segunda-feira, 15 de junho de 2015

O PAPA E A VIDA DO PLANETA TERRA

As pessoas que lutam contra o que coloca em risco a vida em nosso pequeno Planeta, e mais ainda as que cuidam da vida nele, receberão, nesta semana, no dia 18, um apoio importante: a Encíclica do Papa Francisco sobre o meio ambiente da vida.

Para pessoas com visão conservadora, o Papa não deveria falar desse assunto. Elas acham que ele deveria cuidar da salvação das almas, deixando a economia para quem entende dela. Os mais radicais acham até que seria ato de orgulho querer meter-se nas leis do mercado, porque elas funcionariam de forma natural, comandadas pela mão invisível que age por meio da livre iniciativa dos empresários capitalistas concorrendo uns com os outros.

O Papa Francisco, seguidor de Jesus de Nazaré, não concorda com essa visão do chamado neoliberalismo. Ele parte do que acontece com as pessoas humanas e com a Criação, isto é, com o ambiente que gera e mantém todas as formas de vida. Para o Papa Francisco, assim como para Jesus em seu tempo, os frutos dessa economia de mercado não são bons; pelo contrário, ela produz aumento da concentração da riqueza em poucas mãos e aumento da pobreza, da miséria e até da morte por fome para a maioria da humanidade; e junto com esta injustiça, também o ambiente da vida é explorado sem dó nem piedade, gerando desequilíbrios que se manifestam nas mudanças climáticas.

A injustiça e a exploração da Terra não podem ser aceitas por quem segue a Jesus de Nazaré. Ele deixou claro que não se pode servir a Deus e ao dinheiro. E o Papa Francisco assumiu a mesma coragem profética ao declarar: esta economia que domina o mundo atual mata. Sua encíclica sobre o ambiente da vida e as mudanças climáticas será, com certeza, mais um convite para que a humanidade se livre dos ídolos riqueza e poder, colocando em seu lugar o cuidado amoroso da vida e da Criação.
          .
          Ivo Poletto, do Fórum MCJS

[Vejam, e usem, o programa de Rádio com este tema em www.fmclimaticas.org.br ]

quinta-feira, 11 de junho de 2015

GRÉCIA: A CRISE E IMPASSE SÃO GREGOS OU EUROPEUS?

QUEM ESCREVER O ARTIGO É O PRIMEIRO MINISTRO DA GRÉCIA, TSIPRAS. APESAR DE UM POUCO LONGO, TRATA-SE DE UMA INFORMAÇÃO DO ESFORÇO GREGO PARA MANTER-SE NA ZONA DO EURO E, AO MESMO TEMPO, DE UMA REFLEXÃO CRÍTICA E UMA DENÚNCIA DAS IMPOSIÇÕES DOS QUE DEFENDEM QUE SÓ HÁ UM CAMINHO, MESMO SE PARA MANTÊ-LO FOR NECESSÁRIO TER PAÍSES DE PRIMEIRO E DE SEGUNDO ESCALÃO. HÁ IMPOSIÇÕES INACEITÁVEIS...

E TSIPRAS TEM RAZÃO: O QUE ACONTECER COM A GRÉCIA, SEJA POSITIVAMENTE OU NEGATIVAMENTE, SINALIZARÁ A POSSIBILIDADE REAL DA DEMOCRACIA, NA EUROPA E EM TODO O PLANETA. E NÓS, BRASILEIROS, QUE VOLTAMOS A CONVIVER COM A POLÍTICA DO CAMINHO ÚNICO DOS AJUSTES FISCAIS EM FAVOR DA OLIGARQUIA FINANCEIRA, VALE A PENA REFLETIR COM TSIPRAS SOBRE O QUE NOS ESPERA NA PRÓXIMA ESQUINA...

Tsipras: por quem os sinos dobram?
150611-Tsipras
Primeiro-ministro grego adverte: não é Atenas que está em jogo; aceitar imposições da oligarquia financeira equivaleria a abolir democracia na Europa
Por Alexis Tsipras | Tradução Vila Vudu
Dia 25 de janeiro, o povo grego tomou decisão corajosa. Ousaram desafiam a austeridade rigorosa, que era como rua de mão única, e exigiram novo acordo. Vale dizer, novo acordo que permitisse à Grécia voltar ao caminho do crescimento – dentro da eurozona, e com programa econômico viável –, ao mesmo tempo em que se evitariam os erros do passado.
O povo grego já pagou preço pesado por aqueles erros passados. Em cinco anos, o desemprego saltou para 28% (e chega a 60% entre os mais jovens), e a renda média caiu 40%, o que fez da Grécia o estado da União Europeia com o mais alto índice de desigualdade social, segundo números do Eurostat.
Pior que isso, mesmo com o grande dano que causou ao tecido social na Grécia, aquele programa de nada serviu para devolver competitividade à economia grega, e a dívida pública inchou, de 124 para 180% do PIB. Apesar dos grandes sacrifícios que o povo grego fez, a economia do país continua mergulhada na mesma incerteza gerada pelos objetivos irrealizáveis da doutrina dos orçamentos equilibrados. Assim o país foi preso num círculo vicioso de austeridade e recessão.
O principal objetivo do governo grego ao longo dos últimos quatro meses tem sido pôr fim a esse círculo vicioso e a essa incerteza. Agora, mais que nunca, é necessário um acordo mutuamente benéfico que fixe objetivos realistas para o superávit orçamentário, ao mesmo tempo em que reintroduzimos um programa de desenvolvimento e investimento: uma solução definitiva para a situação grega. Sobretudo, tal acordo poria fim à crise econômica europeia que eclodiu há sete anos; e poria fim ao ciclo de incerteza na eurozona.
A Europa hoje tem capacidade para tomar as decisões que produzirão forte recuperação na economia grega e europeia, encerrando qualquer possibilidade de “Grexit.” Tal possibilidade é uma barreira à estabilização de longo prazo da economia europeia, e a qualquer minuto pode derrubar a confiança de cidadãos e investidores na moeda conjunta europeia.
Mesmo assim, há quem diga que a Grécia nada estaria fazendo para ajudar a avançar nessa direção, porque chega às negociações com atitude intransigente, e sem oferecer qualquer proposta. Mas será realmente assim?
Considerando-se que o momento que atravessamos, é de importância crítica, pode-se dizer, de importância histórica para o futuro da Grécia e da Europa, gostaria de oferecer o relatório correto, dando à opinião pública europeia e mundial um quadro responsável das reais intenções e posições do governo grego.
Depois da decisão de 20 de fevereiro do Eurogrupo, nosso governo apresentou inúmeras propostas de reformas, buscando um acordo que combine respeito ao veredicto do povo grego e às regras que governam o funcionamento da eurozona. Concordamos, especialmente, com superávits primários menores [o superávit orçamentário antes de pagarmos juros] para 2015 e 2016 e maiores para os anos seguintes, na expectativa de que os superávits crescerão correspondentemente às taxas de crescimento da economia grega.
Outra importante proposta foi nosso compromisso de aumentar a renda pública, aliviando a carga que pesa sobre cidadãos de baixa e média renda e aumentando-a para quem tenha renda mais alta, os quais, até agora, ainda não haviam sido convocados a arcar com a parte que lhes compete dessa crise, protegidos como sempre foram pelos dois lados: pela elite política de meu próprio país e pela troika que fechou os olhos a essa evidência.
Mais do que isso, desde seu primeiro dia no poder, o novo governo mostrou suas intenções e sua determinação, ao introduzir medidas legislativas para confrontar as fraudulentas transações triangulares, e ao intensificar controles fiscais e aduaneiros para suprimir o contrabando e a evasão fiscal. Simultaneamente, pela primeira vez em muitos anos o Estado grego cobrou as dívidas jamais resgatadas de proprietários de veículos de mídia.
Que o clima está mudado na Grécia, é óbvio. Prova-se também pelo fato de que as cortes aceleraram a tramitação dos processos, de modo que ações que envolvem evasão fiscal possam ser levadas mais rapidamente a julgamento. Oligarcas habituados a viver sob a proteção do sistema político têm hoje boas razões para se preocupar com as nossas medidas.
Durante as discussões com as instituições, nós não apenas expusemos nossa linha geral de marcha, mas também apresentamos propostas específicas. Cobrimos assim grande parte da distância que nos separou há alguns meses. Mais especificamente, o lado grego concordou com embarcar numa série de reformas institucionais, dentre as quais: reforçar a independência da Agência Grega de Estatísticas (ELSTAT); fazer intervenções para acelerar a administração da justiça; e intervenções nos mercados, para eliminar privilégios e distorções.
Além disso, embora nos oponhamos diametralmente ao modelo de privatização que as instituições pregam, porque não oferece nenhuma perspectiva de desenvolvimento e não transfere recursos para a economia real, mas sempre e só para o pagamento da dívida – e o qual, seja como for, não é viável –, aceitamos fazer algumas pequenas mudanças no programa das privatizações, para fazer prova de nossa intenção de caminhar na direção de uma reaproximação.
Concordamos também com fazer uma grande reforma do Imposto sobre Valor Agregado, simplificando o sistema e reforçando a dimensão redistributiva do imposto, com vistas a aumentar tanto a abrangência do imposto como as receitas.
Apresentamos propostas concretas para medidas que visar a um aumento suplementar da receita (imposto excepcional sobre os benefícios muito elevados, imposto sobre jogos de apostas online, aumento dos controles sobre grandes depositantes fraudadores, imposto especial sobre produtos de luxo, concorrência pública para concessões de radiotelevisão) que foram esquecidas, como por acaso, pela troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional) durante cinco anos, dentre outras ideias.
Essas medidas visam a aumentar as receitas públicas, sem contribuir para a recessão, pois não diminuem ainda mais a demanda efetiva e não impõem novos impostos e taxas sobre rendas pequenas e médias.
Nos pusemos de acordo, para empreender uma grande reforma do sistema de segurança social, com unificação dos fundos de assistência social, supressão de disposições que autorizam concessão de aposentadorias antecipadas, aumentando assim a idade mínima para aposentadoria.
Devemos ter em conta que as perdas nos fundos de assistência social, que levaram à questão de como garantir-lhes viabilidade no médio prazo, são resultado de escolhas políticas pelas quais são responsáveis os governos gregos que vieram antes de nós, e principalmente a própria troika (diminuição dos fundos de reserva das caixas em 25 bilhões de euros, em razão do “Private sector involvement” em 2012; e sobretudo a taxa de desemprego muito elevada, que se explica quase exclusivamente pelo programa de extrema ‘austeridade’ aplicado à Grécia desde 2010).
Finalmente, apesar de nosso interesse em restabelecer imediatamente as normas europeias em matéria de direito do trabalho, que foi completamente desconstruído nos últimos cinco anos, sob o pretexto da competitividade, aceitamos pôr em andamento uma reforma do mercado de trabalho, depois de consultas com o Organização Internacional do Trabalho, e por ela validada.
Não mexer mais nas aposentadorias
Levando em conta tudo o que houve antes, podemos com razão nos perguntar por que os representantes das instituições insistem em repetir que a Grécia não apresenta propostas.
Por que continuar sem fornecer liquidez monetária à economia grega, agora que a Grécia demonstrou que pode cumprir suas obrigações exteriores, com o pagamento, a partir de agosto de 2014 de mais de 17 bilhões de euros do principal e de juros (cerca de 10% de seu PIB), sem financiamento externo?
Finalmente, qual é o interesse dos que vazam para a imprensa que não estamos nem perto de qualquer acordo, quando se sabe que qualquer acordo permitirá pôr fim à incerteza política e econômica que se vê no nível europeu e mundial, que se prolonga por causa da questão grega?
A resposta não oficial e alguns é que não estamos nem próximos de um acordo porque o lado grego mantém suas posições com o objetivo de restabelecer as convenções coletivas e recusa-se a diminuir ainda mais as aposentadorias.
Quanto a esses pontos, devo dar alguma explicações: no que concerne ao primeiro, a posição da Grécia é que a legislação do trabalho deve corresponder às normas europeias e não violar de modo flagrante a legislação europeia. Não pedimos nada de mais além do que vigora nos países da zona do euro. Nesse sentido, fizemos uma declaração com o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker.
No que concerne ao segundo ponto, o das aposentadorias, a posição do governo grego é bem argumentada e lógica. A diminuição cumulada das aposentadorias na Grécia durante os anos do Memorando alcança já de 20% a 48%: atualmente, 44,5% dos aposentados recebem aposentadoria que está abaixo do limiar de pobreza relativa e, segundo os dados da Eurostat, 23,1% dos aposentados vivem em condições de risco de miséria e de exclusão social.
Essa situação, que resulta da política do Memorando, não é tolerável, nem pela Grécia nem por nenhum outro país civilizado.
É preciso pois falar das coisas como as coisas são: se ainda não chegamos a um acordo com nossos parceiros, não é por causa de nossa intransigência ou de posições incompreensíveis. A causa é, antes, a obsessão de alguns dos representantes das instituições, que insistem em soluções não razoáveis, mostrando-se indiferentes tanto ao resultado democrático das recentes eleições legislativas na Grécia como às posições de instituições europeias e internacionais que se dizem dispostas a demonstrar flexibilidade para respeitar o veredicto das urnas.
Por que aquela obsessão? Explicação fácil seria dizer que ela resulta da intenção de alguns representantes das instituições, interessados em encobrir o fracasso de seus programas e em conseguir, a qualquer preço, uma validação para eles. Não se pode além do mais esquecer que o FMI reconheceu publicamente, há alguns anos, que se enganou sobre os efeitos devastadores dos cortes de orçamento que foram impostos à Grécia.
Entendo que essa abordagem não basta para explicar tudo. Não creio que o futuro da Europa possa depender dessa obsessão de alguns atores.
As duas estratégias opostas da Europa
Concluo afinal que a questão grega não diz respeito exclusivamente à Grécia, mas encontra-se no centro de um conflito entre duas estratégias opostas sobre o futuro da integração europeia.
A primeira delas visa a aprofundar a integração europeia num contexto de igualdade e de solidariedade entre povos e cidadãos. Os que defendem essa estratégia partem do fato de que é inadmissível forçar o novo governo grego a aplicar as mesmas políticas dos gabinetes que deixam o governo e que, além do mais, fracassaram totalmente. É isso, ou teríamos de criar leis que suprimissem as eleições em todos os países submetidos a programa de austeridade.
Seríamos assim obrigados a aceitar que os primeiros-ministros e governos fossem impostos aos diferentes países pelas instituições europeias e internacionais, e que os cidadãos seriam privados do direito que hoje têm ao voto, até a “conclusão” de cada programa de austeridade. Eles são conscientes de que isso equivaleria a abolir a democracia na Europa, e ao início de uma ruptura inadmissível no seio da União Europeia. Enfim, tudo resultaria no surgimento de um monstro tecnocrático e no afastamento, da Europa, dos seus valores fundadores.
A segunda estratégia conduz à ruptura e à divisão da zona euro, e, com isso, da União Europeia. O primeiro passo nessa direção seria a formação de uma zona euro de duas velocidades, cujo núcleo central imporia as mais duras regras de austeridade e de ajustamento. Esse núcleo central imporia também um superministro de Finanças para a zona euro, que teria poder descomunal, com o direito de recusar orçamentos nacionais, mesmo de estados soberanos, que não estivessem conforme as doutrinas do neoliberalismo extremo.
Para todos os países que se recusassem a abrir mão desse poder, a solução seria simples e a punição, severa: aplicação obrigatória da austeridade e, mais que isso, de restrições aos movimentos de capitais, sanções disciplinares, multas e até a criação de uma moeda paralela ao euro.
É assim que o novo poder europeu procura construir-se. A Grécia é sua primeira vítima. Já é até apresentada como o mau exemplo que outros estados e povos europeus desobedientes não devem copiar.
Mas o problema fundamental é que essa segunda estratégia implica grandes riscos, que os que os que a apoiam parecem não levar em conta. Essa segunda estratégia corre o risco de ser o começo do fim, pois converte a zona euro, de união monetária, em simples zona de taxa de câmbio. Mas, mais do que isso, inicia um processo de incerteza política e econômica que poderia abalar o equilíbrio em todo o mundo ocidental, de cima abaixo.
Hoje, a Europa está numa encruzilhada. Depois das maiores concessões do governo grego, a decisão não está mais em mãos das instituições da troika – as quais, com exceção da Comissão Europeia, não têm representantes eleitos nem têm de prestar contas ao povo –, mas está em mãos dos governantes europeus.
Que estratégia predominará? A Europa da solidariedade, igualdade e democracia, ou a Europa da ruptura e, essencialmente, da divisão?
Se há quem pense, ou queira nos fazer crer, que essa questão diz respeito exclusivamente à Grécia, estão gravemente errados. É o caso de recomendar-lhes o grande trabalho de Ernest Hemingway, Por Quem os Sinos Dobram 

A EUROPA BRINCA À BEIRA DO ABISMO

O AUTOR, STIGLITZ, DEPOIS DE SER ALTO FUNCIONÁRIO DO BANCO MUNDIAL E CONHECER POR DENTRO TAMBÉM O FMI, JÁ ESCREVEU SOBRE OS ERROS DAS PROPOSTAS DE "REFORMAS ESTRUTURAIS", NA VERDADE IMPOSIÇÕES DE POLÍTICA ECONÔMICA PARA SUBMETER OS ESTADOS AOS INTERESSES E PODER DO CAPITAL FINANCEIRO. QUEM DESEJAR APROFUNDAR O QUE ENCONTRARÁ NO ARTIGO DISPONIBILIZADO, LEIA A GLOBALIZAÇÃO E SEUS MALEFÍCIOS - A PROMESSA NÃO-CUMPRIDA DE BENEFÍCIOS GLOBAIS (FUTURA, 2002). 

DE FATO, A CEGUEIRA DO CAPITAL FINANCEIRO E SEUS POLÍTICOS TEIMA EM BRINCAR À BEIRA DE UM TERRÍVEL ABISMO! E ESSA BRINCADEIRA MANTÉM E MULTIPLICA A "GLOBALIZAÇÃO DA INDIFERENÇA", COMO ALERTA O PAPA FRANCISCO. ATÉ QUANDO E ATÉ ONDE? 

POR 
JOSEPH STIGLITZ - 
 
OUTRAS PALAVRAS - 11/06/2015
150611-Abismo3
Exigências absurdas à Grécia revelam governantes incapazes tanto de agir solidariamente quanto de compreender riscos de sua ambição e cegueira
Por Joseph Stiglitz, Prêmio Nobel de Economia | Tradução: Antonio Martins
Os governantes da União Europeia continuam a brincar à beira do abismo com a Grécia. Atenas atendeu a bem mais da metade das demandas de seus credores. Mas os governos da Alemanha e de outros países continuam a exigir que Atenas assine um programa que comprovadamente fracassou, e que poucos economistas acreditam que poderia, deveria ou seria implementado.
A mudança na situação fiscal da Grécia, de um grande déficit primário para um superávit, foi quase inédita, mas a exigência de que o país obtivesse o superávit primário de 4,5% do PIB foi insana. Infelizmente, no momento em que a “troika” – Comissão Europeia, Banco Central Europeu-BCE e Fundo Monetário Internacional – incluíram esta reivindicação irresponsável no programa de financiamento internacional para a Grécia, as autoridades do país não tinham escolha, exceto aceitá-la.
A loucura de continuar perseguindo este programa é particularmente aguda agora, depois que o PIB da Grécia declinou 25% desde o início da crise. A troika avaliou muito mal os efeitos macroeconômicos do programa que impôs. Segundo suas previsões oficiais, acreditavam que, após a redução de salários e outras medidas de austeridade, as exportações gregas cresceriam e o país logo retomaria o crescimento. Também supunham que a primeira reestruturação dos débitos levaria a uma dívida sustentávavel.
As previsões da troika fracassaram repetidamente. E não por pouco, mas por uma margem enorme. Os eleitores gregos estavam certos quando exigiram uma mudança de trajetória, e seu governo está certo quando se recusa a assinar um programa profundamente falho.
Isso dito, é importante lembrar que há espaço para um acordo. A Grécia deixou clara sua vontade de realizar reformas e saudou o possível apoio da Europa na implementação de algumas delas. Uma dose de realismo por parte dos credores – sobre o que é alcançável e sobre as consequências macroeconômicas de diferentes tipos de reforma fiscal e estrutural – poderia criar as bases para um acordo bom não apenas para a Grécia, mas para toda a Europa.
Mas na Europa, e especialmente na Alemanha, alguns parecem indiferentes quanto a uma possível saída da Grécia da zona do euro. O mercado, dizem eles, “já precificou” tal ruptura. Alguns até sugerem que ela seria útil à união monetária.
Estou convencido que tais pontos de vista subestimam gravemente os riscos envolvidos – tanto presentes, quanto futuros. Um grau similar de alienação era evidente nos Estados Unidos, antes do colapso do banco Lehman Brothers, em setembro de 2008. A fragilidade dos bancos norte-americanos era conhecida há muito – ao menos desde a quebra do Bear Stearns, meses antes. Mas, dada a falta de transparência (devida em parte à frágil regulação), tanto os mercados quanto os políticos não enxergaram completamente os laços e o risco de contágio entre as instituições financeiras.
Ocorre que o sistema financeiro mundial ainda sofre os choques derivados do colapso do Lehman. Os bancos permanecem opacos, e portanto sob risco. Não sabemos a extensão real dos vínculos entre as instituições financeiras, inclusive aquelas mergulhadas em derivativos e operações de troca de dívida vencida não transparentes.
Na Europa, já é possível ver algumas das consequências da regulação inadequada e do desenho torto da própria zona do euro. Sabemos que a estrutura da eurozona encoraja a divergência, não a convergência: quando o capital e pessoas talentosas deixam as economias atingidas por crises, estes países tornam-se menos capazes de pagar suas dívidas. Quando os mercados percebem que uma espiral descendente viciosa está estruturalmente associada ao euro, as consequências da próxima crise tornam-se profundas. E outra crise é inevitável: isso está na própria natureza do capitalismo.
O truque de confiança do presidente do BCE, Mario Draghi – na forma de sua declaração de 2012, segundo a qual as autoridades monetárias farão “o que fosse necessário” para preservar o euro – funcionou até agora. Mas a percepção de que preservar a eurozona não é um compromisso pétreo entre seus membros, tornará este truque muito mais frágil, da próxima vez. Os juros impostos aos títulos dos países devedores poderiam disparar, e nenhuma declaração de conforto do BCE ou dos líderes europeus seria suficiente para baixá-los de níveis estratosféricos, porque o mundo agora saberia que tais autoridades não farão “o que for necessário”. O exemplo grego teria demonstrado que elas farão o que os cálculos de curto prazo da política eleitoral demandarem…
Temo que a consequência mais importante seja o enfraquecimento da solidariedade europeia. Esperava-se que o euro pudesse fortalecê-la. Ele provocou o efeito oposto.
Não é de interesse da Europa – ou do mundo – afastar um país periférico europeu de seus vizinhos, especialmente agora, quando a instabilidade política é tão evidente. O Oriente Médio está em chamas. O Ocidente tenta conter a Rússia. A China, já hoje a maior fonte mundial de poupança, o país com maior comercio externo e a maior economia (se levado em conta o poder de compra das moedas) confronta o Ocidente com novas realidades econômicas e estratégicas. Não é hora de uma Desunião Europeia.
Os líderes europeus viam a si mesmos como visionários, quando criaram o euro. Pensavam enxergar além das demandas de curto prazo que normalmente ocupam os líderes políticos.
Infelizmente, sua compreensão sobre Economia foi menor que sua ambição; e a política daquele momento não permitiu criar uma estrutura institucional que tivesse permitido ao euro funcionar como se esperava. Embora se acreditasse que a moeda única traria prosperidade inédita, é difícil detectar um efeito positivo para a zona do euro como um todo, no período anterior à crise. Quando ela sobreveio, os efeitos adversos foram enormes.
O futuro da Europa e do euro depende agora de uma pergunta. Seus governantes serão capazes de combinar algum entendimento de Economia com sentido visionário e preocupação com a solidariedade europeia? Provavelmente, começaremos a descobrir a resposta desta questão existencial nas próximas semanas.

CAMPANHA CONTRA FRAUDES E ROUBO DE MADEIRA NA AMAZÔNIA

O misterioso caso da plantação de Ipê

Notícia - 9 - jun - 2015
Greenpeace expõe mais um caso de fraude em plano de manejo da Amazônia para 'lavar' origem suja de madeira
Caminhão de toras trafega a noite, quando a fiscalização é menos frequente (© Otávio Almeida / Greenpeace)
O ipê é uma das espécies mais valiosas da Amazônia. Normalmente, é possível encontrar 1 árvore de ipê a cada 3-5 hectares (ou 3-5 campos de futebol). No entanto, um plano de manejo do Pará apresentou um inventário florestal em que os ipês nascem aos borbotões, com um volume 1300% maior do que a média encontrada para a espécie!
A Agropecuária Santa Efigênia, situada no município de Uruará-PA, superestimou a presença de Ipê no inventário florestal da área com o objetivo de gerar créditos excedentes para esquentar madeira ilegal. Os créditos excedentes podem ser utilizados para legalizar madeira extraída, no caso Ipês, de áreas sem autorização, como terras indígenas e unidades de conservação, ou podem ser vendidos para as serrarias da região que utilizam esses créditos com a mesma finalidade. Nos dois casos, é crime ambiental previsto em lei.
Em 2014, uma autorização de exploração florestal (Autef) emitida pela Sema para a Santa Efigênia aprovou cerca de 12 mil metros cúbicos de ipê, o equivalente a cerca de 600 caminhões de madeira. De acordo com um parecer técnico da Universidade de São Paulo, que analisou o inventário do plano, o número de indivíduos de Ipê encontrados na área licenciada foi de 1,01 árvores por hectare, e, em relação ao volume, o valor foi de 5,75 m³/hectare. A literatura científica aponta, no entanto, que a densidade média de indivíduos desta espécie na Amazônia fica entre 0,2 e 0,4 árvores por hectare, e, em termos de volume por hectare, esse valor dificilmente supera 0,4 m, valores bem mais baixos do que o inventariado no plano.
“A exploração ilegal de madeira causa grave degradação da floresta e abre caminho para a destruição da biodiversidade e violência contra a população local. As florestas não podem mais ser destruídas se queremos reduzir as mudanças climáticas e garantir água para nosso futuro”, diz Marina Lacôrte, da campanha da Amazônia do Greenpeace.
Desde o ano passado, a campanha tem revelado fraudes como a do plano de manejo Santa Efigênia. Em outubro, uma investigação que contou com a utilização de rastreadores por GPS monitorou rotas de caminhões transportando madeira de áreas sem autorização até as serrarias de cidades do oeste do Pará, como Santarém, Uruará e Placas. Uma dessas serrarias que receberam a madeira ilegal foi a Comercial de Madeiras Odani Ltda, de Placas, no Pará, que recebeu parte dos créditos justamente do plano de manejo da Agropecuária Santa Efigênia.
A denúncia levou a Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará (Semas-PA) a realizar uma fiscalização no plano de manejo que confirmou as irregularidades na área. Na ocasião, a equipe não apenas concluiu que houve fraude no inventário florestal – especialmente para o Ipê – como também recomendou a suspensão do plano e autuou a empresa.
A vistoria e as multas não impediram a Agropecuária Santa Efigênia de continuar movimentando os créditos excedentes, o que indica que madeira ilegal “lavada” com esses créditos entrou no mercado nacional e internacional:  99% do volume de ipê autorizado foi comercializado. Essa madeira foi destinada a diversas serrarias localizadas nos municípios de Uruará e Placas, onde o monitoramento por satélite mostra uma enorme quantidade de áreas degradadas no entorno. Inclusive, os alertas de degradação foram detectados na mesma época em que ocorreu a comercialização dos créditos: de junho a dezembro de 2014.
A Fazenda Santa Efigênia é cortada por uma estrada que adentra a Terra Indígena (TI) Cachoeira Seca, do povo Arara. Boa parte da TI, inclusive os arredores dessa estrada, já sofreu e continua sofrendo inúmeras invasões por parte de madeireiros. Imagens de satélite registram nessas áreas um intenso processo de degradação típico desse tipo de exploração. Fotografias realizadas durante sobrevoo do Greenpeace em há poucas semanas confirmam a retirada de madeira de dentro do território indígena.  
Galeria de fotos:
Mercado internacional
Os principais destinos internacionais da madeira amazônica são Estados Unidos, União Europeia (UE), China e Israel. Em 2013, só os países da UE importaram, em produtos de madeira tropical provenientes da Amazônia Brasileira, o equivalente a 148 milhões de dólares. A partir das denúncias feitas pelo Greenpeace desde o ano passado, diversas empresas europeias cancelaram contratos de importação com madeireiras brasileiras.
“A exploração predatória é o primeiro passo para o desmatamento total dessas áreas. Já passou da hora de dar um basta a essa situação para acabarmos de vez com o desmatamento”, afirma Marina Lacôrte, do Greenpeace. “O governo brasileiro precisa revisar urgentemente todos os planos de manejo aprovados desde 2006 para tirar de circulação créditos fraudados. Este é o primeiro passo para uma reforma robusta no sistema de controle de madeira”, completa. 
Junte-se a nós
Não podemos deixar que isso continue acontecendo. Você pode fazer muito mais para ajudar a acabar com a madeira ilegal de uma vez por todas, antes que essas fraudes destruam a floresta. Junte-se ao nosso time pelas florestas.

terça-feira, 9 de junho de 2015

CONHEÇAM E APOIEM A ARCA - ARTICULAÇÃO PELA CONVIVÊNCIA COM A AMAZÔNIA

O CONVITE ESTÁ FEITO E CONTA COM SUA ATENÇÃO. AFINAL, A AMAZÔNIA DEVE CONTINUAR VIVENDO PARA FAVORECER A VIDA DOS POVOS DE LÁ E PARA CONTINUAR CONTRIBUINDO COM O EQUILÍBRIO HÍDRICO DO SUDESTE E OUTRAS REGIÕES BRASILEIRAS E DE TODA A AMÁRICA DO SUL. E ELA SÓ CONTINUARÁ VIVA SE A ARTICULAÇÃO DOS QUE QUE DESEJAM CONVIVER COM ELA FOR FORTE O SUFICIENTE PARA BARRAR O PROJETO PREDADOR E COLONIALISTA QUE A VAI DESTRUINDO.

VISITEM O SITE NO FACEBOOK E CURTAM, DANDO SINAL DE SUA VISITA E DE SEU APOIO.

Bom dia a todos. Em primeiro lugar agradeçemos a presença de vocês nos dias da Semana dos Povos da Amazônia. Gostariamos de partilhar como vocês alguns pontos.
  1. Como podem ver, o mail da ARCA já foi criado (amazonia.arca@gmail.com). 
  2. Também temos o site: https://www.facebook.com/articulacaopelaconvevenciacomaamazonia , onde podem entrar e curtir.
  3. No seguinte link podem encontrar a carta dos povos da Amazônia que foi escrita com a participaçao da gente presente nos encontros desses dias:


Pedimos, por favor, a vossa ajuda para a divulgação dos tres pontos anteriores.
As entidades e organizações que quiserem subscrever a carta, informe-nos através deste mail. Sería ótimo!

Muito obrigada!


Isa.
ARCA.

UMA ESPERANÇA PARA AS TERRAS INDÍGENAS?

QUEM CONHECE OS MEANDROS DA POLÍTICA, DE MODO ESPECIAL NO LEGISLATIVO, TEM DIREITO DE PERGUNTAR-SE: ESTE ABAIXO-ASSINADO É PRA VALER? NO CASO DE A PEC 2015 CHEGAR AO SENADO, TODOS OS QUE O ASSINARAM MANTERÃO FIRME SEU COMPROMISSO?

DE TODA MANEIRA, É MELHOR RECEBER ESTA NOTÍCIA DO QUE NÃO TORNAR PÚBLICA A POSIÇÃO DE LEGISLADORES. E DESEJAR QUE SEJA PRA VALER E TRAVE O PROJETO AINDA NA CÂMARA FEDERAL, QUE ESTÁ LEGISLANDO DE FORMA DESBRAGADA EM FAVOR DOS INTERESSES DO AGRONEGÓCIO E DE SEUS ALIADOS. A LUTA EM DEFESA DOS DIREITOS DOS POVOS ORIGINÁRIOS PODE RESPIRAR, MAS PRECISA MANTER-SE EM ALERTA PERMANENTE PARA EVITAR NOVOS GOLPES BAIXOS...

Uma esperança para as terras indígenas?

Mais da metade do Senado adere a manifesto contra a PEC 215, projeto bancado por Cunha que tira do Executivo a prerrogativa de demarcar terras.
Em um contexto de polarização política e do Congresso mais conservador desde a redemocratização, 48 senadores enviaram um recado à bancada ruralista da Câmara ao assinar um manifesto contra a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 215, que transfere ao Congresso a decisão final sobre a demarcação de terras indígenas, territórios quilombolas e unidades de consevação no Brasil. Com isso, os senadores sinalizam que a proposta não será aprovada pelo Senado.
A reportagem é publicada por CartaCapital, 08-06-2015.
Por se tratar de uma emenda à Constituição, a proposta necessita do apoio de três quintos do Senado para ser aprovada. Porém, se o compromisso dos senadores que assinaram o manifesto se mantiver, a PEC 215 não conseguirá obter os votos necessários. Pelo contrário, com o número atual de assinaturas, três em cada cinco senadores rejeitam a medida.
“Os senadores que assinaram esse abaixo-assinado se mostraram constrangidos e contrários à PEC 215. A nossa expectativa é que a Câmara dos Deputados paralise a tramitação dessa PEC, que é recusada pela maioria dos senadores”, afirmou João Capiberibe (PSB-AP), o senador responsável por colher as assinaturas.
Arquivada por uma Comissão Especial da Câmara no final 2014, a proposta foi recolocada em discussão na Câmara em 2015. Liderados pela bancada ruralista, os deputados favoráveis à medida argumentam que a decisão sobre as demarcações deve envolver mais a sociedade por meio de seus representantes no Congresso e não ficar restrita ao governo.
Entidades defensoras dos direitos indígenas, por outro lado, acreditam que, na prática, a PEC 215 paralisaria o processo de oficialização de áreas protegidas, além de abri-las ao agronegócio, à exploração hidrelétrica e minerária, entre outras atividades econômicas.
Segundo o manifesto, não há motivos para o Congresso intervir em um assunto técnico como a demarcação de terras indígenas. “A confirmação de direitos de minorias não pode ficar suscetível a maiorias temporárias. A demarcação é um ato técnico e declaratório. Não há sentido em introduzir o componente político neste ato. É incabível trazer essa matéria para o âmbito do Congresso, um equívoco político e jurídico, um atentado aos direitos dos povos indígenas”, afirma o texto.
O manifesto é assinado por figuras de peso político, como o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e líderes do governo e da oposição. No PSDB, a texto tem o apoio de Aécio Neves (MG), Aloysio Nunes (SP) e Tasso Jereissati (CE). No PMDB, além de CalheirosRomero Jucá (RR), Jáder Barbalho (PA) e Eunício Oliveira (CE)assinam o texto. No PT, o líder do governo, Delcídio Amaral (PT-MS), e do PT, Humberto Costa (PE), também assinam o manifesto.
Entre os apoiadores do manifesto estão movimentos sociais e organizações da sociedade civil, como a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), o Instituto Sócioambiental (ISA), o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), oGreenpeace e o WWF-Brasil.
Atualmente, a decisão sobre as demarcações de terras cabe apenas ao Executivo e seus órgãos técnicos. Desde a redemocratização, o governo Dilma é o menor em número de demarcação terras indígenas.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

DEZ MOTIVOS PARA TER ESPERANÇA

O AUTOR JUNTOU AQUI ALGUMAS BOAS NOTÍCIAS EM RELAÇÃO AO MEIO AMBIENTE. VOCÊ CONSEGUE ACRESCENTAR ALGUMA OUTRA, TALVEZ UMA INICIATIVA EM SUA COMUNIDADE? DE TODA FORMA, SER CRÍTICO É TAMBÉM PERCEBER QUE HÁ ALTERNATIVAS E PRÁTICAS CRIATIVAS, E NUNCA PENSAR QUE A "HISTÓRIA ACABOU": ELA CONTINUA ABERTA E HÁ POSSIBILIDADES DE SUPERAR O SISTEMA DESTRUIDOR DOMINANTE.

DESEJO QUE TODAS E TODOS TOMEMOS A DECISÃO DE FAZER QUE O DIA DO MEIO AMBIENTE SE FAÇA PRESENTE EM TODOS OS DIAS DO ANO.

por André Trigueiro

10 motivos para não se deprimir no Dia Mundial do Meio Ambiente

Área de mata atlântica no Rio de Janeiro1 – A declaração de Fernando Meirelles, o grande cineasta, para a Revista Época: “Quando não sou ecochato, sou biodesagradável”.
2 – A mobilização de milhares de jovens americanos e europeus que exigem das universidades ricas onde estudam (Oxford e Harvard, inclusive) a retirada dos recursos investidos em fundos lastreados em combustíveis fósseis. Se depender da garotada, essas fortunas devem ser redirecionadas para fontes limpas e renováveis de energia.
3 – O lançamento da primeira geração de baterias solares para domicílios (“Powerwall”) ou indústrias (“Powerpack”) pela Tesla, que abriu mão das patentes para agilizar o desenvolvimento tecnológico desses produtos. Sol e vento já podem ser armazenados. Muitos especialistas consideram isso o início de uma revolução energética.
4 – A prisão de grandes empreiteiros que financiavam políticos para, depois das eleições, cobrar a fatura na forma de megaprojetos nem sempre inteligentes, invariavelmente caríssimos e nada sustentáveis. O Brasil ficou um país melhor depois que essa roubalheira veio à tona. A natureza, por vias indiretas, também agradece.
5 – Pela primeira vez em 40 anos de medições as emissões de gases estufa do planeta foram estabilizadas (em 2014) apesar da economia mundial ter crescido (3,0 %). A Agência Internacional de Energia atribuiu o resultado aos monumentais esforços da China para reduzir suas emissões de CO2.
6 – Ninguém gosta de falta d'água. Mas a maior crise hídrica da Região Sudeste do Brasil determinou uma tsunami de projetos de reúso de água, coleta de chuva e uso racional desse precioso recurso como jamais se viu antes.
7 –  Apesar das facadas e dos atropelamentos, os ciclistas resistem. De onde vem o poder das bicicletas, que ganham a cada ano mais quilômetros de ciclovias e ciclofaixas?  Difícil explicar. Mas é fato que o “carrocentrismo” colapsou as cidades, travou a mobilidade. Sobre duas rodas se vai mais rápido. Ou mais longe.
8 – Já ouviu falar em A3P? Então clica no Google e veja como esse Programa Ambiental na Administração Pública se espalha rapidamente como uma metástase verde. Até agora, 241 instituições públicas já aderiram. Um exército de servidores públicos brasileiros zela pela redução do desperdício de água, energia e lixo, entre outras medidas de ecoeficiência.
9 – Chega a 382 o número de projetos credenciados pela EPE (Empresa de Pesquisa Energética) para o leilão de energia solar do próximo dia 14 de agosto. Serão ofertados 12.528 megawatts (MW), mais que a capacidade instalada de Belo Monte. Analistas do setor dão como certo que a expansão do solar na matriz energética brasileira deverá ser tão ou mais rápida que a do vento.
10 – Se você prefere ver a parte vazia do copo, é uma opção. Mas pelo menos hoje, prefiro lembrar a frase atribuída ao ex-presidente Juscelino Kubitschek: “O otimista pode até estar errado, mas o pessimista já começa errando”. Dá pra virar esse jogo. Depende de nós.

*Crédito da foto:Divulgação/Governo do Rio de Janeiro