segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

INTERECLESIAL EMBLEMÁTICO

O AUTOR, MAIS CONHECIDO COMO "GOGÓ", ESTEVE PRESENTE NESTE ENCONTRO ACONTECIDO EM JUAZEIRO DO NORTE E, COMO ACOMPANHA A REALIDADE DA VIDA DAS CEBs, PODE DESTACAR O QUE PERCEBEU COMO MARCA DISTINTIVA DESTE INTERECLESIAL.

Roberto Malvezzi (Gogó)

O 13º Intereclesial das CEBs tem, pelo menos, três elementos emblemáticos, como se fossem um divisor de águas entre os anteriores e o futuro das comunidades eclesiais de base.

Primeiro, ele foi realizado no Juazeiro do Norte, Ceará, nas terras do Pe. Cícero. Esse padre, influenciado por seu predecessor nas missões do sertão nordestino, Pe. Ibiapina, fez de sua vida uma radical opção pelos pobres. São das mesma linhagem os “beatos e beatas”, como Zé Lourenço, Maria Araújo e Conselheiro, pessoas que sentiram chamadas a dedicar suas vidas às populações esquecidas daquele tempo. Influenciados por Ibiapina, esses homens e mulheres fundaram suas comunidades inspirados nas primeiras comunidades citadas nos Atos dos Apóstolos.

É bom lembrar que há 150 anos, em tempos de seca, o sertão era praticamente um deserto. Foi aos famintos, sedentos, vítimas do cólera pela água contaminada, aos órfãos, que esses homens e mulheres dedicaram a plenitude de suas vidas. Por isso, para muitos, eles são os pioneiros no Brasil das atuais comunidades eclesiais de base e também da Teologia da Libertação, já que o ponto de partida eram os pobres, não como objetos de caridade, mas como sujeitos de sua história já ao final do século XIX.

Segundo, pela primeira vez um papa envia uma carta de apoio às comunidades eclesiais de base. O contentamento dos presentes era visível. Afinal, durante as últimas décadas, em grande parte do Brasil e do continente, essas comunidades foram abandonadas, quando não perseguidas e caluniadas, sobretudo por aqueles que desejam uma Igreja distante do povo e fechada em si mesma. Por isso, o povo também enviou uma carta de gratidão ao Papa.

Terceiro elemento é que não havia euforia e nem triunfalismo no Juazeiro do Norte, mesmo que tenha sido um evento grandioso, com belíssima liturgia e momentos de entusiasmo. Todos estão conscientes que, se a Igreja quer ser mesmo uma “rede de comunidades”, como diz o documento 104 da CNBB, então cabe um desafio pastoral imenso de formação das comunidades eclesiais de base, de retomada de sua organização, de apoio na formação em todos os níveis, da criação de espaços que lhes sejam próprios, liberação de pessoas, recursos e tudo mais que se faz necessário no cotidiano pastoral.

O novo é que elas sejam também missionárias, formando novas comunidades e novas lideranças. Além do mais, agora estamos em pleno século XXI, um contexto de mudança de época, com as novas tecnologias, as redes sociais, a pluralidade religiosa, pluralidade de valores, as mudanças radicais no clima do planeta, assim por diante. Esse é o desafio: como continuar tendo a inspiração originárias das primeiras comunidades num mundo em imensurável transformação?

Como será o futuro só a história dirá. Porém, quem tiver um pouco de boa vontade, pode ver aí claros sinais dos tempos.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

REDD E PSA, O VALOR E O PREÇO DA NATUREZA

AMIGO, AMIGA
Assista e divulgue o novo vídeo produzido pelo Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social:

"REDD e PSA, o valor e o preço da natureza"


Clecir Maria Trombetta
Secretária do Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social
Fone: 61-34478722/ 82022564
skype:fclimaticas
End: SGAN 905, Bloco B, Sala 03
CEP: 70790-050 - Brasília - DF

PRISÕES SUECAS: AQUI SE REABILITAM SERES HUMANOS

NO ARTIGO ABAIXO ESTÁ UMA BOA NOTÍCIA. VALE A PENA ACOLHER A PROVOCAÇÃO E REPENSARMOS OS FUNDAMENTOS DA POLÍTICA PRISIONAL BRASILEIRA. POR QUE O BRASIL PRECISA MAIS PRESÍDIOS E A SUÉCIA E HOLANDA ESTÃO FECHANDO PRESÍDIOS? 


 
Outras Palavras, 8 de janeiro de 2014 

País fecha cárceres, por falta de detentos, e comprova: presídios bárbaros só alimentam ódios; para combater criminalidade e reincidência, a receita é outra

Por Cibelih Hespanhol

Quando Alexander Petrovich, assassino confesso de sua própria mulher, viu-se encarcerado entre as paredes de um presídio na Sibéria, passou a conhecer o dia-a-dia, detalhes e hábitos deste sistema. E escreveu as seguintes linhas em seu diário pessoal: “não resta dúvidas de que o tão gabado regime de penitenciária oferece resultados falsos, meramente aparentes. Esgota a capacidade humana, desfibra a alma, avilta, caleja e só oficiosamente faz do detento ‘remido’ um modelo de sistemas regeneradores”. Se Alexander e sua história pertencem ao romance Recordações da Casa dos Mortos, de Dostoievski, publicado em 1860, seu drama ainda pode ser considerado absurdamente atual.

As recentes notícias sobre o fechamento de quatro prisões suecas reabriram discussões sobre a forma como lidamos com nossos detentos. Isto porque a falta de presos no país nórdico é atribuída principalmente à forma de organização de seu sistema penitenciário, que conta com investimentos na reabilitação dos prisioneiros; adoção de penas mais leves em delitos relacionados a drogas; e revisões judiciais que optam por penas alternativas em alguns casos, como liberdade vigiada. Em situação semelhante, a Holanda já havia anunciado em 2012 a necessidade de fechar oito prisões e demitir mais de mil funcionários – pelo mesmo motivo: suas celas estavam praticamente vazias. O que tem a nos dizer estes países?

Em sentindo inverso, nos Estados Unidos, país com maior população carcerária do mundo, o número de detentos chega a praticamente 2,3 milhões. E a taxa de reincidência é de 60% – ou seja, a cada dez pessoas que saem da prisão, seis voltarão para o crime. O Brasil, que ocupa o quarto lugar no ranking de população carcerária, possui cerca de 500 mil presos, num índice de 274 detentos por 100 mil habitantes. Além disso, o número de detentos é 66% maior do que a capacidade que o sistema brasileiro possui de abrigá-los nas prisões.
Em junho do ano passado, a ONU declarou em relatório oficial a necessidade do país “melhorar as condições de suas prisões e enfrentar o problema da superlotação”. Casos de violação dos direitos humanos, torturas físicas e psicológicas são recorrentes em presídios brasileiros: no Rio de Janeiro, um preso é morto a cada dois dias, principalmente de tuberculose e AIDS.
A abismal diferença entre prisões suecas e brasileiras (ou norte americanas) está nas teorias que fundamentam seus sistemas penitenciários. O país da pena de morte é o mesmo que viu sua população carcerária praticamente dobrar desde o início dos anos 90. Já o país que optou por uma política de reinserção social, em que uma agência governamental é encarregada de supervisionar os detentos e oferecer programas de tratamento para aqueles com problemas com drogas, vê agora suas prisões serem fechadas por falta de prisioneiros.
Em entrevista ao The Guardian, Kenneth Gustafsson, governador da prisão de Kumla, a mais segura da Suécia, declara: “existem pessoas que não querem ou não podem mudar. Mas na minha experiência a maioria dos prisioneiros quer mudar, e nós precisamos fazer o que pudermos para ajuda-los. E não é apenas a prisão que pode reabilitar. Isso é um processo combinado, que envolve a sociedade. Podemos dar educação e treinamento, mas quando essas pessoas deixam as prisões elas precisam de moradia e emprego”.
Em suma, o que a Suécia tem a nos ensinar é a noção contrária do senso comum de que “cadeia boa é cadeia infernal”: optar pela humanização do sistema penitenciário prova-se como a maneira mais eficaz de se verem reduzidos os índices de criminalidade. Ou nas palavras daquele personagem de Dostoievski, de duzentos anos atrás: “E já que [o detento] é de fato um homem, deve ser assim tratado. Um tratamento humano pode até devolver a condição humana mesmo àqueles que se esquivaram…”.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

125 BILHÕES DE DÓLARES: CUSTO DOS DESASTRES SOCIOAMBIENTAIS EM 2013

SERÃO AINDA "NATURAIS"? PROVAVELMENTE SÓ O SÃO ENQUANTO FENÔMENOS DA NATUREZA, MAS AGORA JÁ ESTÃO AGRAVADOS PELAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS PROVOCADAS PELO SER HUMANO, EM PARTICULAR PELOS DONOS DO NEGÓCIO DO PETRÓLEO... PENSEM NISSO AO LER A NOTÍCIA QUE SEGUE, E PERGUNTEM-SE: POR QUE NÃO SE APLICA ESSE MONTANTE, OU MAIS, PARA PREVENIR-SE  DOS EVENTOS EXTREMOS OU, MELHOR AINDA, PARA ATACAR AS CAUSAS DO AQUECIMENTO GLOBAL? OU SERÁ QUE OS DESASTRES TAMBÉM JÁ SÃO NEGÓCIO PARA OS CAPITALISTAS?



Desastres naturais custaram US$ 125 bilhões em 2013, aponta relatório
O custo total das catástrofes naturais em 2013 foi de US$ 125 bilhões, uma soma considerada moderada se comparada aos anos anteriores, de acordo com estudo publicado nesta terça-feira (7) pela companhia de segurosMuniche Re.
A reportagem é da France Presse e reproduzida pelo sítio Globo Natureza, 07-01-2014.
Nos últimos dez anos, as catástrofes naturais provocaram em média danos de  US$ 184 bilhões no mundo, indicou o comunicado da empresa. Em 2013, as companhias de seguros cobriram US$ 31 bilhões, abaixo da média dos últimos dez anos, que foi de US$ 56 bilhões.
No total, foram registradas 880 catástrofes naturais no ano passado que provocaram a morte de 20.000 pessoas, mais que em 2012. No entanto, o montante é menor que a média dos últimos 10 anos, que é de 106.000 mortos, aponta o relatório.
Inundações na Alemanha tiveram gasto alto
Em 2013, as "catástrofes naturais mais caras em termos econômicos foram as inundações no sul e no leste da Alemanha" em junho, segundo a Muniche Re. E os maiores danos foram provocados pelas catástrofes naturais na Europa e pelo tufão Haiyan no sudeste asiático.
"As inundações no sul e no leste da Alemanha e nos países limítrofes" em junho passado provocaram danos de US$ 15,9 bilhões, sendo que US$ 3,1 bilhões foram cobertos pelas companhias de seguros.
Do ponto de vista humano, a catástrofe mais severa foi o tufão Haiyan no sudeste das Filipinas no início de novembro. O tufão provocou a morte de 6.000 pessoas e deixou milhares desabrigadas.