terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

COM TEMER E CIA, O DESEMPREGO É UM PROJETO

ENGANA-SE QUEM ACHA QUE O DESEMPREGO É FENÔMENO "NATURAL", FRUTO DAS CRISES ECONÔMICAS. POR TRÁS DELE HÁ SEMPRE QUEM FAZ FESTA, QUEM GANHA, QUEM, POR ISSO, É CRIADOR DE "CRISES" COMO INSTRUMENTO DE PODER E DE EXPLORAÇÃO. 

NA SITUAÇÃO BRASILEIRA, O AUMENTO EXPLOSIVO DO DESEMPREGO, JUNTO COM A REDUÇÃO MÉDIA DOS SALÁRIOS E DA MASSA SALARIAL, TERÃO TUDO A VER, COM CERTEZA, COM OS ALTOS LUCROS DOS BANCOS NOS PRÓXIMOS BALANÇOS, MESMO COM A "CRISE" SE APROFUNDANDO. A MORTE DE MUITOS PELO "AUSTERICÍDIO" ALIMENTA A "VIDA" DE ALGO QUE NÃO TEM VIDA: O DINHEIRO, O CAPITAL, A ESPECULAÇÃO. QUEM AINDA ACHA QUE ESSE MONSTRO NÃO É ADORADO PELO DONOS DO CAPITAL FINANCEIRO NACIONAL E INTERNACIONAL? ESSE ÍDOLO SÓ SE APLACA COM SANGUE HUMANO E COM A DESTRUIÇÃO DA VIDA DA TERRA!

Quando o desemprego é um projeto

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Não se trata de barbeiragem: elite financeira que dirige o governo agiu conscientemente para reduzir a ocupação, os salários e o consumo interno. Dito e feito!
Por Paulo Kliass, na Carta Maior
O mês de janeiro começa a se despedir, mas não sem perder a oportunidade de oferecer ao conjunto de nossa sociedade uma nova leva dos péssimos números a respeito do desempenho da economia brasileira. Os responsáveis pelo governo bem que tentam ensaiar uma ginástica retórica para tentar justificar o que não conseguem. E dá-lhe blábláblá a respeito da chamada “herança maldita” que teriam recebido dos governos anteriores ou a conhecida derrapada pela direita, esquecendo o momento atual e apontando para esperados cenários futuro de “despiora”. Sim, pois os brasileiros somos mesmo incomparáveis na criação de neologismos para fugir do enfrentamento da realidade concreta em que vivemos. Enfim, no entender de alguns “especialistas” deveríamos nos contentar pois se ainda não melhorou, ao menos já teria deixado de piorar. Sic!
Nessa inglória tarefa, o Palácio do Planalto e a turma da equipe econômica sempre recebem um empurrãozinho – que não pode ser negligenciado em hipótese alguma! – dos seus comparsas dos grandes meios de comunicação. Afinal, todo mundo havia recebido uma apólice de seguro inquebrantável. De acordo com tal garantia, bastaria derrubar a Dilma e substituir os responsáveis da área econômica por uma equipe técnica e competente. Em resumo, pleiteavam a instalação plena da fina flor do financismo no poder, desta vez sem maiores intermediários. E pronto! A partir de então, a fadinha mágica das expectativas se encarregaria de colocar o país nos eixos.
Ocorre que o jogo da política econômica é muito mais complicado do que imaginavam os golpistas de plantão. A opção pela política do austericídio já vinha sendo implementada muito antes da votação definitiva do impeachment. Não nos esqueçamos de que Dilma havia nomeado Joaquim Levy para comandar o Ministério da Fazenda em seu segundo mandato. Ao romper com os compromissos assumidos durante a batalha eleitoral de outubro de 2014, ela caiu na triste ilusão de que poderia convencer a elite empresarial e política de sua nova disposição. Ou seja, a suposição de que poderia fazer o serviço sujo e se manter no poder a qualquer custo.
Resultado do austericídio em ação.
Forçar a barra pela via da manutenção da política monetária arrochada e, simultaneamente, promover uma política de contenção fiscal acentuada só poderia dar no que deu. É o caminho para o suicídio político, social e econômico pela via da austeridade. Taxa de juros nas alturas combinada a cortes orçamentários draconianos empurrou o Brasil na ladeira abaixo da recessão e da estagnação econômicas. Essa, aliás, era a única receita oficial dos neoliberais sedentos por sangue para promover o sacrossanto “equilíbrio”. Seus porta vozes não se cansavam de afirmar, sem o menor pudor nem constrangimento, que o país necessitava reduzir a demanda por todos os meios, pois estaríamos vivendo acima de nossas capacidades. E assim procederam. A redução do ritmo da atividade econômica era uma condição desejada, um objetivo a ser alcançado. Um crime premeditado.
A consumação do golpeachment acelerou esse processo, uma vez que a dupla colocada por Temer no comando da economia contava com todo o apoio do establishment empresarial. Assim, foram mais sinceros e autênticos na condução do desastre. O ex-presidente do Bank of Boston e o diretor do Banco Itaú passaram a ditar as regras da política econômica. A obsessão com a obtenção de cortes expressivos nas despesas públicas foi levada ao extremo, ao passo que a suposta “neutralidade técnica” do BC para a política monetária significou a manutenção da SELIC nas alturas. A situação só começou a mudar um pouco a partir da virada do ano, quando até mesmo os dirigentes políticos do campo conservador começaram a sentir a pressão de suas bases por mudança na orientação recessionista. E tem início, a partir de então, um jogo desesperado de caça por boas notícias no front da economia. Tarefa inútil. O jogo já estava em andamento na direção do precipício. A ponte para o futuro transformara-se na pinguela instável da travessia destemperada.
Ginástica retórica da grande imprensa.
Os garimpeiros de informações alentadoras viram-se obrigados a se contentar com a métrica do “pelo menos deixou de piorar tanto”. Como justificar que a tão prometida mudança nos rumos da economia não deu o ar da graça nem mesmo após a chegada da nova equipe, supostamente tão técnica e competente? A grande imprensa nunca teve tanto trabalho para dourar uma pílula que insiste em revelar o tamanho da desgraça em que estamos afundados. A dívida pública continua batendo todos os recordes; ah, mas diminuiu a percentagem de crescimento do endividamento. A taxa real de juros e os custos ao tomador de empréstimos estouram os limites a cada dia; ah, mas a SELIC foi reduzida. O ritmo da atividade econômica segue sendo negativo em todas as abordagens e setores; ah, mas a cada semana se aposta que “finalmente chegamos ao fundo do poço”. O déficit fiscal para 2016 bateu todos os recordes históricos; ah, mas agora vai melhorar. E por aí vão firmes, sempre na defesa do indefensável.
Um dos aspectos mais dramáticos do austericídio em ação é o desemprego. Normalmente tratado pelos economistas de planilha como “apenas” um número a mais, essa postura procura esconder o quadro social e político de famílias inteiras deixadas ao mais puro abandono. Ora, se a recessão é mesmo uma necessidade, a perda dos postos de trabalho e da renda daí derivada não é mais do que mera contingência. Nada tão sério ou preocupante assim, pois as próprias forças do livre mercado encarregar-se-ão de promover a justiça e nos encaminharão ao novo equilíbrio.
Os números divulgados há pouco pelo IBGE são alarmantes. O ano de 2016 fechou com um desemprego médio de 11,5%. Isso significa que 12,3 milhões de cidadãos estavam sem posto de trabalho e sem a remuneração associada à atividade laboral. Esse dado escancara a triste realidade de que já são mais de 30 milhões de pessoas atingidas por tal quadro de elevada gravidade. Some-se a tal situação a redução significativa nas verbas públicas destinadas à assistência social, ao auxílio desemprego, à previdência social, à saúde, à educação, em um momento em que elas são ainda mais do que necessárias. Na verdade, o que mais surpreende é o fato de a panela de explosão ainda não ter estourado até o momento atual.
Desemprego e queda salarial: novos recordes
Esses dados do desemprego representam novo recorde. Desde que a nova metodologia da pesquisa foi iniciada, há alguns anos atrás, nunca se havia chegado a tal nível. Em 2012, 2013 e 2014, por exemplo, a taxa havia permanecido abaixo dos 7%. A opção pelo caminho radical da ortodoxia fiscalista, porém, inverteu a tendência e o desemprego começou a crescer a cada mês de sua apuração. Em dezembro de 2015 chegou a 9% e agora no final do ano passado a PNAD registrou 12%.
Além do aumento dos desempregados, a mesma pesquisa realizada pelo IBGE revela uma queda na remuneração dos que ainda conseguiram manter seus postos de trabalho nessa conjuntura recessiva. O rendimento médio dos ocupados caiu 2,6% em relação ao igual período do ano passado, ao mesmo tempo em que o valor real da massa total de salários caiu 1,2% na comparação entre os mesmo períodos. Vale acrescentar que o nível de endividamento das famílias também aumentou, sendo que parcela crescente da renda se destina a pagamento de encargos financeiros de compromissos assumidos anteriormente. Como imaginar a retomada do crescimento da economia apenas com esses elementos?
Nem o mais estúpido dos otimistas poderia imaginar que essa combinação explosiva de juros altos com cortes orçamentários iria dar em outra coisa que não o agravamento da recessão e da crise social. O governo está colhendo o que foi plantado por ele mesmo e também pelos responsáveis anteriores do austericídio em suas versões 1.0 e 2.0. Apesar do imenso estrago provocado por tais equívocos, ainda é possível retomar a via do crescimento. Mas para isso é necessário uma mudança profunda na política econômica, com a redução “de fato” da taxa de juros e a recuperação da capacidade do Estado na condução das políticas públicas.
Em suma, trata-se de um projeto urgente e que exige um novo governo. Uma equipe e um programa que se apresentem perante a sociedade com a legitimidade conferida pelo voto popular e democrático.
Paulo Kliass é doutor em Economia pela Universidade de Paris 10 e Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, carreira do governo federal.
http://outras-palavras.net/outrasmidias/?p=421071 

sábado, 4 de fevereiro de 2017

MPF: NÃO À EXTRAÇÃO DE OURO NO PARÁ

NEM TUDO NEM TODAS AS PESSOAS DO CANADÁ CORRESPONDEM À IMAGEM QUE DELE SE FAZ EM NOSSO PAÍS E NO MUNDO. OU SERÁ QUE AS BOAS CONDIÇÕES DE VIDA DA POPULAÇÃO - MENOS A DOS POVOS ORIGINÁRIOS, CLARO - TEM COMO UMA DAS FONTES A EXPLORAÇÃO AGRESSIVA AO MEIO AMBIENTE, AOS POVOS INDÍGENAS E DEMAIS PESSOAS EM OUTRAS PARTES DO PLANETA?

O FATO É QUE SEU DESEJO E DECISÃO DE EXTRAIR OURO ESTÁ PROVOCANDO CONTRADIÇÕES POLÍTICAS: O GOVERNO DO PARÁ QUER LIBERAR, MAS O MINISTÉRIO PÚBLICO É CONTRA - E ESTE ESTÁ MAIS AO LADO DOS POVOS E COMUNIDADES QUE SERÃO DURAMENTE AFETADOS, JUNTO COM O QUE RESTA DO MEIO AMBIENTE DA VIDA CRIADO PELA TERRA DEPOIS DA CONSTRUÇÃO DA HIDRELÉTRICA DE BELO MONTE.

SERIA MUITO BOM SE OS DONOS DA BELO SUN FOSSEM CIVILIZADOS SEGUNDO A IMAGEM QUE OS CANADENSES ESPALHAM NO MUNDO... 

MPF recomenda que secretaria de meio ambiente do PA não conceda licença à Belo Sun
Secretaria descumpriu garantia de analisar impactos acumulados da mina de ouro com a barragem de Belo Monte, na mesma região. Índios e ribeirinhos podem sofrer danos irreversíveis
MPF
            recomenda que secretaria de meio ambiente do PA não conceda
            licença à Belo Sun
Empresa canadense quer explorar ouro no Xingu. Irregularidades foram apontadas pelo MPF, DPE e DPU. Foto: Francisco Vorcaro/Agência Pública
O Ministério Público Federal (MPF) enviou recomendação à Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará (Semas) para que o secretário Luiz Fernandes Rocha não emita licença de instalação para o projeto Volta Grande de Mineração, da empresa canadense Belo Sun, que consiste em uma mina de ouro na região da Volta Grande do Xingu, justamente a região mais intensamente impactada pela hidrelétrica de Belo Monte, povoada por várias comunidades ribeirinhas e indígenas.

O MPF recomenda que “não seja expedida licença de instalação do projeto Volta Grande de Mineração antes que esteja construído um Plano de Vida para os moradores do Trecho de Vazão Reduzida do rio Xingu, mediante avaliação de sinergia e de cumulatividade de impactos, realizada em conjunto com o Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente) e a Norte Energia”. O Plano de Vida deveria ter sido proposto para assegurar as condições de vida dos moradores. E a avaliação do que pode acontecer quando somados os impactos de Belo Monte e de Belo Sun foi um compromisso assumido pelo secretário Luiz Fernandes Rocha em reunião em maio de 2016, em Belém. Até agora, os estudos não foram realizados.

Antes de enviar a recomendação à Semas, a procuradora da República Thais Santi, de Altamira, que acompanha desde 2013 a situação da Volta Grande e o licenciamento de Belo Sun, enviou ofício ao Ibama questionando se haviam sido realizados os estudos de sinergia e cumulatividade de impactos. Em ofício, a diretoria de licenciamento do Ibama informou: “até o presente momento o Ibama não participou nem foi instado a participar de reunião técnica com a Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Estado do Pará para discutir os impactos cumulativos ou sinérgicos entre a UHE (usina hidrelétrica) Belo Monte e o projeto de mineração Belo Sun”.

O MPF acompanha por meio de um inqúerito a situação da Volta Grande do Xingu, denominada nos estudos de Belo Monte de Trecho de Vazão Reduzida. São 100 quilômetros de rio de onde a usina desvia mais de 80% da água para movimentar suas turbinas. A redução de vazão provoca impactos tão dramáticos que nem mesmo o Ibama assegura a sobrevivência da região e determinou seis anos de monitoramento, a partir de 2019, para determinar a quantidade de água que a barragem terá que liberar para garantir a vida dos moradores. A situação da Volta Grande pode determinar, portanto, quanto de energia elétrica será gerada pela hidrelétrica mais cara já construída no Brasil.

Diante da possibilidade de danos irreversíveis, o MPF fez vistoria na Volta Grande em março do ano passado e constatou que as comunidades estavam abandonadas, com o meio ambiente já totalmente modificado, sem assistência da Norte Energia e sem acesso aos meios de vida, diante da mortandade de peixes e das modificações na água do rio. Dois povos indígenas vivem às margens do Xingu nesse trecho, os Arara e os Juruna e a investigação concluiu que eles estão sendo conduzidos a mudar radicalmente seus modos de vida, desconhecem o que está acontecendo com o rio e vivem o temor de serem removidos de suas terras. Uma audiência pública para tratar especificamente das condições da região vai ser convocada ainda no primeiro semestre de 2017.

O MPF já iniciou dois processos judiciais contra a Belo Sun e a Semas por irregularidades no licenciamento. Esta semana, diante das informações de que a secretaria concederia a licença mesmo com todas as irregularidades já constatadas, a Defensoria Pública do Estado do Pará e a Defensoria Pública da União entraram com dois novos processos na Justiça, apontando o risco de conflitos fundiários e o desrespeito aos direitos indígenas. A recomendação do MPF à Semas foi enviada hoje (2 de fevereiro)

Íntegra da Recomendação
 
Ministério Público Federal no Pará
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CUIDADO: VEJAM QUEM PRESIDE O SENADO

Eunício de Oliveira já teve fazenda de 20 mil hectares ocupada pelo MST; ele tem 92 imóveis rurais em Goiás e no Ceará, e R$ 5 milhões de bois 
Por Alceu Luís Castilho

Que a Câmara é ruralista ninguém duvida. Mas no Senado a proporção – inclusive em termos de quantidade de hectares por parlamentar – é ainda maior, como demonstrado no livro Partido da Terra. Essa realidade vem se perpetuando nas últimas décadas, e ganha uma ilustração eloquente na seguinte sequência de ruralistas: José Sarney, Renan Calheiros, ACM, Jader Barbalho, Edison Lobão, Ramez Tebet e Garibaldi Alves Filho.

Foram esses os senadores que presidiram a casa – ainda que por um dia, no caso de Lobão – nos últimos 22 anos. Quase todos pelo PMDB. O único ponto fora da curva foi Tião Viana (PT-AC), presidente por dois meses, em 2007, após escândalo envolvendo Calheiros. Todos eles têm histórico no setor agropecuário. A história de Sarney confunde-se com a história da grilagem no Maranhão. A ficha corrida de Barbalho mistura-se com a questão agrária. Calheiros é um coronel de fala mansa.

Eunício de Oliveira (PMDB) não entra como coadjuvante nessa lista. Megalatifundiário, ele tem em sua biografia ocupações de sua maior fazenda pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). Os camponeses foram despejados, em 2015, em ação que reuniu 2 mil policiais. A agropecuária Santa Mônica possui 20 mil hectares de terra – segundo o MST, improdutivos. A fazenda é utilizada para lazer.

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Sede da fazenda improdutiva de Eunício em Goiás, utilizada para lazer

Não que essa seja a única faceta do senador cearense, descrito por alguns delatores como o Índio da lista da Odebrecht, na Operação Lava-Jato. Mas a declaração de bens de Eunício não deixa dúvidas: em 2014, candidato derrotado ao governo do Ceará, ele informou possuir R$ 99 milhões. A lista é encabeçada por 79 propriedades rurais em Goiás. Depois ainda vêm a Santa Mônica Agropecuária, no valor de R$ 11,5 milhões, e mais R$ 5 milhões em gado. Em 2009, eram 24 mil bois.

Mas a lista de propriedade rurais continua, com mais 13 fazendas. No total são 92 imóveis, portanto. O mais barato, um imóvel de 14 hectares chamado Lages, em Corumbá de Goiás, adquirido em 1994: R$ 746,27. O senador ainda declarou cinco fazendas por apenas R$ 1.000 cada. Um sítio em Mangabeira (CE) foi declarado por R$ 2.209,84. As duas propriedades rurais mais caras, em Corumbá de Goiás, aparecem na lista do senador no preço de R$ 800 mil cada.

O GADO QUE PISA NA COMIDA

Nem sempre o senador declara seu gado, como observou, na segunda-feira, o Estadão. Em 2010, com uma fortuna bem menor (R$ 37 milhões) que os atuais R$ 99 milhões, não declarou. (Em 2009, os dados eram da Agrodefesa do Estado.) Em 2006, eleito pela terceira vez deputado federal, também não. Em 2002, quando ele tinha quatro rádios no Ceará, igualmente não. E em 1998, em sua estreia no Congresso, quando ele se apresentou como “empresário e produtor de espetáculos públicos”? Não.

Até 2002 o senador tinha o hábito de informar à Justiça Eleitoral o tamanho das propriedades. Naquele ano ele possuía 8.305 hectares em terras – excetuadas aquelas em nome da agropecuária Santa Mônica.
Uma reportagem de 2014 da CartaCapital relata a pressão feita pela Santa Mônica contra pequenos proprietários em Alexânia (GO) e Corumbá de Goiás para que vendessem as terras e deixassem a região. A reportagem pode ser lida aqui: “A boiada de Eunício“.

A produção feita pelos camponeses do MST durante a ocupação de 2015 (arroz, feijão, milho, mandioca, abóbora, alface, couve, amendoim, gergelim) teve um destino peculiar, após a reintegração de posse: foi pisoteada pelo gado.

NO RIO, JORGE PICCIANI

Eunício de Oliveira não é o único chefe ruralista do Legislativo no Brasil. A Assembleia Legislativa do Rio reconduziu ao cargo, pela quinta vez, o deputado Jorge Picciani (PMDB), dono de fazenda em Goiás onde já foi flagrada a exploração de trabalhadores em situação de trabalho escravo.


terça-feira, 31 de janeiro de 2017

NE: UMA SECA DE MAIS DE SEIS ANOS

SÓ NÃO "SABE" QUE AS MUDANÇAS CLIMÁTICAS JÁ CHEGARAM E VÃO SE AGRAVAR QUEM É INIMIGO DA VIDA POR SER ESCRAVO DO SEU CAPITAL, DO SEU DESEJO DOENTIO DE RIQUEZA. É POR ISSO QUE, JUNTO COM TRUMP, HÁ OUTRAS PESSOAS QUE RESPONDERÃO, DENTRO DE POUCO TEMPO, PELO CRIME DE LESA HUMANIDADE, E VÁRIAS DELAS NEGOCIAM E GOVERNAM NO BRASIL...

Uma seca de seis anos
Roberto Malvezzi (Gogó)
Nesses quase 40 anos de sertão é a primeira vez que ficou um ano sem cair chuva no telhado de casa. A última chuva foi em Janeiro de 2016. No entorno da cidade, Juazeiro da Bahia, já choveu.
O problema básico não é que fica sem chover, mas chover muito menos. Os cientistas estão perplexos, porque a cada ano se fala que teremos chuvas normais, até acima da média, mas elas não vêm. Atribui-se sempre a razão ao fenômeno El Niño, que aquece as águas do Pacífico, elas caem abundantes no sul e sudeste do Brasil, mas não chegam ao coração do Semiárido.
Nós, que acompanhamos as mudanças climáticas, suspeitamos que elas já chegaram, para ficar, e a prevista diminuição das chuvas de 20 a 40% no Semiárido já está acontecendo.
Numa situação climática como essa, 20 anos atrás, o Nordeste já seria uma tragédia social e humanitária de proporções gigantescas, com centenas de milhares de mortos, sem falar nos migrantes e tantas outras mazelas sociais e humanitárias.
Entretanto, numa reportagem feita pela Globo no Jornal Hoje, a única tragédia social que acharam foi a mortandade de 20% do rebanho bovino do Pernambuco. A matéria teve que mostrar, de forma constrangida, o gado gordo de um criador, só que sustentado à base de ração comprada. Mas, ele pode comprar a ração. Além do mais, criar gado de raça nesse sertão é considerada uma atividade de risco devido ao clima.
O que mudou essa realidade foi o intenso trabalho da Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA), com seu paradigma de convivência com o Semiárido, captando a água de chuva de forma distribuída, com uma agroecologia adaptada ao ambiente, com a criação de pequenos animais mais resistentes ao clima, com a agroindústria de produtos naturais e com as políticas sociais dos últimos governos. O governo atual voltou à lógica do combate à seca.
É uma vergonha para Pernambuco sofrer com a seca. O estado é banhado em quase 400 km pelo rio São Francisco. Onde foram feitas as adutoras transversais que abastecem  Pernambuco, não há problema para humanos e animais. Falo da adutora que sai de Cabrobó e vai cortado o Estado até acima de Ouricuri. A outra que sai de Floresta e vai na direção de Serra Talhada e Flores. Essa deveria ter chegado a Paraíba faz tempos. Porém, a insistência na grande obra da Transposição bloqueou as adutoras simples. Por isso, a que deveria abastecer o agreste pernambucano está até hoje esperando pelo Eixo Leste da transposição. Uma perda para o povo e para os animais.
Quanto à Transposição, agora já se fala na sua gestão privada. Sabíamos dessa intenção desde o começo. Resgatei um texto que fiz nem sei mais que ano, mas que estava arquivado digitalmente no site de João Suassuna. Cito um trecho só para lembrar o que tanto denunciamos:
É preciso observar que a Transposição, alicerçada na filosofia que a sustenta, insere-se na lógica mercantil da água, hoje globalizada. É o que chamamos de hidronegócio. Por isso, repetimos que a Transposição é “a última obra da indústria da seca e a primeira do hidronegócio”. Agora a própria CHESF já fala em criar “leilões de água”, isto é, já não se visa sequer a água para irrigar e criar camarão, mas para vendê-la como uma mercadoria qualquer, como se no Brasil alguém fosse proprietário de nossas águas” (http://www.suassuna.net.br/2016/10/transposicao-x-direitohumano-agua-por.html).
A única novidade é que esse mercado de águas terá gestão privada, portanto, não caberá mais à CHESF essa tarefa. 

RUSSIA E CHINA CONTRA OS TRANSGÊNICOS

VALE A PENA BUSCAR ESTE ARTIGO COM O TÍTULO "UN RELAGO DE AÑO NUEVO LUNAR EN CHINA", JÁ QUE SE TRATA DE DECISÃO DE UMA DAS MAIS IMPORTANTES PROVÍNCIAS DE PRODUÇÃO DE ARROZ E MILHO CONTRA AS SEMENTES TRANSGÊNICAS. POR OUTRO LADO, AVANÇA A DECISÃO DE FAZER DA RUSSIA A MAIOR PRODUTORA DE ALIMENTOS NATURAIS, EVITANDO TRANSGÊNICOS E VENENOS... 


https://mail.google.com/mail/u/0/#inbox/159f0b45e411f744

MST: CARTA DE FORTALEZA


TRENS DA HOLANDA: TODOS MOVIDOS A ENERGIA EÓLICA!

ESTA NOTÍCIA É ÓTIMA PARA NOS SENTIRMOS NO LUGAR CERTO EM QUE NOS ENCONTRAMOS: FORA DO POSSÍVEL, ANACRÔNICOS, COLONIZADOS! 

E SABER QUE OS CUSTOS DA ENERGIA EÓLICA E DA SOLAR, SE JÁ NÃO SÃO MENORES DO QUE O USO DAS FONTES FÓSSEIS, EM POUCO O SERÃO.

Todos os trens da Holanda já são movidos a energia eólica
Todos os trens da Holanda já são movidos com energia eólica
Desde o começo de janeiro, 100% dos trens que circulam pela Holanda estão sendo abastecidos exclusivamente com energia produzida por turbinas eólicas. A notícia foi divulgada pela companhia NS, que administra a rede ferroviária do país.
Em setembro de 2015, antecipamos aqui o anúncio do acordo firmado entre a NS e a empresa de energia Eneco, que previa que todos os trens holandeses funcionariam movidos somente com energia gerada pelo vento até o final de 2018.
Acontece que, com a inauguração de novas plantas eólicas (tanto onshore como offshore, ou seja, na costa), foi possível cumprir a meta um ano antes do previsto.
Cerca de 600 mil passageiros usam este sistema de transporte público diariamente. São aproximadamente 5.500 viagens por dia. É utilizada 1,4 TWh de eletricidade para poder suprir a demanda dos trens holandeses. É um volume gigantesco, o equivalente ao consumido por todas as residências dos Países Baixos.
Segundo os engenheiros da Eneco, uma turbina eólica funcionando por uma hora tem capacidade para gerar eletricidade para que um trem percorra 200 quilômetros.
O próximo objetivo da companhia é reduzir a demanda de energia dos trens – por passageiro -, em 35%, até 2020.
Todos os países escandinavos têm investido fortemente em fontes renováveis de energia: mais limpas e sustentáveis. Todavia, nesta região, a eólica é mais eficiente, já que o clima e geografia locais são mais favoráveis a ela. Em julho do ano passado, a Dinamarca bateu um novo recorde mundial, quando divulgou que 42% da energia produzida no país foi gerada a partir de usinas eólicas (leia mais neste outro post).
Estas e outras iniciativas comprovam como a dependência aos combustíveis fósseis, como óleo, gasolina, carvão e petróleo – extremamente poluentes – está com os dias contados. Diversos países mostram, na prática, como o uso de energias limpas é viável, econômico e eficaz.