quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

EM NÚMEROS, A BRUTAL DESIGUALDADE NA PANDEMIA

 


É PRATICAMENTE CERTO QUE A MAIOR NOTÍCIA FALSA DE 2021 COMTINUA SENDO ESPALHADA PELOS MUITO RICOS E PELOS GOVERNOS QUE OS APOIAM - REFPRÇADOS PELOS MILITANTES IDEOLOGICAMENTE DOMINADOS DA EXTREMA DIREITA: "NÃO EXISTEM RECURSOS PARA ENFRENTAR OS EFEITOS DA PANDEMIA E PARA SUPERAR A MISÉRIA".  

LEIA E ESTUDE O ARTIGO QUE SEGUE PARA SABER PORQUE ISSO É UMA SOLENE E CRIMONOSA MENTIRA.

Em números, a brutal desigualdade na pandemia

Ganhos dos 10 mais ricos, durante a pandemia, pagariam vacina para a população mundial. Imposto sobre 32 megacorporações distribuiria renda a mais de 500 milhões de desocupados. Mas ordem global espalha a fome e miséria

Criança de Java, na Indonésia. Imagem: AFP – ADITYA AJI

Baixe aqui o relatório O vírus da desigualdade, da Oxfam, lançado na reunião de Davos 2021

As 1.000 pessoas mais ricas do mundo recuperaram todas as perdas que tiveram durante a pandemia de covid-19 em apenas nove meses (entre fevereiro e novembro de 2020), enquanto os mais pobres do planeta vão levar pelo menos 14 anos para conseguir repor as perdas devido ao impacto econômico da pandemia. É o que revela o relatório O Vírus da Desigualdade, lançado pela Oxfam nesta segunda-feira (25/1) na abertura do Fórum Econômico Mundial realizado em Davos, na Suíça.

Em fevereiro de 2020, os mais ricos tinham 100% de suas fortunas. Em março, essa riqueza caiu para 70,3%, voltando aos 100% em novembro. Para se ter uma ideia da velocidade dessa recuperação, os mais ricos do planeta levaram cinco anos para recuperarem o que perderam durante a crise financeira de 2008.

Em todo o mundo, os bilionários acumularam US$ 3,9 trilhões entre 18 de março e 31 de dezembro de 2020 – a riqueza total deles hoje é de US$ 11,95 trilhões, o equivalente ao que os governos do G20 gastaram para enfrentar a pandemia. Só os 10 maiores bilionários acumularam US$ 540 bilhões nesse período.

A pandemia da covid-19 tem o potencial de aumentar a desigualdade econômica em quase todos os países ao mesmo tempo, revela o relatório – algo que acontece pela primeira vez desde que as desigualdades começaram a ser medidas há mais de 100 anos. O vírus matou mais de dois milhões de pessoas pelo mundo e tirou emprego e renda de milhões de pessoas, empurrando-as para a pobreza. Enquanto isso, os mais ricos – indivíduos e empresas – estão prosperando como nunca. A crise provocada pela pandemia expôs nossa fragilidade coletiva e a incapacidade da nossa economia profundamente desigual trabalhar para todos.

No entanto, também nos mostrou a grande importância da ação governamental para proteger nossa saúde e meios de subsistência. Políticas transformadoras que pareciam impensáveis antes da crise, de repente se mostraram possíveis. Não pode haver retorno para onde estávamos antes da pandemia. Em vez disso, a sociedade, cidadãos e cidadãs, empresas, governos e instituições devem agir com base na urgência de criar um mundo mais igualitário e sustentável.

“A pandemia escancarou as desigualdades – no Brasil e no mundo. É revoltante ver um pequeno grupo de privilegiados acumular tanto em meio a uma das piores crises globais já ocorridas na história”, afirma Katia Maia, diretora executiva da Oxfam Brasil. “Enquanto os super-ricos lucram, os mais pobres perdem empregos e renda, ficando à mercê da miséria e da fome.”

O relatório O Vírus da Desigualdadedetalha como o atual sistema econômico está permitindo que a elite dos super-ricos acumule riqueza em meio a pior recessão global desde a crise de 1929 (a Grande Depressão) enquanto bilhões de pessoas lutam para sobreviver.

A recessão acabou para os mais ricos, mas continua fazendo estragos entre os mais pobres

A pandemia não impediu que os 10 homens mais ricos do mundo conseguissem acumular US$ 540 bilhões desde o seu início – o suficiente para pagar pela vacina contra a covid-19 para toda a população mundial, e garantir que nenhuma pessoa seja empurrada para a pobreza. Enquanto isso, a crise do coronavírus deu início a pior crise de empregos em mais de 90 anos. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima que cerca de meio bilhão de pessoas estão agora sub-empregadas ou sem emprego, enfrentando miséria e fome.

Quando o coronavírus chegou, mais da metade dos trabalhadores e trabalhadoras dos países de baixa renda viviam na pobreza, e 75% dos trabalhadores e trabalhadoras do mundo não tinham acesso a proteções sociais como auxílio-doença ou seguro-desemprego.

As mulheres são as que mais sofrem, de novo

As mulheres são maioria nos empregos mais precários, justamente aqueles que foram, globalmente, mais impactados pela pandemia. Se elas tivessem o mesmo nível de representação que os homens nesses empregos, 112 milhões de mulheres não estariam mais sob o risco de perder sua renda ou empregos. É o caso, por exemplo, das áreas de saúde e assistência social que, além de serem mal remuneradas e desvalorizadas, também expõem mais as mulheres aos riscos de contaminação por covid-19.

A desigualdade de raça está tirando vidas

Nos Estados Unidos, 22 mil pessoas negras e hispânicas ainda estariam vivas se tivessem a mesma taxa de mortalidade por covid-19 que as pessoas brancas. As taxas de contaminação e mortes por covid-19 são maiores em áreas mais pobres de países como França, Espanha e Índia. Na Inglaterra, essas taxas são o dobro nas regiões mais pobres em comparação com as mais ricas.

Economias mais justas são a chave para uma recuperação econômica rápida da pandemia

Um imposto temporário sobre os excessivos lucros obtidos pelas 32 corporações globais que mais lucraram durante a pandemia poderia arrecadar US$ 104 bilhões em 2020. Isso é o suficiente para providenciar auxílios desemprego para todos os trabalhadores e trabalhadoras afetados durante a pandemia e também para dar apoio financeiro para todas as crianças e idosos em países de renda baixa ou média.

“A desigualdade extrema não é inevitável, mas uma escolha política. Os governos pelo mundo precisam utilizar esse momento de grande sofrimento para construir economias mais justas, igualitárias e inclusivas, que protejam o planeta e acabem com a pobreza”, afirma Katia Maia. “O novo normal pós-pandemia não pode ser uma repetição de tantos erros do passado que nos legaram um mundo que beneficia poucos às custas de milhões”, diz Katia, lembrando que a recuperação econômica tem que incluir as pessoas em situação de vulnerabilidade. “Não pode haver recuperação econômica sem responsabilidade social.”

Sobre os dados

Os cálculos da Oxfam são baseados nas fontes de dados mais atuais disponíveis. Os dados sobre os mais ricos do mundo vêm da lista de bilionários 2020 da Forbes. Como os dados sobre riqueza em 2020 eram muito voláteis, o Instituto de Pesquisa Credit Suisse atrasou para agosto de 2021 o lançamento de seu relatório anual sobre a riqueza no mundo. Isso significa que não pudemos comparar a riqueza dos bilionários com a da metade mais pobre do mundo, como fizemos em relatórios anteriores.

De acordo com a Forbes, as 10 pessoas mais ricas do mundo viram suas fortunas crescerem US$ 540 bilhões entre 18 de março de 2020 a 31 de dezembro de 2020. Os 10 mais ricos do mundo são: Jeff Bezos, Elon Musk, Bernard Arnault e família, Bill Gates, Mark Zuckerberg, Larry Ellison, Warren Buffet, Zhong Shanshan, Larry Page e Mukesh Ambani.

Banco Mundial simulou como um aumento na desigualdade em quase todos os países do mundo ao mesmo tempo impactaria na pobreza global.

Segundo os cálculos do Banco Mundial, se a desigualdade (medida pelo coeficiente de Gini) aumentar em dois pontos percentuais anualmente e o crescimento do PIB per capital global encolher 8%, mais 501 milhões de pessoas estarão vivendo com menos de US$ 5,5 por dia em 2030 (algo em torno de R$ 30), em comparação a um cenário em que não há aumento da desigualdade. Como resultado, os níveis de pobreza global seriam maiores em 2030 do que eram antes da pandemia começar, com 3,4 bilhões de pessoas vivendo com apenas US$ 5,5 (R$ 30) por dia. Esse é o pior cenário calculado pelo banco, mas as projeções sobre a retração econômica na maioria dos países em desenvolvimento do mundo estão alinhadas a esse cenário.

pior cenário desenhado pelo FMI não vê o PIB global retornando aos níveis pré-pandemia antes do fim de 2022. A OCDE alertou que isso provocará um aumento de longo prazo na desigualdade global a menos que ações decisivas sejam tomadas.

O cálculo da Oxfam de que 112 milhões de mulheres a menos estariam sob o risco de perder seus empregos e rendas se homens e mulheres fossem igualmente representados nas profissões mais precárias e mal remuneradas – as que foram mais impactadas pela covid-19 – é baseado em relatório da OIT publicado em julho de 2020.


https://outraspalavras.net/crise-civilizatoria/em-numero-a-brutal-desigualdade-na-pandemia/ 

domingo, 24 de janeiro de 2021

ALEGREMO-NOS: 20 MIL ANOS DE HISTÓRIA NA AMAZÔNIA!

 https://outraspalavras.net/descolonizacoes/povos-originarios-e-a-colonialidade-academica/

Povos originários e a colonialidade acadêmica

Descoberta de conjunto monumental de arte indígena na Amazônia, com pinturas de 20 mil anos, revela quanto é preciso descobrir da riquíssima história pré-colonial da América — e como o eurocentrismo cega a ciência para isso

Uma palavra antes do início

A marcha da perseguição, invisibilização e etnocídio aos povos originários continua em curso sustentada pelo projeto de colonialidade eurocêntrico. Vigente com seus tentáculos longos e pegajosos, sempre a se fixarem no inconsciente coletivo. A colonialidade eurocêntrica age de forma subliminar através de reforços por meio de elementos semióticos dirigindo percepções para a construção de um amalgamado de noções com aparência verossímil.

Recentemente esse esforço hercúleo de invisibilidade e inferiorização, através de hierarquizações forçadas da arte e das práticas espirituais dos Povos Originários, apresentou-se na manchete da History sobre Chiribiquete onde se lê: “Chiribiquete: Amazônia abriga a ‘Capela Sistina’ da pintura rupestre”.

Vamos nos deter somente na própria matéria da History e fazer um pouco de análise etno-histórica-arqueológica sobre esse tratamento colonializante e eurocêntrico dado pela revista e pelos próprios pesquisadores. Estes em nenhum momento se referem aos nativos deixando inferir-se ter sido por obra e graça de um esforço próprio ou de uma alétheia que vieram a encontrar Chiribiquete.

Chiribiquete ou Colina onde se desenha, no idioma construído e usado até hoje pelos povos originários, o Karijuna, está encravada no seio da Amazônia com, até agora, 75 mil pinturas rupestres catalogadas e, segundo a arqueologia clássica, revelam a diversidade biológica da região. Importante ressaltar que a área de conhecimento “Arqueologia” hoje abriga diferentes formas de fazer Arqueologia. A supracitada está ligada à maneira etimológica apontada para o estudo do conhecimento do passado histórico oitocentista, baseado em vestígios materiais e servis ao colonialismo e, até hoje, ao processo colonializante.

Todavia, para os, realmente, interessados em compreender as práticas dos povos originários, cada pintura, cada grafismo, cada conjunto desses elementos está para além de uma representação do meio ambiente e seus elementos. Animais e plantas e os Povos Originários – “diversidade biológica” – são um só ser.

Esta afirmação parte de dois pilares incompreendidos e repudiados pelos acadêmicos clássicos, a saber: os ensinamentos dos Bidzamus – os que seriam os pajés para os Kariris – ensinam que nós somos um só ser: os Povos Originários e toda a Mãe Terra. Isso não significa uma vida estática, imóvel, mas sim, o contrário. É a condição de tudo estar reunido que permite a transformação. Entretanto, a academia resiste em aceitar os Bidzamus e as Troncos-Velhas (os) como referências nos trabalhos acadêmicos.

Para não fugir às exigências acadêmias, cito um segundo pilar: Parmênides – surgido muito tempo depois dos Povos Originários de Pindorama – e, que para além de um filósofo abordado analiticamente, tinha suas reflexões estreitamente ligadas ao que hoje é chamado de mitologia grega. Sabemos que os gregos se relacionavam com seus espíritos ancestrais e seus pensadores eram considerados como conectores entre os planos transcendente e imanente.

No texto O poema de Parmênides encontramos a narrativa onde as Filhas do Sol o levam à Deusa das Revelações (I, 8-22). Lá, Parmênides, então, encontra-se com a compreensão do Ser que “é todo pleno do que é. Por isso é todo contínuo: pois ente a ente acerca” (VIII, 24 e 25). “pois de todo lado igual a si, se estende nos limites por igual” (VIII, 49).

Parmênides vai ao encontro do pensamento dos Bidzamus – posto estes existiam bem antes do filósofo – quando indica a ilusão de muitos pensarem existir em uma bolha individual capaz de manter o isolamento entre os entes em suas inter-relações societais. Nessa direção, Chiribiquete guarda expressões do Ser como conjunto de entes, ressaltando que fazemos aqui um esforço de interpretar os ensinamentos dos Bidzamus, como também, dos autores das pinturas rupestres.

A mitigação pela academia

Chiribiquete é fruto da compreensão dos Povos Originários de que o humano, a terra, as matas e os sencientes são um só. Deixaram isto expresso nessa herança cosmológica e cosmogônica. Suas pinturas rupestres tiveram suas datações estimadas em 20 mil anos… 20 mil anos. Estética impecável – aceitando usar aqui o pensamento do invasor – técnicas avançadas de produção configuradas na conservação e durabilidade, domínio estratégico do território e do espaço geográfico. 20 mil anos!

O teto da Capela Sistina foi pintado por Michelangelo Buonarroti – nascido em 1475 – e levou apenas quatro anos para ser terminado – 1508-1512 – composto por nove painéis com representações da busca humana pela salvação a partir da visão bíblica católica-judaica. Mundo este tomado pela manipulação de dominadores para obtenção de poder mediante um sistema de castigo e recompensa de acordo com os interesses de uma elite eurocêntrica dominante.

Essa elite lançou suas raízes profundas na mentalidade dos povos ocidentais e estendeu seus tentáculos por todos os campos da sociedade, principalmente na educação, com o projeto de limitar e estreitar a capacidade crítica e o pensamento livre dos povos. A manchete da History é um claro exemplo dessa realidade vigente até os dias atuais.

Dessa forma, perguntamos: como uma arte, expressão cosmológica e cosmogônica de gerações com heranças milenares, encontrada organizada e compartida através de um sistema de códigos, cujos são, alguns, para conhecimento geral e outros, evidentemente, com mensagens para iniciados, pode ter como referência arte horror vacui, com nove estórias, em pouco mais de 1000m² tendo, segundo alguns autores, trezentas representações – um trabalho metaforicamente, quase simplista, dada a comparação feita pelos acadêmicos – por exemplo, foram revisados em Chiribiquete 36 conjuntos pictográficos em uma área aproximada de 200m².

Sob esses pilares afirmamos a impossibilidade do Teto da Capela Sistina ser referencial para Chiribiquete. A autenticidade de Chiribiquete ultrapassa e supera a prisão do enquadramento dado a necessidade de impressionar pela exterioridade e aspectos a serem julgados por quem se erigiu erudito.

Portanto, demonstramos a mão pesada do eurocentrismo no processo colonizante insistente e tenaz no projeto de mitigação da herança ancestral dos Povos Originários e do contínuo etnocídio cujas bases são claramente identificadas aqui, a saber: a imposição de uma escala hierarquizante onde sempre se busca inferiorizar os Povos Originários e a consequente invisibilização pela semiótica e o discurso construído.

Uma palavra antes do fim

“É um lugar absolutamente transcendente devido ao seu significado simbólico e cosmogônico, que talvez remeta aos primeiros momentos na América. Os pesquisadores estimam que alguns dos desenhos possam ter sido feitos há cerca de 20 mil anos. Segundo o especialista, o apelido de ‘Capela Sistina’ é perfeito para definir o local. Isso porque os desenhos que estão ali apresentam grande qualidade e requinte, além de ter um caráter sagrado”1.

O anacronismo e a incoerência – para não dizer empáfia, postura egóica e colonializante – da “academia” travestida pela semiótica do texto, na direção de mitigar e invisibilizar, nas próprias palavras dos pesquisadores, a “grande qualidade e requinte” das pinturas rupestres dos Povos Originários é violenta e flerta com o neofascismo que busca a re-implantação de formas de eugenia no próprio sentido de segregação hierárquica.

Afirmamos ser a Capela Sistina a expressão de imagens tradicionais, uma arte manipulada pela idealização dos invasores dominantes não passando de uma branca sombra pálida, como diria Lygia Fagundes Telles, de Chiribiquete. Entretanto, podemos dar as expressões artísticas em questão, no máximo, a possibilidade de serem formas de expressões artísticas, não contemporâneas, mais dotadas de sincronicidade no tempo e no espaço, segundo Jung (1973). De toda forma, jamais Chiribiquete poderia ser mitigada a essa comparação sensacionalista da matéria.

Enfim

Repousamos em Johannes Fabian nosso terceiro pilar: a coetaneidade; para que o Outro, citado por este autor, não seja exotizado como um objeto naturalizado. Mas, sim compreendido a partir de uma etnografia que não anule e não contorne o pressuposto do Tempo intersubjetivo. Chiribiquete não está fora dos processos dinâmicos que regem as relações societais e só pode ser compreendida sem uma naturalização advinda da imposição de percepções semióticas hierarquizantes.

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quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

O HIDRONEGÓCIO AVANÇA NO MERCADO FUTURO

 O Hidronegócio avança no Mercado Futuro

Roberto Malvezzi (Gogó)

Nada de novo sob o sol, o capitalismo tudo transforma em mercadoria, cuja mercadoria mais vil é o ser humano (Marx em algum lugar dos Manuscritos). Um dia chegaria também na água, como chegou na terra, na biodiversidade, na cultura, nas religiões, nas pessoas humanas, inclusive nos órgãos humanos. A notícia é que a água começou a ser cotizada como uma comoditie no mercado futuro de Wall Street, cujo preço flutuará “como fazem o petróleo, o outro e o trigo, tendo como base o índice Nasdaq Veles California Water (NQH2O) informou hoje CME Group” (El País).

O preço do metro cúbico da água terá como valor de mercado seu custo na Califórnia, onde o agro e hidronegócio escasseou a quantidade de água pelo uso intenso na irrigação. Portanto, em qualquer lugar do mundo, inclusive nos países pobres, o valor da água será referenciado no seu custo na Califórnia. Como toda comoditie, o valor da água será universal e único.

O mundo das ciências sociais define o capitalismo como uma forma organizada e racional de acumulação do capital. Baseado na propriedade privada intocável – por isso a reação ao Papa Francisco que disse na Fratelli Tutti não ser a propriedade privada uma deusa intocável -, na transformação de tudo e todos em mercadoria, na obsessão organizada de acumular bens e riquezas, na sacralidade do mercado, o capital avança agora para um bem essencial a todas as formas de vida: a água.

Como a água tem múltiplos usos – o capital só fala deles, mas não dos múltiplos valores -, ela pode ser privatizada em múltiplas atividades econômicas: agricultura, indústria, abastecimento doméstico, engarrafamento etc. A decisão do Congresso Brasileiro de privatizar o saneamento básico atende aos interesses de empresas privadas em se apossar do abastecimento doméstico de mega cidades como São Paulo e outras no mundo.

Até agora havia – e há – resistências da sociedade civil no mundo inteiro. Também de certos setores religiosos, como Francisco na Laudato Si’. Houve guerras contra a privatização da água em Cochabamba e outros lugares do mundo. Centenas de cidades, cujos serviços de água tinham sido privatizados, recuaram em favor de serviços públicos. A razão foi simples, os preços subiram de forma exorbitante e a qualidade do abastecimento piorou. Mas, essas resistências apenas fazem com que a Oligarquia Internacional da Água (Ricardo Petrella) mude e aperfeiçoe suas estratégias.

Um exemplo claro se dá na Doutrina Social da Igreja Católica. Enquanto Francisco condena a privatização da água na Laudato Si’ (LS 27-31), um dicastério escreve “Aqua fons vitae” e, nas entrelinhas, como diabo gosta, aceita a privatização da água (AFV 30). Aliás, um documento estranho, só encontrável em inglês e de responsabilidade do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral. Mas, esse documento merece uma análise à parte.

Sabemos que estamos numa mudança de época, outros falam até numa mudança de era. A humanidade e a Terra serão completamente diferentes do que são hoje até o final desse século. O futuro que a humanidade lá encontrará, entretanto, ninguém sabe qual é, mas o capitalismo tem certeza que nele tudo estará privatizado. 

quinta-feira, 26 de novembro de 2020

SURPRESA: AGRICULTURA URBANA E PERIURBANA EM SP PODE ALIMENTAR 20 MILHÕES DE PESSOAS

 ESTE ESTUDO INDICA QUE SE DEVE LEVAR A SÉRIO O POTENCIAL DA PRODUÇÃO DE ALIMENTOS EM GRANDES CIDADES, COMO SÃO PAULO. SEM QUE ISSO SIGNIFIQUE LIBERAR O AGRONEGÓCIO PARA A EXPORTAÇÃO, COM TODOS OS DESASTRES SOCIOAMBIENTAIS PROVOCADOS POR ELE...

 IHU, 26 de novembro de 2020

Agricultura urbana e periurbana em São Paulo pode alimentar 20 milhões de pessoas

 

Estudo do Escolhas mostra que agricultura urbana é opção para prover alimentos saudáveis para toda a população da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP).

A reportagem é publicada por EcoDebate, 25-11-2020.

A Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) possui quase 22 milhões de habitantes, cerca de 10% do total da população brasileira. Para alimentar essa quantidade enorme de pessoas, todos os dias chegam à metrópole toneladas de insumos, de diferentes partes do país. Porém, novo estudo do Instituto Escolhas mostra que, com algumas medidas, é possível abastecer toda essa população com legumes e verduras produzidos localmente -o que diminui as perdas com o transporte e deixa a metrópole de São Paulo menos sujeita a problemas de oferta, como aconteceu durante a greve dos caminhoneiros de 2018 ou cogitou-se no início da pandemia de Covid-19.

Lançado nesta terça-feira (24/11), o estudo “Mais perto do que se imagina: os desafios da produção de alimentos na metrópole de São Paulo” traz dados de consumo, distribuição e comercialização de alimentos na RMSP hoje e, por meio de análises de caso, identifica entraves e traz recomendações do que pode ser feito para avançarmos nesse potencial de produção e abastecimento por meio da produção local. O estudo do Instituto Escolhas é realizado em parceria com o Urbem e tem o apoio da Porticus.

Entenda o estudo

Atualmente, a agricultura urbana e periurbana (dentro e nos arredores da cidade) já ocupa um lugar de relevância na região metropolitana de São Paulo. São mais de 5 mil estabelecimentos agropecuários ou 15,5% da área total da RMSP, sendo que os 39 municípios dessa região produzem 52% dos cogumelos e espinafre e cerca de 10% do repolho e alface de todo o país. O município com a maior participação é o de Mogi das Cruzes, com 35% do valor bruto da produção da região.

Em toda RMSP, mais de 1 milhão de pessoas, ou 13% da população local, estão diretamente ocupadas com alimentação, seja na produção, indústria e, principalmente, no comércio e serviços alimentares. O estudo partiu da análise desses dados secundários, que caracterizam o sistema alimentar da RMSP, para então analisar o potencial que essa produção local de alimentos tem para tornar esse sistema mais resiliente e sustentável.

Foram identificados diferentes tipos de agricultura existentes na metrópole, desde agriculturas comerciais (que têm maior capacidade de investimento e operam em pequena, média e grande escala), agriculturas multifuncionais (que, além da comercialização, também estão voltadas para o sustento da família), até mesmo iniciativas não voltadas à comercialização, como hortas institucionais, comunitárias e quintais produtivos. Em seguida, foi realizada uma avaliação da viabilidade econômico-financeira de alguns desses casos e uma simulação do seu potencial de abastecimento da metrópole.

Resultados

Os estudos de caso evidenciaram que o agricultor comercial de médio e grande porte na RMSP tem enfrentado altos custos de produção e baixos preços nos circuitos de comercialização convencional, com mais de um atravessador. Já o agricultor familiar que opta pela produção orgânica precisa garantir preços mais altos na comercialização, geralmente obtido por meio de circuitos curtos (venda direta ou com até um atravessador) e do acesso garantido à terra para se viabilizar economicamente.

Nas simulações realizadas pelo estudo, 200 hectares de áreas cultivadas por propriedades modelo em áreas urbanas da metrópole teriam o potencial de prover verduras e legumes para cerca de 80 mil pessoas e ocupar 1 mil trabalhadores. Essa extensão equivale à área de terrenos vagos no distrito de Sapopemba, no município de São Paulo, e o número de famílias que poderiam consumir os alimentos, 24 mil, corresponde a 1,5x o número de famílias beneficiárias do Bolsa Família naquele distrito. De forma mais expressiva, 60 mil hectares cultivados em propriedades modelo na área periurbana da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) teriam o potencial de abastecer com verduras e legumes 20 milhões de pessoas por ano e criar 180 mil novos postos de trabalho na metrópole. As duas simulações foram realizadas considerando a produção orgânica de alimentos.

“As simulações do estudo destacam o potencial da produção local de alimentos de abastecer a metrópole com alimentos saudáveis, como verduras e legumes, e de gerar emprego e renda para os seus moradores. Os números reforçam a importância dos gestores públicos passarem a considerar a agricultura no planejamento e políticas urbanas”, comenta Jaqueline Ferreira, Gerente do Instituto Escolhas e Coordenadora do estudo.

Link para o estudo: “Mais perto do que se imagina: os desafios da produção de alimentos na metrópole de São Paulo”, aqui.

Link para o relatório, aqui.

Link para a apresentação, aqui.

http://www.ihu.unisinos.br/605004-agricultura-urbana-e-periurbana-em-sao-paulo-pode-alimentar-20-milhoes-de-pessoas 

 

terça-feira, 24 de novembro de 2020

É O CAPITAL, E NÃO O SER HUMANO, QUE LEVA AO AQUECIMENTO DO PLANETA E A PANDEMIAS

 

 BOA SUGESTÃO DE CONCEITO - O CAPITALOCENO, EM LUGAR DO ANTROPOCENO. VEJAM AS RAZÕES NO ARTIGO QUE SEGUE.

 IHU, 24  de novembro de 2020

O Capitaloceno e as pandemias

“As crises sanitária, climática e ecológica estão intimamente relacionadas e se explicam em boa medida por um sistema capitalista que gira em torno do crescimento econômico constante, em um planeta com recursos finitos, encontrando os limites de suas próprias dinâmicas”, escreve Antón Fernández Piñero, biólogo, em artigo publicado por El Salto, 21-11-2020. A tradução é do Cepat.

Eis o artigo.

A Peste Negra foi uma pandemia que marcou tanto física como espiritualmente o mundo ocidental, na Idade Média. Esta doença estava localizada nos vales do Afeganistão até que a rota da seda e as invasões mongóis favoreceram sua expansão por todo o mundo. As consequências são bem conhecidas. É que a história não só é escrita pelas quedas de impérios, conquistas de novos continentes e invenções tecnológicas, mas também por pandemias globais que atuam revolucionando a mentalidade das sociedades.

De modo análogo à Peste Negra, mas com sete séculos de distância, a pandemia provocada pelo SARS-CoV-2 está mudando o mundo, embora existam diferenças. O patógeno, por exemplo, não é uma bactéria, mas um vírus e enquanto a peste matou de um terço a metade da população europeia, no século XIV, a atual pandemia é muito menos mortífera, fundamentalmente pelas próprias características biológicas do vírus e pelo desenvolvimento da ciência e da medicina moderna.

No entanto, as duas doenças compartilham o fato de surgir e se expandir como resultado do aumento das interações humanas no globo. As razões estão em um conjunto de fatores derivados de uma economia que comercializa bens e serviços, sem se importar com os custos sociais e ecológicos, desde que seja lucrativo economicamente, mesmo que a longo prazo isto seja paradoxalmente negativo para os mercados.

O Capitaloceno e a urgência da estratégia preventiva

Neste mesmo ano, a IPBES (Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos) elaborou um relatório exaustivo com o trabalho de mais de 150 especialistas e outros 350 colaboradores alertando que futuras pandemias emergirão com maior frequência, proliferarão mais rápido, afetarão mais a economia e serão mais letais que a covid-19, a não ser que haja uma mudança transformadora de enfoque na luta contra as doenças infecciosas, passando da reação à prevenção.

Desde a mal denominada “gripe espanhola” de 1918, seis pandemias se espalharam pelo mundo: três do vírus da gripe, o SIDA, o SARS e o Covid-19. Sua frequência está aumentando. Estimam-se de 631.000 a 827.000 os vírus desconhecidos com capacidade de infectar os humanos. Ao mesmo tempo, os custos econômicos atuais são 100 vezes superiores aos estimados para a estratégia preventiva.

O relatório afirma que somente por meio de uma “mudança transformadora dos fatores econômicos, sociais, políticos e tecnológicos” é possível alcançar os objetivos e as metas de Aichi, fixadas para proteger a biodiversidade e os bens e serviços de importância capital que a natureza nos oferece. Uma das características citadas desta mudança, que se requer urgente, é “a evolução dos sistemas econômicos e financeiros para desenvolver uma economia sustentável em nível mundial, que se distancie das limitações do atual paradigma do crescimento econômico”. Uma mudança de paradigma que está na mesma base da filosofia do modo de produção capitalista.

O Capitaloceno é um conceito proposto para a era geológica atual que surge como resposta ao de Antropoceno, que aponta a atividade humana sem exceção e o crescimento demográfico como responsáveis pela alteração dos ciclos geoquímicos globais. Não obstante, por ser etnocêntrico e injusto, este enfoque foi reformulado por alguns autores que defendem que a responsabilidade na alteração dos ciclos geoquímicos é das atividades humanas sob o sistema de relações socioeconômicas dominante.

A conquista da América permitiu e favoreceu o comércio mundial, robustecendo a burguesia e sua influência econômica e política. As revoluções industriais que se sucederam, a partir de fins do século XVIII, basearam-se no aumento exponencial da demanda por energia fóssil, nas invenções tecnológicas e em uma atitude receptiva em relação à evolução da técnica. O desenvolvimento da civilização moderna acelerou o crescimento da economia global e os impactos do ser humano no meio ambiente, sobretudo a partir da segunda metade do século XX, permitindo um auge demográfico sem precedentes.

Apesar da inegável importância do aumento da população total sobre os recursos limitados do planeta Terra, este não é o fator mais importante, mas a voracidade energética de uns poucos. A proporção do PIB por habitante quase multiplica por dois, nos últimos dois séculos, a proporção de crescimento da população, o que significa que a crise ambiental é consequência do aumento da produção e do consumo por habitante, em vez do aumento populacional.

Um relatório da OXFAM conclui que a mudança climática está indissoluvelmente ligada à desigualdade econômica, porque está baseada nas emissões dos ricos, que afetam e afetarão em maior medida os pobres. Por exemplo, os 10% mais ricos da população mundial emitem 49% das emissões totais de Gases do Efeito Estufa, ao passo que os 50% da população mundial mais pobres emitem apenas 10% do total.

A importância de se ter ecossistemas sadios

A causa-efeito entre a destruição dos ecossistemas e a propagação de novas doenças é evidente. É o que afirmam as principais organizações internacionais dedicadas a seu estudo. A FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) publicou recentemente um relatório que avalia o estado das matas em nível global, a cada dez anos. Destaca que a extensão total das matas está diminuindo a um ritmo de 10 milhões de hectares por ano e que, desde 1990, desapareceram 420 milhões de hectares. Atualmente, ocupam 4,06 bilhões de hectares, ou seja, 31% da superfície terrestre.

Embora o ritmo de desmatamento esteja diminuindo desde 1990, são principalmente as matas nativas dos trópicos, que acumulam a maior parte da biodiversidade terrestre, que estão sendo dizimadas.

A agricultura industrial é o fator mais importante de tal desmatamento devido principalmente aos cultivos de alimentos para o gado, sintoma da necessidade de se mudar os sistemas alimentares atuais. A agricultura local de subsistência, a urbanização, a construção de infraestruturas e a mineração são as outras causas mais importantes do desmatamento.

Neste contexto, a conservação dos ecossistemas, e mais concretamente das matas nativas, se apresenta vital porque oferecem bens e serviços de um valor incalculável. Alguns de uso direto, como alimentos, fármacos e energia, e outros de uso indireto, talvez mais intangíveis, mas importantíssimos em nível global, como a purificação da água, o controle da erosão e o controle das pragas e doenças.

A biodiversidade atua controlando diversas pragas e doenças por meio de um efeito de diluição e de corta-fogo. Quando muitas espécies convivem em um ecossistema, a probabilidade de que um patógeno infecte uma espécie em concreto é menor. Além disso, o patógeno pode ver bloqueado seu desenvolvimento ao se hospedar em certas espécies onde não é capaz de se reproduzir.

As redes tróficas também equilibram a expansão exagerada de certas espécies. Ou seja, quando há muitos indivíduos de uma espécie, outras equilibram a balança, depredando-a ou parasitando-a. Isto é especialmente importante quando uma determinada espécie possui uma alta carga viral (quantidade de partícula viral que pode estar presente no sangue de uma espécie) que varia de uma espécie para outra.

Outro fator muito importante é que muitas vezes as espécies que atuam como reservatórios de vírus são generalistas, podendo se desenvolver e sobreviver em diversas condições ambientais. Desta maneira, os patógenos são regulados por um complexo equilíbrio de interações entre diferentes espécies.

No entanto, a transmissão de uma doença animal a um humano (zoonose) é favorecida quando um ecossistema é afetado por algum tipo de perturbação, como o corte de uma mata ou um incêndio, porque este equilíbrio se vê alterado. A consequência direta é o surgimento de doenças emergentes e reemergentes, em sua maioria de origem animal e potencialmente zoonóticas.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) calcula que 75% das novas doenças humanas são de origem animal. Exemplos disto são a covid-19, a febre do Nilo Ocidental, a SARS de 2002 e uma longa lista de outras doenças.

A globalização provocou um enorme aumento na velocidade e no volume do tráfego de mercadorias e de viajantes, mas também de patógenos e de seus hóspedes animais. O contrabando de animais é um negócio que movimentou, em 2019, 107 bilhões de euros e 24% das espécies de vertebrados, representando uma das principais causas da perda de biodiversidade em nível global, já que este mercado se retroalimenta com o desmatamento. A tendência global de urbanização, assim como sua expansão em detrimento das matas, aumenta não só a probabilidade de contagiar e ser contagiado, como também a exposição aos animais selvagens. A receita perfeita para uma pandemia global.

Longe de teorias conspiratórias sobre a criação artificial de uma arma biológica em forma de vírus, que não se sustentam, no sudeste asiático, todos estes fatores seguem atuando conjuntamente, há muito tempo, e posicionam um mercado de animais vivos como o cenário mais provável onde ocorreu a primeira infecção por SARS-CoV-2. Por que estas teorias não se sustentam? Dito de um modo popular, porque a natureza é mais velha que a ciência, o que significa que também é mais inteligente.

Segundo um estudo científico que discute as diferentes hipóteses sobre a origem do vírus, “é improvável que o SARS-CoV-2 tenha nascido de uma manipulação, em um laboratório, de um coronavírus causador da Síndrome Respiratória Aguda Grave”, porque a proteína do vírus que se une a um receptor celular humano está otimizada de tal modo que nem sequer pode ser prevista pelas simulações informáticas que recriam todas as possíveis modificações genéticas que poderiam ser realizadas para fabricá-la.

Sendo assim, as hipóteses mais plausíveis se baseiam na seleção natural do vírus. De um ou de vários hóspedes animais prévios à zoonose ou da seleção natural do vírus em humanos. Existe evidência de que seus hospedeiros primários são morcegos, já que estes constituem um reservatório natural de uma grande variedade de coronavírus. Ao sequenciar o genoma do morcego Rhinolophus affinis, descobriu-se um coronavírus que é 96,2% semelhante geneticamente ao SARS-CoV-2 (causador da Covid-19) e 80% semelhante ao SARS-CoV que provocou a epidemia de 2002 na China.

No Mercado de Huanan, em Wuhan (China), eram vendidos animais selvagens vivos (entre eles os morcegos) e em alguns casos exóticos, razão pela qual é muito provável que pudessem afetar outros animais no processo para acabar saltando aos humanos.

Outro fato que apoia esta hipótese é que o estresse sofrido por estes animais aumenta a probabilidade de adoecer e transmitir a doença, ao se fragilizar seu sistema imune. Até agora não é possível reconstruir 100% a história, mas entre os hóspedes intermediários estimados como possibilidades estão as serpentes e os pangolins.

Em definitivo, as crises sanitária, climática e ecológica estão intimamente relacionadas e se explicam em boa medida por um sistema capitalista que gira em torno do crescimento econômico constante, em um planeta com recursos finitos, encontrando os limites de suas próprias dinâmicas.

Parece existir um paralelismo com a pandemia da Peste Negra, mas, neste caso, a mudança de mentalidade deve resultar em um maior respeito à natureza. A Terra está enviando sinais para mudar nossa maneira de nos relacionarmos com ela.

 

http://www.ihu.unisinos.br/604930-o-capitaloceno-e-as-pandemias 

 

domingo, 22 de novembro de 2020

CARTA DE MOCOA - 9º FÓRUM SOCIAL PAN-AMAZÔNICO

 CARTA DE MOCOA

9º FÓRUM SOCIAL PAN-AMAZÔNICO

12 a 15 de novembro de 2020

Compartilhamos a carta de Mocoa, um documento que reúne as reflexões e apostas pela defesa e cuidado da Amazônia que temos tecido, mapeado e construído coletivamente com comunidades, povos, processos sociais e organizações dos 9 países da Bacia Amazônica, nesta caminhada coletiva desde Tarapoto no ano 2017 até nosso recente IX Encontro Virtual Internacional.

A Carta de Mocoa reúne os sentimentos expressos nos 14 pré-fóruns nacionais e locais realizados na Bacia como prelúdio ao IX Fospa, assim como o trabalho realizado com amor e compromisso durante os dias 12, 13, 14 e 15 de novembro deste ano, em 23 grupos de trabalho e 7 sessões plenárias onde centenas de pessoas da Amazônia e de outros lugares do mundo convergiram e participaram ativamente.

BAIXE AQUI A CARTA MOCOA EM PORTUGUÊS

http://www.forosocialpanamazonico.com/wp-content/uploads/2020/11/CARTA%CC%83O-MOCOA.pdf

 

 

quarta-feira, 18 de novembro de 2020

VEJA A HISTÓRIA PROFÉTICA DE GRETA THUMBERG

COMO NO ARTIGO APARECE MUITO FORTE A LINGUAGEM BÍBLICA, VALE A PERGUNTA: QUANTOS CRISTÃOS E CRISTÃS ACOLHERAM SUA PROFECIA DE AMOR À MÃE TERRA, À VIDA?

MINHA PRECE: QUE DEUS MOVA OS CORAÇÕES DAS PESSOAS E IGREJAS QUE USAM SEU NOME E DIZEM QUE O AMAM !

IHU, 18 de novembro de 2020

 “Eu sou Greta” é o grito de guerra dos ativistas pela justiça climática

 As frias águas do Atlântico batem contra o barco à vela durante seu caminho do Reino Unido para a Cidade de Nova Iorque. Isso não é simples, nem uma jornada fácil, mas isso ocorre devido ao que afeta a vida de todos no planeta. Uma jovem, de então 16 anos de idade, Greta Thunberg, senta-se entre as anteparas do barco enquanto a água bate nas vigias. Ela chora. “Isso é tanta responsabilidade. Eu não quero ter que fazer tudo assim. Isso é muito para mim”, ela diz. Mas ela fez isso. Até a crise climática não existir mais, ela continuará lutando.

O documentário da plataforma Hulu, “I am Greta” (2020) é vital porque o compromisso a todo vapor de Greta Thunberg em defender o clima e a justiça ambiental é vital. Greta é quem ela é e faz o que ela faz porque ela sabe disso. “Eu não devo ser o foco, porque o que há de tão bom neste movimento, é que todos estão contribuindo igualmente”, explica ela. “Juntos podemos fazer a diferença”.

A reportagem é publicada por America, 16-11-2020. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

I am Greta”, então, é sobre Greta ao mesmo tempo que não é. As filmagens a seguem desde sua postagem inicial aos pés do Riksdag sueco, o parlamento nacional da Suécia, onde seu famoso cartaz “Skolstrejk för Klimatet” (“Greve escolar pelo clima”) declara uma campanha contra as emissões de carbono e a destruição ecológica, até várias aparições perante as Nações Unidas, vários encontros com parlamentos europeus e um aperto de mão com o papa Francisco. A equipe de filmagem participa de momentos íntimos; especialmente cativantes são as muitas risadas e intensas trocas diretas que ela compartilha com seu pai, Svante, que embala latas de feijão e banana, sabe quando ela está se sentindo mal, coloca o lençol em seu beliche do trem e fica ao seu lado – cruzando fronteiras e oceanos em uma manifestação viva de acompanhamento.

Como os profetas do Antigo Testamento que se enfurecem contra os poderes opressores e a injustiça apenas para encontrar um silêncio relativo, Greta perguntou: “Como vocês ousam?”, na Cúpula das Nações Unidas para a Ação Climática de 2019. “Como vocês ousam continuar desviando o olhar?”. Para uma jovem que observa em desespero e indignação como as potências mundiais e estilos de vida continuam a causar consequências desastrosas no presente e no futuro de nosso planeta, suas palavras e sua determinação na Cúpula para a Ação Climática da ONU são vivificantes. Seu trabalho por justiça climática ecoa uma certa essência de Jesus que cuidou da vida da terra; o Jesus que curou e alimentou a muitos; o Jesus que reverenciou as Escrituras que revelam que Deus ama sua criação “porque é muito boa”; e o Jesus que protestou contra a ganância e o poder que prejudicam a vida:

As pessoas estão sofrendo. Pessoas estão morrendo. Ecossistemas inteiros estão entrando em colapso. Estamos no início de uma extinção em massa e tudo o que você pode falar é sobre dinheiro e contos de fadas de crescimento econômico eterno. Como você ousa!

O Papa quer conhecê-la”, contam à Greta no filme. “Todo o mundo católico apoia Greta”. Ela responde a essa afirmação com uma expressão muito cética – o mundo católico inteiro apoia Greta? As autoridades do Vaticano a chamaram de “grande testemunha” do ensino da Igreja sobre o meio ambiente e o cuidado com os outros. Mas existe outro sentimento: “O que isso faz para ajudar na salvação das almas?”, alguém perguntou em um tuíte recente quando a diocese de Richmond investiu em energia solar.

Quando ela era criança, Greta Thunberg aprendeu sobre a crise climática, e a ansiedade e depressão que se seguiram foram quase catastróficas. Ela parou de comer. Ela parou de falar. Ela quase morreu de fome, como explica no documentário. A destruição que os humanos estavam causando à terra e ao futuro a devastou. E então, como uma adolescente, ela começou a trabalhar. O que a ativista Greta Thunberg tem a ver com amor? O que cuidar de nosso lar comum tem a ver com a salvação?

É o mesmo Deus “que fez o céu e a terra, o mar e tudo o que neles há; quem mantém a fé para sempre; quem faz justiça pelos oprimidos; que dá alimento aos famintos” (Sl 146, 6-7). É o mesmo Deus. O Deus que dá a vida, o Deus que a sustenta. O Deus que se preocupa com o que acontece aqui.

Eu Sou Greta” é um choro forte, um choro bom, um choro de coração partido, um grito de guerra. O que acontece aqui, nesta terra, importa, e Greta abriu a vida e os braços para receber os tantos que lutarão ao seu lado. Venha sentir o balançar do barco, o quão necessárias são as ondas.

Acesse o filme com este link:

 https://youtu.be/xDdEWkA15Rg

 

http://www.ihu.unisinos.br/604758-eu-sou-greta-e-o-grito-de-guerra-dos-ativistas-pela-justica-climatica