sexta-feira, 24 de março de 2017

CERRADO E A MAIOR EXTINÇÃO DE PLANTAS DA HISTÓRIA

MEU DEUS, ONDE IREMOS PARAR? ONDE O AGRONEGÓCIO NOS LEVARÁ? O FATO É ESTE: SEM O CERRADO VIVO, COM SUAS CARACTERÍSTICAS ORIGINAIS OU RECUPERADO NO MELHOR QUE FOR POSSÍVEL, O PAÍS TODO IRÁ SECANDO... NÃO BASTA A AMAZÔNIA, QUE O MESMO AGRONEGÓCIO QUER VER LIVRE DE FLORESTA, PARA GARANTIR ÁGUA.

VIVEREMOS SEM ÁGUA?

Em 30 anos, Cerrado pode ter a maior extinção de plantas da história, diz estudo
IHU, 24 de março de 2017
Se o índice de desmatamento do cerrado brasileiro se mantiver como é hoje - cerca de 2,5 maior do que na Amazônia -, o mundo pode registrar a maior perda de espécies vegetais da história.
A reportagem é de Camilla Costa, publicada por BBC Brasil, 23-03-2017.
A tese é de um artigo de pesquisadores do Instituto Internacional para a Sustentabilidade (IIS) e de outras instituições nacionais e internacionais, divulgado nesta quinta-feira na revista científica Nature.
O cerrado perdeu 46% de sua vegetação nativa, e só cerca de 20% permanece completamente intocado, segundo os pesquisadores. Até 2050, no entanto, pode perder até 34% do que ainda resta.
Isso levaria à extinção 1.140 espécies endêmicas - um número oito vezes maior que o número oficial de plantas extintas em todo o mundo desde o ano de 1500, quando começaram os registros.
"Há 139 espécies de plantas registradas como extintas no mundo todo. Mas claro, sabemos que espécies foram extintas antes mesmo de a gente conhecê-las", disse à BBC Brasil Bernardo Strassburg, coordenador do estudo e secretário-executivo do IIS.
"Mesmo assim, a perda no cerrado seria uma crise sem proporções."
O desmatamento na região, de acordo com os pesquisadores, cresceu em níveis alarmantes "por causa da combinação de agronegócio, obras de infraestrutura, pouca proteção legal e iniciativas de conservação limitadas".
Mesmo assim, Strassburg e sua equipe afirmam que o cenário apocalíptico projetado para 2050 pode ser evitado.

'Hotspot de biodiversidade'

cerrado brasileiro, segundo o artigo, tem mais de 4,6 mil espécies de plantas e animais que não são encontrados em nenhum outro lugar.
"Essa projeção assustadora que encontramos é uma combinação de dois fatores: o cerrado é um hotspot global de biodiversidade principalmente por causa das plantas, e ele já perdeu metade da sua área", afirma Strassburg.
"A área de desmatamento do cerrado não é maior que a da Amazônia, mas a taxa de desmatamento é."
Para conseguir estimar o número de espécies perdidas pelo desmatamento nos próximos 30 anos com o mesmo ritmo atual, os pesquisadores combinaram os dados mais recentes da Lista Vermelha de Espécies em Extinção (referentes a 2014) com projeções das mudanças no uso do bioma.
Das 1.140 que podem ser perdidas, 657 já são consideradas condenadas à extinção.
"Isso quer dizer que não tem mais cerrado suficiente para tanta espécie. Se o desmatamento parasse hoje e não fizéssemos mais nada para recuperar a região, elas seriam extintas de qualquer jeito", explica.

Seca

Se o aumento recente do desmatamento da Amazônia, segundo os cientistas, influenciou o regime de chuvas no Brasil, contribuindo para a seca dos últimos anos, a perda do cerrado também faz sua parte - mas no solo, e não na atmosfera.
"Tem gente que se refere ao cerrado como uma floresta de cabeça para baixo, porque dizem que as raízes lá são tão mais profundas que na Amazônia e na Mata Atlântica. Isso torna muito grande a capacidade do solo de absorver água, que será armazenada nos lençóis freáticos", diz Strassburg.
Hoje, 43% da água de superfície no Brasil fora da Amazônia está no bioma - o que inclui três dos principais aquíferos do país, que abastecem reservas no Centro-Oeste, no Nordeste e no Sudeste.
"Mas se você troca aquela vegetação por uma plantação de soja, essa capacidade de reter água e alimentar os lençóis freáticos se perde. E vale lembrar que no Brasil crise hídrica é também é crise energética."
O pesquisador alerta ainda para o fato de que o desmatamento projetado para as próximas três décadas emitiria cerca de 8,5 bilhões de toneladas de gás carbônico na atmosfera.
"Isso é 2,5 vezes mais do que a redução da emissão de gases estufa que o Brasil conseguiu com a queda no desmatamento da Amazônia entre 2003 e 2012", explica.

Como impedir?

O artigo afirma que, restaurando áreas do cerrado que foram menos degradadas e são importantes para a biodiversidade, seria possível reverter até 83% do quadro de extinções previstas.
"Áreas que não foram muito degradadas ou não foram desmatadas há muito tempo conseguem se regenerar, até por causa das raízes profundas e porque têm um banco de sementes. As outras precisam de um esforço maior", afirma Strassburg.
A equipe do IIS, segundo ele, trabalha junto ao Ministério do Meio Ambiente para fazer um mapeamento das áreas que devem ser prioridade em um projeto de recuperação.
Mesmo assim, elas corresponderiam a apenas 3% do total do bioma. Seria o suficiente?
"A outra metade da equação é parar o desmatamento causado pela agropecuária", diz. "As culturas de cana-de-açúcar e de soja vão crescer 15 milhões de hectares nos próximos 30 anos", diz.
Os pesquisadores afirmam, no entanto, que é possível usar áreas já desmatadas e pouco aproveitadas do cerrado para redistribuir este crescimento - evitando, assim, que a expansão da produção agrícola avance para territórios preservados.
Mais de 75% do cerrado já desmatado, segundo Strassburg, é utilizado em pastagem de baixa produtividade. Isso quer dizer que os produtores têm um boi por hectare, quando poderiam ter três.
"Se você colocasse só dois por hectare já liberaria terra suficiente para toda a expansão de soja e de cana, sem precisar fazer mais desmatamento", afirma.
O artigo diz que as políticas públicas necessárias para integrar agricultura e pecuária na região e evitar a perda do bioma já existem, e precisam apenas de integração.
Mas, para Strassburg, isso também dependerá dos produtores."O agronegócio brasileiro está numa encruzilhada no que diz respeito ao cerrado: pode se colocar como responsável pela maior crise de extinção de plantas registrada no mundo ou pode ser líder de em uma produtividade mais sustentável."
"Ele vai ser o grande vilão da história e perder acesso aos mercados globais ou dar lição de sustentabilidade e mostrar que é possível crescer contribuindo para a conservação das espécies?", indaga.
http://www.ihu.unisinos.br/566099-em-30-anos-cerrado-brasileiro-pode-ter-maior-extincao-de-plantas-da-historia-diz-estudo

DOM CAPPIO: TRANSPOSIÇÃO, UMA VEZ MAIS, É OBRA ELEITOREIRA

OBRIGADO, DOM LUIZ, POR SUAS INFORMAÇÕES E REFLEXÕES CRÍTICAS, E MAIS AINDA PELA SUA COERÊNCIA. TOMARA AJUDEM EVITAR QUE, MAIS UMA VEZ, MENTIRAS SEJAM TRAVESTIDAS DE "VERDADES".

OS MERCADORES DE SONHOS E A TRANSPOSIÇÃO DO RIO SÃO FRANCISCO. BEM SOCIAL, DIREITO DE TODOS, TRANSFORMADO EM BEM ECONÔMICO, DIREITO DE ALGUNS. ENTREVISTA ESPECIAL COM DOM LUIZ CAPPIO 
IHU - 24 março de 2017
"O Projeto de Transposição de Águas do Rio São Francisco é eleitoreiro, e por isso é muito oportuno usá-lo em momentos como este que temos pela frente, as eleições de 2018”, afirma Dom Luiz Flávio Cappio à IHU On-Line, em entrevista concedida por e-mail, ao comentar a inauguração de primeira parte da transposição do rio São Francisco, que foi comemorada tanto pelo governo Temer, quanto pelos ex-presidentes Lula e Dilma.
Na avaliação de Dom Cappio, “numa situação de total insegurança política e falta de candidatos sérios com propostas igualmente sérias, essa obra e essas ‘inaugurações’ se constituem em prato cheio para esses que sempre enganaram e continuam enganando o povo, mormente os mais pobres e necessitados de água e alimentos”.
Um dos principais opositores da transposição do rio São FranciscoDom Cappio avalia que a transposição “foi o preço pago por Lula para garantir sua vitória no 2º turno das eleições de 2002”, e teve o apoio “da bancada cearense capitaneada por Ciro Gomes”. Segundo ele, “o grande interesse da bancada cearense eram os imensos investimentos a serem feitos no território do estado do Ceará e garantir, quem sabe no futuro, água para o agronegócio naquele estado”. Portanto, adverte, “essa obra significa o fortalecimento dos grupos políticos afinados ao governo federal, a garantia de grandes investimentos em infraestrutura, a valorização das terras por onde devem passar os canais, o armazenamento de água para os grandes projetos agroindustriais”.

Dom Cappio | Foto: Divulgação
Dom Luiz Flávio Cappio é o Bispo da Diocese de Barra, BA. Em 2005 e 2007 fez greve de fome em protesto contra o projeto do governo federal de transposição do rio São Francisco. Em 2008, a organização Pax Christi Internacional (Bélgica) deu a Dom Cappio o prêmio da Paz do mesmo ano, por sua luta em defesa da vida na região do São Francisco. Em 2009, recebeu o Prêmio Kant de Cidadão do Mundo, da Fundação Kant (Alemanha).
Confira a entrevista.
IHU On-Line - O senhor foi um dos principais opositores da transposição do rio São Francisco. Como se sentiu ao ver a inauguração de parte da obra?
Dom Luiz Flávio Cappio - Sempre dizíamos, e este é um dos vícios da obra, que a Transposição de Águas do Rio São Francisco sempre foi, é, e se tem mostrado agora com maior evidência, uma “obra eleitoreira”. As obras garantiram o 2º mandato do presidente Lula, o 1º e o 2º mandato da presidente Dilma. Falar em água no Nordeste é uma fonte certa de votos, principalmente do povo mais sofrido, carente e pobre. Sempre às vésperas das eleições se recomeçavam as obras, muitas vezes paradas. Fazia parte importante das propagandas eleitorais dos candidatos. Quantas fotos desses mesmos candidatos passeando pelas obras e fazendo tantos pronunciamentos de propaganda enganosa. Isso sempre levou o povo ao delírio, principalmente o povo sedento e faminto. Voto certo nas urnas. Sempre foi assim.
Pergunto, qual comunidade tem se beneficiado das águas da Transposição? Quem tem coragem de beber aquela água que corre centenas de quilômetros a céu aberto, sujeita a toda ordem de sujeira e dejetos? Agora, novamente, às vésperas das eleições gerais de 2018, numa situação de total insegurança política e falta de candidatos sérios com propostas igualmente sérias, essa obra e essas “inaugurações” se constituem em prato cheio para esses que sempre enganaram e continuam enganando o povo, mormente os mais pobres e necessitados de água e alimentos. Se continuarem com este importante “cabo eleitoral”, terão vitória certa, principalmente no Nordeste.
Respondendo à pergunta, digo: sinto-me mais uma vez ludibriado. Indignado pela falta de respeito e insensibilidade diante do sofrimento e carência de tanta gente que acredita a partir de suas necessidades básicas, diante da arrogância e falta de ética e cidadania dos falsos “mercadores de sonhos”.
IHU On-Line - No último domingo, dia 19 de março, foi realizada a "Grande festa do povo brasileiro. Inauguração da Transposição do Rio São Francisco com Lula e Dilma". Como o senhor avaliou esse evento e a postura de parte da esquerda brasileira, que vibrou com a conclusão de parte da obra?
Dom Luiz Flávio Cappio - O Projeto de Transposição de Águas do Rio São Francisco é eleitoreiro, e por isso é muito oportuno usá-lo em momentos como este que temos pela frente, as eleições de 2018. Falar em obras hídricas no Nordeste brasileiro é fonte certa de votos. Daí se explica a grande festa de inauguração das obras. É interessante quando a chamada esquerda promove tal festa. Além de ideologizar a obra, que deveria ser vista a partir de sua função social, é vista a partir de sua função ideológica. Infelizmente é o que acontece. E no caso, é a esquerda servindo de capacho para os interesses da direita, a qual será beneficiada, e não o povo, de quem a chamada esquerda deveria estar a serviço.
IHU On-Line - O que essa transposição significa para o Nordeste?
Dom Luiz Flávio Cappio - O Projeto de Águas do Rio São Francisco foi o preço pago por Lula para garantir sua vitória no 2º turno das eleições de 2002, conseguindo assim o apoio da bancada cearense capitaneada por Ciro Gomes. O grande interesse da bancada cearense eram os imensos investimentos a serem feitos no território do estado do Ceará e garantir, quem sabe no futuro, água para o agronegócio naquele estado. Essa obra significa o fortalecimento dos grupos políticos afinados ao governo federal, a garantia de grandes investimentos em infraestrutura, a valorização das terras por onde devem passar os canais, quem sabe - digo quem sabe porque esta afirmação não é garantida -, o armazenamento de água para os grandes projetos agroindustriais. Esse é o grande significado do Projeto para o Nordeste. Não faz parte do objetivo do projeto a oferta de água para a população, tão decantado pela propaganda enganosa do governo.
IHU On-Line - Como os ribeirinhos e a população que vivem às margens do São Francisco têm reagido a essa obra? Ainda há uma resistência à transposição? Como essa resistência tem aparecido ao longo desta década?
Dom Luiz Flávio Cappio - Podemos observar três tipos de reação: a) de pessoas esclarecidas que são visceralmente contra o projeto, por entenderem o seu verdadeiro significado; b) de boa parte do povão que acredita piamente em tudo o que os governantes e principalmente a mídia diz, sem nenhum espírito crítico. Levados pela necessidade querem crer nesta utopia de ter água em abundância; c) aqueles que “não são nem a favor e nem contra, muito pelo contrário”.
A resistência ao projeto tem acontecido nos grupos organizados das comunidades que conhecem a realidade do rio e as consequências de um macroprojeto dessa natureza, nas universidades que, a partir do dado teórico, avaliam as reais possibilidades de um projeto como esse, nas pessoas que convivem com o rio e sabem de sua debilidade e já estão cansadas das falsas promessas de anos a fio. Esse projeto jamais foi discutido com a sociedade civil. Foi concebido e decidido dentro de quatro paredes, levado por interesses escusos. Toda nossa luta de alguns anos atrás foi na tentativa de discutir o projeto, pensar a melhor alternativa de oferta de água para o Nordeste. Mas todas as portas nos foram fechadas. Ele já estava decidido.
IHU On-Line - O senhor se encontrou com o ex-presidente Lula depois do fim do seu “jejum de oração”, que ficou conhecido como sua greve de fome por conta da transposição do rio São Francisco. À época o senhor comentou que o ex-presidente Lula lhe disse que estava convicto de que a realização da obra era a melhor opção para o Nordeste, mas que aceitaria abrir um debate com a sociedade e que poderia mudar de ideia caso argumentos como os seus fossem convincentes. Que avaliação faz desse encontro, anos depois? A transposição do São Francisco foi de fato tema de discussão na sociedade? Por que avalia que o ex-presidente não mudou de opinião?
Dom Luiz Flávio Cappio - Quando, por ocasião de nosso encontro com o presidente Lula, referi-me ao grande projeto, quiçá o maior de seu governo, da Agência Nacional de Águas - ANA, intitulado “Atlas do Nordeste”, que previa o abastecimento hídrico das comunidades de todo o Nordeste a partir de adutoras, levando água diretamente para as caixas d’água dessas mesmas comunidades mais carentes de água. Uma verdadeira revolução na oferta de água por parte de obras hídricas do governo federal. Uma joia de projeto. Repito: projeto concebido e elaborado no governo do presidente Lula. Um projeto que, se implementado, o levaria para a história (do lado bom da mesma).
Disse-lhe que ele estava diante de uma decisão de duas possibilidades: a Transposição que se caracteriza pelo uso econômico da água, a água transformada em mercadoria na produção de royalties, que não é de seu governo; e o Projeto da ANA, que garantiria a distribuição da água para uso humano e animal (exemplos, a adutora que garante água para a microrregião de Irecê-BA, a adutora que garante água para a região de Guanambi–BA, e a “adutora do sertão”, que de Floresta-PE, abastece o sertão pernambucano).
Diante do compromisso feito em campanha com Ciro Gomes e a bancada cearense, Lula optou pela Transposição. Assim as águas do rio São Francisco se transformam em bem econômico, direito de alguns, e deixa de ser um bem social, direito de todos.
IHU On-Line - Um dos principais argumentos dos governos PT e PMDB ao defenderem a transposição do Rio São Francisco era o de que a obra beneficiaria 12 milhões de pessoas em quatro estados, Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte. Por que na sua avaliação esse argumento é frágil?
Dom Luiz Flávio Cappio - Observem a falácia, quando afirmam que beneficiarão 12 milhões de habitantes. Nesta cifra estão incluídos os habitantes das grandes cidades nordestinas como RecifeJoão PessoaAracajúMaceióNatalFortalezaTeresina. Todas elas já beneficiadas por grandes obras públicas de oferta de água. Estas cidades já estão abastecidas, não necessitam de obra dessa magnitude para garantir oferta d’água para a população. Quem precisa de água são as comunidades do grande sertão nordestino, totalmente carentes e desassistidas. Estas continuarão não possuindo água, pois o Projeto não tem este objetivo.
IHU On-Line – Deseja acrescentar algo?
Dom Luiz Flávio Cappio - O Projeto de Transposição de Águas do Rio São Francisco é anticonstitucional por dois motivos:
a) diz a Constituição Cidadã de 1988 que a prioridade de recursos públicos em obras hídricas deve ser a dessedentação humana e animal. O Projeto inverte esta prioridade, colocando em primeiro lugar o uso econômico da água em detrimento do uso social;
b) a mesma Constituição também afirma que obras públicas que passam por territórios indígenas ou comunidades tradicionais, para serem aprovadas, devem ter o parecer do Congresso Nacional. O Congresso jamais foi consultado ou deu algum parecer sobre a obra.
http://www.ihu.unisinos.br/566069-transposicao-do-rio-sao-francisco-e-uma-obra-eleitoreira-e-significa-o-fortalecimento-de-grupos-politicos-entrevista-especial-com-dom-luiz-flavio-cappio

CNBB DECLARA QUE REFORMA DA PREVIDÊNCIA APROFUNDA A EXCLUSÃO

VEJAM A NOTA DA CNBB SOBRE A PROPOSTA EM DEBATE DA REFORMA DA PREVIDÊNCIA.

 http://www.jubileusul.org.br/nota/4277

PARA A CNBB, REFORMA D PREVIDÊNCIA "ESCOLHE O CAMINHO DA EXCLUSÃO SOCIAL"

IHU - 24 de março de 2017
A Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou, nesta quinta-feira, dia 23 de março, uma nota sobre a Reforma da Previdência. No texto, aprovado pelo Conselho Permanente da entidade, os bispos elencam alguns pontos da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287/2016, considerando que a mesma “escolhe o caminho da exclusão social” e convocam os cristãos e pessoas de boa vontade “a se mobilizarem para buscar o melhor para o povo brasileiro, principalmente os mais fragilizados”.
A informação é publicada por CNBB, 23-03-2017.
Em entrevista coletiva à imprensa, também foram apresentadas outras duas notas. Uma sobre o foro privilegiado e outra em defesa da isenção das instituições filantrópicas. Na ocasião, a Presidência da CNBB falou das atividades e temas de discussão durante a reunião do Conselho Permanente, que teve início na terça-feira, dia 21 e terminou no fim da manhã desta quinta, 23.

Apreensão

Na nota sobre a PEC 287, a CNBB manifesta apreensão com relação ao projeto do Poder Executivo em tramitação no Congresso Nacional. “A previdência não é uma concessão governamental ou um privilégio. Os direitos Sociais no Brasil foram conquistados com intensa participação democrática; qualquer ameaça a eles merece imediato repúdio”, salientam os bispos.
O Governo Federal argumenta que há um déficit previdenciário, justificativa questionada por entidades, parlamentares e até contestadas levando em consideração informações divulgadas por outros governamentais. Neste sentido, os bispos afirmam não ser possível “encaminhar solução de assunto tão complexo com informações inseguras, desencontradas e contraditórias”.
A entidade valorizou iniciativas que visam conhecer a real situação do sistema previdenciário brasileiro com envolvimento da sociedade.
Eis a nota.
“Ai dos que fazem do direito uma amargura e a justiça jogam no chão”
(Amós 5,7)
Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, reunido em Brasília-DF, dos dias 21 a 23 de março de 2017, em comunhão e solidariedade pastoral com o povo brasileiro, manifesta apreensão com relação à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287/2016, de iniciativa do Poder Executivo, que tramita no Congresso Nacional.
O Art. 6º. da Constituição Federal de 1988 estabeleceu que a Previdência seja um Direito Social dos brasileiros e brasileiras. Não é uma concessão governamental ou um privilégio. Os Direitos Sociais no Brasil foram conquistados com intensa participação democrática; qualquer ameaça a eles merece imediato repúdio.
Abrangendo atualmente mais de 2/3 da população economicamente ativa, diante de um aumento da sua faixa etária e da diminuição do ingresso no mercado de trabalho, pode-se dizer que o sistema da Previdência precisa ser avaliado e, se necessário, posteriormente adequado à Seguridade Social.
Os números do Governo Federal que apresentam um déficit previdenciário são diversos dos números apresentados por outras instituições, inclusive ligadas ao próprio governo. Não é possível encaminhar solução de assunto tão complexo com informações inseguras, desencontradas e contraditórias. É preciso conhecer a real situação da Previdência Social no Brasil. Iniciativas que visem ao conhecimento dessa realidade devem ser valorizadas e adotadas, particularmente pelo Congresso Nacional, com o total envolvimento da sociedade.
O sistema da Previdência Social possui uma intrínseca matriz ética. Ele é criado para a proteção social de pessoas que, por vários motivos, ficam expostas à vulnerabilidade social (idade, enfermidades, acidentes, maternidade...), particularmente as mais pobres. Nenhuma solução para equilibrar um possível déficit pode prescindir de valores éticos-sociais e solidários. Na justificativa da PEC 287/2016 não existe nenhuma referência a esses valores, reduzindo a Previdência a uma questão econômica.
Buscando diminuir gastos previdenciários, a PEC 287/2016 “soluciona o problema”, excluindo da proteção social os que têm direito a benefícios. Ao propor uma idade única de 65 anos para homens e mulheres, do campo ou da cidade; ao acabar com a aposentadoria especial para trabalhadores rurais; ao comprometer a assistência aos segurados especiais (indígenas, quilombolas, pescadores...); ao reduzir o valor da pensão para viúvas ou viúvos; ao desvincular o salário mínimo como referência para o pagamento do Benefício de Prestação Continuada (BPC), a PEC 287/2016 escolhe o caminho da exclusão social.
A opção inclusiva que preserva direitos não é considerada na PEC. Faz-se necessário auditar a dívida pública, taxar rendimentos das instituições financeiras, rever a desoneração de exportação de commodities, identificar e cobrar os devedores da Previdência. Essas opções ajudariam a tornar realidade o Fundo de Reserva do Regime da Previdência Social – Emenda Constitucional 20/1998, que poderia provisionar recursos exclusivos para a Previdência.
O debate sobre a Previdência não pode ficar restrito a uma disputa ideológico-partidária, sujeito a influências de grupos dos mais diversos interesses. Quando isso acontece, quem perde sempre é a verdade. O diálogo sincero e fundamentado entre governo e sociedade deve ser buscado até à exaustão.
Às senhoras e aos senhores parlamentares, fazemos nossas as palavras do Papa Francisco: “A vossa difícil tarefa é contribuir a fim de que não faltem as subvenções indispensáveis para a subsistência dos trabalhadores desempregados e das suas famílias. Não falte entre as vossas prioridades uma atenção privilegiada para com o trabalho feminino, assim como a assistência à maternidade que sempre deve tutelar a vida que nasce e quem a serve quotidianamente. Tutelai as mulheres, o trabalho das mulheres! Nunca falte a garantia para a velhice, a enfermidade, os acidentes relacionados com o trabalho. Não falte o direito à aposentadoria, e sublinho: o direito — a aposentadoria é um direito! — porque disto é que se trata.”
Convocamos os cristãos e pessoas de boa vontade, particularmente nossas comunidades, a se mobilizarem ao redor da atual Reforma da Previdência, a fim de buscar o melhor para o nosso povo, principalmente os mais fragilizados.
Na celebração do Ano Mariano Nacional, confiamos o povo brasileiro à intercessão de Nossa Senhora Aparecida. Deus nos abençoe!
Brasília, 23 de março de 2017.
Cardeal Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília
Presidente da CNBB
Dom Murilo S. R. Krieger, SCJ
Arcebispo de São Salvador da Bahia
Vice-Presidente da CNBB
Dom Leonardo Ulrich Steiner, OFM
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário-Geral da CNBB
http://www.ihu.unisinos.br/566081-para-cnbb-reforma-da-previdencia-escolhe-o-caminho-da-exclusao-social

quarta-feira, 22 de março de 2017

DIA DA ÁGUA, ÁGUA DE CADA DIA

Dia da água, água de cada dia
Roberto Malvezzi (Gogó)
Um país que é o mais rico em água doce do mundo
Que tem a maior malha hídrica de rios do planeta
Que tem chuva em todo território nacional
Quem tem seu ciclo das águas potencializado pela floresta Amazônica,
Que distribui suas águas pelo Amazonas Voador que vai até Buenos Aires
Ou até mesmo até a Patagônia
Que armazena as chuvas desse rio nos aquíferos do Cerrado
Ou até mesmo no Aquífero Guarani
Que tem um único rio que sai do Sul para o Norte, pela Depressão Sertaneja
E que se chama rio São Francisco
E que é alimentado pelas águas do Cerrado
Mas, que tem uma elite econômica e política que vê as florestas e as águas como inimigas
Que para produzir tem que destruir
Ou acha que riqueza é soja, boi e eucalipto, mas não a água, as florestas e sua biodiversidade
Que faz obras hídricas faraônicas, mas é incapaz de lançar um olhar sobre o manancial de onde essa água sai
Ou faz a água faltar nas casas e torneiras do povo
Que insiste em privatizar os mananciais ou o uso da água
Que polui seus rios e esgota seus aquíferos
Esse país merece a observação de um Papa argentino chamado Francisco: “O criador foi pródigo com o Brasil. Concedeu-lhe uma diversidade de biomas que lhe confere extraordinária beleza. Mas, infelizmente, os sinais da agressão à criação e da degradação da natureza também estão presentes”
Esse país precisa de uma profunda conversão ecológica
E desenvolver uma nova cultura da água.

ATENÇÃO: ONU AFIRMA QUE O CLIMA ENTROU EM CAMPO DESCONHECIDO

Onu confirma calor recorde e diz que clima entrou em "território desconhecido"
IHU - 21 Março 2017
Informe anual publicado nesta segunda-feira, 20, pela Organização das Nações Unidas (ONU) confirma que 2016 bateu todos os recordes de temperatura, 2017 mantém a mesma tendência e o clima mundial entrou em “território desconhecido”. Segundo os cientistas, os modelos criados nas últimas décadas para examinar o comportamento da atmosfera já não atendem aos eventos extremos pelo planeta.
A reportagem é de Jamil Chade, publicada por O Estado de S. Paulo, 21-03-2017.
“Estamos vendo mudanças profundas ao redor do planeta que estão desafiando os limites de nosso entendimento sobre o sistema climático. Estamos de fato em um território desconhecido”, alertou David Carlson, especialista da entidade.
Os dados iniciais deste ano já preocupam. Em menos de três meses, o Ártico registrou três ondas de calor, com poderosas tempestades vindas do Atlântico e trazendo umidade. Durante o auge do inverno no Polo Norte, alguns dias tiveram temperaturas próximas do degelo. Em certos lugares, como a costa da RússiaAlasca e partes do Canadá, a temperatura média ficou 3°C acima da média registrada entre 1961 e 1990. Em Svalbard, região ártica da Noruega, os registros apontam para 6,5°C acima da média histórica.
Em 2016, outros fatos já chamavam a atenção. Em 24 de março, a camada de gelo no Polo Norte era de 14,5 milhões de quilômetros quadrados, a mais baixa desde que satélites começaram a medir o espaço em 1979. Em novembro, o gelo chegou até mesmo a diminuir. Na Antártida, a redução da camada de gelo também foi recorde.

Segundo a ONU, as pesquisas indicam que as mudanças no Polo Norte e o degelo do Ártico estão levando a uma mudança nos padrões de circulação nos oceanos e na atmosfera. Isso afeta o clima em outras partes do mundo. “Novos estudos revelam que o aquecimento dos oceanos pode ter sido maior do que se previa”, apontou a Organização Meteorológica Mundial (OMM), braço da ONU. “Dados provisórios também indicam que não houve uma perda da taxa de aumento de concentração de CO2 na atmosfera”, disse.
O resultado é que, em regiões do Canadá e dos Estados Unidos onde deveria fazer frio nesta época do ano, o clima foi ameno. Já no Norte da África, o inverno foi mais intenso do que a média em 2017. Apenas nos EUA, 11,7 mil recordes de temperaturas foram quebrados em fevereiro, inverno no país.

Recorde histórico

Para cientistas, 2016 “fez história, com temperatura global recorde, camada de gelo baixa, aumento do nível dos oceanos e temperatura da água”. A média do ano ficou 1,1°C acima da era pré-industrial e 0,06°C acima do recorde anterior, de 2015. “Esse aumento de temperatura é consistente com outras mudanças no sistema climático”, disse o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas. “Está cada vez mais clara a influência das atividades humanas no sistema climático.”
Taalas afirma que instrumentos de informática cada vez mais poderosos têm permitido demonstrar as ligações entre as atividades humanas e certos eventos extremos, como ondas de calor. No Oriente Médio e no norte da África, novos recordes foram batidos, com 54°C em Mitribah (Kuwait), 53,9°C em Basra (Iraque) e 53°C em Delhoran, um recorde para o Irã. No dia 6 de setembro e já no fim do verão, a cidade espanhola de Córdoba registrou 45,4 °C.
Cada um dos 16 anos do século 21 foram pelo menos 0,4°C acima da média registrada entre 1961 e 1990. Mesmo o fenômeno do El Niño entre 2015 e 2016 foi mais intenso que suas últimas quatro aparições, em 1973, 1983 e 1998.
Todos os dados de 2016 de fato apontam para um ano atípico. A cobertura de gelo pelo mundo caiu em mais de 4 milhões de quilômetros quadrados abaixo da média em novembro, uma anomalia considerada como “sem precedentes”.
temperatura elevada de oceanos contribuiu para uma mortalidade acima da média, com impacto em cadeias marinhas e ecossistemas. O impacto social também tem sido profundo. A seca em partes da África levou 20 milhões a depender de ajuda. Na Bacia Amazônica, o volume de chuvas é o menor desde que se tem registro, afetando também o Nordeste brasileiro. O nível dos oceanos está 20 centímetros acima das taxas do início do século 20 e, com o El Niño, as águas aumentaram em 15 milímetros entre novembro de 2014 e fevereiro de 2016, quando um novo recorde foi registrado.
http://www.ihu.unisinos.br/565971-onu-confirma-calor-recorde-e-diz-que-clima-entrou-em-territorio-desconhecido 

terça-feira, 21 de março de 2017

CARTA DA IGREJA IECLB SOBRE A REFORMA DA PREVIDÊNCIA

Alegres, Jubilai!
Igreja sempre em reforma: agora são outros 500
“Nele vivemos, nos movemos e existimos” (Atos 17. 28a)

Carta da Direção da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil-IECLB às Autoridades responsáveis pela Nação Brasileira

Disse ainda o Senhor: Certamente vi a aflição do meu povo (...) e ouvi o seu clamor por causa dos seus exatores. Conheço-lhes o sofrimento (Êxodo 3.7). 

Movida pelo Evangelho de Jesus Cristo, sabendo-se incumbida da tarefa profética, zelando pelo respeito à justiça em favor da paz, a Presidência da IECLB, juntamente com Pastoras e Pastores Sinodais, recorda o que tem sido expresso em cartas pastorais no ano que passou, e admoesta as autoridades.

¨Há um clima de crescente tensão. Em lugar da palavra são colocados gritos, empurrões. Cresce o confronto a qualquer custo. Será que estamos esquecendo o que conquistamos a duras penas? Cansamo-nos da bendita oportunidade de viver a democracia que se constrói com diálogo? Afinal, a democracia não está à venda! É nossa convicção de que somos livres, por graça divina, para cuidar bem desse bem!¨ (Carta Pastoral de Março de 2016).

¨Vivemos momentos de muito confronto. Crescem assustadoramente os gestos de intolerância, agressividade e violência. Nesse contexto, como evitar o confronto pelo simples confronto? Quem ganha ou lucra em uma sociedade polarizada?¨ (Por ocasião do Dia da Reforma, em 31.10.2016).

 “Para onde estamos indo? Nosso atual cenário político é tal que não sabemos o que poderá nos surpreender daqui a algumas horas (...) A democracia no Brasil é frágil, e ela está ferida. Historicamente, tivemos uma sistemática fragilização das instituições sob as quais a democracia se sustenta e é promovida, enquanto sistema de Governo. E hoje não é diferente, mas com o agravante de lesar a democracia como forma de cidadania” (Carta Pastoral de 15.11.2016).

Em 2017, lamentavelmente, aumenta o receio de que o Brasil caminha em direção ao abismo. Para exemplificar, focamos o tema da reforma da Previdência. “Há quantas décadas ouvimos que recursos desse caixa são desviados para viabilizar outros projetos. Há quanto tempo ouvimos que é incalculável o montante de contribuições ao INSS que é sonegado. O noticiário é farto em dados que denunciam aposentadorias astronômicas para uma minoria privilegiada. Afinal, como os recursos pagos à Previdência são administrados?” (Carta Pastoral de novembro passado).

Enquanto ecoam, e de forma crescente, esses questionamentos em todo o território brasileiro, vicejam notícias de que assuntos diretamente relacionados à vida da população sofrida e marginalizada, como os que estão implicados na reforma da Previdência, estão sendo avaliados e decididos em meio a negociações e manjares pouco comprometidos com a superação da aflição da população (Amós 6.6). Aprofunda-se o escândalo da corrupção. A legitimidade dos atuais legisladores está abalada na sua essência, mesmo com exceções. Que autoridade lhes resta para revisar e definir questões da amplitude de uma reforma trabalhista e previdenciária, que irá impactar novamente naqueles setores da sociedade já fragilizados? O descolamento da classe política do povo brasileiro é notório. Se sobra alguma relação, ela é cínica e dissimulada. Diante do quadro reinante, a cantilena de Martim Lutero soa como se tivesse sido composta no ano do Jubileu da Reforma, em 2017: “Desde o início do mundo, um príncipe [pessoa instituída de autoridade política] sábio é ave rara, e um príncipe honesto, mais raro ainda”.

Diante do quadro real que a sociedade brasileira assiste, particularmente em vista do tema da reforma da Previdência, a IECLB dirige-se aos e às integrantes do Congresso Nacional, estendendo o apelo ao Executivo e ao Judiciário, e afirma enfaticamente: a reforma da Previdência não pode ser objeto e resultado de acordos e conchavos políticos. Essa reforma deve ser debatida pela sociedade brasileira, que tem direito à transparência e ao acesso aos números e dados da Previdência, bem como à sua gestão. Sem isto e em meio a informações contraditórias e parciais, não é possível confiar nas propostas apresentadas.

A IECLB reafirma a importância do Estado laico. Bem por isso, sem confundir Igreja e Estado, mas sabendo da sua responsabilidade pública derivada do compromisso com o Evangelho de Jesus Cristo, a IECLB admoesta as autoridades diante do quadro brasileiro com a Palavra do Senhor: Executai o direito e a justiça e livrai o oprimido das mãos do opressor; não oprimais ao estrangeiro, nem ao órfão, nem à viúva; não façais violência, nem derrameis sangue inocente neste lugar (Jeremias 22.3).

 Foz do Iguaçu/PR, 17 de março de 2017. 

Pastor Dr. Nestor Paulo Friedrich - Pastor Presidente Pastora Sílvia Beatrice Genz - Pastora 1ª Vice-Presidente Pastor Inácio Lemke - Pastor 2º Vice-Presidente Pastora Dimuht Marize Bauchspiess, Pastora Sinodal do Sínodo da Amazônia, com sede em Cacoal/RO Pastor Dalcido Gaulke, Pastor Sinodal do Sínodo Brasil Central, com sede em Brasília/DF Pastor Bruno Ari Bublitz, Pastor Sinodal do Sínodo Centro-Campanha-Sul, com sede em Santa Cruz do Sul/RS Pastor Jacson Homero Eberhardt, Pastor Sinodal do Sínodo Centro-Sul Catarinense, com sede em Florianópolis/SC Pastor Joaninho Borchardt, Pastor Sinodal do Sínodo Centro-Sul Catarinense, com sede em Vitória/ES Pastor Nilo Orlando Christmann, Pastor Sinodal do Sínodo Mato Grosso, com sede em Cuiabá/MT Pastora Ma. Tânia Cristina Weimer, Pastora Sinodal do Sínodo Nordeste Gaúcho, com sede em Estância Velha/RS Pastor Vilson Emilio Thielke, Pastor Sinodal do Sínodo Noroeste Riograndense, com sede em Três de Maio/RS Pastor Inácio Lemke, Pastor Sinodal do Sínodo Norte Catarinense, com sede em Joinville/SC Pastor Odair Airton Braun, Pastor Sinodal do Sínodo Paranapanema, com sede em Curitiba/PR Pastor Ricardo Cassen, Pastor Sinodal do Sínodo Planalto Rio-Grandense, com sede em Carazinho/RS Pastor Me. Edson Edilio Streck, Pastor Sinodal do Sínodo Rio dos Sinos, com sede em São Leopoldo/RS Pastor Lauri Roberto Becker, Pastor Sinodal do Sínodo Rio Paraná, com sede em Toledo/PR Pastor Geraldo Graf, Pastor Sinodal do Sínodo Sudeste, com sede em São Paulo/SP Pastora Roili Borchardt, Pastora Sinodal do Sínodo Sul-Rio-Grandense, com sede em Pelotas/RS Pastor Jair Luiz Holzschuh, Pastor Sinodal do Sínodo Uruguai, com sede em Chapecó/SC Pastor Breno Carlos Willrich, Pastor Sinodal do Sínodo Vale do Itajaí, com sede em Blumenau/SC Pastor Gilciney Tetzner, Pastor Sinodal do Sínodo Vale do Taquari, com sede em Teutônia/RS

DECLARAÇÃO DO SEMINÁRIO INTERNACIONAL SOBRE O DIREITO À ÁGUA

DIREITO HUMANO À ÁGUA
DECLARAÇÃO DE ROMA 2017

Declaração final do seminário ´O direito Humano à Água: contribuições e perspectivas interdisciplinares sobre a centralidade das práticas públicas na gestão dos serviços de água e saneamento, em que tive a alegria de participar, realizado nos dias 23 e 24 de fevereiro de 2017 na Pontifícia Academia de Ciências do Vaticano e organizado pela Pontifícia Academia e a Cátedra do Diálogo e a Cultura do Encontro (de Buenos Aires, Argentina). A Declaração foi assinada por sua Santidade o Papa Francisco, pelos organizadores e participantes do seminário, como se vê no final do texto.

O Papa Francisco expõe, em sua encíclica Laudato Si´, as principais limitações ao direito humano à água, incluindo a falta de acesso à água potável e ao saneamento, as iniquidades persistentes a respeito da disponibilidade e qualidade do recurso. Além disso, refere-se às consequências negativas das secas e inundações na produção de alimentos, o agravamento de enfermidades relacionadas com a contaminação, e nos alerta em relação a uma “economia verde” que, com frequência, é verde não por ser ecológica, mas porque a sua mercadoria é a natureza.

A crise socioambiental que enfrentamos origina-se de uma ação humana irresponsável com o ambiente que teve como consequência a multiplicação de situações de injustiça socioambiental, de aumento da desigualdade e da pobreza e a falta de uma alimentação adequada. Cada vez mais, em todo o mundo a falta de acesso à água segura e a contaminação das fontes afetam, gravemente, a qualidade de vida das pessoas e, em particular, das mulheres, dos mais pobres e das populações mais vulneráveis. Além disso, milhares de pessoas em todo o mundo veem as suas vidas ameaçadas por exigirem o direito à água ou defenderem ativamente os recursos naturais.

Os modelos produtivos centrados nos combustíveis fósseis têm uma responsabilidade direta em relação ao aquecimento global. A mudança climática, da mesma forma que a escassez da água, é uma consequência da ação humana. A degradação do ambiente tem sido incrementada em escala exponencial, e o mundo enfrenta hoje as consequências de modelos econômicos de produção que “privatizam os ganhos e socializam as perdas”. Em regiões como a Amazônia a deflorestação e a contaminação das nascentes de água foram aceleradas nas últimas décadas como consequência do desenvolvimento de atividades minerárias, produtivas e a realização de obras de infraestrutura, dando origem a conflitos reais e potenciais de diversos tipos e escalas.

Muitas culturas, sociedades e religiões do mundo reconhecem a água como princípio espiritual e material da vida e como lugar de encontro. Reconhecem também que, no universo, tudo está interligado e que o cuidado dos bens comuns exige soluções baseadas na cooperação, na solidariedade e na cultura do diálogo. Sobre esta base devem ser construídos novos paradigmas em que a humanidade não pretenda um domínio ilimitado e desrespeitoso sobre a natureza, e sim que exerça uma responsabilidade coletiva.

As pessoas e os grupos mais afetados pela escassez de água e a falta de saneamento básico devem ser envolvidos nas transformações necessárias para garantir seu acesso universal. Cada pessoa, a partir de suas experiências, suas iniciativas e suas capacidades, é chamada a participar ativamente no cuidado da casa comum. Nas casas, bairros, cidades, regiões e países, com respostas e ações pequenas e grandes, somos chamados a garantir o acesso universal à água segura e ao saneamento, e exercer nossa responsabilidade com nossos semelhantes e com as gerações futuras.
Assegurar o direito à água segura é fundamental para o exercício de outros direitos como o da alimentação, da saúde e do bem-estar. Os direitos humanos proporcionam uma base normativa e constituem uma fonte de autoridade e legitimidade para tornar efetivo o acesso universal e equitativo a este recurso. O direito à água potável e ao saneamento, presente em pactos, instrumentos e declarações internacionais, é indispensável para o desenvolvimento da vida humana. Por isso, não admitem discussão em relação ao seu reconhecimento como direito humano fundamental.
Mesmo sendo esse um desafio enorme, contamos com a solidariedade e a sensibilidade coletiva, fruto do diálogo de filosofias, saberes, espiritualidades e epistemologias. Existem hoje múltiplas e valiosas experiências e iniciativas orientadas ao cuidado da casa comum. Temos hoje uma melhor compreensão do problema, que não prioritariamente de escassez, e sim de uma gestão inadequada do recurso. Sabemos que o uso dos combustíveis fósseis na geração de energia contribui com as mudanças climáticas. Contamos com um importante acevo científico, bem como tecnologias, para a geração de energia limpa que pode ajudar a mitigar o aquecimento global. Sabemos o que se deve fazer: pensar em outro paradigma de desenvolvimento centrado no cuidado da casa comum e na solidariedade, equidade e justiça no uso e gestão da água.
Muitos dos atuais sistemas econômicos e produtivos, e os modos de vida e de consumo, degradam o ambiente. Necessitamos de uma educação que contribua para uma mudança cultural em relação ao reconhecimento do outro e da defesa da água e dos ecossistemas; necessitamos uma urgente mudança cultural em que a ciência e a tecnologia possam dar contribuições fundamentais na preservação da água e de seu uso universal. Para proteger os bens comuns é necessário contar com ferramentas jurídicas mais eficazes. A perspectiva de direitos humanos pode fazer a diferença: evitar que o serviço da água e saneamento caia no controle de grupos de poder, e que, em vez disso, constitua uma obrigação juridicamente vinculante.
Necessitamos de governos que tenham vontade e força política e que possam gerar as mudanças necessárias seguindo o imperativo moral dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, aprovados depois do discurso do Papa Francisco à comunidade internacional, de modo especial nos pontos 6 a 14. Isto exige um compromisso coletivo em favor da construção de políticas públicas globais, estatais e locais que incorporem mecanismos de participação reais e efetivos para o exercício pleno da cidadania e do cuidado dos bens comuns. É urgente, hoje, alcançar consensos sobre modelos de governança que permitam a favoreçam a formação de uma autêntica cultura da água. Além disso, os governos devem garantir a segurança e a vida de todos os que trabalham pelo direito à água e pela preservação da natureza.
O reconhecimento dos direitos deve ser complementado com as responsabilidades da ação por parte de todos os setores. Isto implica mudanças em estilos de vida, produção e consumo, assim como o desenvolvimento de energia renováveis e limpas. A garantia de água segura em quantidades necessárias, a coleta das águas servidas e sua destinação em lugares ambientalmente adequados, contribuem com o cuidado da casa comum e à dignidade das pessoas e leva à construção de cidadanias responsáveis com as gerações presentes e futuras.
Cada um de nós, cientistas, empresários, trabalhadores e toda a humanidade, devemos tomar consciência de que a mudança climática exige medidas concretas e urgentes. Em sua encíclica, o Papa Francisco propõe a construção de uma ecologia integral no cuidado da casa comum, convidando a uma mobilização coletiva e articulada em defesa do acesso universal à água segura em que devem participar os governos, as instituições, o setor privado, os trabalhadores e as sociedades de todo o mundo. Assumir o compromisso colaborativo e a ação coletiva é necessário para evidenciar a urgência da mudança da racionalidade instrumental na direção de uma verdadeira solidariedade intergeracional. Fazemos um chamado a implementar uma Ecologia integral, que incorpore a dimensão ambiental, econômica, social e cultural, e que contribua com a construção de uma cultura do encontro em torno à água e ao saneamento como direitos universais. A ciência, a cultura, a política e a tecnologia podem contribuir para que tenhamos de sociedades mais justas, solidárias e equitativas comprometidas com o cuidado da casa comum. 
ASSINANTES:
Papa Francisco -  Card. Claudio Hummes -  Mons. Marcelo Sánchez Sorondo – José Luis Lingeri -  Luis Liberman – Gabriela Sacco
Jerónimo Ainchil - Alejandra Alberdi - H. Dogan Altinbilek - Cristian Asinelli - Juan Ayala - Adrián Bernal -  Asit Biswas - Emilia Bocanegra - Rutger Boelens - Valeria Bubas - Rebeca Céspedes - Keshav Chandra - Michael Cohen - Ismael Cortazzo - Elena Cristofori -  Emilio Custodio - Magalid Cutina - Leandro Del Moral - Gabriel Eckstein - Emanuele Fantini - María Feliciana Fernández García -  Ana Ferreira - Alfredo Ferro - Héctor Floriani - Enrique García - Alberto Garrido - Peter Gleick - Adrián González - Quentin Grafton - Joyeeta Gupta - Pedro Hughes - Giulia Lanzarini - Marcelo Lorelli -  José Luis Inglese - José Paulino Martínez Cabrera -  Ugo Mattei - Hugo Maturana - David Molden - Alberto Monfrini - Daniel Nolasco - Virginia Oliver - Rosa Pavanelli - Ivo Poletto - Pedro Romero - Carlos Salamanca - Farhana Sultana - Danya Tavela - Cecilia Tortajada - Jorge Triana Soto - Jerry van den Berge - Gianni Vattimo - Virgilio Viana - Alessia Villanucci - Martin Von Hildebrand - Aaron Wolf - Ana Zagari - Christian Ferrando – Christ:iane Torloni - José Romero - Laureano Quiroga- María Inés Narvaja.



MOBILIZAÇÃO DO FMCJS: SEMANA DA ÁGUA

Amigos e Amigas,

Do dia 20 a 26 de março, estaremos celebrando a Semana da Água.

Como parte do nosso trabalho de mobilização pelo meio ambiente da vida decidimos debater a importância da recuperação das nascentes e das matas ciliares e da preservação da Amazônia e do Cerrado.

Você pode baixar a carta Semana da Água aqui:

Estamos também realizando uma campanha de postagens no Facebook, e lançaremos um vídeo, todos a serem publicados na página www.fb.com/fmclimatica.

As postagens já começaram e serão publicadas quase todos os dias até a sexta-feira 24 de março. 

Amanhã, dia 21, será publicado o vídeo da Semana da Água.

Compartilhe nossas postagens, ajude a campanha a ganhar corpo e organize iniciativas de reflorestamento de nascentes na sua região.


Obrigado e bom uso