quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

A CONVIVÊNCIA COM O SEMIÁRIDO E AS ESTIAGENS


A GLOBO FEZ MATÉRIA SOBRE PROBLEMAS GRAVES NAS INICIATIVAS DE ENFRENTAMENTO DA LONGA ESTIAGEM QUE ATINGE O SEMIÁRIDO BRASILEIRO. VEJAM ABAIXO A NOTA DAS ENTIDADES QUE ATUAM NA REGIÃO NO SENTIDO DE CRITICAR O QUE ESTÁ SENDO MAL FEITO, MAS REAFIRMANDO O QUE ESTÁ DEMONSTRANDO SER CAMINHO DE SUPERAÇÃO DAS VELHAS PRÁTICAS DA INDÚSTRIA DA SECA E DE VERDADEIRA CONVIVÊNCIA COM O BIOMA.

NOTA PÚBLICA DAS ENTIDADES QUE TRABALHAM O SEMIÁRIDO BRASILEIRO

ASA  – Articulação do Semiárido (1)
CESE – Coordenadoria Ecumênica de Serviços (2)
RESAB –Rede de Educadores do Semiárido Brasileiro(3)
Cáritas Brasileira (4)

OS PIPAS E AS CISTERNAS


Chamou a atenção a matéria sobre o abastecimento das cisternas por carros pipas contaminados, ou água contaminada dos pipas, veiculada pelo Fantástico da Rede Globo, edição de 01/12/2013. Entretanto, cabem algumas observações sobre a referida matéria.

                   Em primeiro, o conteúdo da matéria não pode se generalizar para todo o Semiárido. Na maioria dos lugares o abastecimento está sendo decente e com água tratada, em que pese tantos casos de fraudes, má fé e falta de ética por falta dos pipeiros e políticos. Também no que se refere à epidemia em Alagoas, trate-se de um caso localizado, acontecido há meses atrás, só agora vindo ao ar no referido programa.

                  Em segundo, está evidente que ainda estamos longe de resolver os problemas da água potável da região do Semiárido, particularmente em épocas de grandes estiagens, como essa que estamos passando. Uma grande parcela da população local ainda bebe água contaminada, não só porque vem pelos pipas, mas porque suas fontes de abastecimento ainda são os barreiros e açudes, cujas águas insalubres servem para o abastecimento humano e dos animais.

Terceiro, é preciso realçar que, com todos os limites apontados pela referida matéria, já não temos nessa região, nem mesmo em períodos de longas estiagens, a intensa mortalidade infantil, tantas doenças veiculadas por água contaminada, já não precisamos das famigeradas “frentes de emergência”, já não temos intensas migrações e nem os horrores dos saques feitos por sedentos e famélicos. Nós, das entidades que atuam nessa região, construindo a convivência como Semiárido, fazemos questão de realçar as conquistas desse povo.
Por último, se não quisermos que essas cenas do presente se repitam no futuro, é só o governo implementar massivamente as tecnologias de convivência com o Semiárido: cisternas de captação de água de chuva para beber, cisternas para produção, caxios, barreiros, barragens subterrâneas, etc, e implementar adutoras para abastecimento das aglomerações rurais e centros urbanos. Onde esses serviços já chegaram, apesar das dificuldades, os problemas trágicos já não se repetem. Infelizmente, essa situação atinge todo povo brasileiro. Recentemente, o IBGE divulgou a síntese dos Indicadores sociais 2013 – SIS, onde constata que 29,7% dos domicílios urbanos não tem acesso simultâneo aos serviços básicos de saneamento e iluminação, como abastecimento de água, esgotamento sanitário, coleta de lixo e iluminação elétrica. Do total de domicílios analisados, 93,5% acusaram ausência de esgotamento sanitário (IBGE/2013).

Talvez ainda precisemos dos pipas, principalmente onde os serviços de água não chegaram, ou simplesmente porque nessas longas estiagens há locais tão distantes que vão continuar precisando deles. Aí então é uma questão da vigilância sanitária e dos responsáveis pelos programas de abastecimento dos pipas, assim como dos gestores públicos federal, estadual e municipal, assumirem suas responsabilidades.

AVANÇOS DO PROJETO DE CONVIVÊNCIA COM O SEMIÁRIDO

VEJAM A BOA NOTÍCIA DOS AVANÇOS DAS ESTRATÉGIAS DE CONSTRUÇÃO DE CISTERNAS PARA A PRODUÇÃO DE ALIMENTOS NO BIOMA CAATINGA. ELAS SÃO PARTE INTEGRANTE DO CONJUNTO DE INICIATIVAS DO PROJETO DE CONVIVÊNCIA COM O SEMIÁRIDO.

É FUNDAMENTAL QUE ESTA SEJA A POLÍTICA PÚBLICA PARA ESTA REGIÃO. SÓ COM ELA SE CHEGARÁ AO FIM DA INDÚSTRIA DA SECA E AS FAMÍLIAS E COMUNIDADES PODERÃO CONVIVER DE FORMA SEGURA E SADIA COM AS CARACTERÍSTICAS DESTE SEMIÁRIDO.

DIVULGUEM A NOTÍCIA E APOIEM A ASA - ARTICULAÇÃO DO SEMIÁRIDO.

Celebração: mais 10 mil famílias com tecnologias para produção de alimentos
Catarina de Angola (ASACom)
Recife - PE
04/12/2013

Primeira cisterna-calçadão realizada em 2013 com patrocínio da Petrobras. | Foto: Vlademir Alexandre/ASACom
A Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) celebra a marca de mais 10 mil tecnologias sociais de captação e armazenamento de água da chuva construídas no Semiárido pelo Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2) com o patrocínio da Petrobras, através do Programa Petrobras Desenvolvimento & Cidadania. Resultado alcançado seis meses após o início do projeto, que prevê a construção de 20 mil tecnologias até maio de 2014. Desde que surgiu, em 2007, o P1+2 já implementou mais de 35 mil tecnologias em todo o Semiárido brasileiro.

“Destaco a importância desse contrato com a Petrobras, pois amplia nosso leque de parcerias e apoios. E amplia também o número de organizações que apostam na perspectiva de convivência com o Semiárido que a gente acredita”, pontua Cristina Nascimento, coordenadora da ASA pelo estado do Ceará. 

As primeiras tecnologias do P1+2 realizadas através desse patrocínio foram inauguradas em julho deste ano, no Rio Grande do Norte. De lá para cá, as 65 organizações da ASA que executam a ação em todos os estados da região semiárida implementaram quatro tipos de tecnologias: cisternas-calçadão, cisternas-enxurrada, barreiros-trincheira e barragens subterrâneas. Todas elas estocam água da chuva para a produção de alimentos e criação de animais.

“A cada novo parceiro, a gente tem a possibilidade de ampliar o processo produtivo, a capacidade de produção de alimentos, a segurança alimentar e a comercialização dessas famílias. Isso tudo tem um impacto grande na dinâmica do Semiárido. Quando a gente imagina que em seis meses conseguimos executar 10 mil implementações, são 10 mil famílias que estão preparadas para estocar água do próximo inverno”, coloca Cristina.  

A execução do P1+2 não se restringe apenas a construção das tecnologias. Existe um processo de mobilização das comunidades e de capacitação das famílias e dos/as pedreiros/as. Além disso, envolve intercâmbios entre agricultores e agricultoras, a participação deles/as em encontros e atividades de troca de conhecimentos e a sistematização de experiências. 

A formação de bancos de sementes também compõe a estratégia de estocagem  do P1+2,  o que possibilita a organização coletiva das comunidades para que possam guardar suas sementes e usá-las nas épocas de plantio. Com isso, agricultores e agricultoras passam a ter autonomia sobre o que plantar e quando plantar, não ficando dependentes das sementes distribuídas pelo governo, que não são adaptadas a região. “A ação do P1+2 é uma ação integrada. Você tem a água, tem a semente e autonomia sobre o seu processo produtivo”, destaca Cristina.  

Toda essa ação é baseada na troca de conhecimento de agricultores e agricultoras. E os intercâmbios de experiências e encontros que o P1+2 promove fortalecem essa troca. “O central da ação da ASA não é tecnologia, mas são os agricultores. A valorização do saber de homens e mulheres, a valorização dessas experiências”, destaca Cristina. Esses momentos de troca possibilitam a partilha de saberes e as formas de se conviver com o Semiárido. Os encontros e intercâmbios mostram que os agricultores/as têm estratégias para esses momentos, pois são conhecedores da região e do clima que vivem. E as tecnologias que guardam água da chuva, os bancos que guardam as sementes, e as diversas outras formas de estocagem são umas das estratégias mais importantes para a vida e produção na região semiárida.

Além das 10 mil tecnologias construídas nesses seis meses, as organizações da ASA executoras desse contrato de patrocínio já cadastraram 95% das famílias previstas para receberem as tecnologias e cerca de 90% das implementações já estão com fornecedores contratados para a entrega dos materiais. Até maio de 2014, as 20 mil tecnologias devem estar finalizadas, o que significa que cerca de 100 mil pessoas no Semiárido terão a possibilidade de guardar água para dinamizar sua produção. No total serão 10 mil cisternas-calçadão, 6.450 cisternas-enxurrada, 3.330 barreiros-trincheira e 250 barragens subterrâneas. 

“Ampliamos nossa capacidade de execução, mas, além disso, ampliamos a capacidade de monitoramento e fortalecemos nossa prática de rede. Também continuamos nossa ação com autonomia dos processos políticos e metodológicos e isso é importante porque nos dá força”, finaliza Cristina. 

Além do patrocínio da Petrobras, o Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2) conta com a parceria do governo federal, através do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS).

NOTÍCIAS DA LUTA CONTRA O CÓDIGO DA MINERAÇÃO NO FACEBOOK

Acompanhem e divulguem para seus amigos e amigas, no link abaixo, notícias sobre mineração e sobre a luta do Comitê que articula luta contra o novo código da mineração. Sua contribuição é essencial para que sejam alcançados os objetivos do comitê em defesa dos povos e da Terra.

 https://www.facebook.com/pages/Em-Defesa-dos-Territ%C3%B3rios-Frente-a-Minera%C3%A7%C3%A3o/700575683302323

LUTA CONTRA NOVO CÓDIGO DA MENERAÇÃO CRESCE E AVANÇA

Como sabem, há um Comitê de entidades que assumiu lutar contra o que está proposto como novo código da mineração. A primeira proposta, apresentada pelo Governo Federal, era muito ruim, mas o relator Quintão, de MG, conseguiu elaborar algo ainda pior. Se aprovado, tudo fica relativizado ao absoluto da necessidade dos capitalistas de explorar as riquezas naturais no mais curto prazo possível; nem mesmo os territórios indígenas já legalmente definidos estarão garantidos.

Por isso, o fato de o relator e o governo não terem chegado a um acerto e, por isso, a votação ter sido transferida para 2014, é notícia positiva, pois teremos mais tempo para informar melhor a população e mobilizar a cidadania contra a proposta. A meta mínima é que sejam introduzidos nele os pontos elaborados e apresentados pelo Comitê.

Para que possam ir acompanhando o trabalho de pressão crítica do comitê, vejam o vídeo gravado pelo Ninja na Audiência da Comissão de Desenvolvimento Regional:

http://canalpostv.blogspot.com.br/

domingo, 1 de dezembro de 2013

É PRECISO ENFRENTAR A OBSOLESCÊNCIA PROGRAMADA

ESSA OBSOLESCÊNCIA PROGRAMADA É COISA QUE SÓ PODE SER DE CAPITALISTA: PROGRAMAR A VIDA ÚTIL DE CADA COISA PRODUZIDA PARA FORÇAR AS PESSOAS A COMPRAREM UMA NOVA MERCADORIA, E GARANTIR, COM ISSO, MAIS E MAIS LUCROS!

SE ESTA ESTRATÉGIA CAPITALISTA NÃO FOR DERROTADA POR TODAS AS PESSOAS, QUANTAS GERAÇÕES PODERÃO VIVER AINDA NA TERRA? JUNTO COM O ESTRESSE DA TERRA, O LIXO OCUPARÁ CADA VEZ MAIS ÁGUAS E OUTROS ESPAÇOS, POLUINDO O AMBIENTE QUE A TERRA OFERTOU GRATUITAMENTE AOS SERES HUMANOS COMO FRUTO DE BILHÕES DE ANOS DE TRANSFORMAÇÕES.

PROCUREM VÍDEOS SOBRE ESSE ABSURDO MODO DE PRODUZIR RIQUEZA CONCENTRADA E ENTREMOS TODOS NO MOVIMENTO "SEM OBSOLESCÊNCIA PROGRAMADA". TOMARA QUE POSSAMOS COMPRAR LOGO A LÂMPADA DO BENITO, QUE GARANTE 219 MIL HORAS DE FUNCIONAMENTO E GASTA 70% MENOS ENERGIA QUE AS LÂMPADAS FLUORESCENTES EM USO...

Benito Muros enfrenta a obsolescência programada
Outras Palavras, 29 de novembro de 2013 - por Cibelih Hespanhol

Após lançar lâmpada que dura cem anos, espanhol quer debater uma das práticas mais difundidas – e devastadoras – da produção capitalista contemporânea

Por Cibelih Hespanhol

Em 1999, quando o espanhol Benito Muros visitou o quartel de bombeiros de Livermore, na Califórnia, conheceu uma lâmpada que está acesa há 112 anos no local. E iluminou-se numa ideia: “Se em 1901 foi produzida uma lâmpada que dura mais de cem anos, por que não agora?”.

Foi então que Muros compreendeu o conceito de obsolescência programada – as lâmpadas no século XXI, e uma infinidade de outros produtos, não duram e não interessa que durem – simplesmente para que o consumidor precise comprar mais, fazendo lucrar as corporações. Benito conta em entrevista: para demonstrar que tal prática não é inevitável, resolveu fabricar sua própria lâmpada. Assim foi produzida a OEP Eletrics, que possui garantia de 219 mil horas de funcionamento e gasta 70% menos energia que as lâmpadas fluorescentes convencionais. Também propôs um movimento chamado Sem Obsolescência Programada.

Muros afirma que tem sido ameaçado de morte. É carismático e às vezes
controverso. Seja como for, sua iniciativa ajuda a lançar luz sobre uma prática capitalista cada vez mais anacrônica e devastadora e, no entanto, cada vez mais empregada. A obsolescência programada surgiu há quase cem anos, no coração da indústria automobilística. Em 1924, diante de uma das primeiras crises de estagnação da venda de carros novos, Alfred Sloan Jr, executivo-chefe da General Motors, teve a ideia de mudar, a cada ano, algumas das características dos modelos fabricados. Foi amplamente criticado – inclusive por Henry Ford, para quem a nova prática prejudicaria a produção em escala.

Mas sua iniciativa mudou a indústria. Aos poucos, dezenas de pequenos produtores de automóveis fecharam as portas, por não poderem pagar os custos de design e reprogramação das fábricas implicados. A GM ultrapassou a Ford, assumindo a condição de principal fabricante norte-americana e mundial. Mais tarde, durante a depressão econômica vivida pelos EUA nos anos 30, o industrial Brook Stevens teria inventado o jargão: “um produto que não se desgasta é uma tragédia para os negócios”.

Na indústria automobilística, lançar um modelo a cada ano tornou-se prática quase obrigatória. Mas obsolescência programada esparramou-se rapidamente por todos os ramos da produção capitalista. Uma de suas marcas contemporâneas são as imensas filas formadas, em lojas de todo o mundo, nas noites de lançamento de novos modelos do Ipad. Não é preciso muito para compreender suas consequências ambientais, num mundo de recursos finitos e produção incessante de lixo.

O espanhol Muros persevera. Para ele, as ameaças (e as dificuldades em encontrar intermediários para a venda das lâmpadas) não são um problema: “Meu objetivo não é vender, mas sim chamar atenção para a necessidade de mudar o nosso sistema econômico atual, baseado no consumo e no desperdício, no deitar fora e comprar. Não fiz isto para vender lâmpadas. Apenas para dizer ao mundo que as coisas podem ser de outra forma, sem enganar ninguém, sem destruir o planeta e sem usar recursos de que não se precisa”.
Quanto à lâmpada de Livermore, que inspirou Muros e é considerada um verdadeiro destino turístico, vale ressaltar: as câmeras webcans que a vigiam diariamente já precisaram ser trocadas.


ENERGIA SOLAR: SEM INCENTIVO NÃO HÁ ESPERANÇA

VALE A PENA LER O ARTIGO DO PROFESSOR DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO PERNAMBUCO, HEITOR SCALAMBRINI. ELE É ESPECIALISTA EM ENERGIA E, POR ISSO, LUTA ESPECIALMENTE CONTRA A ENERGIA NUCLEAR E EM FAVOR DA ENERGIA SOLAR DESCENTRALIZADA. NESTE ARTIGO, ELE MOSTRA COMO NÃO HÁ INTERESSE POR PARTE DOS RESPONSÁVEIS PELA POLÍTICA ENERGÉTICA EM DESENVOLVER A ENERGIA SOLAR EM NOSSO PAÍS. E ISSO NOS DEIXA CADA VEZ MAIS DEPENDENTES DE FONTES DE ENERGIA QUE LIBERAM GASES DE EFEITO ESTUFA, E NO ATRASO, MAIS UMA VEZ, NA BUSCA DE TECNOLOGIAS PARA UTILIZAR AS FONTES MAIS LIMPAS, ESPECIALMENTE O SOL, QUE BRILHA EM TODO O TERRITÓRIO NACIONAL. 

Segundo o Worldwatch Institute, a capacidade instalada da energia solar no mundo cresceu 41% em 2012, atingindo a marca de 100.000 MW instalados. Dados extra oficiais apontam que no final de 2013 poderá chegar próximo a 150.000 MW. Em 2007, eram menos de 10.000 MW.

A Europa é ainda a principal consumidora de energia solar, respondendo por 76% em 2012. O grande destaque é a Alemanha, que sozinha é responsável por 30% do uso mundial. Segundo o Solar Industry Association (BSW-Solar), cerca de 8,5 milhões de pessoas já estão usando a energia solar para gerar eletricidade ou calor; ou seja, de cada 10 alemães, um utiliza energia solar. A energia solar fotovoltaica já atende 5% da demanda de eletricidade naquele país. As indústrias do setor têm como meta aumentar esta oferta para 10% em 2020 e cerca de 20% até 2030, mesmo com as taxas adicionais pagas pelo consumidor para subsidiar as fontes energéticas renováveis.


Devido à atual situação econômica no continente europeu, o relatório da Worldwatch destaca que a posição européia com relação à produção elétrica solar está ameaçada, pois a Itália e a Espanha recentemente alteraram suas políticas de incentivo às fontes renováveis de energia, o que sem dúvida vai prejudicar a expansão do setor solar na região.


Os Estados Unidos e a China são os atuais mercados mais promissores à tecnologia fotovoltaica. A China divulgou recentemente a decisão do seu Conselho de Estado em aumentar em 10.000 MW a cada ano, chegando em 2015 com uma potência instalada de 35.000 MW. Apenas em 2012, foram instalados 8.000 MW. Já o EUA esperam até o final de 2013 suplantar a marca dos 13.000 MW instalados.


Enquanto isso no Brasil, país que recebe os maiores índices de radiação solar do planeta, em particular sua região Nordeste, segundo o Ministério de Minas e Energia, em dezembro de 2012 a capacidade fotovoltaica instalada no país era de insignificantes 8 MW.


Uma das causas desta pífia utilização da fonte solar para produzir eletricidade é a completa falta de interesse dos formuladores e gestores da política energética brasileira. Esta afirmativa é corroborada nas políticas públicas planejadas para o país. Segundo a Empresa de Planejamento Energético (EPE), o Plano Decenal de Energia 2013-2022 prevê a geração de irrisórios 1.400 MW de geração distribuída via fonte solar em 2022.


O preço dessa energia é o maior empecilho apontado pelo MME para sua ampla difusão. Segundo estimativas do próprio MME, o custo da energia fotovoltaica estaria estimado em R$ 280,00 a R$ 300,00/MWh, e poderia cair para R$ 165,00/MWh dentro de cinco anos. O que é um disparate total sem lastro na realidade atual, que acaba inibindo sua utilização. Por outro lado, não existe uma política consistente de apoio e/ou incentivo dessa fonte energética. Existem arremedos, com ações unicamente midiáticas.


Quem poderia melhor definir os preços de mercado seriam os leilões. Todavia, a EPE tem postergado e protelado tais leilões, que por sua vez já foram marcados e remarcados inúmeras vezes nos últimos anos. Finalmente, foi realizado em 18 de novembro passado o 17º Leilão de Energia Nova, incluindo pela primeira vez a energia solar fotovoltaica, além das ofertas energéticas, como as de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs), de usinas térmicas, de usinas a biomassa e de energia eólica. Apenas os projetos eólicos foram negociados.


A ducha de água fria, que invibializou investidores da energia de solar participarem do leilão, foi o formato do leilão, a decisão da EPE que estabeleceu um excessivamente baixo preço à energia negociada, além da falta dos incentivos e ações claras do governo na direção de impulsionar essa fonte energética.  Ficou estabelecido por essa empresa, que faz de tudo para que o solar não se desenvolva em nosso país, o preço-teto em R$ 126,00/MWh.


Esse valor foi o mesmo estabelecido para projetos de fontes eólicas, que, diga-se de passagem, é a segunda fonte elétrica mais barata atualmente, depois da energia hidroelétrica. Com um mercado em plena ascensão, a energia eólica foi a grande vencedora do leilão do dia 18 de novembro. Bem diferente do caso da energia solar, cujos projetos de geração foram ofertados pela primeira vez nessa modalidade de contratação.


Com o preço-teto anunciado, não poderia ter outra consequência senão o desinteresse total dos empreendedores. Apesar de ter 3.000 MW em projetos fotovoltaicos inscritos, nenhum deles foi arrematado.  Fica, assim, mais clara a sinalização da EPE, de que a atual administração da política energética brasileira não se interessa pela energia solar.


Até quando?

INIMIGOS DA SAÚDE E ALIADOS DO GOVERNO?

Já publiquei notícia do aumento contínuo do sofrimento e morte causados por muitos tipos de câncer. Segundo pesquisas, em mais 15 anos o câncer estará causando mais morte do que as doenças cardiovasculares, as doenças do coração e das veias e artérias. Insistíamos ser importante buscar as causas desse crescimento espantoso, constatado por todas as pessoas. Agora temos alguns dados do Centro Estadual de Vigilância em Saúde do Rio Grande do Sul que nos ajudam a entender o que está acontecendo. Vejam:

- no Rio Grande do Sul, estado que mais ajudou a introduzir de forma ilegal as sementes transgênicas, a agricultura usou 85 milhões de litros de agrotóxicos na safra de 2009/2010 – isto é, mais de 8 litros para cada gaúcho! Na região em que há mais monoculturas, o agronegócio aplicou 919 litros por quilômetro quadrado, igual a um consumo de 33,2 litros de agrotóxicos por habitante.

- no Brasil como um todo, a quantidade de agrotóxicos utilizados é igual a 4 litros e meio para cada brasileiro e brasileira.

Como todas as pesquisas deixam claro que os agrotóxicos são causadores de câncer, é correto concluir que essa agricultura é inimiga da saúde das pessoas. Sabendo que a agroecologia cresce em todas as regiões, e que agora conta com o reconhecimento do Plano Nacional de Agroecologia, podemos perguntar-nos: não se deveria cobrar do agronegócio o pagamento dos tratamentos demorados de câncer?

A realidade, contudo, deixa a gente confusa e revoltada: como aceitar que o governo federal e o dos estados tenham partidos e políticos que defendem e promovem o agronegócio como seus aliados? Será que valem a pena os dólares gerados com a venda das commodities do agronegócio, quando se tem presente os sofrimentos, os custos de tratamento e as mortes precoces provocadas por cânceres?


Quando a saúde das pessoas e da Terra se fizer presente no planejamento das políticas públicas, com certeza os que usam agrotóxicos e vendem alimentos e água contaminados, assim como os que promovem o uso de derivados do petróleo, não terão apoio de recursos públicos e poderão ser cobrados pelos prejuízos às pessoas e à Terra. Assim sendo, não chegou a hora de exigirmos que os governos só apoiem a produção de alimentos saudáveis, sem agrotóxicos, e invistam mais em transporte coletivo eficiente nas cidades, proibindo o uso de automóveis?