em média, R$ 15 mil. Já no caso de gastos mensais ao redor de R$ 500, a infraestrutura sairia por R$ 39 mil. “O retorno do investimento depende da região, tanto pela capacidade de produção da energia solar quanto pelas tarifas de luz. No Rio e em Minas, estados em que a conta é mais cara, o payback é ainda mais rápido”, explica ela.
Para 2016, a expectativa é que o setor de energia solar no Brasil cresça até 1.000%. Uma prova de como essa matriz vem se popularizando é a entrada de novas empresas do ramo no mercado. “Cerca de 40 prestadoras de serviço se cadastram em nosso site todo mês”, fala Carolina. Além de concentrar informações sobre energia solar, o Portal Solar atua como uma espécie de “hub” do segmento: oferece orçamentos gratuitos para os interessados com um pequeno custo para as empresas, cerca de 500 espalhadas por todo o Brasil.
Com relação às preocupações com a sustentabilidade, a especialista lembra que um painel fotovoltaico gera, em um ano, toda a energia gasta em sua produção. Além disso, 99% dos seus componentes são recicláveis. “Com a escassez energética, fazer uso de uma matriz que só depende de um recurso inesgotável, a luz solar, significa segurança em um futuro não tão distante”, finaliza Carolina.
Sobre o Portal Solar
Portal dedicado à difusão de informações sobre energia solar e que reúne cerca de 500 empresas que prestam esse serviço em todo o Brasil. De forma gratuita, o Portal Solar oferece orçamentos para os interessados a instalar painéis fotovoltaicos em suas casas ou empresas. Hoje, recebe, em média, dois mil pedidos de orçamento por mês. www.portalsolar.com.br.

SUBSCREVA E APOIE A CAMPANHA CONTRA O PODER DAS EMPRESAS DE COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS

ESTA MOBILIZAÇÃO É MUITO BOA: EXIGIR QUE AS EMPRESAS DE COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS FIQUEM FORA DAS NEGOCIAÇÕES CLIMÁTICAS. ELAS FAZEM DE TUDO, INCLUSIVE CORRUPÇÃO, É CLARO, PARA QUE AS NEGOCIAÇÕES NÃO AVANCEM, E ASSIM CONTINUAREM COM SEUS NEGÓCIOS - E QUE O PLANETA E A VIDA SE EXPLODAM!

SUBSCREVAM, APOIEM, DIVULGUEM, POR AMOR À VIDA.


Em uma tentativa desesperada para continuarem relevantes em um mundo em transição para as energias renováveis, os maiores poluidores do mundo seguem com afirmações enganosas sobre as futuras demandas de combustíveis fósseis, segundo um novo relatório da Carbon Tracker. Recentemente, as empresas de combustíveis fósseis se apresentaram como parte da solução para as mudanças climáticas, no entanto, um relatório da InfluenceMap mostrou que elas não têm nenhuma intenção real para agir neste sentido e que as empresas apresentam cenários de crescimento que desconsideram o avanço das energias renováveis. Há uma crescente consciência de que a influência corporativa está minando o processo da política climática e é por isso que a sociedade civil montou uma campanha histórica para afastar os poluidores das negociações chamada Kick Big Polluters Out  (Chute os Grandes Poluidores para Fora). Com o fortalecimento da campanha de desinvestimento em combustíveis fósseis e governos como Estados Unidos, França e Reino Unido liderando o G7 para longe do carvão, as empresas das fósseis enxergam a falência no futuro. Apesar de estarem dentro dos pavilhões da próxima Conferência do Clima, as grandes poluidoras e suas verdadeiras intenções em relação à política climática serão seguidas de perto.

JOGOS MUNDIAIS INDÍGENAS. E OS DIREITOS DOS POVOS INDÍGENAS?

CLIQUEM NO LINK ABAIXO PARA ACESSAR MATERIAL SOBRE OS JOGOS MUNDIAIS INDÍGENAS QUE ESTÃO SENDO REALIZADO EM PALMAS, TO. HÁ DINHEIRO PARA JOGOS, MAS SEMPRE DIZEM QUE NÃO HÁ PARA DEMARCAR TERRITÓRIOS, PARA A SAÚDE E EDUCAÇÃO, PARA O RECONHECIMENTO DOS DIREITOS DOS POVOS...

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PASTORAL DO MIGRANTE DENUNCIA VIOLÊNCIA CONTRA MIGRANTES

Nota de Repúdio à violência, à xenofobia e discriminação étnica e racial praticada contra imigrantes 

Pastoral do Migrante dos Regionais Sul 1, Sul 3 e Sul 4 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB e do Serviço Pastoral do Migrante – SPM O Serviço Pastoral dos Migrantes no Brasil vem a público solidarizar-se com os familiares e amigos dos imigrantes vitimados por crimes de homicídio, xenofobia, discriminação étnica e racial.

Ficamos horrorizados, e repudiamos com veemência os homicídios, a xenofobia e a discriminação racial contra imigrantes no Brasil.

Trazemos presente os inaceitáveis homicídios, preconceitos e xenofobias contra imigrantes ocorridos nos municípios de Flores da Cunha-RS e Navegantes-SC, respectivamente nos dias 08 e 17 de outubro de 2015.

Considerando que as autoridades dos estados relativizam a gravidade dos fatos criminosos em razão das vítimas serem imigrantes, exigimos apuração e punição dos responsáveis pelos crimes de homicídios ocorridos em Flores da Cunha-RS e Navegantes-SC. Refutamos todo tipo de violência que os nossos irmãos imigrantes estão sofrendo, especialmente o atentado à vida. Esta é uma violação de diretos humanos mais sagrado, o direito a VIDA!

Exigimos que os governos estaduais e federal punam os criminosos nos casos devidos. Também responsabilizamos, os governos do Rio Grande do Sul, e de Santa Catarina, pela falta de iniciativa, pela lentidão com que apuram e punem os casos de violações de direitos humanos universais. E exigimos que se efetivem campanhas pedagógicas educativas de prevenção e combate às manifestações de racismo, xenofobia e discriminação contra os novos migrantes que chegam ao Brasil. Principalmente os que chegam a região Sul. Porque “Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender e, se podem aprender a odiar, elas podem ser ensinadas a amar” (Nelson Mandela).

Entendemos que em nenhuma hipótese é aceitável usar conduta supostamente criminosa como motivo de culpabilização da vítima. A lesão máxima do direito à vida por meio de sua supressão violenta não está justificada em qualquer hipótese, ainda que a vítima reaja à autoridade competente (polícia).

O Serviço Pastoral dos Migrantes reitera que as autoridades competentes devem investigar e combater com rigor e transparência o ocorrido com os imigrantes haitianos em Flores da Cunha-RS e em Navegantes-SC, bem como devem proceder à punição dos responsáveis pelos crimes ocorridos nestas cidades.

Porto Alegre, 20 de outubro de 2015



RELIGIOSOS CLAMAM POR FUTURO JUSTO, RESILIENTE E SEM EMISSÕES DE CARBONO

BOM EXEMPLO, QUE PODE SER SEGUIDO AQUI NO BRASIL: LÍDERES RELIGIOSOS SE POSICIONAM SOBRE A SITUAÇÃO EM QUE SE ENCONTRA O MEIO AMBIENTE E A JUSTIÇA SOCIAL, E PRESSIONAM A ONU EM FAVOR DE ACORDOS CORAJOSOS NA COP 21, QUE SERÁ REALIZADA EM DEZEMBRO EM PARIS. COMO LEMBRA O PAPA FRANCISCO, SÓ COM ACORDOS CAPAZES DE ENFRENTAR O QUE ESTÁ CAUSANDO O AQUECIMENTO E AS MUDANÇAS CLIMÁTICAS E A TERRÍVEL DESIGUALDADE ECONÔMICA E SOCIAL, A HUMANIDADE DO SÉCULO XXI ENTRARÁ NA HISTÓRIA COMO A QUE CORRIGIU O QUE FOI REALIZADO IRRESPONSAVELMENTE NO SÉCULO XX.  

Líderes religiosos clamam por um futuro justo, resiliente ao clima e com zero emissões de carbono

154lideresBonn (Alemanha), outubro de 2015 – Uma declaração assinada por 154 líderes religiosos de diferentes crenças foi entregue na terça-feira (20) à Secretária Executiva da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, Christiana Figueres.  A entrega ocorre ao mesmo tempo em que negociadores de 194 países estão reunidos em Bonn, na Alemanha, para trabalhar no rascunho do texto para a conferência climática que será realizada em Paris, no mês de dezembro. 
Com esta ação, os líderes religiosos emitem um apelo para um acordo climático ambicioso, lembrando a todos os governos a se comprometerem com cortes de emissões e com a redução de riscos climáticos.  Eles também empenham suas próprias comunidades religiosas em importantes contribuições, incluindo o desinvestimento das energias fósseis. Entre os signatários estão: Rev. Dr. Olav Fykse Tveit, Secretário Geral do Conselho Mundial de Igrejas, Arcebispo Thabo Makgoba, Igreja Anglicana da África do Sul, Dom Pedro Barreto Jimeno, presidente da Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM), Imam Ibrahim Saidy e Sulak Sivaraksa, da Rede Internacional de Budistas Engajados.
lideresCoordenado pela ACT Alliance, CIDSE, Federação Luterana Mundial (LWF), Religiões para a Paz, e o Conselho Mundial de Igrejas, uma declaração comum foi publicado hoje em Bonn, Alemanha. A declaração foi entregue à Sra Christiana Figueres por Cornelia Füllkrug-Weitzel, Diretora da organização Pão para o Mundo, da Alemanha, e por Karin Kortmann, vice-presidente do Comitê Central dos Católicos Alemães.
“Conclamamos os governos a se comprometerem com a construção de resiliência ao clima, com a eliminação das energias fósseis e com a meta de emissões zero na metade deste século. Fazemos um apelo para um mecanismo robusto para rever e aumentar as ambições, a transparência e as regras de responsabilidade aplicáveis ​​a todos, bem como a oferta de financiamento e apoio aos países pobres e vulneráveis ​​”, disse Cornelia Füllkrug-Weitzel.
“Guiados por nossas crenças religiosas, nós, como líderes religiosos, nos unimos para pedir um resultado ambicioso em Paris. No mês passado, a família das Nações Unidas decidiu assumir a responsabilidade por ambos, o meio ambiente e a humanidade, ao aprovar a Agenda 2030. Em Paris, os chefes de Estado e governos têm a oportunidade de dar provas do quanto são sérios. A sobrevivência de milhões de seres humanos depende deles “, disse Karin Kortmann.
Esta declaração dá continuidade a um crescente número de apelos vindos de grupos religiosos ao longo dos últimos 12 meses, como a encíclica Laudato Si ‘, do Papa Francisco, a declaração da New York Interfaith Summit, a Declaração de Lambeth, e a declaração islâmica sobre mudanças climáticas. Essas chamadas também expressam o engajamento de diferentes grupos religiosos que trabalham juntos para os mesmos objetivos. A mensagem de gruposreligiosos é agora inequívoca.
A declaração, que está disponível em Inglês, Francês, Espanhol e Alemão, pode ser encontrada aqui.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

MINERAÇÃO: DENÚNCIA NA OEA SOBRE VIOLAÇÕES AO DIREITO À ÁGUA

OEA recebe denúncias de violações sistemáticas do direito à água por projetos de mineração e hidrelétricas nas Américas


- Em audiência na Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), organizações mostram que empresas e estados desrespeitam direitos básicos de populações
- No caso do Brasil, agência reguladora nem ao menos fiscaliza mineradoras


Washington, Estados Unidos - A sociedade civil chama a atenção da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA) sobre a crescente pressão sobre os recursos naturais para o desenvolvimento de atividades extrativistas, nas quais se destacam a mineração e a construção de barragens. Estes processos, que têm gerado uma violação sistemática do direito à água na América Latina, serão tema da audiência da CIDH, na capital dos Estados Unidos, às 18h15 (horário de Brasília), com transmissão online ao vivo.

As organizações apresentarão casos de apropriação, contaminação e danos irreversíveis às fontes de água devido à implementação de projetos extrativistas. Além de afetar o direito à água, estas situações violam também outros direitos como saúde, vida digna, integridade, ambiente saudável, comida e cultura, tanto de indivíduos e comunidades que estão na área de influência direta projetos que não foram consultados, como os que estão distantes e dependem dessas fontes para a sua subsistência. Tais casos foram documentados extensivamente em um relatório que foi entregue à Comissão.

Ausência de Controle da Mineração no Brasil

Os proponentes da audiência detectaram a ausência de medidas eficazes para que os Estados da América Latina garantam o direito à água, e denunciam a existência de marcos jurídicos que favorecem a apropriação de água para projetos de mineração em detrimento ao uso e consumo humano.

No caso do Brasil, a Agência Nacional de Águas (ANA) não fiscaliza as outorgas dadas para os empreendimentos de mineração, e são as próprias empresas mineradoras que informam os volumes de águas consumidos por projeto. Não há meios, portanto, de se assegurar se a quantidade de água utilizada em cada projeto corresponde ao pedido de outorga. Fato grave para o setor que mais fez requerimentos de outorgas de água no Brasil nos anos de 2012 e 2013. Pesquisa do Comitê Nacional em Defesa dos Territórios Frente à Mineração constatou que o aumento significativo de outorgas para a mineração. Em 2003 foram dadas 5 outorgas; em 2013 este número aumentou para 224. Segundo os dados disponibilizados para o montante de 2013, a mineração teria consumido o total de 74,3 trilhões de litros d’água. Um número expressivo, mas certamente subvalorizado, visto que a ANA não monitora o consumo destas empresas.

A pesquisadora Gabriela Fernandez, do Comitê Nacional em Defesa dos Territórios Frente à Mineração analisa que “Afacilidade com que as outorgas são concedidas, bem como a ausência de fiscalização pós-autorização somadas à não existência de uma política de regulação do preço parecem mascarar um estímulo ao uso desmedido da água, tendo como base o ultrapassado discurso de abundância hídrica.”

Finalmente, as organizações solicitam à Comissão que: seja reafirmado o reconhecimento da água como um direito humano; considere a importância da água como um elemento fundamental do direito a um ambiente saudável como já reconhecido nos instrumentos interamericanos; lembre-se das obrigações dos Estados de proteger os direitos à água e um ambiente saudável ante qualquer atividade extrativa ou de infraestrutura; destaque a obrigação dos Estados de controlar eficazmente as atividades susceptíveis de afetar o direito à água; e lembre Estados membros da importância da consulta livre, prévia e informada antes da implementação antes de qualquer projeto extrativista.
 A audiência foi proposta pelas seguintes organizações: Acción Solidaria para el Desarrollo (COOPERACCIÓN) – Perú, Asociación Interamericana para la Defensa del Ambiente (AIDA) – Regional, Asociación Pro Derechos Humanos (APRODEH) – Perú, Bienaventurados los Pobres (BePe) - Colectivo SumajKawsay – Argentina, Centro de Acción Legal Ambiental y Social (CALAS) – Guatemala, Centro de Derechos Humanos “Bartolomé Carrasco Briseño A.C.” (BARCA-DH) – México, Centro de Estudios para la Justicia Social ‘Tierra Digna’ – Colombia, Centro de Incidencia Ambiental (CIAM) – Panamá, Centro de Investigación sobre Desarrollo y Comercio (CEICOM) – El Salvador, Comité de Unidad Campesina (CUC) – Guatemala, Comitê Nacional em Defesa dos Territórios frente à Mineração – Brasil, Equipo de Reflexión, Investigación y Comunicación de la Compañía de Jesús (ERIC-RP) – Honduras, Fundación para el Debido Proceso Legal (DPLF) – Regional, Grupo Internacional de Trabajo sobre Asuntos Indígenas (IWGIA) – Regional, Justiça Global – Brasil, Observatorio Ciudadano – Chile, Pensamiento y Acción Social (PAS) – Colombia, y Pax Christi – Internacional.

A audiência pode ser acompanhada ao vivo por meio do site da CIDH http://original.livestream.com/OASLive

Informações para a imprensa:
Comitê Nacional em Defesa dos Territórios Frente à Mineração (61)8152-0379
Justiça Global (21) 2544-2320

AFETADOS E AFETADAS DA REGIÃO SERRANA, RJ, EXIGEM SEUS DIREEITOS

QUATRO ANOS E 9 MESES DEPOIS DA TRAGÉDIA, MILHARES DE PESSOAS E FAMÍLIAS CONTINUAM SEM SEUS DIREITOS GARANTIDOS, SEM LUGAR E CONDIÇÕES DE VIDA DIGNA. SÃO ELES E ELAS QUE FALAM, DENUNCIAM O DESCASO, ABANDONO E AMEAÇAS, E ANUNCIAM A CONTINUIDADE DA LUTA PELA VIDA. VALE APOIÁ-LOS.

ESTA CARTA FOI TORNADA PÚBLICA NO SEMINÁRIO REALIZADO NA FIOCRUZ, NA CIDADE DO RIO DE JANEIRO, EM QUE, JUNTO COM REFLEXÕES SOBRE DESASTRES SOCIOAMBIENTAIS, FEZ-SE O POSSÍVEL PARA RETIRAR DO ESQUECIMENTO A VIDA E AS LUTAS DOS QUE SOBREVIVERAM AO DESASTRE DE JANEIRO DE 2011. 


Carta política do II Seminário de Afetadas e Afetados 
em desastres sócioambientais da Região Serrana

Teresópolis, 21 de setembro de 2015.

Nós, representantes de famílias afetadas em desastres socioambientais da Região Serrana do Rio de Janeiro, professores universitários, religiosos, ativistas de direitos humanos, representantes da sociedade civil, reunidos em Teresópolis em nosso 2º Seminário Regional para debater sobre o "Direito à Moradia: Mobilização e Organização Popular na Serra Fluminense", com o objetivo de fomentar e articular o movimento serrano fluminense dos afetados e afetadas em desastres socioambientais e;  debater a luta  por moradia digna; a realização de obras que garantam a segurança das moradias e das pessoas sem a necessidade de  remoção de suas comunidades; a construção popular de marcos legais de proteção comunitária; a violência vivenciada pela atual política estadual de remoção das classes populares, afirmamos:
Durante as chuvas de 2011 várias localidades da região foram drasticamente afetadas, milhares de pessoas morreram (ainda que os dados oficiais não apontem isso, a percepção do povo assim manifesta), famílias inteiras ficaram desabrigadas e desaparecidas, muitos de seus pertences foram levados, incluindo suas casas e, suas vidas foram totalmente transformadas com os desabamentos e enchentes. 
Nós, representados e representadas aqui nesta carta, somos algumas dessas pessoas afetadas pelas chuvas. Perdemos parentes, amigos e amigas, vizinhança, móveis, fotografias, objetos, grande parte de nossa vida material, mas não perdemos nossa memória e a nossa esperança. Os prejuízos sociais e pessoais provocados por essa tragédia produziram danos irreparáveis em nossas vidas, em nossa história, em nossas famílias e cotidiano. Sofremos impactos psicológicos, físicos e morais que jamais serão esquecidos. E também, muitos de nós que aqui estamos, embora não tenhamos sidos afetados pela tragédia, estamos solidários aos desafios dos afetados e afetadas pelo desastre socioambiental de 2011.
Junto a isso, somos acompanhados de uma tragédia político-social após a tragédia das chuvas de 2011. A Região Serrana foi e é assolada por um esquema assustador de corrupção de desvios das verbas para a reconstrução dos impactos das chuvas. Foram enviados à Região Serrana centenas de milhões de reais, mas foram destinados a muitas obras superfaturadas, como os parques fluviais que se tem construído nas áreas devastadas pelas chuvas, enquanto não se entregou nenhuma moradia até hoje em Teresópolis às milhares de famílias ainda hoje desabrigadas e dependentes do aluguel social, frequentemente cortado e dificultado. As milhares de famílias atingidas não tiveram praticamente assistência psicológica até hoje, pois a verba para isso foi desviada. Há também, na percepção da população afetada pelas chuvas de 2011, de que as vítimas que morreram foram muito mais do que as anunciadas pelo Estado, o que manifesta a necessidade de o Estado buscar meios para se refazer a contagem das vítimas, para que tenhamos as informações sobre os reais impactos das chuvas na vida dos moradores da Região Serrana. A população da Região Serrana, assim, não é só explorada, mas é excluída e considerada descartável e apenas número para o Estado! Isto é profundo pecado diante de Deus e gravíssimo crime, por usar os pobres e lhes negarem o direito à vida digna. A Região Serrana, com os impactos das chuvas e consequente envio de verbas para remediá-los, se tornou um negócio para muitos políticos e detentores do poder econômico.
A política, pensada pelo Estado para nós não dá e não deu até hoje conta das urgências das nossas famílias e todas as outras que foram afetadas direta e indiretamente. Estamos cansados de ser tratados pelo poder público como pessoas que não têm direito algum. Muitos bairros continuam abandonados, muitas famílias tiveram que se mudar para outros locais em risco por não receberem nenhum auxílio do Estado para se realocarem, e as que receberam uma unidade habitacional, muitas vezes carecem de serviços básicos ao seu redor, como em Nova Friburgo, e é o que parece que acontecerá em Teresópolis. Denunciamos ainda, em Teresópolis, a inércia do Estado em entregar unidades habitacionais, algumas estão construídas, mas atualmente dependem, para serem entregues, da construção de um viaduto, devido à alta periculosidade da estrada ao lado, e não se tem previsão de quando será construído. Denunciamos também que atualmente, em Teresópolis, para se recadastrar no aluguel social, do qual dependem hoje 2.400 famílias afetadas pelas chuvas de 2011, só poderá fazê-lo quem tem o acordo pelo apartamento, o que pode totalizar, no máximo, 1.600 famílias (é o número de apartamentos previstos a serem entregues), enquanto 800 famílias não entram neste programa e vão ter, segundo o Estado, seu aluguel social suspenso neste mês do recadastramento. Denunciamos ainda que o Estado, arbitrariamente, suspendeu em 2013 as outras formas de auxílio às famílias atingidas em 2011, a compra assistida e a indenização, possibilidades que seriam o caminho para muitas famílias, que veem inviável receber o apartamento, por exemplo, os moradores da zona rural. Por isso, somos sujeitos e sujeitas, e juntos estamos em luta!
Com mobilização popular e pressão social vamos exigir cada vez mais, dos governos, juízes, e demais autoridades públicas uma solução justa e urgente para os nossos problemas e para conquista de moradia digna para todas e todos. Exigimos, das esferas do poder público e autoridades, que sejam criados, de modo participativo, os direitos específicos para os afetados e afetadas por desastres socioambientais de todo o país, assim como para os moradores em áreas ditas de risco, e que esses direitos sejam respeitados e garantam a dignidade da vida humana daqueles que sofrem ou sofrerão com as consequências das tragédias construídas historicamente pelos descasos sucessivos de governos em nosso país. Exigimos que nossos mártires de 2011, e todos e todas deixados a morrer por ocasião das chuvas, sejam lembrados e reconhecidos pelo Estado. Exigimos a participação na construção de uma política pública advinda de um projeto popular de proteção para todas e todos. Exigimos moradia digna e direito à cidade. Exigimos justiça para os afetados e afetadas em desastres socioambientais da região e de todo país!
            Nós, afetadas e afetados em desastres socioambientais da Região Serrana do Rio de Janeiro, somos contra a remoção nos moldes em estão sendo realizados pelo Estado, estamos em luta e seguimos na construção de um projeto popular de sociedade que seja justo para todas e todos.


Assinam a carta:

Associação de Moradores do Bairro de Córrego d´Antas - Nova Friburgo
Associação de Moradores do Loteamento Três Irmãos - Nova Friburgo
Associação de Moradores do Bairro do São Geraldo - Nova Friburgo
Associação de Moradores do Bairro do Jardinlândia/Tauru - Nova Friburgo
Associação de Moradores do Bairro do Terra Nova - Nova Friburgo
Projeto Presença Samaritana – Igreja Católica
AVIT - Associação das Vítimas da Tragédia de Teresópolis
INCID/IBASE - Indicadores de Cidadania do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas
CDDH - Centro de Defesa dos Direitos Humanos de Petrópolis
Pastoral das Favelas – Arquidiocese do Rio de Janeiro
CRB - Conferência dos Religiosos do Brasil no Estado do Rio de Janeiro
Movimento dos Moradores de Rua
Moradores do Bairro do Caleme – Teresópolis
Associação dos Catadores
UFF - Universidade Federal Fluminense
Fiocruz - Fundação Oswaldo Cruz
Fórum de Mudanças Climáticas e Justiça Social
Movimento nacional de afetados em desastres sócio-ambientais - Monades
Além de moradores de diversas comunidades afetadas como: Feo, Espanhol, Campo Grande, Granja Florestal, Vargem Grande, ente outros de Teresópolis.