quarta-feira, 29 de junho de 2016

A TRANSPOSIÇÃO DO SÃO FRANCISCO E O GOLPE

A Transposição e o Golpe.
Roberto Malvezzi (Gogó)
Sabíamos, desde o início, que muitas águas turvas rolariam na obra da Transposição de Águas do São Francisco para o chamado Nordeste Setentrional.  Aos poucos elas vão se revelando, incluindo até mortes.
A primeira denúncia de corrupção aconteceu quando o Exército era o responsável exclusivo por ela. Caiu no silêncio.
A segunda, na Operação Vidas Secas, em 2015, envolveu empresas a partir da Lava-Jato na ordem de R$ 200 milhões.
Agora a terceira, na Operação Turbulência, desdobramento da Lava-Jato, fala-se no desvio de R$ 18,8 milhões de uma terraplanagem contratada. O detalhe é que o pagamento foi feito pela OAS e o receptor uma empresa de um empresário citado na referida operação, encontrado morto no quarto de um motel em Recife alguns dias depois da deflagração referida operação.
O caso ficou ainda mais grave porque a própria polícia estaria denunciando que foi proibida de fazer a perícia dessa morte por ordem do Secretário de Segurança Pública de Pernambuco. Assuntos secundários merecem mais destaque na mídia corporativa que essa morte suspeita.
O enredo é ainda mais complicado porque essas corrupções aconteceram quando Fernando Bezerra Filho era ministro da Integração, portanto, governos Lula-Dilma e irrigado a campanha de Eduardo Campo, morto num acidente de avião.
Quando Lula propôs a Transposição no seu primeiro mandato, os movimentos sociais articulados do São Francisco foram contra esse tipo de obra. Já havia a proposta do Atlas do Nordeste elaborado pela Agência Nacional de Águas (ANA) para fazer múltiplas obras, de porte médio, por tubulação, abastecendo praticamente todas as cidades do Nordeste. Prevaleceu a grande obra. Hoje fica mais claro o porquê, embora já soubéssemos o que acontecia por conversas de bastidores.
A Transposição não está concluída. Dilma já disse que, para cada real investido nesses grandes canais, serão necessários dois para fazer as obras de distribuição para os municípios. Portanto, se os canais estão na ordem de R$ 8,2 bilhões, seriam necessários mais 16 bilhões para que a água chegue mesmo à população.
Mas, agora o governo mudou, com apoio do PSB do Pernambuco e daquele que foi ministro de Lula-Dilma. Ontem amigos, no golpe inimigos.
Qual o interesse de um governo golpista em fazer a distribuição dessa água? Sem chances. Ela ficará concentrada nos grandes açudes, utilizada pelos grandes empreendimentos de irrigação? Mais uma vez o povo do Nordeste Setentrional poderá ver a grande obra, sem ver a cor da água.
Finalmente, o São Francisco está com apenas 800 m3/s de vazão. Já falta água na bacia para seus múltiplos usos, inclusive para a vazão ecológica, que deveria ser de 1200 m3/s. Nem sabemos quanta água teremos no rio até que ela transponha o divisor e caia no Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte. Mas, agora, há corrupção e até mortes nos canais dessa obra.
Por caminhos tortuosos a Transposição desaguou no golpe e o golpe na Transposição.

I MINUTO DE SILÊNCIO NA ABERTURA DAS OLIMPÍADAS

Participem desta mobilização, nos dois links, para que não tenhamos mais bombas atômicas e zeremos a produção de energia nuclear.

Abr.
Ivo

https://secure.avaaz.org/po/petition/Comite_Olimpico_Internacional_Um_minuto_de_silencio_ao_ataque_de_Hiroshima/?sKNnqib


https://www.change.org/p/1-min-de-sil%C3%AAncio-para-paz-em-homenagem-as-v%C3%ADtimas-de-hiroshima-e-nagasaki-na-abertura-das-olimp%C3%ADadas-2016?recruiter=40604170&utm_source=petitions_share&utm_medium=copylink


sábado, 25 de junho de 2016

CPT, AQUELA QUE NÃO DEVERIA EXISTIR

Roberto Malvezzi (Gogó)
Por que um país que diz ter mais de 500 anos ainda arrasta ao longo da história seu pecado original, sem redenção?
O traço fundamental da história brasileira é o trato com a natureza e os povos originários, depois também os negros. Para controlar as riquezas e esses povos sempre foi preciso controlar seus territórios. A Lei de Terras de 1850 apenas consolidou o que estava gestado desde o princípio.
A disputa pelos territórios indígenas, de negros – despois seus remanescentes –, comunidades tradicionais, uma multidão de sem-terra num pais de 8,5 milhões de k2, atingidos por barragens, por mineração, além de pequenos agricultores sempre agredidos por latifundiários – agora pelo agronegócio -, fazem com que a CPT permaneça há mais de 40 anos no cenário brasileiro. Não é só o passado, é o presente que se projeta para o futuro.
Num país civilizado a CPT não teria razão de existir, pelo menos na configuração que tem. Sua existência é a prova dos nove do atraso, do genocídio, da injustiça estrutural da terra que amarra o Brasil.
Em tempos de golpe a realidade se torna ainda mais obscura. O sonho senhorial de Brasil é extinguir essas populações. Quase conseguiram, mas a resiliência tem sido mais poderosa que os poderes da morte, embora as mortes ainda sejam tantas.
Papa Francisco nos pede que sejamos capazes de ver e celebrar também as pequenas conquistas. Muitas vezes precisamos de lupa para visualizá-las. Mas, a agroecologia, a organização de tantos movimentos pela terra, a resistência dos pequenos agricultores, a insurgência atual dos indígenas – aqui o CIMI tem a palavra por excelência -, dos pescadores – onde o CPP tem também a excelência -, a conquista da água no Nordeste, a conquista de tantos territórios, ainda que não tenham mudado as estruturas, ao menos ajudam tanta gente a viver melhor. A CPT, de alguma forma, está presente nessas conquistas.
O melhor seria que a CPT tivesse vida curta e desaparecesse, tendo cumprido sua missão, desde que as razões que provocam sua existência desaparecessem do Brasil. Nem olhando o horizonte conseguimos vislumbrar essa possibilidade.
Que as Igrejas – particularmente a Católica -, a sociedade civil organizada, os que tem fome e sede de justiça – inclusive a Cooperação Internacional – consigam ter visão histórica e ajudem a Pastoral a cumprir sua missão enquanto for necessário.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

CORRUPÇÃO GLOBAL DAS GRANDES CORPORAÇÕES

O avanço das delações premiadas está revelando que a corrupção é quase a regra geral nas relações entre grandes empresas e políticos. E a sensação geral é de que a cúpula do PMDB, o governo e o próprio interino Temer, estão todos envolvidos na corrupção. Mas há políticos de quase todos os partidos metidos no mesmo tipo de prática.

Outra coisa que está assustando a população é a quantidade de milhões desviados, usados diretamente dentro do país ou depositados em contas no exterior. E como foram usados em eleições, a corrupção está ajudando a entender por que foram eleitos tantos políticos ligados ao agronegócio, às empresas de armas, aos clubes de futebol, bem como pastores que gostam de enriquecer e acham que isso seria sinal da bênção de algum tipo de deus. Assim sendo, é a própria democracia que está sendo afetada por corrupção.

Esta corrupção brasileira que não tem fim tem sido motivo de comentários e críticas em muitas partes do mundo, de modo especial nos Estados Unidos e na Europa. Isso é bom porque ajuda a cobrar a condenação dos criminosos apesar da humilhação imposta ao povo brasileiro, que não é corrupto e sofre as consequências da bandalheira dos ricos e políticos. Mas seria muito bom que se identificasse o que existe de corrupção também nos países ricos.

É de grandes bancos e empresas de lá que se alimentam os paraísos fiscais, e até as pedras sabem que essa montanha de dinheiro está lá para fugir do pagamento de impostos, e que a maior parte dele foi gerado em negócios ilegais e criminosos, como contrabandos, tráfico de drogas, de pessoas e de órgãos humanos, e precisa, por isso, ser lavado para aparecer nos bancos como dinheiro limpo e legal. São bancos também os donos de todo tipo de títulos de dívida, de modo especial das dívidas dos estados, que servem como cabresto e poder de controle dos governos do mundo, que abandonam a garantia e proteção dos direitos humanos para dar conta de pagar os altos juros.

Além disso, as mesmas grandes empresas que comandaram o progresso usando e levando as pessoas a usarem fontes fósseis de energia e se tornarem consumistas, querem agora ganhar ainda mais dinheiro e poder fazendo negócios com o dióxido de carbono que ameaça a nossa vida. Isso não é uma corrupção que afeta a Terra e todos os seus filhos e filhas?

A necessidade e urgência de acabar com todas as formas de corrupção é brasileira e mundial.

          
Ivo Poletto

POR UMA IGREJA COM ROSTO E ESPÍRITO AMAZÔNICO

 
TabatingaTabatinga, Brasil, 19-06-2016 (REPAM).- Con el objetivo de construir una agenda común en defensa de la Amazonía y de sus pueblos, 91 personas entre líderes indígenas y miembros de la Iglesia Católica de la triple frontera de Brasil, Colombia y Perú, se reunieron, convocados por la Red Eclesial Panamazónica -REPAM-, del 7 al 10 de junio, en la ciudad de Tabatinga, estado de Marañón en Brasil.
Producto del intercambio de informaciones y de propuestas, no sólo se fijaron algunos puntos clave para la posible agenda común sino que este encuentro aportó también muchos elementos para seguir construyendo una iglesia encarnada en la realidad Panamazónica, o como diría el papa Francisco: una Iglesia con rostro y con espíritu amazónico.
En la Carta de Compromiso, elaborada al finalizar el Encuentro de Pueblos Indígenas con la REPAM, los miembros de la iglesia católica presentes se comprometen a: “Ser una Iglesia con una presencia cercana, que conoce la realidad, que comprende a los pueblos indígenas, que camina junto a las comunidades, que contribuye con la conservación y valorización de la propia cultura, que apoya la formación social y política, que sea espacio de interacción y participación, compañera, aliada y solidaria, que esté cultural y espiritualmente encarnada y no impuesta y a espaldas del pueblo, que sea transgresora del orden opresor, con valentía y compromiso. Una Iglesia con rostro Amazónico”.
Con relación a los desafíos de la compleja realidad Panamazónica, el Encuentro constató la necesidad de asumir la “defensa del territorio frente a las leyes que amenazan los derechos de los pueblos, los megaproyectos de infraestructura y explotación económica como las hidroeléctricas, hidrovías, carreteras, minería, extracción de gas, petróleo y madera, deforestación para emprendimientos de monocultivo agrícola y la crianza de ganado, así como también frente a los impactos sociales provocados por actividades ilícitas como el tráfico humano y el narcotráfico”.
Tabatinga2De igual manera es fundamental responder al desafío del “fortalecimiento cultural considerando la reproducción de formas de dominación, emigración de los jóvenes, prácticas productivas inadecuadas, las dificultades económicas, la pérdida del uso de la lengua materna, y otras expresiones culturales, los cambios en los hábitos cotidianos, uso inadecuado de las tecnologías, alcoholismo, la discriminación en general, presencia negativa de algunas expresiones de iglesias y sectas, impactos negativos por los modelos de atención en salud y educación que no respetan la identidad cultural”. Ante lo cual, los pueblos amazónicos tienen el compromiso de “fortalecer los proyectos de vida alternativos ante los grandes intereses económicos y políticos, y de autonomía de los pueblos indígenas, esto a través de procesos de formación social y política”.
El encuentro de Pueblos Indígenas de la triple frontera con la REPAM, estableció algunos criterios y mecanismos de coordinación y de trabajo conjunto entorno a algunos de los temas claves abordados. Destacando la creación de una comisión de articulación con la activa participación de líderes jóvenes. Así mismo el impulso de procesos formativos en materias de políticas públicas, derechos de los pueblos indígenas, legislación y estrategias de incidencia pública a nivel nacional e internacional.
En el aspecto cultural, el compromiso es promover acciones para incorporar en el sistema de educación escolar indígena los elementos de su identidad cultural, y fortalecer lo que ya está siendo exitoso en perspectiva de tiple frontera. Ejemplo: calendario escolar con calendario de la comunidad
Favorecer encuentros de pueblos indígenas divididos por las fronteras (Ejemplo Tikuna, Kokama y Yawua). Incentivar los encuentros de jóvenes de las tres fronteras para discutir los impactos culturales y la pérdida de identidad que los están afectando (migración, tecnología, música, prácticas productivas, etc.). Igualmente, el desarrollo de estrategias concretas para fortalecer los conocimientos tradicionales en salud (medicina tradicional) e identidad cultural – encuentro de espiritualidades indígenas respetando las culturas.
tabatinga1Finalmente, se subrayó, que frente al modelo consumista y al sistema de producción depredador, los pueblos amazónicos deben fortalecer sus propios planes de vida: “Promover la autonomía económica de los pueblos desde la continuidad de tradiciones sustentables en la pesca y caza para superar el paternalismo. Incentivar, ampliar y dar a conocer la propuesta de trabajo de las aulas vivas de (alimentación, proyecto de vida, salud, etc.)”.
Participaron los pueblos Kambeba, Miranha, Kaixana, Kokama, Ticuna, Matis, Mayoruna, Kulina, Kanamari, Marubo, Yagua, Uitoto, Bora y Kichwa. Los delegados del Vicariato de San José del Amazonas en Perú, del Vicariato de Leticia de Colombia, y de la Diócesis del Alto Solimoes de Brasil, del CIMI, del Equipo Itinerante, proyecto misionero de la CRB, de las Congregaciones Religiosas (Maristas, Franciscanas, Ursulinas, Lauritas, Capuchinos, OFM, Cónegas y Jesuitas), de las Cáritas (Brasil, Norte I, Colombia, Ecuador y España) y de la Red Eclesial Panamazónica REPAM (ejes: Pueblos indígenas, métodos pastorales, DDHH, Iglesias Fronterizas, Formación, Redes internacionales, Comunicación), REPAM Nacionales de Brasil, Colombia y Ecuador. Fue muy positiva la participación de los Obispos de Leticia y del Alto Solimoes. Estuvieron presentes líderes indígenas de Río Negro/Brasil de los pueblos Baniwa y Arapazo representando a las organizaciones Foreeia y la Umiab, y profesores de las universidades brasileñas Federal de Amazonas y la Estatal de Amazonas.

http://redamazonica.org/2016/06/repam-hacia-una-iglesia-rostro-espiritu-amazonico/ 

Cáritas Brasileira lança carta: “Nenhum direito a menos!”

Cáritas Brasileira lança carta: “Nenhum direito a menos!”

CUIDADO: ESTÃO CHEGANDO AS BACTÉRIAS INVENCÍVEIS

PRIMEIRO FOI O USO DOS PRODUTOS QUÍMICOS E VENENOS USADOS NA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL NA AGRICULTURA, GERANDO A "REVOLUÇÃO VERDE", COM PRODUÇÃO CADA VEZ MAIS PADRONIZADA E DISTRIBUIDORA DE VENENOS AOS CONSUMIDORES. 

DEPOIS, COM A FOME INSACIÁVEL DE LUCROS, FOI GENERALIZADO O USO DE ANTIBIÓTICOS PARA APRESSAR O CRESCIMENTO DOS ANIMAIS DESTINADOS AO MERCADO, E ELES ESTÃO RAPIDAMENTE TORNANDO INÚTEIS OS PRÓPRIOS ANTIBIÓTICOS PARA O COMBATE DE INFECÇÕES NOS SERES HUMANOS.

QUAL O FUTURO DESEJADO POR TANTAS TECNOLOGIAS INDUTORAS DE PRODUTIVISMO, CONSUMISMO E CONCENTRAÇÃO DE RIQUEZA? PARECE SER A DESTRUIÇÃO DA VIDA, OU MELHOR, DAS CONDIÇÕES NECESSÁRIAS À VIDA. ISSO VALE A PENA? 

URGÊNCIA: AUMENTAR NOSSA PRESSÃO EM FAVOR DA PROIBIÇÃO DOS PRODUTOS QUÍMICOS, DOS VENENOS E DOS ANTIBIÓTICOS NA AGRICULTURA E NA CRIAÇÃO DE ANIMAIS. E EXIGIR DOS GOVERNOS QUE OLHEM MAIS PARA A VIDA DO QUE PARA OS LUCROS DOS CAPITALISTAS.

Novo alerta sobre as bactérias “invencíveis”
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Administração “preventiva” de antibióticos em animais saudáveis é uma das práticas irresponsáveis que propiciam o surgimento de superbactérias. Sede de lucros pode privar humanidade de medicamentos que, segundo alguns cálculos, aumentaram expectativa média de vida em vinte anos
Mutações genéticas podem tornar ineficazes até mesmo os antibióticos de “último recurso”. Por que o uso irresponsável destes medicamentos – inclusive para alimentação do gado – tem de ser proibido sem demora
Por Martin Khor | Tradução: Cauê Ameni
A resistência aos antibióticos – um processo em que eles perdem o efeito, porque as bactérias tornaram-se resistente – está ganhando nova importância na agenda global, devido à crescente consciência da imensa ameaça que representa à saúde e a sobrevivência humanas. No entanto, ainda não há ações suficiente para enfrentar tal crise, que foi debatida no encontro dos ministros da Saúde na ONU, entre  23 e 28 de maio.
O encontro foi precedido por uma noticia recente e perturbadora. Cientistas descobriram um gene, o MCR-1, que cria resistência à colistina, um poderoso antibiótico usado como último recurso para tratar de infecções quando outros medicamentos não funcionam.
Ainda mais preocupante: o gene tem a característica de ser capaz de mover-se facilmente de uma cepa de bactérias a outras espécies. Isto produz uma ameça: muitas infeccções podem tornar-se intratáveis, o que nos aproximaria do pesadelo de uma era sem antibióticos efetivos. A Malásia foi um dos primeiros países em que os cientistas encontraram o gene MCR-1. Por isso, e preciso tomar providências ainda mais serias, incluive a possivel proibição do uso de colistina na alimentação animal.
O gene foi descoberto durante um estudo realizado na China. Em novembro de 2015, Yi-Yun Liu e seus colegas publicaram um artigo na revista The Lancet Infectious Diseases, em que revelaram ter encontrado o MCR-1 em 166 de 804 suínos em abate que haviam testado; em 78 de 523 amostras de carne de frango de porco a venda no varejo; e em 16 de 1.322 pacientes hospitalares.
O estudo indica que há uma cadeia na disseminação da resistência. Ela começa a partir do uso de colistina na alimentação animal e propaga-se para os animais abatidos, os alimentos e os seres humanos.
Um dos autores, o professor Jian-Hua Liu, da Universidade de Agrilcutura do Sul da China, foi citado em matéria no Guardian. Afirmou que os resultados eram extremamente preocupantes, por revelarem o surgimento do primeiro gene de resistência à polimixina, que é facilmente transmitida entre bactérias comuns, tais como E. coli e K. pneumonia.
Este resultado sugere que “a progressão da resistência extensiva a drogas — que se da quando uma bactéria é resistente a diversos fármacos – para a resistência generalizada a drogas [pandrug resistence] é inevitável”, acrescentou Liu.
A colistina pertence a uma categoria de antibióticos conhecida como polimixinas. No passado, não eram utilizados largamente, por terem efeitos tóxicos. Mas, agora, são empregados como um último recurso, quando outros antibióticos não funcionam devido a resistência.
“Todos os principais elementos estão agora reunidos, para que um mundo sem antibióticos efetivos tornese uma realidade”, disse outro co-autor do estudo, o professor Timonthy Walsh da Universidade de Cardiff, ao site da BBC News. Ele pressegue: “Se o MCR-1 tornar-se global — o que parece mais uma questão de quando que de se — e se o gene se alinhar com outros genes de resistência a antibióticos, o que sera inevitável, teremos atingido, provavelmente, o início da era sem antibióticos. Neste ponto, se um paciente estiver gravemente doente — digamos que com E. coli –, não haverá nada que se possa fazer”.
Suspeita-se que a principal razão para o surgimento e a propagação do gene seja seu o descomedido de colistina para alimentar o gado e induzir seu crescimento. De acordo com o artigo de Liu e seus colegas, grande parte do uso mundial anual do antibiótico na alimentação animal — cerca de 12 mil toneladas — está concentrado na China.
O documento menciona que, além da China, o gene MCR-1 também foi encontrado na Malásia e Dinamarca. Cientistas malasianos chegaram ao sequenciamento do DNA da bactéria em dezembro de 2014, utilizando genes que parecem ao MCR-1. A possibilidade de que o E. coli com o gene MCR-1 tenha se espalhado pelo Sudeste Asiático é “profundamente preocupante”, disseram os autores.
Depois que o documento foi publicado, novas informações revelaram que o gene MCR-1 foi encontrado em amostras de bactérias em muitos outros países: Tailândia, Laos, Brasil, Egito, Itália, Espanha, Inglaterra, País de Gales, Holanda, Argélia, Portugal e Canadá.
O aspecto mais assustador sobre o MCR-1 é a facilidade com que pode propagar sua resistência a outras espécies de bactérias por meio de um processo conhecido como transferência horizontal de genes.
Alguns anos atrás, houve um susto semelhante sobre NDM-1, um gene capaz de saltar de uma bactéria para outras espécies, tornando-as altamente resistentes a todas as drogas conhecidas — exceto duas, entre elas colistina.
Se o MCR-1 resistente a colistina se combinasse com a NDM-1, a bactéria com os genes combinados seria resistente a quase todos os fármacos.
Em 2010, foram encontrados apenas dois tipos de bactérias com o gene NDM-1 – E. coli e Klebsiella pneumonia. Apos alguns anos, o NDM-1 foi encontrado em mais de vinte espécies diferentes de bactéria.
A descoberta do NDM-1 e agora do MCR-1 acende o alerta vermelho para a tarefa de enfrentar a resistência anti-microbial.
Em 2012, a diretora-geral da Organização Mundial da Saúde, Margaret Chan, alertou que todos os antibióticos já desenvolvidos estavam em risco de se tornarem inúteis. “Uma era sem antibióticos significa um ponto final na medicina moderna como a conhecemos. Doenças comuns como faringite estreptocócica ou um ferimento profundo no joelho de uma criança poderiam matar novamente”.
Uma ação imediatamente necessária a ser tomada é proibir o uso de colistina na almimentação do gado. A conceituada revista Lancetpublicou um comentário em fevereiro de 2016, segundo o qual é prciso exigir das autoridade políticas a restrição ao uso de polimixinas (incluindo a colistina) na pecuária — ou estaremos diante de um número cada vez maior pacientes aos quais será preciso dizer: “Desculpe, mas não há nada que eu possa fazer para curar sua infecção”.
Outros antibióticos que são usados pelos seres humanos também deveriam ser proibidos ou rigidamente restritos para a pecuária, especialmente se são usados como indutores de crescimento.
Um Plano de Ação Global contra o risco do colapso dos antibióticos deve incluir cinco objetivos: usar medicamente apropriados na saúde humana e animal; reduzir as infecções por meio de medidas de saneamento, higiene e prevenção; reforçar a vigilância e estimular as pesquisas; educar o público tão bem quanto os médicos, veterinários e fazendeiros, sobre o uso adequado de antibióticos; e aumentar o investimento no desenvolvimento da novos remédios, ferramentas de diagnósticos e vacinas.