quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

OS "COLETES AMARELOS" E O FATALISMO DE CERTA ESQUERDA


BOA ADVERTÊNCIA, PORQUE PROVAVELMENTE TEREMOS NOVAMENTE NO BRASIL EXPLOSÕES SEMELHANTES ÀS DOS FRANCESES. E TUDO INDICA QUE OS PARTICIPANTES ESTÃO CADA DIA MAIS PERTO DA CONSCIÊNCIA DE QUE O "SISTEMA" OS EXCLUI, E SÓ PODERÃO VIVER SE FORÇAREM MUDANÇAS SISTÊMICAS. SENDO ASSIM, QUAL O LUGAR DE QUEM SE IDENTIFICA E MILITA COMO ESQUERDA, QUE DEVE TER COMO VALOR E META CENTRAL A BUSCA DE IGUALDADE E A JUSTIÇA SOCIAL, TRIBUTÁRIA, AMBIENTAL?

Os “coletes amarelos” e o fatalismo de certa esquerda

Há quem espere a chegada de movimentos limpinhos, corretos ideologicamente — e portanto torça o nariz diante do que parece “impuro”. Estes jamais dialogarão com as revoltas deste século

Por Rodrigo Nunes

Esses tempos me disseram, “você é muito otimista”. Foi um choque para mim, porque nunca fui otimista na vida, pelo contrário. Mas realmente sou muito resistente à ideia de que “não há nada que se possa fazer”. E isso por motivos filosóficos que me parecem sólidos. Primeiro, porque eu acredito num universo não-determinista, probabilístico, e portanto tecnicamente falando sempre se pode fazer algo (por menores que sejam as chances de sucesso ou mais ínfimo que seja o impacto). Segundo, porque a máxima de comportamento que se extrai de “não há nada que se possa fazer” é “não façamos nada” –– o que não apenas me repele por si só (eu estou vivo, diabos, eu quero fazer alguma coisa), mas me parece, num universo probabilístico, a conclusão errada. Para mim, “não há nada que se possa fazer” significa sempre “não há nada que se possa fazer com as forças que temos agora”, logo a máxima correta é sempre “aumentemos nossa capacidade de agir”.

Lembrei disso agora vendo os especialistas de sempre passearem todo seu conhecimento e experiência para dizer que a única coisa em que o movimento dos Gilets Jaunes na França pode dar é necessariamente uma vitória da extrema direita. Deixemos de lado o fato de que, num universo probabilístico, “necessariamente” tem um significado estritamente estatístico. A questão que me bate é: qual é a máxima de comportamento que as pessoas acham que a esquerda francesa deveria adotar neste momento? “Vamos ficar em casa, criticar muito nas redes sociais, apoiar mais ou menos discretamente as forças policiais, e antagonizar este movimento o máximo possível”? Ora, se estamos num universo probabilístico, e o que se quer evitar é que o movimento se consolide como uma base social da extrema direita, qual máxima de comportamento tem mais probabilidade de produzir exatamente aquele resultado que se gostaria de evitar: esta, ou “vamos para a rua ouvir, participar, jogar nossas ideias e participar do esforço de dar forma ao que está acontecendo”? Não faz mais sentido, portanto, adotar a segunda máxima, por maiores que achemos que são os riscos ou menores que estimemos as chances de sucesso?

Sério, eu não estou nem falando de ter diferenças de diagnóstico; eu literalmente não consigo compreender o raciocínio de quem age dessa forma.

Historicamente, momentos de crise da direita tendiam a ser bons para a esquerda e vice-versa. As explosões que estamos vendo no mundo atualmente são algo distinto. Ao mesmo tempo que são sintomas de uma crise profunda do neoliberalismo –– que sangra legitimidade desde 2008 e se manifesta cada vez mais como incapaz de satisfazer as necessidades de mais que uma pequena parcela da população ––, elas ocorrem num momento de crise da esquerda –– seja pela dissolução de sua base social histórica e instituições (sobretudo nos países capitalistas centrais), seja pelos limites que suas organizações encontraram (melancolia nostálgica incluída), seja porque ela se comprometeu com diversos pilares do consenso “centrista” neoliberal e hoje aparece como guardiã da mesma ordem que as pessoas sentem que não lhes serve mais.

Por outro lado, é quase seguro que vêm mais revoltas por aí. Mesmo os países ricos estão vivendo uma crise de reprodução social, com cada vez mais gente abaixo da linha de miséria; a crise ambiental só vai piorar (e, com ela, aumento da migração, crises de abastecimento etc.); a crise de legitimidade do sistema político não vai se resolver tão cedo; e há sinais de que uma recessão mundial maior que a do final da última década pode estar a caminho.

A conjunção destes dois fatores indica que as revoltas serão em vários aspectos antissistêmicas mas dificilmente serão iniciadas ou lideradas pela esquerda. Ou a esquerda aceita que elas não serão bonitas, limpinhas, com atestado de idoneidade ideológica, e assume que não vai poder chegar já sentando na janela e terá que lidar com uma série de elementos confusos ou diretamente problemáticos se quiser influir no rumo das coisas –– ou só sobrará a ela essa demofobia tão arrogante quanto impotente. E demofobia de esquerda –– esse troço que era para ser uma contradição em termos, mas infelizmente não é –– é a coisa mais triste que tem.

https://outraspalavras.net/movimentoserebeldias/os-coletes-amarelos-e-o-fatalismo-de-certa-esquerda/ 

E SE OS RICOS PAGASSEM IMPOSTOS?

E se os ricos pagassem impostos?

O que parece fantasia pode tornar-se real. Estudo inédito aponta caminhos concretos para a Reforma Tributária brasileira

Por Felipe Calabrez

É verdade que a carga tributária brasileira é muito alta? A garantia dos direitos de seguridade social extrapolaria a capacidade fiscal do Estado brasileiro? Como reverter o alto grau de injustiça social que temos no Brasil? Essas e outras questões, cuidadosamente evitadas pela mídia convencional, animaram um conjunto de cientistas sociais e ativistas brasileiros. Seu trabalho, que se estendeu por quase um ano, está agora reunido em livro. A Reforma Tributária Necessária,
organizado pelo economista Eduardo Fagnani, a partir de iniciativa da Plataforma Política Social, já está disponível na internet, grátis. Pode ser baixado em
https://plataformapoliticasocial.com.br/justica-fiscal-e-possivel-subsidios-para-o-debate-democratico-sobre-o-novo-desenho-da-tributacao-brasileira/ 

De caráter progressista, os estudos apresentam propostas concretas para um novo desenho do sistema tributário brasileiro, com vistas a um modelo mais progressivo e que promova justiça social sem aumentar a carga de impostos. Uma das propostas é o aumento da tributação direta (sobre renda e patrimônio) e diminuição da tributação indireta (sobre o consumo), que recai sobre os mais pobres.

Urgente e necessária, a reforma tributária passa pela discussão de alguns dos mais graves problemas nacionais, como desigualdade econômica, justiça social, garantia efetiva dos direitos assegurados pela Constituição de 1988 e equilíbrio fiscal.

“Do ponto de vista técnico, não há nenhuma limitação para a realização desses ideais” – é a conclusão dos mais de quarenta especialistas envolvidos no estudo. Certamente, o livro vem em boa hora.

A HORA E A VEZ DA BOMBA ATÔMICA TUPINIQUIM?

O ARTIGO DO HEITOR NOS AJUDA A VER O QUE HÁ POR TRÁS DA FORMAÇÃO DO GOVERNO BOLSONARO. SERÁ QUE OS ELEITORES, QUE SE ACHAVAM TÃO BEM INFORMADOS PELAS MÍDIAS SOCIAIS, SABIAM E APROVARAM COM SEU VOTO ESTA PROVÁVEL POLÍTICA DE PRODUÇÃO DE ENERGIA NUCLEAR, MAIS CARA E PERIGOSA, E DE BOMBA ATÔMICA?


A hora e a vez da bomba atômica tupiniquim?
Heitor Scalambrini Costa
Professor aposentado da Universidade Federal de Pernambuco

Historicamente a relação entre o uso da energia nuclear para fins energéticos e para fins militares é muito estreita. O Programa Nuclear Brasileiro surgiu durante a ditadura militar, e até hoje atende demandas de setores das forças armadas, fascinados pelo poder que a energia nuclear lhes traz, e com a justificativa da necessidade de proteção e de segurança das nossas fronteiras, e de nossas riquezas.
No governo que tomará posse no próximo ano, o Ministério de Minas e Energia (MME) terá como ministro um almirante da marinha brasileira, pertencente ao grupo de interesse que vê a energia nuclear sob o aspecto militar. Pela sua biografia,  um defensor do uso da energia nuclear.
Em entrevista concedida (FSP 7/12/2018), o futuro ministro defendeu a conclusão de Angra III  (usina com potência instalada de 1.000 MW), onde já se investiu R$ 10 bilhões, e se prevê  mais R$ 16 bilhões para concluí-la. Um projeto dos anos de 1970, cuja tecnologia já está completamente ultrapassada, principalmente depois dos desastres de Chernobyl, Three Mile Island e Fukushima. Caso tal insanidade seja levada a frente, milhares de brasileiros e brasileiras sofrerão sérios riscos de uma grande desgraça. Além de preços finais da energia produzida ser o mais caro das fontes atuais. Em decisão que fere os interesses do povo brasileiro, o Conselho Nacional de Politica Energética (CNPE) em 9/10/2018, numa tentativa de viabilizar Angra III, dobrou a tarifa que irá remunerar a energia produzida pela usina. Passando dos atuais R$ 240,00/MWh para R$ 480,00/MWh. O que refletirá no aumento das contas de energia para os consumidores de todo o Brasil, que pagarão por uma obra indesejada.
Também nesta entrevista o futuro ministro do MME , defendeu, o projeto do submarino nuclear brasileiro, que completou dez anos em 2018, cuja responsabilidade é da marinha brasileira, e já consumiu R$ 21 bilhões em recursos públicos, valor corrigido pela inflação. O custo estimado total do projeto, que inclui a construção do submarino nuclear, de quatro submarinos convencionais e da base naval responsável pela construção e manutenção das embarcações é hoje de R$ 32 bilhões.
Estas cifras mostram os vultuosos recursos dispendidos pela União. Obviamente investimentos não prioritários,  quando verificamos as necessidades concretas para o bom viver da população, como obras de saneamento,  educação, saúde, moradia, entre outras. Com recursos finitos disponíveis no país, as escolhas de gastos dependem das prioridades definidas pelo governo de plantão. E o governo eleito, a partir das declarações, nomeações e da constituição da “junta militar”, sic! ministério;  já mostrou suas reais intenções.
Um aspecto a ser ressaltado, e que não é dito publicamente, mas está presente na cabeça dos militares e de muitos civis, é a fabricação da bomba atômica. E assim o Brasil entrar no clube fechado dos países detentores desta arma nuclear. Não seria a primeira vez desta tentativa. Lembremos que um dos momentos mais sórdidos de nossa história foi o programa nuclear clandestino/paralelo. Iniciado no governo Ernesto Geisel, tinha o objetivo de garantir ao Brasil a tecnologia necessária para fabricar a bomba atômica (e ogivas para mísseis nucleares)Logo, porque não acreditar, que o que está por trás desta nomeação do almirante Bento Junior é a construção da bomba atômica?
É claro que ninguém confirmará, pois nossa constituição, e os acordos, pactos internacionais assinados pelo país proíbem a construção deste artefato bélico. O próprio Decreto no 9.600, de 5 de dezembro de 2018, consolidando as diretrizes sobre a Política Nuclear Brasileira, somente se refere ao uso pacífico da energia nuclear. Diga-se de passagem que este decreto, gestado pelo Comitê  de Desenvolvimento do Programa Nuclear Brasileiro, coordenado pelo  gabinete de Segurança Institucional da presidência da República, foi promulgado na surdina, as vésperas do término de um governo sem nenhuma credibilidade e atolado em denúncias de corrupção, sobre um tema no mínimo polêmico, sem nenhuma discussão ampla e democrática.
Dispomos de grandes reservas de urânio. Sabemos enriquecer o urânio, não somente para produção do combustível das usinas nucleo-elétricas, mas também para atingir os níveis de enriquecimento requeridos para a bomba.  Além da aproximação “onde o céu é o limite”, com os americanos, fundamental para “autorizar” a  construção da bomba. Então o que está faltando? Nada.
O momento é para um discussão com os diversos setores da sociedade brasileira sobre o que deseja o povo brasileiro em relação a energia nuclear. Produzir eletricidade a partir das usinas nucleares é ir na contramão do que acontece no mundo,  que está se distanciado desta opção, em prol das fontes renováveis de energia (Sol, vento, biomassa). E tornar o país detentor de uma bomba atômica não é o que necessitamos e queremos.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

O 1% RICO DO PAÍS E A MENTIRA NEOLIBERAL ESPALHADA PELO MBL

SÓ UMA LEITURA IDEOLÓGICA, DE CARÁTER NEOLIBERAL, EXPLICA O APARENTE ENGANO OU ERRO DO PESSOAL DO MCL. NÃO ADIANTA TENTAR APRESENTAR A LEITURA NEOLIBERAL COMO SE FOSSE A ÚNICA VERDADE. ELA É IDEOLÓGICA, SIM, E POR ISSO DISTORCIDA EM RELAÇÃO À REALIDADE. ELA É UMA LEITURA A PARTIR DOS MINORITÁRIOS SETORES QUE DESEJAM QUE TUDO SEJA PRIVATIZADO, ISTO É, QUE TUDO ESTEJA EM SUAS MÃOS, SEJA SUA PROPRIEDADE E FONTE DE LUCROS, ALUGUÉIS, JUROS... E É POR ISSO QUE NÃO TOLERAM QUEM LÊ A REALIDADE E OS DADOS A PARTIR DA BUSCA DA IGUALDADE DE DIREITOS E DA JUSTIÇA SOCIAL. O MUNDO, PARA ESSA IDEOLOGIA NEOLIBERAL, É PARA POUCOS.
 
Márcio Porchmann
ALAI - 10/12/2018
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Foto: cc/wikimedia
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Vídeo difundido pelo WhatsApp e que traz a sigla MBL (Movimento Brasil Livre, de extrema direita) revela que o 1% mais rico da população do país seria constituída por funcionários públicos federais (políticos, diplomatas, auditores fiscais e membros do Poder Judiciário, Ministério Público, Tribunal de Contas, Banco Central, Companhia de Valores Mobiliários) e não por grandes empresários. Em virtude disso, a desigualdade no Brasil, em vez de ser explicada pela natureza da dinâmica capitalista, seria expressão dos “marajás federais” que se apossaram do Estado, tornando-o desnecessário e promotor de desigualdade, ademais de financiado por elevada carga tributária a atingir fundamentalmente os mais pobres.

Para o IBGE/Pnadc, dos 207,1 milhões de habitantes estimados para o ano de 2017, 125,4 milhões possuíam rendimentos de diversas fontes, indicando que a cada grupo de dez brasileiros, seis possuíam alguma forma de renda. Tomando-se como referência apenas o segmento representado pelo 1% mais rico dos brasileiros com renda, cujo piso do rendimento auferido é de 15 mil reais mensais, pode-se identificar algumas características principais do perfil dos brasileiros mais ricos.

A cada grupo de quatro pessoas com rendimentos pertencentes ao 1% mais ricos, por exemplo, um encaixa-se na condição de funcionário público (3,7% do total dos 11,5 milhões de servidores públicos do país). O segmento dos funcionários públicos (civis e militares) que faz parte do 1% mais rico no Brasil é composto por 45,8% empregados da União, 40,1% dos estados e 14,1% dos municípios.

Assim percebe-se que o agrupamento dos funcionários públicos federais responde por 11,9% do total das pessoas que pertence ao segmento do 1% mais rico do país. Além disso, constata-se também que a composição dos funcionários públicos que fazem parte do 1% mais rico não se apresenta concentrada em poucas categorias profissionais.

As principais profissões do serviço público federal que fazem parte do 1% mais rico do país estão representadas por 9,3% de professores universitários, 6,9% de oficiais das Forças Armadas, 6,7% de profissionais do direito, 5,8% de gerentes de bancos, serviços financeiros e seguros e 5,7% de contadores. Essas cinco profissões, por exemplo, respondem por menos de 29% do total dos servidores públicos cujo elevado rendimento mensal os fazem pertencer ao 1% mais rico da nação.

A mentira neoliberal propagandeada atualmente repete o que a candidatura presidencial de Collor havia feito em 1989, ao colocar sobre o setor público todos os problemas do país. A redução do Estado, a perseguição de funcionários públicos e o corte dos investimentos públicos e dos rendimentos não diminuem a pobreza, muito menos a desigualdade social no Brasil, ante o contrário.

Aliás, com base no Ibge/Pnadc, cerca de três quartos (ou seja, 75%) do segmento que representa o 1% mais rico no Brasil se constitui por pessoas com rendimentos auferidos justamente no setor privado. Por conta disso, constata-se que a desigualdade brasileira não se assenta fundamentalmente nos servidores públicos federais enquanto “categoria de marajás’ mas, sobretudo, na alta renda do setor privado, o que comprovaria a natureza desigual da dinâmica capitalista.

No setor público registram-se privilégios que devem ser combatidos, assim como a adoção de medidas voltadas à elevação da eficiência e funcionalidade do Estado, mas que dificilmente será possível de alcançar com o receituário neoliberal. A adoção de uma reforma tributária progressiva, que onerasse justamente os mais ricos, justamente os segmentos pertencentes ao setor privado, seria extremamente positiva para o enfrentamento das desigualdades no país.

Estaria o MBL disposto a fazer mea culpa e passa a defender correções na dinâmica capitalista brasileira?

10/12/2018
https://www.redebrasilatual.com.br/blogs/blog-na-rede/2018/12/o-1-rico-do-pais-e-a-mentira-neoliberal-espalhada-pelo-mbl

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

A QUEM FAVORECEM OS GASTOS ORÇAMENTÁRIOS PARA EMPRESAS?

VALE A PENA LER O ESTUDO DO INESC SOBRE O USO DE RECURSOS PÚBLICOS DO ORÇAMENTO FEDERAL PARA EMPRESAS, A PRETEXTO DE FAVORECER A TODA A SOCIEDADE. ACESSE PELO LINK ABAIXO.

"As escolhas da política fiscal, com destaque para a elaboração do orçamento público, representam espaços de disputa. As decisões de como gerar receitas e de como e onde gastá-las não depende somente de necessidades e prioridades. Depende também das relações de poder e de interesses existentes entre os mais variados setores e grupos sociais. Essa disputa também ocorre no âmbito da escolha dos beneficiários dos gastos tributários. Com o objetivo de tornar esse processo mais transparente para a sociedade, essa Estudo aborda aspectos dos gastos tributários federais com empresas no Brasil no período de 2011 a 2018: conceito, análise dos dados, estudos de casos e análise da transparência."

Grazielle David, assessora política do Inesc


 Soacreditovendo-OK.pdf — PDF document, 375 kB (384787 bytes)

ATENÇÃO AO ENIGMA DOS "COLETES AMARELOS" FRANCESES

VALE A PENA REFLETIR  LOGO SOBRE ESSA NOVA EXPLOSÃO SOCIAL, PARA NÃO PERDER O BONDE DA HISTÓRIA. AFINAL, SE NOSSOS DESEJOS E ATÉ OS PROGRAMAS PARTIDÁRIOS NÃO FOREM CHECADOS POR PRÁTICAS TÃO ESTONTEANTES, PARA QUE QUE SERVIREMOS? 

É PROVÁVEL QUE ESTE, COMO O QUE ACONTECEU NO BRASIL EM 2013, SEJAM A CRÍTICA MAIS FIRME DOS ABSURDOS DO SISTEMA DOMINANTE, QUE SÓ FAVORECE A INÚTIL MINORIA DO 1%, MAS AINDA NA FORMA DE REVOLTA POPULAR. SE FOR, O QUE ESTÁ SENDO COBRADO É A CORAGEM DE ELABORAR E COLOCAR NAS RUAS UM PROGRAMA EFICAZ DE MUDANÇAS ESTRUTURAIS. MUDANÇAS QUE, PROVAVELMENTE, COMEÇARÁ COM A CONQUISTA DE COISAS MUITO CONCRETAS, COMO A RENDA CIDADANIA - GARANTINDO DISTRIBUIÇÃO DE RENDA QUE GARANTA A VIDA DE TODAS AS PESSOAS -, A MUDANÇA DA POLÍTICA ENERGÉTICA PARA MULTIPLICAR O USO DE TRENS E METRÔS ELÉTRICOS... 

O PRESIDENTE MARCON RECLAMA, MAS O QUE ELE FEZ FOI PASSAR A CONTA DE SUAS POLÍTICAS DE ENFRENTAMENTO DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS PARA OS 99%, ENQUANTO LIBEROU DE IMPOSTOS O 1%! ASSIM NÃO DÁ, ESTÃO GRITANDO COM O CORPO OS COLETES AMARELOS...

E AQUI, QUANDO A NOVA ADMINISTRAÇÃO FEDERAL ASSUMIR O COMANDO E REPETIR O QUE FEZ E FAZ MACRON, O QUE FARÃO OS CASTIGADOS, OS QUE SERÃO FORÇADOS A PAGAR A CONTA: SILENCIARÃO OU CRIARÃO ALGUM TIPO DE REVOLTA TIPO COLETES AMARELOS? A VER... 

O enigma dos “Coletes Amarelos”

Após semanas de mobilização, eles prometem abalar a França sábado e têm apoio de 70% da população. Mas desafiam tanto a direita quanto a esquerda. Por que?
Por Antonio Martins | Vídeo: Gabriela Leite
Em pânico, o gabinete do presidente francês, Emmanuel Macron, articula, para este sábado, uma operação policial poucas vezes vista na história do país. Cerca de 89 mil homens estarão nas ruas, fortemente equipados (inclusive como treze blindados). Tentarão evitar que a mobilização dos “coletes amarelos” [gillets jaunes, em francês] cumpra sua promessa de bloquear as rodovias de todo o país e chegar ao Palácio do Eliseu, sede do governo. Deflagrada há três semanas, contra o aumento do preço dos combustíveis, a revolta não parou de crescer, desde então. Mas o que é ela? E por que desafia tanto os ultra-capitalistas, de Macron, quanto a esquerda institucional?
Detestado pelo pseudo-filósofo Olavo de Carvalho, o pensador e militante comunista italiano Antonio Gramsci cunhou certa vez uma frase que ajuda a compreender o fenômeno. Há momentos na História, disse ele, “em que o velho mundo está morrendo, mas o novo tarda em despontar. Nesse claro-escuro, nascem todos os monstros”. Os “coletes amarelos” não são um monstro no sentido popular do termo, mas assombram por desafiar as lógicas políticas tradicionais. São cidadãos comuns, que despertaram sem apoio dos partidos, sindicatos ou outros movimentos. Ramificaram-se rapidamente por toda a França (já começam a surgir versões locais em outros países europeus) e articulam-se com muita eficácia pelas redes sociais.
A ideia que o movimento sustenta surgiu numa petição postada em maio, na plataforma Change. Reuniu 300 mil assinaturas contra a alta do combustível (o diesel, mais popular na França, subiu 23% este ano). Tomou as ruas depois que dois cidadãos postaram, há semanas, um evento no Facebook, convocando a população a bloquear as estradas, em 17 de novembro. Ganhou um símbolo quando uma outra pessoa publicou, no YouTube, um vídeo sugerindo adotar os jalecos fosforecentes, que uma lei de 2008 obrigou os motoristas de veículos de carga a vestir ao volante. Em muito sentidos, o protesto aproxima-se da grande mobilização dos caminhoneiros no Brasil, em 2018.
Porém, não se restringe a uma categoria profissional: espalhou-se pela sociedade. Ao rejeitar a alta dos combustíveis decretada pelo governo, parece aproximar-se da esquerda – ainda mais a partir do final de novembro, quando passou a pedir a renúncia do presidente de direita (A frase “Macron demission” tornou-se seu slogan, pichada até no Arco do Triunfo). Porém, a alta de combustíveis que o movimento rejeita é provocada por uma proposta da esquerda, dos ambientalistas, dos que criticamos a civilização do automóvel. O presidente francês, que apesar de neoliberal flerta com certas críticas contemporâneas ao sistema, adotou os tributos que dissuadem emissões de CO². Ao rejeitá-los, os “coletes amarelos” parecem se aproximar de Donald Trump…
Num artigo que Outras Palavras publicou há alguns dias, o jornalista português Nuno Ramos de Almeida associa o estranho movimento às transformações produtivas e regressões sociais que marcaram o capitalismo nas últimas décadas. A destruição do Estado de Bem-Estar social dissolveu as relações coletivas, o orgulho pela Saúde e Educação públicas. O aumento brutal da desigualdade empobreceu as maiorias – obrigadas a uma vida medíocre –, enquanto os barões das finanças ficaram cada vez mais ricos, insolentes e esbanjadores. . Por isso, o movimento parece ter, além de apoio de mais de 70% dos franceses, a radicalidade da raiva. Não recuou sequer quando o governo Macron suspendeu (e depois anulou!) uma nova alta do preço dos derivados de petróleo, que estava prevista para 1º de janeiro. No entanto, esta raiva reivindica, essencialmente o direito de empreender individualmente (sem ser perturbado pelo Estado e por impostos ambientais) – e o de consumir. Se a paralisia da esquerda se mantiver, é possível que se torne, rapidamente, combustível para uma direita mais primitiva, ao estilo Marinne Le Pen.
O movimento dá razão a Gramsci – o filósofo que tira o sono de Olavo de Carvalho – por duas razões. De fato, há um mundo que se recusa a morrer: o da a aristocracia financeira, dos parasitas que se tornaram totalmente dispensáveis como classe, pois além de não produzirem nada não são essenciais sequer na atividade bancária. Porém, não se retiram; ao contrário, exercem um poder que pesa cada vez mais sobre o conjunto da sociedade. O gráfico abaixo mostra os efeitos da política tributária de Emmanuel Macron, que cortou impostos sobre a riqueza e sobre as grandes corporações – exatamente como pretendem fazer Bolsonaro e Paulo Guedes no Brasil. A curva está dividida em centis de renda. Repare no canto à direita, onde está o 1% mais rico. Sua renda disponível cresceu quase 6%, enquando a dos mais pobre recuava.

Mas o mundo novo também teima em não nascer. A esquerda tradicional permanece atônita, diante das transformações do sistema. Os movimentos anti-(ou pós-)capitalistas que surgiram nos últimos vinte anos limitam-se, por enquanto, a enunciar valores opostos aos hegemônicos. Hesitam em transformá-los em propostas políticas concretas, capazes de dialogar com as maiorias e mobilizá-las. Por que tarda tanto a articulação de um movimento global pela Renda da Cidadania? Somos capazes de críticas cada vez mais ácidas à ditadura do automóvel. Mas no Brasil, por exemplo, demoramos a propor medidas claras de recuperação da malha ferroviária, ou a instalação vigorosa de redes de trens de superfície que rompam o isolamento das periferias. Condenamos o consumismo – mas não chegamos a construir, em escala ampla, formas não-mercantis de pertencimento social e de preservação da auto-estima (pense, entre muitas outras possibilidades, na difusão de moedas solidárias – inclusive para favorecer a ocupação das multidões desempregadas – ou em aplicativos que ajudem a proteger a população negra da violência policial). À falta destas alternativas, e diante da opressão capitalista, emergem muitas vezes respostas reacionárias ou individualistas.
Por tudo isso, valerá muito acompanhar, neste sábado, a grande mobilização dos “coletes amarelos” franceses contra Emmanuel Macron. Será ainda melhor aproveitar para refletir sobre nossa responsabilidade coletiva na emergência do mundo novo a que se referia Antonio Gramsci.
https://outraspalavras.net/capa/o-enigma-dos-coletes-amarelos/ 

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

O ALERTA DO CLIMA NA COP 24: SÓ DOZE ANOS PARA REVERTER A ROTA

E AINDA HÁ PESSOAS QUE ACHAM QUE OS ALERTAS EM RELAÇÃO ÀS MUDANÇAS CLIMÁTICAS NÃO PASSARIAM DE GRITOS DE GRUPOS HISTÉRICOS. QUANDO OS GOVERNANTES LEVARÃO A SÉRIO OS AVISOS DIRETOS DA TERRA E AS CONFIRMAÇÕES DA CIÊNCIA?

A HUMANIDADE TEM O DESAFIO DE ENFRENTAR UM ÍDOLO: O DINHEIRO, A RIQUEZA. SEM DERROTAR ESSE DEMÔNIO QUE SE DISFARÇA DE DEUS, NÃO LIBERTAREMOS A TERRA NEM SEUS FILHOS E FILHAS.  

“O desafio de interromper o sobreaquecimento do planeta e limitar o aumento das temperaturas estabelecido em 2015 em Paris, é cada vez mais difícil e o tempo disponível é cada vez mais limitado”. O alerta vem do clube de Kyoto, uma organização criada em 1999 e comprometida em atingir as metas de redução das emissões de gases do efeito estufa. Seu nome vem do Protocolo de Quioto, assinado durante a COP3 realizada em 1997. O diretor da organização científica Gianni Silvestrini, presente na Polônia para Cop24 destacou que "estamos diante de uma aceleração sem precedentes das mudanças climáticas e em risco não estão mais só as gerações futuras, mas também a nossa" e para isso é necessário agir rapidamente.

A informação é publicada por L'Osservatore Romano, 05/06-12-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

O painel de especialistas da ONU sobre mudança climática, lembra o especialista, afirma que "restam apenas doze anos para reverter a rota: é necessário que dentro desse prazo a comunidade internacional consiga estabelecer metas mais ambiciosas e cortar drasticamente as emissões nocivas até 2030. Estamos numa fase muito delicada”, conclui.

A ex-astronauta norte-americana Mae Jemison, convidada a participar da cúpula, lançou um apelo à "conscientização" da ameaça representada pela mudança climática. Embora a luta contra a mudança climática seja "provavelmente o problema mais importante" que a humanidade já teve que enfrentar, "devemos resolvê-la e é realmente essencial entender que o problema é de todos nós", continuou a primeira astronauta afro-americana a ter ido para o espaço. Uma opinião compartilhada pelo chefe da estação espacial internacional Alexander Gerst, que lembrou em uma mensagem dirigida aos participantes que "não temos um planeta B" à nossa disposição.

http://www.ihu.unisinos.br/585278-o-alerta-de-clima-na-cop24-em-katowice-apenas-doze-anos-para-reverter-a-rota