sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

CARTA DE BETINHO SOBRE A DECLARAÇÃO DE BOLSONARO


O presidente Jair Bolsonaro declarou no último dia 5 que “uma pessoa com HIV, além de ser um problema sério para ela, é uma despesa para todos aqui no Brasil”.
Nós, do Ibase e da ABIA, ONGs fundadas pelo sociólogo Betinho, queremos tornar pública nossa perplexidade com a fala do presidente Jair Bolsonaro. Como parte do legado de Betinho para a sociedade brasileira, estamos sempre prontos a defender sua memória e valores essenciais como solidariedade e cidadania.
Em um exercício de livre pensar, buscamos inspiração nos ideais de Betinho para elaborar o que seria uma resposta ao atual presidente da República.
Leia a seguir a Carta de Betinho sobre as declarações de Jair Bolsonaro.
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Nada é simples ou fácil para uma pessoa vivendo com HIV/AIDS. Vejam meu caso, por exemplo: hemofílico e infectado pelos vírus da AIDS e da hepatite, morri em agosto de 1997, mas me sinto obrigado a responder a uma declaração pública que coloca sobre nós, doentes, o fardo de sermos um custo para o país.
Soube que essa declaração teria sido dita por Jair Bolsonaro, de quem me recordo como um ex-oficial do Exército. Parece que agora é presidente da República do nosso Brasil. Será mesmo possível? Enfim, não estou mais por essas bandas para saber o que teria causado esse fato tão estranho.
Mas, voltando ao que me trouxe aqui, quero lembrar que tive a honra de ver surgir em meados da década de 1980, a política brasileira de combate à AIDS. O programa foi fruto legítimo de uma luta solidária por uma assistência integral e universal a todos os brasileiros e brasileiras que dela necessitem, independentemente de qualquer condição social ou econômica.
Na época, eu havia acabado de criar a ABIA (Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS) e lembro bem do impacto positivo que essas medidas geraram para a sociedade como um todo. Na década seguinte, a política brasileira de combate à AIDS logo foi vista como um avanço e recebeu reconhecimento mundial por seus resultados positivos.
Milhares de pessoas tiveram suas vidas salvas a partir desse momento. Não seria esse um bom motivo para encher de orgulho toda uma nação e, em especial, seus representantes políticos?
Parece que não. O ex-capitão, e que agora ocupa a Presidência da República, age de forma contrária e trata com desumanidade pessoas que deveria proteger e assegurar seus direitos.
Difícil de acreditar, né? Mas parece que Jair Bolsonaro também tem feito isso com indígenas, negros, quilombolas, mulheres, ambientalistas, artistas e qualquer um que não esteja alinhado aos seus ideais.
Daqui onde estou, não posso organizar aquelas mobilizações que tanto me orgulharam e que marcaram para sempre a história do nosso país. Estamos em outros tempos, mas a urgência da luta cidadã é a mesma. Nas ruas ou na internet, é preciso reagir. Então peço a vocês que façam por mim e por todos os que tiveram sua dignidade afetada por palavras tão cruéis.
Façam por merecer a democracia e os direitos pelos quais tantos lutaram; e daqui mandam lembranças.
Um abraço,
Betinho 

https://mail.google.com/mail/u/0/#inbox/WhctKJVjVmqhCQLllZGfhfLTsZqxggHTpfbmKxRfwXdcRTZwQFFWDdrkHNqwfsZtsZCDQPq

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

AS ÁGUAS DE MINAS


Roberto Malvezzi (Gogó)

As águas de Minas vêm da Amazônia,
Assim como as águas que caem
No Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul
São Paulo, Buenos Aires e Assunção.

Porém, as águas aqui de Juazeiro-Petrolina vêm de Minas,
Pelo Velho Chico
Mas que vieram da Amazônia para Minas pelos Rios Voadores

Os Rios Voadores fazem chover nas áreas de recarga do Bambuí e do Urucuia, mas também do Guarani
E as águas de superfície de Minas vão para a Bacia do Prata
Ou para a Bacia do São Francisco
Ou para a Bacia do Doce
Ou Jequitinhonha
E outros.

O ciclo das águas é a pedra angular das recargas dos mananciais
Porém, se destruírem a Amazônia, não haverá mais o ciclo das águas brasileiras como é hoje
Se continuarem destruindo a vegetação das bacias hidrográficas
Emparedando rios
As águas aumentarão sua fúria
E pode chegar a bairros chiques de Belo Horizonte
Inclusive seus restaurantes

A vingança de Gaia já começou
E nem sempre os pobres morrerão primeiro

Ainda há tempo de reversão
Porém, como diz o Papa Francisco,
Se tardar mais, tarde d

sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

PRODUÇÃO DE CARNE E EMISSÕES DE CARBONO

VALE A PENA LER A NOTÍCIA VISITAR O SITE DO ESCOLHAS. É UM ESTUDO COMPLETO SOBRE A CARNE: DO PASTO AO PRATO. E AS NOTÍCIAS DÃO CONTA DE PRIVILÉGIOS...

Climainfo - 31 de janeiro de 2020

As duas caras da pecuária brasileira: muita emissão de carbono na Amazônia e no Matopiba, baixas emissões no restante do país
 

A pegada de carbono de um quilo de carne na Amazônia Legal e no Matopiba passa de 150 kgCO2e, enquanto no resto país é parecida com as dos melhores produtores mundiais, por volta de 25 kgCO2e. Esses são alguns dos resultados de um estudo do Instituto Escolhas lançado ontem. 

São dois os motivos por trás desta disparidade: 1) as áreas desmatadas que viraram pasto para as quais foram alocadas e a qualidade das pastagens; e 2) o balanço de emissão e remoção de carbono conforme a qualidade do pasto. Nas duas primeiras regiões se encontra a combinação de emissões altas por desmatamento e uma área considerável de pastagens degradadas.

O trabalho também levantou o montante de subsídios recebidos pela cadeia da carne entre 2008-2017, somando renúncias fiscais, créditos subsidiados, anistias e outras benesses. A conta deu mais de R$ 12 bilhões por ano. Por outro lado, a arrecadação de impostos da cadeia no período foi um pouco maior - cerca de R$ 15 bilhões. Ou seja, para cada real arrecadado, o governo gasta 80 centavos. Na economia como um todo, esta proporção é de 20%.

O estudo inovou ao analisar toda a cadeia da carne, como diz o título, do pasto ao prato. Como é de praxe nos estudos do Escolhas, as diferentes turmas de interesse podem querer puxar os números para um lado ou outro, mas não podem mais dizer que estes números não existem.
 
Os trabalhos, apresentações e sumários podem ser baixados do site do Escolhas. A notícia e comentários tinham saído, até o final da tarde de ontem, no JC1, da TV Cultura, no Dinheiro Rural e no site do Terra.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

MOVIMENTO POPULAR DERROTA EXTREMA DIREITA ITALIANA

JUNTAS E MUITAS, AS "SARDINHAS" CONSEGUIRAM MOBILIZAR A SOCIEDADE ITALIANA CONTRA AS PRETENSÕES DA "LIGA", O PARTIDO DA EXTREMA DIREITA. E ISSO PROVA QUE SE PODE E SE DEVE AGIR POLITICAMENTE A PARTIR DA SOCIEDADE, SEM SER PARTIDO. ALIÁS, QUE ESPETACULAR QUESTIONAMENTO AOS PARTIDOS DE ESQUERDA!

‘6000 sardinhas’: movimento ‘antifascista’ italiano ganha o mundo



“Caros populistas, vocês entenderam. A festa acabou”. Assim começa o manifesto original criado por quatro jovens desconhecidos italianos, na faixa dos 30 anos, sem ligação com partidos políticos. O movimento criado por eles, o #6000sardine, se prolifera desde 15 de novembro em dezenas de praças de toda a Itália, com um público que soma centenas de milhares de pessoas contra a extrema direita de Matteo Salvini.

Eles são em sua maioria jovens, querem mudar o mundo, e parece que andam com o GPS bem antenado: neste sábado, os sardinhas, que se consideram “antifascistas”, realizaram um feito digno de grandes lideranças: eles extrapolaram o solo italiano pela primeira vez desde que o movimento eclodiu, há exatamente um mês, “invadindo”, com o Global Sardine Day, cerca de 24 metrópoles estrangeiras como Berlim, Paris, Londres, Dublin, Amsterdam, Madri, Copenhague, São Francisco e Nova York. Na última sexta-feira 13, durante um show na Itália, até a icônica roqueira Patti Smith convocou os italianos a participarem dos protestos deste sábado.


Nas praças públicas, o canto é sempre o mesmo, da tradicional Praça São Marco, em Veneza, à prefeitura de Copenhague, capital da Dinamarca, onde, sim, os sardinhas estiveram neste sábado: canta-se num coro de milhares de vozes Bella Ciao, música emblemática da Resistência Italiana contra o fascismo na década de 1940, que, revisitada, virou símbolo planetário de resistência e justiça social em 2019, presente em manifestações populares de Beirute a Buenos Aires.

Tudo começou com uma chamada nas redes sociais, cujo resultado não surpreendeu apenas Mattia Santori, Roberto Morotti, Giulia Trappoloni e Andrea Garreffa, os quatro jovens idealizadores do movimento #6000sardine (6000 sardinhas, em português), mas todo o mundo. Mais de 15.000 pessoas ocuparam uma praça de Bolonha, ali no alto da “bota” italiana, como reação ao líder da extrema-direita, Matteo Salvini, que fazia um pronunciamento em um estádio da cidade. Trata-se de um verdadeiro fenômeno que, com o nome de um peixe pequeno, que se movimenta em grupos apertados, a sardinha, que se espalhou por todo o país e parece encarar sem medo um dos “tubarões” da política italiana.
“Quarteto Fantástico”

Giulia vem de San Sepolcro, vive em Bolonha há alguns anos, é fisioterapeuta e faz 30 anos em fevereiro de 2020, além de ser a caçula dos “quatro mosqueteiros”. Roberto é engenheiro, e em seu tempo livre realiza oficinas criativas sobre reciclagem de plásticos. Andrea, que chegou de Savona aos seis anos de idade, é mestre em ciências da comunicação pública e social. Tendo defendido uma tese em comunicação ambiental, agora ele é guia turístico de ciclistas em toda a Europa.

São “jovens de olho nos outros e no mundo”, saúda com algria a imprensa italiana. Mattia, formado em Ciência Política e Economia, educador no Ultimate Frisbee, criou a associação “La ricotta”: todos os anos ele organiza o torneio de basquete “Gallo da tre” para financiar a reconstrução de playgrounds suburbanos em memória do amigo Davide Galletti, que morreu de leucemia.

Aos 32 anos, Santori se divide entre quatro empregos e agora frequenta também diversos programas de televisão na Itália, como convidado especial. Numa dessas aparições, ele deu ao vivo um recado para Matteo Salvini, líder da extrema direita no país: “Esta é a Itália real, é por isso que as pessoas se emocionam”, disse.

Ideia nasceu de um post no Facebook

Como nasceu a invasão das praças inventada pelos “sardinhas”? Via Facebook. Mattia não conseguia dormir naquela noite: “Por que [Matteo] Salvini pode dizer que ele vai tomar [o estado de] Emilia Romagna [cuja capital é Bolonha] e todos nós ficamos em silêncio?”

Foi com um post para os amigos que tudo começou: “vamos nos encontrar”. Na cozinha da casa que os quatro compartilharam durante anos, nasceu a idéia: “Salvini chega ao [estádio de] PalaDozza: há 5.570 lugares. Precisamos ser mais gente do que isso”. Daí para a multidão instantânea dos #6000sardine na praça deMaggiore, na Bolonha, bastou uma convocação nas redes sociais, que vem respaldada por um manifesto, escrito pelos amigos: “Ainda acreditamos na política e nos políticos com um P maiúsculo”, diz uma de suas frases.

Naquela noite, em Bolonha, eles escolheram o símbolo do movimento: a sardinha, um peixe silencioso, que não “grita como os escandalosos das redes sociais e dos comícios”, mas que traz um símbolo de coletividade. “Juntos e muitos: aqui está a mensagem”.

Depois do lançamento nas redes sociais, os quatro amigos começaram a distribuir panfletos do evento em bares, universidades, cafés,  restaurantes e comércios do centro de Bolonha. Foram depois de porta em porta, deram telefonemas, registra em detalhes a imprensa italiana

Métodos analógicos, que deram resultados concretos: eles esperavam seis mil pessoas na praça, e tinham medo de não conseguirem. Naquela noite, na Praça Maggiore, eles trouxeram o dobro, e bateram Matteo Salvini. “Bem-vindos ao mar aberto“, diz a frase no post do facebook que criou os #6000sardine.

https://www.cartacapital.com.br/mundo/6000-sardinhas-movimento-antifascista-italiano-ganha-o-mundo/ 

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

ONU CONFIRMA: A CONCENTRÇÃO DA RIQUEZA ESTÁ DESCONTROLADA

SE ALGUMA DAS PESSOAS QUE FORMAM OS MAIS DE 99% DA POPULAÇÃO MUNDIAL ENTENDESSE O QUE SIGNIFICAM OS DADOS DIVULGADOS PELA OXFAM E PELA ONU, COM CERTEZA, PERGUNTARIA:
COMO PODEM AS PESSOAS QUE CONSTITUEM O 1% MAIS RICO, E DE MODO ESPECIAL OS MAIS RICOS ENTRE ELES, DORMIR TRANQUILOS?

POIS É, AMIGAS E AMIGOS, A RESPOSTA É UMA TRISTE NOTÍCIA: DORMEM PORQUE BEBEM E SE DROGAM, PORQUE ACEITARAM SER ESCRAVOS DO CAPITAL, ADORADORES DO DINHEIRO, E PORQUE SÃO A PROVA VIVA DE QUE A ESPÉCIE HUMANA AINDA NÃO DEMONSTROU SER VIÁVEL!

NÃO PERCAMOS A ESPERANÇA, CONTUDO, PORQUE, EM ALGUM MOMENTO, TUDO ISSO EXPLODIRÁ, E NÃO SOBRARÁ PEDRA SOBRE PEDRA DESSE ÍDOLO E DE SEUS ADORADORES!

Desigualdade é crescente, atinge recorde, está fora de controle e só beneficia ricos e empresas, dizem ONU e Oxfam

O Brasil é vice-campeão mundial de concentração de renda no 1% mais rico, que embolsa 28,3% do PIB, menos apenas do que no Catar (29%), segundo o Relatório de Desenvolvimento Humano de dezembro da ONU. Boa notícia para os endinheirados, pois a média histórica nacional de concentração é de 23%, conforme um doutorado em sociologia concluído em 2016 na UnB.

Dois relatórios divulgados nos últimos dias em paralelo ao Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, mostram que o filósofo Paulo Arantes acertou ao identificar, há quase 20 anos, uma tendência à “brasilianização do mundo”. As desigualdades de renda são crescentes pelo globo e agora atingem níveis recordes.

As disparidades desenfreadas foram apontadas pela ONU em seu “Relatório Social Mundial 2020 das Nações Unidas: Desigualdade num Mundo que Muda Rapidamente”, e pela Oxfam, rede internacional de combate à pobreza e à injustiça social, no documento “Tempo de Cuidar”.

Para a ONU, a expansão econômica “extraordinária” das últimas décadas tem falhado em reduzir a “profunda divisão dentro e entre os países”. Desde os anos 1990, a desigualdade avançou em nações que abrigam 71% da população. Ficou mais difícil cumprir um dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável estabelecidos pela ONU em 2015, o de “não deixar ninguém para trás”.

“Sociedades muito desiguais são menos efetivas na redução da pobreza, crescem mais vagarosamente, dificultam que as pessoas quebrem o ciclo da pobreza e fecham as portas para o avanço econômico e social. Além disso, o aumento da desigualdade reprime o crescimento econômico e pode aumentar a instabilidade política”, diz o relatório.

 
A geografia define o destino dos cidadãos, anota a ONU. Muda tudo na vida de alguém nascer em um lugar que proporciona ou não acesso a água potável, eletricidade, assistência médica, boas escolas e trabalho decente.

São os já privilegiados aqueles que têm tirado proveito das disparidades galopantes. A renda abocanhada pelo 1% mais rico subiu em 46 dos 57 países com dados disponíveis para o período de 1990 a 2015. “As crescentes desigualdades estão beneficiando os mais ricos”, afirma o relatório. “As alíquotas de imposto para as rendas mais altas têm diminuído em países desenvolvidos e em desenvolvimento, tornando os sistemas tributários menos progressivos.”

Nos países desenvolvidos, o IR dos ricos caiu de 66% em 1981 para 43% em 2018, informa a ONU. Como eles pagam menos imposto, há menos dinheiro para os governos investirem no social. No Brasil, as alíquotas de IR são bem menores, historicamente. Aqui o sistema tributário prefere taxar o consumo, uma punição aos pobres, que gastam tudo para sobreviver.

 
Cobrar mais impostos dos ricos e das empresas é o passo inicial para enfrentar uma concentração de renda que está fora de controle, segundo o relatório da Oxfam. “Acabar com a riqueza extrema para erradicar a pobreza extrema”, diz. Com apenas meio ponto percentual a mais de taxação dos ricos, seria possível criar 117 milhões de empregos em educação, saúde e cuidado para idosos.

De 2007 a 2011, afirma a Oxfam, o salário médio dos países do G-7 (Alemanha, Canadá, EUA, França, Itália, Japão e Reino Unido) subiu 3%, enquanto os dividendos pagos por empresas a seus sócios e acionistas subiu 30%. Curiosidade: em 1995 o Brasil deixou de tributar a distribuição de lucros e dividendos, um dos poucos casos de isenção no mundo.

Com a concentração de renda descontrolada de hoje, os 2.153 bilionários do planeta possuem uma renda igual à de 4,6 bilhões de pessoas, 60% da população global. O 1% mais rico do globo embolsa o dobro da renda de 6,9 bilhões (a população mundial é de 7,7 bilhões).

https://www.cartacapital.com.br/economia/concentracao-de-renda-mostra-brasilianizacao-do-mundo/?utm_campaign=novo_layout_newsletter_-_27012020&utm_medium=email&utm_source=RD+Station 

quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

GRETA: COMO VOCÊS EXPLICARÃO AOS SEUS FILHOS QUE DESEISTIRAM?

QUANDO AS CRIANÇAS E JOVENS QUE TÊM DIREITO A TER FUTURO SERÃO LEVADOS A SÉRIO E OUVIDOS? TOMARA QUE GRETA CONSIGA MANTER EM PÉ A MOBILIZAÇÃO PARA EXIGIR MUDANÇAS JÁ. SEM ISSO, ELA TEM RAZÃO: OS QUE SE ASSENHOREARAM DO PLANETA PROVOCARÃO MAIS E MAIS CHAMAS!

IHU - 22de janeiro de 2020


"A vossa inação está alimentando as chamas de hora em hora. E nós estamos lhes dizendo para se comportarem como se amassem vossos filhos acima de qualquer outra coisa".
A reportagem é de Katia Riccardi, publicada por República, 21-01-2020 . A tradução é de Luisa Rabolini.

"Eu me pergunto o que vocês dirão a seus filhos, que motivo darão a eles por terem fracassado, como explicarão que os deixaram conscientemente diante de um caos climático? Vocês lhes dirão que a economia não estava indo bem? Que não era conveniente e que, portanto, decidiram desistir da ideia de lhes garantir uma vida futura sem sequer tentar?"

Greta Thunberg, no primeiro dia da 50ª edição, continua a lançar a sua mensagem, inclusive durante um encontro vespertino organizado pelo New York Times. São suas orações, que tornam seu olhar mais preocupado do que severo.

"Vocês dizem que as crianças não deveriam se preocupar. Vocês dizem: 'Deixem conosco. Vamos consertar as coisas, prometemos não os decepcionar. Não sejam tão pessimistas’. E depois nada. Silêncio. Ou algo pior que o silêncio. Palavras vazias e promessas que dão a impressão de que foram tomadas medidas suficientes".

Desta vez, o tom não está zangado, mas mantém uma dolorosa nota de temor.

"Um ano atrás, vim para Davos e lhes disse que nossa casa está em chamas. Disse que queria que vocês entrassem em pânico. Me alertaram que dizer às pessoas para entrar em pânico por causa da crise climática é uma coisa muito perigosa. Mas não se preocupem. Tudo bem. Confiem em mim, já fiz isso antes e posso garantir que isso não leva a nada." Não nada muda, continua dizendo. De Madri, bem como de Nova York. Não muda porque "somos nós, crianças, que estamos falando". No entanto, as crianças falam.

"Quando nós, crianças, pedimos para vocês entrarem em pânico, não estamos dizendo para vocês continuarem como antes. Não estamos dizendo para vocês confiarem em tecnologias que nem sequer existem hoje, não em larga escala, e que a ciência considera que talvez nunca venham a existir".

"Não estamos dizendo para vocês continuarem falando sobre como chegar a emissões zero ou à anulação do carbono, apenas trapaceando e manipulando os números. Não estamos dizendo para vocês 'compensarem as emissões' simplesmente pagando algum outro para plantar árvores em lugares como a África, enquanto ao mesmo tempo florestas como a Amazônia estão sendo massacradas a uma taxa infinitamente mais alta. Plantar árvores é uma coisa positiva, é claro, mas não chega nem perto do que precisaremos".

"Sejamos claros", explica a ativista sueca que completará 17 anos daqui a um mês, "não precisamos 'reduzir as emissões'. Nossas emissões devem parar se quisermos ficar abaixo da meta de 1,5 grau. E até termos as tecnologias que possam fazer isso em larga escala, precisamos esquecer o zero líquido. Precisamos de um zero real".

E enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump, liquida a questão chamando os ambientalistas de "profetas da desgraça", a garota que sacudiu o mundo do torpor sem conseguir esfriar o clima, continua: "O fato de os Estados Unidos deixarem o acordo de Paris parece escandalizar e preocupar a todos, e deveria. Mas o fato é que todos vocês estejam prestes a desrespeitar os compromissos assumidos no Acordo de Paris, não parece incomodá-los da mesma maneira".
"Qualquer plano ou política que não inclua cortes radicais nas emissões, na fonte, a partir de hoje, é completamente insuficiente para respeitar o compromisso de atingir os 1,5-2 graus centígrados previstos pelo acordo de Paris".

E, novamente, não se trata de esquerda ou direita. "Não estamos interessados nos seus partidos políticos. Do ponto de vista da sustentabilidade, a direita, a esquerda e o centro falharam. Nenhuma ideologia política ou estrutura econômica conseguiu fazer frente à emergência climática e ambiental e criar um mundo coeso e sustentável. Porque esse mundo, caso vocês não tenham notado, atualmente está em chamas".


"Obviamente, não existem todas as soluções nas sociedades de hoje. Também não temos tempo para esperar que novas soluções tecnológicas estejam disponíveis para começar a reduzir drasticamente nossas emissões. Portanto, obviamente, a transição não será fácil. Será difícil. E, a menos que comecemos a enfrentá-la agora juntos, com todas as cartas na mesa, não conseguiremos resolver a tempo. Nos dias que antecederam o 50º aniversário do Fórum Econômico Mundial, entrei para um grupo de ativistas climáticos que pergunta a vocês, aos líderes mais poderosos e influentes do mundo, para começar a agir."

Aqui estão os principais pontos:

"Pedimos ao Fórum Econômico Mundial deste ano, à sociedade, aos bancos, instituições e governos: interromper imediatamente todos os investimentos em pesquisa e extração de combustíveis fósseis. Interromper imediatamente os subsídios aos combustíveis fósseis. Desinvestir imediatamente e completamente dos combustíveis fósseis."
 Não depois. "Não queremos que essas coisas sejam feitas até 2050, 2030 ou mesmo 2021. Queremos que sejam feitas agora. Pode parecer que estamos pedindo muito. E obviamente vocês dirão que somos ingênuos. Mas esses pedidos são apenas o mínimo esforço necessário. Caso contrário, vocês terão que explicar aos seus filhos por que desistiram da meta de 1,5 grau. Por que desistiram sem sequer tentar. Bem, estou aqui para lhes dizer que, diferentemente de vocês, minha geração não desistirá sem lutar."

"Na semana passada, encontrei-me com mineiros de carvão poloneses que perderam seus empregos devido ao fechamento da mina. Eles também não desistiram. Pelo contrário, parecem entender o fato de que precisamos mudar as coisas mais do que vocês."

Nossa casa ainda está em chamas. "A inação de vocês está alimentando as chamas de hora em hora. E nós estamos dizendo lhes dizendo para se comportarem como se amassem seus filhos acima de qualquer outra coisa."

http://www.ihu.unisinos.br/595798-como-voces-explicarao-aos-seus-filhos-que-desistiram-discurso-de-greta-thunberg-em-davos 

terça-feira, 21 de janeiro de 2020

2.153 BILIONÁRIOS SÃO MAIS RICOS DO QUE 60% DA POPULAÇÃO DO PLANETA!

E AINDA USAM TODA FORMA DE VIOLÊNCIA PARA ILUDIR OS POBRES A NÃO SE OPOREM A ESSA LOUCURA PORQUE ISSO SERIA "COMUNISMO". É JUSTO CONTINUAR NESSA CAMINHO? 

É VIÁVEL A CONTINUIDADE DA VIDA DA HUMANIDADE NA TERRA?

A TERRA, A SEU MODO, E COM TODA TRANSPARÊNCIA ESTÁ DIZENDO QUE NÃO. 

CartaCapital - 21 de janeiro de 2020

Segundo relatório da Oxfam, este enorme abismo é consequência de um sistema econômico falido e sexista

Em 2019, os 2.153 bilionários que havia no mundo tinham mais dinheiro do que 60% da população do planeta, denuncia a ONG Oxfam em um relatório publicado sexta segunda-feira (20), e destaca a concentração da riqueza em detrimento, sobretudo as mulheres, primeiras vítimas da desigualdade.


“Este enorme abismo é consequência de um sistema econômico falido e sexista, que valoriza mais a riqueza de uma elite privilegiada, em sua maioria, homens”, destaca a ONG.

O informe anual da Oxfam sobre as desigualdades mundiais é tradicionalmente publicado antes da abertura do Fórum Econômico Mundial (WEF) de Davos, na Suíça, ponto de encontro da elite política e econômica global.

O ano de 2019 também foi marcado por movimentos de protestos em todo o mundo, do Chile ao Oriente Médio, passando pela França.

“Os governos de todo o mundo devem tomar medidas urgentes para construir uma economia mais humana e feminista, que valorize o que realmente importa para a sociedade”, aponta a Oxfam, que propõe entre outras medidas a implantação de “um modelo fiscal progressivo no qual também se taxe a riqueza”.

Segundo cifras da ONG, com base em dados publicados pela revista Forbes e o banco Crédit Suisse — mas cuja metodologia foi criticada por alguns economistas -, 2.153 pessoas têm agora mais dinheiro do que os 4,6 bilhões de pessoas mais pobres do planeta.

Por outro lado, a fortuna do 1% mais rico do mundo corresponde a mais que o dobro da riqueza acumulada dos 6,9 bilhões de pessoas menos ricas, ou seja, 92% da população do planeta.
“As mulheres estão na primeira fila das desigualdades devido a um sistema econômico que as discrimina e as aprisiona nos ofícios mais precários e menos remunerados, a começar pelo setor de cuidados”, afirmou Pauline Leclère, porta-voz da Oxfam France, citada em um comunicado.
Segundo cálculos da Oxfam, 42% das mulheres no mundo não conseguem ter um trabalho remunerado devido à carga grande demais de trabalho com cuidados nos âmbitos privado ou familiar contra apenas 6% dos homens.

Apesar de que cuidar dos demais, cozinhar ou limpar sejam tarefas essenciais, “a pesada e desigual responsabilidade do trabalho de cuidados que recai nas mulheres perpetua tanto as desigualdades econômicas quanto a desigualdade de gênero”, diz a ONG.

A Oxfam estima o valor monetário do trabalho de cuidados não remunerado das mulheres com mais de 15 anos em 10,8 trilhões de dólares a cada ano.

https://www.cartacapital.com.br/sociedade/bilionarios-sao-mais-ricos-do-que-60-da-populacao-mundial-diz-ong/?utm_campaign=novo_layout_newsletter_-_21012020&utm_medium=email&utm_source=RD+Station