segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

DEZ MANDAMENTOS DO SÍNODO ESPECIAL PARA A AMAZÔNIA





Enquanto esperamos o documento do Papa Francisco “Querida Amazônia”, seguem os Dez mandamentos do Sínodo Especial para a Amazônia, elaborados pelos assessores sinodais Márcia Maria de Oliveira, Ima Célia Guimarães Vieira e Pe. Raimundo Posidônio Carrera da Mata. É um exercício de pessoas que desejam que as decisões do Sínodo se tornem prática na vida das pessoas e da Igreja, vivenciando novos caminhos para igreja e para uma ecologia integral.  

1º Amazonizarás a Igreja para acolher as culturas e tradições amazônicas como expressão do Espírito de Deus que guia os povos e a vida.

2º Defenderás os direitos dos mais vulneráveis (e da natureza) e fortalecerás a luta em defesa da vida;

3º Serás consciente da dramática situação de destruição que afeta à Amazônia e a seus povos.

4º Não pecarás contra as gerações futuras em atos e hábitos de contaminação e destruição da harmonia do meio ambiente amazônico.

5º Buscarás mudanças radicais e urgentes em favor de um modelo de existência social e de relação com a natureza que permita salvar a Amazônia e garantr o bem viver.

6. Reconhecerás com admiração e protegerás aos que lutam, com grande risco de suas próprias vidas, para defender o território e o povo amazônico.

7º Assumirás o diálogo ecumênico, interreligioso e intercultural como caminho irrevogável da evangelização na Amazônia.

8º Fortalecerás e renovarás os Ministérios Leigos, a Vida Religiosa Consagrada, o sacerdócio e o diaconato, com identidade Amazônia, fortalecendo as vocações autóctones e priorizando uma missão baseada em uma presença constante, uma escuta atenta e no compromisso com a libertação.

9º Escutarás as vozes das mulheres para tomar decisões e contribuir com sua sensibilidade à sinodalidade eclesial.

10º Viverás uma igreja em saída, comprometida com a defesa da vida na Amazônia e para a Amazônia.

domingo, 9 de fevereiro de 2020

NOTA DE REPÚDIO: MINERAÇÃO EM TERRAS INDÍGENAS, NÃO!

NINGUÉM PODE APOIAR ESSA NOVA E MORTAL LOUCURA, JÁ QUE ELA VAI CONTRA A MÃE TERRA, OS POVOS INDÍGENAS, TODOS OS POVOS DA AMAZÔNIA, CONTRA AS REGIÕES SUDESTE E SUL DO PAÍS, CONTRA A VIDA.

JUNTEMOS FORÇAS EM FAVOR DAS INICIATIVAS QUE PRODUZEM ALIMENTOS E BEM VIVER CONVIVENDO COM A AMAZÔNIA, POIS ESTE É NOSSO MAIOR ARGUMENTO CONTRA AS DESTRUTIVAS PRÁTICAS DO CAPITALISMO ULTRALIBERAL ATRASADO. 
A cana trilhada não quebrará, nem apagará o pavio que fumega; com verdade trará justiça. (Isaías 42.3)

"O Nós na Criação”, movimento de jovens cristãs e cristãos que busca relacionar a fé com a Natureza, manifesta seu repúdio ao Projeto de Lei Nº 191/2020, assinado pelo presidente Jair Messias Bolsonaro nesta quarta-feira (05/02/2020), que visa regulamentar a mineração, produção de petróleo, gás e geração de energia elétrica em terras indígenas; e à retirada da sociedade civil do Fundo Nacional do Meio Ambiente, através do Decreto Nº 10.224, de 6 de fevereiro de 2020.
Como seguidores do Deus Criador de todas as coisas, como mordomos da Criação, cuidadores da nossa casa comum, que chamamos Terra, nossa manifestação diante destas decisões do Governo não poderia ser outra se não o repúdio.

Resgatamos a importância de proteger territórios indígenas e de outros povos tradicionais, ressaltando sua relação com a mãe Terra e o quanto nos ensinam com suas práticas de bem viver e coexistência harmônica com a natureza e guardiães naturais das florestas.

Rechaçamos as iniciativas de tentativa de exploração desses territórios e impedimento de participação da sociedade civil na tomada de decisões do presidente da república, Jair Messias Bolsonaro e seu Ministro, Ricardo Salles, que já demonstraram diversas vezes o total descomprometimento com a causa ambiental e desrespeito aos povos tradicionais e sua liberdade para decidir sobre seus territórios.
O que se faz necessário é uma rigorosa fiscalização da exploração
ilegal e predatória que já ocorre nessas áreas ancestrais indígenas, incluindo o controle sobre compradores de produtos da extração clandestina e sobre fornecedores de equipamentos e insumos, como o mercúrio para garimpos ilegais.

Estamos convictos de que esse governo tem tomado diversas medidas que se distanciam muito dos princípios do Reino de Deus e sua Justiça, que tanto afirmam acreditar. Do contrário, o que tem sido visto é a destruição e o descaso na relação com a Criação de Deus, o que entendemos como sinais do anti-reino, estruturado sobre a morte e a destruição, a injustiça, a violência e o lamento de dor dos mais pobres e vulneráveis, assim como da natureza.

Afirmamos que as decisões acima, tomadas nesta semana por parte do Governo Federal, são contrárias ao espírito da Constituição, da legislação, de tratados internacionais e da mensagem bíblica, que asseguram os direitos das pessoas mais
vulneráveis e do meio ambiente.

Requeremos por fim, ao presidente da Câmara dos deputados, Vossa Excelência Rodrigo Felinto Ibarra Epitácio Maia , que rejeite o projeto de lei supracitado.
Convidamos, assim, todas e todos a assinarem esse manifesto em defesa do direito dos povos indígenas, dos povos tradicionais e da Criação e em repúdio às decisões invasivas da Presidência da República.

Assinam esta nota repúdio:
Nós na Criação
Renovar Nosso Mundo
Tearfund Brasil
Movimento Católico Global pelo clima.
Ação Franciscana de Ecologia e Solidariedade-AFES
Serviço Inter-Franciscano de Justiça, Paz e Ecologia
Serviço Inter-Franciscano de Justiça, Paz e Ecologia-SINFRAJUPE

RS: A LUTA POR ÁREAS LIVRES DE MINERAÇÃO

PRECISAMOS UNIR FORÇAS CONTRA ESSA LOUCA FEBRE POR MINÉRIOS. SEUS EFEITOS SÃO MUITO PIORES DO QUE O TAL CORONAVIRUS.

PENSE NISSO, E APOIE ESSA LUTA.

Documentário: RIO GRANDE DO SUL - A luta por áreas livres de mineração 

O estado do Rio Grande do Sul passa por uma ofensiva de transnacionais financeiras na tentativa de reverter os territórios de produção agrícola e pesqueira em áreas mineradas. São 5.192 requerimentos de pesquisa mineral já encaminhados à Agência Nacional de Mineração (ANM) . Quatro grandes projetos ameaçam o sul do estado para exploração de chumbo, zinco, fosfato, ouro, titânio, carvão e outros minerais. Frente à ameaça dos projetos de mineração os camponeses prometem resistir "Nós não entregamos o nosso território, de jeito nenhum!", afirma Elisete, agricultora e militante do MAM.

Assista:
https://www.youtube.com/watch?v=4jsUhxEMuD8&feature=youtu.be

Secretaria Nacional/MAM

Por um país soberano e sério!
Contra o saque dos nossos minérios!

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BOLSONARO É DENUNCIADO POR CRIME DE LESA-PÁTRIA NA AMAZÔNIA

“...Os tomadores de decisão brasileiros devem vetar essa expansão, assim como bancos devem rever o financiamento de empreendimentos que possam ter impacto sobre a Amazônia, povos tradicionais e o clima global. Ao que cabe a mim, continuarei produzindo ciência e divulgando os resultados para a construção de uma sociedade mais justa e consciente sobre a importância da conservação ambiental...”


The Intercept Brasil

‘Por que denunciei Bolsonaro por crime de lesa-pátria na Amazônia: se a cana-de-açúcar avançar, será o fim da chuva no Sudeste’

Lucas Ferrante, no The Intercept

HÁ MAIS DE SETE anos, eu desenvolvo pesquisas sobre o impacto de cultivos para a produção de biocombustíveis, que têm sido apresentados como uma solução milagrosa para substituir os combustíveis fósseis e deter o colapso climático. Em sua maioria, os biocombustíveis são produzidos a partir de cana-de-açúcar, milho e óleo de palma. Eles são mesmo uma boa alternativa para a redução das mudanças climáticas, sem dúvida, mas não na Amazônia. Além disso, sua forma de cultivo deve obedecer regras ambientais senão seu plantio pode contribuir com a destruição do meio ambiente e o aquecimento global. Mas nosso presidente não pensa assim.

Em 5 de novembro, Jair Bolsonaro e seus ministros, Teresa Cristina, da Agricultura, e Paulo Guedes, da Economia, assinaram decreto que expande as áreas de cultivos de cana-de-açúcar para a produção de biocombustíveis na Amazônia. A Amazônia não comporta mais a alteração do seu bioma como diversos estudos científicos já demonstraram. O cultivo de cana na Amazônia é, em si, um problema ambiental grave.

Em março de 2018, já havia ocorrido uma tentativa do Senado brasileiro em permitir a expansão do cultivo de cana-de-açúcar na Amazônia e Pantanal. Esses biomas eram blindados da expansão desses cultivos devido a um decreto do presidente Lula, que estabelecia o zoneamento agroecológico para resguardá-los. Na época, eu e o prêmio Nobel e também pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, o INPA, Philip Fearnside, publicamos uma carta na revista Science (versão em português pode ser lida no Amazônia Real), expondo os riscos da liberação dos cultivos de cana-de-açúcar na Amazônia.

A preocupação sobre o impacto da cana-de-açúcar sobre a Amazônia era tanta que a revista, internacionalmente reconhecida por ser a segunda revista com maior impacto científico no mundo, adiantou a publicação para que chegassem às mãos dos senadores a tempo de impedir a votação do projeto que poderia rescindir o zoneamento agroecológico.

Dentre as ameaças, nós listávamos: 1) o aumento de desmatamento, 2) o impacto do cultivo sobre florestas adjacentes e 3) a perda de serviços ecossistêmicos essenciais que são responsáveis pela manutenção das chuvas das regiões sul e sudeste do Brasil.

Com uma só canetada, Bolsonaro não tinha apenas condenado a Amazônia, as chuvas da região Sul e Sudeste do Brasil e a agricultura do Brasil, mas também a imagem ilibada dos biocombustíveis brasileiros.

De fato, como aponta o estudo, a expansão da cana-de-açúcar na Amazônia tem o potencial para diminuir significativamente as chuvas das regiões sul e sudeste do Brasil, colapsando até mesmo a própria produção de etanol do Brasil, além de toda a produção agrícola e abastecimento de água nessas regiões. Devido ao estudo publicado na Science e à pressão de diversas organizações ambientais, o Senado decidiu não votar a quebra do zoneamento agroecológico, por causa da liberação de cana-de-açúcar na Amazônia representar não apenas uma ameaça ao bioma, mas ao potencial agrícola do país.

Mas a nova administração do Brasil não valoriza a ciência que produz ou parece não entender sua importância. Bolsonaro prefere governar apenas com base em achismo e, sem nenhum respaldo técnico, assinou um decreto em novembro suspendendo o zoneamento agroecológico da cana-de-açúcar na Amazônia e Pantanal e colocando em risco a Amazônia e a soberania agrícola brasileira.

No dia seguinte ao decreto, em 6 de novembro do ano passado, quando a notícia já circulava pelo globo terrestre – a terra é redonda –, o mercado reagiu mal à expansão da cana-de-açúcar na Amazônia. A Argus, empresa que faz a cotação dos biocombustíveis no Brasil, publicou uma nota como uma resposta negativa à liberação. Os biocombustíveis brasileiros deixariam de ser vistos como limpos e ficariam associados ao desmatamento da Amazônia. Com uma só canetada, Bolsonaro não tinha apenas condenado a Amazônia, as chuvas da região Sul e Sudeste do Brasil e a agricultura do Brasil, mas também a imagem ilibada dos biocombustíveis brasileiros.

Frente à ausência de qualquer parecer técnico para suspender o zoneamento da cana-de-açúcar, ficou claro para mim o que fazer. Denunciei no Ministério Público Federal o presidente da República e seus ministros por crime de lesa-pátria, por causa da ação do presidente e de seus ministros ao colocar em risco a integridade territorial e a soberania nacional. O MPF ajuizou uma medida cautelar para o decreto ser suspenso imediatamente e aguarda que o juiz julgue a denúncia. O julgamento deve ocorrer ainda em fevereiro.

Sim, Bolsonaro está ameaçando não apenas a Amazônia, mas toda a soberania nacional com base em uma política que não considera o parecer da ciência para a tomadas de decisões. Com base em estudos publicados por mim em revistas científicas, dentre elas a Science, e que mostram o impacto da cana-de-açúcar na Amazônia e sua biodiversidade, embasei a denúncia no MPF que a acatou, devido à quantidade de provas sobre os impactos negativos do decreto sobre a Amazônia, o clima do Brasil e a própria imagem do etanol brasileiro.

Mas esse governo parece não gostar de ser contrariado. No dia seguinte à minha denúncia, fui informado por alguém ligado ao INPA que o próprio Ministério de Ciência e Tecnologia havia entrado em contato com a instituição para pegar os dados do pesquisador “transgressor” que ousara se opor aos planos do presidente da República.

E aqui gostaria de deixar o meu incentivo aos pesquisadores brasileiros: não podemos nos calar frente ao obscurantismo científico e ataques às instituições de pesquisa. Governos veem e vão, mas a luz da ciência é capaz de guiar a sociedade brasileira para tempos melhores. Por isso não se calem, não se omitam diante do obscurantismo científico, fake news, degradação ambiental ou injustiça social.

Outras ameaças

Embora o MPF tenha acatado a denúncia e agido com precisão embasada nos artigos científicos que havíamos produzido para rescindir o decreto de Bolsonaro, as ameaças dos biocombustíveis na Amazônia têm se expandido por meio de outros cultivos, como o milho e o dendê.

Em um novo artigo, recém-publicado na revista Nature (versão em português pode ser lida no Amazônia Real), periódico com maior impacto científico no mundo, nós alertamos agora para um plano maior de destruição da Amazônia, onde os biocombustíveis passam a ser grandes ameaças ao bioma, assim como hidroelétricas, plantações de soja, pecuária e a mineração. Essa ameaça à Amazônia tem se dado através de um consórcio de R$ 4,4 bilhões para a construção de usinas de produção de biocombustíveis na Amazônia pela Millenium Bioenergia, que deve expandir os cultivos de milho e dendê para os seis estados amazônicos: Amazonas, Acre, Amapá, Mato Grosso, Rondônia e Roraima.

De fato, os planos da empresa representam uma grave ameaça à Amazônia e aos povos tradicionais que vivem na região, pois como já declarado pela própria empresa, os cultivos devem avançar sobre comunidades tradicionais e indígenas.

Iniciativas como esta se revelaram catastróficas na Amazônia, como no estado do Pará, onde comunidades tradicionais contraíram dívidas com os bancos de longo prazo para produzir dendê e hoje estão na miséria por abrirem mão da agricultura de subsistência. A taxa de retorno por família é de pouco mais de R$ 300 por mês.

Munidos de estudos que demonstram o impacto dos cultivos para a produção de biocombustíveis na Amazônia, a sociedade brasileira deve cobrar não apenas uma Amazônia livre da cana-de-açúcar, mas livre de cultivos para a produção de biocombustíveis. Não nos deixemos enganar pelo doce sabor, como o da cana-de-açúcar, que esse tipo de cultivo pode ser um empreendimento viável para o desenvolvimento da região. Não é.

Os tomadores de decisão brasileiros devem vetar essa expansão, assim como bancos devem rever o financiamento de empreendimentos que possam ter impacto sobre a Amazônia, povos tradicionais e o clima global. Ao que cabe a mim, continuarei produzindo ciência e divulgando os resultados para a construção de uma sociedade mais justa e consciente sobre a importância da conservação ambiental.


sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

CARTA DE BETINHO SOBRE A DECLARAÇÃO DE BOLSONARO


O presidente Jair Bolsonaro declarou no último dia 5 que “uma pessoa com HIV, além de ser um problema sério para ela, é uma despesa para todos aqui no Brasil”.
Nós, do Ibase e da ABIA, ONGs fundadas pelo sociólogo Betinho, queremos tornar pública nossa perplexidade com a fala do presidente Jair Bolsonaro. Como parte do legado de Betinho para a sociedade brasileira, estamos sempre prontos a defender sua memória e valores essenciais como solidariedade e cidadania.
Em um exercício de livre pensar, buscamos inspiração nos ideais de Betinho para elaborar o que seria uma resposta ao atual presidente da República.
Leia a seguir a Carta de Betinho sobre as declarações de Jair Bolsonaro.
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Nada é simples ou fácil para uma pessoa vivendo com HIV/AIDS. Vejam meu caso, por exemplo: hemofílico e infectado pelos vírus da AIDS e da hepatite, morri em agosto de 1997, mas me sinto obrigado a responder a uma declaração pública que coloca sobre nós, doentes, o fardo de sermos um custo para o país.
Soube que essa declaração teria sido dita por Jair Bolsonaro, de quem me recordo como um ex-oficial do Exército. Parece que agora é presidente da República do nosso Brasil. Será mesmo possível? Enfim, não estou mais por essas bandas para saber o que teria causado esse fato tão estranho.
Mas, voltando ao que me trouxe aqui, quero lembrar que tive a honra de ver surgir em meados da década de 1980, a política brasileira de combate à AIDS. O programa foi fruto legítimo de uma luta solidária por uma assistência integral e universal a todos os brasileiros e brasileiras que dela necessitem, independentemente de qualquer condição social ou econômica.
Na época, eu havia acabado de criar a ABIA (Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS) e lembro bem do impacto positivo que essas medidas geraram para a sociedade como um todo. Na década seguinte, a política brasileira de combate à AIDS logo foi vista como um avanço e recebeu reconhecimento mundial por seus resultados positivos.
Milhares de pessoas tiveram suas vidas salvas a partir desse momento. Não seria esse um bom motivo para encher de orgulho toda uma nação e, em especial, seus representantes políticos?
Parece que não. O ex-capitão, e que agora ocupa a Presidência da República, age de forma contrária e trata com desumanidade pessoas que deveria proteger e assegurar seus direitos.
Difícil de acreditar, né? Mas parece que Jair Bolsonaro também tem feito isso com indígenas, negros, quilombolas, mulheres, ambientalistas, artistas e qualquer um que não esteja alinhado aos seus ideais.
Daqui onde estou, não posso organizar aquelas mobilizações que tanto me orgulharam e que marcaram para sempre a história do nosso país. Estamos em outros tempos, mas a urgência da luta cidadã é a mesma. Nas ruas ou na internet, é preciso reagir. Então peço a vocês que façam por mim e por todos os que tiveram sua dignidade afetada por palavras tão cruéis.
Façam por merecer a democracia e os direitos pelos quais tantos lutaram; e daqui mandam lembranças.
Um abraço,
Betinho 

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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

AS ÁGUAS DE MINAS


Roberto Malvezzi (Gogó)

As águas de Minas vêm da Amazônia,
Assim como as águas que caem
No Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul
São Paulo, Buenos Aires e Assunção.

Porém, as águas aqui de Juazeiro-Petrolina vêm de Minas,
Pelo Velho Chico
Mas que vieram da Amazônia para Minas pelos Rios Voadores

Os Rios Voadores fazem chover nas áreas de recarga do Bambuí e do Urucuia, mas também do Guarani
E as águas de superfície de Minas vão para a Bacia do Prata
Ou para a Bacia do São Francisco
Ou para a Bacia do Doce
Ou Jequitinhonha
E outros.

O ciclo das águas é a pedra angular das recargas dos mananciais
Porém, se destruírem a Amazônia, não haverá mais o ciclo das águas brasileiras como é hoje
Se continuarem destruindo a vegetação das bacias hidrográficas
Emparedando rios
As águas aumentarão sua fúria
E pode chegar a bairros chiques de Belo Horizonte
Inclusive seus restaurantes

A vingança de Gaia já começou
E nem sempre os pobres morrerão primeiro

Ainda há tempo de reversão
Porém, como diz o Papa Francisco,
Se tardar mais, tarde d