segunda-feira, 19 de novembro de 2018

SUPER-RICOS: 2.158 ACUMULARAM 8,9 TRILHÕES DE DÓLARES EM 2017

NÃO NOS DEIXEMOS ENGANAR: É ESSA TERRÍVEL, ESCANDALOSA E MORTÍFERA CONCENTRAÇÃO DE RIQUEZA QUE EXIGE, PARA SE MANTER INTOCADA, COMO ENTIDADE SAGRADA, O AVANÇO DE GOVERNOS FASCISTAS. SÓ ELES SÃO VIOLENTOS O SUFICIENTE PARA RETIRAR AINDA MAIS DOS POBRES E DE DO AMBIENTE VITAL DA TERRA PARA PASSAR PRA ESSES POUCOS SUPER-RICOS.

ATÉ ONDE E QUANDO AGUENTARÃO OS POBRES E A TERRA ESSA ECONOMIA QUE MATA E AS POLÍTICAS QUE A SUSTENTAM?

TV 247 - 18 de Novembro de 2018 às 22:07 // Inscreva-se na TV 247 Youtube


RBA - Os chamados super-ricos do planeta, que correspondem a 2.158 pessoas, aumentaram suas fortunas em quase 20% em 2017, ano em que acumularam um montante calculado em 8,9 trilhões de dólares – algo como 4,1 bilhões de dólares cada uma.

Os dados, que fazem parte do levantamento UBS Billionaires Report 2018 divulgado pelo banco suíço UBS e pela consultora PwC, mostram que a soma dessas fortunas são superiores, inclusive, ao Produto Interno Bruto (PIB) de alguns países, entre eles, Espanha e Austrália, que no mesmo ano registraram anualmente US$ 1,31 trilhão e US$ 1,32 trilhão, respectivamente.

No Brasil, 42 bilionários também tiveram aumento de suas fortunas na comparação com 2016, quando acumulavam US$ 173,4 bilhões e passaram a US$ 176,7 bilhões no ano passado.

Em análise para o Seu Jornal, da TVT, o comentarista internacional Flávio Aguiar ressalta que entre 179 novos super-ricos, registrados pelo relatório, 44 passaram a ter este status por meio de herança.

O analista ressalta a desigualdade em termos de distribuição regional, afirmando que "nenhum desses bilionários pertencem à África chamada subsaariana, uma das regiões em que sabidamente mais há pobres do mundo". Os Estados Unidos é o país que historicamente concentra o maior número de bilionários, mas é a China que vem expandindo este número, informa Flavio.

https://www.brasil247.com/pt/247/economia/375418/Bilion%C3%A1rios-pelo-mundo-ficam-20-mais-ricos-em-2017.htm?utm_source=Brasil+247&utm_campaign=0af4896851-EMAIL_CAMPAIGN_2018_11_19_08_58_COPY_01&utm_medium=email&utm_term=0_d138bc98c5-0af4896851-26734333 

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

PARA QUÊ ERNESTO ARAÚJO NO MINISTÉRIO DE RELAÇÕES EXTERIORES?

ASSUMINDO E APOIANDO O DOCUMENTO DO OBSERVATÓRIO DO CLIMA, CREIO QUE NÃO VALE A PENA ESPERAR O IMPOSSÍVEL: QUE O ERNESTO ARAÚJO MINISTRO SEJA DIFERENTE DO QUE O BLOGUEIRO. O CORRETO É DESEJAR QUE ELE NÃO SEJA CONFIRMADO PARA O CARGO, E QUE SEU SUBSTITUTO OU SUBSTITUTA SEJA ALGUÉM MENOS CEGO E PRETENSIOSO, JÁ QUE ELE ESTÁ CONTRA PRATICAMENTE TODA A COMUNIDADE SÉRIA DE CIENTISTAS E TEM COMO APOIADORES "FORMADORES DE OPINIÃO" QUE ACHAM QUE ENTENDEM DE TUDO E SERIAM DONOS DA VERDADE.

POR ISSO, MANIFESTEM-SE CONTRA A NOMEAÇÃO DE ERNESTO ARAÚJO PARA O MINISTÉRIO DE RELAÇÕES EXTERIORES DO BRASIL.

Escolha de Ernesto Araújo para chanceler põe em risco liderança ambiental brasileira


BRASÍLIA/SÃO PAULO/CURITIBA/RIO BRANCO/PIRACICABA, 15/11/2018
É estarrecedora a escolha do embaixador Ernesto Araújo como ministro de Relações Exteriores. Sua nomeação contraria uma longa tradição da política externa brasileira e traz o risco de tornar o Brasil um anão diplomático e um pária global. O radicalismo ideológico manifesto nos escritos do futuro ministro cria, ainda, uma ameaça para o planeta, ao negar a mudança do clima e, presumivelmente, os esforços internacionais para combatê-la.
Araújo tem expressado posições fortes contra a globalização e contra o multilateralismo. Em nome dessa ideologia, e contrariando as evidências mais rasteiras, chama em seu blog Metapolítica 17 o combate à mudança climática de perversão da esquerda. Invoca uma teoria conspiratória segundo a qual existe um projeto “globalista” de transferir o poder do Ocidente para a China (uma contradição em termos). Parte desse grande complô seria o “climatismo”, que é como ele chama o esforço mundial para reduzir emissões de carbono – empreendido por líderes de todas as faixas do espectro político e com base em décadas de conhecimento científico acumulado.
Tal pensamento, caso prevaleça sobre o ofício do chanceler, será prejudicial ao Itamaraty e ao papel do Brasil no mundo. A diplomacia brasileira tem na defesa do multilateralismo um de seus pilares e, nos últimos 46 anos, vem se valendo do multilateralismo para projetar o Brasil na cena internacional em um dos poucos espaços nos quais o país é líder nato: a agenda ambiental.
O Itamaraty foi o primeiro ministério a entender como o patrimônio natural brasileiro é um dos ativos mais importantes dos tempos modernos. O Brasil foi protagonista na Conferência de Estocolmo, em 1972; foi berço das grandes convenções de ambiente e desenvolvimento sustentável da ONU e da Agenda 21, em 1992; liderou na defesa dos países em desenvolvimento no Protocolo de Kyoto, em 1997; foi o parteiro dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, em 2012; e negociador fundamental do Acordo de Paris, em 2015. Agora, está escalado para sediar a próxima conferência do clima, a COP25, em 2019.
Abdicar essa liderança em nome de uma ideologia de tons paranoicos contrariaria diretamente o interesse nacional, que o presidente eleito, Jair Bolsonaro, prometeu colocar “acima de tudo” em sua campanha. Sendo o Brasil o sétimo maior emissor de gases efeito estufa do planeta, também poria em risco enormes porções da população global – inclusive no Ocidente, como demonstram os recentes incêndios florestais na Califórnia – num momento em que a melhor ciência nos diz que temos apenas 12 anos para prevenir os piores efeitos da crise do clima.
Resta esperar que o cargo e suas responsabilidades tornem o chanceler Ernesto Araújo muito diferente do blogueiro Ernesto Araújo.

Coordenação do Observatório do Clima

A EXPULSÃO DOS MÉDICOS CUBANOS DEIXA NO ABANDONO 28 MILHÕES DE PESSOAS POBRES

UMA COMPARAÇÃO ENTRE OS "COMUNISTAS" MÉDICOS E MÉDICAS CUBANOS E O PRESIDENTE ELEITO E SEUS CÚMPLICES DEIXA CLARO QUE OS PRIMEIROS GANHAM DE 1000 A 0 EM SOLIDARIEDADE E AMOR COMPETENTE À SAÚDE DE 28 MILHÕES DE BRASILEIROS E BRASILEIRAS ABANDONADOS PELA MEDICINA "ESPECIALIZADA" DO NOSSO PAÍS. E DEIXA CLARO QUE O "NOVO-VELHO" GOVERNO SÓ GANHA EM INDIFERENÇA EM RELAÇÃO AOS DIREITOS BÁSICOS DA VIDA DAS PESSOAS. 

ALIÁS, É DESSE MODO QUE ELE SE MANIFESTA ATOR E AGENTE DA "CULTURA E CIVILIZAÇÃO DA INDIFERENÇA" PROMOVIDAS PELO GRANDE CAPITAL FINANCEIRO INTERNACIONAL, DE QUE FAZEM PARTE OS GRANDES BANQUEIROS E EMPRESÁRIOS DO BRASIL, QUE SÃO A "BASE" A QUEM O NOVO-VELHO GOVERNO PRESTA REVERÊNCIA E SERVIÇO.

É PRECISO QUE OS ELEITORES E ELEITORAS DO NOVO GOVERNO DECIDAM SE DESEJAM CARREGAR EM SEUS OMBROS A RESPONSABILIDADE PELAS MORTES QUE OCORRERÃO COM A PARTIDA DOS DISPENSADOS MÉDICOS/AS CUBANOS. SE CREEM EM DEUS, E SE ELE ESTÁ DE FATO ACIMA DE TUDO, COMO SE JUSTIFICARÃO DIANTE DELE POR ESSES CRIMES? O PRECONCEITO DE QUE SE TRATA DE EXPULSAR COMUNISTAS SERVIRÁ PARA SEREM PERDOADOS POR DEUS? E SE OS QUE ESTÃO SENDO ENXOTADOS COMO COMUNISTAS FOREM ACOLHIDOS AMOROSAMENTE POR DEUS POR TEREM COLOCADO EM PRÁTICA A MISERICÓRDIA E O AMOR AOS IRMÃOS E IRMÃS, TENTARÃO CONDENAR TAMBÉM A DEUS COMO CONIVENTE COM O "COMUNISMO"?

VALE LEMBRAR QUE, PELO MENOS PARA OS SEGUIDORES DE JESUS DE NAZARÉ, DEUS NÃO GOSTA E ACOLHE AS PESSOAS QUE FICAM REPETINDO "SENHOR, SENHOR!", MAS NÃO COLOCAM EM PRÁTICA O MANDAMENTO DO AMOR A DEUS E AO PRÓXIMO, AMANDO COMO ELE, JESUS AMOU: DANDO A VIDA PELAS PESSOAS ASSUMIDAS COMO SEU PRÓXIMO.
 

A Confederação Nacional dos Municípios (CNM), divulgou nota nesta quinta-feira (15), alertando sobre a preocupação de prefeitos de municípios com menos de 20 mil habitantes com a saída dos médicos cubanos do programa Mais Médicos. A nota, assinada pelo presidente da entidade, Glademir Aroldi, ressalta que a saída dos 8,5 mil profissionais cubanos pode deixar cerca de 28 milhões de pessoas pelo país sem assistência médica caso não haja substituição dos profissionais.

A reportagem é de Isabella Macedo, publicada por Congresso em Foco, 15-11-2018.

IHU, 16 de novembro de 2018


Aroldi assinala que, segundo dados da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), 1575 municípios são atendidos apenas por médicos cubanos, e que 80% dessas localidades têm até 20 mil habitantes. “Dessa forma, a saída desses médicos sem a garantia de outros profissionais pode gerar a desassistência básica de saúde a mais de 28 milhões de pessoas”. O presidente da entidade também alerta que a situação aflige os prefeitos e pode “levar a estado de calamidade pública” e pede solução rápida da questão.

A nota da CNM também destaca que há 8,5 mil médicos vindos de Cuba que atuam na Estratégia Saúde da Família e cuidando da saúde de indígenas. Os profissionais, prossegue a nota, atuam em 2.885 municípios, a maioria em áreas mais vulneráveis, como na região norte do país, no semiárido nordestino, em cidades com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), terras indígenas e periferias de grandes centros urbanos.

A Confederação pede expansão do Mais Médicos para municípios que ainda não têm atendimento básico de saúde ou enfrentam dificuldades para fixar quadro médico, assunto que afirma ter debatido em audiências recentes no Ministério da Saúde. A nota também afirma que um estudo mostra que a área da Saúde sofreu defasagem de 42% nos gastos durante os últimos 10 anos, o que tem gerado uma sobrecarga nas despesas de municípios, que não podem assumir mais gastos.

“Nesse sentido, a CNM aposta no diálogo entre as partes para os médicos cubanos permanecerem no país pelo menos até o final deste ano ou, se possível, por tempo maior a ser acordado entre os dois países. Durante esse período, acreditamos que o governo federal e de transição encontrarão as condições adequadas para a manutenção do Programa”, diz a entidade.

Cuba deixa Mais Médicos

Ontem (quarta, 14), o Ministério da Saúde Pública de Cuba anunciou em nota oficial seu desligamento do programa Mais Médicos mantido pelo governo brasileiro. A ação foi criada em agosto de 2013, durante o governo de Dilma Rousseff (PT) e tem como objetivo ampliar o atendimento nas comunidades mais pobres por meio de parceria com a Opas.

Na nota, o governo cubano afirma que o presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), “com referências diretas, depreciativas e ameaçando a presença” dos médicos, “disse e reiterou que vai modificar os termos e condições do programa”.

Bolsonaro questiona a preparação dos profissionais cubanos e condiciona a permanência deles no programa à revalidação do título e como única forma a contratação individual. A condição do envio dos médicos ao Brasil é que parte da remuneração paga a eles pelo governo brasileiro seja repassada ao governo cubano.

Leia a íntegra da nota da CNM:

“O valor do Programa Mais Médicos (PMM), ecoado nos diversos cantos do Brasil, demonstrou ser uma das principais conquistas do movimento municipalista frente à dificuldade de realizar a atenção básica, com a interiorização e a fixação de profissionais médicos em regiões onde há escassez ou ausência desses profissionais. Importante destacar que a estruturação e a organização da Atenção Básica de Saúde é pauta permanente da Confederação Nacional de Municípios (CNM) junto ao Executivo Federal e ao Congresso Nacional.
De acordo com a Organização Panamericana da Saúde (OPAS), atualmente são 8.500 médicos cubanos atuando na Estratégia Saúde da Família e na Saúde Indígena. Esses profissionais estão distribuídos em 2.885 Municípios, sendo a maioria nas áreas mais vulneráveis, como o norte do país, o semiárido nordestino, as cidades com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), as terras indígenas e as periferias de grandes centros urbanos. Entre os 1.575 Municípios que possuem somente médico cubano do Programa, 80% possuem menos de 20 mil habitantes. Dessa forma, a saída desses médicos sem a garantia de outros profissionais pode gerar a desassistência básica de saúde a mais de 28 milhões de pessoas.
Nos últimos meses, a CNM, juntamente com as representações das entidades municipalistas estaduais, organizou inúmeras reuniões com o governo federal sobre a necessidade de manutenção e aprimoramento do Programa Mais Médicos, com adoção gradual de novas estratégias para interiorização e fixação dos profissionais médicos e outras categorias necessárias para o atendimento básico às populações. Em audiências recentes com o ministro da Saúde, a Confederação discutiu inclusive a ampliação do Programa para Municípios e regiões que ainda apresentam a ausência e a dificuldade de fixação do profissional médico.
O anúncio referente à decisão do Ministério da Saúde de Cuba de rescindir a parceria, na última quarta-feira, 14, aflige prefeitos e prefeitas desta Confederação. Imediatamente, a entidade buscou em Brasília o atual governo e o governo de transição para que, em conjunto, fosse possível adotar medidas que garantam a manutenção dos serviços de atenção básica de saúde. Cabe destacar que, na última década, estudo apontou que o gasto com o setor de Saúde sofreu uma defasagem de 42%, o que sobrecarregou os cofres municipais. Os Municípios, que deveriam investir 15% dos recursos no setor, já ultrapassam, em alguns casos, a marca de 32% do seu orçamento, não tendo condições de assumir novas despesas.
A presente situação é de extrema preocupação, podendo levar a estado de calamidade pública, e exige superação em curto prazo. Nesse sentido, a CNM aposta no diálogo entre as partes para os médicos cubanos permanecerem no país pelo menos até o final deste ano ou, se possível, por tempo maior a ser acordado entre os dois países. Durante esse período, acreditamos que o governo federal e de transição encontrarão as condições adequadas para a manutenção do Programa. Enquanto aguardamos a rápida resolução do ocorrido pelo órgão competente, estamos certos de que os gestores municipais manterão o máximo empenho para seguir o atendimento à saúde de suas comunidades.
Os Municípios brasileiros, na missão de prestar serviços públicos à população, representados pela Confederação Nacional de Municípios, não medirão esforços para a resolução deste impasse.
Glademir Aroldi
Presidente da Confederação Nacional de Municípios”

http://www.ihu.unisinos.br/584677-saida-de-cubanos-do-mais-medicos-pode-deixar-28-milhoes-desassistidos-diz-cnm 

sábado, 10 de novembro de 2018

MEMÓRIA, PROFECIA E PROJETO

VALE A PENA BUSCAR NOS CAMINHOS JÁ PERCORRIDOS A ENERGIA PARA ENFRENTAR, COMO CRIATIVIDADE E ESPERANÇA, OS DESAFIOS DO TEMPO PRESENTE.


Memória, profecia e projeto

Por Pe. Alfredo J. Gonçalves, cs

Não é hora de lamentar. O lamento embaça a vista e obscurece o caminho. Ventos bravios varrem os céus do Brasil, é verdade, mas sua força pode ser canalizada como energia construtiva. Nuvens sombrias se adensam para a tormenta, mas a luz e o calor do sol, após a tempestade, faz crescer brotos de esperança. Depois do inverno, a primavera renova e reaviva a paisagem e o horizonte. Em vez disso, é tempo de extrair pérolas do tesouro do passado (remoto e recente), firmar os pés no chão embrutecido do presente e fixar os olhos nas veredas abertas ao futuro. Memória e projeto constituem, simultaneamente, desafio e prospectiva. Ilustra bem a imagem do motorista que se senta ao volante de um automóvel. Primeiro, uma rápida olhada ao espelho retrovisor. Depois, e só depois, pé firme e confiante no acelerador. Um pequeno momento de reflexão, para retomar com mais vigor a caminhada.

Da mesma forma que o coração humano, a memória é uma caixa de surpresas. Espaço desprovido de lugar preciso, terra selvagem, desconhecido e em parte inconsciente. Terreno ignoto, às vezes perigoso, mas que, a cada esquina, reserva uma novidade. Que tipo de surpresa ou novidade? Sonho ou pesadelo? Fantasma que assusta ou ferramenta familiar e que pode ser manipulada? Aqui está o desafio: tomar nas mãos o passado, como um metal bruto, e com ele forjar algo inovador e positivo. O que podemos identificar em nossa memória recente e remota como matéria prima a ser reaproveitada e reapropriada? Que pedras preciosas nos hão de servir para a construção do edifício chamado “Brasil que queremos”?

Nem será necessário cavar tão fundo no terreno da história. A experiência das comunidades eclesiais de base (CEBs), das pastorais sociais, da Teologia da Libertação (TdL), da “opção preferencial pelos pobres” e do envolvimentos das Conferências Episcopais e de numerosos pastores; a força dos movimentos populares, trabalhistas, estudantis ou do sindicalismo combativo; as múltiplas e variadas organizações de base, o apoio das entidades, das ONGs e das igrejas do CONIC; as marchas, campanhas, gritos, plebiscitos e mobilizações em geral; os debates em torno das Semanas Sociais Brasileiras; o incansável movimento das mulheres, dos defensores do meio ambiente e dos direitos humanos; as pesquisas, análises e estudos dos intelectuais e acadêmicos em graus e disciplinas distintas; a lembrança dos profetas e mártires da América Latina, como São Oscar Arnulfo Romero; a luta dos afro-brasileiros, dos quilombolas, dos indígenas e de tantas outras minorias… Mas o elenco das forças vivas e ativas deste continente é muito mais expressivo do que podemos sequer imaginar. Terras saqueadas e exploradas, mas não vencidas. Povo que sofre, sonha e luta, mas sempre ao som da música, ao embalo da dança, e sem se deixar abater.

Além de instrumentos e ferramentas, porém, a memória nos faz retomar os métodos e modelos utilizados. Quem não se lembra, por exemplo, das visitas de casa em casa, de família em família, da preocupação pelos doentes e indefesos, pelos os pobres e excluídos? Das reuniões por rua, bairro, prédio, condomínio, ou por categoria, idade ou expressão cultural? Dos círculos bíblicos, encontros em que a Palavra de Deus iluminava a realidade e esta, por sua vez, dava novo sabor e interpretação à Bíblia? Depois, à luz da Palavra e com os pés no chão, como se passava às ações concretas pela transformação das estruturas injustas e assimétricas? E a presença teimosa e persistente nas comunidades rurais e urbanas, nas periferias e cortiços, nas ruas e associações – ou seja, nos porões escuros e esquecidos da sociedade? Como esquecer a expressão que se encontra na ponta da língua de tantos agentes e militantes, “o trabalho de formiguinha”? E como deixar de lado o direito à greve no campo e na cidade?…

A memória consiste em um tesouro onde não faltam as pegadas dos passos já percorridos. Recordações doentias de um paraíso perdido, ou lembranças fecundas, cheias de brilho e força? Toda crise pode nos levar ao colo mórbido da mãe, ao berço, ao choro, ao lamento – no sentido de nos infantilizar num saudosismo nocivo e estéril. Mas pode nos fazer descobrir as ferramentas mais afiadas de nossa resistência, luta, profecia e solidariedade – servindo para fortalecer e consolidar um projeto alternativo. Não um porto final e de chegada, onde estacionar a embarcação; mas um porto seguro e de partida, cujo farol possa orientar esta gigantesca nave Brasil, conduzindo-a no rumo de uma cidadania plural e solidária, justa e fraterna, igualitária e sustentável. “O desenvolvimento integral é o novo nome da paz” – poder-se-ia concluir com a Carta Encíclica Populorum Progressio, publicada em 1967 por São Paulo VI.

Roma, 30 de outubro de 2018.

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

ENTENDA A DÍVIDA PÚBLICA E A RELAÇÃO DELA COM SUA VIDA

DESVELAMENTO DE UMA DAS OPERAÇÕES FINANCEIRAS QUE GERA ELEVAÇÃO PERMANENTE DO MONTANTE DA DÍVIDA PÚBLICA, E PORTANTO, DE MAIS JUROS PARA O CAPITAL FINANCEIRO.


Não precisa privatizar BB, CEF, Petrobras, Eletrobras etc. Basta parar de remunerar diariamente a sobra de caixa dos bancos que já alcança r$1,2 trilhão! - Auditoria Cidadã da Dívida

Acesse o artigo da Auditoria Cidadã da Dívida, entrando no link:

https://auditoriacidada.org.br/conteudo/nao-precisa-privatizar-bb/

terça-feira, 6 de novembro de 2018

A AGENDA FURTIVA DO GOVERNO BOLSONARO

A agenda furtiva do governo Bolsonaro

Adesão aos EUA. Ajuste fiscal dramático. Moro superpoderoso. Por trás da fanfarronice e das idas e vindas nas redes sociais, esconde-se o verdadeiro tripé estratégico do ex-capitão
Por Antonio Martins | Vídeo: Gabriela Leite
Outras Palavras publica hoje, com satisfação, Bolsonaro e o controle da Verdadeum texto indispensável do escritor e jornalista Ricardo Alexandre. O autor desvenda, com sagacidade e certa ironia, o estratagema do presidente eleito para despistar o jornalismo e a crítica, produzindo versões díspares – e frequentemente contraditórias – do que pretende fazer. “Bolsonaro trabalha em regime de contra-informação”, frisa Ricardo, ao explicar como, em poucos dias, o ex-capitão e sua entourage contradisseram-se deliberadamente sobre temas como a coordenação política do futuro governo, a composição do ministério, o momento e circunstâncias do convite a Sérgio Moro, a criação de uma nova CPMF, a extinção do 13º salário, o fechamento do STF e muitos outros assuntos.
O que se pretende com este circo de ziguezagues? Confusa, e acostumada ela própria às frivolidades e factóides, a mídia tradicional não acompanha. Porém, a partir do exame rigoroso de um conjunto de fatos e declarações inequívocas, já é possível traçar um primeira visão sobre o núcleo da estratégia de governo de Bolsonaro e os primeiros passos que ele dará, ao tomar posse. Três pontos centrais compõem o desenho – e estão articulados entre si. No plano externo, alinhamento íntimo com os Estados Unidos de Donald Trump; na Economia, o desmonte de estruturas essenciais do Estado e uma contra-reforma da Previdência muito mais brutal que a de Michel Temer; na arena interna, carta branca para que Sérgio Moro tranforme o ministério da Justiça num instrumento de diversão do público e de perseguição política aos adversários.
O comprometimento com os Estados Unidos, primeira base do tripé, é incômodo e provavelmente impopular, para alguém que vestiu verde e amarelo durante toda a campanha. Por isso, o presidente eleito o anuncia em falas sumárias, ou o disfarça em ataques a outros países. Foi assim, com quatro palavras defensivas (“Continua – sem problema nenhum”), que ele comunicou, em 1º/11, a intenção de autorizar a venda incondicional da Embraer à Boeing, desnacionalizando a principal empresa brasileira de alta tecnologia. Sempre lacônico, Bolsonaro anunciou outras mudanças drásticas na orientação da política externa brasileira. Quer transferir a embaixada brasileira em Israel para Jerusalém, ferindo decisão da ONU e subordinando-se a Trump. Ameaça romper relações diplomáticas com Cuba, após inviabilizar a presença dos médicos cubanos no Brasil. E aparentemente autorizou seu futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, a desfazer do Mercosul, anunciar que mantê-lo não será prioridade e afirmar que o bloco “só negocia com quem tiver inclinações bolivarianas”.
A reviravolta na posição brasileira no mundo já está produzindo consequências. Primeiro-ministro de Israel, o ultra-direitista Benyamin Netanyanu anunciu sua intenção de comparecer à posse de Bolsonaro. Mas há aqui outro aspecto central a investigar aqui. Aos poucos, fica claro que as eleições brasileiras foram fortemente influenciadas por uma tática eleitoral desenvolvida fora do país, em favor de um projeto geopolítico profundamente antidemocrático [vale assistir a estes vídeos 1 2]. Estados Unidos e Israel parecem ser os pivôs deste projeto. Mas quais são suas dimensões reais e perspectivas? Que papel ele enxerga para o Brasil? Quais suas brechas? Serão perguntas centrais nos próximos meses.
Articulada com a primeira, a segunda coluna do tripé de Bolsonaro parece ser a intenção de promover um ajuste fical capaz de mudar a face do país. Implica devastar direitos sociais, reduzir dramaticamente a capacidade de ação do Estado e criar um ambiente favorável à atração de grande volume capitais externos de rapina. Duas pistas conduzem a esta conclusão. Primeiro, o futuro ministro da Economia Paulo Guedes fala reiteradamente em zerar, já em 2019, o déficit primário da União. As distintas formas de fazê-lo são um longo debate, que será tratado num programa à parte. O que importa agora são os caminhos concretos propostos por Guedes. Ele quer leiloar, a petroleiras internacionais, as áreas do Pré-Sal controladas pela Petrobras por meio do regime de cessão onerosa. Trata-se de reservas de 3,5 bilhões de barris de petróleo, pesquisadas e descobertas pela empresa brasileira, que seria cedida a suas concorrentes internacionais. Guedes pretende também desmantelar o BNDES ou reduzir ao mínimo sua presença na economia – o que privaria o país de uma ferramente essencial para promover um novo padrão de desenvolvimento. E o que for necessário para zerar o déficit, dizem o futuro ministro e seus assessores, virá a partir de cortes impiedosos nos gastos sociais. Pense no SUS, já atingido pela Emenda Constitucional 95 e sofrendo o fechamento de Unidades Básicas de Saúde em todo o país.
No terreno econômico, o projeto de longo prazo é uma “reforma” da Previdência que praticamente liquidaria o sistema de aposentadorias por repartição e solidariedade. A proposta é tão drástica que o futuro ministro pensa em abandonar o próprio projeto regressivo de Michel Temer. Em vez de fundo público e de transferências de renda (para as famílias mais pobres, os idosos ou inválidos, por exemplo) passaria a haver essencialmente um sistema de contas individuais de poupança, a que os trabalhadores adeririam obrigatoriamente, pagando comissões ao sistema financeiro, e que poderiam resgatar, a partir dos 65 anos. Um outro texto-vídeo analisará em alguns dias esta proposta. Mas é evidente, desde já, como ela rebaixa as condições de vida e cria, ao mesmo tempo, um terreno fértil para oferecer, em massa, serviços financeiros privados.
Evidentemente, subordinação aos Estados Unidos e corte de direitos, sozinhos, não serão capazes de manter a popularidade do presidente eleito. Haverá, em condiçẽos normais, risco de queima acelerada de capital político. É aí que entra o ex-juiz Sérgio Moro e seu superministério da Justiça. Moro não controlará apenas a Segurança Pública, utilizando-se inclusive dos decretos que permitem contratação sigilosa de equipamentos de vigilância. Ele terá sob seu comando a Controladoria Geral da União, que tem poderes para questionar e interromper todos os convênios de órgãos públicos e privados com o Estado. E, mais crucial, controlará o COAF – Conselho de Controle de Atividades Financeiras. É até agora um órgão técnico, voltado a coibir a lavagem de dinheiro ou as operações suspeitas. Estava, por isso, sob o guarda-chuvas do ministério da Fazenda. Sua politização poderá convertê-lo num instrumento de intimidação e coação de adversários políticos.
Por tudo isso, um cenário possível, no início de janeiro, é: o Palácio do Planalto e o Congresso deflagram o ataque aos direitos sociais, o mega-leilão de petróleo, o alinhamento automático com Washington e a nova “reforma” da Previdência. A mídia convencional, despreparada há muito para debater o país em profundidade, sucumbe às pirotecnias de Moro. Bolsonaro completa o circo de horrores, tuitando despistes.
Não é, porém, o único cenário. Conhecer o estrategema é um passo importante para desmontá-lo, para encontrar as frestas e as contradições, para tramar as alternativas. A época das fake news pode ser, também, o momento em que a sociedade compreender, aos poucos, a importância de reinventar a democracia e de resgatar o jornalismo de profundidade.
https://outraspalavras.net/brasil/a-agenda-furtiva-do-governo-bolsonaro/ 

BOLSONARO E O CONTROLE DA VERDADE

Por ANTONIO MARTINS

Primeira análise de um discurso. Em curiosa tentativa de desconcertar o jornalismo, ex-capitão diz e desdiz, o tempo todo. Escolha sua própria verdade. Você finalmente será livre — para segui-lo
Por Ricardo Alexandre
“Jair Bolsonaro é evangélico”, afirmava um. “Não, ele é católico romano”, dizia o outro. “Não, eu vi o vídeo dele sendo batizado por um pastor da Assembléia”. “Mas eu vi uma entrevista na qual ele dizia que era católico”. “Mas quem fez o casamento dele foi o Malafaia”. “Mas ele continua sendo católico”.
Não eram minhas tias conversando no almoço de família. Era um comentarista político e um especialista em marketing político discutindo com o microfone ligado, sobre a religião do então candidato a presidente. Em um país em que 60% declara que “jamais” votariam em um ateu, a religião é fator fundamental também na identidade de um personagem público.
Pois até nesse ponto Jair Bolsonaro trabalha em regime de contrainformação. Sua religião é assunto tão envolto em fatos e versões que a Folha produziu um conteúdo para tentar esclarecer seu leitor (link nos comentários).
A tradição religiosa do presidente eleito é apenas um exemplo do que os americanos batizaram de “pós-verdade”. Dizer que ele é evangélico não seria uma mentira. Dizer que ele é católico também não é. Também não são verdades, são pós-verdades.
“Pós-verdade” foi a “palavra do ano” de 2016 segundo o dicionário Oxford, para designar algo “relativo a ou denotando circunstâncias nas quais fatos objetivos são menos influenciadores da opinião pública do que apelos à emoção ou crenças pessoais”.
Em outras palavras: se você acredita que Bolsonaro é evangélico, você vai ter quilos de vídeos, declarações e pastores para passar a vida compartilhando e comprovando o que você  acreditava; se pensa que ele é católico, também. É isso que importou na campanha de Donald Trump (quando a palavra “pós-verdade” foi inventada) e é isso que importa na comunicação de seu discípulo brasileiro, Jair Messias Bolsonaro.
No caso do brasileiro, ao ser abraçado por líderes neopentecostais como Silas Malafaia, Estevan Hernandes, Ana Paula Valadão e Edir Macedo, entrou na receita um componente bastante próprio dessa tradição do evangelicalismo brasileiro, perfeitamente compreendido pelos fiéis: a ênfase e a convicção são muito mais importantes do que o conteúdo. Em outras palavras, como quão violentamente (ou defendemos algo) passou a ser a questão, muito mais do que está sendo dito. A jornalista Eliane Brum escreveu um artigo muito interessante a esse respeito, “Bolsonaro e a autoverdade” (link nos comentários).
Bolsonaro ditou completamente a agenda política de 2018. Concordo com Eduardo Jorge e Ciro Gomes, quando dizem que o capitão foi fruto direto do “nós contra eles” do petismo. Mas a novelinha de Lula candidato foi só uma patética tentativa de desviar o foco de quem sempre esteve no centro do palco: Jair Bolsonaro. Foi ele e seus filhos quem deram as cartas do noticiário o tempo todo, com declarações bombásticas, desmentidos e aparente bateção-de-cabeça. O ex-assessor de Donald Trump e líder do grupo de direita nacionalista The Movement, Steve Bannon, disse que essa “linguagem provocativa” é a tática ideal para alguém “conseguir ser ouvido em meio ao barulho”, chamar a atenção à margem de uma mídia que nunca o levou à sério. “Hoje, a política é, na realidade, uma narrativa midiática”. (Leia o link nos comentários).
Entretanto, eleito presidente, Jair Bolsonaro não parece satisfeito em apenas construir uma narrativa midiática. Ele, seus filhos e seus diretos continuam monopolizando a mídia, mas seu mais ambicioso controle não é mais sobre a imprensa; é sobre a verdade.
Reflita comigo: qual a conexão do versículo bíblico que ele usou em seu primeiro pronunciamento como presidente (“Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”) com o conteúdo em si? Até onde vai minha capacidade de interpretação de texto (Leia a íntegra no link nos comentários), não há conexão nenhuma, a menos que você considere a possibilidade de estar diante de um homem se apresentando ele mesmo como a verdade ou, no mínimo, porta-voz da versão que deve ser entendida como a verdade.
Mas, como também está na Bíblia, na boca de Pôncio Pilatos, “O que é a verdade?” Será a verdade, captada em vídeo, do próprio Bolsonaro anunciando que Antonio Fraga iria “coordenar a bancada lá no Planalto” apesar de ser condenado por corrupção? Ou seria o mesmo presidente, no Twitter, escrevendo que “nossos ministérios não serão compostos por condenados por corrupção como foram nos últimos governos”? Seria o vice Mourão dizendo que Sergio Moro sabia do convite ao Ministério da Justiça desde a campanha? Ou o próprio Moro dizendo que não sabia? Seria Bolsonaro anunciando a fusão dos ministérios do Meio Ambiente e Agricultura ou ele voltando atrás? Ou ele anunciando novamente ou voltando atrás novamente? Seria a verdade dita por Paulo Guedes que o novo governo pretende criar uma “nova CPMF”? Ou o desmentido? Seria o filho explicando como fechar o STF? Ou o pai repreendendo “o garoto” no dia seguinte? Seria Mourão ao criticar o 13º ou Bolsonaro anunciando o 13º para o Bolsa Família? Seria Bolsonaro defendendo a liberdade de imprensa no “Jornal Nacional” ou ele caracterizando a Folha como “indigna” de receber as verbas publicitárias do governo no mesmo programa? Ou seria seu vice, algumas horas depois, dizendo que “a imprensa não é inimiga”?
Quem será que “vazou” o vídeo de Bolsonaro anunciando Fraga como ministro? Será que a Record, emissora do mesmo Edir Macedo que vem apoiando escancaradamente o presidente, levaria ao ar algo sem a aprovação de sua equipe? Se sim, porque tirou o vídeo de seus sites? E porque apenas depois da avalanche de críticas à nomeação de Fraga? Será que o próprio Bolsonaro solicitou o vazamento? Com qual objetivo? Testar a opinião pública para um ministro condenado por corrupção? Ou desnortear a cobertura da imprensa para a montagem de seu ministério?
Afinal, o que é a verdade?
A resposta de Bolsonaro à pergunta de Pôncio Pilatos está nas entrelinhas de seu tweet de alguns dias atrás: “Anunciarei os nomes oficialmente em minhas redes. Qualquer informação além é mera especulação, maldosa e sem credibilidade.” 24 horas depois, Bolsonaro dá a sua primeira entrevista coletiva barrando a entrada da FolhaO GloboEstadão e agências internacionais. O próprio presidente tratou de obscurecer o que deveria ser esclarecido: “Não sei quem marcou isso (a coletiva)”, e nem quem havia mandado restringir os veículos.
Bolsonaro e sua equipe têm trabalhado incansavelmente em cristalizar na cabeça de seus eleitores que a imprensa tradicional brasileira é “especulação”, “fake news”, “indigna” e “sem credibilidade”. A verdade não surge mais da multiplicidade de pontos de vista e do debate entre diferentes vozes. “A verdade” é o que Bolsonaro disser. É essa a verdade que “vos libertará”. Libertará do lulopetismo, libertará da ameaça comunista, libertará da imprensa esquerdopata, da ditadura venezuelana.
Para um país com o índice de leitura do Brasil, soa como música: notícias apuradas por profissionais são “especulação”, “vamos esperar”, “isso é fake news”, “tem que acabar com essa imprensa mesmo”. Verdade é o que o Capitão disser em suas redes sociais. É o que Steve Bannon ensinou nos Estados Unidos: desacredite a imprensa o quanto você puder e mesmo que você admita em juízo que teve um caso extraconjugal com uma atriz pornô, seus devotos só acreditarão no que lerem em suas redes sociais. Imagine em um país como o Brasil, numa eleição construída em cima de memes e fake news, com uma imprensa em constante crise de recursos como a nossa. O que é a verdade?
Escolha a sua verdade. Ou melhor, deixe que o capitão escolha para você. Torça pelo fim da imprensa independente, em vez de torcer pelo seu aperfeiçoamento. Assim, como nos tempos do comandante Ustra, você não terá mais notícias de corrupção nem de corruptores nos jornais. Não terá nem jornais. E, segundo a interpretação que o nosso presidente deu para o versículo bíblico, finalmente será livre.
Livre para segui-lo.
https://outraspalavras.net/brasil/bolsonaro-e-o-controle-da-verdade/