quinta-feira, 23 de novembro de 2017

A DIREITA CONSTRÓI A CONVULSÃO SOCIAL E SE PREPARA PARA ELA

DURA, MAS REALISTA, ANÁLISE DO QUE VAI ACONTECENDO E O QUE VAI SENDO ANUNCIADO PELO BRASIL EM RELAÇÃO À MANUTENÇÃO E APROFUNDAMENTO RADICAL DO NEOLIBERALISMO.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Guilherme Carvalho 

https://macareuamazonico.blogspot.com.br/ 

As direitas brasileiras assumiram o protagonismo da luta político-ideológica no nosso país. A bem da verdade esse protagonismo das direitas se dá atualmente em escala global, tendo as esquerdas enormes dificuldades para se contrapor a tal ofensiva de modo também global. É muito importante ressaltarmos esse caráter plural tanto da direita quanto da esquerda. Caso contrário, deixaremos de lado características relevantes de uma e de outra. No Brasil, as direitas se unificaram em torno da derrubada do governo capitaneado pelo PT e contra as políticas que bem ou mal minoraram o terrível quadro de desigualdades sociais que atravessam nosso país, como as cotas raciais e mesmo o Bolsa Família, entre outras, pois o PT não efetivou realmente qualquer mudança estrutural que colocasse em xeque o poder das elites.
Tudo parece indicar que há segmentos ultraconservadores, cujas bases ideológicas são pré-Iluministas, a capitanear a disputa política global e que são profundamente comprometidos com a globalização hegemonizada pelo capital financeiro ao mesmo tempo em que, do ponto de vista social, buscam nos remeter ao século XVIII. Uma tentativa de cruzar elementos dos séculos XXI e XVIII na construção de uma nova (des)ordem social. 
Os pactos que foram construídos historicamente a partir do Iluminismo e que resultaram na Declaração Universal dos Direitos Humanos, na ideia de universalização de direitos, entre outras conquistas, vêm sendo sistematicamente desconstruídos por essa direita. Sua mensagem é clara: Cada um por si, nada de Estado de bem estar social ou algo do tipo, quem quiser algum benefício que busque no mercado. 
Daí a violência dos ataques a qualquer forma de solidariedade ou de políticas públicas includentes. No lugar da solidariedade a adoção de práticas assistencialistas, de preferência de caráter individual e compensatórias. No campo ambiental, nada de amarras legais à livre expropriação de territórios e de seus povos pelos grandes conglomerados econômicos transnacionais; no máximo, medida mitigatórias que em nada diminuem os sofrimentos das pessoas atingidas. No campo político, a "construção de heróis" supostamente capazes de salvar a nós todos de nós mesmos (Sergio Moro, Bolsonaro, Luciano Huck e outros), a partir de pautas calcadas num falso moralismo, sexista, homofóbica, racista, com uso inteligente do medo para angariar simpatia de amplas camadas da população, da promoção de medidas criminosas para a resolução de conflitos (assassinatos, uso da "justiça" para combater adversários (lawfare), perseguição, campanhas de calúnia e destruição de biografias através das redes sociais e mídia corporativa etc.) e de suposta defesa da família para galgar postos de comando no aparelho dos Estados. Tudo para garantir a captura da democracia pelo neoliberalismo e suas corporações. 
É isto o que representa o governo golpista de Michel Temer e seus asseclas. É o governo da cleptocracia[1] a serviço do capital financeiro internacionalSome-se a isto tudo a implementação de uma consistente estratégia voltada à criminalização da política, a sua despolitização, diuturnamente martelada por veículos de comunicação como a Globo e seus pares; a adoção de políticas regressivas capazes de reconduzir milhões de pessoas ao mapa da fome, a pactuação com o crime organizado (em especial o tráfico de drogas) e o desmantelamento do aparelho do Estado.
O conservadorismo aprofunda suas raízes. Evidentemente, tudo isto tende a resultar no recrudescimento dos conflitos em larga escala. As elites não deixarão de ser cobradas. A que ponto e a escala de tais cobranças dependem de muitas condicionantes. Tal como afirmam diversas análises, o Brasil parece ter se convertido num laboratório global de uma nova fase neoliberal, assim como o Chile o foi na década de 1970 antes de Reagan e Thatcher assumirem o comando desse processo. Nossa capacidade resistir e de impor derrotas a este projeto está sendo testada e isto servirá de lição para novos experimentos em outros países. As direitas já deram mostras de que se preparam para a convulsão social. A ditadura é uma escolha plausível para elas, pois não possuem qualquer compromisso com a democracia.

[1] A palavra “cleptocracia” significa “Estado governado por ladrões”, literalmente. O termo se refere a um tipo de governo no qual as decisões são tomadas com extrema parcialidade, indo totalmente ao encontro de interesses pessoais dos detentores do poder político.
Postado por Guilherme Carvalho às 17:16 


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O FAMA SAUDADO PELO POEMA "O FAMA DA ÁGUA"

ESTE POEMA DEVE SERVIR DE INSPIRAÇÃO PARA QUE TODOS OS POETAS E POETIZAS, BEM COMO OS COMPOSITORES/AS POETIZEM E CANTEM A ÁGUA NOSSA DE CADA DIA, AMEAÇADA POR ESSE SISTEMA LOUCO DE APROPRIAÇÃO PRIVADA DE TUDO, DE PRODUTIVISMO E CONSUMISMO QUE NOS DOMINA E NOS CONDENA A VIVER OU MORRER À MÍNGUA DELA.

E POETIZEM E CANTEM O FAMA - FÓRUM ALTERNATIVO MUNDIAL DA ÁGUA - PARA QUE ELE SEJA UM PODEROSO GRITO EM FAVOR DA ÁGUA PARA NÓS, PARA TODOS OS SERES VIVOS E PARA A VIDA DA PACHAMAMA, A MÃE TERRA.

22/11/2017
Poema recitado em Homenagem ao FAMA na Câmara Federal
por: Diretor de Estudos Sócio-econômico do Sindisan, José Rafael Conceição Barros
O FAMA da água
Quem dela não precisa,
Não tem vida, não tem voz.
Mas, aquele que a valoriza
Não põe preço, nem quantifica;
Conscientiza todos nós.
Seu uso de forma consciente
Faz da gente o seu senhor.
Privatizá-la é destruí-la,
Por isso, se a água é vida,
Coloco a minha por penhor.
Água da torneira, um milagre.
Dos rios, alimento e sabedoria
Pelo curso até sua foz.
Ouvir-te, água, é ouvir a verdade
Porque sua claridade
Nos ajuda a desatar os nós.
E agora essa luta travada
Na cidade e também no campo,
E junto ao povo ribeirinho,
Pelo direito à água tratada,
Vejam que nessa batalha
Nós não estamos sozinhos.
Água, em ti vida eu vejo.
Tu és em tudo essencial,
Por isso o coração se inflama.
Que habite em nós este ensejo
De te ver como bem universal.
Façamos sua fama no FAMA.
Água, aonde vou de ti preciso
E agora precisas de mim.
Essa luta carrego no peito
Por isso, vamos nos unir
Até poder garantir
Que a todos sejas um direito.
                       José Rafael Conceição Barros.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

CORRENTINA INSURGENTE: UMA GUERRA DA ÁGUA NO BRASIL

E QUE AS PRÁTICAS DO POVO DE CORRENTINA SE TORNEM ESTÍMULO PARA QUE MAIS E MAIS COMUNIDADES QUE VIVEM AMEAÇAS DE FIM DE ÁGUA PARA VIVER SE MOBILIZEM DE FORMA EFICAZ. TUDO INDICA QUE POUCO OU NADA RESOLVERÁ DEMANDAR DO ESTADO, JÁ QUE ELE ESTÁ CONTROLADO E AGINDO EM FAVOR DOS QUE ESTÃO ACABANDO COM A ÁGUA E A VIDA DA TERRA.

Correntina Insurgente: uma guerra da água no Brasil

Cidade, no extremo oeste baiano, tem pouco mais de 30 mil habitantes. Mais de 10 mil deles saíram às ruas contra a privatização das águas do Rio Arrojado. Mas a história, omitida pela mídia, vai muito além
Vídeo e texto por André Monteiro, no EcoDebate
Insurgência é um filme que proporciona um mergulho de cinco minutos na manifestação do dia 11 de novembro de 2017 em Correntina (BA) contra a omissão do poder público diante da exploração de água pelo agronegócio no oeste baiano.
Em meio às palavras de ordem e cartazes em defesa do Rio Arrojado, do São Francisco e sua bacia e das águas todas, uma grito transborda: “não somos terroristas”. Uma reação à forma como a grande mídia repercutiu o ato da semana anterior que destruiu equipamentos de captação de água e irrigação de duas fazendas na região. Para os manifestantes, não há mais tempo para esperar o Estado agir.
Desde a década de 1970 violações e crimes do agronegócio têm sido denunciados. Em 2000, populares desativaram um canal que pretendia desviar as águas do mesmo rio Arrojado. Manifestações religiosas, como o canto fúnebre das Alimentadeiras de Alma, passaram a ser realizadas para denunciar a morte de nascentes. E romarias com milhares de pessoas vêm sendo feitas em protesto contra a destruição dos Cerrados. Em 2015, um grande ato com seis mil pessoas tentou impedir a outorga de água para as dua fazendas que foram alvo dos protestos recentes. Mas a população foi totalmente ignorada pelo órgão ambiental da Bahia, que autorizou a exploração de 183 mil metros cúbicos/dia.
Este volume de água retirada equivale a mais de 106 milhões de litros diários, suficientes para abastecer por dia mais de 6,6 mil cisternas domésticas de 16.000 litros na região do Semiárido. Agrava-se a situação ao se considerar a crise hídrica do rio São Francisco, quando neste momento a barragem de Sobradinho, considerada o “coração artificial” do Rio, encontra-se com o volume útil de 2,84 %. A água consumida pela população de Correntina aproximadamente 3 milhões de litros por dia, equivale a apenas 2,8% da vazão retirada pela referida fazenda do Rio Arrojado.
Não há ciência no mundo que possa estimar um valor monetário para o Rio Arrojado, e isso o povo de Correntina parece compreender bem e não ficará para história como população conformada ou cúmplice de crimes e violações dessa gravidade.
http://outraspalavras.net/outrasmidias/destaque-outras-midias/correntina-insurgente-uma-guerra-da-agua-no-brasil/  

terça-feira, 21 de novembro de 2017

ONU PROPÕE, AGORA, O CONTROLE DO CAPITAL NEOLIBERAL FINANCEIRO


PARECE ESTRANHO, JÁ QUE SE TRATA DE UMA CRÍTICA DETALHADA DA ESTRATÉGIA PROPOSTA E ATÉ IMPOSTA PELO FMI E BANCO MUNDIAL DURANTE ANOS. ESTRANHO TAMBÉM POR SER APRESENTADA COMO PROPOSTA ORIGINAL, QUANDO NA VERDADE HÁ MUITO ANOS A CRÍTICA TEM SIDO FEITA POR ECONOMISTAS, E ESPECIALMENTE POR PRÁTICAS E PROFECIAS DOS MOVIMENTOS SOCIAIS POPULARES.

DE TODA FORMA, É BOM TERMOS EM MÃO UMA CRÍTICA FEITA PELA UNCTAD, DA ONU, ÀS TEIMOSAS E ANACRÔNICAS POLÍTICAS DO GOVERNO TEMER/MEIRELES. ELA NÃO É FRUTO DE ILUSÕES COMUNISTAS, E SIM O TALVEZ O TARDIO RECONHECIMENTO DO EQUÍVOCO CRIMINOSO DAS POLÍTICAS MUNDIAIS QUE ENTREGARAM AS DECISÕES A UM PUNHADO DE PESSOAS QUE CONCENTRARAM TODA A RIQUEZA QUE PUDERAM, E SE TORNARAM RESPONSÁVEIS POR TUDO QUE ACONTECEU COM PESSOAS E POVOS MANTIDOS NA MISÉRIA.

O CORRETO, SE BASEADO NA JUSTIÇA, SERIA A UNCTAD RECONHECER A RESPONSABILIDADE DA ONU E SUAS INSTITUIÇÕES MULTILATERAIS PELOS CRIMES COMETIDOS PELO CAPITAL FINANCEIRO NESSAS DÉCADAS DE NEOLIBERALISMO CADA DIA MAIS RADICAL. E PROPOR QUE OS SEUS PROMOTORES, GESTORES E SENHORES RESPONDAM PELOS CRIMES DE LESA HUMANIDADE COMETIDOS. 

Proposta da ONU quer conter o poder do grande capital

por Carlos Drummond — publicado 21/11/2017 00h20, última modificação 17/11/2017 16h34
A Unctad propõe um New Deal mundial para lidar com a força das finanças, beneficiárias quase exclusivas do neoliberalismo
Oli Scarff/Getty Images
Lehman Brothers
A crise de 2008 e a demora recorde na recuperação da economia desafiam a agenda neoliberal
Dominante há quase 30 anos, o neoliberalismo não conseguiu cumprir a promessa de prosperidade a partir da ação das forças do mercado sem um controle efetivo pelo Estado, mas foi eficiente na geração de crises e de recordes de desigualdade, endividamento das famílias e queda dos investimentos que assolaram o mundo desenvolvido e as economias em desenvolvimento.
A combinação de políticas de austeridade e controles brandos sobre o sistema financeiro depois do colapso de 2008 piorou o quadro nos dois hemisférios e o impasse persiste, com recuperação fraca e incerta “é a mais lenta entre todas as crises da era moderna” ou, pior que isso, estagnação, quando não recessão, em vários países.

Confiar no funcionamento do mercado sem restrições para uma retomada só agravará o problema, pois a economia mundial está na realidade a anos-luz da liberdade existente nos sonhos neoliberais. O oposto é verdadeiro, pois ela se encontra dominada por um punhado de grandes instituições financeiras e corporações empresariais.
O grupo segue leis próprias e quase não investe nem gera empregos, pois vive principalmente do rentismo, isto é, da obtenção de ganhos proporcionados pela simples propriedade de títulos e patentes, entre outros bens, e de direitos.
Diante do impasse, explicado com abundância de informações no relatório de 2017 da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad), a instituição propôs aos 193 países integrantes da ONU um acordo mundial para a recuperação da economia e das sociedades assoladas pela crise crônica.
No documento intitulado Beyond Austerity: Towards a Global New Deal (Além da Austeridade: Rumo a um New Deal Global), divulgado em setembro, a instituição postula uma mudança de lógica.
“A agenda neoliberal foi desafiada nos últimos anos. A crise financeira de 2008 foi o desafio mais óbvio, mas também a fraqueza da recuperação pós-crise. Mas você só pode avançar se tiver uma narrativa alternativa. É trabalho de uma instituição como a Unctad elaborar uma agenda alternativa para os formuladores de políticas em nível nacional”, analisou Richard Kozul-Wright, diretor da Divisão de Estratégias de Globalização e Desenvolvimento, no lançamento do trabalho.

O New Deal inspirador da proposta é o mais famoso e bem-sucedido esforço de uma sociedade para se recuperar de uma crise, no caso a Grande Depressão dos anos 1930 nos Estados Unidos. Proposto e liderado pelo presidente Franklin Delano Roosevelt, reformulou a relação entre a economia, a sociedade, as instituições e os seus cidadãos e influenciou o resto do mundo.
“Muitos dos desequilíbrios e desafios da década de 1930 têm seus análogos em desequilíbrios e desafios hoje”, compara Kozul-Wright. “Insistir no caminho atual só aumentará as dificuldades, pois, mesmo quando um país consegue crescer através de um aumento do consumo doméstico, de um boom imobiliário ou de exportações, os ganhos são desproporcionalmente acumulados por uns poucos privilegiados. Ao mesmo tempo, uma combinação de muita dívida e pouca demanda em nível global dificulta a expansão.”
Apesar disso, as elites políticas mostram-se inflexíveis ao insistir que não há alternativa, ecoando o slogan de Margaret Thatcher nos anos 1980.

A ameaça real agora, diz o texto, é a perda da confiança subjacente, da coesão e do senso de justiça, dos quais os mercados dependem para funcionar efetivamente. Sem esforços significativos, sustentáveis ​​e coordenados para reativar a demanda global, reunindo investimentos privados e públicos e aumentando os salários, a economia estará condenada ao crescimento lento ou pior que isso.

“As finanças, que ganharam a liderança na elaboração das políticas, seguiram a ideia de que o governo não é a solução, mas o problema. A desregulamentação, a privatização e a liberalização foram convertidas em mantra político abrangente do mundo hiperglobalizado e, quando as coisas dão errado, como inevitavelmente ocorre, a resposta macroeconômica é sempre cortar – para reduzir os gastos do governo, restringir os serviços sociais e reprimir os salários, mesmo quando a fonte do problema não são gastos dessa natureza. Vimos isso de novo desde a crise de 2008, particularmente nas economias avançadas. E não funcionou. A desigualdade continuou a aumentar”, chama atenção Kozul-Wright.
No mundo atual de finanças conectadas e fronteiras econômicas liberalizadas, nenhum país pode se recuperar por conta própria sem correr riscos de fuga de capitais, colapso cambial e ameaça de uma espiral deflacionária. “O que é necessário é uma estratégia de expansão globalmente coordenada, liderada pelo aumento das despesas públicas, com a possibilidade de todos os países se beneficiarem de um impulso simultâneo a mercados internos e externos”, analisa a Unctad.

O encaminhamento indicado diminuiria o espaço para a próxima recuperação vir a reforçar os abismos estruturais e tecnológicos entre os países, através de termos desiguais de troca, perpetuando assim o subdesenvolvimento no Hemisfério Sul e aumentando a prosperidade no Hemisfério Norte, uma tendência crônica estudada em profundidade pelo economista argentino Raúl Prebisch, o primeiro secretário-geral da Unctad.

À medida que seu status e influência política aumentaram, os financistas promoveram uma cultura de naturalização do seu poder que transitou da justificativa para a celebração das extravagantes remunerações e extração de renda, acusa o relatório.
“Como Keynes reconheceu na sua experiência no período anterior à Grande Depressão do início dos anos 1930, a tendência para uma maior diferença de renda devido ao livre jogo das forças do mercado, combinada à maior propensão à poupança das classes mais ricas, tem seus limites na insuficiência da demanda (subconsumo) e no jogo financeiro excessivo que favorece as atividades de curto prazo, de especulação e de extração de renda em prejuízo dos investimentos produtivos de longo prazo".
E continua, "além disso, como imaginado mais tarde pelo economista Hyman Minsky, enquanto essas condições podem levar a períodos de prosperidade e (aparente) tranquilidade, um ritmo acelerado de inovação financeira encoraja decisões de investimento ainda mais imprudentes. O resultado é um sistema econômico global cada vez mais polarizado e frágil, em que a instabilidade alimenta e conduz às vulnerabilidades e aos choques.”
Desde o início da hiperglobalização, as finanças tendem a gerar enormes recompensas privadas absurdamente desproporcionais em relação aos seus retornos sociais. Grande parte dessas recompensas é proporcionada pelo rentismo, que é a obtenção de renda a partir unicamente da propriedade e controle de ativos ou de uma posição de mercado dominante, em vez de atividade empresarial inovadora ou implantação produtiva de um recurso escasso.

Os rentistas mais conhecidos são os proprietários de ativos financeiros “títulos do governo, letras financeiras ou imobiliárias e certificados de depósitos, entre outros”, e recebedores dos respectivos juros. As corporações não financeiras também se tornaram, entretanto, adeptas de estratégias rentistas para reforçar seus lucros e aumentar seu poder.
Capturam a renda através de uma série de mecanismos não financeiros, como o uso sistemático de direitos de propriedade intelectual (IPR, na sigla em inglês) para deter rivais. Outro caminho é a predação do setor público, incluindo privatizações em grande escala “que simplesmente transferem recursos de contribuintes para executivos e acionistas” e a concessão de subsídios para grandes corporações, muitas vezes sem resultados tangíveis em termos de aumento da eficiência econômica ou outros ganhos.
Vários casos envolvem, ainda, comportamento fraudulento ou próximo disso, incluindo evasão e elisão de impostos e ampla manipulação do mercado pelos executivos das corporações líderes, visando o seu próprio enriquecimento.

Uma medida aproximada do rentismo é a estimativa, por setor, do “excesso” de lucros corporativos que se desviam dos lucros “típicos”. Sob esse critério, constata-se que os lucros excedentes aumentaram acentuadamente nas últimas duas décadas, passando de 4% dos lucros totais entre 1995 e 2000 para 23% de 2009 a 2015. No caso das 100 maiores empresas, essa participação aumentou de 16% para 40%.
Na Grande Depressão dos anos 1930, barracos surgiam da noite para o dia no Central Park, coração de Nova York (Foto: Max Whittaker/Reuters)
Sob o lobby intenso e a neutralização da regulação promovidos pelas grandes corporações, o alcance e a vida das patentes de sua propriedade foram amplamente expandidos e a proteção proporcionada por esse instrumento foi estendida a novas atividades que anteriormente não eram consideradas áreas de inovação tecnológica, como finanças e métodos de negócios.
As patentes estão sendo concedidas agora também para “inovações” nos métodos de finanças, no comércio eletrônico e no marketing, que não estão ligados a nenhum produto ou processo tecnológico particular, mas envolvem processamento de dados e informações em uma forma puramente eletrônica.

O uso estratégico, em vez do produtivo, das IPR para aumentar os lucros excedentes e manter os rivais à margem tornou-se um modus operandi básico do rentismo. A utilização excessiva de proteção de patentes pelas empresas multinacionais afeta diretamente a dinâmica da inovação em grandes economias emergentes, como Brasil, China e Índia, alerta a Unctad.
“Nas últimas décadas, o aumento acentuado das vendas por afiliadas de corporações dos Estados Unidos de bens de tecnologia relativamente sofisticada (de informação e comunicação, de produtos químicos e de produtos farmacêuticos) nesses três países geralmente foi intimamente associado à forte expansão da proteção de suas patentes”, constatou a instituição.
Com a Grande Recessão de 2008, acampamentos de desempregados proliferaram em Sacramento e inúmeras outras cidades dos Estados Unidos (Foto: Tim Gidal/Getty Images)
Os autores do relatório tiveram o cuidado de não sugerir a transposição pura e simples de soluções do New Deal deslocadas do seu contexto histórico, mas preservaram seus aspectos transcendentes. O pacto abrangente lançado nos Estados Unidos na década de 1930 e replicado em outros lugares do mundo industrializado, particularmente após o fim da Segunda Guerra Mundial, estabeleceu um novo caminho de desenvolvimento que se concentrou em três grandes elementos estratégicos: recuperação, regulamentação e redistribuição.

“Embora esses componentes envolvessem objetivos políticos específicos adaptados a circunstâncias econômicas e políticas particulares, eles criaram emprego, expandiram o espaço fiscal e domesticaram as finanças, uma via comum para o sucesso ao longo desse novo caminho.
Construir um New Deal hoje implicaria recorrer a esses mesmos componentes e, como antes, os Estados precisam de espaço para adaptar políticas fiscais e outras políticas públicas proativas para impulsionar o investimento e elevar os padrões de vida, apoiados por estratégias reguladoras e redistributivas que ataquem o triplo desafio da grande desigualdade, das pressões demográficas e dos problemas ambientais”, explica o trabalho.

Segundo o texto, os desafios específicos da desigualdade e da insegurança no século XXI não serão enfrentados por países que tentam se isolar  das forças da economia global, mas por meio da elevação, quando apropriado, de alguns dos elementos do New Deal de Roosevelt a um nível global consistente com o mundo interdependente de hoje.
O novo acordo deve incluir, segundo a Unctad, o fim da austeridade, o aumento do investimento público com uma forte dimensão social “inclusive com grandes programas de obras públicas” e o aumento da receita do governo. Esta é a chave para o financiamento de um novo acordo global. Uma maior dependência de impostos progressivos, até mesmo sobre propriedades e outras formas de obtenção de renda, poderia ajudar a resolver as disparidades de renda.
A reversão do declínio nas taxas de impostos sobre as empresas deve ser também considerada, mas isso pode ser menos importante do que combater as isenções fiscais e as lacunas e o abuso corporativo de subsídios, inclusive aqueles usados para atrair ou reter investimentos estrangeiros.

Um ponto essencial é colocar um fim no uso dos paraísos fiscais, com auxílio de um controle global que registre todos os proprietários de ativos financeiros. Assim como no New Deal dos EUA, o trabalhador organizado deve ter uma voz mais forte para possibilitar que os salários acompanhem a produtividade.
É indispensável domar o capital financeiro e aumentar significativamente os recursos financeiros multilaterais. Coibir o rentismo é um elemento-chave do New Deal global.

Antes de se posicionarem em relação à proposta da Unctad, políticos e empresários deveriam levar em conta este alerta pragmático da instituição: “Nenhuma ordem social ou econômica é segura se não conseguir uma distribuição justa de seus benefícios nos bons tempos e dos custos em períodos ruins”.

https://www.cartacapital.com.br/revista/978/proposta-da-onu-quer-conter-o-poder-do-grande-capital?utm_campaign=newsletter_rd_-_21112017&utm_medium=email&utm_source=RD+Station 

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

CARTA DO FMCJS E MEB SOBRE A ÁGUA

LEIAM E DIVULGUEM AO MÁXIMO A CARTA DO SEMINÁRIO "A ÁGUA NA PERSPECTIVA DO BEM VIVER". PRECISAMOS SOMAR TODAS AS FORÇAS POSSÍVEIS PARA ENFRENTAR OS DRAMAS VIVIDOS EM RELAÇÃO À ÁGUA, E PREPARAR-NOS BEM PARA O FAMA - FÓRUM ALTERNATIVO MUNDIAL DA ÁGUA, EM MARÇO DE 2018.

LEIAM E DIVULGUEM TAMBÉM A MOÇÃO DE APOIO ÀS AÇÕES DO POVO DE CORRENTINA, BA, PARA SALVAR O SEU RIO, MORTALMENTE AMEAÇADO PELAS ABSURDAS AGRESSÕES DE EMPRESAS DE AGRONEGÓCIO.

ÁGUA, MÃE DA VIDA, NÃO PODE SER PRIVATIZADA!

 
No encerramento do Seminário Nacional A Água na Perspectiva do Bem Viver, realizado pelo Fórum Nacional de Mudanças Climáticas e Justiça Social (FMCJS) e Movimento Educação de Base em Brasília (16 a 18/11/2017), setenta representantes de cinquenta movimentos e entidades sociais e populares aprovaram documentos importantes norteadores das ações do FMCJS em 2018, baseadas no seu lema, “Em Defesa da Vida”.
O evento abordou a luta dos atingidos pelos desastres climáticos e os prejuízos socioambientais causados por grandes empreendimentos, em especial o agro e o hidronegócio. Exemplos diversos destacaram experiências exitosas da coleta da água de chuva para beber e produzir, além do seu reuso no Semiárido, e a importância da relação inseparável entre a Amazônia e o Cerrado para abastecer o Brasil e o resto da América Latina.
As entidades do FMCJS aprovaram a carta do evento e uma Moção de Apoio a população de Correntina/BA, diante do conflito hÍdrico pela água no Cerrado oeste da Bahia. Os documentos  estão reproduzidos abaixo.

A  ÁGUA MÃE DA VIDA, NÃO PODE SER PRIVATIZADA!
CARTA DOFÓRUM DE MUDANÇAS CLIMÁTICAS
E JUSTIÇA SOCIAL E DO
 MOVIMENTO DE EDUCAÇÃO DE BASE
Nós, participantes do Seminário “A ÁGUA NA PERSPECTIVA DO BEM VIVER”, vindos de diversos movimentos sociais e populares de todos os biomas do Brasil, afirmamos que a água é um bem comum. Não pode ser privatizada! “O acesso à água potável e segura é um direito humano essencial, fundamental e universal” (Papa Francisco).
Inspirados pelos povos originários, de quem aprendemos a viver duravelmente em feliz harmonia com a Natureza, abraçamos o Bem Viver como modo de vida em que as condições de existência digna e o poder de tomar decisões são compartilhadas de forma equitativa e satisfatória para cada pessoa e toda a comunidade. O Bem Viver promove e protege as liberdades públicas e individuais exercidas de forma democrática, ética e respeitosa da diversidade humana e da natureza. Um jeito de conviver completamente diferente deste modo que nos é imposto pelos nossos opressores.
A água como bem comum promove a vida e o Bem Viver. A água como mercadoria concentra lucros e promove carência, doença e morte. As mudanças climáticas alteram o ciclo da água e contribuem para reduzir a sua disponibilidade. Temperaturas mais altas aceleram a evaporação e a evapotranspiração, tornando as secas mais severas. As tempestades também se tornam mais intensas e grandes enchentes ceifam vidas, devastam solos e plantações, e comprometem o abastecimento de água. É o caso das enchentes destruidoras na Serra dos Órgãos, RJ, no Rio Madeira (RO), em Itajaí, SC, o Furacão Matthew no Haiti e, o mais recente Furacão Maria em Porto Rico. A elevação do nível do mar, também associada ao aquecimento global desaloja comunidades litorâneas e compromete a qualidade do lençol freático nas zonas costeiras via intrusão salina. Sem uma radical mudança de curso, reservatórios secos, rios assoreados, poluídos e mortos, nascentes desmatadas e degradadas, e água subterrânea salinizada privarão até bilhões de pessoas do direito à água. Este quadro se agrava a cada décimo de grau de aumento da temperatura média da Terra.
Além dos fatores climáticos, atividades humanas típicas do “desenvolvimento” privatista e crescimentista (crescimento quantitativo, em vez de desenvolvimento qualitativo) utilizam em excesso, intoxicam e poluem as águas. A expansão monopólica dos bancos privados na financeirização e no controle de ativos das empresas, o agronegócio, a mineração, a indústria e a infraestrutura energética (hídrica, termo e nuclear), voltados para os lucros e não para o atendimento das necessidades humanas, consomem água intensivamente e geram contaminantes tóxicos e venenosos, causando a morte de habitats, o biocídio e o hidrocídio. É o caso do crime ambiental da Samarco/Vale/BHP na Bacia do Rio Doce, do colapso da Bacia do São Francisco e de afluentes do Amazonas, como o Xingu, com a usina de Belo Monte, o Tocantins (cuja perversa transposição já foi aprovada em lei), o Araguaia e os rios do Cerrado. É o caso da crescente contaminação do Aquífero Guarani e sua entrega ao capital internacional. É o caso da seca que já dura sete anos no Semiárido, bioma vitimado por crescente desertificação. Urbanização e turismo predatórios, especulação imobiliária, grande indústria e megaeventos afetam o ciclo das águas nas cidades, desperdiçam a água das chuvas com a impermeabilização do solo, transporte de esgotos e outros resíduos tóxicos. Megaprojetos limitam o acesso das populações à água, reduzem ou eliminam os territórios pesqueiros,  privatizam, poluem os lençois freáticos e salinizam as águas. 
Esse quadro deveria impor à humanidade uma postura de cuidado e prudência na utilização desse bem comum. Mas na contramão, a demanda de água doce não para de crescer: a maior parte dos rios foi barrada e a maioria dos aquíferos estão rebaixando. Estima-se que dos 4000 km3 de água doce que circulam pelo ciclo hidrológico, pelo menos 2600 km3 já são usados por atividades humanas, de modo brutalmente desigual. Dados da FAO indicam que 70% vão para a agricultura irrigada, como as monoculturas do agronegócio e outros setores que contribuem com o aquecimento global via desmatamento e emissões de metano, como a pecuária. 19% vão para indústrias hidrointensivas, como usinas nucleares, e grandes emissoras de CO2 como termelétricas, siderúrgicas e refinarias de petróleo.
Diante deste quadro desumano de destruição, privação de direitos das populações e crescente privatização do controle das águas, governantes, grandes empresários e banqueiros têm apresentado falsas soluções, que mascaram sua responsabilidade pelo problema. O Fórum Mundial da Água (FMA) marcado para 2018, em Brasília, congrega tais agentes e não oferece soluções efetivas nem para a crise hídrica, nem para as mudanças climáticas. Não nos representam!
Há resistência! Setores populares, comunidades tradicionais e povos indígenas enfrentam os agentes dessa devastação e oferecem alternativas concretas de conservação dos biomas, reflorestamento, recuperação de áreas, produção de alimentos com agroflorestas, tratamento de resíduos, manejo sustentável dos mananciais, etc. São exemplos de combate heroico aos ataques do capital à biodiversidade, ao ambiente e à água, apoiado pelo Estado: os Munduruku e seus vizinhos ribeirinhos, na defesa do Tapajós; comunidades de Correntina e da Bacia do Paraguaçu (BA) contra o agro e hidronegócio; os quilombolas do Rio dos Macacos pelo acesso à água em Salvador (BA); populações do entorno do Cauipe/Pecém (CE), Porto do Suape (PE), ThyssenKrupp/Vale, Guapiaçu, Porto do Açu (RJ) e Piquiá de Baixo (MA) contra grandes complexos industriais; comunidades de Santa Quitéria (CE) e Caetité (BA) contra a expansão da mineração de urânio.
Os desastres do caos climático, colapso hídrico e destruição ecológica são provocados pelo sistema de “livre” mercado, com sua ideologia do crescimento econômico ilimitado; pela empresa privada, como principal agente da atividade econômica; pela financeirização da Natureza; pela loucura do desgaste planejado de produtos e a completa irracionalidade da concentração crescente da riqueza e da renda, assim como da cultura de hiperprodução, hiperconsumo e descarte. O atual modelo de “desenvolvimento” elimina as garantias de vida das populações atuais e futuras. O povo sabe que precisa de um modo de convivência que promova o Bem Viver e aponte para a Terra Sem Males. Este processo será construído democraticamente desde as comunidades autogestionárias até o nível nacional e além.
Nessa perspectiva, o FMCJS e o MEB estarão atuando junto a Movimentos Sociais do Brasil e outros países em Brasília durante o FAMA – Fórum Alternativo Mundial da Água, na luta contra a farsa ambiental do FMA. Essa nova visão de desenvolvimento que nos propõe o Bem Viver nos inspira a continuar atuando em defesa da democracia plena, contra a privatização da água e pela soberania territorial, alimentar, genética, hídrica e energética.
Brasília, 16 a 18 de novembro de 2017
Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social
Movimento Educação de Base
Ceará no Clima
Cáritas Brasileira Regional-SC
SARES
Cáritas Brasileira Regional -MG
International Rivers
Centro de Defesa dos Direitos Humanos de Petrópolis
FASE
ASA BRASIL
Conselho Pastoral dos Pescadores
Cáritas Diocesana Macapá
Alternativa para Pequena Agricultura no Tocantins
FETAG-PI
Cáritas Brasileira Regional -PI
Rede de Educação Ambiental e Justiça Climática
Comitê em Defesa do Igarapé do Urumarí
Centro Burnie Fé e Justiça
Instituto Madeira Vivo
Rede Manguemar - RN
Cáritas Brasileira
Cáritas Diocesana de Pesqueira
Cáritas Diocesana de Caetité
Jubileu Sul
Frente por Uma Nova Política Energética para o Brasil
Cáritas Brasileira Regional -PR
Fundação Luterana de Diaconia
Comitê de Energias Renováveis do Semiárido
Movimento Roessler para Defesa Ambiental
Rede Guarani/Serra Geral-SC
Cáritas Brasileira Regional - MG
Cáritas Diocesana de Palmeira dos Índios
Políticas Alternativas para o Cone Sul
Conselho Indigenista Missionário
IBASE
Comitê de Bacia Hidrográfica do Rio Apodi - Mossoró/UERN
Serviço Pastoral dos Migrantes
Movimento dos Pequenos Agricultores
MONADES
Projeto Arborize
CAIS
Articulação Antinuclear Brasileira
Movimento Paulo Jackson - Ética, Justiça, Cidadania
Cáritas Arquidiocesana de Brasília
Instituto PanAmericano do Ambiente e Sustentabilidade
Movimento dos Trabalhadores do Campo
Instituto Sumaúma
Instituto EcoVida
ONG Oceânica - Pesquisa, educação e conservação
Ação Social de Patos - PB


MOÇÃO DE APOIO A POPULAÇÃO DE CORRENTINA/BA,
DIANTE DO CONFLITO HIDRICO PELA ÁGUA NO CERRADO OESTE DA BAHIA
Nós participantes do Seminário Nacional “A Água na Perspectiva do Bem Viver”, do Fórum de Mudanças Climáticas e Justiça Social 2017 e Movimento de Educação de Base - MEB, realizado na cidade de Brasília/DF entre 16 e 18 de novembro de 2017, nos solidarizamos e manifestamos apoio a população de Correntina/BA.
Considerando suas lutas de resistência:
- O evento ocorrido no último dia 02 de novembro de 2017, nas fazendas Igarashi e Curitiba do município de Correntina Bahia – Brasil;
- A manifestação popular em defesa da Bacia do Rio Correntes, em função do modelo de produção que tem colocado em risco os recursos hídricos e a população;
- A criação do Fórum Permanente de Defesa do Meio Ambiente do povo de Correntina;
- Decreto do povo Correntino: O poder popular em ação para proteger a humanidade e a natureza.
Reafirmamos a necessidade de chamar a atenção da sociedade civil e autoridades públicas para as contradições do atual modelo de desenvolvimento em curso, que de fato tem sido razão dos conflitos na região e que uma leitura meramente criminal desses conflitos não contribui para superar a grave crise hidro-social que a região vive, sofrida, sobretudo por suas populações camponesas, ribeirinhas, indígenas e quilombolas e pobres urbanos.
Brasília/DF 18 de novembro de 2017
(Seguem as assinaturas das entidades participantes do seminário)