quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

54 MILHÕES DE POBRES E MAIS CINCO DESAFIOS PARA O GOVERNO BOLSONARO EM 2019

IHU - 6 de dezembro de 2018

Mais pessoas ficaram pobres e desassistidas no Brasil entre 2016 e 2017. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta quarta-feira uma série de indicadores sociais sobre pobreza, detalhando renda, moradia e educação dessa população. Quase todos os números pioraram.

A reportagem é de Matheus Magenta e Juliana Gragnani, publicada por BBC Brasil, 05-12-2018.
Em 2016, o Brasil tinha 52,8 milhões de pessoas pobres (25,7% da população). Em 2017, esse número cresceu para 54,8 milhões (26,5%).

A economia brasileira viveu altos e baixos desde o último levantamento, em 2014. Passou por baixo crescimento, desaceleração, recessão até atingir uma lenta recuperação em 2017. Por consequência, o mercado de trabalho registrou cortes de vagas, aumento da informalidade e queda do rendimento de assalariados e autônomos.

Para Manuel Thedim, economista e pesquisador do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (Iets), o principal desafio do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) para alavancar a economia do país a partir de 2019 é a insegurança jurídica.

"A economia não consegue em hipótese alguma se divorciar da política. Então, é preciso saber se o presidente eleito vai de fato abraçar e fortalecer a segurança jurídica do país, fazer com que acordos e contratos passem a ser respeitados no médio e no longo prazo. Como alguém já falou, no Brasil hoje até a história é incerta", afirmou à BBC News Brasil.

Investidores temem, por exemplo, que regras e políticas públicas acertadas no presente com uma autoridade sejam desfeitas pelos sucessores. É preciso também, diz Thedim, aguardar o entendimento que a Justiça terá da reforma trabalhista aprovada durante o governo Michel Temer (MDB), com a criação, por exemplo, de jornadas de trabalho intermitentes.

O levantamento aponta também as desigualdades socioeconômicas entre pessoas de diferentes cores ou raças. Pretos e pardos enfrentam muito mais dificuldade para encontrar empregos, vagas em creches e moradias em condições adequadas.

"Ter ensino superior é um fator que contribui para o acesso ao mercado de trabalho com mais intensidade para as pessoas pretas ou pardas, mas não o suficiente para colocá-las em igualdade com as pessoas brancas", afirmou o IBGE sobre os resultados.

Em 2017, trabalhadores brancos ganhavam, em média, R$ 2.615. Ou seja, 72,5% mais que os pretos ou pardos (R$ 1.516). Na diferença de gênero, a diferença entre homens e mulheres era de 29,7%, ou R$ 2.261 e R$ 1.743 respectivamente.

Taxa de desocupação crescente em todo o território


Tabela do IBGE mostra taxa de desocupação por Estado no Brasil em 2014 e 2017
Desde a pesquisa de 2014 até a atual, apurada em 2017, o mercado de trabalho do país registrou um grande corte de vagas, subutilização da força de trabalho (menos de 40 horas semanais), aumento da informalidade (característica de parte das retomadas econômicas) e aumento da desigualdade de renda.

A taxa de desocupação, que era de 6,9% em 2014, aumentou continuamente até atingir 12,5% em 2017. No período, 6,2 milhões de pessoas ficaram desempregadas e outras 5,2 milhões passaram a procurar emprego (a exemplo daqueles que só estudavam ou viviam da renda do cônjuge). Os jovens sofreram mais. Entre pessoas com 14 a 29 anos de idade, a taxa de desocupação passou de 13% para 22,6% em 2017.

Com as idas e vindas da economia, inicialmente, houve uma queda na diferença salarial, que, segundo o IBGE, se deu por causa de ganhos reais concedidos a quem recebia esse valor ou tinha seu rendimento influenciado por ele.

A partir de 2016, o cenário se inverteu, com o aumento do desemprego e da informalidade. Dois em cada cinco trabalhadores não tinham carteira assinada em 2017, um aumento de 1,2 milhão de informais desde 2014.

Para Thiago Xavier, economista e responsável pela área de monitoramento da atividade econômica na Tendências Consultoria, a recuperação consistente do mercado de trabalho depende principalmente da retomada do crescimento do país e da melhora nas expectativas econômicas.

O primeiro ponto passa em essência pela reforma da Previdência. Sem ela, a fatia de recursos destinados a essa área paralisaria o governo, tendo em vista o teto de gastos públicos e seus gatilhos punitivos em caso de descumprimento dos limites fiscais adotados durante o governo Michel Temer (MDB).

Uma eventual melhora do quadro fiscal teria efeito positivo, segundo Xavier, sobre as perspectivas de gastos e investimentos dos principais agentes econômicos: famílias, empresários e Estado. Com a crise de 2014, o endividamento generalizado reduziu a velocidade e mesmo a capacidade de retomada - em crises anteriores, o governo federal conseguiu investir em infraestrutura e expansão do crédito sem perspectiva de descontrole inflacionário, por exemplo.

Crianças e adolescentes na pobreza

Linhas de pobreza monetária e características da população
O IBGE identificou um aumento da pobreza entre 2016 e 2017, tendo como referência a linha de pobreza proposta pelo Banco Mundial (rendimento de até US$ 5,5 por dia, ou R$ 406 por mês). Por exemplo, 54,1% da população do Maranhão (taxa mais alta) e 8,5% de Santa Catarina (a mais baixa) estão nessa faixa de renda.

No período, o número de pessoas pobres passou de 52,8 milhões (25,7% da população) para 54,8 milhões (ou 26,5%). A parcela mais vulnerável é composta por domicílios comandados por mulheres pretas ou pardas sem cônjuge e com filhos de até 14 anos - 64,4% desse grupo vivem nessa situação. A fatia de crianças e adolescentes na faixa da pobreza passou de 42,9% para 43,4%.

Nesse mesmo período, outras 2 milhões de pessoas adentraram a faixa daqueles que vivem em situação de extrema pobreza, com renda em torno de R$ 140 por mês. A situação piorou em todas regiões do país, exceto no Norte. Essa proporção passou de 6,6% para 7,4%, ou, em números absolutos, de 13,5 milhões de pessoas para 15,2 milhões de pessoas. A meta global de erradicação da pobreza extrema é 2030.

Em 2017, o rendimento médio mensal per capita domiciliar no país foi de R$ 1.511, mas quase metade da população das regiões Norte e Nordeste ganhava até meio salário mínimo per capita (cerca de R$ 470); no Sul, essa parcela representa 15,6% do total. Esse cenário tende a acentuar a desigualdade social.

Segundo os dados mais recentes, a renda somada dos 10% com maiores rendimentos do país era 3,5 vezes maior que o total recebido pelos 40% com menores rendimentos. O tamanho do abismo varia a depender da região.

O Distrito Federal era líder nesse quesito. Os 10% do topo concentravam 46,5%, e os 40% com menores rendimentos, 8,4%.

27 milhões de pessoas vivem em moradias inadequadas


Tabela do IBGE mostra proporção da população residindo em domicílios com presença de inadequações e ausência de serviços de saneamento básico, por cor ou raça
A pesquisa do IBGE examinou a situação da moradia no país a partir de quatro tipos de inadequações em domicílios. O resultado: 27 milhões de pessoas, ou 13% da população, vivem em casas com ao menos uma dessas quatro inadequações. São elas:
- adensamento excessivo: casas com mais de três moradores por dormitório, a campeã das inadequações, atingindo 12,2 milhões de pessoas (5,9% da população)
- ônus excessivo com aluguel: quando o aluguel supera 30% do rendimento domiciliar, algo que afeta 10,1 milhões de pessoas (4,9% da pessoas); a inadequação foi mais presente no Distrito Federal e em São Paulo
- ausência de banheiro de uso exclusivo do domicílio: um total de 5,4 milhões de pessoas (2,6% da população) vivem nessa condição
- paredes externas construídas com materiais não duráveis: 1,3% da população vivem em residências assim

A pesquisa também analisou a ausência de serviços de saneamento. Mais de um terço da população não tem ao menos um dos três serviços de saneamento básico analisado (esgoto sanitário, abastecimento de água ou coleta direta ou indireta de lixo).

Todos os indicadores de inadequação na moradia e ausência de serviços de saneamento crescem em relação a pretos ou pardos em comparação com brancos. 43,4% das pessoas pretas ou pardas, por exemplo, não têm esgoto sanitário ou rede coletora ou pluvial. O número cai para 26,6% quando a análise foca pessoas brancas.

Houve uma "evolução mais rápida", segundo o texto do relatório, "no acesso domiciliar à internet". Em 2016, 67,9% da população residia em casas com acesso à internet. O número passou para 74.8% em 2017.

Para Naercio Menezes Filho, coordenador do Centro de Políticas Públicas do Insper, "parece bastante claro" que o governo federal precisa agir nos municípios onde as pessoas enfrentam essa escassez de serviços básicos. A solução, diz, é trabalhar junto com municípios para fornecer saneamento e aumentar a ação de programas sociais ali.

"O Bolsa Família e outros programas sociais precisam chegar nessas pessoas", afirma. Segundo o estudo, quase metade das mulheres pretas ou pardas sem cônjuge e com filhos de até 14 anos, por exemplo, tem restrição de acesso à proteção social.

Uma das definições de falta de proteção social, segundo a pesquisa, é quando um domicílio tem rendimento per capita inferior a meio salário mínimo e não recebe rendimentos de outras fontes, como programas sociais.

Crianças de 4 e 5 anos fora da escola


Tabela do IBGE mostra proporção de crianças de 0 a 5 anos de idade que frequentavam escola ou creche, por cor ou raça e situação do domicílio, segundo grupos etários
"Nenhuma das grandes regiões ou unidades da federação atingiu a meta da universalização do acesso à pré-escola", mostra o estudo, citando objetivo estabelecido pelo Plano Nacional de Educação, criado por lei aprovada em 2014, que prevê a meta de que 100% das crianças de 4 e 5 anos têm de estar matriculadas.

O percentual de crianças de 4 e 5 anos que frequentam a escola ou creche passou de 90,2%, em 2016, para 91,7%, em 2017. A frequência a escola ou creche nessa idade é obrigatória desde 2016.
Os Estados que chegaram mais perto de atingir a universalização foram o Ceará e o Piauí, com 97,8% e 97,6%, respectivamente. As taxas do Amapá, Amazonas e Acre ficaram abaixo de 80%.
"A pré-escola é uma etapa super importante porque é ali que a criança vai começar a desenvolver as bases para ser alfabetizada, vai ter desenvolvimento emocional e cognitivo", diz Thaiane Pereira, coordenadora de projetos da organização sem fins lucrativos Todos Pela Educação. Para ela, colocar o restante das crianças na escola é "urgente" para a próxima gestão.

O acesso à escola ou creche é menor nas áreas rurais, segundo o estudo do IBGE. Crianças que vivem em zonas rurais têm frequência escolar de 43,4%; esse número sobe para 54,7% quando o estudo leva em conta as crianças que vivem em domicílios urbanos. O acesso de pretos ou pardos a escolas ou creches também é menor que o acesso de crianças brancas.

Nas zonas rurais, 43,9% das crianças de 0 a 5 anos não frequentavam a escola ou creche por ausência de vaga. Nos domicílios urbanos, a proporção é de 23,3%.

Pereira, do Todos Pela Educação, cita duas medidas que o próximo governo deve adotar para chegar à meta de 50% de crianças de 0 a 3 anos em creches, objetivo estabelecido no Plano Nacional de Educação para 2024. Hoje, um terço das crianças nessa faixa etária estão em creches, uma etapa que não é obrigatória.

A primeira delas: dar acesso a creche com equidade, combatendo o desequilíbrio evidenciado pela pesquisa, que mostra que crianças negras têm menos acesso a creches do que crianças brancas, por exemplo.

A segunda medida: reinterpretar a meta de 50% de acesso a creches por municípios. Ela explica: "Muitos dos municípios replicaram a meta federal. Mas não necessariamente esses municípios precisam atingir os 50%. E há outros para os quais a meta de 50% não é suficiente. Em São Paulo, por exemplo, há muitas famílias com apenas um dos pais e famílias economicamente ativas que precisam mais de creches".

Ou seja, "antes de atender toda a demanda, é preciso atender as famílias que mais necessitam, que só tem um responsável ou que tem um responsável que precise trabalhar", diz ela. É preciso construir creches e abrir vagas, mas não sem planejamento.

Abismo entre alunos da rede particular e da pública


Tabela do IBGE mostra taxa de ingresso no ensino superior da população com ensino médio completo, por idade, cor ou raça, segundo rede do ensino médio concluído
O estudo mostrou profunda desigualdade no acesso ao ensino superior. Das pessoas que concluíram o ensino médio na rede pública, 35,9% ingressaram no ensino superior, ante 79,2% dos que cursaram a rede privada.

Ou seja, a taxa de acesso ao ensino superior dos alunos da rede privada foi mais que o dobro dos alunos que cursaram a rede pública.

Cor ou raça também desempenham um papel na desigualdade evidenciada pela pesquisa. No ano passado, pouco mais da metade das pessoas brancas (51,5%) com ensino médio completo seguiram para cursar o ensino superior. Esse número cai para 33,4% quando a análise foca pretos ou pardos nas mesmas condições.

No total, em 2017, 43,2% da população com ensino médio completo entraram no ensino superior.
A pesquisa também analisou a proporção de matrículas por cotas no ensino superior público. De 2009 a 2016, esse número cresceu 3,5 vezes, passando de 1,5% para 5,2%. A proporção de matrículas com PROUNI (Programa Universidade para Todos, do governo federal, que concede bolsas de estudo parciais ou integrais) nas instituições privadas - de 5,7% para 7,3%.

"É importante dizer que, apesar de termos muito o que melhorar ainda, houve um avanço muito grande nos últimos 20 anos em relação à educação", diz Naercio Menezes, do Insper.
O problema do acesso ao ensino superior está no Ensino Médio - ele destaca que é preciso melhorar a qualidade e taxa de evasão.

Para ele, há problemas de priorização e gestão. Ele defende, por exemplo, a descentralização da gestão do Ensino Médio, administrada pelos Estados. "É impossível gerir a partir de uma secretaria só. Deveria haver consórcios de municípios, com autonomia administrativa. As redes são muito grandes", afirma.

http://www.ihu.unisinos.br/585261-governo-bolsonaro-54-milhoes-de-pobres-e-mais-cinco-desafios-que-o-presidente-eleito-enfrentara-em-2019 

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

CHILENOS PEDEM PROIBIÇÃO DO GLIFOSATO

ESTÁ AÍ UM BOM EXEMPLO, A SER SEGUIDO: ORGANIZAR UMA LUTA PELA PRIOBIÇÃO DESSE VENENO CANCERÍGENO. VAMOS LÁ?

ALAI - 5 de dezembro de 2018

03/12/2018
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El 3 de diciembre Día Internacional del No Uso de Plaguicidas es una conmemoración que fue establecida por las 400 organizaciones miembros de la Red de Acción en Plaguicidas, PAN Internacional (Pesticide Action Network) en memoria de más de 500.000 personas intoxicadas y más de 16.000 personas fallecidas esa noche en Bophal, India, en 1984, debido al escape de 27 toneladas del gas tóxico metil isocianato, utilizado por la transnacional agroquímica Union Carbide para fabricar plaguicidas. Actualmente, más de 100.000 personas sufren enfermedades crónicas producto de esta catástrofe. Los muertos llegan a más de 25.000.

En Chile el cáncer es la segunda causa de muerte con un 25% del total de defunciones en el país. Según expertos mueren 3 personas por hora de cáncer y hay 45.000 diagnósticos al año de cáncer. 500 de ellos afectan a los niños.

Por esta razón, demandamos al Servicio Agrícola y Ganadero SAG, y al Ministerio de Salud de Chile, la prohibición del cancerígeno herbicida glifosato de Bayer/Monsanto. La iniciativa para exigir la cancelación del registro de este herbicida altamente peligroso es impulsada por RAP-Chile / Alianza por una Mejor Calidad de Vida y a nivel regional por la Unión de Científicos Comprometidos con la Sociedad y la Naturaleza de América Latina (UCCSNAL) junto a organizaciones sociales y ambientales de América Latina. En Chile  nos acompañan en la entrega del documento al SAG, representantes de ANAMURI, Unión de Sindicatos del Agro, Red de Acción en Plaguicidas de Chile, Observatorio Latinoamericano de Conflictos Ambientales, OLCA, Coordinadora Nacional de Apicultores Orgánicos CONAOC, Slow Food, Canelo de Nos, Corporaciòn de INvestigaciònn en Agricultura Alternativa CIAL, Cooperativa Verde, Comité de Defensa de Paine, Sindicato de Trabajadores Independientes Águilas Campesinas (Paine), Campaña Yo No Quiero Transgénicos en Chile, Coordinadora Ambiental de Casablanca, Movimiento Agroecológico de Latinoamérica y el Caribe, MAELA, Federación Agricultores Orgánicos RM, Sindicato Viña Santa Rita, Sindicato Viña Concha y Toro, Sindicato Inmobiliaria San Bernardo, y Ecoceanos entre otras organizaciones de la sociedad civil.

Desde que se impuso la agricultura de monocultivos con uso intensivo de agrotóxicos, especialmente de Plaguicidas Altamente Peligrosos, los accidentes, efectos crónicos y muertes son recurrentes. Además se ha contaminado el aire, suelos, aguas y alimentos causando profundos desequilibrios en los ecosistemas, graves impactos en la biodiversidad, deforestación y pérdida de la fertilidad de los suelos. En toda América Latina, se reporta la muerte masiva de abejas y polinizadores por neonicotinoides y por el uso indiscriminado de plaguicidas en los diferentes cultivos.

El mayor costo social son las muertes y las intoxicaciones agudas y crónicas que afectan a trabajadores/as agrícolas y a la población expuesta a plaguicidas. En el rubro agrícola, las mujeres (temporeras) representan la fuerza laboral más importante. Las mujeres son particularmente vulnerables durante las etapas críticas del desarrollo: en el útero, la primera infancia, la adolescencia, el embarazo, la lactancia y la menopausia. A nivel oficial, en Chile no existen estudios de salud laboral que alerten sobre efectos crónicos, como alteraciones de la función endocrina o cáncer en mujeres.

Plaguicidas cancerígenos registrados en Chile

De acuerdo con la Lista de PAN de Plaguicidas Altamente Peligrosos hay registrados en Chile 28 principios activos que pueden causar cáncer. Según la Agencia de Protección Ambiental de Estados Unidos, EPA hay 25 plaguicidas cancerígenos: 1,3 dicloropropeno, carbarilo, clorotalonil, diuron, epoxiconazole, etoprofós, fenoxicarb, folpet, imazalilo, isopirazam, isoxaflutole, kresotim-metil, mancozeb, mepanipirim, metam sodio, metiram, orizalin, oxifluorfen, permetrina, pririmicarb, procimidona, propargita, spirodiclofeno, tetraconazole, tiofanato metilo. Y tres plaguicidas clasificados como “probablemente cancerígenos” para humanos según la Agencia Internacional de Investigaciones del Cáncer, IARC: glifosato, malatión y diazinon.

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Intoxicaciones agudas y muertes por plaguicidas, años 2017-2018

 De enero a diciembre de 2017 se notificó un total de 672 casos de intoxicación aguda por plaguicidas (IAP) a la Red de Vigilancia Epidemiológica de Intoxicaciones Agudas por Plaguicidas, REVEP, del Ministerio de Salud. Las intoxicaciones incluyen casos confirmados de todas las edades y tipo de intoxicación. 

Entre los meses de enero y junio del año 2017 se notificaron a la REVEP cuatro muertos por plaguicidas. Entre enero y junio de 2018 se notificaron dos muertos, uno en la región de la Araucanía y otro en el Maule y un total de 228 casos de Intoxicación Aguda por Plaguicidas (IAP). A los  casos de IAP notificados entre enero y junio de 2018, se agregaron tres brotes: una intoxicación masiva ocurrida el 7 de septiembre de 2018 en la localidad de Panquehue, en las cercanías de San Felipe, Región de Valparaíso, con cerca de 62 personas intoxicadas en su mayoría menores de un liceo y de un jardín infantil y otras 106 personas fueron evacuadas como resultado de una nube tóxica. En octubre ocurrieron dos incidentes con plaguicidas, uno en la escuela Senderos de Culitrín de Paine, Región Metropolitana de Santiago, intoxicación que dio origen a dos sumarios, uno al colegio y un segundo a la Agrícola Rayenco. Otra intoxicación masiva, ocurrió el día miércoles 10 de octubre de 2018 en un predio de manzanas para exportación vecino a la escuela, afectando a 36 personas, especialmente a niños y docentes de la escuela Odessa de Río Claro, en la región del Maule. Cabe destacar que las intoxicaciones agudas se concentran entre los meses de septiembre a marzo, período de mayor utilización de plaguicidas en el sector agrícola.  Las intoxicaciones masivas ocurridas en diferentes regiones dejan de manifiesto una vez más la existencia de malas prácticas agrícolas en el país. 

Plaguicidas Involucrados en intoxicaciones masivas en los años 2017-2018

En 2017 y 2018 los plaguicidas involucrados en los brotes fueron de todas las clasificaciones toxicológicas. En 10 de estas intoxicaciones masivas aparecen implicados plaguicidas altamente peligrosos, PAP, por sus efectos agudos y crónicos de acuerdo a los nuevos criterios de la FAO y la OMS. De los 21 principios activos plaguicidas involucrados en intoxicaciones agudas en 2017 y de los 24 plaguicidas reportados por la REVEP entre enero y junio de 2018, destacan: glifosato (27 casos en 2017 y 9 casos de enero a junio de 2018), diazinon (11 casos en 2017 y 6 casos entre enero y junio de 2018), paraquat (2 casos en 2017) carbofurano (5 casos en 2017 y 3 casos entre enero y junio de 2018) clorpirifos (13 casos en 2017 y 8 casos entre enero junio de 2018), lamdacihalotrina (43 casos 2017 y 28 casos entre enero y junio de 2018) cipermetrina (28 casos en 2017 y 21 casos entre enero y junio de 2018) permetrina (24 casos en 2017 y 9 casos entre enero y junio de 2018)  brodifacoum (17 casos en 2017 y 9 casos entre enero y junio de 2018) alfacipermetrina (27 casos en 2017 y 28 casos entre  enero y junio de 2018) metomilo (16 casos en 2017 y 11 casos entre enero y junio de 2018) metamidofós (15 casos en 2017 y 3 casos entre enero y junio de 2018), Bromadiol (81 casos en 2017 y 4 casos entre enero y junio de 2018). Llama la atención que en 28 casos ocurridos en 2017 y 13 casos notificados entre enero y junio de 2018, no se pudo establecer los nombres de los plaguicidas involucrados en la intoxicación.

En los últimos 13 años hay un promedio de 700 casos de intoxicación aguda notificados a la REVEP y la subnotificación continúa siendo muy alta.  Por cada caso notificado, hay al menos cinco sin notificar, por tanto, se estima que hay aproximadamente 3.500 casos de intoxicaciones anuales.

Plaguicidas prohibidos en la Unión Europea

De los 21 plaguicidas identificados involucrados en casos de intoxicación aguda en 2017 y los 24 casos en 2018, hay 9 prohibidos en la Unión Europea: carbofurano, paraquat, permetrina, tetrametrina + d-aletrina (Raid), metamidofós, brodifacoum, fenitrotion y cianamida.

 Importaciones de plaguicidas en aumento

En el año 2016 se importaron 47.467 toneladas de plaguicidas y se exportaron 21.724 toneladas. En 2017 la cifra sube a 51.127 toneladas y la exportación baja a las 20.532 toneladas anuales. No hay disponibles cifras oficiales sobre producción nacional de plaguicidas, sin embargo, se estima que las formuladoras nacionales producen alrededor de 33.000 toneladas anuales. Por tanto, se estima que en 2017 hubo disponible para uso en el país un total 63.595 toneladas de plaguicidas. Entre enero y octubre de 2018 se importaron 44.161 toneladas y se exportaron 16.441 toneladas. En los últimos años hay un aumento constante en la importación y uso de plaguicidas, incluidos los altamente peligrosos por su efecto crónico.

Agricultura ecológica, un imperativo

Un reciente informe publicado en 2018 por la revista científica estadounidense JAMA Internal Medicine realizado por investigadores franceses establece que los consumidores de alimentos producidos por la agricultura ecológica tienen un riesgo 25% inferior de padecer cáncer con respecto a la población que sólo consume alimentos provenientes de la agricultura convencional.

 Por último, queremos valorar el incesante trabajo que en Chile y en toda América Latina realizan los apicultores orgánicos, los agricultores orgánicos y agroecológicos, los médicos, los profesionales de la salud, los abogados de los pueblos fumigados, las mujeres de los diferentes movimientos sociales, los trabajadores (as) organizados (as) y los miembros de las asociaciones civiles que nos oponemos a un modo de producción agrícola contaminante. A todos los que abogan por la instauración de sistemas y comunidades agroecológicas y contra la expansión de los monocultivos y su paquete de plaguicidas y agrotóxicos asociado, los invitamos a enriquecer y acrecentar nuestras acciones en este 3 de diciembre.

Por una agricultura que contribuya a enfrentar el cambio climático y a proteger la salud de chilenos y chilenas con cultivos agroecológicos y semillas libres de plaguicidas, patentes y transgénicos, exigimos que se prohíba el uso del glifosato, de los plaguicidas reconocidos como cancerígenos y los PLAGUICIDAS ALTAMENTE PELIGROSOS, por sus efectos agudos y crónicos (según la OMS y FAO). Necesitamos políticas públicas preventivas que apoyen la producción orgánica y agroecológica para avanzar hacia sistemas alimentarios inclusivos, con producción de alimentos saludables y protección de las y los trabajadores agrícolas, los niños, consumidores, abejas y polinizadores, flora, fauna y ecosistemas.

3 de diciembre de 2018

Red de Acción en Plaguicidas de Chile (RAP-Chile)
Alianza por una Mejor Calidad de Vida
Red de Acción en Plaguicidas y sus Alternativas para América Latina  (RAP-AL)

https://www.alainet.org/es/articulo/196925

CHAMADO DE ORGANIZAÇÕES SOCIAIS DA AMÉRICA LATINA À COP 24

SE SUA ENTIDADE DESEJA SUBSCREVER O CHAMADO "COP 24: PASAR DE LA PALABRA A LA ACCIÓN CLIMÁTICA", DE CARÁTER URGENTE, AOS RESPONSÁVEIS PELAS DECISÕES A SEREM TOMADAS NA COP 24, NA POLÔNIA, CLIQUE NO LINK ABAIXO, LEIA A MENSAGEM E UNA-SE A NÓS.

O TEMPO PARA REAGIR ESTÁ SE ACABANDO. DÊ SUA CONTRIBUIÇÃO.



#Demandas #SociedadCivil
Organizaciones de América Latina hacen un llamado a ciudadanos, organizaciones, activistas a sumarse al pronunciamiento que llevarán a la #cop24
 
1️⃣ La importancia de tomar en cuenta el informe del IPCC, y limitar el aumento de la temperatura a 1,5° C, como necesidad absoluta para conservar el ambiente y la biodiversidad planetaria.
 
2️⃣ Asumir un compromiso firme y con fechas precisas del abandono del carbón mineral y de los fósiles
 
3️⃣ Los gobiernos parte deben aumentar su ambición de acción climática, esta debe ser expresada de manera transparente y participativa

4️⃣ Las partes deben avanzar y cerrar el texto borrador del libro de reglas y todos los programas de trabajo que están pendientes

5️⃣ Preocupa que el gobierno polaco, como parte de sus medidas de seguridad para la COP24, haya aprobado una ley que vulnera los derechos de las organizaciones de la sociedad civil. 

VANDANA SHIVA: AGROTÓXICOS MATAM, SIM!

QUEM DESEJAR MORRER MAIS CEDO, QUE CONTINUE COMENDO ALIMENTOS PRODUZIDOS COM AGROTÓXICOS. SE PREFERIR VIVER MAIS TEMPO, VEJA COMO PODE AJUDAR A AVANÇARMOS PARA UMA ALIMENTAÇÃO 100% AGROECOLÓGICA, COMO JÁ DEMONSTROU SER POSSÍVEL O GOVERNO E O POVO DE SIKKIM, UM ESTADO INDIANO DO HIMALAIA.

EM NOSSO CASO, SE DEIXARMOS A QUE SERÁ MINISTRA DA AGRICULTURA CULTIVAR MAIS AGROTÓXICOS DO QUE ALIMENTOS VERDADEIROS, O BRASIL AVANÇARÁ NO CAMINHO DA MULTIPLICAÇÃO DE CÂNCERES E OUTRAS ENFERMIDADES LETAIS. SE ALGUÉM DIVIDA, VEJA NOVAMENTE, NESTE ARTIGO, A NOTÍCIA DE VITÓRIA DO JARDINEIRO ESTADUNIDENSE QUE DERROTOU A MONSANDO - AGORA BAYER - E A LEVOU INDENIZAÇÃO PESADA POR TER SIDO LEVADO AO CÂNCER PELO USO DO RAUNDAP, COM GLIFOSATO. 

QUE OS FUNCIONÁRIOS DAS EMPRESAS DE AGRONEGÓCIO SE CUIDEM, SE DESEJAREM - OU MELHOR, QUE  SE NEGUEM A ASPERGIR AS MONOCULTURAS COM ESTE VENENO LETAL...

Raiz dos agrotóxicos está nos gazes dos campos de concentração, diz Vandana Shiva

IHU, 5 de dezembro de 2018

Ativista relembra desastre em indústria química há 34 anos; 3 de dezembro tornou-se o dia de Luta Contra os Agrotóxicos.

A reportagem é de Nadine Nascimento, publicada por Brasil de Fato, em 03-11-2018.

Em 3 de dezembro de 1984, um vazamento em um tanque subterrâneo da fábrica americana de agrotóxicos Union Carbide, na Índia, lançou ao ar 40 toneladas do gás isocianato de metila e causou o mais grave desastre industrial da história.

Em questão de poucas horas, uma nuvem letal se dispersou sobre a densamente povoada cidade de Bhopal, com 900 mil habitantes, matando mais de 8 mil pessoas e intoxicando 150 mil. As doenças crônicas geradas pelo contato com a substância deixaram um assombroso legado para gerações futuras. Por conta do episódio, o 3 de dezembro ficou conhecido como o Dia Internacional de Luta Contra os Agrotóxicos.

A filósofa e física indiana, Vandana Shiva considera a data um monumento “àqueles que perdemos em Bophal em 1984, e uma prestação de solidariedade com aqueles que ainda sofrem as consequências, incluindo crianças que nasceram com malformações décadas depois, e as mulheres que nunca desistiram”.

A veterana ativista, que recebeu o Prêmio Right Liverhood (conhecido como o Nobel Alternativo) em 1993, é uma firme opositora das monoculturas e das sementes tratadas geneticamente. Vandana lembra que a raiz dos agrotóxicos, amplamente utilizados nesse tipo de agricultura, está nos gases dos campos de concentração da Alemanha nazista.

Bophal mostrou que agrotóxicos matam. O relatório da ONU sobre alimentos diz que 200 mil pessoas morrem anualmente intoxicadas. Pesticidas e agrotóxicos estão levando espécies à extinção”, lamenta.

Para a ecofeminista, 3 de dezembro mostra que apesar do grande poder do “Cartel do Veneno”, referindo-se às multinacionais que comandam o mercado de agrotóxicos, “a verdade sempre aparece”.

Bayer comprou a Monsanto e, pouco tempo depois, soubemos do caso de câncer de Johnson, que processou a empresa e a fez perder 35% de seu valor de mercado.” A ambientalista se refere ao caso de Dewayne Johnson, paciente terminal de câncer que venceu uma batalha judicial contra a Monsanto, condenando-a a pagar US$ 289 milhões em danos para sua família, em agosto deste ano. Segundo o zelador e jardineiro de uma escola na Califórnia nos EUA, o herbicida Roundup da empresa, que usa o princípio ativo glifosato, causou sua doença.

Alternativa

Em Sikkim, uma pequena região da Índia localizada no Himalaia, a realidade de Bophal é distante. O estado ganhou em 2018 o prêmio de Políticas para o Futuro da FAO, a Organização das Nações Unidas para a alimentação, por se tornar o primeiro estado totalmente orgânico do mundo.

Em 2015, Sikkim alcançou o marco revolucionário depois de conseguir converter seus mais de 60 mil agricultores a adotarem práticas agroecológicas, além de implementar a eliminação progressiva de fertilizantes e pesticidas químicos e a proibição total da venda e uso de agrotóxicos.
Shiva, que é natural da região do Himalaia, acredita que o feito de Sikkim e a produção de alimentos de maneira sustentável estão diretamente relacionados à vontade política. “O primeiro ministro do estado, Pawam Chamling, que trabalhou para fazer Sikkim 100% orgânica, é comprometido em proteger a natureza, a cultura de montanha do estado do Himalaia, os meios de subsistência dos agricultores e a soberania alimentar”, considera.

“Estamos trabalhando próximos a ele para fazer o Himalaia totalmente orgânico. Trabalhando também com movimentos ao redor do mundo para que a gente produza uma agricultura e alimentos livres de agrotóxicos em todo o planeta”, continua.

Em sua opinião, qualquer lei que passa a reduzir o uso de agrotóxicos, como é o caso da Política Nacional de Redução de Agrotóxicos (PNaRA) do Brasil – projeto de lei que aguarda votação em Comissão Especial da Câmara de Deputados – “é uma lei para proteger a vida e a terra, direitos dos agricultores, e a saúde humana.”

Vandana estará no Brasil em dezembro para I Seminário Internacional e III Seminário Nacional: Agrotóxicos, Impactos Socioambientais e Direitos Humanos, e convida todos aqueles “preocupados com os direitos da Terra e os direitos humanos” a participarem do encontro que será realizado na cidade de Goiás (GO), entre os dias 10 e 13.

http://www.ihu.unisinos.br/585200-raiz-dos-agrotoxicos-esta-nos-gases-dos-campos-de-concentracao-diz-vandana-shiva 

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

FMCJS: TEMPO DE INCERTEZAS E ESPERANÇA

ESTE É O TOM DA CARTA DO SEMINÁRIO NACIONAL DO FÓRUM MUDANÇAS CLIMÁTICAS E JUSTIÇA SOCIAL: IDENTIFICAR FONTES DE ESPERANÇA NO TEMPO DE INCERTEZAS EM QUE O BRASIL ENTROU DESDE A ELEIÇÃO DE OUTUBRO PASSADO.

AO LER ESTA MENSAGEM, SINTA-SE CONVIDADA E CONVIDADO A ENTRAR E PERMANECER NOS CAMINHOS DA CONSTRUÇÃO DE SOCIEDADES DE BEM VIVER.



TEMPO DE INCERTEZAS E ESPERANÇA

CARTA DO SEMINÁRIO NACIONAL

Reunidos em Brasília entre 27 e 30 de novembro de 2018, nós participantes do FÓRUM MUDANÇAS CLIMÁTICAS E JUSTIÇA SOCIAL tornamos pública esta Carta em momento histórico de incerteza e insegurança. Tempo que nos convoca à esperança.

Na contramão da História recente, o governo eleito em outubro deste ano anuncia políticas que aprofundarão o abismo das desigualdades de renda, riqueza, liberdade e condições de vida em todo o Brasil. A cultura do pensamento único buscará substituir o diálogo e a liberdade de opinião e de expressão. Que efeitos terão o desmonte do poder regulador do Estado, a privatização de propriedades públicas estratégicas e a entrega das nossas empresas e bens naturais, protegidos pela Constituição, a corporações transnacionais?  Aqueles que deverão governar o Brasil até 2022 trazem a desproteção social e ambiental através de contrarreformas da previdência e trabalhista e da mercantilização da Natureza. As perseguições aos que lutam por seus direitos, em particular os movimentos de mulheres, as comunidades indígenas, quilombolas e ribeirinhas, também fazem parte deste contexto. A população brasileira sofrerá mais com o aumento da exploração e da opressão. A Nação empobrecerá com a perda da soberania sobre seu território e suas riquezas.

A desistência do Brasil em sediar a COP25 - a Conferência do Clima de 2019 - teria o intuito de encobrir a política anunciada de intensificação da entrega da Amazônia, das águas - inclusive as subterrâneas - e das riquezas vegetais e minerais à ganância do capital transnacional, consolidando a renúncia à soberania nacional com a cumplicidade do Exército brasileiro? Isto ameaça a subsistência de todas as formas de vida, inclusive dos povos das águas, da floresta e dos campos, e altera radicalmente o equilíbrio climático de todo o planeta. Estas imposições do modelo de desenvolvimento econômico predatório beneficiam o grande capital transnacional e comprometem também a vida em todos os biomas.

Por outro lado, as ações de resistência com base no anseio pelo Bem Viver e pelas relações solidárias entre as pessoas e com os ecossistemas têm se fortalecido através do engajamento de entidades e comunidades em redes de atuação organizadas pela defesa dos bens comuns como patrimônio da Terra e dos seus povos, portanto, não privatizáveis. Estamos construindo um modo de vida que parte dos territórios geridos pelas comunidades locais e pelos seus habitantes, que são os primeiros interessados num ambiente acolhedor e protegido. A autogestão desses territórios é o caminho para a soberania alimentar e nutricional com base agroecológica. Como guardiãs da integridade dos ecossistemas, estas comunidades são sujeitos ativos no planejamento e implementação do desenvolvimento socioeconômico e técnico baseado nas suas próprias demandas. Isto implica o resgate do papel do Estado como indutor do empoderamento democrático da população.

Diversas iniciativas demonstram que estas ações de resistência e inovação já estão em marcha, tais como a campanha Água Nossa de Cada Dia, o Tribunal dos Povos do Cerrado 2019, o Pantanal Sem Limites, a Campanha da Fraternidade sobre políticas públicas, a Campanha das Cisternas no Semi-Árido, a campanha Territórios Pesqueiros,

a Frente por uma Nova Política Energética para o Brasil, o Fórum Social Panamazônico e a rede nacional de cooperativas Concrab do MST, que fecha cada ano com uma Feira Nacional da Reforma Agrária.

Defendemos uma visão multilateral da Governança Global, onde a hierarquia cede lugar à Democracia e a Cidadania Planetária une os povos, irmanados na nossa Casa Comum.

Defendemos o esforço intensivo para inverter até 2020 a tendência de aumento das emissões de gases de efeito estufa e estancar urgentemente o desastroso aquecimento global.

Defendemos a superação da Soberania solitária dos nacionalismos fascistas pela Soberania Solidária, que acolhe com respeito mútuo a diversidade dos povos e das suas culturas.

Frente ao comprometimento das entidades do Fórum em investirem na formação para a comunicação e a educação populares, vislumbramos diversas possibilidades para o fortalecimento de práticas transformadoras e para a formação de sujeitos críticos e cientes da força multiplicadora dos ideais de paz e justiça. O objetivo é ir além da resistência, que por vezes é reativa e limitada à pauta determinada pelos detentores do poder político e econômico. Mais do que isto, é importante resgatar o potencial revolucionário da unidade que pode nascer somente da diversidade trazida por cada ser e por cada realidade.

Unimo-nos às redes de cidadãs e cidadãos planetários para lançarmos juntos o Apelo às Consciências e a Ágora dos Habitantes da Terra, celebrando os 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos em 10.12.18, em defesa da Vida do planeta e do Bem Viver como ideal unificador de todos os povos em igual dignidade, liberdade e irmandade.

“A Terra espera ardentemente Práticas Humanas para Libertar-se”

Novembro de 2018



A COP 24, NA POLÔNIA, E O NOVO GOVERNO BRASILEIRO

VEJAM A POSIÇÃO PÚBLICA DO GRUPO CARTA DE BELÉM EM RELAÇÃO À COP 24, EM REALIZAÇÃO NA POLÔNIA.

https://mail.google.com/mail/u/0?ui=2&ik=817d759d7c&attid=0.1&permmsgid=msg-f:1618845478216470894&th=16774b62ab57116e&view=att&disp=inline 


segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

NOTA DO CIMI SOBRE AGRESSÕES DO PRESIDENTE ELEITO CONTRA OS POVOS ORIGINÁRIOS

É REALMENTE UM ABSURDO. PARECE QUE ESTAMOS VOLTANDO AO SÉCULO XVI. SE JÁ ERAM INACEITÁVEIS AS AGRESSÕES DOS COLONIZADORES E SEUS DESCENDENTES, ELAS SÃO CLARAMENTE CRIMINOSAS NO SÉCULO XXI. 

É NECESSÁRIO QUE OS ELEITORES DE BOLSONARO AVALIEM SE VOTARAM NELE PARA IMPLEMENTAR ESSA POLÍTICA AGRESSIVA E CONTRÁRIA AOS DIREITOS ORIGINÁRIOS DOS POVOS INDÍGENAS. SE NÃO, MANIFESTEM SUA DISCORDÂNCIA ENQUANTO É TEMPO, ANTES DE COMEÇAREM AS PRÁTICAS CRIMINOSAS.

É inequívoco que as palavras do presidente eleito servem de incentivo e referendam as ações que atentam contra a vida dos Povos Indígenas no Brasil, antagônicas, portanto, ao dever do Estado de efetivar as demarcações, a proteção dos territórios e da vida destes povos, afirma nota do Conselho Indigenista Missionário - Cimi, publicada em seu portal, 01-12-2018, sobre declaração do presidente Bolsonaro e a demarcação das terras indígenas.

Eis a nota.

Bolsonaro insiste em equiparar os povos a animais em zoológicos, o que é, por si só, inaceitável. Ao fazer isso, o presidente eleito sinaliza que os povos podem ser caçados e expulsos por aqueles que têm interesse na exploração dos territórios indígenas e que pensam como ele.
presidente eleito retoma o discurso integracionista, marca dos governos ditatoriais das décadas de 1960 a 1980. A ideologia do integracionismo deu margem para ações de agentes estatais e privados que resultaram no assassinato de ao menos 08 mil indígenas no período citado, como atesta o Relatório da Comissão Nacional da Verdade.
Ao afirmar que as demarcações de terras indígenas no Brasil teriam origem em pressões externas, o presidente eleito falta com a verdade. O fato é que a Constituição Brasileira de 1988, que em seu Artigo 231 reconhece a legitimidade e o direito dos povos indígenas à sua organização social, aos seus usos, costumes, crenças, tradições e às suas terras originárias; é a mesma Lei Maior de nosso país que obriga o Estado brasileiro a promover a demarcação, a proteção e fazer respeitar todos os seus bens nelas existentes.
Além disso, o presidente eleito tem a obrigação de saber, também, que o direito dos povos às suas terras é reconhecido oficialmente desde o Alvará Régio de 1º de abril de 1680, ainda durante o Período Imperial, bem como, desde 1934, em todas as Constituições brasileiras.
Ao insinuar que as demarcações de terras indígenas poderiam dar origem a novos países dentro do Brasil, o presidente eleito ignora o histórico de luta dos povos originários em defesa das fronteiras do nosso país ao longo da história. Demonstra ainda profunda ignorância quanto ao teor da nossa Carta Magna que elenca as terras indígenas como Bens do Estado brasileiro (Artigo 20), registrados como patrimônio da União nos Cartórios de Imóveis locais e na Secretaria de Patrimônio da União, de acordo com o Decreto 1775/96, que regulamenta os procedimentos administrativos correspondentes.
Além de extremamente desrespeitosas para com os povos, as declarações do presidente eleito dão guarida ideológica para a inoperância do Estado em efetivar o direito dos povos esbulhados historicamente de suas terras, bem como, para ações ilegais e criminosas de invasão, loteamento, venda e apossamento de lotes, desmatamento e estabelecimento de unidades de produção no interior de terras indígenas já regularizadas, que caracterizam a mais nova fase de esbulho possessório em curso no Brasil contra os povos.
Por fim, é inequívoco que as palavras do presidente eleito servem de incentivo e referendam as ações que atentam contra a vida dos Povos Indígenas no Brasil, antagônicas, portanto, ao dever do Estado de efetivar as demarcações, a proteção dos territórios e da vida destes povos.
Diante de tantas agressões, o Conselho Indigenista Missionário-Cimi manifesta irrestrita solidariedade aos 305 povos indígenas brasileiros e reafirma o compromisso histórico e inquebrantável de estar junto com os mesmos na defesa de suas vidas e seus projetos de futuro.
Brasília, DF, 01 de dezembro de 2018
Conselho Indigenista Missionário – Cimi