segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

BISPOS SE COMPROMETEM COM A VIDA DO SÃO FRANCISCO E SEUS POVOS

É ESPERANÇOSO QUANDO VEMOS MAIS E MAIS PESSOAS QUE PERCEBEM QUE OU JUNTAMOS AS FORÇAS OU IREMOS NA DIREÇÃO DA MORTE. VALE TORNAR CONHECIDA A PALAVRA E OS COMPROMISSOS DESTES BISPOS DO VALE DO VELHO CHICO. E ESTIMULAR QUE MAIS GENTE ENTRE NO MESMO CAMINHO, REFORÇANDO O CORDÃO DOS QUE LUTAM PELA VIDA, QUE DEPENDE CADA DIA MAIS DA SOBREVIDA DOS RIOS.

CARTA DOS BISPOS DO VELHO CHICO
CARTA DA LAPA
Primeiro Encontro dos bispos da Bacia do Rio São Francisco
À luz do Evangelho, em comunhão com o Papa Francisco e inspirados pela carta encíclica “Laudato Sí”, nós, bispos da bacia do Rio São Francisco, representando onze das dezesseis dioceses, diante do processo de morte em que este Rio se encontra e das consequências que isto representa para a população que dele depende, assumimos de forma colegiada a defesa do Velho Chico, de seus afluentes e do povo que habita sua bacia. Como pastores a serviço do rebanho que nos foi confiado, constatamos, com profunda dor:
(a) o sumiço de inúmeras nascentes de pequenos subafluentes e, em consequência, o enfraquecimento dos afluentes que alimentam o São Francisco;
(b) o aumento da demanda da água para a irrigação, indústria, consumo humano e outros usos econômicos, sem levar em conta a capacidade real dos rios de ceder água;
(c) a destruição gradativa das matas ciliares expondo os rios ao assoreamento cada vez maior;
(d) a decadência visual dos rios e da biodiversidade;
(e) o aumento visível dos conflitos na disputa pela água em toda a região;
(f) empresas sempre fazem prevalecer seus interesses e o Estado acaba por ser legitimador de um modelo predatório de desenvolvimento.
Tudo isso vem gerando a destruição lenta e cruel da biodiversidade do Velho Chico e, consequentemente, sua morte gradativa. Diante dessa triste realidade, enquanto bispos da bacia do Rio São Francisco e pastores do rebanho que nos foi confiado, propomos:
1. Sermos uma “Igreja em Saída”: Ir ao encontro do povo e, como pastores, convocar os cristãos e as pessoas sensíveis à causa, para juntos assumirmos o grande desafio de salvar o rio da morte e garantir a vida humana, da fauna e da flora que dele dependem;
2. Sermos uma “Igreja Missionária”: Realizar visitas às nossas comunidades, missões, peregrinações, romarias e estabelecer um diálogo aberto com as pessoas para que entendam e assumam, à luz da fé, o cuidado com a “Casa Comum”, particularmente, a defesa do nosso Rio;
3. Sermos uma “Igreja Profética”: Elaborar subsídios educativos sobre meio-ambiente e o modo de preservá-lo. Utilizar os meios de comunicação, rádios, periódicos diocesanos para levar ao maior número de pessoas a boa nova da preservação da vida;
4. Sermos uma “Igreja Solidária”: Reforçar as iniciativas populares de recomposição florestal, recuperação de nascentes, revitalização de afluentes; incentivar a ética da responsabilidade socioambiental capaz de gerar um modo de vida sustentável de convivência com a caatinga, o cerrado e a mata atlântica; defender políticas públicas para implementação do saneamento básico, apoio à agricultura familiar, manutenção de áreas preservadas, a exemplo dos territórios das comunidades tradicionais de fundo e fecho de pasto, indígenas, quilombolas, ribeirinhos, pescadores, etc.
5. Finalmente, declaramos nossa posição em defesa do “Repouso Sabático” para os nossos biomas a fim de que possam se reconstituir. Particularmente, uma moratória para o Cerrado, por um período de dez anos. Durante esse período não seria permitido nenhum projeto que desmate mais ainda o Cerrado, a Caatinga e a Mata Atlântica, biomas que alimentam o Rio São Francisco e dele também se alimentam.
6. Nesse sentido chamamos as autoridades federais, os governadores, prefeitos, deputados, senadores, o Ministério Público, para que assumam sua responsabilidade constitucional na defesa do Velho Chico e do seu povo.
Que São Francisco, padroeiro da Ecologia e do Rio que traz o seu nome, nos inspire a cuidar da Criação. Que o Bom Jesus da Lapa, de cujo Santuário provém a água da torrente, abençoe e dê vida ao nosso Velho Chico e ao povo do qual ele é pai e mãe. Bom Jesus da Lapa, 1º Domingo do Advento de 2017.
Bispos Participantes
Dom José Moreira da Silva – Bispo de Januária (MG) Dom José Roberto Silva Carvalho – Bispo de Caetité (BA) Dom João Santos Cardoso – Bispo de Bom Jesus da Lapa (BA) Dom Josafá Menezes da Silva – Bispo de Barreiras (BA) Dom Luiz Flávio Cappio, OFM – Bispo de Barra (BA) Dom Tommaso Cascianelli, CP – Bispo de Irecê (BA) Dom Carlos Alberto Breis Pereira, OFM – Bispo de Juazeiro (BA) Monsenhor Malan Carvalho – Administrador Diocesano de Petrolina (PE) Dom Gabriele Marchesi – Bispo de Floresta (PE) Dom Guido Zendron – Bispo de Paulo Afonso (BA)

55 MILHÕES SÃO AFETADOS POR FENÔMENOS CLIMÁTICOS EXTREMOS EM 4 ANOS

E AGORA, ALGUÉM AINDA TEM DÚVIDA QUE AS MUDANÇAS CLIMÁTICAS CHEGARAM E QUE TÊM CAUSAS HUMANAS? O TEXTO QUE SEGUE INDICA QUE UM DOS EFEITOS É A CRISE HÍDRICA QUE ATINGE TODO O PAÍS.

QUANDO ENTENDEREMOS QUE SEM OUVIR E DIALOGAR COM A TERRA NÓS PODEMOS DESTRUIR NOSSA PRÓPRIA VIDA?

Estiagens, secas, enxurradas, inundações. Os fenômenos naturais que sempre marcaram diferentes regiões do País, que vive situação de estresse hídrico, nunca expuseram cenários tão extremos como os ocorridos nos últimos anos. Entre 2013 e o ano passado, os desastres naturais afetaram 55,7 milhões de pessoas - mais de 25% da população nacional. No total, as perdas são R$ 9 bilhões por ano.
A reportagem é de André Borges, publicada por O Estado de S. Paulo, 01-12-2017.
Os dados são do relatório Conjuntura dos Recursos Hídricos no Brasil 2017, feito a cada quatro anos pela Agência Nacional de Águas (ANA), ao qual o Estado teve acesso.
O estudo aponta que, de 2013 ao ano passado, 78% dos 1.794 municípios do Nordestedecretaram, ao menos uma vez, situação de emergência ou estado de calamidade pública por causa da seca extrema que castiga a região desde o fim de 2012.
Outros 2.641 municípios, 47,5% das cidades do País, decretaram emergência ou calamidade por causa de alagamentos, enxurradas e inundações.
Entre 2013 e 2016, 48 milhões de pessoas foram diretamente afetadas por secas e estiagens no Brasil. Outras 7,7 milhões sofreram os efeitos das cheias. O ano de 2016, que já entrou para a história como o mais crítico para seca, pode ser vencido por 2017. “Este ano deve se confirmar como o de pior período chuvoso, o mais seco desde 1931, quando começou a série histórica”, diz Joaquim Gondim, superintendente de operações e eventos críticos da ANA.
Antes restrita a áreas rurais e pequenos distritos, a escassez de água chega agora às cidades maiores no Ceará. Em Quixeramobim, município do sertão a 203 quilômetros de Fortaleza, a população só tem água nas torneiras um dia a cada cinco nos bairros da periferia.

 Comerciantes precisam contratar carros-pipa para manter a higiene dos estabelecimentos. “Cada pipa de mil litros custa uns R$ 30. Isso acaba embutido no preço das mercadorias. O comércio local está numa situação desoladora. Fazia muito tempo que não via assim”, conta o professor Ítalo Câmara, que mora no local.
Em 2012, 540 municípios do Nordeste eram atendidos por 3 mil carros. Quatro anos depois, em 2016, esse número mais que dobrou, chegando a 6.788.
A quantidade e a intensidade dos recentes eventos extremos relacionados com a água, especialmente de seca, demonstram, ao contrário do que imaginamos, a nossa fragilidade diante desses fenômenos climáticos. Vicente Andreu, diretor-presidente da ANA
Maior reservatório do Ceará, o açude Castanhão atingiu seu volume morto - quando a água fica abaixo do nível de captação - pela primeira vez desde que foi inaugurado em 2002. Embora o Departamento Nacional de Obras Contra a Seca confirme, o Estado nega que o Castanhão esteja no volume morto e diz que a captação de água poderá ser feita até janeiro.
“Para além das questões climáticas, estamos colhendo frutos de muitas décadas de falta de gestão”, diz Anivaldo Miranda, presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco, o principal rio que passa pelo Nordeste. Para resolver o problema, ele defende recuperar matas ciliares e combater a erosão, entre outras ações.
Entre 2014 e 2016, foram estudados pela ANA 204 reservatórios de água do semiárido, que atendem mais de 10 milhões de habitantes. Apenas 85 reservatórios têm capacidade para atender novas demandas e os 119 restantes operam no limite.

Temporais

Já em Salto, no interior paulista, os moradores convivem com inundações. O comerciante Luiz Carlos Ganzano, de 55 anos, é obrigado a tirar de 20 a 30 dias de férias forçadas todo ano. Quando o nível do Rio Tietê começa a subir, ele fecha as portas de seu bar e vai para casa. Este ano, isso já aconteceu dez vezes. “Quase sempre a rua fica coberta pela água com lama e espuma por vários dias”, conta.
Em março, a enchente deixou 30 casas alagadas - duas caíram. No ano anterior, a água já havia coberto áreas turísticas. A prefeitura de Salto disse que a Defesa Civil monitora pontos banhados pelo Tietê e, quando há alerta de aumento no nível do rio, informa os moradores e isola as áreas de risco.
Para os especialistas da ANA, as mudanças drásticas nos padrões de chuvas são indícios das mudanças climáticas no País, cenário que tem alterado o mapa hidrológico. Esse processo intensificou-se nos últimos quatro anos, mas já se desenhava há pelo menos duas décadas.
Uma das regiões que já mais tem sofrido com a seca no Brasil, o chamado “semiárido radical”, onde estão os focos de desertificação no Nordeste, pode enfrentar um cenário ainda mais dramático de déficit hídrico e perdas econômicas em um futuro de mudanças climáticas.
É o que alerta um trabalho feito pela Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas, que analisou o custo-benefício de medidas de adaptação para a bacia dos Rios Piancó-Piranhas-Açu, entre o sertão da Paraíba e do Rio Grande do Norte. A região, que abriga cerca de 1,6 milhão de pessoas, já vem sofrendo com uma severa seca nos últimos cinco anos.
O trabalho, encomendado pela Agência Nacional de Águas, e coordenado pelo pesquisador Alexandre Gross, calculou como esse quadro pode evoluir nos próximos 50 anos, considerando o viés da mudança climática.
No planejamento de riscos futuros tradicional, é normal considerar somente as séries históricas do passado e projetar o mesmo comportamento para frente. Por essa conta, nos próximos 50 anos (até 2065), os pesquisadores estimaram que haveria um déficit hídrico acumulado de cerca de 1.250 m3/s.
O trabalho calculou, então, como o quadro pode mudar em três cenários de mudanças do clima: um moderado; um com eventos extremos – em que há muita seca, mas também há eventos de chuvas fortes; e um realmente árido. Esse déficit pode saltar para 14%, 84% e 133%, respectivamente.
Do ponto de vista econômico, o quadro sem mudança do clima indica uma perda de cerca de R$ 17,5 bilhões em 50 anos. O incremento com a mudança do clima pode variar de 7% (cenário moderado) a 97% (árido), atingindo cerca de R$ 35 bilhões.
“A mensagem é simples: planejar o futuro sem pensar nas mudanças climáticas pode ser o mesmo que negligenciar uma perda econômica potencial de até o dobro da que ocorreria num futuro sem essas alterações no clima. É uma visão míope, que pode deixar de ver um risco muito maior”, diz Gross. “A gente sabe qual desses cenários pode acontecer? Não. Mas temos de nos planejar para eles”, complementa.
“Sabíamos que poderia haver um déficit maior, mas a magnitude foi surpreendente. E, consequentemente as perdas econômicas. A ideia é que o comitê de bacias leve isso em consideração”, afirma Carlos Perdigão, coordenador da superintendência de planejamento de recursos hídricos da ANA.
O trabalho usou a mesma metodologia para avaliar também as perdas que já podem ter ocorrido com a seca que atinge a região nos últimos cinco anos. O cálculo apontou para um perda de pelo menos 3% do PIB da bacia, ou R$ 3 bilhões nesse período. “Isso pagaria muito das medidas para adaptar a região para o que vem pela frente. O investimento se paga só de olharmos o quanto a região já está perdendo com a seca atual”, afirma Gross.
http://www.ihu.unisinos.br/574259-em-4-anos-secas-e-inundacoes-afetam-55-7-milhoes-de-brasileiros 

POVO MUNDURUKU BARRA AUDIÊNCIA SOBRE FERROGRÃO

TRISTE CONTRASTE: AS DECISÕES NEGOCIADAS ENTRE LEGISLATIVO E EXECUTIVO NACIONAL E AS MANIFESTAÇÕES POPULARES CONTRA OBRAS QUE SÓ FAVORECEM O AGRONEGÓCIO E A MINERAÇÃO E AUMENTAM O RISCO DA DESTRUIÇÃO DOS BIOMAS CERRADO E AMAZÔNIA. TEMOS CLARAMENTE POVOS CADA VEZ MAIS CONSCIENTES DE SEUS DIREITOS E DISPOSTOS A LUTAR POR ELES E POLÍTICOS QUE DECIDEM EM CAUSA PRÓPRIA. 

PRECISAMOS AUMENTAR A CAPACIDADE DE LUTA CONTRA A DITADURA ECONÔMICA E POLÍTICA QUE NOS DOMINA E EXPLORA!

Munduruku barram audiência sobre ferrovia que pode impactar seu território

Inserido por: Administrador em 04/12/2017.
Fonte da notícia: Assessoria de Comunicação

Indígenas barram audiência em Itaituba (PA). Foto: Barbara Dias/Cimi Norte 2
Por Barbara Dias/Cimi Norte 2 e Tiago Miotto/Assessoria de Comunicação 
Cerca de 90 indígenas do povo Munduruku bloquearam as entradas da Faculdade de Itaituba nesta manhã (4), em Itaituba, no Pará. Os indígenas querem evitar que ocorra a audiência pública que discutirá a implementação da Ferrovia EF-170, conhecida como Ferrogrão, pois o empreendimento impacta seus territórios e eles não foram previamente consultados. A audiência proposta pela Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT) estava marcada para iniciar às nove horas de hoje em um dos auditórios da faculdade particular.
Antes do início do expediente, às seis horas, os indígenas bloquearam todas as entradas da instituição e afirmam que só liberarão as entradas quando tiverem a confirmação de que a audiência está definitivamente cancelada - como já recomendou o próprio Ministério Público Federal (MPF). Em função da ocupação, as aulas na instituição foram canceladas.
“Só vamos sair daqui quando nos disserem que a audiência não vai acontecer, se não disserem isso não vamos sair daqui. Eles nunca consultaram nós. Temos um protocolo de consulta e eles não podem passar por cima dele. Por isso nós estamos aqui também”, explica Valto Dace Munduruku, cacique da aldeia Dace Watpu, na Terra Indígena (TI) Sawré Muybu.

Ocupação na Faculdade de Itaituba deve durar até que audiência seja cancelada. Foto: Barbara Dias/Cimi Norte 2
A audiência pública de Itaituba seria a terceira de seis atualmente previstas pela ANTT, com a finalidade de “colher subsídios para a minuta do edital e dos estudos técnicos” da Ferrogrão, cujo trajeto de 1.142 quilômetros de extensão vai de Sinop (MT) até a cidade portuária de Miritituba (PA).
Parte do procedimento formal para a realização de concessões públicas de projetos deste tipo, a primeira audiência ocorreu em 21 de novembro, em Cuiabá (MT), mesmo após recomendação do MPF de que elas não poderiam acontecer sem que antes todas as comunidades indígenas dos povos Munduruku, Kayapó e Kayabi e comunidades ribeirinhas que serão impactadas sejam consultadas de forma prévia, livre e informada, como garante a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
Inicialmente, a ANTT previa audiências públicas apenas nas cidades de Belém, Brasília e Cuiabá, fato também contestado pelo MPF, já que as cidades que mais seriam impactadas não teriam a oportunidades de participar. Após o questionamento, a ANTT divulgou as novas datas e locais, agora incluindo audiências em Sinop, Itaituba e Novo Progresso (PA), mas ainda ignorando a exigência da Consulta Prévia como consta na 169.
Depois de não ter sua recomendação acolhida pela ANTT, o MPF divulgou uma nota pública em que explica que não comparecerá a nenhuma das audiências públicas porquerepudia sua realização sem que antes se implemente o procedimento de Consulta e Consentimento Livre, Prévio e Informado - CCLPI das comunidades impactadas pela construção da Ferrovia.
Em carta, o povo Munduruku do médio Tapajós, que terão aldeias diretamente impactadas pela ferrovia, exigem que sejam consultados de acordo com o protocolo de consulta produzido em 2014, onde informam como, onde e de que maneira querem ser consultados.
“Nós não fomos consultados, os beiradeiros não foram consultados e nossos parentes de outros povos também não foram. São pelo menos 19 áreas indígenas durante todo o percurso da ferrovia que serão impactados e AUDIÊNCIA PÚBLICA NÃO É CONSULTA PRÉVIA, LIVRE E INFORMADA, não tentem nos enganar de que esse é o cumprimento da convenção 169, NÓS SABEMOS DOS NOSSOS DIREITOS!!!”, afirmam no documento.
Ocupação Munduruku em Itaituba (PA). Foto: Barbara Dias/Cimi Norte 2
Pressão do agro
O sudoeste paraense tem se estabelecido nos últimos anos como uma rota estratégica do agronegócio para escoar os grãos produzidos na região Centro Oeste até o oceano, seguindo para a China e outros países consumidores da Europa. Os megaprojetos de infraestrutura que incidem sobre a região da bacia do Tapajós - e impactam dezenas de povos indígenas e comunidades tradicionais pelo caminho - são apresentados como uma alternativa à rota que sai do Mato Grosso até os portos de Paranaguá (PR) e Santos (SP), mais distante e com maior tempo de espera para o embarque das commodities. 
Planejada nos últimos anos por grandes corporações do agronegócio, a previsão da ANTT é que a Ferrogrão seja capaz de carregar 42 milhões de toneladas em 2050.
Para que a ferrovia seja construída, a Medida Provisória (MP) 758 foi aprovada com alguns vetos pelo presidente Michel Temer, em meio às negociatas feitas com a bancada ruralista, desafetando uma área de 862 hectares do Parque Nacional do Jamanxim, por onde a estrada de ferro deve passar.
Numa região onde os conflitos agrários foram acirrados pela construção da BR-163, a unidade de conservação que foi criada em 2006 para mitigar os impactos da rodovia perdeu um pedaço considerável para dar lugar a ferrogrão. Os impactos da ferrovia começaram com o anúncio da medida provisória, que fomentou a entrada de invasores nas áreas desafetadas.

“Nós sabemos que vão acontecer várias coisas, não só para nós que moramos na aldeia. Os ribeirinhos vão sofrer o mesmo que nós”, reforça o cacique Valto. “Soubemos que eles vieram fazer a audiência aqui e nos unimos para não acontecer, porque se acontecer não vai trazer nada de bom pra nós”.

Cerca de 90 Munduruku participam da ocupação. Foto: Barbara Dias/Cimi Norte 2
Até as 10h, horário de Belém (PA), a audiência ainda não havia sido iniciada. Não houve nenhuma comunicação formal a respeito de seu cancelamento.
Leia a carta divulgada pelos Munduruku:
Nós, caciques, lideranças, pajé, guerreiros e guerreiras do povo Munduruku do médio Tapajós, exigimos que a Agência Nacional de Transportes (ANTT) consulte nosso povo Munduruku e todos os povos indígenas e ribeirinhos que vão ser impactados pela Ferrovia do Grão (Ferrogrão) desde Sinop no Mato Grosso até Itaituba. Nós temos o direito de consulta prévia, livre e informada como garante a convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), do qual o brasil é signatário, mas o governo brasileiro insiste em não respeitar a própria legislação interna e internacional que criam e fazem parte. SAIBAM QUE NÓS VAMOS CONTINUAR LUTANDO POR NOSSOS DIREITOS ATÉ QUE SEJAM CUMPRIDOS!
O ministério Público Federal já recomendou à ANTT que as audiências fossem canceladas até que as consultas fossem realizadas e que se tenha dimensão dos impactos que isso vai causar para nós indígenas, para nossos companheiros de luta beiradeiros e para as unidades de conservação. Na Convenção 169 no artigo 6° diz:
“consultar os povos interessados, mediante procedimentos apropriados e, particularmente, através de suas instituições representativas, cada vez que sejam previstas medidas legislativas ou administrativas suscetíveis de afetá-los diretamente”, bem como que “as consultas realizadas na aplicação desta Convenção deverão ser efetuadas com boa fé e de maneira apropriada às circunstâncias, com o objetivo de se chegar a um acordo e conseguir o consentimento acerca das medidas propostas”.
Nós não fomos consultados, os beiradeiros não foram consultados e nossos parentes de outros povos também não foram. São pelo menos 19 áreas indígenas durante todo o percurso da ferrovia que serão impactados e AUDIÊNCIA PÚBLICA NÃO É CONSULTA PRÉVIA, LIVRE E INFORMADA, não tentem nos enganar de que esse é o cumprimento da convenção 169, NÓS SABEMOS DOS NOSSOS DIREITOS!!! É para isso que nós temos nosso protocolo de consulta, é por isso que Montanha e mangabal e Pimental também tem o seu, lá nós falamos de como a consulta deve acontecer com nossos povos.
Nós não vamos mais aceitar que mais uma vez vocês Pariwat venham com esses projetos pensados por vocês e que querem impor para nosso povo, sem ser discutido, sem consultar e sem considerar os impactos no nosso modo de vida, em nossos territórios, nos nossos lugares sagrados e dos nossos parentes. Nossa floresta grita, o pajé sabe que ela está precisando de ajuda, mas vocês Pariwat não sabem o que é isso. Vocês só querem destruir, para construir empreendimentos que acabam com e a floresta, e para expandir o agronegócio na nossa região, acabando com nossas árvores e com nossa biodiversidade para colocar no lugar milhares de quilômetros de soja. NÓS NÃO VAMOS DEIXAR ISSO ACONTECER!!!
Nós Mulheres nos reunimos no nosso segundo encontro na aldeia Sawre Muybu, nós estamos vendo que os pariwats estão destruindo nossos rios, nossas florestas, e nós nos preocupamos com nossos filhos. Nós vamos lutar junto com nossos guerreiros, contra hidrelétrica, contra ferrovia, contra tudo que vier em nome da destruição!
SAWE!!!!!!!!!!!!!!!
                Link para carta dos Munduruku: http://cimi.org.br/pub/PA/ferrograo/2017-12_carta-munduruku-antt.pdf

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

MANIFESTO SOBRE A AMAZÔNIA PERUANA, EQUATORIANA E COLOMBIANA

MESMO EM ESPANHOL, VALE A PENA TOMAR CONHECIMENTO DESTE MANIFESTO. ELE REVELA A REALIDADE AMAZÔNICA NESTES TRÊS PAÍSES COM QUEM O BRASIL REPARTE A RESPONSABILIDADE EM RELAÇÃO AO BIOMA AMAZÔNIA.

E COMO ELES, O BRASIL AMAZÔNICO TAMBÉM PRECISA ASSUMIR E PREPARAR-SE PARA O SÍNODO CONVOCADO PELO PAPA FRANCISCO.

E OS QUE NÃO VIVEMOS NA AMAZÔNIA TAMBÉM SOMOS CHAMADOS A COLABORAR PARA QUE ESTE BIOMA ESSENCIAL PARA O MÍNIMO EQUILÍBRIO HÍDRICO AINDA POSSÍVEL NÃO SEJA DESTRUÍDO PELA ESTÚPIDA E CRIMINOSA SEDE DE RIQUEZA DE MEIA DÚZIA DE GRANDES CORPORAÇÕES GLOBALIZADAS. A VIDA PRECISA VENCER!

MANIFIESTO

 ¡A los pobladores y a todos los que sirven en la Amazonía y aman esta causa! 

Convocados por el Vicariato Apostólico de Puerto Leguízamo-Solano, en el marco de la celebración de su V aniversario, durante los días 6, 7 y 8 de Noviembre de 2017, los obispos y los representantes de los equipos pastorales de Florencia, San Vicente del Caguán, Puerto Leguízamo – Solano (Colombia), San José del Amazonas (Perú) y San Miguel de Sucumbíos (Ecuador) unidos a indígenas, campesinos e instituciones públicas y privadas para reflexionar sobre las oportunidades y desafíos que tiene la Amazonía en la triple frontera de Colombia, Ecuador y Perú. Como comunidad de fe que servimos en la evangelización de los pueblos amazónicos, cuidando la casa común;

Constatamos:
1. El fuerte compromiso de las organizaciones comunitarias por preservar, conservar y cuidar la vocación de este bioma amazónico como regulador del clima en el mundo.

2. La creciente conciencia de la responsabilidad ambiental y social que ha llevado a la conformación de iniciativas de gran impacto como es la Red Eclesial Pan-Amazónica (REPAM).

3. La ausencia de políticas públicas a nivel local, regional, nacional e internacional enfocadas en el cuidado, preservación y conservación de la Amazonía.

4. La existencia de proyectos económicos desarticulados, tales como la explotación petrolera, minera, maderera, los monocultivos, la ganadería extensiva y la pesca excesiva, sin un enfoque ecológico-ambiental y carentes de responsabilidad por la preservación de la selva en el mediano y largo plazo.

5. La fuerte amenaza que impacta la estabilidad del sistema ecológico-ambiental de nuestra Amazonía, debido a una deforestación indiscriminada.

6. La contaminación de los grandes ríos y sus afluentes convirtiéndolos en depósitos de desechos sólidos, químicos y residuales, amenazando seria e irreversiblemente a todos los organismos vivos.

 7. La afectación nociva de agentes externos sobre la supervivencia e identidad cultural de las comunidades autóctonas.

8. El narcotráfico y la minería ilegal se constituyen en una fuente permanente de degradación y destrucción del medio ambiente y de las relaciones familiares y comunitarias.

9. La insuficiente presencia del Estado en los lugares más alejados de la Amazonía que garantice a las poblaciones sus derechos fundamentales a la vida, educación, salud y seguridad.

Hacemos un llamado a:
1. las autoridades nacionales e internacionales a adoptar políticas públicas y medidas urgentes para garantizar el cuidado y protección del bioma amazónico y toda su diversidad. Los derechos de la Amazonía deben ser tutelados y garantizados desde cada uno de los países y desde el sistema global.

2. Garantizar la consulta previa a los pueblos indígenas en cualquier proyecto que se pretenda desarrollar, sobre todo si es de carácter extractivo, obras civiles, etc., protegiendo los pueblos, sus usos y costumbres.

3. Las autoridades locales para que sus planes de desarrollo tengan un enfoque verdaderamente amazónico, estableciendo alianzas que fortalezcan las organizaciones presentes en el territorio.

4. Las organizaciones indígenas, campesinas, afrodescedendientes y urbanas a buscar consensos y compromisos efectivos que generen condiciones de vida digna, equitativa y respetuosa con el medio ambiente.

5. Toda la comunidad a educarse en un uso adecuado de los residuos sólidos contaminantes para disminuir el impacto negativo ambiental.

6. A reemplazar el uso de pesticidas y demás agroquímicos por prácticas agroecológicas que no afecten la flora y la fauna del territorio amazónico.

7. A la Academia para que se involucre contundentemente en procesos de investigación científica, formación y divulgación del conocimiento de nuestra realidad amazónica para el beneficio de todos.

8. A los agentes de pastoral para asumir una voz más profética y decidida en defensa de la Pan-amazonia.

 Nos comprometemos a
1. Sintonizarnos con la propuesta del Sínodo sobre la Amazonia convocado por el Papa Francisco para el año 2019, participando activamente en su preparación, realización e implementación.

2. Asumir como discípulos misioneros un estilo de vida que concretice en las acciones cotidianas el cuidado y la protección de la casa común.

3. integrar en los planes pastorales una acción evangelizadora que promueva el cuidado de la vida en todas sus manifestaciones, inspirados en la teología de la creación.

4. Establecer en cada Iglesia Local un vínculo más estrecho con la REPAM.

5. Acompañar a las comunidades en la construcción y ejecución de proyectos productivos sostenibles y amigables con el entorno amazónico.

6. Impulsar acciones de incidencia frente a todo aquello que atenta contra la vida en la Amazonía.

                                     Puerto Leguízamo, 08 de noviembre de 2017.

HOMENAGEM A FREI HENRI DE ROSIERS

COMO DIZ COM PROPRIEDADE O JORNALISTA SAKAMOTO NO ARTIGO QUE PODE SER ACESSADO PELO LINK https://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2017/11/26/morre-frei-henri-o-cristianismo-que-liberta-ficou-menor-no-brasil/ UMA PESSOA COMO ESTA NÃO MORRE; ELA CONTINUA CONOSCO DE MUTIAS FORMAS, NAS MUITAS FRENTES DE LUTA PELOS DIREITOS. 

DE MINHA PARTE, UM ESTÍMULO A MAIS PARA CONTINUAR DOANDO O MELHOR DE MIM À LUTA POR TODOS OS DIREITOS DE TODAS AS PESSOAS E DA TERRA. 

OBRIGADO, FREI HENRI, POR SUA VIDA, QUE CONTINUA!


quinta-feira, 23 de novembro de 2017

PRODUZINDO ENERGIA POR CONTA

VALE O SONHO: UM DIA A INSTALAÇÃO DE PAINÉIS FOTOVOLTAICOS SERÁ ALGO TÃO SIMPLES E CORRIQUEIRO, QUE TODAS AS PESSOAS QUE O DESEJAREM PODERÃO PRODUZIR SUA PRÓPRIA ENERGIA... E ATÉ PODERÃO CONSTRUIR PAINÉIS COM RESTOS JOGADOS NO LIXO!

NUM PEQUENO E POBRE SÍTIO NO CEARÁ, O
APROVEITAMENTO INTEGRAL E INTELIGENTE DA ENERGIA RENOVÁVEL
O seu Ernane Pinto Vasconcelos, um pequeníssimo agricultor de 68 anos, mora num sítio perto de Taperuaba, na região de Sobral no Ceará. A região faz parte do semiárido nordestino. Seu Ernane escavou um poço profundo para armazenar a água da chuva para irrigar suas pequenas lavouras. Só que, sem luz, não tinha como bombear a água. 
Ele então achou placas fotovoltaicas quebradas e abandonadas numa escola da região. Aproveitou as células que funcionavam e fez uma ligação numa bateria de 12 Volts, dessas de automóvel. Construiu um sistema para controlar a voltagem das placas para aproveitar ao máximo a energia, carregando a bateria e mandando o excedente direto para a bomba de irrigação. 
Faz quatro anos que o sistema funciona. Seu Ernane planta arroz e legumes orgânicos. Como de vez em quando não bate sol, ele construiu um cata-vento, que é sua segunda fonte de energia renovável. 
Um engenheiro agrônomo da região considera “seu Ernane um agricultor experimentador, aquele que está sempre em busca de novidades para inovar. Esse sistema montado por ele ajuda na irrigação de uma forma diferenciada”. 
Seria muito legal alguém indicar o seu Ernane para um prêmio de empreendedorismo e inovação.

Climainfo, 23 de novembro de 2017

FUNDO SOBERANO DA NORUEGA VAI SAINDO DO NEGÓCIO DO PETRÓLEO

INTERESSANTE: A NORUEGA FAZ ESTE ANÚNCIO POR CAUSA DO PROCESSO ABERTO CONTRA ELA POR QUERER ABRIR NOVOS POÇOS NO ÁRTICO, OU SE TRATA DE ALGO INOVADOR?

NÃO É BOM FAZER FESTAS ANTES DO TEMPO, MAS QUE É BOM IR VENDO QUE HÁ ATÉ PODEROSOS QUE QUEREM DESAFAZER-SE DE INVESTIMENTOS EM PETRÓLEO, ISSO É. AFINAL, PELO MENOS SIGNIFICA QUE ESSE SETOR QUE TEM TUDO A VER COM O AQUECIMENTO DO PLANETA NÃO GARANTE VANTAGENS ECONÔMICAS, E POR ISSO, PODE IR SENDO ABANDONADO. TOMARA!

E NÓS, COM NOSSAS FESTAS EM RELAÇÃO AO PRÉ-SAL? SERIA MUITO BEM SE O GOVERNO TEMER - E TAMBÉM OS ANTERIORES - E AS GRANDES EMPRESAS QUE ESTÃO APOSTANDO NESSE NEGÓCIO DEEM COM OS BURROS N´ÁGUA!

REPERCUSSÕES DO ANÚNCIO DE DESINVESTIMENTO
FÓSSIL FEITO PELO FUNDO SOBERANO DA NORUEGA
Em um movimento que vai acabar respingando na Petrobras, o Fundo Soberano da Noruega (US$ 1 trilhão em ativos) solicitou ao governo do país autorização para desinvestir (vender suas ações) de empresas de petróleo e gás. Os gestores do Fundo disseram que querem diversificar seus investimentos. Para o New York Times, isto mostra que “nem o produtor europeu dominante tem plena confiança no futuro do petróleo”.
Como a gestão de ativos na região nórdica é dominada pelo Fundo norueguês, a Bloomberg foi atrás das reações de fundos institucionais da Suécia, Noruega, Dinamarca e Finlândia que, juntos, administram US$ 670 bilhões. Abaixo um pouco do que disseram:
- Sasja Beslik, do Nordea Bank AB, que gerencia US$ 250 bilhões, disse que o Fundo Soberano da Noruega indica claramente “que entramos em um jogo completamente novo", que o movimento define um “momento seminal” e que “em cerca de 10 anos o petróleo e o gás terão sua participação encolhida a um terço das atuais carteiras“;
- Tobias Fransson, do Fourth Swedish National Pension Fund (US$ 40 bi), diz que o Fundo Soberano da Noruega é um "líder do pensamento" e que "é natural" que todos estejam observando seus movimentos;
- Annika Ekman, da Ilmarinen Mutual Pension Insurance Co, disse que o desinvestimento neste setor já está em andamento e que “o investimento no setor não foi particularmente interessante neste ano”;
- O Second Swedish National Pension Fund (US$ 40 bilhões) disse já ter descartado, desde 2013, 80 empresas devido a "riscos financeiros relacionados ao clima”;
- O Ilmarinen (US$ 46 bilhões), disse tentar avaliar "certas megatendências" e que, no setor de energia, “essa análise aponta para as fontes renováveis”;
- O fundo AP4 diz que "os riscos relacionados ao clima serão um motor de retornos a longo prazo".
E por aí vai.
Por que dissemos acima que o movimento vai respingar na Petrobras? Porque o Fundo detém mais de US$ 500 milhões em ações da petrolífera brasileira.

(Climainfo, 23 de novembro de 2017)