segunda-feira, 6 de março de 2017

TRANSPOSIÇÃO DO SÃO FRANCISCO: A HORA DA VERDADE

Transposição, a hora da verdade.
Roberto Malvezzi (Gogó)
Há uma certa euforia a respeito da reta final da Transposição de águas do São Francisco para o chamado Nordeste Setentrional. Elio Gaspari, na Folha de São Paulo, disse que a “Transposição de Lula é um sucesso”. É compreensível também a euforia da população receptora. Nós aqui, que somos obrigados a olhar a floresta e não só a árvore, mantemos nosso olhar crítico sobre essa obra.
Em primeiro, a água ainda não transpôs o divisor e não chegou aos estados do Setentrional, mas permanece nas barragens do Pernambuco. Houve vazamento na barragem de Sertânia e o município foi obrigado a remover 60 famílias atingidas pelo vazamento. Houve morte de pequenos animais e destruição de bens familiares.
Segundo, permanecem as encruzilhadas da obra que sempre chamamos a atenção: essa água transposta será para o povo necessitado dos estados receptores ou para o agro-hidronegócio e indústria? Dilma já disse que para real posto nos grandes canais, serão necessários dois reais para fazer as adutoras que, de fato, levarão a água aos municípios.
Essa é a primeira diferença entre o projeto de várias adutoras – que defendíamos – e a mega obra da Transposição. Se a opção fosse pelas primeiras, a água já teria ido direto – por tubulação simples - para os serviços municipais de água e estariam dispensados os grandes canais. A opção foi pela grande obra. Talvez hoje, depois da Lava-Jato, fique mais claro o porquê.
Acontece que o cenário político mudou. Se Lula-Dilma tinham interesse em fazer as adutoras a partir dos grandes canais, o atual governo pretende criar o maior mercado de águas do mundo, privatizar as águas da Transposição – que significa também privatizar a água de chuva já acumulada nos reservatórios do Setentrional – e não demonstra interesse algum em fazer sua distribuição.
Por último, a revitalização do São Francisco. Lula-Dilma diziam que iriam fazer a revitalização do São Francisco simultaneamente à grande obra da Transposição. O único investimento que deu resultado foi o saneamento, embora ainda inconcluso e desperdiçando obras iniciadas como as estações de tratamento de Pilão Arcado e as adutoras em Remanso. Aqui em Juazeiro o saneamento avançou.
Essa iniciativa é positiva, mas insuficiente. Sem atacar as causas de destruição do São Francisco, que abrange toda sua bacia, mas principalmente a devastação do Cerrado, não haverá São Francisco em breve tempo.
Hoje, o São Francisco está com uma vazão de 750 m3/s, quando nos garantiam que a partir de Sobradinho sempre seria de 1800 m3/s.. Portanto, hoje o volume de água é 1/3 do que os técnicos previam para garantir a água da Transposição.
Sobradinho – a caixa d’água que garante o fluxo abaixo - está com 11% de sua capacidade. O período chuvoso está terminando e todos os usos na bacia, a não ser por um milagre da natureza, estarão comprometidos.
Hoje o mar avança de 30 a 50 km São Francisco adentro, salgando as águas que abastecem a população ribeirinha de Sergipe e Alagoas. Se continuar nesse ritmo, em breve comprometerá a adutora que abastece Aracaju. O rio perdeu força, o mar avança.
O que tem salvado a população nordestina nesses 6 anos de seca foi a malha de pequenas obras hídricas, como as cisternas. Com essas tecnologias e outras políticas sociais vencemos a fome, a sede, a miséria, a migração, os saques e a mortalidade infantil. O IDH subiu em toda a região e o crescimento foi visível em relação a outras regiões do Brasil. Logo, não foi a grande obra. O paradigma da convivência com o Semiárido mostrou-se eficaz, enquanto o paradigma do combate à seca só encheu as burras dos coronéis.
Portanto, olhando a árvore o sucesso da Transposição está garantido, olhando a floresta os problemas continuam e se acumulam.
OBS: A intenção de Temer e Alckmin de tirar uma lasquinha na inauguração da Transposição excede todo ridículo.



terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

SEM DIREITO À AGUA NÃO HÁ OUTROS DIREITOS

Participei, nos dias 23 e 24, do Seminário Internacional sobre O Direito Humano à Água, iniciativa de uma instituição argentina que promove o Diálogo e a Cultura do Encontro e realizado na Pontifícia Academia de Ciências do Vaticano. Contamos com a presença do Papa Francisco, que destacou: a água é o início de todas as formas de vida, e por isso, sem a garantia do direito à água não há outros direitos. E é inaceitável que mil crianças morram todos os dias por causa da falta ou da má qualidade da água, e que milhões de pessoas não tenham acesso a água tratada.

A presença de trabalhadores ligados à distribuição de água e ao saneamento fez que ligasse este trabalho com a necessária luta para que todos os países reconheçam a água como um bem comum e um direito para todas as pessoas e para a Terra.

Foi dedicado um tempo especial à Amazônia. Com a contribuição de pessoas da Rede Eclesial Panamazônica e outras iniciativas, ficou clara a necessidade da preservação da floresta amazônica existente e sua recriação nas áreas desmatadas para que as demais regiões do Brasil e da América do Sul contem com os rios voadores gerados neste bioma para receberem a umidade que garante as chuvas, isto é, a água para todos os seres vivos. 

Para os participantes brasileiros, foram dois dias de reflexão sobre a temática da Campanha da Fraternidade, que será iniciada no dia 1º de março. De fato, para que cultivemos e guardemos a Criação, precisamos dar-nos conta da ligação entre os biomas brasileiros e a defesa da vida. Seguindo o exemplo de São Francisco, dos povos indígenas e do Papa Francisco, precisamos aprender a amar todos os seres que constituem cada um dos seis diferentes berços de vida, os biomas, como nossos irmãos. A água é um dos seres indispensáveis para a vida, e por isso é preciso cultivar e guardar o que Deus criou, junto com a Terra, para que ela não falte para ninguém. E esse cuidado será diferente em cada bioma, já que, por exemplo, os desafios para garantir água na Caatinga semiárida são muito diferentes dos enfrentados na Amazônia.

Por isso, em defesa da vida da Terra e de todos os seres vivos, procuremos conhecer e escutar a voz de Deus que nos fala e convida a mudar nosso jeito de viver e conviver com cada um dos nossos biomas, e a apoiar o que os irmãos e irmãs estão fazendo nos seus biomas.

           Ivo Poletto, do FMCJS  


NOSSA SENHORA DAS GROTAS E APARECIDA NO SAMBA

Nossa Senhora das Grotas e Aparecida no samba.
Roberto Malvezzi (Gogó)
O sagrado e o profano não têm distinção no meio do povo. Conforme a famosa frase de Moraes Moreira “sagrado e profano o baiano é carnaval”. O que interessa é a festa. Os demais elementos vêm como auxiliares, inclusive se o enredo for sobre Nossa Senhora Aparecida ou Nossa Senhora das Grotas abrindo o desfile de Grande Rio em homenagem à Ivete Sangalo.
Mas, observando mais fundo, há elementos arquetípicos nessas Marias bem brasileiras. Eu conheço bem ambas, por ter estudado em Aparecida e por morar em Juazeiro, onde Nossa Senhora das Grotas é padroeira. Viajando o Brasil, acabei fazendo um CD chamado “Maria e Ecologia”.
Um detalhe, Nossa Senhora das Grotas é mais antiga que Nossa Senhora Aparecida. Encontrada em 1707 nas grotas do Rio São Francisco por um índio, que a entregou a um vaqueiro e esse a entregou ao missionário que pregava nos sertões. A festa de 300 anos dessa Maria foi em 2007.
A homenagem à Ivete levou para a avenida não só Nossa Senhora, mas as lendas e mitos do São Francisco, como o Nego D’Água – estranho, de amarelo -, a Mãe D’Água, as carrancas e até a serpente que está presa por três fios de cabelos de Nossa Senhora na Ilha do Fogo, que está justamente entre Juazeiro e Petrolina.
Já Nossa Senhora Aparecida, encontrada no rio Paraíba, completa 300 anos de sua história agora em 2017. O carnavalesco viu aí um tema importante para grande parte do povo brasileiro e fez dele um carnaval.
Entretanto, hoje o rio São Francisco é um fiapo de água e o rio Paraíba um esgoto a céu aberto. Pescadores e índios não encontrariam mais a Aparecida em suas redes, simplesmente porque nem é possível mais pescar naquelas águas. Nossos índios do São Francisco não têm muito mais que fazer procurando peixes nas grotas – buracos nas pedras – do rio São Francisco.
Aí que a figura arquetípica de Maria, encontrada sempre em rios, por pessoas simples como pescadores, índios, caboclos, vaqueiros, etc., mostra seu lado evangelizador e ecológico.
Nessa Campanha da Fraternidade de 2017, comemorando os 300 anos de Aparecida, que a Senhora das Grotas, de Aparecida, do Círio de Nazaré (encontrada num igarapé) e tantas outras manifestações marianas, nos ajudem a cuidar de nossos biomas, sem os quais não teremos mais rios.

OBS: Tenho uma música contando a história de Aparecida e outra contando a história de N. S. das Grotas. Seguem os links abaixo para os interessados.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

10 COISAS A SABER ANTES DE COMEÇAR HORTA URBANA


10 COISAS QUE VOCÊ PRECISA SABER ANTES DE COMEÇAR UMA HORTA


Ao longo desses quase 10 anos trabalhando com agricultura urbana, conheci pessoas que traziam as mais variadas motivações para se cultivar uma horta: saúde, ecologia, organização comunitária, razões políticas, econômicas, ambientais, e um grande etcétera.
E realmente: horta é tudo isso e um pouco mais. Desconheço outras práticas que sejam tão agregadoras, plurais e transversais como a agricultura, principalmente a urbana, orgânica e em grupo.
Felizmente, cada vez mais pessoas tem nos procurado pedindo orientações de como começar uma horta nas mais distintas condições. Por conta disso, resolvi fazer esse pequeno texto com orientações básicas e iniciais para quem se interessar pelo assunto. Obviamente não se trata de um manual, mas de questões a serem consideradas e indicações de aprofundamento.
1) COMO COMEÇAR?
item 1 planejando
Em geral, estudando e acompanhando quem já faz. Não existe caminho mais seguro que a observação. Se você quer começar uma horta, minha primeira dica é: procure alguém que tenha uma, vá até essa pessoa e converse. Observe como ela trabalha, quais são os desafios, as tarefas e os principais procedimentos. E disponha-se a ajudar. O voluntariado é uma das principais e mais sólidas portas de entrada nesse universo! Depois de estudar e observar, ponha-se a planejar a sua própria horta, de acordo com o espaço e as condições que tiver à disposição. Desenhe, escreva e pesquise: com essas três atitudes, suas chances de sucesso aumentam demais!
2) QUAL ESPAÇO PRECISO TER?
item 2 - horta pequena
Qualquer um. Uma horta pode ser um conjunto de vasos em uma sacada, um terreno de 100 m² ou dois hectares cultivados. Em se tratando de horta, tamanho não é documento. No entanto, seja qual for o tamanho disponível para começar, o espaço precisa atender a algumas condições básicas: é preciso que haja insolação direta (ainda que em apenas uma parte do dia), que exista solo ou substrato (seja em um vaso, canteiro ou cano para aquaponia), e que se tenha água a disposição. Ar também é um requisito, mas achei que era óbvio demais pra precisar citar (em outras palavras, não faça experiências de produção vegetal no vácuo, rs).
3) O QUE PLANTAR?
item 3 consorciação
Existem inúmeros métodos de plantio, mas vou te contar uma máxima da biologia: quanto mais vida, mais vida. Em outras palavras, prefira os métodos de plantio que agreguem a maior biodiversidade possível à sua horta. Quanto mais vida no solo, no ar e nas plantas, mais resistentes e saudáveis elas serão. Quando for iniciar um plantio você deve primeiro observar ao redor: quais são as plantas presentes na sua região? As mais resistentes, mais adaptadas? A horta não irá produzir tudo o que queremos, mas aquilo que as condições dadas permitirem que seja produzido. É preciso estudar o clima e as características gerais da sua região para escolher os melhores cultivos. Não adianta plantar 100 pés de mamão formosa em uma região fria, alta e montanhosa, pois o fruto não irá se desenvolver adequadamente. Além disso, as plantas interagem entre si, química e fisicamente, por isso, quando colocadas em locais próximos, precisamos conhecer um pouco de sua fisiologia e observar como reagem. O plantio pode ser feito através de mudas, sementes, estacas e pedaços de outras plantas: cada uma tem seu processo reprodutivo e o método de plantio recomendado. Em resumo: o que você irá plantar, depende da área que tem à disposição e das condições climáticas e estruturais. No máximo com 3 ou 4 dias de estudo você já estará pronto para fazer algumas escolhas. E lembre-se: nada melhor do que a prática – tentativa e erro 😉
4) E AS SEMENTES? AS MUDAS?
item 4 sementes
Como falei, cada tipo de planta exige um método de plantio, que, em termos gerais, pode ser direto (através de sementes) ou por mudas já crescidas. Em geral, raízes como cenoura e rabanete, que não gostam de ser movimentadas uma vez germinadas, devem ser plantadas direto no solo, usando sementes. Já algumas folhosas e solanáceas (como tomate ou pimentão), preferem que se faça a muda em local reservado para, posteriormente, organizá-las nos canteiros ou vasos maiores. Um pouco de estudo irá te mostrar sobre a preferência de cada uma, e nada como uma pesquisa prévia no google antes de qualquer plantio. As mudas e sementes podem ser compradas, trocadas ou conseguidas. Sementes compradas, em geral produzidas por grandes empresas, além da possibilidade de serem geneticamente modificadas, trazem venenos (por isso várias delas são de cor rosa) para evitar que sejam comidas durante o período em que estiverem armazenadas. Por essas (e várias outras) razões, prefira conseguir as chamadas sementes crioulas com amigos e amigas, e pessoas próximas. São sementes naturais, reproduzidas ao e mantidas ao longo do tempos por muita gente. Além disso, prefira também sementes adaptadas à sua região, pois elas já trazem consigo uma certa ‘memória’ genética que irá facilitar seu desenvolvimento. Se você plantar no Pará sementes de milho vindas do Rio Grande do Sul, por exemplo, elas irão demorar algumas gerações de plantio para se adaptar à nova realidade, sendo que sua produção nos primeiros 3 ou 4 anos será menor do que o esperado. Felizmente, são cada vez mais comuns as feiras de trocas de mudas e sementes, e muita gente vai poder te ajudar se você fizer uma postagem no facebook do tipo: “galera, alguém tem sementes de abóbora para me arrumar?”.
5) QUANTAS PESSOAS EU PRECISO JUNTAR PRA COMEÇAR?
item 5 pessoas mandala
Quantas quiserem e puderem. Não há limite mínimo ou máximo. Quanto mais gente, mais capacidade de trabalho, é claro. Mas uma pessoa é mais do que capaz de cuidar de uma horta pequena sozinha. Cada espaço tem suas características: temos hortas domésticas, comerciais, comunitárias… tudo depende do contexto em que nos encontramos. O mais importante é ter alguém ou algum grupo responsável por manter o espaço, regar as plantas, combater as pragas e, é claro, colher os frutos <3 p="">
6) E ÁGUA? COMO CONSEGUIR? QUANTO USAR?
item 6 água
Uma horta precisa de água a disposição. Seja água de chuva armazenada ou do tratamento de sua cidade. Seja usando balde ou mangueira. O importante é que as plantas precisam de água quase diariamente. Cada planta terá sua necessidade mas, em geral, uma rega diária é o recomendado para uma horta. A água da chuva é mais indicada, por não possuir cloro, flúor e outros tantos produtos químicos usados no tratamento, além de ser gratuita. Água de poços, quando estes não afetam a disponibilidade local de água, também é interessante. Prefira essas fontes à água tratada que, além do mais, é cara.
7) QUAL É O MELHOR FORMATO? CANTEIROS? VASOS? MANDALA?
item 7 mandala
O melhor formato é aquele que melhor aproveita o seu espaço e que se adequa às suas prioridades. O que é principal pra você? Produção? Estética? Funcionalidade? Essa questão será importante na hora de escolher o formato, e uma combinação equilibrada de todos esses fatores é um bom caminho. Na permacultura, preferimos utilizar formas curvas e circulares sempre que possível porque, além de mais agradáveis, criam mais bordas, aumentando nossa área produtiva e facilitando o manejo. O ideal é fazer vários desenhos antes de colocar a mão na massa, pra poder visualizar da melhor forma possível qual será o resultado final. Falando de espaço urbano, sempre vale levar em consideração toda verticalização possível, usando paredes, desníveis e relevos à nosso favor.
8) E SE EU QUISER FAZER UMA HORTA COMUNITÁRIA?
item 5 pessoas
Uma horta comunitária é uma das maneiras mais interessante de aprofundar a sociabilidade entre grupos, pessoas e vizinhos, e pode ser um ótimo tema gerador para organizar uma comunidade. Existem milhares de modelos de hortas comunitárias possíveis, e tudo isso depende da comunidade em questão, seus membros e seu propósito. O principal é encontrar qual é a motivação que unifica a todos os participantes. Oferecer ao bairro uma alimentação alimentar a preços populares? Garantir a soberania alimentar do entorno? Utilizar a horta como ferramenta pedagógica pra crianças e adolescentes? Combater o desperdício de lixo? Auxiliar uma ONG? Enfim, são muitas as possibilidades, e se você quer organizar uma horta comunitária, sua primeira e principal função será encontrar a ‘cola’ entre a horta e as pessoas que você quer engajar, e para isso não existe receita que não a conversa, o diálogo, e a observação. Chame reuniões em seu grupo, exponha sua vontade para as pessoas, escute-as, e planeje coletivamente.
9) PODE SER EM ESPAÇO PÚBLICO?
item 9 espaço publico
Sim! A horta pode ser também realizada em uma praça, terreno ou espaço público, desde que haja autorização do órgão competente (prefeitura, governo ou união), proprietário do imóvel. Claro que também é possível plantar seu autorização o que agrada ainda mais algumas pessoas, mas, nesse caso, você estará sujeito a ter seu trabalho perdido e, eventualmente, até mesmo ser notificado ou multado por sua ação. Então, estude bem as consequências e possibilidades, e escolha o melhor caminho. O ideal é que você procure a administração responsável e leve até ela um projeto para área, pedindo sua cessão de uso para uma Organização local, como uma ONG, por exemplo. Isso pode ser facilmente conseguido com boa vontade política e já acontece em milhares de situação Brasil a fora.
10) MAS AFINAL, POR QUE FAZER UMA HORTA?
item 10 veracidade
Como dissemos no início, razões para fazer uma horta não faltam. Eu vou elencar algumas:
– Horta é um jeito da gente se conectar com os ritmos naturais e com o mundo vegetal, elementos dos quais o ritmo urbano nos afasta e aliena;
– A produção de alimentos é encantadora e estimula hábitos físicos e alimentares mais saudáveis;
– Hortas trazem vida para as cidades, com animais, pássaros e muitos outros seres associados aos vegetais cultivados;
– Horta organiza e junta gente. Não tem quem não goste de falar do assunto, e é algo muito agregador;
– Horta é resistência. Mostra que nós podemos buscar mais autonomia, determinar os rumos das nossas próprias vidas, e que não precisamos ser reféns do mercado e das grandes corporações para conseguir existir no mundo.
Espero que esse esforço possa ser útil e estimule as pessoas a darem os primeiros passos nesse universo incrível que é a agricultura! Não tenha dúvida: tendo 1 m² quadrado de sol na sua garagem ou quintal, plante um pé de alface, uma cebolinha, um pouco de salsinha, e seja feliz! Se quiser conversar sobre o assunto, tirar mais dúvidas ou começar algo com nosso apoio, é só entrar em contato.
https://www.blogger.com/blogger.g?blogID=443926518258259368#editor/target=post;postID=766179191634366248 

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

11º MANDAMENTO: CULTIVAR E GUARDAR A CRIAÇÃO

Roberto Malvezzi (Gogó)
A Quaresma continua a mesma e, com as Campanhas da Fraternidade, cada vez melhor. É um tempo que rememora os 40 anos do povo de Israel no deserto, ou 40 dias de Jesus no deserto, ou 40 dias que a Igreja delimitou como anteriores à celebração da Páscoa. Os sinais de “conversão”, no sentido de “rasgar os corações e não as vestes”, são o jejum, a oração e a esmola. Mas, o que importa é a conversão permanente.
Entretanto, ao trazer o tema da CF relacionando a fraternidade com o cuidado dos biomas brasileiros, a Igreja fala aos católicos, às outras Igrejas e a todo povo brasileiro. Agora nossa conversão adquire uma terceira dimensão. Se antes era um período de conversão a Deus e aos irmãos, agora inclui o 11º mandamento: cultivar e guardar a criação (Gênesis 2,15).
Bioma vem do grego. Bio é vida. Oma é conjunto, estrutura, etc. Portanto, bioma é um conjunto de vidas que ocupam um determinado espaço, sob um mesmo clima, um solo semelhantes e um relevo semelhante. Dai nossos 6 biomas oficiais: Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pantanal e Pampa. Para os movimentos sociais os povos que ocupam esses espaços são parte integrante dos biomas.
Para alguns cientistas a zona costeira dos manguezais e restingas deveria ser um bioma especial. Para outros ainda, a zona marinha deveria ser outro bioma. Para Aziz Ab’Saber deveríamos falar em “domínios morfoclimáticos”, incluindo o domínio das araucárias. Porém, oficialmente estamos definidos como 6 biomas.
Dessa biota – conjunto de todas as vidas – dependemos para comer, beber, produzir fármacos, essências, ter um clima ameno, e tantos outros serviços ambientais. Lembrando Francisco, tudo está interligado, vivemos numa fraternidade universal, cada criatura tem sua mensagem e precisamos entendê-las e respeitá-las.  
Francisco nos mostra que precisamos de uma conversão ecológica. A Quaresma é um tempo propício. Que saibamos usufruir esse período numa verdadeira conversão ecológica, que exige o reconhecimento e agradecimento ao Criador por tudo que Ele nos deu, a gratidão aos irmãos e irmãs que fazem de sua vida um gesto de cuidado e à toda a criação pela abundância de bens – tão maltratados – que ela nos oferece.

CIDADE DO MÉXICO: O PREÇO DA AGRESSÃO

CUIDADO: OS EFEITOS DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS SÃO COMO FAGULHAS NUMA PILHA DE LENHA!

Quase todas as notas que soltamos sobre a Cidade do México falam de seu trânsito, de veículos a diesel e da baita poluição que é uma das características da cidade. 

Este artigo do New York Times mostra outro lado. A cidade foi construída pelos Astecas em uma ilha lacustre. A cidade cresceu em direção às montanhas que a cercam, drenando e soterrando o lago. A água foi sendo expulsa para dar mais espaço para as avenidas e construções. 

Resultado: uma cidade que mostra sinais de que está afundando. E que tem cada vez menos água para beber. O artigo, o primeiro de uma série sobre como as cidades enfrentam as mudanças do clima, diz “os efeitos da mudança do clima são variados e oportunistas, mas uma coisa é consistente: são como fagulhas numa pilha de lenha”.

  

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

NA ÍNDIA A SOLAR CADA VEZ MAIS BARATA E O CARVÃO CADA VEZ MAIS SUJO

 E NO BRASIL, POR QUE ESSAS VANTAGENS NÃO SÃO LEVADAS A SÉRIO? E HÁ AINDA QUEM RECLAMA QUANDO AFIRMAMOS QUE NOSSO PAÍS CONTINUA COLONIZADO, POR FORÇA DAS ELITES QUE NOS DOMINAM.

Num leilão reverso para uma planta solar de 750 MW, o preço da energia solar caiu para US$ 53,50/MWh (R$ 166 pelo câmbio de ontem). Duas das principais razões desta queda são específicas do mercado indiano: empréstimos com prazos maiores autorizados recentemente pelo governo (19 anos) e queda na taxa de juros (9,5%). A razão de ordem geral é a queda de 30% no preço dos módulos fotovoltaicos nos últimos 18 meses.

Um estudo publicado esta semana pelo indiano TERI (The Energy and Resources Institute) aponta para uma Índia sem carvão em 2050. Mostra que a atual capacidade instalada, somada à que já está em construção, aguenta a demanda até 2026 e que, até lá, nenhum novo investimento em usinas a carvão deverá ser feito. A partir de 2024, as renováveis já estarão mais baratas do que o carvão e, portanto, a capacidade a ser instalada a partir daí deverá ser eólica e solar.