terça-feira, 2 de julho de 2019

EUROPA-MERCOSUL: O ACORDO DA RECOLONIZAÇÃO

Nada assegura que o pré-compromisso de “livre” comércio assinado em 28/6 torne-se realidade um dia. Se assim for, haverá retrocesso secular. Felizmente, já se anuncia resistência — e não apenas na América do Sul

Por Antonio Martins| Imagem: Diego Rivera, A grande cidade de Tenochtitlán (1945)

Governos em final de mandato, ou precocemente enfraquecidos, são ainda mais propensos a atos espalhafatosos e imprudentes. Na sexta-feira (28/6), em Bruxelas, ministros do Mercosul e o presidente da Comissão Europeia (CE) anunciaram ter chegado ao que poderá ser, um dia, um acordo de “livre” comércio entre os dois blocos. No Brasil, o governo Bolsonaro, representantes das grandes transnacionais e a mídia conservadora comemoraram o fato, que julgam “histórico”. Não há, porém, nenhuma garantia de que os compromissos firmados entrarão em vigor um dia. O caminho para a aprovação final é longo e pedregoso. Os primeiros obstáculos já começaram a surgir – e vão muito além dos movimentos sociais e da “esquerda”. Mas se um dia prevalecer o que se tramou na cidade-sede da União Europeia (UE), haverá três consequências claras. Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai cimentarão sua condição de produtores de bens primários vulgares, em condições sociais e ambientais cada vez mais precárias. Os direitos dos trabalhadores, a natureza e a pequena produção serão atingidos também na Europa. No lado dos ganhadores, estarão apenas as megacorporações e setores econômicos conhecidos por sua ação predatória, como o ruralismo brasileiro.

Três dias após a assinatura, o teor exato do compromisso firmado em Bruxelas permanece oculto – como para confirmar a falta de transparência do modelo de globalização atual. Mas algumas das bases vieram à tona, em comunicados e entrevistas. Como tornou-se costume em acordos assim, as cláusulas são de dois tipos. Uma parte trata propriamente de comércio; outra, em geral pouco debatida pelas sociedades, inclui normas muito mais amplas, que frequentemente alteram a ordem econômica, social e mesmo política dos países implicados.

O capítulo comercial, no que se conhece, estabelece três mudanças. Os produtos industriais europeus (em especial os mais presentes na pauta de exportações para o Mercosul) entrarão no bloco sem pagar qualquer imposto de importação. A eliminação das barreiras que hoje salvaguardam as produções locais ocorrerá num prazo de cinco a dez anos. Os comunicados falam explicitamente em automóveis (que hoje pagam 35%), suas peças (de 14% a 18%), equipamentos industriais (de 14% a 20%), produtos químicos (até 18%), vestidos e calçados (até 35%) e farmacêuticos (até 14%). Além destes, os europeus introduzirão, sem barreiras, produtos agroalimentares sofisticados, como vinhos (hoje, tributados a 27%), chocolates (20%), uísque e outros destilados (de 20% a 35%), queijos (28%) biscoitos (16% a 18%), pêssegos em lata (55%) e até refrigerantes (de 20% a 35%).

A nota emitida pela chancelaria brasileira comemora, em tom pueril: “Os consumidores serão beneficiados pelo acordo, com acesso a maior variedade de produtos a preços competitivos”. Não menciona o preço: devastação do que resta de indústria nacional, diante da concorrência de empresas europeias com acesso muito maior a infraestrutura, tecnologia e, em especial, fontes de financiamento. Os primeiros sinais de alerta já surgiram, vindos do Instituto Aço Brasil, que reúne as empresas do setor siderúrgico. “Qualquer abertura sem corrigir assimetrias só agrava a situação da siderurgia”, afirmou, neste fim de semana, o presidente da entidade, Marco Polo Neves.

Em contrapartida totalmente desigual, a União Europeia abrirá ao Mercosul seu mercado de produtos agrícolas. Os comunicados referem-se à exportação de itens pouquíssimo elaborados: suco de laranja, frutas, café solúvel, carnes, açúcar e etanol. É curioso que o próprio texto produzido pelo governo brasileiro fala de modo grandiloquente, porém fornece previsões pífias. A entrada em vigor do acordo elevaria o PIB em algo entre “US$ 87,5 bilhões e USS 125 bilhões, em quinze anos”. Faça as contas: na hipótese mais otimista, seriam US$ 8,3 bilhões a mais por ano, ou… meros 0,4% de aumento na produção nacional, hoje estimada em cerca de US$ 2 trilhões anuais.


Mesmo assim, atenção: nem isso está garantido. Os negociadores europeus cercaram-se de salvaguardas adicionais. Para produtos como carnes, açúcar e etanol, haverá cotas – ou seja, volumes máximos de exportação. Em relação à carne, por exemplo, serão 99 mil toneladas anuais – ou 1,2% do consumo anual do item na UE. Além disso, algo está claramente definido: os europeus poderão, sempre que julgarem necessário, invocar o “princípio da precaução” e bloquear a importação de produtos agrícolas do Mercosul sobre os quais pese suspeita de prejudicarem a saúde ou o ambiente.

Um terceiro aspecto, sempre no capítulo das relações comerciais, ajuda a compreender os interesses a que serve o pré-compromisso assinado sexta-feira. Haverá ampla liberalização do comércio intracorporações. Isso permitirá, a transnacionais instaladas nos dois lados do Atlântico, ampliar a competição entre seus trabalhadores, deslocando a produção para onde forem menores os salários e mais frágeis os direitos trabalhistas. Se a Volkswagen, por exemplo, julgar muito cara, ou muito protegida, a mão-de-obra empregada na produção de freios, no Brasil, poderá importá-los da Eslováquia ou da Hungria. Poderá, alternativamente, “convencer” seus assalariados brasileiros a “optar” entre produzir por menos e perder seus empregos…

II.

Os itens extracomércio do pré-acordo são mais obscuros, mas nem por isso menos ameaçadores. Os comunicados divulgados até agora fazem menção aos seguintes temas:

Liberalização” do setor de serviços: É, em todas as economias contemporâneas, o setor mais importante. Divide-se em centenas de ramos que foram, durante décadas, fortemente protegidos. Muitas destas proteções perduram. Um grupo estrangeiro não pode hoje, por exemplo, constituir um escritório de advocacia no Brasil, ou controlar uma empresa de telecomunicações. As transnacionais lutam para eliminar o que resta destes limites. O comunicado lançado pelo governo brasileiro afirma: “O acordo garantirá acesso efetivo em diversos segmentos de serviços, como comunicação, construção, distribuição, turismo, transportes e serviços profissionais e financeiros”…

Endurecimento das patentes e ataque aos medicamentos genéricos: Em dezembro de 2017, quando as negociações estavam em curso, dezenas de organizações da sociedade civil, da Europa e do Mercosul, alertaram pra a construção secreta de regras mais draconianas de “propriedade intelectual”. Este endurecimento tornou-se comum em acordos de “livre” comércio. Num tempo de forte crescimento da produção imaterial, as grandes corporações querem fechar as brechas ao controle tecnológico e simbólico que exercem. A primeira possível consequência é a ampliação do direito de patentes farmacêuticas, com restrições à produção de medicamentos genéricos. A nota conjunta emitida em Bruxelas, em 28/6, é extremamente lacônica – mas afirma que o pré-acordo inclui itens ligados à propriedade intelectual.

Concorrências públicas e compras governamentais: O poder de compra e de contratação dos Estados é, tradicionalmente, um instrumento de promoção do desenvolvimento. Ao licitar uma ferrovia ou parque eólico, ou adquirir produtos como medicamentos ou comida para a merenda escolar, os governos podem favorecer empresas ou cooperativas locais, estimulando sua existência e expansão. Há décadas, as corporações lutam para anular esta prerrogativa. Querem impor seu poder e fechar mesmo as pequenas brechas para modelos de produção não-hegemônicos. O tema foi incluído, desde o início, nas tratativas para o pré-acordo agora firmado. Embora sem entrar em detalhes, todos os comunicados lançados a respeito do texto, desde 28/6, sugerem que as transnacionais alcançaram seu objetivo.

Direitos do investidor” acima dos sociais e ambientais: Os acordos de “livre” comércio firmados nas últimas décadas incluem, quase sempre, a instituição do “direito do investidor” e a constituição de estranhos tribunais, denominados “painéis de solução de controvérsias”. Trata-se de um claro atentado à democracia. O “direito do investidor” significa que as empresas transnacionais instaladas num país qualquer podem reivindicar indenizações, sempre que se julgarem prejudicadas por leis que instituem direitos sociais ou ambientais. Segundo este princípio, uma corporação mineradora pode, por exemplo, alegar que seus lucros diminuíram, devido à obrigação de construir barragens mais seguras – e que, portanto, precisa ser ressarcida. Pior: muitos acordos de “livre” comércio estabelecem que, nestes casos, as disputas não são resolvidas no âmbito dos Estados nacionais, mas por “painéis de solução de controvérsias” totalmente opacos – não submetidos, portanto, a nenhum controle democrático.

Os comunicados oficiais pós-28/6 não fazem referência a tais painéis, mas a preocupação se mantém. Ao longo das duas décadas de negociação do acordo UE-Mercosul, o tema foi seguidamente suscitado.
III.
Ao referir-se, ainda durante a reunião do G-20, ao pré-acordo firmado em Bruxelas, Jair Bolsonaro deu-o como favas contadas. Mais: previu que teria efeito dominó, desencadeando uma série de outros compromissos de “livre” comércio, entre o Brasil e muitos países do mundo. Nos dias que se seguiram, contudo, tem ficado claro que pode se tratar de propaganda enganosa. Há um longo caminho até a entrada em vigor do que foi anunciado em 28/6. Mais importante: há amplo espaço para resistir; e a batalha que se anuncia se dará tanto nos países do Mercosul quanto na União Europeia.

A fragilidade do pré-acordo começa pela situação precária de seus três protagonistas principais. Na Argentina, Maurício Macri cumpre um fim de mandato melancólico, marcado por empobrecimento inédito, crise cambial e disparada da inflação. As pesquisas eleitorais sugerem que sua coalizão de direita será derrotada nas urnas, em outubro. No Brasil, a popularidade de Jair Bolsonaro caiu para o patamar mais baixo vivido por um presidente em início de mandato, desde a redemocratização. E a própria Comissão Europeia está de saída, com processo de sucessão já aberto, depois de seus integrantes sofrerem fortes revezes nas eleições para o Parlamento Europeu.

Os trâmites para a efetivação do pré-acordo também são complicados. Primeiro, o texto proposto terá de aparecer – algo que estava prometido para o fim de semana e não se deu até hoje. Em seguida, o conjunto da obra será submetido tanto ao Parlamento Europeu quando aos legislativos dos quatro integrantes do Mercosul. Por fim, as cláusulas mais importantes serão novamente levadas aos 28 parlamentos dos Estados-membros da UE.

Este conjunto de instâncias amplia as oportunidades de crítica, resistência e alternativas – embora não se deva subestimar as pressões que serão exercidas, em favor do acordo, pelo grande poder econômico, ruralistas, mídia conservadora e, no Brasil, o próprio governo Bolsonaro. Diversas vozes, aliás, já começam a desafinar o triste coro dos contentes. No Mercosul, onde há ameaça de recolonização, elas são nítidas. Horas depois do anúncio do pré-acordo, o Partido Peronista (“Justicialista”) já apontava os riscos de submissão do país. Alberto Fernández, seu candidato às eleições presidenciais de outubro, fez o mesmo em comício. “Não há o que celebrar”, afirmou. Sua possível vitória significaria, provavelmente, o primeiro grave revés para o pré-compromisso.

No Brasil, as primeiras críticas vieram do ex-chanceler Celso Amorim e dos ex-ministros da Fazenda Bresser Pereira e Ciro Gomes. Mas também os movimentos sociais começaram a se mexer. Ainda em 28 de junho, a Coordenadora de Centrais Sindicais do Cone Sul frisava, em comunicado, sua “absoluta rejeição ao presente acordo, tanto em relação a suas formas quanto a seu conteúdo”.
Se na América do Sul o eixo das críticas é anticolonialista, na Europa o foco é a devastação dos direitos sociais e dos arranjos produtivos baseados em solidariedade, em favor das corporações e das lógicas capitalistas. Os agricultores foram os primeiros a protestar. Defensores ativos da pequena propriedade e de um modelo agrícola que valoriza o orgânico, o local e o cooperativo, eles temem sofrer a concorrência desleal da produção baseada em latifúndio, agrotóxicos, expulsão dos trabalhadores rurais e devastação da natureza.

Mas a resistência está se espalhando – inclusive entre os ambientalistas, que compõem o bloco que mais cresceu nas recentes eleições para o Parlamento Europeu. Ainda nesta segunda-feira (1º/7), Nicolas Hulot, ex-ministro do Ambiente do presidente francês Emmanuel Macron, disparou: “este acordo representa o oposto de nossas ambições para o clima”. Há horas, o próprio presidente foi obrigado a fazer a primeira concessão, apesar de seu compromisso com as políticas neoliberais. Temeroso das reações do eleitorado, Macron prometeu lançar, “nos próximos dias”, uma “avaliação independente, completa e transparente deste acordo, em especial sobre as questões do ambiente e da biodiversidade”…

As reações indicam a possibilidade de ressurgir um cenário político particular. Assim como nas lutas contra o “livre” comércio travadas na virada do século, ele colocaria frente a frente dois blocos de forças e dois projetos de futuro. De um lado, em favor do acordo, as maiores corporações, a mídia cada vez mais atrelada a elas e a maioria dos governos – tanto na União Europeia, quanto no Mercosul. De outro, contra a recolonização e a lógica do grande poder econômico, uma vasta galáxia de movimentos e de atores políticos que resistem dos dois lados do Atlântico – e buscam alternativas baseadas em novas lógicas produtivas e sociais.

Reconstituir este choque de projetos, e em especial a vasta coalizão que pode se articular no segundo pólo da disputa, teria enorme efeito transformador e pedagógico — bem na hora em que a crise civilizatória amplia-se e parece chegar a um ponto crucial.

https://outraspalavras.net/crise-civilizatoria/europa-mercosul-o-acordo-de-recolonizacao/ 

sexta-feira, 28 de junho de 2019

CRIME DE BRUMADINO: 1 MILHÃO EXIGE JUSTIÇA

QUANDO SERÁ QUE O CAPITAL QUE MATA DEIXARÁ DE MATAR PARA AUMENTAR LUCROS?

Brumadinho 5 meses depois: mobilizações por justiça reúnem 1 milhão

IHU - 28 junho 2019

Vagner Diniz seria avô do pequeno Lorenzo. Sua nora, Fernanda Damian de Almeida, estava grávida de 5 meses. A chegada do novo membro da família estava prevista para maio, mas os planos foram interrompidos por um dos maiores desastres humanitários e ambientais do século: o rompimento da barragem de Brumadinho, em Minas Gerais. A tragédia tirou 246 vidas, entre elas a da nora grávida e dos dois enteados de Vagner, que cinco meses depois tenta transformar o luto em luta. Além dos mortos, 24 pessoas ainda estão desaparecidas.

A reportagem é publicada por CartaCapital, 28-06-2019.

Uma das formas que Vagner encontrou para cobrar das autoridades o mínimo de justiça foi a criação de uma mobilização online, pedindo que a empresa responsável pela catástrofe, a Vale, faça um memorial para que o crime de Brumadinho nunca seja esquecido. Aberto na plataforma Change.org, o abaixo-assinado se une a outros três, que juntos somam mais de 1 milhão de apoiadores exigindo que a mineradora seja responsabilizada civil e criminalmente, que outras barragens comprometidas sejam fechadas e que haja uma investigação ampla dos processos de licenciamento ambiental de empreendimentos minerários do país.

“A vida vale mais do que o lucro. Desculpem-nos por tirar-lhes a vida!”. Esses são os dizeres que o engenheiro Vagner e os membros da Associação de Amigos de Brumadinho querem ver pelos próximos 20 anos em memoriais fixados na entrada principal das sedes e filiais da Vale no Brasil e no mundo. “Vidas humanas não são minério de ferro! Nenhum lucro justifica a morte de 270 pessoas!”, destaca o texto da petição. “Não vamos deixar que este crime passe batido!”

Além dos memoriais, que deverão contar com fotografias das vítimas em mural envidraçado, o pedido de reparação moral inclui que durante 20 anos os executivos da Vale que presidirem assembleias de acionistas leiam o seguinte texto antes de iniciar as reuniões: “A vida vale mais do que o lucro. Às vítimas de Brumadinho, desculpem-nos por tirar-lhes a vida. Peço um minuto de silêncio em respeito aos mortos de Brumadinho, convidando todos a ficarem em pé”.

“Essa é uma primeira de uma série de petições que vamos fazer no sentido de pressionar a Vale a cumprir o seu papel como empresa que deve responsabilidade não só aos familiares das vítimas como também à sociedade”, destaca o engenheiro. Vagner é padrasto de Camila Taliberti e Luiz Taliberti, mortos na tragédia. O rapaz morava na Austrália e passava férias em Brumadinho, com a companheira gestante e sua irmã, que morava em São Paulo. Eles estavam hospedados na pousada Nova Esperança quando a barragem se rompeu.

“É um show de horror essa história. É inacreditável tudo o que você passa e ainda mais quando você, como parente de vítima, querendo informação é colocado no terreno do criminoso e o criminoso controla as informações”, comenta Vagner sobre os 16 dias que passou em Brumadinho aguardando a localização dos corpos de seus familiares. “Quem é que pode nos contar como é que nós chegamos a esse ponto de acontecer tudo isso que aconteceu, a ponto de morrerem 270 pessoas”, completa o engenheiro que mora em São Paulo.

Confira os principais trechos da entrevista feita pela equipe da Change.org com Vagner Diniz:

Nesta quarta-feira 26, exatamente um dia depois do desastre completar cinco meses, Vagner participou da primeira audiência do processo que sua família e os parentes de sua nora movem contra a Vale. Na reunião, apresentaram os pedidos de reparação moral e proposta indenizatória (10 milhões de reais por vítima), que não foram aceitos pelo advogado da mineradora.

“Foi patética a participação da Vale”, definiu o pai de consideração Camila e Luiz Taliberti. O engenheiro explica que a empresa não apresentou nenhuma contraproposta, querendo que o processo fosse interrompido por 30 dias para um acordo, sem apresentar, entretanto, quais seriam as bases desse acordo. Quanto ao pedido de construção do memorial, segundo Vagner, o advogado da Vale respondeu que o assunto ainda não tinha sido discutido em conselho.

“Não temos nenhum interesse de enriquecer com as mortes dos nossos próprios filhos, não precisamos disso”, enfatiza Vagner, explicando que o valor pedido foi baseado em cálculos de relatórios da própria empresa mineradora para casos de acidentes com rompimento de barragens. Vagner, que não tem outros filhos, lembra que Camila e Luiz eram muito “grudados”, embora morassem em países diferentes. Ele era arquiteto e estava numa carreira “meteórica” na Austrália, ela era advogada e vivia em São Paulo.

Vagner espera que a justiça seja feita a partir da prisão e punição dos culpados, da memória da tragédia e não esquecimento por parte da Vale e da punição financeira de acordo com o poder econômico que a empresa possui. “O luto é um processo em que você tem que se ressignificar, se entender como uma outra pessoa. Você não vai ser nunca mais a mesma pessoa. Tem que buscar o que você vai ser a partir de agora. É um processo bem difícil, o mais difícil”, finaliza.

Mesmo sem nenhuma ligação com as vítimas, o advogado cível e tributarista Pedro Nunes Barros, de 29 anos, criou uma das maiores mobilizações por justiça a Brumadinho. Seu abaixo-assinado, também hospedado na Change.org, acumula mais de 487 mil assinaturas. Em março, o advogado, que mora no Rio de Janeiro, foi até o Ministério Público de Minas Gerais entregar parte das assinaturas coletadas à promotora Luciana de Paula, que integra a força-tarefa responsável pelas investigações da catástrofe de Brumadinho.

“Creio que compartilho uma indignação que é coletiva de muitos cidadãos brasileiros e o senso de que a gente tem o dever de não deixar as instituições responsáveis pela defesa dos direitos coletivos se esquecerem e deixarem passar batido um desastre como esse”, cometa Pedro. Para o advogado, as medidas tomadas pela Vale nesses cinco meses têm sido insuficientes. “Eu creio que para uma empresa bilionária, ela poderia estar fazendo muito mais”, diz, ressaltando que a mineradora tem um faturamento líquido de “alguns bilhões de reais” por ano.

A mobilização criada por Pedro partiu, de acordo com ele, da indignação da Vale não ter tomado nenhuma precaução depois do rompimento da barragem no município mineiro de Mariana, em 2015. “Não existe outra justiça possível se não a reparação integral”, comenta o advogado. “Espero que essa mobilização a favor de Brumadinho passe a mensagem de que o povo está farto de impunidade”, acrescenta Pedro, desejando quebrar a ideia de que normas de proteção ambiental são inconvenientes e entraves ao desenvolvimento nacional.

“Eu espero que essa mobilização passe a mensagem de que não existe desenvolvimento nacional que seja mais importante do que a preservação da vida e da dignidade”, conclui.

O outro lado

A equipe da Change.org entrou em contato com os assessores de imprensa da Vale para saber o posicionamento da empresa quanto ao pedido de reparação moral contido no abaixo-assinado. A mineradora, entretanto, limitou-se à seguinte nota: Desde o dia 25 de janeiro, a Vale está trabalhando intensamente na reparação ao meio ambiente e aos atingidos. A empresa assegura que continuará intensificando sua atuação nesse sentido.

http://www.ihu.unisinos.br/590434-brumadinho-5-meses-depois-mobilizacoes-por-justica-reunem-1-milhao 

quinta-feira, 27 de junho de 2019

OS CURRAIS ECLESIAIS

VALE MUITO REFLETIR SOBRE O QUE ESTÁ NESSE ARTIGO, PRINCIPALMENTE SE DESEJAMOS QUE O CRISTIANISMO SEJA OPÇÃO LIVRE DE VIDA, CAPAZ DE ILUMINAR TODAS AS DIMENSÕES DA VIDA, E DE MODO ESPECIAL AS OPÇÕES POLÍTICAS. NADA DE PREFERIR MERCENÁRIOS AOS AUTÊNTICOS PASTORES, QUE SÃO AMIGOS RECONHECIDOS PELAS PESSOAS AMADAS.

Os currais eclesiais
Roberto Malvezzi (Gogó)
A parábola bíblica do Bom Pastor é uma das mais conhecidas. Jesus se compara a um bom pastor, que cuida bem de suas ovelhas, que dá sua vida por elas e as defende dos lobos vorazes (João 10, 1-18). Porém, o contrário do Bom Pastor não é o lobo, mas o “mercenário”, aquele que finge ser pastor, mas quando apertado abandona suas ovelhas e foge.
O mercenário é mais que um fujão. Ele pode explorar suas ovelhas, ficar rico às custas delas, manipular sua boa vontade, manobrá-las como se fossem um grupo de idiotas.
No mundo contemporâneo e urbanizado não é fácil sustentar a parábola do Bom Pastor. Ninguém mais hoje em dia quer ser ovelha, no sentido que simplesmente obedece a uma voz de comando sem entender o que está acontecendo. Por isso mesmo, em outro contexto, Jesus vai dizer aos seus discípulos que eles não são servos, mas amigos, porque o servo não sabe o que faz ao seu Senhor, mas o amigo sabe (João 15,15).
Quem conheceu o sertão nordestino anterior à década de 1990 sabe o que eram os currais eleitorais. A voz de um coronel era capaz de determinar os votos de toda uma comunidade, até de um município, até de uma região. Eram os senhores da vida e da morte da população. Ainda é atual o célebre livro de Victor Nunes Leal “Coronelismo, Enxada e Voto”. Mas, as oligarquias nordestinas foram caindo no curto período democrático que passamos, e a última a cair foi a dos Sarney no Maranhão. Hoje temos novos governadores no Nordeste e as viúvas dos coronéis hoje encontram alguma guarida no bolsonarismo, por isso não passam muito de 20% da população do Nordeste.
Mas, novos currais eleitorais passaram a ditar a vida de milhões de brasileiros no Brasil atual. São massas humanas dominadas por mercenários, que se dizem pastores, mas que obrigam por chantagens religiosos suas ovelhas a votarem em candidatos pré-determinados, a fazerem arminhas, a não frequentarem outras igrejas, a ouvirem somente suas músicas religiosas, a entregarem seu dízimo e suas consciências aos seus orientadores. Isso acontece tanto em setores da Igreja Católica como em igrejas evangélicas.
Os tempos são outros, mas o medo à liberdade faz com que muita gente prefira ser ovelha que pessoa humana. Os currais eleitorais continuam vivos, agora como currais eclesiais.

quarta-feira, 26 de junho de 2019

A CADA TRÊS EMPRESAS QUE DEVEM AO FISCO, UMA PERTENCE AO AGRONEGÓCIO

CINQUENTA DELAS DEVEM 200 BILHÕES DE REAIS! O TOTAL DA DÍVIDA DAS 500 MAIORES EMPRESAS É PRATICAMENTE DE 815 BILHÕES! SOMADAS AS DEMAIS DEVEDORAS, A QUANTO SE CHEGARÁ? CERTAMENTE A MAIS DE 1 TRILHÃO...

E AINDA SE REPETE QUE SE NÃO SE DIMINUI O QUE SE INVESTE NOS DIREITOS À PREVIDÊNCIA, O BRASIL QUEBRARÁ. ELE JÁ ESTÁ QUEBRADO PELA PRÁTICA DE SONEGAÇÃO DE POUCAS GRANDES EMPRESAS. O QUE ELAS, ESPERTAMENTE SUSTENTAÇÃO DO GOVERNO NEOLIBERAL DE BOLSONARO, É REPASSAR O QUE IRIA PARA OS POBRES PARA SEUS BOLSOS E BOLSAS, ALÉM DE CONTINUAR TENDO SUAS DÍVIDAS NÃO COBRADAS OU PERDOADAS. 

PRECISAMOS TER CLAREZA DE QUE NÃO SOMOS NEM VIVEMOS NUMA DEMOCRACIA. SOMOS E VIVEMOS NUMA OLIGARQUIA PLUTOCRÁTICA. SÓ O POVO CONSCIENTE E MOBILIZADO PODE ENFRENTAR ESSA DOMINAÇÃO...

A cada três empresas que devem ao fisco, uma pertence ao agronegócio

Entre 500 maiores devedores, setor deve R$ 335 bilhões, 41% do passivo de R$ 815 bilhões; de acordo com a projeção trilionária de economia com a reforma da previdência, em dez anos, essa dívida pagaria três anos de gastos com o INSS


Por Bruno Stankevicius Bassi



O agronegócio é responsável por 149 empresas ou empresários na lista dos 500 maiores devedores de impostos à União. O levantamento foi organizado pelo De Olho Nos Ruralistas, com dados da
Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e faz parte da série De Olho nas Dívidas. Ao todo, 29,8% empresas ou empresários ligados à produção rural brasileira devem R$ 335 bilhões à União, o equivalente a três anos da economia projetada inicialmente por Paulo Guedes, ministro da Economia, para a próxima década, que é de R$ 1,13 trilhão.
Apresentada à parte, a previdência dos militares, chamada de Sistema de Proteção Social das Forças Armadas, deve garantir ao governo, em dez anos, de acordo com Guedes, uma economia de R$ 10 bilhões. A dívida de empresários do agronegócio é trinta vezes maior e poderia pagar a aposentadoria por trinta anos. A projeção para vinte anos será de R$ 33,65 bilhões, 10% do passivo que os ruralistas acumulam.

Em termos financeiros, a fatia do agronegócio é ainda maior. O setor responde por 41,1% dos R$ 814,9 bilhões englobados pela lista dos 500 maiores devedores. Na primeira reportagem da série, mostramos o perfil dos três conglomerados que encabeçam a relação: “Cinquenta empresas do agronegócio devem R$ 200 bilhões à União“.

Mas esse montante deve sofrer uma redução expressiva. Base fiel ao presidente Jair Bolsonaro na defesa da reforma da Previdência, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) conseguiu, na última semana, derrubar um veto no projeto original apresentado por Guedes, permitindo o perdão de R$ 17 bilhões nas dívidas previdenciárias de produtores rurais.

A FPA é financiada indiretamente por grandes devedores, como a Bunge, cujo estoque de dívidas, divididos entre seis empresas, soma R$ 127,7 milhões. Rival no mercado de comércio de grãos, a Cargill tem um passivo mais acanhado: R$ 12,6 milhões. As duas empresas pertencem à Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), uma das entidades mantenedoras do Instituto Pensar Agro (IPA), responsável por destinar recursos e prestar assessoria técnica à FPA.

GRUPO ARANTES LIDERA ENTRE OS FRIGORÍFICOS

Se no quesito individual os grupos Parmalat, JB Duarte e Dolly encabeçam a relação de devedores, no conjunto da obra o prêmio vai para a Arantes Alimentos. Em recuperação judicial desde 2009, o o grupo possui nada menos que 42 das 149 empresas ou empresários ligados ao agronegócio identificados na lista dos 500 maiores devedores da União.
Por um lado, exportações; por outro, dívidas. (Imagem: Reprodução)
Carro-chefe da companhia, a Arantes Alimentos Ltda possui a dívida mais elevada, de R$ 1,9 bilhão. Atrás dela vêm outras 24 empresas, totalizando R$ 38,7 bilhões em dívidas relacionadas a pessoas jurídicas. A dívida do grupo é tamanha que, juntos, os sete frigoríficos do grupo – Arantes, Franco Fabril, Frigorífico Vale do Guaporé, Olcav, Pádua Diniz, Cheyenne e Brasfri – respondem por 26,4% da dívida total deste setor junto à União, de R$ 42,9 bilhões.

Esse montante supera casos de ampla repercussão como do Grupo Bertin, que pediu recuperaçao judicial em 2017 e aparece na lista das 500 maiores devedoras com a Tinto Holding Ltda (R$ 1,3 bi bilhão), e do Grupo Diplomata, pertencente ao ex-deputado federal Alfredo Kaefer (PP-PR). No frigorífico do político, no dia 5 de junho de 2018, três trabalhadores morreram após uma explosão.
Mas as dívidas do Grupo Arantes não param por aí. Ele também aparece na lista com os irmãos e sócios no conglomerado, Danilo de Amo Arantes e Aderbal Arantes Jr, que chegaram a ter prisão decretada pela Justiça de Goiás, em 2009. Em entrevista ao Estadão, Aderbal afirmou que viraria vegetariano quando se livrasse das dívidas. Juntos, os 17 sócios da empresa somam outros R$ 25,6 bilhões em passivos.

Dívidas totais: R$ 64,3 bilhões. Valor superior ao Produto Interno Bruto de estados como Paraíba e Rio Grande do Norte.

DÍVIDAS POR SETOR SERÃO DETALHADAS


O setor de frigoríficos não é o único a ter destaque na lista dos 500 maiores devedores da União. As usinas de cana também concentram dívidas bilionárias. Ao todo, as 16 empresas sucroalcooleiras somam R$ 33,4 bilhões de dívidas em impostos. As três com maior acúmulo de débitos no subsetor estão no município de Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro, e ultrapassam os R$ 3 bilhões de passivo. São elas: Cooperativa Fluminense dos Produtores de Açúcar e de Álcool (Cooperflu), Companhia Açucareira Paraíso e a Usina São João Lyzandro S.A. A essas junta-se a Companhia Usina do Outeiro, com sede no sul da Bahia, e um volume de R$ 3,1 bilhões em débitos.
Usina Cucaú chegou até a ser tema de moeda. (Imagem: Reprodução)
Mais para baixo na lista, com um débito de R$ 619 milhões, aparece a Companhia Geral de Melhoramentos em Pernambuco, mais conhecida como Usina Cucaú. Pertencente à família do ex-senador e ex-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto (PSDB-PE), o grupo é o recordista absoluto em flagrantes de trabalho escravo no Brasil. Entre 2001 e 2009, 1.406 trabalhadores foram resgatados em situação análoga à escravidão.

Ao todo, 14 produtores de tabaco aparecem entre os 500 maiores devedores da União. A elite das dívidas entre os tabagistas é dominada pelos ex-sócios Mauro Donati e Luiz Antônio Duarte Ferreira e suas empresas, American Virginia e LDF Participações Ltda, devendo R$ 8,8 bilhões.

No setor de laticínios, cinco empresas ligadas ao grupo Parmalat, hoje controlado pela multinacional francesa Lactalis, acumulam R$ 68,6 bilhões de passivo. São elas: Carital Brasil Ltda, Padma Indústria de Alimentos SA, PPL Participações Ltda, Zirconia Participações Ltda e Isii Empreendimentos e Participações Ltda.

Dos 150 devedores do agronegócio, 24 são produtores de eucalipto e deram um calote na União de R$ 54,8 bilhões em impostos. Imperam na relação as empresas e sócios do grupo JB Duarte, que mantém débitos de R$ 36,7 bilhões, sendo que R$ 7,5 bilhões são de Laodse Denis de Abreu Duarte, a pessoa que mais deve ao fisco brasileiro.

Também integram a lista os dois maiores devedores do Imposto Territorial Rural (ITR): os fazendeiros Aparecida Paxeco Sennas Lopes e Thomezio Chelli, que juntos somam R$ 2,9 bilhões.
Nos próximos dias, De Olho nos Ruralistas irá detalhar as dívidas por setor, trazendo mais detalhes sobre o perfil das dívidas de cada empresa.

https://deolhonosruralistas.com.br/2019/06/23/a-cada-tres-empresas-que-devem-ao-fisco-uma-pertence-ao-agronegocio/ 

LEIA MAIS:
Cinquenta empresas do agronegócio devem R$ 200 bilhões à União

segunda-feira, 17 de junho de 2019

PASTORAIS SOCIAIS DA AMAZÔNIA REUNIDAS EM MANAUS

Seminario en Manaos reúne a 70 representantes de los estado de Amazonas y Roraima  

Adolfo Zon: “las Pastorales Sociales son mediaciones concretas para hacer visible y eficaz el amor de Dios”

"Tenemos que retomar los espacios eclesiales que se han vuelto bastante cerrados en la perspectiva de un compromiso mayor de la propia Iglesia en el área de la transformación social"

Los gobiernos tienen “miedo de gente organizada, porque la gente organizada transforma la sociedad”

“Las Pastorales Sociales son la manera concreta de nuestra Iglesia de practicar la caridad, que es el mandamiento más grande que Jesús nos dejó"

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El momento actual por el que Brasil pasa, reclama una actitud profética de la Iglesia. Siendo ésta una misión propia de todos los bautizados, las Pastorales Sociales tienen esta dimensión como objetivo fundamental. Con ese propósito se reunían en Manaos de 13 a 16 de junio, unos 70 representantes de las nueve circunscripciones eclesiásticas que componen el Regional Norte 1 de la Conferencia Nacional de los Obispos de Brasil – CNBB.
El seminario se celebraba coincidiendo con la huelga general convocada el 14 de junio contra la Reforma de la Previdencia, que sacó a la calle a millones de personas que protestaban contra las políticas del actual gobierno, que pretende llevar a cabo una reforma que satisfaga los intereses de los bancos y de los dueños del capital. Los participantes del encuentro se hicieron presentes en la paseata en el centro de Manaos, a la que diversas organizaciones de la Iglesia, entre ellas la Cáritas Brasileña, se habían adherido. No podemos olvidar que los propios obispos ya manifestaron su oposición a la reforma en la nota lanzada en su última asamblea general celebrada el pasado mes de mayo.
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Hablando sobre la importancia de las Pastorales Sociales en la vida del Regional y en la vida de la Iglesia, Mons. Adolfo Zon, que coordina esta dimensión en el Regional Norte 1 de la CNBB, reconoce que “son fundamentales porque son mediaciones concretas para hacer visible y sobre todo eficaz el amor de Dios a todas las personas, sobre todo de aquellos que pasan más necesidad". El obispo de Alto Solimões recuerda lo que dice la encíclica Caritas in Veritate, "cada bautizado, cada discípulo misionero de Jesucristo, es un canal de la gracia de Dios".
El encuentro partía de un análisis de la actual coyuntura social, política y económica por la que Brasil pasa, una situación cada vez más preocupante para buena parte de la población, que desaprueba la gestión del gobierno Bolsonaro, cuya popularidad y aceptación social es la más baja entre los últimos gobiernos en los primeros meses de su gestión. Dentro de esa panorámica, las Pastorales Sociales abordan una serie de desafíos que han sido analizados desde diferentes perspectivas: seguridad ciudadana, educación, sanidad, pueblos indígenas y medio ambiente.
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Daniel Seidel reconoce que “la Iglesia de Brasil está enfrentando un momento de rearticulación, debido a toda una implicación que ocurrió en los gobiernos anteriores de líderes de las pastorales sociales en políticas públicas, y que ahora, desgraciadamente, están siendo cada vez más desmontadas”. El asesor de la REPAM-Brasil y miembro de la Comisión Brasileña de Justicia y Paz de la CNBB, afirma que "por eso, entonces, tenemos que retomar los espacios eclesiales que se han vuelto bastante cerrados en la perspectiva de un compromiso mayor de la propia Iglesia en el área de la transformación social".
Los participantes del encuentro han abordado aspectos concretos que forman parte de la vida de las Pastorales Sociales, como es el Grito de los Excluidos, que cada 7 de septiembre desde 1995 reúne a movimientos eclesiales y sociales en torno a un tema concreto. Este año de 2019, será “¡Este Sistema no Vale!”, con una clara referencia al crimen de Brumadinho, donde la empresa minera Vale provocó la muerte de 240 personas y 32 desaparecidos, a lo que se une un desastre ambiental de consecuencias desastrosas, que se prolongarán en el tiempo durante decenas de años.
Otro tema que también ha sido abordado es la 6ª Semana Social Brasileña, aprobada en la última asamblea general de la CNBB y sobre la cual se están realizando consultas por todo el país en busca del tema y la organización concreta. La 1ª Semana Social brasileña fue realizada en 1991 y siempre ha sido un momento de reflexión en torno a temas actuales. Según Jardel Neves, Presidente de la Pastoral Obrera a nivel nacional, la celebración de esta semana es “de gran importancia para el momento actual”. De hecho, los gobiernos tienen “miedo de gente organizada, porque la gente organizada transforma la sociedad”. En ese sentido, él recordaba que “la Iglesia no puede descuidar el servicio de la caridad, como no puede omitir los Sacramento y la Palabra”, como recordaba Benedicto XVI en su encíclica Deus Caritas Est.
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En ese mismo sentido, Mons. José Ionilton Lisboa de Oliveira, reconoce que “las Pastorales Sociales son la manera concreta de nuestra Iglesia de practicar la caridad, que es el mandamiento más grande que Jesús nos dejó". El obispo de la Prelatura de Itacoatiara, destaca la importancia del encuentro como “momento para pensar juntos, evaluar y hacer nuestra previsión de acción de aquí en adelante para fortalecer aún más la presencia de la Iglesia junto a aquellas personas que más necesitan de nuestro amor solidario”.
El Sínodo para la Amazonía, que este lunes, 17 de junio, presenta su Instrumentum Laboris, también ha estado presente en el encuentro, siendo recordado el proceso llevado a cabo hasta ahora desde que el 15 de octubre de 2017 era convocado por el Papa Francisco. Por encima de todo se ha destacado la importancia del proceso de escucha, del cual han participado las Pastorales Sociales, siempre preocupadas por muchos de los aspectos que están siendo reflexionados dentro del proceso sinodal.
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https://www.religiondigital.org/luis_miguel_modino-_misionero_en_brasil/Adolfo-Zon-Pastorales-Sociales-Dios_7_2131656814.html

POVOS DO XINGU EXIGEM SER CONSULTADOS SEGUNDO SEU PROTOCOLO DE CONSULTA

APOIEM ESTA LUTA!

Os povos indígenas estão lutando por seu direito de serem consultados sobre qualquer decisão que impacte suas vidas e seus territórios. Essa foi a mensagem que vinte caciques e lideranças do Xingu levaram a Brasília semana passada.
Na quarta feira (12) , os Xinguanos, junto com a Deputada Indígena Joenia Wapichana, realizaram  uma Audiência Pública na Câmara dos Deputados para apresentar sua proposta de consulta conjunta da rodovia BR 242 e da Ferrovia de Integração do Centro Oeste (FICO), que cortam a fronteira sul do Território Indígena do Xingu (MT) e interceptam as principais nascentes do rio Xingu.
Os indígenas já têm seu Protocolo de Consulta, que descreve de que forma o governo deve consultá-los sobre qualquer decisão que afete suas vidas. Agora colocam na mesa um detalhamento de como isso deve acontecer no caso de dois empreendimentos que impactam fortemente o entorno de sua terra e a qualidade do rio Xingu.
Se concretizadas, as duas obras devem intensificar o desmatamento e a contaminação por agrotóxico da água e do solo na região das nascentes do rio Xingu. Além disso, estão muito próximas a dois dos mais importantes sítios arqueológicos do país: Kamukwaka e Sagihengu. Esses sítios arqueológicos registram a ancestralidade do território, e são defendidos até hoje pelos Xinguanos, apesar de estarem além das fronteiras demarcadas.
Ouça a voz do Xingu:
Na audiência, todos os órgãos competentes concordaram com a proposta de consulta e o Ministério da Infraestrutura se comprometeu a liderar a articulação para sua realização. Em reunião com os Xinguanos após a audiência, o Ministério da Infraestrutura se comprometeu a dar seguimento ao processo respeitando o protocolo de consulta e o plano de gestão do TIX.
Um grande passo foi dado! Vamos continuar resistindo ao lado dos Xinguanos e exigindo que o governo consulte os povos da floresta antes interferir nas suas vidas e territórios.
Os povos indígenas lutam por seu direito à voz, e precisamos nos somar a eles - juntos somos mais fortes!
(Notícia publicada pelo ISA - Instituto Socioambiental)

POPULAÇÃO EM MARCHA CONTRA A INSTALAÇÃO DE USINA NECLEAR

ABSURDO TOTAL: GASTAR HORRORES PARA IMPLANTAR UM LIXO NUCLEAR, EM NOME DE PRODUZIR ENERGIA, JUSTO NUMA DAS ÁREAS EM QUE HÁ SOL À VONTADE PARA PRODUZIR ENERGIA SEM RISCO PARA NADA E NINGUÉM!

AJUDEM O POVO DO SERTÃO A NÃO SER OBRIGADO A CONVIVER COM ESSE CRIME.

No Sertão pernambucano, população sai em caminhada contra instalação de usina nuclear

Protesto acontece nesse fim de semana e conta com atividades políticas e culturais

Brasil de Fato | Recife (PE)
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A ação tem início no sábado (15), com concentração às 5h / Divulgação Governo PE
Nos dias 15 e 16, acontece em Pernambuco uma caminhada contra a instalação de uma usina nuclear no município de Itacuruba, no Sertão de Pernambuco. A Caravana Anti Usina Nuclear é realizada pela Diocese de Floresta, Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Pernambuco (Fetape), Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), ProVida, Sindicatos de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais, Polo Sindical do Submédio São Francisco PE/BA, comunidades tradicionais indígenas e quilombolas, pescadores, agricultores, familiares.

A ação tem início no sábado (15), com concentração às 5h na entrada do município de Carnaubeira da Penha. Às 11h, começa a caminhada em direção a Floresta. No domingo (16), a concentração da caminhada de Floresta ao município de Itacuruba é às 3h. A partir das 8h, será realizado o ato contra a instalação da Usina Nuclear, em frente à Igreja Matriz Nossa Senhora do Ó, em Itacuruba. O evento contará com apresentações culturais e pronunciamentos.

Estudos de órgãos federais consideram Itacuruba como o local apropriado para abrigar uma usina nuclear na região Nordeste, em virtude da aproximação com o rio São Francisco. De acordo com declarações do Ministério de Minas e Energia do Governo Federal, a energia nuclear seria importante para manter a matriz energética do país. Porém, a instalação da usina pode trazer impactos para a vida de comunidades quilombolas e povos indígenas. Caso seja concretizada, a proposta implicará em expulsão desses povos tradicionais de seus territórios.

Segundo o diretor de Política Agrícola da Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares de Pernambuco (Fetape), Adimilson Nunis, a construção de uma usina nuclear trará transtornos e insegurança para a população local, que temerão pela própria vida com a instalação de um empreendimento do porte de uma usina. “Como vamos viver com uma usina nuclear? Será que vão querer comprar nossa produção agrícola, agropecuária e a pesca? Achando que tudo está contaminado. Se houver vazamento, contaminar as águas do rio São Francisco? Fora as questões psicológicas para as pessoas”, pontua o diretor.

De acordo com artigo da revista New Scientist publicado no site do Instituto de Pesquisa Agropecuária (IRPAA), as usinas nucleares são consideradas lixos radioativos. O Brasil não possui um depósito seguro para depositar dejetos. Acidentes de graves proporções já ocorreram no mundo. Um deles foi o acidente da Usina nuclear de Chernobil, na Ucrânia, onde 4 mil pessoas foram contaminadas por uma nuvem radioativa que se espalhou atingindo pessoas, animais e o meio ambiente. No Brasil, em 1987, milhares de pessoas foram afetadas pela contaminação do Césio 137, em Goiânia (GO).
 
Edição: Monyse Ravena