segunda-feira, 13 de julho de 2020

ONU: O MUNDO ESTÁ TRATANDO OS SINTOMAS, NÃO AS CAUSAS DA PANDEMIA

É ISSO AÍ. QUEM E POR QUE ESTÃO DEIXANDO DE LADO AS CAUSAS? SÃO SEMPRE OS MESMOS, OS QUE NÃO QUEREM RECONHECER QUE É PRECISO MUDAR PROFUNDAMENTE O ESTILO DE VIDA E AS AGRESSÕES À TERRA...

ONU: o mundo está tratando os sintomas, não as causa da pandemia

Destruição contínua da natureza trará fluxo de doenças transmitidas de animais para o homem, aponta relatório

Carta Maior - 09/07/2020 17:02
 
A criação industrial de animais, especificamente porcos e galinhas, é um dos principais riscos para a propagação futura de doenças zoonóticas, afirmam especialistas (Nikolay Doychinov/AFP/Getty Images)
Créditos da foto: A criação industrial de animais, especificamente porcos e galinhas, é um dos principais riscos para a propagação futura de doenças zoonóticas, afirmam especialistas (Nikolay Doychinov/AFP/Getty Images)
O mundo está tratando os sintomas sanitários e econômicos da pandemia de coronavírus, mas não sua causa ambiental, apontam os autores de relatório da ONU. Dessa forma, nos próximos anos, podemos esperar um fluxo constante de doenças transmitidas de animais para humanos, dizem.

Do Ebola ao Sars, passando pelo vírus do Nilo Ocidental e pela febre do Vale do Rift, vem aumentando o número de epidemias "zoonóticas" que têm como causa principal a destruição da natureza pelos seres humanos e a crescente demanda por carne, diz o relatório.

Mesmo antes da Covid-19, 2 milhões de pessoas morriam de doenças zoonóticas todos os anos, principalmente nos países mais pobres. O surto de coronavírus era altamente previsível, disseram os especialistas. "A [Covid-19] pode ser a pior, mas não foi a primeira", disse a diretora do programa da ONU para o Meio Ambiente (Pnuma), Inger Andersen.

Os maiores custos econômicos recairão sobre os países ricos – no caso da Covid-19, o custo será de 9 trilhões de dólares em dois anos, de acordo com a economista-chefe do FMI. Isso é um ótimo argumento para que se invista nos países onde surgem doenças, dizem os autores do relatório.

O relatório aponta ser vital uma abordagem de “saúde única”, que englobe a saúde humana, animal e ambiental e inclua muito mais vigilância e pesquisa sobre as doenças e os sistemas alimentares que possibilitam as transmissões para o homem.

"Houve muitas respostas à Covid-19, mas grande parte delas tratou a pandemia como um desafio médico ou um choque econômico", disse a professora Delia Grace, principal autora do relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e do Instituto Internacional de Pesquisa Pecuária.

“Mas suas origens estão no meio ambiente, nos sistemas alimentares e na saúde animal. É como ver alguém doente e tratar apenas os sintomas e não a causa subjacente, e há muitas outras doenças zoonóticas com potencial pandêmico.”

"O aumento e a intensificação da atividade humana estão afetando o meio ambiente em todo o planeta, desde os crescentes assentamentos humanos à [produção de alimentos], passando pela expansão do setor de mineração", explica Doreen Robinson, chefe para a vida selvagem do Pnuma. “Essa atividade humana está rompendo o amortecedor natural que protegia os seres humanos de vários patógenos. É extremamente importante chegar às causas do fenômeno, caso contrário, ficaremos apenas reagindo aos seus efeitos”.

"A ciência é clara: se continuarmos explorando a vida selvagem e destruindo os ecossistemas, podemos esperar, nos próximos anos, um fluxo constante dessas doenças que “saltam” de animais para seres humanos", disse Andersen.

A vida selvagem e os rebanhos são a fonte da maioria dos vírus que infectam os seres humanos, e o relatório cita uma série de fatores que causam surtos de doenças, como a crescente demanda por proteína animal, uma agricultura mais intensiva e insustentável, maior exploração da vida selvagem, crescentes viagens globais e a crise climática. Também destaca que muitos agricultores, regiões e nações relutam em declarar surtos por medo de prejudicar o comércio.

"Os principais riscos para a disseminação futura de doenças zoonóticas são o desmatamento de regiões tropicais e a criação industrial de animais em larga escala, mais especificamente de porcos e galinhas criados em alta densidade", diz o ecologista Thomas Gillespie, da Universidade Emory, nos EUA, do grupo de revisores do relatório. “Estamos em um momento de crise. Se não mudarmos radicalmente nossas atitudes em relação ao mundo natural, as coisas vão piorar muito – muito mesmo. O que estamos vivendo hoje vai parecer leve.”

O relatório destaca alguns exemplos de onde os riscos zoonóticos estão sendo controlados. Em Uganda, as mortes por febre do Rift Valley foram reduzidas através do uso de dados de satélite para antecipar chuvas fortes, que podem produzir enxames de mosquitos e desencadear surtos.

O relatório é o mais recente aviso de que os governos devem enfrentar a destruição ambiental para evitar futuras pandemias. Em junho, um importante economista e a ONU afirmaram que a pandemia de coronavírus era um "SOS para a experiência humana" e, em abril, os principais especialistas em biodiversidade do mundo disseram que mais surtos de doenças mortais eram prováveis, a menos que a natureza fosse protegida.

"A simples ideia de que a saúde da humanidade depende da saúde do planeta e da saúde de outras espécies deve estar no cerne de nossa resposta às zoonoses e aos outros desafios que a humanidade enfrenta", diz Andersen. "Se a humanidade der à natureza a chance de respirar, ela será nossa maior aliada na construção de um mundo mais justo, mais verde e mais seguro para todos.”

*Publicado originalmente em 'The Guardian' | Tradução de Clarisse Meireles

https://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/ONU-o-mundo-esta-tratando-os-sintomas-nao-as-causa-da-pandemia/4/48084

sexta-feira, 10 de julho de 2020

TEMPERATURA PODE AUMENTAR 1,5ºC EM CINCO ANOS

CLIMAINFO - 10 de julho de 2020


Novas projeções feitas pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) indicam que a temperatura média global provavelmente será ao menos 1oC mais alta em relação aos níveis pré-industriais em cada um dos próximos cinco anos (2020-2024). Pior: há 20% de chance de que ela possa exceder 1,5oC em pelo menos um desses anos, o que representaria um desafio tremendo para a implementação do Acordo de Paris.

Liderada pela agência meteorológica britânica Met Office, a revisão das projeções para os próximos cinco anos deixa claro que a janela de oportunidade para que o mundo consiga conter o aquecimento do planeta neste século em 1,5oC, considerada pelo IPCC como um limite relativamente seguro em termos de impactos climáticos, nunca esteve tão estreita.

As projeções não consideram os efeitos da pandemia sobre as emissões globais recentes, decorrentes do desaquecimento da economia global. Para a OMM, a queda nas emissões causada pela pandemia não substitui ação climática sustentada e coordenada. “Devido à vida útil muito longa do CO2 na atmosfera, não se espera que o impacto da queda nas emissões neste ano nos leve a uma redução da concentração de CO2 na atmosfera”, disse o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas.

BBC, Reuters, The Independent e Carbon Brief abordaram os principais pontos das novas projeções da OMM.


BRASIL COMEÇA A APROVAR PROTOCOLO SOBRE BIODIVERSIDADE COM DEZ ANOS DE ATRASO

UM ABSURDO, OU MAIS UM, DENTRO DO QUADRO NEGATIVO DA POLÍTICA BRASILEIRA EM RELAÇÃO AO MEIO AMBIENTE, EM ESPECIAL À BIODIVERSIDADE, DE QUE TRATA O PROTOCLO DE NAGOIA: SÓ DEZ ANOS DEPOIS DA DATA INICIAL O BRASIL INSTITUCIONAL COMEÇA A SE MEXER!

QUANDO LEVAREMOS A SÉRIO AS RELAÇÕES COM A NATUREZA, A MÃE TERRA, DE QUEM SOMOS PARTE? O QUE FAZEMOS OU DEIXAMOS DE FAZER É A NÓS E A TODA A COMUNIDADE DA VIDA QUE AFETAMOS.

CLIMAINFO - 10 de julho de 2020

Depois de oito anos, finalmente a Câmara dos Deputados aprovou na última 4ª feira (8/7) a ratificação do Protocolo de Nagoia, que regula o acesso e a repartição de benefícios dos recursos genéticos da biodiversidade.

Assinado em 2010, o documento é parte da Convenção da ONU sobre Diversidade Biológica e tem como objetivo orientar a soberania dos países sobre seus recursos genéticos e sua exploração por parte de empresas e organizações estrangeiras.

Desde 2014, quando o Protocolo entrou em vigor, o Brasil vinha se mantendo distante das negociações sobre sua implementação, o que é contraproducente para o país, um dos maiores detentores de riquezas naturais e genéticas do planeta. Como Camila Turtelli destaca no Estadão, a aprovação da proposta faz parte de uma tentativa do Congresso de acelerar a votação de projetos ambientais em vista das críticas recentes de investidores e parceiros internacionais contra a política ambiental brasileira. Por isso, ele contou com rara colaboração entre as bancadas ruralista e ambientalista na Câmara.

O texto agora segue para apreciação pelo Senado Federal. Caso seja aprovada, a ratificação aguardará então a assinatura de Bolsonaro.

A aprovação foi destaque também nos Direto da Ciência, Poder 360 e O Globo.

quinta-feira, 9 de julho de 2020

JUSTO PRÊMIO À REDE DE SEMENTES DO XINGU

 PRÁTICA MARAVILHOSA, DAS MULHERES, DE MODO ESPECIAL. É O CUIDADO E O AMOR PELA REPRODUÇÃO DA VIDA, DAS ÁRVORES E DAS FLORESTAS. QUE SEU EXEMPLO, PREMIADO, SEJA PREMIADO TAMBÉM POR MAIS GRUPOS DE MULHERES E HOMENS, JOVENS ESPECIALMENTE, QUE MULTIPLIQUEM ESTA PRÁTICA.

Rede de Sementes do Xingu vence o Ashden Awards, prêmio internacional para soluções climáticas

Publicado em: 8 de julho de 2020
Clerizia Pantaleão beneficia sementes de tingui no Projeto de Assentamento Jaraguá (MT)
 
Iniciativa foi escolhida entre mais de 200 propostas de todo o mundo. Com 13 anos de história, é a maior rede de sementes nativas no Brasil

A Rede de Sementes do Xingu está entre os 11 vencedores do Ashden Awards 2020, prêmio internacional para soluções climáticas. A rede foi escolhida entre mais de 200 propostas de todo o mundo.

O prêmio é concedido anualmente pela Ashden, organização baseada no Reino Unido que dá visibilidade e apoio a iniciativas inovadoras nos campos do clima e energia em todo o mundo – incluindo empresas, organizações não-governamentais e do setor público que estão entregando soluções comprovadas.

Os vencedores recebem um prêmio em dinheiro, apoio ao desenvolvimento da iniciativa e a oportunidade de conectar com investidores do setor de energia e clima.

“Essas organizações fazem mais que reduzir emissões – elas criam novos empregos, melhoram a saúde e reduzem a desigualdade. Elas são o rosto do futuro”, disse Harriet Lamb, CEO da Ashden.
“É um reconhecimento da iniciativa e do trabalho feito ao longo desses 13 anos de existência”, comemora Bruna Ferreira, diretora da Associação Rede de Sementes do Xingu.

A Rede de Sementes do Xingu é composta por 568 coletores indígenas, urbanos e agricultores familiares, em sua maioria mulheres, e se consolidou como a maior rede de comercialização de sementes nativas no Brasil.

Em mais de dez anos de trabalho, a rede e seus parceiros recuperaram 6,6 mil hectares de áreas degradadas na bacia do Xingu e Araguaia e outras regiões de Cerrado e Amazônia. Para isso, foram utilizadas mais de 221 toneladas de sementes de 220 espécies nativas.

A iniciativa já é uma referência para a produção comunitária de sementes no Brasil. “É uma alternativa de renda que vem da floresta, valorizando a diversidade ambiental e cultural. No contexto de emergência climática, a Rede de Sementes é o nosso maior exemplo de um futuro possível”, ressalta Ferreira.

A Rede de Sementes do Xingu tem o apoio da União Europeia, Conservação Internacional, Partnerships for Forests (P4F), Funbio, Instituto Bacuri, Rainforest Foundation Norway, DGM, Good Energies, PPP Ecos/ISPN, e Amaz.

Coletora Yarang beneficia das sementes de murici-da-mata, Território Indígena do Xingu (MT)

Ações de enfrentamento à Covid-19

Reconhecidas por suas soluções climáticas inovadoras, muitos dos finalistas e vencedores do Ashden Awards foram também parabenizados pelas respostas rápidas e efetivas à pandemia da Covid-19, incluindo a Rede de Sementes do Xingu.

Com o avanço da Covid-19 no Brasil, a Rede de Sementes tem atuado para garantir a saúde e segurança dos coletores e equipe. Kits de higiene e proteção, além de materiais para beneficiamento das sementes foram enviados na última semana.

A coleta de sementes segue dentro de cada núcleo familiar ou aldeia, e a entrega será feita com agendamento, para evitar aglomerações. A fim de assegurar a sustentabilidade financeira e o isolamento dos associados, a Rede vai realizar o pagamento antecipado de 21 toneladas das sementes e estendeu o valor do Fundo Rotativo, fundo de crédito destinado aos coletores.

Ainda assim, foram registrados ao menos cinco casos e uma morte por Covid-19 – a de Mônica Renhinhãi’õ (foto abaixo) – entre as mulheres coletoras Xavante da Terra Indígena Marãiwatsédé. A TI já contabilizava, até o fechamento deste texto, 25 casos e três óbitos.
Mônica Renhinhãi’õ, coletora Xavante da Terra Indígena Marãiwatsédé (MT)

O grupo Pi’õ Rómnha Ma’ubumrõi’wa, das coletoras Xavante é composto por mulheres coletoras e seus familiares, e destina todas as sementes coletadas para a restauração das áreas dentro e adjacentes à TI. Além de ser uma importante alternativa socioeconômica, o trabalho com as sementes é uma forma de se apropriar e proteger o território, ameaçado por invasões e intensamente desmatado.
 
Por: socioambiental.org

https://observatoriosc.org.br/noticia/rede-de-sementes-do-xingu-vence-o-ashden-awards-premio-internacional-para-solucoes-climaticas/ 

EUROPA PODE AVANÇAR NAS MUDANÇAS

NÃO DARÃO COM CERTEZA OS PASSOS NECESSÁRIOS PARA TRANSITAR PARA UMA NOVA CIVILIZAÇÃO. MAS PODEM IMPLEMENTAR MUDANÇAS QUE SINALIZAM A POSSIBILIDADE DE MUDANÇAS MAIS PROFUNDAS. 

DW, 06.07.202o
  • James Jackson

Opinião: Europa pode estar diante de uma onda verde

Irlanda, Alemanha e agora França: os partidos de cunho ambientalista estão ganhando terreno. Sua influência na política pode marcar uma era - e, para isso, eles não precisam necessariamente estar no governo nacional.

Atualmente, o mundo enfrenta duas crises que definirão uma era. A pandemia do coronavírus afeta o dia a dia, restringe as liberdades e prejudica a economia. Mas a outra crise, a que aquece rapidamente o planeta, pode ter efeitos ainda piores. Este mês de maio foi o mês mais quente já registrado, e partes do Ártico recentemente viram temperaturas de 38 graus Celsius. Embora no momento esteja se falando pouco do movimento Fridays for Future, os partidos e políticas de cunho ambientalista estão finalmente se aproximando do governo em toda a Europa.

O Partido Verde francês acaba de conquistar uma vitória histórica nas eleições para as prefeituras de grandes cidades como Marselha, Bordeaux, Lyon e Estrasburgo. E a prefeita de Paris, a socialista Anne Hidalgo, foi reeleita em uma plataforma para fazer da congestionada capital francesa uma Amsterdã – ou seja, um paraíso para ciclistas.

Todas as três maiores cidades da França têm agora prefeitos apoiados pelo Partido Verde. Macron respondeu prometendo 15 bilhões de euros (16,9 bilhões de dólares) para medidas de combate às mudanças climáticas. Isso é impressionante para um partido que, na França, só ganhou sua primeira prefeitura em 2015.

Na Irlanda, os verdes tiveram seu melhor resultado de todos os tempos no início deste ano, nas eleições gerais de fevereiro, e decidiram se juntar ao primeiro grande governo de coalizão do país - na condição de que o governo se comprometa a reduzir as emissões de carbono em 7% a cada ano. O país, um dos maiores emissores de carbono da Europa, pode finalmente estar ficando mais verde, mas o partido ambientalista deve ter cuidado para não ser usado como fachada para as políticas de austeridade fracassadas de seus parceiros de coalizão.

Na Alemanha, a longa marcha do Partido Verde em direção à respeitabilidade está quase completa. A legenda percorreu um longo caminho para se tornar um partido de protesto, tendo agora governado em quase todos os estados, bem como em nível federal. As pesquisas têm mostrado consistentemente o Partido Verde em segundo lugar em nível nacional - ou mesmo em primeiro - durante o ano passado, substituindo os social-democratas como o segundo partido da Alemanha, e um provável parceiro para a próxima coalizão governamental.

Uma ascensão meteórica considerando que eles foram o menor partido nas eleições para o Parlamento em 2017. As relações entre os verdes e seus antigos inimigos, a CDU de Angela Merkel, está descongelando mais rapidamente do que as calotas polares, com os líderes verdes parabenizando os democrata-cristãos por seu 70º aniversário. Um convite sutil à coalizão?

Será que o movimento verde vai virar uma verdadeira força política, a social-democracia do século 21? É pouco provável que isso aconteça da noite para o dia. Eles ainda não têm uma base leal que possa se comparar com os trabalhadores industriais e os sindicatos. Os partidos verdes são populares entre os trabalhadores do setor público com educação nas grandes cidades. Estes são, muitas vezes, ativos em questões de estilo de vida como o ciclismo e a reciclagem, mas silenciosos sobre políticas sociais, educação, segurança e outros temas importantes para o governo. Eles podem, inclusive, ser anticiência em questões como vacinação, homeopatia e energia nuclear. Pode ser difícil para eles se livrarem dessas crenças bobas sem alienar seus principais apoiadores.

Mesmo que não acabem liderando os governos nacionais tão cedo, os verdes podem governar as cidades mais habitadas e empurrar as partes à sua esquerda e direita para enfrentar adequadamente o maior desafio deste século, o aquecimento global. A resposta do presidente Macron no dia seguinte às eleições prova isso.

Ela também mostra que o planeta vence quando os verdes governam, ou quando seus rivais são forçados a adotar ideias outrora verdes. Os verdes estão crescendo e, embora nunca possam ser dominantes, eles podem se tornar uma força vital na política do futuro.

https://www.dw.com/pt-br/opini%C3%A3o-europa-pode-estar-diante-de-uma-onda-verde/a-54063776 

sexta-feira, 3 de julho de 2020

REVERENCIEMOS SÍLVIA LAZÁRTE

É MAIS DO QUE JUSTO DESTACAR QUEM FOI E O QUE AJUDOU A BOLÍVIA A REALIZAR, COMO PRESIDENTA DA ASSEMBLEIA CONSTITUINTE QUE, ENFRENTANDO TODO TIPO DE AMEAÇAS DAS ELITES AINDA COLONIALISTAS, LEGOU AO SEU PAÍS UMA CONSTITUIÇÃO QUE PODE E AINDA DEVE INSPIRAR MUITOS OU TODOS OS PAÍSES DO PLANETA. FOI A PRIMEIRA QUE RECONHECEU A EXISTÊNCIA DE NAÇÕES DE POVOS ANCESTRAIS NO TERRITÓRIO, FAZENDO QUE A CONSTITUIÇÃO SEJA UM ACORDO ENTRE NAÇÕES, E NÃO FANTASMAGORICAMENTE ENTRE INDIVÍDUOS. 

POR ISSO, SALVE SÍLVIA, E QUE SUA MORTE INSPIRE E MOBILIZA OS POVOS E PESSOAS BOLIVIANOS A DERROTAR, MAIS UMA VEZ, OS QUE ASSALTAM O ESTADO PARA USÁ-LO SÓ EM SEU BENEFÍCIO.

Arce: ''Exemplo, Silvia Lazarte foi a presidenta da Constituinte que mudou a Bolívia''

Carta Maior - 30/06/2020 14:57
 
 

"Uma profunda dor domina meu coração, faleceu a irmã Silvia Lazarte. Lutadora social, dirigente indígena camponesa e presidente da histórica Assembleia Constituinte que mudou a nossa Bolívia. Um exemplo de luta e dignidade".

Com estas palavras o candidato do Movimento Ao Socialismo - Instrumento Político pela Soberania dos Povos (MAS-IPSP), Luis Arce Catacora, resumiu nesta segunda-feira a despedida do povo boliviano à histórica dirigente Silvia Lazarte Flores, falecida precocemente no dia anterior, aos 56 anos.

Exilado na Argentina, o ex-presidente Evo Morales destacou "o espírito revolucionário da querida irmã Silvia Lazarte, que incentivou a construção de uma Bolívia culturalmente diversa e mais justa, como militante e presidente da Assembleia Constituinte".

A presidenta do Senado, Eva Copa, ressaltou que o país andino recordará para sempre a valentia com que Silvia conduziu a Constituinte para transformar a Pátria e assinalou ser "esta mulher um exemplo para as novas gerações". Graças ao seu empenho, as mulheres contam hoje com 50% das vagas nas listas eleitorais para deputados e vereadores.

Jovem militante
Nascida em 10 de janeiro de 1964, Villa Tunari, província do Chapare, Cochabamba, de ascendência quechua, Silvia Lazarte desde cedo se destacou por suas lutas em favor dos camponeses, "tendo participado ativamente no movimento camponês desde a sua organização sindical de base, substituindo aos 13 anos o seu pai, que por motivos de saúde não pôde comparecer num evento", recordou o pesquisador e cientista social Porfirio Cochi. "Silvia tomou à frente na luta contra a discriminação e a exclusão social, sendo a fundadora e primeira secretária-executiva da Federação de Mulheres do Trópico de Cochabamba, até alcançar outras funções políticas como vereadora de Villa Tunari", lembrou.

Eleita pelo MAS para a Assembleia Constituinte, que presidiu entre 2006 e 2008, liderou o trabalho de redação do novo texto da Constituição Boliviana de 2009. Em seu discurso de posse Constituinte, em 7 de agosto de 2006, recordou ter sofrido na pele a amargura de ser discriminada por ser mulher e camponesa.

′′Venho de uma família muito pobre, por isso não tive apoio econômico para prosseguir os estudos. Muitos me perguntam se eu sou profissional para dirigir a Assembleia Constituinte e eu respondo com orgulho que não, pois fui marginalizada e porque na minha infância meu pai me disse que, como mulher e filha mais velha, devia dar chance aos meus irmãos ", enfatizou Silvia.

Durante a sua visita aos diferentes departamentos para recolher contribuições e critérios para a Constituinte, não imaginou que continuaria sendo objeto de brutal discriminação. Foi insultada em Santa Cruz como "indígena e ignorante". Em Sucre não só foi agredida fisicamente, como ameaçada de morte. Alertada pela dona da casa onde estava hospedada, precisou fugir à noite, porque os "cívicos" - financiados pelos Estados Unidos - iriam incendiar o local com ela dentro. Enfrentando com altivez as agressões, sempre foi serena: "estou junto aos irmãos que amam a sua pátria".

Carta Magna

Com a sua imprescindível marca, a nova Carta Magna boliviana determina ao Estado ''a direção integral do desenvolvimento econômico e seus processos de planificação''; aprofunda e massifica a reforma agrária; fomenta a industrialização; impede a privatização e a concessão dos serviços públicos essenciais; estabelece normas de proteção aos trabalhadores (reconhecidos como a principal força produtiva da sociedade); subordina a propriedade privada à função social e ao interesse coletivo; garante a educação pública, universal, descolonizadora e de qualidade; fortalece a democracia e a soberania popular com o voto e o serviço militar obrigatórios; impede os monopólios e o oligopólio nas comunicações, fomenta a criação e manutenção de meios comunitários ''em igualdade de condições e oportunidades'', garantindo o direito à retificação e à réplica, assegurando a liberdade de expressão, opinião e informação.

"O legado que deixou a sua participação como presidenta da Constituinte é, em primeiro lugar, exemplo de luta, coerente com sua condição de mulher indígena, com seus princípios e compromissos com seu povo, cumprindo o mandato que lhe foi outorgado pelo soberano. Em segundo lugar, demostrou a capacidade de dirigir e redigir a nova Constituição Política do Estado Plurinacional, isolando a pequena casta em meio a uma infinidade de conflitos políticos no interior da Assembleia, defendendo nas ruas das diferentes cidades do país o processo constituinte", ressaltou o pesquisador Porfirio Cochi.

Na avaliação de Porfirio, "a firmeza, a determinação e o caráter de Silvia Lazarte permitiram que se concluísse a redação da nova Constituição Política do Estado". Numa entrevista, Silvia declarou que "como constituinte, mulher de pollera [saia andina] e camponesa não podia fracassar, pois seu fracasso seria o fracasso das mulheres", relembrou o pesquisador.

É este o compromisso que Silvia, junto aos 255 constituintes, conseguiu entregar ao Congresso Nacional para que se submetesse ao referendo de 25 de janeiro de 2009 e fosse promulgado pelo presidente Evo Morales em 9 de fevereiro do mesmo ano. “Este é o seu legado de luta e compromisso, caminho digno de ser trilhado pelas novas gerações, que necessita ser retomado, e que só se conseguirá em setembro com a eleição de Luis Arce”, enfatizou Porfirio.

https://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Pelo-Mundo/Arce-Exemplo-Silvia-Lazarte-foi-a-presidenta-da-Constituinte-que-mudou-a-Bolivia-/6/47985

quarta-feira, 1 de julho de 2020

VEJA O QUE É A NASCENTE CONFERÊNCIA ECLESIAL DA AMAZÔNIA

PASSAR DE APENAS EPISCOPAL PARA ECLESIAL NÃO SERÁ TAREFA FÁCIL. SERÁ UMA MISSÃO, E INOVADORA, NO CASO DE DAR PASSOS POSITIVOS. E PARA A IGREJA UNIVERSAL. SERÁ UM SERVIÇO MAIS EVANGÉLICO, COM CERTEZA. E MAIS PRÓXIMO DA REALIDADE DA VIDA, DO EVANGELHO VIVIDO PELOS POVOS, COMUNIDADES, PESSOAS.

QUE SEJA LUZ PARA AVANÇAR NA BUSCA DA MELHOR FORMA DE A IGREJA SER, E QUE TENHA VIDA LONGA.

IHU, 01 de julho de 2020

“A Conferência Eclesial da Amazônia é um banco de provas para a Igreja universal”


01 Julho 2020

Acabou de nascer a Conferência Eclesial da Amazônia, algo novo, diferente, como todo o processo que levou a esse momento, o Sínodo para a Amazônia, podendo dizer que é uma continuidade. Isso é expresso pelo vice-presidente dessa nova instituição eclesial poucas horas após seu nascimento, Dom David Martínez de Aguirre Guiné, bispo de Puerto Maldonado, um lugar que o Papa Francisco colocou para sempre no mapa da Igreja da Amazônia.

A entrevista é de Luis Miguel Modino.

Torna-se realidade o que "é o espírito eclesial, onde os bispos, os pastores estão com o povo", destaca o dominicano, que afirma que a Conferência Eclesial da Amazônia é um banco de provas, “uma conexão com esse sonho programático do Papa Francisco marcado na Alegria do Evangelho”, e, ao mesmo tempo, uma concretização do Concílio Vaticano II. É algo que traz novidades importantes, como a presença de mulheres e as vozes do território.

Trata-se de uma conferência em "que queremos mostrar os rostos da Amazônia", que afirma que "o rosto da mulher como sujeito eclesial na Amazônia é um rosto muito claramente definido". De fato, “uma Conferência Eclesial da Amazônia, onde as mulheres não têm um papel importante, não seria da Amazônia”, uma afirmação que mostra qual pode ser o futuro de uma Igreja, onde esse papel feminino deve ser cada vez mais reconhecido. Por fim, trata-se de "mostrar o que já está acontecendo na base, diariamente, em nossas comunidades".

David Martínez de Aguirre Guiné. (Foto: Luis Miguel Modino)

O mesmo pode ser dito dos povos indígenas, que "querem se organizar como Igreja e querem dar uma contribuição à humanidade e ao resto da Igreja universal como parte desses rostos da Igreja Amazônica", de acordo com Martínez de Aguirre, que insiste nisso "é muito importante que, na Igreja, paremos de ver os povos indígenas como objetos de evangelização, mas eles mesmos como sujeitos ativos". Essa opção da Igreja pelos povos indígenas é muito clara há muito tempo, mas, de acordo com o bispo de Puerto Maldonado, é algo em que a figura do Papa Francisco teve um papel fundamental para se tornar visível. Agora é a hora de ir fazendo nosso caminho, sabendo que "temos muito trabalho pela frente".

Eis a entrevista.


O que é a Conferência Eclesial da Amazônia?

É um organismo criado na Amazônia para tentar responder aos desafios que a Igreja Amazônica, nos últimos anos, vem descobrindo e estabelecendo prioridades, especificadas nos documentos pré-sinodais, no próprio Sínodo, com seu Documento Final, e nos sonhos que o Papa estabelece na Querida Amazônia. Pode-se dizer que a Conferência Eclesial da Amazônia surge de todo esse processo, que será o organismo que deverá coordenar, promover, todos esses sonhos e toda essa renovação pastoral e evangelizadora da Amazônia.

A primeira coisa que surpreende é que não se trata de uma conferência episcopal, mas de uma conferência eclesial que, segundo seu presidente, cardeal Hummes, como ele disse na assembléia, ser eclesial foi uma sugestão do Papa Francisco. Podemos dizer que esta conferência pode ser considerada um experimento, não sei se é a palavra mais apropriada, de uma nova maneira de ser Igreja, baseada na sinodalidade, em que o bispo não é mais alguém que lidera a Igreja exclusivamente, mas alguém que faz parte de toda a caminhada eclesial?

O Sínodo para a Amazônia, como bem me lembro quando participei como secretário, já era algo diferente dentro do processo sinodal da Igreja, e esta Conferência Eclesial da Amazônia é uma continuidade. Quando li os documentos, vi que isso é totalmente consistente com o Sínodo, é o que vivemos no Sínodo, é o espírito eclesial, onde os bispos, os pastores estão com o povo. Como o Papa Francisco disse na exortação a Alegria do Evangelho, às vezes na frente, às vezes no meio, às vezes atrás, os pastores estão lá.

David Martínez de Aguirre Guiné e Michael Czerny. (Foto: Luis Miguel Modino)

Este é um organismo misto, onde estão os bispos, mas também há a presença do Povo de Deus. O Papa Francisco, já em 2013, quando esteve no Brasil, diz aos bispos brasileiros que a Amazônia é o banco de provas da Igreja Brasileira. O Papa Francisco quer que isso se aplique a toda a Igreja universal, ele também pensa que a Amazônia, esta Conferência Episcopal da Amazônia, é um banco de provas. Quem leu a exortação a Alegria do Evangelho, descobre trechos nesta Conferência, vê que há uma conexão com o sonho programático do Papa Francisco marcado na Alegria do Evangelho.

O Papa também declarou que a sinodalidade deve ser o sínodo da Igreja do século 21, e de fato esta Conferência Episcopal da Amazônia tem uma nuance muito nova que tem a ver com sinodalidade e com a participação de todo o Povo de Deus, uma concretização do Concílio Vaticano II neste modo de ser Igreja.


Diz-se no comunicado que apresenta a nova conferência que ela é uma resposta oportuna ao clamor dos pobres e da Irmã Mãe Terra. Poderíamos dizer que a sinodalidade, os pobres e o cuidado da Irmã Mãe Terra, da casa comum, são os elementos fundamentais do pontificado do Papa Francisco e que esta conferência quer promover tudo isso?

A sinodalidade, os pobres, cuidado da casa comum e a parresia do anúncio do Evangelho, realmente acreditar que o Evangelho, a Boa Nova de Jesus, é um renovador da pessoa, um renovador da humanidade. Há uma paixão pelo Evangelho e esta Conferência Eclesial da Amazônia nasce com essa paixão pelo Evangelho de Jesus e acreditando que o Evangelho de Jesus é uma Boa Notícia para a Amazônia e uma Boa Notícia da Amazônia para o mundo. A esses elementos que você disse, eu também acrescentaria a paixão pela Boa Nova de Jesus.

Conferência eclesial em que há mulheres, a presidente da Conferência Latino-Americana de Religiosos - CLAR e duas das representantes dos povos indígenas. Que papel as mulheres podem ter nesta conferência?
É o rosto da Igreja. Uma das coisas que foi dita, e que o Papa também disse em Puerto Maldonado, é que queremos uma Igreja com rosto amazônico, queremos uma Igreja que mostre os rostos da Amazônia. Essa Conferência Eclesial da Amazônia quer se encarnar naqueles rostos, e o rosto da mulher como sujeito eclesial na Amazônia é um rosto muito claramente definido. Uma Conferência Eclesial da Amazônia, onde as mulheres não têm um papel importante, não seria amazônica, não pertenceria a essa Igreja amazônica.


O papel que as mulheres terão nesta conferência será o que elas já desempenham nas bases, nas paróquias, nos vicariatos, nas dioceses. Está refletindo a estrutura da Igreja, em um nível organizacional mais universal, mais regional neste caso, mostrando o que já está acontecendo na base, diariamente, em nossas comunidades. É para quebrar a dicotomia em que a mulher participa até certo ponto, mas, em alguns níveis de decisão, ela não tem participação. Esta Conferência Eclesial da Amazônia é uma amostra do que é a Igreja na Amazônia e, é claro, a mulher tem que participar. A mulher na Igreja amazônica está presente com uma voz muito clara, muito necessária e muito válida.

Também a presença de representantes dos povos indígenas. Essa presença das vozes do território, que exigem uma aplicação prática do Sínodo, em que sentido elas podem ajudar no dia a dia desta conferência?

Dom Gerardo Zerdín costuma dizer que precisamos parar de falar sobre eles e nós em relação aos povos indígenas, no sentido de que eles são objeto de evangelização e nós somos os sujeitos, os evangelizadores. É entender que os povos indígenas, que existem comunidades, que existem povos indígenas que receberam a mensagem de Cristo e leram o acontecimento de Cristo, e querem se organizar como Igreja, querem fazer uma contribuição para a humanidade e para o resto da Igreja Universal como parte desses rostos da Igreja amazônica.

David Martínez de Aguirre Guiné. (Foto: Luis Miguel Modino)

Parece-me muito importante e, quando dizemos uma Igreja pobre e para os pobres, uma Igreja dos mais vulneráveis, nesta Conferência Eclesial, que inclui povos indígenas, que têm voz ativa e que podem gerar processos, é muito importante para que na Igreja paremos de ver os povos indígenas como objetos de evangelização, mas eles mesmos como sujeitos ativos. A partir daí, surgirão todos os problemas, como territorialidade, tão importante para essas comunidades, cuidado da casa comum, educação, cultura, saúde, interculturalidade, inclusão de todos os povos. Penso que a sua presença é muito importante e que a contribuição será muito significativa, muito enriquecedora.

Povos e organizações indígenas, inclusive no mais alto nível, como é o caso da COICA, destacaram nos últimos meses a importância da aliança que foi estabelecida entre a Igreja Católica e os povos indígenas, uma aliança que ainda foi reforçada com o enfrentamento conjunto da pandemia de coronavírus. Poderíamos dizer que esta Conferência Eclesial da Amazônia estabelece definitivamente essa aliança como algo presente e duradouro para o futuro dos povos indígenas e da Igreja Católica na Amazônia?

A Igreja há muito tempo é aliada dos povos indígenas, e eu digo isso com o meu coração, acho que sim. O que aconteceu é que se tornou visível, não era visível, mas não é que a Igreja tenha subitamente percebido que precisa prestar um serviço aos povos indígenas. Há missionários que há anos, e eu ousaria dizer que centenas de anos, pelo menos aqui na Igreja peruana, fizeram uma opção muito clara pelos povos indígenas, de defesa, desde o início. Embora, às vezes, tenha havido críticas a alguns episódios que não foram tão claros, arriscaria dizer que o general, o comum, tem sido uma opção clara e inegável para a defesa dos povos indígenas.


Mas não conseguimos torná-lo visível, não conseguimos alcançá-lo nessas esferas de organizações. O que foi alcançado nos últimos anos é essa visibilidade, isso é ótimo. E isso liderado pelo Papa Francisco, uma figura de importância internacional. Que o Papa Francisco tenha dado mensagens tão claras e colocado os povos indígenas no centro e no coração da Igreja, e dali para o coração do mundo, os indígenas evidentemente descobriram o que já era. O que acontece é que isso se tornou visível no coração da Igreja, em Roma, e isso foi muito importante.

Esta conferência eclesial deve dar permanência a tudo isso, muito mais com a presença daqueles povos permanentemente nela. É uma opção muito forte da Igreja Católica pelos povos indígenas, e isso deve ser aproveitado.

Mapa da região Pan-Amazônica. (Fonte: Blog do Enem)

O senhor já sabe como esta Conferência funcionará, quais são as medidas a serem tomadas nos próximos meses, especialmente quando essa pandemia de coronavírus for superada e a Igreja puder voltar a trabalhar em conjunto com os povos da Amazônia?

Estamos em um processo. Após o Sínodo, houve um tempo, que também foi condicionado pela pandemia, em que essa consequência vem se formando, o que também foi importante para a organização. Temos um plano pastoral e quem vai realizar esse plano pastoral estava faltando. Agora, o primeiro passo é tentar preparar os estatutos, que serão apresentados ao Santo Padre, que deverão ser aprovados e valorizados. Um primeiro passo foi dado, um pouco dessa inércia saiu e agora teremos que trabalhar. A partir de agora, será necessário ver como esta Conferência é organizada, como estabelecerá relações com a REPAM, como será integrada a tudo o que é o CELAM.

Será necessário ver como vai se fazendo, mas foi dado um passo muito importante, que é o próprio nascimento da Conferência, que é a coisa mais importante. E o resto, pouco a pouco, não há caminho, o caminho é feito caminhando. Temos muito trabalho pela frente.

http://www.ihu.unisinos.br/600509-a-conferencia-episcopal-da-amazonia-e-um-banco-de-provas-para-a-igreja-universal-entrevista-com-dom-david-martinez-de-aguirre