terça-feira, 11 de outubro de 2016

COMO ENFRENTAR A AVALANCHE CONSERVADORA?

ESSE É UM TEMA DESAFIADOR, E DEVERÁ SER ENFRENTADO. HAVERÁ CERTAMENTE MUITAS TENTATIVAS, COM ACERTOS E ERROS, E ISSO ENRIQUECERÁ A BUSCA. MAS QUANTO ANTES ENCONTRARMOS BONS CAMINHOS, MAIS RAPIDAMENTE ALCANÇAREMOS AS MUDANÇAS NECESSÁRIAS PARA SALVAR PESSOAS E A TERRA.

Wallerstein: como deter a virada à direita

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Crise do capitalismo produz pobreza e dissidências ultra-conservadoras. Para vencê-las, central não é o poder de Estado, mas multiplicar nova organização a partir da base
Por Immanuel Wallerstein | Tradução: Antonio Martins | Imagem:Eric Drooker
Como deter a virada à direita? Esta é a questão que as pessoas que se consideram à esquerda têm se colocado há algum tempo. Ela está sendo lançada, de diferentes maneiras, na América Latina, em boa parte da Europa, nos países árabes e islâmicos, no sul da Áfria e no sudeste da Ásia. A questão é ainha mais dramática porque, em mutos destes países, a virada segue um período em que houve uma certa guinada à esquerda.
O problema para a esquerda são as prioridades. Vivemos num mundo em que o poder geopolítico dos Estados Unidos está em constante declínio. E vivemos num tempo em que a economia-mundo está reduzindo severamente os recursos dos Estados e das pessoas, a ponto de o padrão de vida da maior parte da população do planeta estar em declínio. Estes são os constrangimentos para qualquer atividade da esquerda, e é possível fazer pouco para superá-los.
Surgem, de modo crescente, movimentos que denunciam a política tradicional e os partidos de centro. Eles pedem políticas de transformação radicalmente novas. Mas há dois tipos de movimentos assim, que poderíamos chamar de uma versão de direita e uma de esquerda. A versão de direita pode ser encontrada na campanha de Donald Trump à Casa Branca, na cruzada anti-drogas do presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, no Partido da Lei e da Justiça, na Polônia, e em muitos outros. Para a esquerda, a prioridade número um é evitar que estes movimentos controlem o poder de Estado. Eles são basicamente xenofóbicos e exclusionistas. Usarão este controle do Estado para esmagar os movimentos de esquerda.
Ao mesmo tempo multiplicam-se, à esquerda, movimentos que se organizam com base em políticas radicalmente novas. Isso inclui a tentativa de Bernie Sanders para concorrer à presidência dos EUA pelo Partido Democrata; o esforço de Jeremy Corbin para que o Partido Trabalhista britânico reassuma seu apoio histórico a posições socialistas; o Syriza, na Grécia; o Podemos, na Espanha e muitos outros. Obviamente, quando tais movimentos parecem próximos a alcançar o poder de Estado, a direita (tanto a tradicional quanto a que se diz radicalmente anti-establishment) une-se para derrotá-los ou para forçá-los a modificar sua posição de modo abrupto. Foi o que aconteceu com o Syriza.
Portanto, este esforço tem limites implícitos. Os novos movimentos de esqueda acabam forçados a se comportar como outra versão de um partido social-democrata de centro-esquerda. Isso cumpre um papel. Limita, no curto prazo, os ataques aos mais pobres, reduzindo danos. Mas não ajuda na transformação social.
O objetivo de médio prazo, de estabelecer um novo sistema-mundo que seja mais democrático e igualitário, requer ação política de outro tipo. Requer organizar-se em toda parte, na base da sociedade, e construir alianças a partir de lá – mais do que a partir do poder de Estado. Este foi o segredo do fortalecimento recente dos movimentos anti-establishment de direita.
Para que prevaleça, na luta que ocupará os próximos vinte ou quarenta anos e que definirá o sistema sucessor do capitalismo existente – agora em declínio definitivo – a esquerda precisará combinar uma série de politicas. Alianças de curto prazo, para minimizar o mal que os orçamentos restritos fazem aos mais pobres. Oposição duríssima ao controle do poder de Estado pelos movimentos anti-establishment de direita. Constante organização política pela base. Isso é muito difícil e exige constante clareza de análise, opções morais sólidas sobre o tipo de outro mundo possível que queremos e sabedoria tática.
http://outraspalavras.net/capa/wallerstein-como-deter-a-virada-a-direita/ 

sábado, 8 de outubro de 2016

ABONG ALERTA: OS RISCOS DA DESESPERANÇA!

EDITORIAL | Os riscos da desesperança!

Depois de três décadas da abertura democrática, o Brasil mergulha num sentimento coletivo de desesperança. As eleições municipais deste primeiro domingo de outubro tiveram um número recorde de abstenções, votos nulos e brancos. Em muitas cidades, estes números ultrapassaram a votação dos/as eleitos/as ou mesmo dos/as mais votados/as. O bombardeio midiático contra a política provocou uma onda nacional de desesperança e ceticismo com a democracia.

O ciclo de abertura lenta e democrática iniciado em 1985, com o advento da chamada Nova República, e que culminou com a conquista das eleições diretas em 1989, está sendo questionado cotidianamente pela mídia corporativa. A ponto de ser tratado como natural que, nesta campanha eleitoral, fossem feitos discursos com ataques explícitos contra os direitos e a representação das mulheres, contra os direitos e a representação dos/as negros/as, propagando, via processo que deveria fortalecer a democracia, um discurso de ódio e intolerância.

As conquistas democráticas duramente alcançadas de liberdades e direitos sociais, de busca pela igualdade, de combate às desigualdades sociais, territoriais e econômicas, o incentivo às políticas de inclusão e de reparação com aqueles setores sociais historicamente excluídos, todas estas conquistas estão em risco. A desesperança com a política, somada à incapacidade dos setores democráticos em realizar um diálogo com a base da sociedade sobre os reais interesses que estão motivando os retrocessos, está possibilitando o fortalecimento de pensamentos excludentes, pouco democráticos, motivados pelo ódio de classe e intolerância com as diferenças.

As forças democráticas não se deram conta do sequestro da democracia realizado pelas grandes corporações econômicas nacionais e internacionais. Pior que isso, setores dos partidos de esquerda entraram no jogo do uso privado de recursos públicos. A política tornou-se um palco da organização e realização dos interesses dos grandes conglomerados econômicos que passaram a financiar e eleger políticos/as que, nos espaços do poder público, representam seus interesses econômicos imediatos. A política, que historicamente já sofria a pressão do poder econômico, foi literalmente sequestrada e colocada a seu serviço.

Neste sentido, a cruzada contra a corrupção deve ser comemorada e incentivada. Prática secular no Brasil e em outros países do mundo, a corrupção é uma chaga que precisa ser combatida, denunciada e enfrentada todos os dias. Para isso, as instituições democráticas devem funcionar com liberdade e autonomia, sem controle político nem ideológico de quem quer que seja. Por isso, o papel que as empresas da grande mídia exercem sobre os poderes públicos, em especial, o pode judiciário, é um grande risco à democracia. A luta contra a corrupção, um mal histórico e perverso que sangra recursos públicos que deveriam ir para construir o bem estar dos/as brasileiros/as, tem sido usada, seletivamente, contra uma parte do segmento político, contraditoriamente, fortalecendo outra parte que tem práticas pouco republicanas no uso do recurso público. Devemos nos lembrar sempre que quando se fala de corrupção, os dados mostram que o dinheiro desviado significa 20% do montante total. A maioria, ou seja, 80% é evasão fiscal e desvio ilícito do que deveria se pago como imposto, feito pelo setor privado, indústria, agronegócio, setor rentista. A moral, quando seletiva, é imoral. Compactuar com um tratamento não isonômico no combate a um mal tão perverso como a corrupção é comprometer o próprio sentido da democracia. Esta crítica não significa, em hipótese alguma, uma compactuação com os desvios de conduta do próprio campo popular.

Apesar do grande número de abstenções, o resultado eleitoral acabou por legitimar o golpe implementado no País. Isto significa que a luta pela defesa dos direitos deverá se acentuar.  Nada de estranho para nós. A Abong é formada por uma geração de organizações da sociedade civil que nasceu para a democracia. Somos protagonistas de uma longa e lenta luta pela afirmação e conquista de direitos. Esta luta teve e tem como principal motivação a crença na humanidade, na possibilidade de os seres humanos construírem um mundo justo e igualitário para que todas e todos possamos viver dignamente. Nas últimas décadas, o Brasil acumulou neste sentido, construindo uma base ética de convivência democrática onde os conflitos de interesses devam ser resolvidos na arena da participação cidadã.

Qualquer retrocesso nos processos democráticos é uma derrota deste espírito humanista. A desesperança pode ser um perigoso combustível para soluções conservadoras e até mesmo antidemocráticas. O que nos move são as injustiças cotidianas que vemos à nossa volta e outras que, embora não vejamos, sabemos de sua existência e nos indignamos da mesma forma. Por isso, nossa missão continuará sendo a mesma. A luta contra qualquer forma de exploração, discriminação, contra as várias formas de violências praticadas contra a vida. Nos move também a alegria das juventudes, a energia vibrante do povo brasileiro que não desiste nunca de lutar por um país melhor.

Sabemos dos poderosos interesses que estão por detrás do retrocesso democrático. A desesperança é a arma dos/as conservadores/as. Nossa tarefa, urgente, é de reacender a esperança. Queremos mais. Uma sociedade real e radicalmente democrática, uma economia solidária que valorize e fortaleça os arranjos locais, a agroecologia e o bem estar das pessoas. O capitalismo, tal como está sendo praticado, não tem nenhuma capacidade de resolver os principais dilemas da humanidade. Nossa missão é resistir e, na resistência, continuar lutando para construção de uma sociedade fraterna, justa e democrática. Os erros de uns não irão enterrar o sonho de milhões. Nenhum direito a menos. Democracia sem fim. Juntas Somos Mais.

http://abong.org.br/informes.php?id=10013&it=10018


sexta-feira, 7 de outubro de 2016

MUDANÇAS CLIMÁTICAS: AS TERRAS INDÍGENAS DEVEM SER DEMARCADAS

Terra indígena facilita meta climática
07/10/2016

Demarcação de territórios tradicionais não está listada como política para cumprir a NDC, mas evitaria emissão de 31 milhões de toneladas de gás carbônico por ano, afirma estudo

CAMILA FARIA
DO OC
http://www.observatoriodoclima.eco.br/terra-indigena-facilita-meta-climatica/
Um estudo do WRI (World Resources Institute) publicado nesta quinta-feira (6) concluiu que, de 2000 a 2012, as taxas anuais de desmatamento em áreas florestais indígenas de posse definida no Brasil foram 2,5 vezes menores do que fora desses territórios, o que pode representar uma medida eficiente e mais barata de redução de emissões.
O estudo é mais um a ratificar a importância da demarcação e homologação de terras indígenas para a proteção da floresta e do clima. Segundo o WRI, o cumprimento das metas do Brasil no Acordo de Paris (a chamada NDC) pode ser facilitado ao assegurar aos índios a posse de seus territórios tradicionais – embora a demarcação não seja uma política formalmente listada pelo governo como auxiliar no cumprimento da meta.
A pesquisa foi realizada com informações três países da Bacia Amazônica: Brasil, Bolívia e Colômbia. De acordo com os dados do WRI, é possível estimar um benefício econômico de US$ 523 bilhões a US$ 1,1 trilhão para o Brasil num período de 20 anos, com custos que chegam ao máximo de 1% dos benefícios totais.
Esses valores são calculados com base nos custos estimados de investimento em segurança de posse no país (US$ 68/ha), mitigação de carbono através de programas de posse assegurada nas áreas (US$ 8,74 a US$ 11,88 por tonelada de CO2) e a média de custos de corte de emissões por meio da captura e armazenamento de carbono fóssil, estimados entre US$ 58/tCO2 para usinas elétricas a carvão e US$ 85/tCO2 para usinas de energia a gás. Especificamente no que diz respeito à captura e armazenamento de carbono, os custos de proteção de posse são de 5 a 29 vezes menores que os custos estimados de usinas de energia a carvão, e de 7 a 42 vezes menores que as usinas de energia a gás.
Áreas indígenas florestais homologadas evitam anualmente a emissão de 42,8 a 59,7 milhões de toneladas de CO2 no Brasil, na Colômbia e na Bolívia, afirma o WRI. Especificamente no Brasil, existe potencial para evitar a liberação 31,76 milhões de toneladas de CO2 por ano, o que equivale a  6.708.778 veículos de passageiros retirados das ruas durante o período.
“Nossa pesquisa aponta que, ao assegurar a posse das terras na Colômbia, o país evita a emissão de 3 milhões a 4.6 milhões de toneladas de CO2 por ano, o que representa quase 70% do compromisso total feito com o Acordo de Paris”, afirmou Peter Veit, diretor de Iniciativas de Direitos de Terra e Recursos do WRI e um dos coautores do estudo. “Mais nações deveriam tornar a garantia dessa posse de terras como estratégia central para o combate a mudanças climáticas”, defende.
CONFIRMAÇÃO
O trabalho do WRI vai na mesma linha, embora use métricas de valoração diferentes, de estudos do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) sobre o assunto. Em 2015, o Ipam publicou um trabalho em parceria com a GIZ (Sociedade Alemã para a Cooperação Internacional) mostranso que os territórios indígenas na Amazônia brasileira representam uma reserva de cerca de 13 bilhões de toneladas de carbono (46,8 bilhões de toneladas de CO2) – 30% do que existe estocado na floresta.
O relatório estimou que as comunidades indígenas na Amazônia terão sido responsáveis ​​por evitar a emissão de 431 milhões de toneladas de CO2desde 2006 até 2020, graças à proteção dos estoques de carbono em suas terras. Se fosse aplicado o mesmo valor monetário por tonelada de CO2destinado ao Fundo Amazônia por compensação por redução do desmatamento, a contrapartida pela preservação nessas terras seria equivalente a quase R$ 7,5 bilhões, ou cerca de R$ 500 milhões por ano. Isso equivale a quase metade do orçamento do Ministério do Meio Ambiente em 2015, excluindo salários e pagamento de aposentados, segundo dados do portal Siga Brasil.
Veit também aponta que, caso os povos indígenas não tivessem a garantia de posse sobre suas áreas florestais, as emissões de CO2 para cada país teriam sido muito maiores, cerca de 9% maiores por ano na Bolívia e 3% no Brasil e na Colômbia: “Para o Brasil, essa diferença em emissões é equivalente ao total de emissões de CO2 da Irlanda no ano de 2012”, compara.
No Brasil, há iniciativas no Congresso para enfraquecer ou suspender as demarcações. A principal delas é a PEC-215, no momento adormecida na Câmara, que retira do Executivo a prerrogativa de demarcar terras indígenas e transfere-a ao Parlamento. Com o peso da bancada ruralista, a aprovação da emenda significaria na prática um congelamento das demarcações no país. Um estudo do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) publicado no ano passado estima que a PEC, sozinha, poderia causar emissões adicionais por desmatamento em terras indígenas de 100 milhões de toneladas de CO2.

CONTRA A PEC 141: A OPÇÃO É A JUSTIÇA FISCAL

 ESTE É MAIS DO QUE UM ARTIGO. É UM ESTUDO CRÍTICO DA FALSIDADE DOS ARGUMENTOS DE TEMER E SEUS MINISTROS PARA EMPURRAR O PAÍS AO DESCALABRO SOCIOAMBIENTAL DO FALSO "ESTADO MÍNIMO".

NÃO HÁ EXCESSOS DE GASTOS PÚBLICOS. O QUE HÁ É QUEDA DE ARRECADAÇÃO. E A PRINCIPAL CAUSA ESTÁ NA FALTA DE JUSTIÇA FISCAL. OS LEITORES VERÃO QUAIS OS PRIVILÉGIOS E AS SAFADEZAS, ACOBERTADOS PELOS GOVERNANTES, PELO LEGISLATIVO E PELO JUDICIÁRIO, QUE PERMITEM QUE OS RICOS - POUCOS, PROPORCIONALMENTE - AUMENTEM SUAS DÍVIDAS COM O ESTADO E NÃO PAGUEM, APLIQUEM RECURSOS EM PARAÍSOS FISCAIS PARA NÃO PAGARA IMPOSTOS, CORROMPAM FUNCIONÁRIOS PARA LUCRAR MAIS COM CONTRATOS SUPERVANTAJOSOS ETC. ETC. ETC.

POR ISSO, SEM MUDAR A POLÍTICA TRIBUTÁRIA, FAZENDO QUE SEJA INSTRUMENTO DE JUSTIÇA FISCAL, O BRASIL AFUNDARÁ NUM POÇO SEM FUNDO, AUMENTANDO A POBREZA, A INSEGURANÇA E O SOFRIMENTO DA MAIORIA DA POPULAÇÃO, ENQUANTO UMA MINORIA AINDA MENOR CONCENTRARÁ AINDA MAIS A RENDA E A RIQUEZA NACIONAL... 

ISTO É, DA RIQUEZA NACIONAL QUE NÃO FOR ABOCANHADA PELOS "AMIGOS" ESTRANGEIROS DA ELITE DOENTIAMENTE COLONIZADA, QUE TEIMA E TOMAR O GOVERNO DE QUALQUER FORMA, VIA GOLPE QUANDO NÃO CONSEGUE PELA VIA ELEITORAL, PARA PRIVATIZAR O QUE PÚBLICO, DE TODO O POVO, PARA ENTREGAR AS RIQUEZAS DO SUBSOLO, QUE SÃO BEM COMUM DA NAÇÃO, PARA GARANTIR TAXAS DE JUROS ESTRATOSFÉRICAS...

JÁ QUE NÃO SE FEZ ESSA MUDANÇA VITAL RUMO À JUSTIÇA FISCAL NOS GOVERNOS ELEITOS PELO POVÃO, DEVEMOS ARREGAÇAR AS MANGAS PARA RETOMAR O CAMINHO DA CONSTRUÇÃO DE UM PODER POPULAR CAPAZ DE COLOCAR NO SEU DEVIDO LUGAR OS MENOS DE 1% DA POPULAÇÃO QUE NOS DOMINAM E EXPLORAM, E JUNTO COM ELES, COLOCAR NO LUGAR TAMBÉM OS ILUDIDOS, QUE OS APOIAM ACHANDO QUE TERÃO VANTAGENS COM ISSO. 

A opção da Justiça Fiscal
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Nossos estudos revelam: em oposição à PEC-241, que ameaça devastar serviços públicos, é hora de enfrentar tabus e propor mais impostos para os muito ricos
Por Grazielle David | Ilustração Tom Curry
O Brasil vive um período de polarização de ideias, mas impressiona como no governo federal, entra equipe, sai equipe e o discurso no campo econômico tem sido único e repetido à exaustão: “as despesas cresceram demais, não tem orçamento que dê conta de tantas políticas públicas, de tantos direitos. O país estaria falido. Seria hora de “arrumar as contas”. Nãohaveria outra alternativa além do “ajuste fiscal”, medidas de “austeridade”, mostrar para o mercado financeiro que estamos comprometidos com o superávit primário, com o pagamento de juros e amortização da dívida.
Mas será que esse discurso único é verdadeiro? Será que de fato não existe alternativa? Examinemos os números (clique nas tabelas para ampliá-las)
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Ao avaliarmos as despesas, entre 1995 e 2014, passando pelos governos FHC (I e II), Lula (I e II) e Dilma (I), é possível observar uma média praticamente constante da despesa total do setor público entre todos os governos, em torno de 7,7% do PIB. A exceção é o governo Lula II, quando se chegou a 10,16%, numa política anticíclica para enfrentar a crise econômica global de 2008. Já a despesa primária do governo federal, depois da queda de 50% do governo FHC I para o FHC II, subiu 25% no Lula I, e depois se manteve com uma tendência de queda tanto no Lula II quanto em Dilma I.
Já ao avaliar as receitas entre 1995 e 2010, passando pelos governos FHC I e II e Lula I e II, tanto a receita total do setor público quanto a receita primária do governo federal cresceram progressivamente. Já no governo Dilma I (2011-2014), essa tendência inverte-se, havendo uma redução de 50% da média de crescimento dos dois indicadores.
Essas análises, feitas a partir de dados do FMI, mostram nitidamente que não houve crescimento fora de controle das despesas; pelo contrário, houve redução. O mesmo não pode ser dito das receitas, reduzidas pela metade no governo Dilma I. As despesas não cresceram fora de controle, foram as receitas que foram muito reduzidas.
Então, por que o foco das propostas de retomada da economia tem sido nas despesas e não nas receitas? Para tentar justificar uma ideologia de Estado mínimo, dizendo que o Estado “é inchado e ineficiente, que gasta demais”.Para tentar justificar o discurso único da política de austeridade; que, aliás, é comprovadamente falida, tanto na prática dos países que a adotaram, quanto na teoria – até o FMI produziu um estudo em que reconhece os prejuízos das medidas de austeridade e deixa de recomendá-la para os países.
A verdade é que existe alternativa à caríssima “Campanha vamos tirar o Brasil do vermelho” do governo Temer em defesa da PEC 241. No orçamento brasileiro cabem todos os direitos previstos na Constituição de 1988. Cabem os direitos humanos, os sociais, os econômicos, os culturais, os ambientais; cabem as políticas públicas, cabe o “Minha Casa, minha Vida”, o “Bolsa Família”, a “Farmácia Popular”, a Previdência Social, o SUS, as Escolas e Universidades Públicas. O que não cabe no orçamento são as “bolsas milionários”, a ampliação das desigualdades fiscais e sociais, os privilégios, as manobras para transferir renda para os ricos, um Robin Hood às avessas. O que definitivamente não cabe no Orçamento são as receitas que deviam chegar a ele, mas que são sonegadas, evadidas, inscritas na dívida ativa e nunca pagasA alternativa é a Justiça Fiscal.
Elisão Fiscal, Paraísos Fiscais e Sonegação Fiscal
Existem duas maneiras de não pagar os tributos devidos, reduzindo as receitas:
- A elisão fiscal – que apesar de não ser ilegal, é imoral – ocorre por meio de um planejamento tributário agressivo, fazendo uso de brechas nas leis, para dar vantagens indevidas às empresas, com o apoio de consultorias, especialmente de escritórios de Direito Tributário, que costumam cobrar grandes valores pela assessoria. Por essas características são em sua maioria utilizadas por grandes corporações, especialmente as multinacionais, que se aproveitam de uma legislação internacional frouxa sobre o comércio entre a empresa produtora e suas vinculadas espalhadas pelo mundo e fazem uso de paraísos fiscais, onde têm sigilo bancário extremo e praticamente não pagam tributos.
Por exemplo: a prática do preço de transferência – a empresa produtora exporta seus produtos a preços abaixo do valor de mercado para uma coligada que fica em um paraíso fiscal. Depois, essa coligada vende o mesmo produto com o preço de mercado, portanto mais alto do que havia comprado, para outros mercados, inclusive para o do país da produtora. Nesta operação a mesma empresa multinacional usurpou: (i) os tributos que não recolheu no país da produtora ao realizar um subfaturamento; e (ii) e os tributos que não pagou no paraíso fiscal. Outro mecanismo utilizado pelas firmas é vender por preço abaixo dos valores de mercado para o comprador final e realizar um acordo tácito com o importador para que o restante seja enviado para uma conta offshore. Isso tudo dá a essas empresas indevidas vantagens competitivas sobre as empresas nacionais dos país em que atuam. O que enfraquece principalmente as micro e pequenas empresas nacionais, e consequentemente a economia do país e a geração de empregos, já que diversos estudos demonstram que essas geram mais empregos que aquelas.
Como visto, um importante instrumento tanto para a elisão quanto para a sonegação fiscal é o uso dos paraísos fiscaisEstudo da Tax Justice Network aponta que os super-ricos brasileiros detinham o equivalente a mais de R$ 1 trilhão em paraísos fiscais, o quarto maior total em um ranking de países divulgado em 2012 pelo grupo de pesquisa; sendo que quem mais manda dinheiro brasileiro para os paraísos fiscais são os setores de mineração, petróleo, farmacêutico, comunicações e transportes.
Vamos a um exemplo concreto, em estudo do Inesc, sobre a mineradora Vale foi observado que o preço do ferro praticado estava consideravelmente abaixo (-23,3%) do valor de mercado internacional. Como trata-se de um preço médio, há a possibilidade da empresa operar com preço de mercado em vendas para terceiros e com outro significativamente inferior para coligadas. O fato do ferro, sozinho, representar quase 60% da receita da empresa em 2013, pode ser um fato motivador para a companhia buscar reduzir o pagamento de tributos para elevar os lucros. Como resultado a Vale estava pagando 40% a menos de só de CFEM, sendo que os valores a serem pagos de IR e CSLL também são afetados por essas manobras.
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- A sonegação fiscal: é ilegal. Um exemplo clássico e dos mais praticados de pessoas jurídicas é a de venda sem nota fiscal e de pessoas físicas a compra de recibos para utilizar na declaração de imposto de renda. Entre os tributos mais sonegados estão o IPI e o IR, conforme estudo do Sinprofaz.
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Pelo estudo, foi encontrado um indicador estimado médio de sonegação fiscal de 23,2% da arrecadação, que equivaleu a R$ 453,0 bilhões ou 7,7% do PIB em 2015. 
É um valor imenso e quatro vezes maior que o déficit fiscal da União em 2015, que foi de R$ 111 bilhões. Infelizmente, sempre que o tema da sonegação fiscal é trazido para o centro do debate, é extremamente comum ouvir argumentos para justificar a sonegação: “a carga tributária é alta demais, tem corrupção demais e os tributos pagos são desviados”; há até mesmo quem diga que “sonegar é um ato heroico contra o Estado ladrão”. Esses argumentos contêm erros:
  1. A carga tributária brasileira não é alta, ela é extramente mal distribuída, pesando muito mais para os pobres e a classe média do que para os super-ricos, devido à estrutura dos tributos que incidem muito mais sobre o consumo do que sobre a renda e o patrimônio. Além disso, como é difícil sonegar os tributos sobre o consumo e sobre a renda (que são retidos na fonte), a sonegação ocorre muito mais nos tributos em que os mais ricos e as corporações podem sonegar. É uma lógica perversa, aqueles que teriam uma maior capacidade de contribuir são justamente os que têm uma carga tributária menor e que mais sonegam.
  2. A sonegação fiscal amplia desigualdades: em decorrência da sonegação fiscal ocorre queda de arrecadação, como resposta muitos governos recorrem ao aumento da carga tributária. Com o sistema tributário brasileiro super regressivo, esse aumento acaba recaindo sobre os mais pobres e classe média, que são aqueles que proporcionalmente já pagam mais tributos e menos sonegam, ampliando ainda mais as desigualdades (fiscal e social). Ou, como a PEC 241, propõem o corte dos gastos sociais que financiam os direitos sociais, e que igualmente impactam de forma desproporcional os mais vulneráveis, que são mais dependentes das políticas e serviços públicos.
  3. Sonegação fiscal é crime: argumentar desobediência civil é irresponsabilidade e descompromisso com o interesse público e com a própria Constituição Federal, uma vez que o texto constitucional prevê a escolha do povo brasileiro por um modelo de Estado que garanta direitos por meio de políticas e serviços públicos. Sonegar é inviabilizar o texto constitucional e causar imensos danos ao financiamento da educação, da saúde, da segurança, transporte, entre outros. Aqui vale aquele famoso ditado “o erro de um não justifica o do outro”.
  4. Sonegação fiscal é corrupção: é preciso encerrar o entendimento de que é corrupção apenas o valor que é desviado do orçamento público já formado, ignorando os imensos valores que deveriam compor o mesmo, mas nunca chegam. Desviar recursos que deveriam compor o orçamento público por meio de sonegação também é corrupção. Aliás, estudo da Global Financial Integrity(GFI), demonstrou que 80% da corrupção no Brasil é do setor privado, enquanto 20% é setor público.
Dívida ativa da União
Uma vez que os tributos não tenham sido pagos espontaneamente nos prazos, os débitos tanto de pessoas físicas quanto jurídicas são inscritos na dívida ativa. Eles podem ter natureza tributária, previdenciária ou não tributária (ex: decorrente do exercício do poder de polícia, crimes ambientais, entre outros).
A Dívida Ativa da União chega a incríveis R$ 1,58 trilhão (valores de dezembro de 2015), superando a arrecadação total brasileira no mesmo ano, que foi de R$ 1,274 trilhão. E pior: a recuperação desse dinheiro é lenta: segundo a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, somente 1% da dívida é resgatado anualmenteAtualmente há R$ 252,1 bilhões que já integram processos transitados em julgado – ou seja, já poderiam ter sido devolvidos aos cofres públicos. Esse valor cobre com sobras o déficit fiscal do país anunciado pelo governo Temer para 2016. 
Por trás dessa dívida bilionária escondem-se muitos crimes, não apenas financeiros – há crimes ambientais, eleitorais, grilagem de terras, assassinatos. Foi o que descobrimos em estudo recente do Inesc analisando a lista dos maiores devedores na Amazônia. Cabe destacar que entre os 10 maiores inscritos na Dívida Ativa da União está a Vale, com R$ 43 bilhões de débito, sendo muito desse montante decorrente de processos na Justiça relativo ao pagamento indevido de CFEM, IR e CSLL em diferentes períodos. Isso tudo depois de ter sido privatizada, anulando o argumento de que crimes e corrupção só ocorrem em empresas estatais.
Um importante elemento para a Dívida Ativa da União ser um montante tão alto é que apesar da sonegação fiscal ser crime no Brasil, ela é um crime sem pena. A Lei 9.249/1995, no seu artigo 34, estabeleceu que o pagamento do tributo extinguiria a punibilidade. Neste momento, os legisladores (deputados e senadores) enviaram uma mensagem para a sociedade: “o crime de sonegação fiscal compensa”. Da forma como é hoje no Brasil, vale a pena fraudar as declarações fiscais e sonegar; pois, o risco de prejuízo é, no máximo, financeiro, que pode ser calculado, e inclusive lucrativo.
Depois de avaliar esses imensos valores de receita em potencial, temos:
> Sonegação fiscal – R$ 500 bilhões/ano;
> Dívida ativa da União – R$ 1,5 trilhão, sendo que R$ 252 bilhões já estão prontos para serem recolhidos;
> Mais alguns bilhões se fossem taxados valores de brasileiros que hoje estão em paraísos fiscais e chegaram lá irregularmente, sem pagar os tributos devidos;
Chegamos a uma conclusão óbvia: se houvesse justiça fiscal no Brasil e se esses valores estivessem compondo o orçamento da União, sem aumentar a carga tributária, não estaríamos falando em déficit, não estaríamos tendo que ouvir as propostas de medidas absurdas, ditas emergenciais, mas que na verdade são de longo prazo, e não servem para lidar com uma crise fiscal, mas sim para mudar toda a lógica de Estado inscrita na Constituição Federal, como é o caso da PEC 241. O que querem é mudar o modelo de sociedade escolhido pelo povo brasileiro, que tem como princípio a solidariedade, com um Estado indutor e promotor de direitos, que tem o dever de garantir a Seguridade Social (Previdência Social, Assistência Social, Saúde), a cultura, a educação, o transporte, a segurança, o lazer, a moradia, o trabalho, a alimentação, que tem o dever de avançar e não retroceder os direitos.
http://outraspalavras.net/brasil/a-opcao-da-justica-fiscal/

CARROS ELÉTRICOS: CHINA LIDERA A MUDANÇA

ELA ASSUMIU A LIDERANÇA, ASSIM COMO O FEZ COM A PRODUÇÃO DE ENERGIA SOLAR E EÓLICA. ELA PRECISA URGENTEMENTE DISSO PARA EVITAR QUE AS PESSOAS MORRAM NA RUA, ASFIXIADAS. 

ELA ESTÁ AVANÇANDO ASSIM PORQUE HÁ DECISÃO POLÍTICA QUE FAVORECE ESSAS MUDANÇAS.

MAS É BOM LER O ARTIGO ATÉ O FINAL. É ALI QUE O AUTOR ADVERTE: CARROS ELÉTRICOS, POR SI SÓ, NÃO RESOLVEM O PROBLEMA DA VIDA NO PLANETA, ESPECIALMENTE NAS GRANDES METRÓPOLES. É PRECISO DIMINUIR O CONSUMISMO, PROMOVER UMA VIDA SIMPLES, SEM O QUE O PLANETA NÃO NOS TOLERARÁ.

E O NOSSO QUERIDO BRASIL, TÃO GOLPEADO, QUANDO ENTRARÁ NA DIREÇÃO DESSAS MUDANÇAS: ENERGIAS REALMENTE MAIS LIMPAS E RENOVÁVEIS, CARROS ELÉTRICOS, TRANSPORTE PÚBLICO DE MASSA ELÉTRICO, MENOS CONSUMISMO, VIDA SIMPLES...?

Carros elétricos: a China lidera a mudança

Líder há anos na geração eólica e solar, país agora multiplica por dez produção de automóveis não movidos a petróleo. Estado estimula conversão da frota com subsídios
Por José Eustáquio Diniz Alves, no Eco Debate
A produção global de veículos elétricos plug-in (cuja bateria utilizada para alimentar o motor elétrico pode ser carregada diretamente por meio de uma tomada) aumentou mais de 10 vezes entre 2011 e 2015, passando de cerca de 50 mil unidades para mais de 500 mil unidades. A China que estava atrás dos Estados Unidos, União Europeia e Japão, assumiu a liderança em 2015 e tende a responder por mais da metade da produção mundial nos próximos anos.A Beijing resident cycles past electric vehicles at a Green Source shop in eastern Beijing. The tiny three- and four-wheelers form part of an illegal, growing and sometimes bizarre-looking fleet of electric-powered mini-cars bought by drivers desperate to bypass the gridlock plaguing Chinaís cities. [Calum MacLeod, 1 November 2013]
A China já é líder na produção de energia eólica e solar. Depois de se tornarem a número um na produção e venda de veículos elétricos no ano passado, o governo chinês está planejando um aumento de mais de 1.000% nas vendas até 2025. Para tanto, está oferecendo subsídios que podem totalizar 60% do preço de etiqueta de cada modelo, como mostra artigo de Joe Romm, no site Think Progress (03/09/2016).
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A China considera que os Veículos Elétricos (EV em inglês) são a tecnologia fundamental para o transporte de baixo carbono, além de incentivar a penetração das energias renováveis na rede elétrica. Dois vetores aceleram a indústria de EV na China: 1) os altos níveis de poluição nas cidades; 2) o desejo de liderar e criar um mercado de exportação de produtos de uma indústria que, segundo a Agência Internacional de Energia, deve ser hegemônica até 2050.
Segundo a Bloomberg New Energy Finance (BNEF), um terço de todos os carros vendidos no mundo até 2040 serão elétricos, pois os preços das baterias estão caindo tão rapidamente que em meados da década de 2020, os EVs competirão com os carros movidos a gasolina diretamente no preço de etiqueta (e sem subsídios).
Ironicamente, a China saltou para a liderança global nesta tecnologia, essencial para o processo de descarbonização da economia, a partir do desafio lançado por Elon Musk, que em 2006, disse pretender tornar a Tesla Motors na líder mundial na produção de carros e baterias elétricas. Como mostrei em artigo anterior (Alves, 31/08/2016), existem dúvidas se Elon Musk vai conseguir efetivar todos os seus planos de produção. Além do mais, no dia 1 de setembro um foguete Falcon 9, da empresa SpaceX, também de Musk, explodiu antes do lançamento em Cabo Canaveral (Flórida, EUA), destruindo o satélite Amos 6 que fazia parte da Internet.org, em parceria com o Facebook e custava cerca de US$ 95 milhões. A explosão do foguete da SpaceX fez a fortuna de Musk encolher US$ 779 milhões em apenas um dia.
Enquanto isto, a China avança na mudança da matriz energética, com sua imensa capacidade de produção, sua montanha de dólares em reservas internacionais e a grande capacidade de subsídio do governo. Além reduzir os impostos, a China está exigindo que os carros elétricos respondam por pelo menos 30% do total de veículos comprados pelo governo até o final de 2016.
Existem, no “Império do Meio”, cerca de 200 startups de Veículos Elétricos (EV). Enquanto Tesla planeja a venda de 400.000 unidades de seu principal modelo, a firma chinesa, BYD (fabricante de automóveis com sede em Shenzhen) já vendeu mais EVs do que a Tesla, a GM e a Nissan juntas. A empresa (na qual a Berkshire Hathaway, de Warren Buffett, tem uma fatia de 9% das ações) tem 18% de participação no mercado de veículos de novas energias da China. No salão de Pequim, a BYD comercializará seu novo SUV, chamado The Yuan, que será vendido de forma competitiva a partir de US$ 32 mil.
Portanto, o governo chinês está promovendo o que considera um setor estratégico para seu projeto de potência mundial. O plano é superar 3 milhões de unidades por ano em 2025, contra cerca de 300 mil em 2015. Em fevereiro, o premiê Li Keqiang exortou o governo local e os operadores do setor a acelerarem a construção de instalações de recarga para acomodar 5 milhões de veículos elétricos em 2020. Sair da produção de carvão mineral e dos motores a combustão é a alternativa para evitar o “arpocalipse” e reduzir as mortes por problemas respiratórios, especialmente nas megacidades.
Sem dúvida, há uma revolução em curso no sentido de avançar com as energias renováveis e diminuir a dependência dos combustíveis fósseis. Carros elétricos vão avançar rapidamente. A Bloomberg New Energy Finance estima que as vendas de veículos elétricos devem chegar a 41 milhões de unidades em 2040, representando 35% do total de cerca de 120 milhões de veículos novos.
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Infelizmente, os últimos governos brasileiros resolveram investir centenas de bilhões de dólares em refinarias de petróleo (inacabadas) e no chamado “bilhete premiado” do pré-sal, jogando o Brasil no fundo do poço de uma tecnologia ultrapassada, cara, poluidora e emissora de gases de efeito estufa. O Brasil está bastante atrasado na produção de energias renováveis, lento na transição para a nova matriz de energia mais limpa (eólica, solar, etc.) e totalmente distante da produção de veículos elétricos, quando comparado com Estados Unidos, União Europeia, China, Coreia do Sul, etc.
Mas, como escrevi no outro artigo, embora chegar a 100% de energia renovável seja fundamental, nenhuma revolução energética, por si só, será capaz de sustentar uma sociedade consumista em constante crescimento, que degrada o meio ambiente e destrói os ecossistemas. Assim, não basta avançar com a produção de veículos elétricos, pois isto apenas encheria de carros as vias públicas das cidades, congestionando as ruas e agravando a imobilidade urbana.
O mundo precisa democratizar e socializar a energia solar e a produção de veículos elétricos, ampliando a democracia em todos os seus aspectos, no sentido de melhor o padrão de vida da coletividade e da simplicidade voluntária, evitando o egoísmo e a ganância do individualismo.
http://outras-palavras.net/outrasmidias/?p=356141

AGENDA LATINO-AMERICANA 2017

CONHEÇA, COMPRE, DIVULGUE. VALE A PENA. ABORDA A TEMÁTICA "ECOLOGIA INTEGRAL - RECONVERTER TUDO" COM TEXTOS EXCELENTES.

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quinta-feira, 6 de outubro de 2016

NÃO SE ENFRENTA CRISE COM MAIS GASTOS EM PUBLICIDADE

O ARTIGO MOSTRA QUE CRÍTICAS COMEÇAM A APARECER TAMBÉM EM JORNAIS QUE AJUDARAM A AUMENTAR AS MENTIRAS QUE LEVARAM AO GOLPE. E GOLPE ASSENTADO SOBRE MENTIRAS SÓ SE MANTÉM COM PROPAGANDA DE MAIS MENTIRAS POR PARTE DO GOVERNO DE MENTIRA, SÓ "CONSTITUÍDO" POR INSTITUIÇÕES FAJUTADAS, COMANDADAS POR MAIORIAS COMPROMETIDAS COM A CORRUPÇÃO E O ATRASO NO CONGRESSO, NO JUDICIÁRIO...

Para enfrentar a crise, Temer aumenta gastos com publicidade

Laura Carvalho - FSP - 6 de outubro de 2016
Pedro Ladeira/Folhapress
BRASILIA, DF, BRASIL, 05-10-2016, 12h00: O presidente Michel Temer, ao lado do ministro Eliseu Padilha, durante solenidade de posse do novo ministro do Turismo Marx Beltrão, no Palácio do Planalto. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER)
O presidente Michel Temer durante posse do novo ministro do Turismo, Marx Beltrão, em Brasília
"Essa foi a situação encontrada pelo governo", grita a dispendiosa campanha veiculada nos principais jornais do país na quarta-feira (5). A longa peça publicitária estampa um retrato detalhado das consequências da crise econômica que vivemos e do ajuste fiscal iniciado em 2015.

Tentando esconder a participação de Temer e de parte de seus ministros no governo eleito e derrubado, o anúncio enumera despesas federais não pagas; transferências atrasadas a Estados, municípios e organismos internacionais; obras públicas inacabadas por falta de recursos, e até prejuízos de empresa estatais.

"Vamos tirar o Brasil do vermelho para voltar a crescer", convoca a frase-título que manda o país de volta aos tempos da Guerra Fria. Mais fácil que pescar o trocadilho é perceber que as propostas que o governo coloca na mesa estão na origem do desastre e não vão levar à retomada do crescimento. Menos ainda ao saneamento das contas públicas.

A receita defendida e adotada desde o ano passado para nos tirar de um quadro fiscal deteriorado pela crise econômica –e a consequente queda de arrecadação tributária– está justamente na origem de boa parte dos problemas elencados. A aprovação de um deficit maior (de R$ 170 bilhões para 2016 e R$ 139 bilhões para 2017) pode até servir para quitar pagamentos atrasados, que são em grande medida o resultado do contingenciamento recorde em 2015 de gastos e do corte de despesas efetivas de cerca de 3% em termos reais –sendo mais de 30% nos investimentos.

Mas não é essa a mensagem dos publicitários do governo, que parecem querer vender a ideia de que farão um ajuste fiscal ainda mais rigoroso. As contradições são muitas.

Primeiro, se o corte de gastos nos próximos anos fosse ainda mais drástico do que o realizado pelo governo Dilma no ano passado, as obras mencionadas como inacabadas jamais seriam concluídas. No entanto, a PEC do "teto" de gastos, que a propaganda quer ajudar a aprovar, em nada garante esse caminho. O limite previsto pela PEC 241 para o crescimento das despesas é dado pela taxa de inflação do ano anterior, o que permite um aumento real de gastos enquanto a inflação cair.

Segundo, obras inacabadas só existem quando há obras iniciadas, o que passa longe dos planos do governo Temer para o futuro. Um congelamento no total das despesas de cada Poder forçaria uma redução ainda maior nos investimentos públicos em proporção do PIB.

Terceiro, não há ajuste fiscal possível sem o crescimento das receitas do governo, o que por sua vez depende da eliminação das desonerações fiscais e da própria retomada do crescimento econômico. Note-se que, ao contrário do que se costuma propagar, as despesas desde o primeiro mandato de Dilma Rousseff cresceram menos do que nos governos anteriores. O problema é que as receitas também.

Mas como retomar o crescimento desligando de vez o motor dos investimentos públicos, se o resto do mundo ainda patina e a massa de desempregados não contribuirá em nada para uma retomada do consumo e das vendas? Qual empresário vai investir em novas máquinas se a capacidade ociosa da indústria continua aumentando e mal há dinheiro para pagar dívidas anteriores?

A propaganda de governos autoritários costuma combater seus adversários canalizando os temores com a crise para bodes expiatórios, mas preocupam-se em entregar alguma coisa: emprego, renda, crescimento econômico. Concentrar os investimentos públicos em publicidade pode ser pouco para galvanizar algum apoio popular.

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/laura-carvalho/2016/10/1820312-para-enfrentar-a-crise-temer-aumenta-gastos-com-publicidade.shtml